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Soaring Black Bird - Chapter 11

Dragon Taming [disciplinando dragões]

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Rayvenne acordou na manhã seguinte com os passos apressados de alguém subindo as escadas de madeira d'A Toca , logo ouviu o rangido da porta de seu quarto se abrindo . Franziu as sobrancelhas , odiava quando a acordavam antes da hora.

-Rayvenne!!Desça!! Estamos esperando você para o café da manhã! - a voz de Ron fez a garota que antes tinha os olhos semi cerrados ,abrí-los totalmente e sentar-se na cama num impulso , a garota olhou para a cama ao lado , estava vazia e totalmente arrumada.

-Que horas são? - ela perguntou com a voz ainda meio rouca.

-São nove e meia! - o ruivo respondeu , Rayvenne pulou da cama e se pôs a revirar seu malão em busca de algo par a vestir.

-O pessoal já começou a trocar presentes? - ela perguntou puxando a primeira blusa de manga comprida que achou.

-Está fora de ordem , todos que desceram já saíram distribuindo presentes - ele respondeu , Rayvenne sentiu uma certa pontada de remorso , perder a hora logo no dia de Natal? Uma grande mancada.. - Eu vou descendo , apresse-se Ray!

-Ok ! - a garota logo parou de mexer no malão para voltar a olhar o ruivo - A propósito , Ron , feliz Natal!

-Feliz Natal , Ray! - ele respondeu sorrindo enquanto fechava a porta do quarto

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Carregando consigo as duas vassouras embrulhadas em baixo do braço esquerdo e os outros três embrulhos com as mãos , Rayvenne desceu as escadas tomando cuidado para não tropeçar. As vozes na cozinha iam ficando cada vez mais altas a medida que Rayvenne ia descendo. Ao colocar os pés no chão de madeira , ela deu uma boa olhada na situação do lugar.

A Sra. Weasley colocava os últimos pratinhos com manteiga em cima da longa mesa de madeira , Carlinhos conversava animadamente com o Sr. Weasley e Gui enquanto que Ron , Harry e Hannah pareciam muito interessados no que os gêmeos estavam fazendo. Os dois pareciam olhar um para o suéter do outro , como se esperassem algo acontecer , Rayvenne estranhou se aproximando deles.

-Feliz Natal , pessoal! - ela disse colocando os embrulhos que estavam em suas mãos num espaço vazio sobre a mesa e segurando os dois embrulhos compridos cada um em uma mãos . Os gêmeos se assustaram com a aproximação furtiva de Rayvenne e , por um breve instante , a garota jurou ter visto os suéteres iguais que estavam usando passando do laranja para verde-musgo e logo voltando novamente ao laranja.

-Vocês viram? - disse Hannah orgulhosa - Mudou para o verde!

-E o que verde quer dizer? - Ron perguntou ainda deslumbrado com os suéteres dos gêmeos.

-Quer dizer medo! - Hannah respondeu ainda num tom orgulhoso , Rayvenne arqueou uma sobrancelha.

-É o presente que Hannah nos deu! - George disse ao perceber a confusão da loira - Suéteres que mudam de cor de acordo com o humor do usuário!

-Nossa! - Rayvenne disse surpresa , voltando a olhar os suéteres laranja com alguns detalhes em preto na gola e nas mangas - Foram esses os presentes que você disse que estava fazendo , Hannah?

-Foram sim! - ela disse orgulhosa de sim mesmo.

-Espera um pouco...você fez os suéteres? - Harry perguntou incrédulo.

-Bem... não totalmente - Hannah respondeu - Eu só os enfeiticei mesmo...

-É...um feitiço digno de N.I.E.M. que nem mesmo eu e Fred aprendemos , diga-se de passagem - George retrucou ainda abismado - Fred , anote esse aí para nossa lista de feitiços úteis a serem aprendidos!

-Realmente muito útil - Rayvenne murmurou ironicamente , Fred abriu a boca para responder mas foi cortado por sua mãe.

-Ah! Rayvenne , querida! Que bom que acordou! Estávamos a sua espera! - ela disse sacando a varinha e usando um feitiço convocatório em um embrulho quadriculado que jazia em cima de uma cadeira na sala. O embrulho veio voando em direção à Sra. Weasley e Rayvenne teve que abaixar a cabeça para que ele não a atingisse. - Tome aqui! Esse é seu! Feliz Natal , Rayvenne!

A garota colocou as vassouras no chão , tomou o embrulho em mãos e olhou para a Sra. Weasley um tanto constrangida , não havia comprado nada para ela nem para o Sr. Weasley.

-Ah..obrigada.. – Rayvenne disse sem jeito - ..não precisava...é sério! Eu..eu não tenho nada para a senhora!

-Bobagem , querida! Bobagem! – a mulher disse movimentando as mãos e sorrindo – É um hobby meu tricotar , sabe! Então eu apenas aproveitei a oportunidade! Agora , sente-se!

A garota sentou-se no espaço ao lado de Fred e em frente a Ron , ainda olhando para o embrulho.

-Mamãe nos faz um desses todos os anos – Fred disse num certo tom debochado – É bem folgado , mas esquenta bastante.

Rayvenne abriu o embrulho cuidadosamente , e logo tirou de dentro um suéter verde claro com a gola e a barra prateadas e um grande "R" disposto bem ao meio , também prateado.

-É a primeira vez que mamãe faz um verde – comentou Ron já atacando uma torrada – Ela não sabia que verde usar para combinar com o de Sonserina!

-Está perfeito.. – Rayvenne disse vestindo o suéter com um grande sorriso no rosto. Sua avó não costumava tricotar e sua mãe sempre fora uma pessoa muito ocupada para conseguir se concentrar em trabalhos manuais ou caseiros , era a primeira vez que recebia um presente feito a mão – Muito obrigada , Sra. Weasley!

-Esse aqui é seu , Ray – Hannah disse jogando um pacotinho retangular para Rayvenne que pegou antes de cair na mesa, o pacotinho era todo vermelho , Rayvenne o chacoalhou e pode ouvir um barulho que a lembrava de um chocalho – São Pimentinhas Flamejantes – Hannah explicou – Em aparência são praticamente iguais a Feijõezinhos de Todos os Sabores , mas se alguma pobre alma a colocar na boca , sofrerá de uma gastrite momentânea tão forte que cuspira fogo.

-Invenção do seu avô , se quer saber – Fred sussurrou para Rayvenne , fazendo-a corar ligeiramente . A garota logo se lembrou de seus próprios presentes.

-Ah sim! Hannah , esse é seu! – Rayvenne pegou o bisbilhoscópio e o empurrou para Hannah que o pegou já desconfiando do formato do embrulho – Esse é pra você , Harry! – ela jogou o pacote com as luvas para Harry que agradeceu com um aceno de cabeça – E esse é pro Roniquinho! – ela terminou num tom zombeteiro empurrando a cesta embrulhada pra um Ron incomodado com o apelido. Os gêmeos pigarrearam em uníssono.

-Srta. Goldenwing...– Fred começou.

-...não está se esquecendo ninguém? – George completou. Rayvenne sorriu de um modo maroto.

-Não. Já dei torta de caramelo pro Fredinho ontem! – ela disse fazendo Harry e Ron rirem um pouco. A garota pegou as duas vassouras do chão e entregou uma para cada gêmeo.

-Então na verdade você tinha comprado aquelas bengalas doces pra gente? – George perguntou com a vassoura em mãos , ele ainda achava que aquilo era apenas uma simples bengalas doces por conta de uma mentira que Rayvenne tinha contado no dia em que partiam de Hogwarts para que não estragasse a surpresa – Sabia que você não gastaria tantos galeões com o Roniquinho.

-Bengalas doces? – Fred perguntou ao irmão – Que tipo de criancinha gulosa ela acha que somos? – ele perguntou zombeteiro.

-Abram logo! – Ron disse já devorando um dos doces da cesta que ganhara de Rayvenne ,os gêmeos lançaram-no um olhar furtivo e voltaram a se entreolhar.

-Esse tipo de criança – eles disseram em uníssono fazendo Rayvenne rir , a garota ainda não tinha negado o que os gêmeos diziam de suas novas Nimbus 2001 , queria ver as caras abismadas que os gêmeos fariam.

-Ah , Ray! Aquele bisbilhoscópio que eu queria! Obrigada! – Hanna disse com o pião multicolorido tamanho família em mãos – E o Ron tem razão gêmeos , abram logo!

-Mas já sabemos o que tem dentro , Honey-Honey! – George retrucou fazendo Hannah revirar os olhos.

-Ainda é falta de educação deixar de abrir um presente! – Hannah rebateu encarando George, o garoto suspirou.

-Ray , obrigado pelas luvas – Harry disse chamando a atenção da garota que sorria com a cena.

-De nada , Harry – ela respondeu vendo que o garoto vestia as luvas – Elas são enfeitiçadas para ir a qualquer ponto do braço que você quiser! – ela continuou pegando a mão de Harry que já estava com a luva e puxando-a de modo que fosse até o cotovelo do garoto – É boa para algum dia em que você precise proteger os braços!

De repente , Rayvenne sentiu um par de mãos a segurar pelos ombros e a virar para trás , Fred e George que antes estavam ao sue lado agora estavam em pé atrás da garota , ambos com uma expressão séria no rosto . Fred a segurava pelos ombros e a encarava friamente.

-Qual? – o gêmeo perguntou com seriedade na voz.

-Qual o que? – a garota retrucou na mesma voz séria.

-Qual órgão do seu corpo você teve que vender pra compra-las? – os gêmeos perguntaram em uníssono fazendo Rayvenne rir. A garota olhou para o lado e viu Ron e Harry observando os dois embrulhos recém aberto em cima da mesa com duas Nimbus 2001 entre camadas de papel pardo , Rayvenne jurou que podia ver nascerem algumas sardas a mais no rosto de Ron , Hannah parecia surpresa , mas menos que os outros.

-Gostaram das bengalas doces , clones? – Rayvenne perguntou zombeteira. Os gêmeos ainda a olhavam, perplexos.

-Ray , me diga por favor que você não acabou com suas economias com elas – Fred disse ainda sério , Rayvenne se livrou das mãos do gêmeo e se levantou caminhando até as vassouras.

-Eu não sei se vocês lembram... – Rayvenne disse pegando uma das Nimbus e revirando-a com os dedos – Mas eu tenho um colega de casa muito rico.

Silêncio pairou entre os alunos ali presentes , o único som que se podia ouvir era o da Sra. Weasley já começando a preparar o almoço e Carlinhos , Gui e o Sr. Weasley conversando sobre Grigotts.

-Certo... – Harry disse quebrando o silêncio – Quantos anos você vai ter que servir de escrava para o Malfoy? – Rayvenne riu.

-Gente...vocês se esqueceram que eu tinha um trunfo contra o Malfoyzinho – Rayvenne disse pousando a Nimbus 2001 de volta entre os papeis pardos – Um certo segredo de uma certa garota corvinal...

-Ray...eu não acredito – Fred disse finalmente sorrindo.

-Você preferiu dá-las para nós? – George completou , incrédulo.

-Sabe...eu não queria ter que usar uma Nimbus 2001 como o resto do meu time... – ela disse pensativa, voltando a sentar-se em frente a Ron – Todo mundo com a mesma vassoura fica muito...monótono!

-Você tem noção que acabou de ajudar o time adversário, não é? – Harry comentou tocando o cabo negro de uma das vassouras.

-A Grifinória só se torna o time adversário na hora do jogo – Rayvenne disse com um sorriso maroto – No momento , estou só presenteando meu amigos...vou ter muito tempo pra me arrepender durante a final em Fevereiro quando os dois batedores da Grifinória mandarem o meu time todo para a Ala hospitalar.

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O resto do dia se passou com um farto almoço de Natal preparado pela Sra. Weasley enquanto os gêmeos se gabavam de suas vassouras novas só para irritar o irmão mais novo. Durante a tarde , eles resolveram finalmente testar as Nimbus 2001,mesmo estando realmente muito frio, num jogo gêmeos contra Harry , Ron e Rayvenne , naturalmente os ruivos ganharam.

Havia uma coisa que estava incomodando Rayvenne desde o café da manhã , um coisa um pouco mesquinha mas que deixou Rayvenne chateada. Nem Fred ou George haviam feito menção de lhe dar um presente. No começo achou que , como Ron , eles considerassem o presente que a Sra. Weasley lhe dera o presente da família toda para Rayvenne , mas depois descobriu que ambos tinham dado a Hannah um conjunto de pulseiras coloridas de metal que ,ao baterem uma na outra, produziam o som de sinos. Talvez os dois tivessem esquecido de comprar ou não haviam achado algo bom o suficiente , mas ela queria apenas que eles lhe dessem alguma satisfação.

O Sol fraco se punha no horizonte dando a neve que cobria toda a região um tom alaranjado. Rayvenne arrumava as coisas no malão , partiria na manhã seguinte de volta a Hogwarts , de volta a ter todas as aulas que mais gostava como também aquelas que odiava . Logo teriam os exames finais o que significava passar as próximas tardes trancafiada na biblioteca.Não que realmente se esforçasse muito para estudar , mas precisava pelo menos de um mínimo para poder passar. A garota foi tirada de seus devaneios com alguém batendo em sua porta , se virou para olhar quem o fizera e lá estava Fred , a garota acenou-lhe para entrar e ele o fez.

-Carlinhos quer ver o Fredinho agora – ele disse sentando-se em cima da cama de Rayvenne – Está nos esperando lá na cozinha , quer aproveitar que mamãe, papai e Gui saíram.

-Ok , vamos então?

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Rayvenne descia logo atrás de Fred com Fredinho em mãos. O dragão ainda não tinha recebido sua voz de volta e parecia muito incomodado com isso já que tentou , inúmeras vezes , morder a mão de Rayvenne até que ela cedeu e prometeu a ele que lhe devolveria a voz se ele cooperasse , e ele o fez. Fred carregava consigo o exemplar de "O Guia dos Dragões" de Rayvenne , caso precisassem.

Os dois chegaram até a cozinha e encontraram Carlinhos lendo alguma coisa em um livreto de capa preta e fazendo algumas anotações em um pergaminho. O Weasley mais velho subiu o olhar para Rayvenne e Fred quando os dois se aproximaram e sorriu ao ver Fredinho nos braços da garota.

-Eis o escamoso – ele disse enquanto Rayvenne punha o dragão sobre a mesa em frente a Carlinhos – Qual é o nome dele mesmo? – Rayvenne ficou meio sem jeito com a pergunta , tinha nomeado o dragão para parecer uma brincadeira , mas fala-lo em voz alta para outra pessoa fora de seu círculo de amizades soava um pouco...estranho.

-Fr.. – a garota começou mas logo foi cortada.

-Chame-o apenas de dragão – Fred disse sério , Carlinhos arqueou uma sobrancelha mas assentiu.

-Muito bem...vamos ver esses dentes , dragão – mas Fredinho recuou e olhou para Rayvenne como se a instigasse a lembrar de alguma coisa.

-Espere um pouco! – ela disse sacando a varinha – prometi a ele isso... Animus Vox! – e um jato de luz branca inrompeu da varinha da garota e atingiu o dragão que fechou os olhos vermelho sangue por um instante e logo voltou a abrí-los dirigindo a atenção ao Weasley mais velho.

-Eu não quero outro ruivo pestilento tocando em mim! – o dragão disse em sua vozinha rouca de sempre – Já não basta os três que tenho de aturar no castelo...

Carlinhos se surpreendeu com o que Fredinho havia dito , ele olhava para o dragão com demasiado interesse.

-São raríssimos os registros de um dragão que consiga falar – ele disse fazendo rápidas anotações no pergaminho – É a primeira vez que vejo um Dragão Anão falando...e sendo tão rude!

-Algum problema com isso , ruivo? – Fredinho falou em meio a um rosnado. Rayvenne deu um tapa na cabeça do dragão.

-Comporte-se e coopere ou vai começar a passar as noites nas masmorras comigo! – ela disse apontando a varinha para o dragão que apenas lhe lançou um olhar de desprezo. Carlinhos voltou a fazer anotações.

-Também nunca ouvi falar de um Dragão Anão que desobedeça... – ele disse agora examinando uma das patas de Fredinho – Quem foram as pessoas que chocaram o ovo?

-Eu e a Ray – Fred respondeu olhando para as anotações que o irmão fazia.

-E ele não obedece a nenhum dos dois? – Carlinhos perguntou recebendo um aceno negativo com a cabeça , de Fred – Interessante...quantos feitiços vocês já usaram nele?

-Apenas o de voz – Rayvenne disse olhando para Fredinho – É meio difícil conseguir testar os feitiços na escola.

-Então vamos testa-los aqui! – Carlinhos disse se levantando da mesa – Vamos , ainda não escureceu totalmente lá fora ! Ah , e ,Fred – ele disse parando nos calcanhares – É bom que você traga sua vassoura...e chame seu irmão!

O ruivo estranhou mas assentiu subindo de volta ao seu quarto , Rayvenne pegou Fredinho no colo e rumou para o jardim que agora já estava sem a lona. Não estava ventando tanto e não parecia que nevaria naquela noite , Carlinhos respirou fundo e voltou a olhar para Rayvenne.

- Coloque- no chão , Rayvenne – ele disse – Vamos testar sua habilidades de vôo!

Rayvenne hesitou por um instante , não que não confiasse em Carlinhos , mas a garota não estava muito segura quanto a deixar Fredinho voar , tinha a impressão que o dragão fugiria na primeira deixa.

Ferd e George logo apareceram na porta do jardim , Carlinhos sorriu.

-Muito bem , George , monte a sua vassoura – Carlinhos disse apontando para a vassoura – Vamos ver se o dragão consegue voar!

-Carlinhos , você é louco? – Fred perguntou indignado – Ele mal nos obedece quando está andando sobre quatro patas! Se conseguir voar , ele vai fugir! – Carlinhos sorriu.

-É aí que você se engana , Fred – ele disse olhando para o dragão – Os Dragões Anões são enfeitiçados para que não possam se distanciar demais daqueles que o chocaram , eles sempre tem que ficar perto de pelo menos um dos dois. Ou seja , pela lógica , nosso amiguinho escamoso não poderá voar para muito longe!

-E por quê eu estou aqui montado na vassoura? – George perguntou com uma das sobrancelhas arqueadas.

-Precaução – Carlinhos respondeu – Ele não parece ter todas as características de um Dragão Anão comum. Ele nunca voou antes , então não conseguirá voar muito rápido...se ele conseguir passar daquelas montanhas – Carlinhos disse apontando para as montanhas brancas no horizonte – pegue-o e traga-o para cá , ok?

George assentiu relutante , Rayvenne colocou Fredinho no chão. O dragão pareceu ansioso.

-Ala Engorgio! – Carlinhos disse apontando para Fredinho com sua varinha e um jato de luz azul turquesa saiu de sua varinha fazendo as asas fechadas de Fredinho ficarem com o dobro de seu tamanho – Muito bem, dragão , deve estar em seu sangue voar , vá em frente!

Fredinho abriu as agora enormes asas negras e , no meio da neve, saiu em disparada batendo as asas e se impulsionando para frente , logo o pequeno dragão estava no ar , batendo as asas de um modo cambaleante que lembrou Rayvenne da primeira vez que havia montado em uma vassoura. O dragão foi pegando altitude e logo estava mais alto que A Toca e ficando cada vez mais longe.

-Vai George! – Carlinhos disse , o gêmeo se impulsionou com os pés e logo estava no encalço de Fredinho.

Rayvenne estava apreensiva. Não importava o quanto Fredinho era mal educado e desobediente ou o quanto Rayvenne brigava com ele , Fredinho ainda era seu dragãozinho , seu bichinho de estimação . Perder Fredinho realmente a deixaria arrasada . A garota cerrava os punhos sem tirar os olhos do pontinho negro que parecia ser Fredinho e do pontinho um pouco maior ao lado dele que deveria ser George. A garota logo sentiu uma mão sobre seu ombro , se virou e encontrou Fred que também parecia observar Fredinho e seu irmão.

-É estranho , não é? – ele comentou agora olhando para Rayvenne – A sensação , quero dizer. Odeio admitir , mas acho que acabei criando um laço bem forte para com aquele lixo escamoso.

-Entendo... – ela disse voltando a olhar os pontos cada vez mais perto das montanhas – Você tem em mente que se Fredinho ultrapassar aquelas montanhas , teremos que tomar o dobro de cuidado para ele não escapar , não é?

-Estava mesmo pensando em transformar a minha cama em uma espécie de jaula , só não sabia que tipo de correntes Fredinho iria preferir – Fred disse zombeteiro fazendo Rayvenne rir – a propósito , Ray, isso aqui é seu. – ele retirou do bolso da calça uma caixinha negra com detalhes em dourado – Depois que você nos deu as vassouras , eu e o George não queríamos te dar isso...sendo que as vassouras foram presentes tão melhores...

Rayvenne tomou a caixinha em mãos sorrindo , ela a abriu revelando um colar de cordão negro com um pingente de dragão dourado. Ao sentir a luz de fora , o pingente soltou um rugido quase inaudível e cobriu a cabeça com uma das asas.

-Achamos em Hogsmeade – ele disse olhando o pingente – Último em estoque!

-Obrigada, Fred – ela disse sorrindo para o ruivo – Eu adorei! É lindo!

-Parece que o George está voltando – Carlinhos disse tomando a atenção de Fred e Rayvenne. O ruivo logo pousou no chão nevado , não tinha Fredinho nas mãos.

-Ele não conseguiu nem ao menos chegar perto das montanhas! – ele disse animado , mas tremendo de frio – Ele foi barrado por alguma espécie de parede invisível!

-Ótimo... – Carlinhos disse sorrindo – logo logo ele se cansa de voar e volta , vamos entrar enquanto isso?

Eles assentiram , finalmente Rayvenne tinha um problema a menos.