Capítulo 11 – Por Trás Das Cortinas
Capítulo dedicado à Gabriela Regis, por ser a pessoa mais paciente dessa parte da galáxia.
"Ela parecia tão furiosa com a situação que Ochoa quase teve medo de chegar perto quando a viu sair da sala de interrogatório. Depois de tudo que tinha dado errado, depois de todos os becos sem saída nos quais tinham se enfiado, Nikki Heat já não tinha mais a paciência de escutar a filha da morta dizer coisas sem cabimento. Ela quase não tinha paciência para escutar a própria voz em sua mente. Uma vozinha irritante que lhe dizia que ela não estava vendo as coisas como deveria."
Heather nunca fora o tipo de mulher que desistia facilmente das coisas, e talvez fosse esse o motivo de estar deitada na poça do próprio sangue. Sua personalidade forte se impunha sobre qualquer outra, suas ideias, sempre boas, se destacavam, e mesmo quando não queria estava sempre em evidencia. A ascensão aos palcos veio cedo. Artista de múltiplos talentos, aos dezesseis anos conseguiu o papel de Dorothy em uma famosa montagem de O Mágico de Oz. A partir dali, o próximo passo era a Broadway. A mídia parecia adorá-la. Chegara a fazer participações em séries e filmes, várias propostas para estrelar seriados foram feitas, mas o teatro era sua paixão, e ela podia se dar ao luxo de rejeita-las. A carreira tivera seus pontos baixos, mas os bons contatos e o fato de ter se mantido uma boa garota num mundo tão caótico ajudavam. Ela tropeçava, caia, fazia participações apenas pelo dinheiro, mas sempre voltava para os palcos e para a luz quente dos holofotes. Sempre que podia, estava atrás das cochias, no backstage. Numa dessas voltas, trombara com um escritor que sempre aparecia por lá. Ele parecia gostar tanto quanto ela daquele mundo, mas como todo escritor, seu trabalho o mantinha por trás das cortinas. Ficaram amigos depois das conversas entre um ato e outro, a amizade eventualmente evoluíra para um romance tórrido, mas nada que fosse para frente. Concordaram que era melhor voltar à fase da amizade assim que as coisas começaram a complicar. Ele ainda lhe fazia visitas no Majestic. Ainda a ajudava a passar falas.
Castle duvidava que Heather tivesse um dia imaginado que aquele escritor estaria ali, agora, fitando seus olhos azuis sem vida. Ele mesmo estava tendo sérias dificuldades em aceitar a situação.
– Ah, meu Deus, era verdade. – Suspirou Beckett, dando um passo para trás por reflexo.
Ah, droga! Isso vai ser um verdadeiro inferno!, pensou a detetive, observando como o sangue fresco tinha escorrido encharcando os cabelos ruivos, compridos, de Heather Gillespie, contornando sua pele branca numa moldura pegajosa. O vestido antes amarelo de tecido leve que descia numa longa saia até seu tornozelo tinha a cor praticamente irreconhecível. A imagem era estranhamente harmoniosa. As fotos da perícia certamente ficariam lindas, por mais macabro que o pensamento fosse. Quase como se ela estivesse posando para uma sessão fotográfica de mal gosto. Kate esperava que aquele ensaio não acabasse parando na mídia tão cedo mesmo sabendo que aquela era uma esperança perdida. Lidar com as câmeras nunca fora seu forte.
Ela estava pensando em como conseguiria se livrar da publicidade indesejada quando notou a falta de piadas atípica ao escritor. Kate se virou para ele, a procura de algo que pudesse explicar a ausência de comentários e encontrou-o sério como se estivesse vendo a si mesmo deitado no chão.
– Ok, você definitivamente não está bem, Castle. – Beckett chegou mais perto, reconhecendo nele a expressão que via em parentes e amigos de vitimas de assassinato. – O que-
– Não é nada, está tudo bem. – Ele fechou os olhos e chacoalhou a cabeça, em descrença. A imagem de Heather com a garganta rasgada de lado a lado parecia ter sido impressa em suas pálpebras. – Droga, Heather... – Deixou escapar, entre os dentes.
Ele forçou um riso nervoso e abriu os olhos. Ele parecia conhecê-la. Beckett sabia o quão traumatizante podia ser ver aquele tipo de coisa acontecer com alguém próximo, e o olhava sem saber o que dizer.
– Me desculpe. – Ela decidiu pelo óbvio.
– Acho que vou fazer companhia à Esposito, está bem?
E sem esperar a resposta, Castle desceu do palco pela escada lateral, rapidamente voltando à plateia e sumindo pela escuridão do auditório. Foi dado à Kate pouco ou nenhum tempo para entender o que acontecera. Assim que Castle passou pela porta dupla que levava ao foyer um rosto familiar entrou pelo mesmo caminho.
– O que deu nele? – Perguntou Lanie, que vinha carregando uma maleta, cheia de... Bom, Beckett nunca realmente soubera o que ela carregava ali.
– Acho que ele conhecia a vítima... – Respondeu, sem desviar os olhos da porta.
A legista levantou uma sobrancelha, sarcástica.
– Sabe me dizer alguém que não conhecia?
– Não, acho que ele conhecia mesmo. Talvez fosse uma amiga...
– Ouch. Isso vai doer...
Ele nem tem ideia de quanto, pensou a detetive, preocupada.
Lanie Parish subiu as escadas até o cadáver e instintivamente deu um passo para trás. Odiava aquele tipo de ferimento. A faculdade de medicina ensinava que ela não devia ter demorado muito para morrer, mas ainda assim, a legista sabia que Gillespie tivera tempo o suficiente para sentir a dor.
– É claro que não é oficial até eu assinar os papéis, mas acho que a causa da morte está bem clara. – Disse, voltando a se aproximar da vítima e se ajoelhando com cuidado para não esbarrar no sangue. – Hemorragia severa devido a um imenso corte na garganta.
Beckett tinha visto várias cenas de crime, e aquilo ali com certeza entrara para a lista das coisas que ela não gostaria de ver novamente. O que quer que tenha cortado a carne de Gillespie havia penetrado fundo o suficiente para que ela pudesse ver o que tinha dentro; ultrapassando muito o nível do que ela considerava visualmente aceitável.
– O corte me parece limpo e único, mas não vou saber ao certo até olhar mais de perto. – Continuou. – Eu diria que você está procurando uma faca. Bem afiada.
– E alguém com muitos problemas.
– No mínimo.
Beckett olhou os arredores em silêncio a procura de algo que chamasse minimamente sua atenção. A iluminação fraca e cálida dificultava o trabalho. O tamanho a fazia pensar que a CSU levaria dias para processar o local. Mas conviver com Castle a fizera aprender que a mente dele trabalhava em cenas, e ela acabara absorvendo o hábito. O ar de mistério do cenário contribuía para deixar a detetive em ponto de tensão. Beckett podia ver a cena se desenrolando à sua volta: Heather no palco, o assassino, a morte, a fuga.
E os mínimos traços de sangue que escorriam pela lâmina precisa.
Ela deu passos para trás, cautelosa, rodeando o cadáver. Deu a mesma volta três vezes e não encontrou um único vestígio dos respingos que, pela lógica, deveriam estar lá.
– Ele, ou ela, deve ter limpado a arma do crime. – Comentou, em voz alta.
– Pode ser... – Disse Lanie sem realmente prestar atenção, com as mãos enluvadas remexendo no corpo de Gillespie. Seu tom de voz indicava uma continuação na frase; Kate esperou que ela lhe dissesse mais alguma coisa, mas Lanie continuou a encarar o ferimento com uma expressão de curiosidade que deixava a detetive pensando se legistas eram realmente pessoas normais.
Beckett desviou o olhar e chacoalhou a cabeça, ligeiramente perturbada pela visão. Melhor deixar isso para a perícia. Olhou em volta novamente, por hábito – era sempre divertido encontrar vestígios importantes antes da equipe de análise de cena, porque não tentar mais uma vez? – e se decepcionando, desceu, em direção à porta. Estava entretida demais com as próprias teorias a respeito da reação de Castle para perceber a pequena peça de metal que servia de proteção aos degraus. Tropeçou numa borda solta, e mais tarde estaria colocando uma bolsa de gelo na testa, não fosse ter se segurado em uma das cadeiras no último momento. O apoio suavizou a queda, mas mesmo assim, Beckett atingiu o chão.
O eco surdo do tombo fez Lanie se virar e rir pelo desatento:
– Cuidado, detetive, não me obrigue a fazer a autópsia da minha melhor amiga, certo? – Berrou ela, do palco, prendendo o riso na garganta com um grasnado.
Kate riu do comentário e da própria falta de atenção. Sentou-se no chão para um inventário de danos e encontrou um fino corte no braço.
– Eu estou bem... – Esfregou o ferimento, como se aquilo pudesse melhorar um pouco a dor fraca, mas irritante. – Eles precisam consertar essa coisa... – Disse, notando então no que havia tropeçado. – Isso ainda vai matar alguém.
Lanie prendeu o riso novamente. Já tinha essa tese há algum tempo: alguém tinha que fazer piadas na cena do crime; se Castle não estava disposto, Beckett provavelmente assumiria seu lugar. Ela via agora o quanto estava correta.
A detetive suspirou pela gafe e agradeceu a falta de testemunhas no local, mesmo sabendo que a notícia correria rápido. Os parceiros e todo o 12th estariam fazendo piada daquilo no dia seguinte, sem dúvida alguma. Ela se apoiou nos pulsos para levantar; um brilho rápido no canto de seus olhos a obrigou a ficar onde estava. Podia jurar que vira algo de metal, à sua esquerda, entre as poltronas. Ao virar-se, entretanto, o brilho não estava mais lá.
Beckett chacoalhou a cabeça e colocou-se de pé. O que quer que fosse, estaria nas mãos dos peritos em pouco tempo. Era estranho que não estivessem ali ainda, mas logo o teatro estaria cheio deles. Agora, Castle... Ela queria lidar com ele pessoalmente.
Mas a sorte da detetive diminuía a cada instante.
– Hey, Beckett... – Chamou Ryan, indo a seu encontro quando ela chegou ao foyer. – A CSU-
– Porque estão demorando tanto? – Questionou ela, interrompendo-o.
– É o que estou tentando dizer, já estão ai...
Finalmente, bufou.
– Vocês falaram com quem encontrou Gillespie?
– Sim, foi o guarda noturno.
– O guarda? – Estranhou a detetive.
Na verdade, ela havia estranhado a situação desde que chegara ali. Era de conhecimento comum que os atores da Broadway ensaiavam até a exaustão, ficando muito além do horário necessário. Mas era improvável que ela tivesse usado a noite toda para passar o texto. E se por algum motivo tivesse, alguém provavelmente estava com ela. Ninguém passa texto sozinho.
– Ele comentou a presença de alguém além da dela?
Ryan balançou os ombros.
– Não sei, Esposito quem pegou o depoimento... Devia falar com ele.
Beckett assentiu, aceitando a sugestão. O detetive estava adiante, respondendo às perguntas frenéticas de uma mulher que acabara de entrar pela porta junto com os peritos. Ela gritava coisas sem muito sentido, apontava para as fitas amarelas presas à porta de vidro e parecia à beira de um ataque de nervos. Kate deu um passo à frente, curiosa. A mulher de cabelos loiros, presos desleixadamente, usava roupas claras e largas. O estilo era simples e evidentemente caro – os tons de bege e dourado caiam bem em seu corpo. Parecia jovem demais para ter alguma influência, mas as dúvidas de Beckett a respeito de sua autoridade no local se esvaíram completamente assim que ela gritou o próprio nome. Jenna Cartwright. O mais novo prodígio do Theater District. Tinha somente vinte e cinco anos, mas era uma roteirista de talento absurdo, e dirigia peças desde antes da maioridade.
Aquele tipo, de temperamento difícil, era de praxe para Kate, embora Esposito parecesse estar com dificuldades. Uma palavra bem posicionada da parte de Beckett, e a garota se calaria na mesma hora. A detetive já sabia até mesmo o que fazer e dizer, e sentia-se tentada o suficiente. Aquele era um de seus prazeres mais obscuros: calar a boca de gente prepotente, mesmo que a atitude fosse prepotente por si só. Deu mais alguns passos, com um sorriso curto e quase cruel nos lábios.
Kate abriu a boca, pronta para soltar uma gracinha, mas não foi adiante. A visão de Castle sentado num dos bancos chamou sua atenção. Ele parecia pensativo demais para a ocasião, inclinado para frente, com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos remexendo nervosamente os fios de cabelo.
Beckett mudou de direção, por impulso, e foi até o parceiro sem hesitar. Apenas ao chegar à frente de Castle percebeu que não sabia o que estava acontecendo, então ficou calada. Pensou em se ajoelhar no chão, ficar com os olhos à altura dos seus, mas lembrou-se da sensação de encará-los na noite anterior. Desistiu da ideia, mas não teve tempo de pensar em outra. Castle agarrou sua jaqueta aberta com força, puxando-a para mais perto e deixando a própria testa descansar na barriga da detetive. Beckett sentiu as bochechas queimarem. Teria gritado pelo espanto, brigado, repreendido-o pela ação, mas pousou as mãos nos ombros do escritor, compreensiva.
Não era natural em nenhum nível que ele a puxasse daquela forma, tanto quanto não era natural que ela aceitasse o gesto; mas talvez fosse culpa da preocupação.
– Castle, você devia ir para casa. – Não era uma pergunta, ou uma sugestão, mas quase uma ordem.
Ele se manteve quieto, por alguns segundos, até que, por fim, murmurou uma resposta positiva e se levantou lentamente – ainda agarrava as vestes da detetive quando ficou de pé. Soltou-a sem uma única palavra. Já estava passando pela porta de vidro que o levaria à rua quando Kate teve a iniciativa de perguntar-se o que diabos estava acontecendo com ele.
É claro que, como de costume, já era tarde demais.
Ela até iria atrás dele, se não tivessem um caso a resolver.
Escondeu a preocupação com um suspiro profundo e deu um passo para trás, recobrando a postura. Ainda podia escutar os protestos da diretora. E as tentativas frustradas de Esposito de acalma-la.
Todos sabiam que ele tinha mais do que a capacidade necessária para assumir o lugar de Beckett como chefe da Homicídios, caso algum dia ela fosse promovida. Mas o que faltava naquele homem era algo que em Beckett sobrava: a mais bem polida cara de pau.
Mas a habilidade se mostrava inútil, agora. Kate não podia gracinha, Castle a fizera perceber isso.
Por um segundo, se esquecera como era horrível estar do outro lado, recebendo a notícia que mudaria tudo. Beckett podia gostar de mostrar às pessoas que o mundo não girava ao redor delas, mas naquele momento teria sido, além de prepotente, cruel. Heather e Jenna trabalhavam juntas, era o suficiente. Kate sabia que mesmo a notícia da morte de um vizinho que lhe emprestara um pouco de açúcar podia deixar alguém mais reflexivo do que o normal.
Melhor guardar as gracinhas para mais tarde.
– Senhorita Cartwright. – Chamou ela, girando sobre os calcanhares e ganhando o silêncio e a atenção de todos com o gesto demorado.
– Então é você que está comandando a bagunça, det. Beckett? – Perguntou a loira, virando-se e ajeitando os óculos de armação negra sobre os olhos, quase como se aquilo a ajudasse a ver melhor. Reconheceu a detetive das capas do Times, onde as fotos do lançamento do último livro foram publicadas. Achou interessante como a fama parecia rodear a mulher, e se questionou se ela era tudo aquilo que Richard dizia ser. Mas desde já podia dizer que bem pouco do que vira nas fotografias era photoshop. Uma sorte de poucas. – Vai me explicar ou me fazer perguntar...?
– É uma investigação oficial, diretora. Alguém morreu no auditório e espalhou muito sangue em seu palco, eu quero saber por que. – Ao menos, as duas sabiam da existência uma da outra. Dispensava apresentações. Beckett andou até a diretora, esperando uma réplica.
– Quem morreu em meus palcos, detetive? – Cartwright revirou os olhos, sem esperar o que viria a seguir.
Beckett hesitou, mas disse o nome da famosa atriz:
– Heather Gillespie.
Jenna soltou o ar dos pulmões e bateu a mão na testa com força. Negação.
– Você tem que estar brincando comigo...
Cartwright estava, de fato, em prantos, mas não pelo motivo mais comum.
– Você n-não está entendendo detet-tive! – Resmungou ela, entre soluços. Beckett teve que se ajeitar no banco, chegando mais perto para entender o que ela dizia. – O q-que eu vou fazer sem a minha estrela? Minha estrela está morta! Sabe, ninguém leva a sério a ideia de "quebrar a perna", e às vezes até alguém realmente quebrava, mas é a primeira vez que alguém morre!
Ryan e Beckett trocaram olhares de cumplicidade. Aquela era sem dúvida uma maneira interessante de colocar a coisa.
– Erm... Senhorita Cartwright... Conhece alguém que poderia querer machucar Heather?
A loira limpou as lágrimas com as costas da mão, sem que aquilo fizesse muita diferença, e soluçou mais algumas vezes em silêncio.
– Se eu conheço? – Os soluços começaram a diminuir aos poucos. – Metade das atrizes desse lugar matariam para conseguir o papel. Ela faria Christine na próxima temporada, isso é, daqui a uma semana! – Gritou ela, e os soluços voltaram junto com uma choradeira exagerada.
– Quem a substituiria, caso algo acontecesse? – Questionou Ryan.
– Ninguém, Heather me fez prometer que não colocaria ninguém como segunda opção. Isso sempre dá problemas.
– Qual é, Jenna, é um espetáculo renomado. Você tinha que ter um plano B, mesmo que extraoficialmente.
Jenna Cartwright suspirou, suprimindo soluços e passou as mãos nas bochechas novamente.
– Erm... Gillian Flanders, ela faz um papel menor... Um talento bruto, mas é realmente incrível. – Cartwright elevou os olhos para observar a reação de Beckett, que anotava o nome em um Moleskine. – Calma, você não acha que Gilly poderia ter matado Heather, não é? Quer dizer, ela é um doce!
– Não sei, me diga você...
– Não, de forma alguma. Gilly não faria algo assim. Ela adorava Heather.
– Temos que checar todo mundo para encontrar o culpado. Pode não ter sido a senhorita Flanders, mas é um começo. – Explicou Ryan.
Beckett assentiu em concordância e se levantou do banco, devolvendo o caderno de anotações ao bolso da jaqueta.
– Vocês... Vão encontrar quem fez isso com a minha estrela. – Não era uma pergunta. – Eu quero o idiota preso o mais rápido possível.
– Não mediremos esforços, diretora. – Responder Beckett.
– Me prometa.
Beckett engoliu em seco. Odiava ter que prometer aquele tipo de coisa. Odiava ter que dar aquele tipo de esperança. Já tinha ouvido as mesmas palavras que diria agora. Já tinha descumprido – não por opção – a mesma promessa.
– Eu prometo, srt. Cartwright. Eu vou achar quem fez aquilo com Heather.
Jenna assentiu, colocou o cabelo para trás da orelha e voltou a olhar para baixo. Beckett já tinha se virado de costas para a diretora, a fim de se juntar aos técnicos da CSU quando Jenna a chamou, lembrando-se de um último detalhe importante:
– Erm... Det. Beckett? – Kate se virou. – Quando posso ter o teatro de volta?
Kate suspirou. Sempre a mesma ladainha. Ninguém nunca ficava de luto por tempo o suficiente.
– Eu não decido isso, precisamos das evidencias...
A diretora assentiu novamente e se recostou na parede, olhando para o nada. Enquanto tentava imaginar como lidaria com os atrasos, com a nova atriz que faria o papel principal, com o quão diferente aquele lugar seria sem Heather, Beckett traçava os próximos passos da investigação, tentando esquecer aquele pequeno detalhe. O mínimo brilho que vira mais cedo e que a irritava desde então.
