Capítulo 11 – O final de todas as coisas

Peeta só havia precisado de dois dias quase que inteiros para que finalizasse todo o seu relatório e pudesse pôr em dia o que estava acumulado há três semanas. E nesses dois dias, o loiro não havia visto nem sombra de Marvel, Cato ou Jack. Segundo Clove Blake, o material que o Tordo possuía era enorme e muitos precisavam de cuidados para ser despachados de Mojave.

Lyme LaRue ainda permanecia em Los Angeles, que monitorava a expedição de Mojave, enquanto John Blight e Caine Woof haviam partido para Sacramento a fim de resolver a questão com Chaff na manhã após o julgamento de Katnis Everdeen. Ninguém da equipe sabia informar a razão daquela mulher ainda permanecer na cidade.

Peeta lia distraidamente algo que havia sido deixado em sua mesa por Amber quando decidiu que precisava de café. Não havia muitas notícias de seu amigo, agora líder da equipe. Também não havia muito que fazer ali. Suspirou e andou sem ânimo até às escadas e desceu dois andares.

No final do corredor, o loiro bateu numa porta e esperou alguns minutos até que Madge Undersee fosse atendê-lo. Ela sorriu e pediu que ele entrasse e se sentasse em sua cadeira.

- Porta fechada? – o loiro questionou apontando para a entrada.

- Limpando as coisas. – ela falou dando de ombros. – Mas o que o grande Peeta Mellark deseja? Por favor, me diga que não teve nenhuma ideia estúpida.

- Sem ideias. Ainda não me recuperei da última. – o visitante riu, batendo levemente na região onde levara o tiro. – Soube da Katniss, não é?

- Ah claro. De tantos assuntos que você podia abordar, porque falar de Everdeen ainda continua me deixando surpresa?

- Mad...

- Peeta, ela já foi inocentada. Deixe agora que ela faça o que ela quiser.

- Mas você não acha estranho Lyme simplesmente tê-la inocentado? Assim sem mais nem menos?

- Ai Mellark... Você definitivamente é um caso perdido.

- Eu daria tudo para vê-la uma última vez, sabe? Pedir perdão por tudo e... – o rapaz começou, ignorando o que a amiga havia dito.

- E o que mais? Ficarem juntos e viverem felizes para sempre como num conto de fadas?

- Ela disse que me amava. – o outro retrucou.

- Segundo Cato, você estava baleado e perdendo muito sangue.

- Mas não pode ser loucura da minha cabeça Madge! Quando eu a prendi, ela disse que havia me amado. Isso não é algo que simplesmente possa ser jogado de lado da noite para o dia.

- Pode se você for um agente do FBI e a prender... Que foi exatamente o que aconteceu.

O silêncio caiu entre eles. O loiro olhou para a amiga e percebeu que ela era tão detestável quanto Cato quando queria. Talvez tivessem aprendido aquele maldito sarcasmo um com o outro.

A outra riu da cara emburrada dele e perguntou se queria café, mas ele acabou recusando, mostrando o copo que tinha em mãos. A outra deu de ombros e estava para dizer algo quando sua porta foi aberta e Marvel entrou. Ele parou e olhou para Peeta sentado antes de seus olhos encontrarem Madge.

- Mad, tem algo que você precisa vir analisar. – o rapaz falou sem jeito, visivelmente nervoso com algo, e deixou a sala da legista.

A mulher assentiu, pegando alguma coisa na gaveta e se levantando enquanto Peeta a observava. Até que ele pareceu perceber algo.

- Mad? Espere... Você e... – e o rapaz apontou para a porta.

- Você estava no hospital. Não tem muito que falar.

- Você e Marvel estão saindo! Como... Quando...

- Depois Mellark. Agora vamos.

E a médica legista deixou sua sala, seguida por um Peeta ainda perplexo e cheio de dúvidas. Aquilo com certeza seria algo para ser abordado mais tarde.

No final do corredor, Marvel esperava e informou que Jack a queria no laboratório, um andar abaixo. O trio desceu, enquanto o agente que estava em campo informava sobre o material trazido, vindo da sede do Tordo.

A forense entrou no laboratório e colocou as luvas de látex em seu bolso, aproximando-se de um homem mais velho, moreno e calvo, com a barba aparada e os óculos refletindo o material que olhava.

A surpresa em ver Beetee Latier, cientista e membro do conselho da líder do Tordo, só não foi maior ao ver Katniss Everdeen ao seu lado. A mulher parecia concentrada explicando sobre o processo que usava para fazerem armas não serem detectadas, enquanto cientistas do FBI analisavam o material do recipiente.

Por um momento, a explicação que ela dava parou e todos olharam para a entrada do laboratório. Peeta a encarava, surpreso, e não sabia o que dizer naquele momento exatamente. Não esperava vê-la tão cedo após o julgamento.

- Agente Everdeen... – um cientista a chamou. – Sobre o material...

- Ah sim. – e a atenção da moça. – O material foi composto com...

O loiro não deu atenção a nada do que ela dizia. Ninguém parecia surpreso com a presença dela ali. Não quando haviam se referido a ela como "agente". O que diabos havia acontecido no julgamento depois de sua saída? O que Amber não havia contado?

Deixou o laboratório e pegou o elevador. Quando as portas do compartimento se abriram, três andares acima, ele viu Cato saindo da sala em direção a maquina de café.

- Agente Everdeen? – o menor questionou assim que se postou ao lado do amigo.

- É bom ver você de novo Peeta.

- Eu perdi alguma coisa? Dois dias atrás, Katniss era líder de uma máfia... Agora ela é chamada de agente?

- Bem, prometemos a ela que ela contaria isso a você. – Cato falou dando de ombros. – Ela só foi inocentada porque concordou em se juntar ao FBI como cientista. Everdeen ajudará a melhorar o sistema para detectar armas.

- E desde quando sabe disso?

- Marvel e eu descobrimos quando estávamos a caminho de Mojave. Acredite, você não foi o único que ficou surpreso.

Peeta suspirou. A dupla voltou para a sala e sentaram-se em sua respectiva mesa de trabalho. O loiro permanecia distraído, pensando na morena que se encontrava no laboratório três andares abaixo.

O dia passou devagar e nada parecia segurar a atenção do rapaz por mais do que alguns minutos. Porém, quando a noite chegou, muitos de seus companheiros se foram, enquanto ele ainda permanecia ali, distraído com uma leitura no computador. Relia os relatórios feitos nos primeiros meses do caso do Tordo.

Contudo, os olhos começavam a pesar. Esfregou-os por um momento e desligou o computador. Apagou as luzes de sua escrivaninha, pegou as chaves do carro e guardou o celular no bolso. Dirigiu-se ao elevador e apertou o botão para que o compartimento o levasse ao subsolo, onde seu Corolla estava estacionado.

O elevador parou três andares abaixo e o loiro levantou o olhar desanimado para ver quem entrava. Quando percebeu que Katniss Everdeen entrou, o rapaz ficou paralisado, surpreso, e seus olhos não conseguiam desviar dela.

Em seu íntimo, Peeta Mellark sempre imaginava como seria a conversa que gostaria de ter com aquela mulher. Pedia desculpas, explicava-se por tudo e ela, de alguma forma, aceitava. Não dizia que o amava, mas ele não insistia no que ela havia dito antes de ele perder a consciência na mansão de Snow. Porém, em nenhuma de suas conversas, ela possuía o cordão com o distintivo do FBI pendurado, nem o crachá de identificação.

Agente Katniss Everdeen.

Agora ela estava ali, ao seu lado. No mesmo ambiente que ela. E não sabia o que falar. Parecia ter esquecido como se pronunciava qualquer palavra. Gostaria de perguntar tanta coisa, mas era impossível.

- Boa noite – e para o espanto dele, ela falou primeiro. – agente Mellark.

- Ah... Boa noite Kat... Digo, agente Everdeen.

Ela riu minimamente com o embaraço dele.

- Pode me chamar de Peeta. Como antes...

- Certo Peeta. – e ele pôde vê-la sorrindo. – Então me chame de Katniss.

- Katniss... – o rapaz pronunciou o nome com carinho, como quem se lembra de algo extremamente bom. – Achei que não a veria de novo. – e se apressou em acrescentar quando a viu arquear a sobrancelha. – Depois do julgamento. Inocentada.

- Ah sim. Isso. Não esperava que negociasse a minha inocência com a minha entrada para o FBI. Ela comentou que leu meus relatórios sobre os recipientes...

- Cato me contou. Fico feliz por você. Vai para...

- Para a casa de Prim. Pretendo ficar por lá uns tempos, sabe? Depois de tudo o que aconteceu... – ela falou dando de ombros. – Com o Tordo, eu mal tinha tempo para ela ou para a minha mãe.

As portas do elevador se abriram e Peeta viu o piso térreo do prédio.

- Katniss? – ele a chamou quando ela começou a andar para fora do compartimento. Pigarreou quando a encarou e se apressou em dizer, antes que a coragem se fosse. – Você quer dar uma volta? Quer dizer... Jantar ou algo assim? Posso deixar você na casa da sua irmã depois e...

A moça se mostrou surpresa com o pedido dele. Ele sabia agora que devia estar visivelmente nervoso. E poderia estar parecendo patético para ela, mas não se importou. Nada importava naquele momento.

- Você paga o jantar. – ela disse sorrindo e revirando os olhos antes de entrar no elevador novamente.

Ele assentiu e soltou a respiração que não sabia que estava prendendo. Desceram mais um andar e o rapaz a guiou para o seu carro estacionado. Entraram no veículo e o loiro começou a dirigir para longe da North Hope Street.

- Para onde a senhorita deseja ir?

- Não sei. Talvez o Hilton. A comida de lá é sensacional. – ela riu.

- Sinto em dizer senhorita, mas o salário do FBI não permite que eu vá a lugares como o Hilton. Tudo foi pago pelo dinheiro do governo.

Eles riram e ele ficou feliz em perceber que o clima não estava pesado como imaginaria que pudesse estar quando conversasse com ela.

- Então me surpreenda Peeta.

Ele assentiu e piscou maroto, enquanto acelerava pelas ruas do centro de Los Angeles em direção ao subúrbio. Katniss fitava o lugar e parecia olhar as coisas com curiosidade.

- Sinto muito se não tenho uma casa em Malibu. – ele comentou sem graça.

- Já pensou em pedir um aumento? – ela questionou, arqueando a sobrancelha e o encarando.

- Depois do tiro. Sim. – ele riu. – Porém, Jack me engoliria vivo se eu o assombrasse com uma possibilidade de aumento.

Ela riu.

O rapaz estacionou o carro na garagem do próprio prédio e respirou fundo. Olhou de soslaio para a moça ao seu lado e percebeu que ela não sabia exatamente o que estava acontecendo.

- Ah, sinto muito. Não queria ser pretencioso. Mas lembro-me de ter prometido que cozinharia no jantar. No Hilton não conta. Nem Malibu.

Ela assentiu e desceu do carro. O loiro a guiou para as escadas até o segundo andar. Eles permaneceram em silêncio até a porta no fim do corredor.

- Peeta querido! – e a detestável voz de Morgan Tatcher se fez audível no corredor.

Katniss se virou para olhá-la quase com incredulidade. A mesma expressão exibida pela outra ao ver a ex-líder do Tordo. O rapaz percebeu a tensão subir no local e se postou na frente de sua visita, a fim de bloquear a visão da mulher com olhos levemente puxados.

- Morgan, por favor, hoje não.

- Hoje não? Para mim, não é?

- Deixarei uma coisa bem clara...

- Não se atreva a chegar junto dele ou acertará as contas com a namorada dele. – Everdeen interveio, falando seriamente para a outra.

Os olhares de ambos exibiam incredulidade. Peeta parecia genuinamente surpreso. Pigarreou e chamou a atenção de Morgan.

- Agora, se me der licença. – e empurrou a visita levemente para dentro do apartamento. – Passar bem. – e entrou no apartamento e fechou a porta apressadamente.

O rapaz suspirou aliviado e pendurou o casaco. Pediu o da moça e ela sorriu, entregando para que ele guardasse.

- Não é grande, mas tento fazê-lo o mais confortável possível.

- Morgan, é?

- Ah, ela está no meu pé desde que me mudei para cá. – e percebeu a próxima pergunta que ela iria fazer, então tratou de se antecipar. – Nunca aconteceu nada entre a gente, por mais insistente que ela seja.

- Acho que não será mais.

- É... Talvez... – e o rapaz foi para a cozinha. – Não se importa em comer macarrão, não é? Ou prefere crepe? Não tive tempo de fazer compras depois que saí do hospital.

A morena entrou na cozinha e se sentou na cadeira que estava mesa da bancada, olhando o loiro procurar pelo que fazer no armário.

- Você faz bolo não é? Porque não faz um para nós?

- Isso deveria ser um jantar Katniss. – mas ao olhar para a expressão dela, ele suspirou derrotado. – Um bolo então.

O rapaz pegou o material e colocou sobre a pia, preparando toda a massa em silêncio, apenas sendo observado pela morena. Ela não se atrevia a falar. Não quando seu anfitrião parecia tão concentrado. Era quase difícil associá-lo ao agente do FBI que conhecia.

Quando o loiro acabou, ele se sentou na cadeira de frente para a visitante.

- Agora só esperar. Quer beber algo? Não sei se ainda tenho vinho guardado, mas tem cerveja. E leite, eu creio. Posso fazer suco também. – Peeta começou a falar apressadamente. – Café, devo ter também...

- Quando o bolo sair, eu aceitaria café. Com leite e canela.

Ele assentiu.

O silêncio caiu entre eles. O agente se perguntou o que ela estaria pensando. Respirou fundo e se virou para encará-la. Percebeu que ela o olhava de volta. Aquele era o momento. Se não fizesse aquilo, talvez nunca conseguisse.

- Eu sinto muito Katniss. – ele falou de uma vez. – Por tudo. Por ter mentido para você, por ter arrastado você para essa missão de Snow. Por...

- Peeta...

- Não, por favor. Eu sei que me perdoar seria demais, mas... – ele deu uma pausa, pensando no que falar. – Ainda me lembro daquele dia do assalto à mansão. Quando eu achava que ia morrer... – e riu ao se lembrar das palavras dela.

Ela ficou em silêncio, olhando-o de uma forma que ele não sabia identificar. Esperava uma resposta dela. Em sua imaginação, às vezes ela o perdoava. Às vezes não. Contudo, naquele momento, nenhuma das coisas que pensara parecia plausível.

- Eu já o perdoei Peeta. – ela respondeu. – Sabe como foi horrível vê-lo sangrar e não poder fazer nada? Ver você tirar tudo de mim pode ter me arruinado completamente, mas ver você morrer foi muito pior. Era como se uma parte mim se esvaísse...

- Engraçado que, em um momento da missão, eu pensei em desistir. Deixar o caso. Eu havia me apaixonado pela mulher que tinha que prender. Irônico, não? A ideia de forjar o sequestro foi de Cato. Era um jeito fácil de prendê-la depois de tudo o que havia acontecido. – o loiro lembrou com amargura. – Simplesmente não conseguia seguir em frente depois que tudo acabou.

- Sabe, às vezes eu me pegava pensando como seria uma vida diferente da que eu tinha. Sem o Tordo. A faculdade que eu teria feito ou os namorados que poderia ter tido. – e ela riu secamente.

- Gostaria de ter me conhecido nessa outra vida?

- Não. – ela falou francamente. – Nessa outra vida eu não me apaixonava pelo agente do FBI que me prendeu. A outra vida não faria sentido se ele não estivesse lá.

Ele a olhou surpreso. Apoiou-se na bancada e se aproximou da moça, beijando-a logo em seguida. A morena ficou estática, mas o tempo de resposta ao beijo foi quase imediato.

Afastaram-se por um momento, levantaram-se e voltaram a se beijar, dessa vez Peeta aproximando os corpos. Não queria que ela fosse embora. Não queria que ela o deixasse. Segurou-a ali em seus braços por medo de algo acontecer a ela novamente.

- Eu te amo Katniss Everdeen. – ele falou ao se separar rapidamente dos lábios dela e sussurrou.

- Sempre te amei, Peeta Mellark. – ela também sussurrou com sinceridade, como se aquilo fosse certo.


- Sério mesmo Peeta? Eu sou mulher e é você quem demora mais para ficar pronto? – Katniss repreendeu impaciente na soleira da porta do quarto.

- Eu sou o padrinho! Preciso estar ótimo.

- Eu sou a madrinha e já estou ótima há vinte minutos.

O loiro terminou de ajeitar a gravata borboleta do smoking. Deixou o cabelo impecável e se virou para a morena.

- Como eu estou?

- É bom eu ter cuidado para não ser presa de novo. – ela riu.

O rapaz riu também. Respirou fundo e enlaçou o braço dela. A mulher ao seu lado estava linda para a ocasião. Os cabelos estavam presos num coque frouxo bem feito, com algumas mechas finas caindo pelas costas nuas. O vestido era um tomara-que-caia marfim, com o busto bem trabalhado e saia solta, rodada e levemente armada.

Já havia se passado pouco mais de um ano desde que tudo havia acabado. O caso do Tordo, o caso de Coriolanus Snow.

Katniss Everdeen havia aceitado namorar com ele. Não tardara para que a morena deixasse de morar com Prim para se juntar ao loiro no apartamento do subúrbio. Contudo, na sede do FBI, os dois agiam o mais profissionalmente possível um com o outro. O que não era difícil, já que ele era agente de campo, enquanto ela integrava o time de cientistas.

Meses depois após o início do namoro deles, Cato fez um grande anúncio no prédio da North Hope, e em meio a vários agentes, pediu Clove Blake em casamento, da qual aceitou prontamente. Peeta havia concordado em ser o padrinho, enquanto Katniss seria a madrinha dos noivos.

O casal deixou o apartamento e dirigiram ao Corolla do loiro. Logo eles estavam a caminho de uma pequena igreja, no subúrbio mais ao norte. A recepção seria numa casa de campo que pertencia aos pais da noiva, na mesma região.

Quando chegaram à igreja, os convidados começavam a se acomodar, enquanto o noivo jazia nervoso no altar. Peeta e sua acompanhante caminharam até ele, postando-se no lugar definido para os padrinhos. O loiro podia ver o amigo esfregar a mão e olhar para o relógio o tempo todo.

- Fica calmo cara. – o menor falou risonho.

- E se ela não aparecer? E se ela se lembrar do quanto me odeia? Eu me esqueci do quanto a odiava na academia, sabia?

- Por favor, Cato. Aquilo não era ódio. Era amor reprimido! – Peeta falou rindo. – Ela já vai chegar, fique frio.

As primeiras notas de um piano começaram a soar no recinto. Os convidados se levantaram e olharam para a entrada. Clove Blake estava fantástica. O vestido branco era de alças largas feitas em renda, enquanto o busto era justo, bordado com pedras brilhantes, com um decote em "v" discreto. A saia era levemente armada, com pérolas decorando e fazendo desenhos em sua extensão. Não usava véu, e sim um arranjo que prendia seus cabelos pretos e lisos, com pedras verdes que realçavam os olhos da noiva. Ela sorria enquanto caminhava devagar em direção a Cato.

O noivo, por sua vez, estava encantado. Todo o nervosismo sumiu naquela hora. Nada pareceu tão certo quanto aquele momento em que se casava com a mulher que mais amava na vida.

A cerimônia seguiu tranquila, com alianças trocadas juramentos feitos há seu tempo. Beijaram-se timidamente na frente de todos. Cato enlaçou a mão de Clove e eles se dirigiram para a porta da igreja. Todas as mulheres se aglomeraram na entrada num alvoroço para pegar o buquê da noiva, que acabou sendo pego por Katniss, que sorriu e levantou as flores para que todos vissem.

Quando ela se dirigia para a casa de campo onde seria a recepção, Peeta comentou risonho ao contemplar as rosas brancas em suas mãos.

- Você já tem o buquê. Acho que podemos marcar a data do casamento.

Eles riram.

A festa se seguiu animada, começando pela valsa de casal iniciada pelos noivos. Os padrinhos o acompanharam. Não demorou muito para que todos os acompanhassem antes da valsa ter fim e uma música animada começar a tocar.

Peeta olhou para os convidados da festa. Muitos eram agentes do FBI, alguns do escritório, como Jack Brutus e Amber Griffin, outros dos tempos de academia, que trabalhavam em cidades diferentes. Também reconhecia alguns poucos membros do Tordo, como Finnick Odair e Annie Cresta, que não parecia tão debilitada naquele dia e estava radiante em seu vestido verde-água. Odair agora trabalhava em uma empresa de importação de San Diego e, a pedido do FBI, mantinha seu disfarce com Alma Coin, para o dia que precisassem da mulher novamente.

Também pôde avistar a extravagante ex-secretária de Katniss, Effie Trinket, da qual finalmente assumira relacionamento com Haymitch Abernathy. Ambos juntaram suas economias e viviam "aposentados" em uma casa simples mais ao norte da Califórnia.

Beetee Latier, que agora liderava uma equipe de cientistas, não estava presente, já que precisara viajar para Nova Iorque dois dias atrás.

O rapaz encontrou Johanna Mason dançando com Marvel Hastings. Marvel havia tentado iniciar uma relação com Madge Undersee, que acabou por não dar tão certo. O loiro havia trabalho com a ex-atiradora do Tordo, agora atiradora de elite da SWAT. O trabalho havia sido um sucesso e agora eles tentavam iniciar uma relação após alguns convites para jantar.

Gale Hawthorne também estava presente, de braços dados com Glimmer Schreaver. Sabia que os dois se falavam com frequência desde o tempo em que estivera hospitalizado, no ano anterior. Porém, mantiveram o relacionamento escondido por um bom tempo, até que Katniss descobrisse durante uma visita dele ao casal, e eles acabaram divulgando para todos.

Tudo parecia bem. Ou quase. Peeta estava ansioso, segurando a taça de champanhe. Planejara aquilo há dias com Cato. Ele havia permitido que fizesse o que estava prestes a fazer. Subiu ao palco onde a banda tocava no momento em que finalizaram uma música. Pediu o microfone e pigarreou, antes de falar e ouvir sua voz sair ampliada no caixa de som. Focalizou brevemente sua namorada na plateia, conversando animada com a irmã, Primrose, que estava perto de terminar a faculdade de medicina.

- Olá a todos. Gostaria de parabenizar aos noivos. – e ergueu a taça. – Espero que sejam felizes, até mesmo tentando se matar. – riu minimamente, arrancando algumas risadas dos convidados. – E agradeço a vocês por abrirem esse espaço para mim. Espero que aceitem serem meus padrinhos.

Os recém-casados assentiram animados, enquanto todos olhavam para o loiro no palco com indagações. Principalmente ela. Os olhos azuis encaram os olhos cinza tempestuosos no momento em que tirou o microfone do pedestal e entregou a taça para um convidado que não vira quem era.

- Kat... Não acredito que já estamos juntos há mais de um ano. – ele começou. – Agradeço todos os dias pela mulher que me foi dada. Mas não é o suficiente. Não será o suficiente até podê-la chamar de minha pela eternidade. Por isso, – e se ajoelhou, buscando algo no bolso interno de seu smoking. Mostrou uma caixa de veludo verde e abriu, mostrando um anel prata dentro dele, com uma delicada pedra de jade. – Katniss Everdeen, você aceita se casar comigo – e apenas gesticulando os lábios, de forma que só ela entendesse, ele completou – verdadeiro ou falso?

Ela sorriu radiante. Piscou rapidamente para afugentar as lágrimas emocionadas, enquanto assentia feliz e o abraçava. A moça o beijou sem pressa, mordendo o lábio inferior do rapaz antes de responder num sussurro.

- Verdadeiro.