Disclaimer: Bleach e os personagens não me pertencem, mas sim a Tite Kubo.

Nyuu-neechan: Ah! Obrigada pelo review, mas essa não é a minha primeira fic de Bleach, e sim a quarta. E eu já arrumei os capítulos 9 e 10.

Capítulo 11 – Dreams.

Finalmente. As férias haviam chegado. Como havia esperado por isso. Rapidamente levantou-se da cama e pegou uma toalha, indo em direção ao banheiro. Tirou cuidadosamente cada uma de suas peças, e entrou no chuveiro. Ligou-o e sentiu a água quente percorrer seu corpinho, arrepiando-a. O banho não demorou muito, e logo a loirinha saiu, enrolando-se em uma toalha de bolinhas. Enxugou os cabelos levemente e saiu do banheiro, colocado um roupão. Andou saltitante até seu enorme armário. Abriu todas as portas do mesmo. Tinha roupa de todas as cores. Colocou a mão no queixo como se estivesse pensativa, e andou até onde estavam as cores verdes. Passou a mão por todas as peças de roupas de havia ali, e começou a jogar em sua cama as que mais gostava. De ora em ora, se via no espelho, colocando uma roupa na frente do corpo, como se pudesse ver como ficaria. Até que achou a peça certa. Pegou uma saia xadrez e uma blusa de alças verde, com bolinhas vermelhas. Por fim, colocou uma bota sem salto. Agora só estava faltando arrumar os cabelos. Foi correndo até o banheiro e pegou o pente, passando-os pelas mechas, que agora eram loiras. Depois de um tempinho penteando-os, observou seu rosto. Estava faltando algo... Sem esperar mais nada, pegou seu estojo de maquiagem. Passou um lápis de olho preto bem forte, nos cílios passou um rímel, e depois, um pouco de delineador. Passou levemente uma sombra rosinha, e um gloss na boca. Estava com um sorriso bobo no rosto.

-Lumi... Você é uma idiota! – falou sozinha, pegando sua bolsa e saindo do quarto.

Estava acordada faz tempo. Esperava mais as horas pareciam não querer passar. Estralava os dedos um pouco nervosa. Fazia um bom tempo que estava pronta. Olhou para o relógio mais uma vez. Sorriu. Estava na hora. Pegou sua bolsa e saiu de casa, usando um vestido branco, com algumas flores rosa bordadas pelo mesmo. Os cabelos ruivos estavam mais lisos, e com um brilho impecável.

Tinha acabado de sair do banho. Enxugava os cabelos negros de qualquer modo. Colocou uma meia e calçou seu tênis. Estava pronto. Usava uma calça jeans escura e uma camisa normal azul. Ele não conseguia acreditar no que esta acontecendo. Há alguns meses atrás estava em Londres e agora estava aqui. Perto dela. Perto de seus amigos. E havia reencontrado uma pessoa importante. Estava a caminho de um shopping se encontrar com ela. Não se sentia muito confortável deixando Rukia no hospital sozinha. Mas acabou aceitando o convite de Lumi por que a pequena havia insistido para que ele aceitasse. Riu sozinho sem perceber. Ela sempre pensava nos outros, e nunca nela. E por causa disso, eles não estavam mais juntos. Tinha orgulho dela. E tem mais orgulho quando diz que um dia já foi namorado da baixinha. Sim, ainda amava-a. Talvez até, mais que antes. Agora tinha completamente certeza que o que sentia não era mais aquela coisa bobinha de criança, mas sim... Uma coisa de verdade... A qual deseja que nunca acabe.

Tocou a campainha um pouco sem graça e com as bochechas coradas. Sentia que o corpo tremia, mas agora não tinha mais volta. Estava lá, e não iria embora... Quer dizer, não queria ir embora, mesmo que seu corpo e sua mente gritassem com ela... Nada a faria mudar de idéia... Não mesmo.

-Inoue-san! – o menino de cabelos compridos e de óculos disse animadamente, abrindo a porta.

-Ishida-kun! – sorriu timidamente. – Eu vim muito cedo?

-Não! – riu – Vamos entrar... – abriu mais a porta para que a princesinha entrasse. A garota a princípio ficara corada, mas nada disse, apenas fez o que ele disse.

-Sabe Inoue-san, eu andei desenhando alguns modelos... Não sei se você vai gostar... – disse entregando alguns papéis para a ruivinha, que estava sentada no sofá.

-Claro que eu vou gostar Ishida-kun! Seus desenhos são todos lindos...

-O-obrigado. – ajeitou os óculos, um pouco desajeitado.

-Então, esse vestido... – pegou seu estojinho azul claro e tirou de lá um lápis – Eu acho melhor a gente arrumar essa parte... – passou o lápis levemente na borda do vestido, acrescentando algumas coisinhas.

-É, acho que esse modelo ficou bom... – comentou, procurando os outros modelos – Nós precisamos de três...

-Sabe Ishida-kun, eu estive pensando...

-No que? – pousou seus olhos azuis na ruivinha.

-Nós vamos ter que ter alguém para usar nossos vestidos no dia, não é?

-É, eu estava pensando em chamar a-

-Podíamos chamar a Kuchiki-san! – interrompeu-o – Acho que seria perfeito para ela! – batia as mãos contentes.

-Eu estava pensando a mesma coisa... Mas, será que ela vai poder ir no dia?

-Eu vou falar com ela essa semana... – retomou sua atenção nos modelos.

-Então, vamos terminar de fazer os modelos.

-Está bem. – sorriu, pegando alguns papéis em sua bolsa. As vezes desviava o olhar dos desenhos e olhava para ele. Nem sabia o porquê, mas aqueles olhos azuis a enfeitiçavam.

"-Eu... Vou ter que ir embora... – abaixou o rosto triste.

-C-como é? – ela tinha ouvido bem?

-Eu... Vou me mudar de cidade. – apertava o punho nervoso.

-Isso é mentira né? – seus olhos começaram a ficar embaçados. Seriam as lágrimas? – Você não disse que... Nós íamos ficar juntos... Para sempre? – corava ao dizer isso.

-Mas-

-Você é um mentiroso! – as lágrimas começaram a cair pouco a pouco.

-Eu não sou mentiroso! – finalmente levantou o rosto para poder encará-la. – Meu pai arrumou outro emprego em Londres, e a gente vai ter que se mudar!

-... – concentrava toda sua força no punho, o qual apertava fortemente.

-Olha... – tentava animar as coisas – Eu vou voltar! Não sei quando... Mais eu vol- - não pode terminar de falar, havia levado um soco no rosto.

-Eu não quero mais ouvir as suas mentiras! – empurrou o corpo dele, e saiu correndo."

Que coisa. Tudo aquilo de novo. Riu sozinha. Como era estúpida naquele tempo. O estranho é que... Agora estava no shopping, esperando por ele. Até algumas semanas atrás nunca tinha pensado que algo assim iria acontecer. Encontrar-se com ele para ver um filme. Quantas vezes tinha esperado por isso? Quantas vezes tinha sonhado com isso? E agora, esse dia finalmente chegou.

-Lumi? – ouviu uma voz e algo tocando seu ombro.

-Kaien! – abriu um enorme sorriso, e deu um beijinho terno na bochecha dele.

-Demorei muito? – colocou uma de suas mãos no bolso.

-Não, cheguei quase agora. – riu – O que quer assistir?

-Ahn... – olhou para a placa que tinha em cima da bilheteria. "Chappy e a ordem secreta dos pirulitos falantes", "Jogos de felicidades III (wtf?)" e "Eurotrip". Kaien olhou para aquilo assustado.

-Ahn... Eurotrip parece ser o mais normal... – bagunçou os cabelos levemente.

-Pode ser. – sorriu. –Kaien, você pode ir comprando os ingressos? Eu acho que eu vi umas amigas minhas ali...

-Claro. – sorriu e foi até a bilheteria. Lumi saiu correndo até onde estavam umas meninas. Na bilheteria não demorou muito. Kaien ficou esperando ali. Observava cuidadosamente aquela menina. Continuava a mesma coisa de sempre, apesar de seus cabelos terem crescido mais um pouco. E seu corpo também estava diferente. Aquela saia deixava a mostra um pouco de suas pernas. A blusa justa mostrava mais ainda o corpinho delicado que ela tinha. Tinha crescido e tornado-se essa garota linda. 'Que porcaria é essa que eu estou pensando?' Virou o rosto corado para o outro lado. Onde estava com a cabeça? Lumi era uma amiga antiga que viu crescer! Era só uma menina ainda!

-Kaien? – Lumi chamou-o sorridente. – Vamos?

-V-vamos.

"Estava sentado no corredor do hospital com a cabeça baixa. Parecia que seus olhos estavam marejados... Talvez fosse só impressão. Entrelaçou os dedos um pouco nervoso. Agora, tinha que ter paciência. Não sabia direito o que havia acontecido. Apenas que, um bandido atirou em uma garota por que ela tinha desobedecido ele. E essa menina era Nozomi.

-Ichigo, meu filho... – Isshin agaixou-se na frente dele – A Nozomi-chan quer ver você.

-Sério? – levantou o rosto.

-Vai lá... – forçou um sorriso e o garoto saiu correndo. Isshin levantou-se e colocou as mãos nos bolsos. Podia ter sido só impressão, mas tinha sentido algo na voz dele, algo como esperança.

Ichigo chegou à porta do quarto. Sem hesitar, abriu a mesma em um piscar de olhos. Lá estava ela. Deitada na cama, respirando com um pouco de dificuldade e com ajuda de aparelhos. Que cena triste. Ichigo aproximou-se lentamente da cama dela, pegando sua mão.

-Ichi... Go?

-Nozomi! – riu – Não fale nada, está bem?

-Eu... Vou m... Morrer?

-N-não! Claro que não!

-Não... Pre... Precisa mentir...

-E-eu não estou mentindo! – apertou a mão dela mais forte.

-Então... Vai ficar... Tudo bem? – tossiu.

-Shh... Não fale nada...

-Vai... Ficar tudo bem? – algumas lágrimas começaram a percorrer o rosto dela.

-E-eu... Eu não sei...

-Ichigo... – apertou a mão dele – Me promete?

-O que? – se segurava para não chorar.

-Que não... Importa o que... O que aconteça... Você vai ser sempre... – não estava conseguindo falar – Forte?

-P-prometo!

-O... Obrigada... – fechou os olhos – Por tudo... Ichigo...

-H-hei! Nozomi? Nozomi? Abre os olhos Nozomi! – Ichigo começou a sacudi-la - Você não pode morrer Nozomi! Lembra? A gente... Não ia casar... E ter três... Três filhos, huh? – a essa altura, todo o seu esforço havia ido embora... As lágrimas começaram a cair – Vai ficar tudo bem Nozomi! Acorda... Por favor... Nozomi...

-Me... Desculpe Ichigo... E... Obrigada por... Tudo. – murmurou, soltando a mão dele.

-Não! Nozomi! – Ichigo começou a gritar desesperado ao ouvir o som do aparelho – Nozomi! Acorda! Isso não tem graça! Nozomi! Não! A gente... A g-ente... Vai casar, lembra? E ter... Três... Três filhos! Então, acorda Nozomi! Por favor! – Ichigo caiu de joelho no chão, ainda segurando a mão dela.

-Ichigo? – Isshin entrou no quarto desesperado. Logo, ouviu o barulho e os médicos começaram a chegar.

-Vai ficar... T-tudo bem não é? – levantou o rosto vermelho e com as lágrimas percorrendo o mesmo.

-Temos que sair daqui Ichigo. – Isshin tentava a tirar Ichigo dali, mas ele não queria.

-Me solta! – sabia muito bem o que tinha acontecido, mas não queria acreditar – Eu... Eu vou ficar com ela! Me solta! Por favor... Pai! Vai ficar tudo bem não é?

-Ichigo, meu filho... – partia o coração de Isshin ver aquela cena.

-Por favor! – ele soluçava enquanto dizia – Eu... Não quero que ela morra... Nozomi! – gritou, saindo do quarto – Nozomi!

-Droga! – colocou uma mão na cabeça. De novo. Aquilo tudo... Ainda conseguia ouvir seus gritos desesperados. Podia se lembrar tão nitidamente daquele dia... Mesmo que quisesse esquecer, não tinha como. As imagens dela. Aqueles cabelos castanhos claros, e aqueles olhos verdes não tinham como esquecer. Fazia cinco anos desde que ela se fora, e mesmo assim, ela ainda tinha um lugar importante naquele garoto. Mesmo que naquele tempo eles ainda fossem crianças, ele já sabia o que sentia... E como era aquele sentimento estranho, que fazia o coração bater mais rápido, que dava um frio enorme na barriga só de ouvir um simples "olá", que o fazia querer abraçá-la e te-la com ele para sempre. Olhou para o relógio... Já eram três horas da tarde. Estava quase pronto, só precisava colocar uma camisa.

Olhou o tempo lá fora... Parecia que iria chover. Pegou uma blusa leve e saiu do quarto. Passou por um monte de enfermeiras e médicos. Todos sempre ocupados. Cruzou os braços enquanto descia as escadas. Já fazia um tempinho que estava ali. E só atrasava a vida dos outros. Alguns fios começaram a cair. A princípio, havia ficado desesperada, mas agora já estava lhe dando melhor com a situação. Tentava sempre manter um sorriso no rosto. Mesmo que ele fosse falso e quisesse chorar. Aquelas pessoas estavam ali para animá-la não é? Não queria decepcioná-las mostrando-se triste. Tinha que ser forte.

Tinha poucas pessoas andando pelo jardim. Como sempre, pegou uma tulipa lilás e sentou-se embaixo da árvore, fechando os olhos.

-Gostou do filme, Kaien? –Lumi perguntou um pouco corada e meio rindo.

-É engraçado... – sorriu, com as mãos no bolso. – Você quer comer alguma coisa?

-Pode ser. – então, começaram a andar até a praça de alimentação, comentando sobre a parte que mais gostaram do filme. Compraram um lanche e sentaram-se em uma mesa qualquer. Os dois tinham tanto para conversar. Tantos anos sem se ver. Pareciam estranhos um para o outro.

-Então, por que voltou? – perguntou curiosa.

-Por que, quando eu morava lá em Londres, eu conheci a Rukia... Depois a gente começou a namorar, mas... – desviou o olhar, tomando um pouco de refrigerante – Esse ano, depois de tanto tempo, ela terminou comigo... E eu vim atrás dela...

-S-sério? – estava surpresa com o que ouvia. –Ela tem sorte! – sorte até demais. Não sabia o porquê, mas sentia seu coração batendo forte... De um jeito lento e doloroso. Forçou um sorriso – Então... Você gosta muito dela não é?

-C-como você sabe?

-Eu consigo ver nos seus olhos quando você fala dela... – entrelaçou as mãos – E isso é estranho...

-Estranho? – não entendeu.

-Não parece aquele Kaien birrento que eu conheci... – riu.

-Sua... – irritou-se – E você? Fica toda idiota quando está conversando com aquele cara de cabelos estranhos... Como é o nome dele mesmo? Morango?

-H-hei! Deixe ele fora disso viu? – cruzou os braços brava.

-Não agüenta ouvir a verdade huh? – debochou, jogando uma bolinha de papel na coitada.

-Rukia? – ele chamou-a, encostado no tronco da árvore.

-I-ichigo? – virou o rosto para vê-lo. – Que bom que você veio... – sorriu, levantando-se com a ajuda dele. – Quer começar agora?

-Pode ser...

-Então, vamos subir... Eu falei com o médico, e ele disse que a gente pode usar um quarto vazio. – cruzou os braços enquanto, tentando não olha-lo. Subiram até o último andar em silêncio. Não conseguiam dizer nada. Pareciam duas criancinhas. Chegaram até o quarto dela, onde a mesma deixou sua blusa e prendeu seu cabelo em forma de rabo-de-cavalo. Eles foram para a outra sala e ficaram frente a frente.

-Olha... – desviou o olhar costumeiramente – Eu não... Sou muito bom nisso...

-Tudo bem. – sorriu, pegando uma das mãos dele, e a outra apoiando no ombro dele. Ele por sua vez, estava com uma das mãos colada com a dela, e a outra na cintura da morena. – Eu só preciso treinar um pouquinho antes da festa. – riu, corada.

-Você que sabe. – começaram a mover as pernas. Os pés deslizavam pelo quarto inteiro. Sem a música era muito mais difícil. O silêncio, só com as respirações ofegantes e os corações batendo a mil. Até que aquilo era uma sensação boa.

Logo, as mãos se soltaram, e as pequeninas mãos da garota foram parar na nuca dele, e as dele, foi parar na cintura dela. As lágrimas daqueles olhos violetas começaram a cair. Juntou mais seu corpo ao dele, ainda dançando. O choro era silencioso. Ichigo não sabia o que fazer. Apenas acariciou os cabelos dela.

-Obrigada. – sussurrou, com o rosto enterrado no peito dele.

-Idiota. – riu, afastando-se um pouco. Uma de suas mãos levantou o rosto dela, limpando as lágrimas. Ichigo sentia várias sensações ao tocar no rosto dela. Nunca havia sentido isso... Era uma sensação nova. E boa. Involuntariamente, os rostos foram se aproximando. Assim, as testas ficaram coladas e a respiração ofegante contra suas bocas. Ela estava um pouco surpresa e confusa, mas não podia negar. Esperava por esse momento faz tempo. Fechou os lindos olhos violetas e deixou-se levar, fazendo ele o mesmo. Os lábios dela provocavam levemente os dele, o fazendo ficar cheio de desejo. Já não estava agüentando mais aquele joguinho, e num ato rápido, colou seus lábios nos dela. Ao sentirem o toque, ficaram intactos. Como nenhum dos dois agia, ela começou a roçar seus lábios nos dele levemente. Logos, as línguas se encontraram e se tocaram. Acariciavam-se de um jeito lento e intenso. Ela estava com as mãos nos cabelos dele, e ele, com as mãos na cintura dela. Ele beijava de um jeito fofo. Mesmo não tendo muita experiência com aquilo. Esperaram tanto tempo por esse momento, que agora não queriam que acabassem. Era como se agora, eles estivessem completos. Poderiam acordar a qualquer momento daquele sonho, por que, já havia valido a pena.

Continua...