Capítulo XI
Na manhã seguinte, lady Esme permaneceu na cama, indisposta. Bella foi visitá-la para saber de sua saúde. Notando as olheiras profundas da neta, a avó ordenou-se que voltasse para a cama. Sabendo que, se fosse ao parque, encontraria Cullen, concordou de pronto.
Rose não se perturbou com a mudança de planos, pois concordara em passear com McCarty à tarde. Escreveu um bilhete para Jasper, cancelando o passeio matinal e, a pedido de Bella, sugerindo que ele acompanhasse a irmã em uma cavalgada à tarde.
No caminho para o parque, Jasper notou que Bella parecia estranha, e tentou distraí-la, falando sobre o baile da véspera. Percebendo-lhe as boas intenções, Bella esforçou-se para se mostrar mais alegre e ignorar que ele também a considerava comprometida com Cullen.
Assim que atravessaram os portões, ela parou, ofegante. Interrompendo Jasper, declarou:
— Quero ir até aquelas árvores para ver as flores de perto.
Mal acabou de falar, incitou sua montaria para um grupo de carvalhos à esquerda. Apanhado de surpresa, Jasper seguiu, mas não sem avistar a carruagem aberta que se aproximava, trazendo Cullen, com seus cavalos de corrida, e Charlote. A expressão do marquês indicava que ele vira a manobra de Bella.
— O que pensa que está fazendo? — Jasper inquiriu, horrorizado — Aquele era Edward!
— Sim, Jasper, eu sei.
— Não faço idéia do que se passa pela sua cabeça, mas não se faz isso com pessoas como Cullen!
— Sim, Jasper. Eu gostaria de ir para casa agora.
— Definitivamente, é o melhor a fazer! — ele concordou, sabendo que o primo logo os seguiria.
Durante o caminho de volta, Jasper tentou fazê-la entender a magnitude de seu pecado, pois acreditava que se conseguisse que ela se arrependesse, suas chances ao enfrentar Cullen, muito em breve, seriam melhores. Além de não saber o motivo da atitude de Bella, Jasper também ignorava o fato de ela já conhecer o temperamento de Edward.
Bella sabia que agira mal e que o marquês tinha o direito de estar furioso. No entanto, vê-lo na companhia da bela mulher fora mais do que ela era capaz de suportar e, na verdade, mal via a hora de poder confrontá-lo.
Ao chegarem à mansão Merion, foram direto para a sala de estar, onde Jasper começou a ter um vislumbre do que realmente se passava.
Andando de um lado para outro, Isabella finalmente explodiu:
— Como ele se atreve a se aproximar de mim na companhia daquela mulher?
— O que há de errado em passear com Charlote? — Jasper indagou, confuso.
— Ora, não me diga que não sabe! Ela é amante do marquês!
— O quê? Não! Está completamente enganada, Isabella! Com toda certeza, não há nada entre Edward e Charlote.
Lembrando-se da grande amizade que unia os dois primos, Bella não lhe deu atenção.
Ao ouvir uma batida na porta da frente, Jasper espiou pela janela e viu a carruagem de Cullen.
Ao ver Bella evitá-lo ostensivamente, Cullen ficou chocado... e furioso. O que ela pretendia, comportando-se daquela maneira? Como estivesse no parque, conteve o ímpeto de reagir de pronto, mas após alguns minutos, virou-se para lady Charlote e disse:
— Minha cara Charlote, importa-se se eu a levar de volta às suas amigas? Partirei para Leicestershire ainda hoje, e tenho providências a tomar.
Lady Charlote, que conhecia Cullen desde a infância e, portanto, sabia como eram suas explosões de temperamento, limitou-se a sorrir em concordância. Esperava que lady Swan fosse mais corajosa do que a maioria das debutantes, pois, sem sombra de dúvida, estava prestes a enfrentar um confronto um tanto desagradável. E o fato de Edward estar perdidamente apaixonado por ela não o faria perdoar com facilidade o que ela acabara de fazer.
Depois de deixar Charlote com as amigas, Cullen foi direto para a mansão Merion. Quando Ben abriu a porta, perguntou:
— Onde está a Srta. Swan?
— Na sala de estar, milorde.
— Obrigado. Não precisa me anunciar.
Com passos determinados, foi até a sala e abriu a porta com um sorriso gelado.
— Jasper, creio que você já estava de saída. — declarou.
Temendo deixar os dois sozinhos, Jasper hesitou, mas Bella decidiu por ele, dizendo:
— Até logo, Jasper.
Sem alternativa, Jasper saiu, mas ao ouvir a porta se fechar, decidiu informar lady Esme sobre o motivo e o possível desfecho da conversa que se iniciava na sala de estar.
Cinco minutos depois, ao deixar a mansão, viu á porta ainda fechada e, apesar de seus receios, foi embora.
Depois de fechar a porta, Cullen murmurou:
— Agiu muito bem, minha cara. Não há necessidade de envolver Jasper nessa história.
Enquanto retirava as luvas, estudou ó semblante de Isabella e concluiu que ela estava tão furiosa quanto ele mesmo. Como não fizesse idéia do porquê, decidiu controlar-se até descobrir. Assim perguntou:
— Acha que poderia explicar por que esquivou-se de mim no parque?
O falso tom calmo deixou-a ainda mais irritada.
— Como se atreve a se aproximar de mim na companhia daquela mulher? — repetiu a pergunta indignada que fizera a Jasper.
— Charlote? — ele murmurou, tão confuso quanto Jasper ficara.
— Sua amante!
— Minha o quê? — ele indagou, mais furioso do que antes, aproximando-se de Bella e estreitando os olhos — Quem lhe disse que Charlote é minha amante?
— Isso não importa...
— Está enganada. — Edward interrompeu-a — Importa, porque Charlote nunca foi, não é e nunca será minha amante. Portanto, diga-me quem inventou esse absurdo!
Fitando-o nos olhos, Bella soube que estava ouvindo a verdade.
— O conde Laurent. — respondeu.
— Um homem sem importância. Talvez esteja interessada em saber que conheço Charlote desde que ela tinha três anos de idade. No entanto — continuou, aproximando-se ainda mais —, a senhorita ainda não explicou por que, independente do que tenha pensado, achou que tinha o direito de me censurar publicamente. — percebendo que ela baixara os olhos, em sinal de admissão de culpa, ele acrescentou: — Já lhe disse que atitudes provincianas não são aceitas em Londres e...
Nesse ponto, Bella voltou a erguer os olhos. A fúria e a dor que os iluminavam fizeram Cullen perder a voz.
— Como se atreve a falar em atitudes? Explique as suas, se for capaz! Sei muito bem que vem dedicando suas atenções a mim, apenas para me fazer apaixonar por você, só porque não sucumbi ao seu lendário charme irresistível. Prima Victoria explicou tudo e...
Bella não teve a chance de continuar. Cullen empalideceu diante daquelas palavras, mas ao compreender os verdadeiros motivos da fúria que a consumia, o frágil controle que exercera sobre sua paixão até então se desfez. Com um movimento rápido e preciso, tomou-a nos braços e beijou-a com intensidade quase brutal. Apanhada de surpresa, Bella lutou para se libertar, mas de repente o beijo se transformou na mais terna das carícias. Indefesa contra os próprios sentimentos, ela se entregou ao prazer proporcionado pelos braços fortes e os lábios doces e experientes.
Sentindo que ela cedia ao seu ataque, Edward descolou os lábios dos dela, beijando-lhe as faces, as pálpebras, a testa, para então retomar a posse daqueles lábios irresistíveis. Quando teve a certeza de que o desejo que a consumia era tão intenso quanto aquele que ardia em suas próprias entranhas, apertou-a contra si, colando o corpo ao dela, na firme intenção de revelar a extensão de sua paixão.
A pequena parte da consciência de Isabella ficou chocada e horrorizada, mas não teve forças para convencer o restante da mente governada pelo caos de sensações, e menos ainda aquele corpo incendiado pela paixão. Bella ainda teve tempo de se perguntar se o marquês seria louco a ponto de seduzi-la na sala de estar da casa de sua avó. Incerta sobre a resposta, decidiu saborear o momento delicioso enquanto durasse.
O violento tremor que sacudiu o corpo dela trouxe Cullen de volta à realidade. Tinha de se afastar dela, logo, ou não teria forças para isso. E, como estavam na mansão Merion, não lhe restava alternativa. Se a fitasse nos olhos, seria incapaz de deixá-la, e não tinha a menor condição de conversar com Bella naquele momento. A única saída seria ir embora e ficar longe dela até que sua mente voltasse a funcionar com normalidade e a razão voltasse a assumir as rédeas sobre seus sentimentos e desejos.
Assim, encerrou o beijo de maneira abrupta, afastou-a de si com um gesto quase rude, virou-se e saiu. Passou por Ben sem dar ao mordomo tempo de dizer qualquer coisa e deixou a mansão. Atravessou a praça e foi diretamente para sua casa, concluindo que, se quisesse recuperar o bom senso e a capacidade de raciocínio, tinha de viajar imediatamente. Distante de Londres, com certeza conseguiria analisar a situação com objetividade.
Ao entrar em sua mansão, deparou com seu mordomo e anunciou sem preâmbulos:
— Partirei para Leicestershire imediatamente. Voltarei na próxima terça-feira. Mande Vasili ao meu quarto e diga o que prepare a carruagem para sairmos dentro de dez minutos.
— Sim, milorde. — respondeu. Conhecendo seu senhor desde a infância, o mordomo apressou-se em correr à cozinha e informar a criadagem sobre as ordens do marquês, acrescentando que milorde encontrava-se "em um daqueles humores". Sem nenhuma pergunta, todos se puseram em ação, praticamente correndo de um lado para outro a fim de cumprir suas tarefas.
Quando parou diante do espelho para retirar o diamante da gravata, Cullen virou-se subitamente para o valete, que fazia as malas apressado, e disse:
— Vasili, tente encontrar Sebastian antes que vá ao estábulo e avise-o de que deixei a carruagem em frente à mansão Merion. Se ele já houver saído, mande um dos lacaios ir buscá-la.
De olhos arregalados, Vasili deixou o quarto quase correndo.
Edward voltou a encarar o espelho com expressão irônica. Se seus criados ainda não haviam adivinhado o motivo de seus atos, a carruagem atrelada aos seus cavalos de corrida estacionada diante da mansão Merion certamente esclareceria tudo.
Vasili chegou à cozinha quando Sebastian abria a porta para sair. Ao ouvir sua mensagem, toda a criadagem imobilizou-se, boquiaberta. Então, Sebastian, Vasili e Charles correram até a porta da frente e abriram-na. Após mais alguns segundos de silêncio incrédulo, Ben murmurou:
— Meu Deus! Eu não acreditaria se não visse com meus próprios olhos!
Sacudindo a cabeça, os quatro retomaram suas atividades.
Dez minutos depois, quando descia a escada, Cullen lembrou-se de alguém que deveria conhecer seu paradeiro. Foi até a biblioteca e pousou os olhos na pilha de correspondência entregue naquela tarde. Examinou rapidamente os envelopes, deixando a maioria de lado, sem abrir. Um envelope simples, de má qualidade, endereçado ao "Sr. E. Cullen", chamou-lhe a atenção. Abrindo-o, passou os olhos pelas páginas nele contidas. Quando terminou, passou um longo momento fitando um ponto no infinito, os dedos tamborilando a mesa. Então, franzindo o cenho, guardou a carta no bolso e sentou-se para redigir um bilhete a Jasper. Informou-o de que partiria para Leicestershire e retornaria na terça-feira, que Emmett sabia disso e que já pedira ajuda aos amigos para manter Bella sob vigilância. Encerrou com um pedido para que Jasper cuidasse de Isabella por ele.
Assim que rabiscou sua assinatura, lembrou-se de um último detalhe e acrescentou uma observação. Gostaria que Jasper não dissesse nada a Bella sobre os receios que tinham quanto à segurança dela. Então, selou o envelope e, depois de entregá-lo a Vasili, partiu.
Abandonada na sala de estar, Bella permaneceu imóvel durante vários minutos. Ao ouvir a porta da frente se fechar, levou a mão aos lábios. Seus olhos recuperaram o foco lentamente. Depois de respirar fundo, caminhou até a porta, abriu-a e, sem sequer notar a presença do mordomo, subiu para o seu quarto.
Ouvindo seus passos, lady Esme apareceu na porta da saleta de desjejum. Cinco minutos depois da partida de Jasper, ela havia descido, convencida de que não poderia deixar Bella sozinha com Cullen indefinidamente. Abrira a porta da sala de estar e, ao ver Isabella nos braços do marquês, voltara a fechá-la. Pensativa, informara Ben de que ficaria na saleta. Se qualquer pessoa aparecesse, deveria ser levada até lá. Agora, vendo a neta subir a escada, suspirou e, resignada, tocou a sineta para pedir o chá.
Embora não conhecesse os detalhes do que acontecera entre o casal, sabia que Bella precisaria de, no mínimo, meia hora para chorar todas as suas lágrimas. Revisando o pouco que sabia, concluiu que nada fazia sentido. Teria de obter mais detalhes antes de compreender o que se passava. Afinal, era velha demais para tirar conclusões precipitadas.
Quando terminou o chá, subiu a escada com passos determinados.
Ao entrar em seu quarto, Bella atirou-se na cama e, pela primeira vez em muitos anos, explodiu em pratos. Chorou convulsivamente durante bons dez minutos, até que, exausta, os soluços começaram a ceder e sua mente foi retomando o ritmo normal de seus pensamentos. Estava recostada nos travesseiros, ainda com lágrimas nos olhos, quando a avó bateu na porta e entrou.
Vendo a neta, sempre confiante e serena, naquele estado, lady Esme lutou contra o nó que se formou em sua garganta e foi sentar-se na beirada da cama.
— Ah, vovó, o que vou fazer? — Bella indagou em um fio de voz.
— A primeira coisa que vai fazer, minha querida, é lavar o rosto e apanhar um lenço limpo. Vá. Tenho certeza de que se sentirá bem melhor. — quando Bella se levantou, a avó continuou: — Depois disso acho que teremos uma longa conversa. Já é tempo de você me explicar exatamente o que acontece entre você e Edward Cullen.
Sabendo que lady Merion merecia uma explicação, a neta obedeceu. Depois de lavar o rosto e apanhar um lenço na gaveta, retomou seu lugar na cama e começou:
— Ontem à noite, no baile, o príncipe... Bem, ficou claro que ele acreditava existir uma... ligação entre mim e lorde Cullen. Agora, sei que a maioria das pessoas sabe que existe algum tipo de entendimento entre nós.
— Depois da primeira valsa do seu baile, o que mais poderíamos esperar? — a avó indagou.
— Do que está falando, vovó?
Lady Esme Merion suspirou.
— Imaginei que você não soubesse. Nas últimas semanas, seus sentimentos por Edward Cullen foram se tornando mais visíveis, a cada dia. Qualquer um que os visse juntos reconheceria o seu interesse nele. E, levando em conta a atenção que ele vem lhe dispensando desde o início da temporada, as intenções dele eram mais do que óbvias. Depois do seu baile, ele me disse que pediria a sua mão... na hora certa, como é do feitio dele.
Bella ouviu, atenta, e concluiu que o melhor a fazer seria pedir a ajuda de sua experiente avó.
— Na verdade — disse —, achei que ele poderia estar apenas procurando por uma noiva que lhe fosse conveniente. O marquês precisa se casar. Imagino que a família o esteja pressionando para isso. — respirou fundo e confessou o mais profundo de seus medos: — Quando nos conhecemos, em Denali Park, acho que dei a entender que não tinha a menor intenção de me casar. Depois, não sucumbi, como todas as outras, ao charme dele. Então, achei que talvez ele pensasse que, como não tenho expectativas de me casar, eu me contentaria de bom grado com um casamento de conveniência, que o deixaria livre para continuar com suas amantes, como fazia antes.
Lady Esme fitou-a, boquiaberta, por um instante, antes de soltar uma gargalhada.
— Bem, fico feliz que a corte cuidadosamente planejada de Cullen tenha tido o resultado merecido. — diante da expressão confusa da neta, explicou: — Minha querida, eu entrei na sala de estar quando você e Cullen estavam... abraçados. Por experiência, posso afirmar que um cavalheiro decidido a fazer um casamento de conveniência não tenta seduzir a noiva antes de fazer o pedido. Da maneira como Cullen vem se comportando com relação a você, imagino que seja a única pessoa na Ton que não saiba que ele está perdidamente apaixonado.
Uma chama de esperança se acendeu no peito de Bella, mas a desconfiança recusava-se a ceder:
— Jasper mencionou um mal-entendido sobre Lady Charlote. — a avó acrescentou.
— O conde Laurent disse que eram amantes, mas o marquês negou.
— Imagino que tenha perguntado a ele. — lady Esme declarou em tom de reprovação.
— Bem, ele queria saber por que me esquivei dele no parque. Disse que a conhece desde a infância.
— E é verdade. O pai de Charlote é um parente distante de lady Cullen e, quando criança, ela passava os verões na propriedade dos Cullen. É alguns anos mais jovem que Jasper e se comportava como um perfeito moleque, atormentando Edward e Emmett, que a tratavam da mesma maneira como tratavam Alice. Infelizmente, Charlote fez um péssimo casamento. Peter Walford era um cafajeste e acabou se matando, para alívio de todos. Ninguém sabe o que realmente aconteceu, mas Cullen estava envolvido. Uma vez Charlote perguntou a ele como o marido morrera. Ele respondeu que ela não precisava conhecer os detalhes, mas deveria se contentar com o fato.
— Bem do feitio dele. — Bella comentou.
— Resumindo — lady Esme continuou —, Cullen sempre tratou Charlote como trata Alice. Deve ter ficado chocado quando você sugeriu que eram amantes.
Lembrando-se da expressão dos olhos dourados, Bella assentiu.
— Mas por que o conde Laurent me disse isso?
— Querida, terá de se acostumar à malícia de certas pessoas que conhecer. Muitos gostariam de prejudicar Cullen, e tentarão atingir seu objetivo por seu intermédio. Outra coisa: se fosse você, eu jamais tocaria no assunto referente às amantes dele. É claro que ele teve algumas... Bem, foram muitas, na verdade, mas elas não têm nada a ver com você. E, se Edward seguir o exemplo do pai, tudo isso já faz parte do passado. É provável que, tendo em vista quanto ele a adora, que você jamais tenha de fingir ignorar esse tipo de relacionamento, ao contrário de muitas mulheres.
Bella inclinou a cabeça, indicando que levaria a sério aquele bom conselho.
Lady Esme, vendo a palidez que tomava conta do belo rosto da neta, afagou-lhe a mão e disse:
— Querida, você está exausta. Pedirei que tragam uma refeição leve e sugiro que tente descansar. Teremos de pensar em como conduzir a situação, mas creio que devemos deixar isso para amanhã.
Sentindo-se, de fato, exausta, mas também feliz, Bella concordou e beijou a avó, antes que ela deixasse o seu quarto. Quando Zafrina apresentou-lhe a bandeja do jantar, ela se descobriu faminta.
Enquanto comia, repassou na mente todos os seus encontros com Cullen.
Não, ele jamais dera mostras de seus sentimentos. Esse fora um dos fatores que a haviam atraído. Se não houvesse perdido a objetividade e a capacidade de raciocinar com clareza, teria sabido interpretar corretamente o brilho daqueles lindos olhos dourados.
Sim, sua avó estava certa, com toda probabilidade. No entanto, Bella daria tudo para ouvir as palavras daqueles lábios quentes e macios.
Terminou a refeição e ficou apreciando o fogo na lareira, embora seus olhos vissem o rosto de Cullen em lugar das chamas. Dando-se conta de que estava cansada demais para tentar pensar, pediu que Zafrina a ajudasse a despir-se. Assim que se deitou, fechou os olhos e adormeceu com um suspiro.
Na manhã seguinte, Bella acordou cedo, sentindo-se renovada. Ao descer para o desjejum, foi informada de que Rose fora passar a manhã com os Brandon e, portanto, cancelara a cavalgada com Jasper. Livre de duas preocupações, Bella sentiu-se grata por não ter de se explicar para a irmã. Depois de uma xícara de café com torradas, decidiu dar um passeio na praça.
Caminhou lentamente, saboreando o sol e a brisa fresca, até chegar do outro lado da praça. Lá, ficou parada durante alguns minutos, observando a mansão Cullen. Então, virou-se bruscamente e voltou para casa, calculando que, àquela hora, sua avó já teria se levantado. Quando subia os degraus da entrada, deparou com Jasper.
Ao receber o bilhete do primo, Jasper decidira que, se Bella não devia ser informada do perigo que corria, já era tempo de lady Merion saber de tudo. Aproveitara para tranqüilizá-la sobre possíveis fofocas sobre o incidente no parque. Na festa a que comparecera na noite anterior, descobrira que o acontecimento recebera pouca atenção e fora classificado como uma "briguinha de namorados".
Lady Volture presenciara a cena e, claro, comentara o assunto durante o chá oferecido pela Sra. Clearwater, grande amiga de Cullen e admiradora confessa de Isabella. Ao ouvir alguns comentários de reprovação, a anfitriã manifestou-se:
— Não creio, minha cara Heidi, que conheça bem a Srta. Swan. Quantas vezes já vimos Cullen embaraçado? De minha parte, acho que qualquer jovem capaz de perturbar a calma impassível daquele cavalheiro merece o nosso aplauso. Se ela for capaz de mostrar ao marquês que ele não pode ter o controle absoluto de tudo e de todos, irei pessoalmente lhe dar os parabéns.
Assim, a discussão se encerrara, com as matronas eminentes da sociedade concordando plenamente com a Sra. Clearwater.
Depois de cumprimentar Bella, Jasper declarou:
— Virei buscá-la às três horas.
— Ah, Jasper, não sei se poderei...
— Não é uma questão de poder, você tem de ir. Converse com sua avó. Ela vai explicar tudo.
Com isso, desceu os degraus e se foi.
Bella subiu direto para o quarto da avó.
Lady Esme Merion já tinha muito em que pensar, e a notícia de que Bella sofrera duas tentativas de seqüestro era chocante. Porém, considerando as providências já tomadas, não havia mais nada a fazer. Concordara com o pedido de Cullen para que Isabella não soubesse de nada. A ausência dele não era reconfortante, mas daria tempo para que sua neta se acostumasse aos planos que ele fizera para o seu futuro.
Ficara satisfeita ao saber que a cena no parque não provocara maiores escândalos e aceitara de bom grado a sugestão de Jasper para que ele e Bella passeassem no parque mais tarde.
Quando Bella entrou no quarto, lady Esme sorriu.
— Está parecendo muito melhor, querida.
— Sinto-me melhor, vovó.
— Muito bem, creio que já podemos conversar com franqueza. Para começar, está disposta a admitir que Cullen conquistou seus sentimentos?
Bella sorriu.
— Estou apaixonada por ele já faz algum tempo.
— Como já disse, ele manifestou a intenção de pedi-la em casamento, na hora certa. Agora, preciso saber qual será a sua resposta.
— Ora, vovó, acha que realmente tenho escolha?
— Para ser sincera, minha cara, duvido. Cullen está consciente dos seus sentimentos e, pelo que vi na sala de estar, ontem, o entendimento verbal entre vocês será mera formalidade. Saiba que não é a melhor coisa do mundo ter um marido que sabe demais, mas não se pode ter tudo. Ainda assim, creio que não será um mau negócio. Afinal, Edward é exatamente igual ao pai, e Elizabeth era a mulher casada mais feliz da cidade.
Bella limitou-se a assentir. Decidindo que não havia mais nada que pudesse fazer para ajudar Edward, lady Esme continuou:
— Muito bem. Agora, devemos decidir como agir daqui por diante. Você não deve dar às fofoqueiras nenhuma razão para imaginar que tenha havido algo mais do que o mais leve dos desentendimentos entre vocês.
Bella ergueu as sobrancelhas com ar maroto.
— Estou falando sério! — a avó advertiu-a — Jasper e eu cuidaremos de orientá-la. Ele é muito útil em situações como essa, pois sempre sabe o que uma pessoa deve ou não deve fazer. Você vai comparecer a todos os seus compromissos e deverá aparentar confiança e serenidade, como sempre. O que parece não ser um grande problema!
— Vovó, prometo comportar-me da melhor maneira, mas não pode esperar que eu seja a mesma pessoa depois do Baile Diplomático.
— Certo. — lady Esme concordou, relutante — Mais uma coisa. Cullen viajou para uma de suas propriedades e só voltará na terça-feira. — diante do olhar interrogativo de Bella, garantiu: — Foi para cuidar de negócios, não por causa da briga com você. Ele já havia comunicado os amigos que pretendia partir ontem.
Depois de digerir a informação, Bella concluiu que alguns dias sem a presença perturbadora de Cullen facilitariam sua tarefa de assumir o novo papel que lhe fora imposto. Além disso, suspeitava que ainda havia manobras que ela não experimentara no interessante relacionamento que se desenrolava entre ela e o marquês. Quando o visse novamente, pretendia estar bem preparada.
Oi amores, Tudo bem?
Já estava com saudades de voces.
Gostaram do cap? Eu odeio as briguinhas dos dois, mas acho fofo a forma deles de reconciliaçao.
Agora só faltam 3 caps. Espero que gostem do fim da fic...
Muito obrigada pelas reviews, e me digam o que acharam desse capitulo.
Beijinhos.
