CAPITULO 11
O meu queixo ficou caído por cerca de um minuto. A minha boca aberta por dois. Fiquei em choque por mais ou menos cinco. E mesmo que eu quisesse dizer algo, eu não seria capaz. Então, ficar calada foi a melhor coisa a se fazer naquele momento. As feições de Emmett estavam dolorosamente vazias e acres. E agora eu sabia o porquê de ele ter parecido estar tão amargo na noite anterior. Ele estava magoado e isso explicava a parte do "A porra do seu amigo roubou a minha namorada". Adam era "cantante" para a loira extraordinária e agora ela não podia evitar se apaixonar por ele.
Caramba, ser vampiro deve ser um saco. Quero dizer, tirando a parte em que você é um X-man super poderoso da liga da justiça( ? ) , o seu parceiro pode cair de quatro por outra pessoa e te largar na avenida dos sonhos despedaçados a qualquer momento. E isso não é nada excitante.
O silencio se prolongou por vários minutos. Mas era um silencio agradável que dava espaço para que não só eu, mas ele também digerisse tudo. Ele continuava na mesma posição, sem mover um músculo. Ao contrario de mim que, apesar de permanecer calada, me movia a todo instante.
E, certo, por mais que o silencio seja algo que estava vindo a calhar naquele momento, talvez não fosse mentalmente saudável.
- Emm. – é, eu o chamei pelo apelido. E a quanto tempo eu o conhecia? Por mais que parecesse uma eternidade, o tempo exato era 18 horas. Uau, eu não deveria ter feito essa conta. – Eu acho que preciso voltar.
Bem, eu já deveria ter voltado há muito tempo, mas não é como se eu realmente me importasse com isso. Eu estava me lixando para a minha mãe, que a essa hora obviamente já se dera conta de que eu não estava enfurnada no meu quarto. Mas se eu continuasse ali, provavelmente mandaria Emmett passar por cima da minha cabeça com o Jipe a qualquer momento.
Ele pareceu acordar de um transe meio estranho. Depois sorriu aquele sorriso sacana que me agradava e veio até mim.
- É, claro. Crianças tem hora para voltar.
- Vai se ferrar.
- Eu já me ferrei, Jaz. Tarde demais. – Por mais que eu soubesse que ele só estava sacaneando a si próprio, eu me enterneci um pouco.
Senti o grande braço esquerdo pousando sobre meus ombros e me direcionando até o Jipe.
Não precisei pedir que ele me ajudasse a subir no carro. Em menos de um segundo eu já estava sentada. E, claro, ao olhar para o volante, lá estava ele.
Na volta ele dirigiu ainda mais rápido. E é claro que eu estava adorando cada segundo. A velocidade era arrebatadora e fazia meu estomago dar cambalhotas, me proporcionando sensações gostosas de sentir. Estiquei o braço e abri o pequeno compartimento de guardar objetos. Tinha pilhas de CD's. A maioria era HIP HOP e gêneros parecidos.
- Snoop Dogg? – eu franzi o cenho com um sorriso maroto nos lábios depois de ter pegado um CD. Ele apenas deu de ombros e piscou. Dei uma risada e coloquei para tocar. A primeira faixa eu conhecia. Chamava-se 'Sensual Seduction' e era até agradável de ouvir. Normalmente as letras de musicas do cara são bem pornográficas, mas dá pra tolerar.
Ele diminuiu a velocidade quando passou pela rua da minha casa. Suspirei, sem vontade alguma de voltar para lá e ter de encarar o tédio. Talvez eu fosse encher a paciência de Becky ou algo parecido. Isso sempre aliviava a tenção. Mas, para minha surpresa, Emmett passou direto pela rua. Nem fez menção de parar. Olhei ele com uma sobrancelha erguida.
- Não estou te raptando. – ele comentou. – Ainda.
- Pretende me raptar então?
- Ainda que pareça, eu não sou o mocinho da historia. Eu sou péssimo quando o assunto é bondade e misericórdia, Jaz. – ele fez uma curva e levou para uma das estradas que levavam até a mansão da elevação. E eu me dei conta de que era para lá que nós nos encaminhávamos.
- Ah é? Pois você se parece bastante com o mocinho. – Minha língua tiniu para falar mais algumas coisas. Como o fato de que ele era, tipo, um corno que foi abandonado pela namorada. Isso não faz dele um mocinho? Oh Yeah, baby.
Nós estacionamos na garagem dos Cullen. E eu preciso dizer que meu queixo caiu quando eu vi aquelas maquinas de ultima geração estacionadas displicentemente? Era como entrar em uma concessionária sofisticada de D.C. Dessa vez não esperei que Emmett me ajudasse a descer. Antes mesmo que o carro parasse realmente de se mover, eu já estava abrindo a porta e pulando por ela.
Emmett me sorriu enquanto andávamos até a porta. A casa ficava cada dia mais linda. As janelas de madeira agora estavam devidamente envidraçadas e glamourosas. Uau. Mas antes que entrássemos, eu estanquei. Ele se virou e me olhou, chegando mais perto.
- Antes de entrar... – hesitei – quero que você me responda uma coisa.
- Manda.
- Porquê eu? Digo, você não me contou tudo isso só porque a sua... namorada – será que eu deveria dizer "ex-namorada"? – se apaixonou pelo meu melhor amigo, não é? Então, porquê eu sei de tudo? Porque você me trouxe aqui?
Eu fiquei um pouco pasma quando ouvi sua resposta nem um pouco hesitante.
- Porque você nos faz se sentir humanos, Jaz.
E então, instantaneamente ansiosa para entrar novamente naquela casa, eu subi as escadas correndo em direção à porta de entrada.
x•x
Me senti estranha quando fui bombardeada por cinco pares de olhares ávidos e dourados. Mas as palavras de Emmett ainda ecoavam nos meus ouvidos. Eu os fazia sentir-se humanos. Não só Emmett. Todos eles. E isso foi uma metáfora? Ou era literal? Bem, não podia ser tão literal, se é que você me entende. Mas... e se fosse? Damn, eu deveria parar de fazer tantas perguntas para mim mesma.
- Olá, minha querida! – Esme falou. Ela era tão gentil que eu não pude evitar me sentir a vontade. Mesmo que eu fosse uma sardinha dentro de um aquário de tubarões. Que comparação mais pitoresca.
- Seja bem vinda. Como está sua cabeça? – era o médico. Ele também parecia bem gentil e... uau, ele era, tipo, ma-ra-vi-lho-so.
- Ela está bem. Eu, er.. queria agradecer vocês por... por ontem. – eu disse, tentando não ficar da cor dos meus cabelos.
- É o mínimo que poderíamos fazer. – Esme me sorriu novamente. Dessa vez eu nada disse. Apenas sorri meio nervosamente e tentei fazer Bety se acalmar. Tá, Bety é o apelido que eu acabei de atribuir à bola inflável que eu possuo no estomago. Ela costuma variar entre bola de golf à futebol. Chiquérrima, não acha? O fato é que no momento ela era uma bolinha de gude.
Nesse momento Carlisle e Esme saíram. Não do nada. Eles falaram que iriam até o hospital ou algo assim. Não dei tanta importância, já que eu estava concentrada e Bety e tudo mais.
A casa, por dentro, era perfeita. Tons de branco cobriam as paredes, que eram adornadas por quadros que obviamente deviam ser famosos e mobiliada tão lindamente que minha mãe – uma obcecada compulsiva por decoração - provavelmente choraria se visse. No extremo esquerdo do Hall havia um piano de tirar o fôlego, cujo assento era preenchido pelo corpo exuberante de Edward. Constatei que ele me olhava e até tentei devolver devidamente o olhar, mas a beleza dele ainda era meio chocante para mim. Assim como a da garota baixa de cabelos fashion que se aproximou de mim com um sorriso.
- Hey! – Ela era tão fofa que dava vontade de apertar.
No momento em que pensei isso, ouvi uma risada contida vinda do piano.
Lendo os meus pensamentos de novo, huh? – enderecei a Edward.
- Hey, você deve ser a Alice, estou certa? – respondi, mais que depressa.
- Mais que certa! E fico feliz que você tenha tirado aquela faixa horrível da cabeça. Só combinaria com qualquer coisa se você se fantasiasse de múmia. – Certo, não consegui deixar de rir. Eu e Emmett gargalhamos quase da mesma forma.
- Andar por aí como múmia seria muito sexy, não acha? – Pisquei para ela, brincando enquanto fazia uma pose que era uma imitação ridícula de uma mulher sexy.
- Huh, é claro. – ela fez uma rápida careta de descontração e depois riu.
- É um prazer te conhecer, Jaz. Posso te chamar de Jaz, não posso? – eu anuí com a cabeça. – Aquele é Jasper, meu namorado– ela apontou o cara loiro que me olhava de longe. Ele também era arrebatadoramente lindo, mas tinha as feições contraídas que formavam uma expressão de leve desconforto. E eu instintivamente me lembrei do que Emmett falara sobre como ele era o mais sensível ao cheiro. Levantei a mão direita e dei um pequeno tchausinho para ele, que fez o mesmo, mas visivelmente tentando ignorar o cheiro do meu sangue.
Procurei Emmett com o olhar. Ele agora cruzara o espaço para ir se jogar no sofá, concentrando-se em um jogo que eu percebi ser de Futebol Americano. Sorri, observando-o por um momento e depois olhei para Edward. Alice acompanhou o meu olhar.
- Você toca? – perguntei a ele.
- Você nem faz idéia do quanto... – Alice balbuciou e eu ergui uma sobrancelha. Ele lançou um olhar significativo a ela e eu atribuí ao fato de que ele sempre estava na mente das pessoas. Caramba, isso parece ser bem legal, mas com certeza tem seu lado chato também.
Andamos até ele e eu me encostei no grande piano de calda.
- Você podia tocar para eu ouvir um dia desses... – eu falei em tom baixo. Eu não estava muito no clima para ouvir musica instrumental agora. Não era algo que eu ouvia sempre, por assim dizer. Eu achava agradável para, sabe, aqueles momentos em que você está pensando em cortar os pulsos ou se jogar de um penhasco. E gostei da expressão que ele fez quando eu pensei isso. Ouch.
- É claro. Só dizer quando. – ele, muito provavelmente, estaria pensando que esse momento seria o do suicídio em questão. Mas eu ficara até curiosa para medir seus talentos com a musica. Ele aquiesceu com a cabeça e eu senti como se houvesse dito os pensamentos em voz alta. E então uma curiosidade tomou conta de mim.
- Como é isso? Como se dá... esse poder de ler mentes? – perguntei, desviando meu olhar de Edward para Alice a todo o tempo.
- Nós não sabemos ao certo. Nem todos possuem dons. Aqui em casa é Edward, eu e Jasper. Carlisle acredita que os poderes estejam diretamente ligados à nossas percepções ou talentos de quando éramos vivos, sabe? - Ela respondeu com sua vozinha aguda e harmoniosa.
- Você e Jasper? Voces também...? – minha pergunta parou aí. Mas ela entendeu.
- Sim. Eu consigo ver algumas coisas que ainda irão acontecer.
- Você vê o futuro?
- De certo modo sim. Mas é um pouco complicado. Não vejo tudo. Aliás, só sou capaz de ver o destino de alguém quando a pessoa em questão toma uma decisão. – Ela tentou resumir. Apesar de o assunto ainda estar um pouco coberto por nuvens na minha cabeça, eu acho que entendi.
- Caralh... – corei, me arrependendo do impropério que ia exclamar e tentei me redimir com: - Caramba.
Alice riu e Edward me lançou uma rápida olhadela.
- Mas e o outro? Jasper? – perguntei.
- Ele consegue influenciar nas emoções das pessoas em um determinado ponto. O poder dele é emocional, por assim dizer. – Dessa vez Edward foi quem respondeu.
- Isso é legal. Mas o de prever o futuro é, tipo, uau. – Mais risadas vindas de Alice.
- E então, vocês vão mesmo estudar na Grayville High School? – mudei de assunto.
- Yep. – ela concordou. – Começamos hoje.
- É sério? E... como foi? – eu estava claramente curiosa com relação a seu primeiro dia de aula. Digo, não é como se eles fossem do tipo que passam despercebidos pelos lugares. Digamos que a aparência magistral deles torna isso um pouco complicado.
- Foi... normal. – ela era simples e evasiva.
- Nada de novo, na realidade. – Edward murmurou. Eu ergui as duas sobrencelhas. Como assim nada de novo? TUDO é para ser novo, certo? – certo. – ele concordou. – Mas com o passar do tempo nós nos acostumados com tudo isso. Já tivemos inúmeros primeiros dias de aula, acredite.
Uh. Eu gostaria de ser mais indolente as vezes. Mas eu não sou nem indolente e nem corajosa o bastante para perguntar a idade deles. E não deixei de notar que, dessa vez, Edward não havia se intrometido em minhas divagações.
Virei meu corpo em direção a Alice e o ignorei propositalmente.
- Como vocês conseguem conviver com isso? – apontei discretamente para ele. – E a privacidade? – eu sabia que ele tinha um traço de humor no rosto, mesmo sem olha-lo. Aquele olhar maliciosamente divertido que era pura provocação que eu já podia dizer que conhecia. Alice deu uma pequena risada melodiosa.
- Bem, ele nem sempre está em nossas mentes. Não é, Ed? – ela olhou para ele, que anuiu com a cabeça. – Ele consegue "desligar" os pensamentos das pessoas que escolhe ignorar.
Me virei para ele e, colocando meus braços em cima do piano, inclinei meu corpo.
- Ah é? Então porque DIABOS você continua lendo os MEUS pensamentos, Vossa Santidade? – meus olhos lançariam fogo na cara dele se pudessem. Mas como não, só cuidei para que meu tom de voz fosse suficientemente indelicado. Ouvi uma gargalhada gostosa vinda da sala e soube que era Emmett. Alice também se esgueirou silenciosamente e repentinamente não estava mais ali.
- Bem... – ele começou. Mas eu não deixei.
- Olha aqui, se você continuar com isso eu juro que vou te imaginar transando com a minha avó Mary! Ela é extremamente sensual, você vai adorar. – Pisquei sarcasticamente para ele e saí andando nervosamente até a sala, onde Emmett e Alice davam tantas gargalhadas que mal respiravam.
E, bem, eles não precisavam respirar, de qualquer forma.
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N/A.: Heeey, pessoal! Capitulo 11 online!
Hoje estou um pooouquinho sem tempo, então vou tentar ser breve.
Provavelmente, o capitulo 12 vai demorar um pouquinho. Vou me mudar no começo desse mês e meu computador vai ter que ser encaixotado. Consequentemente, vou ficar vários dias sem internet. Só estou avisando pra depois vocês não pensarem que eu abandonei a fanfic! E só espero que esses dias não se prolonguem muito.
Esse foi um capitulo bem light e foi agradável escrever. As coisas estão mudando, gente. Algumas pra melhor e outras pra pior. Tsc, tsc...
Bem, gostaria de falar que eu li os comentários com muuuito carinho e desejo um feliz ano novo para todos os leitores em geral – não só aos que comentaram – e que este ano venha cheio de muitas realizações para todos nós!
Beijo especial, como sempre, para Kyheta, Jess Masen Cullen, Káh, Aninha, Lu, Noele, Raquel B, Deb, Ana e Lala Ribeiro. Obrigada, amorinhas, por comentarem. ^^
Vou indo, my dear's. Boas férias para todos!
Dahi.
