Título Original: The High-Society Wife
Autora: Helen Bianchin
Sinopse:
Isabella e Edward Cullen aceitaram um conveniente casamento com os olhos bem abertos. Eles agiam como um casal feliz para criar uma aliança entre suas poderosas e milionárias famílias e dispersar as fofocas da imprensa. Mas, um ano depois, as coisas mudaram: o casamento pode não ser real, mas a paixão de Edward pela mulher, sim...
CAPITULO NOVE
Era quase meio-dia quando Isabella saiu. Visitou al gumas butiques de grife ao longo da Rua Toorak, pa rou para fazer um almoço saudável e dirigiu-se para o leilão de antiguidades.
Esses leilões aconteciam durante o ano, o evento de hoje seria um leilão de peças selecionadas feitas à mão e que faziam parte de uma coleção.
Vários carros estavam estacionados ao longo da avenida. Juntou-se aos outros possíveis compradores, com a intenção de poder ver os vários itens expostos na antiga e bela casa.
Era o inventário de uma pessoa falecida e a família estava escolhendo o que seria vendido.
Isabella quase chorou só de pensar que umas delicadas rosas, esculpidas em madeira, estavam sendo separadas e foram para casas diferentes, quando era claro que pertenciam a um mesmo lote.
Tola, são peças inanimadas de madeira, elas não têm alma... Mas as peças eram maravilhosas, esculpidas por mãos habilidosas.
Até que ela viu uma pequena mesa com um tampo delicado e belas pernas entalhadas. Perfeita.
Isabella passou levemente os dedos sobre a super fície, sentiu a delicadeza da madeira e se apaixonou pela peça.
— Elegante, não?
Não acredito nisso. Tanya? Aqui?
Sem dúvida, a aparição da atriz em cada esquina descartava a possibilidade de coincidência.
— Por que não lhe dou uma cópia dos nossos compromissos sociais? — ela disse com tranqüilidade. — Assim, você não precisará sair por aí tentando desco brir os meus passos.
Tanya lançou um olhar seco.
— Querida, quem se importa com você?
— Claro, eu sou apenas um acessório inconve nientemente preso ao Edward.
— Sim.
Resposta sucinta e envenenada. O que tinha de no vidade?
Isabella já não se envenenava mais com ela, isso era coisa do passado.
— Como vai sua filha?
Os olhos azuis da atriz ficaram petrificados:
— Minha filha não tem nada a ver com isso.
Isabella arqueou uma das sobrancelhas:
— Não? — Ela fez uma pausa intencional. — Eu acredito que você a tenha deixado em muito boa com panhia enquanto está ausente, aqui do outro lado do mundo.
— Ela tem uma babá.
— Pobre criança. Privada da presença da mãe que persegue seus objetivos... Profissionais e pessoais.
— Eu divido a custódia com o pai dela.
Isabella examinou as próprias unhas:
— Você não tem medo que a custódia seja reduzi da, ou até de perdê-la por completo?
— Você está me ameaçando?
— Não necessariamente, apenas conversando.
— Eu sou responsável pela minha própria vida.
— Claro, você é. Mas não com o meu marido.
— Mas então, ele nunca foi seu mesmo... Ou foi?
Ela não deixaria de pronunciar a última palavra, então resolveu a situação da forma mais fácil, virou-se e foi embora.
Mas a irritação não se desfez com tanta facilidade. Até aqui, o dia estava se revelando simpático.
O leilão começou pontualmente às duas e meia, com ofertas animadas e lances altos à medida que cada peça era vendida.
A pequena mesa que Isabella gostou atraiu vários lances, que foram diminuindo até ficarem apenas dois grandes interessados...
Aquilo se tornou um jogo, com ambas querendo ganhar. Isabella cobria cada oferta de Tanya e os lan ces foram ficando cada vez mais altos, no auditório só se ouvia a voz do leiloeiro.
Os presentes perceberam que havia algo mais na quilo; logo surgiram sussurros e conjecturas que Isabella preferiu bloquear.
Uma voz masculina apareceu em meio aos lances, uma voz que ela conhecia muito bem. Olhou para Edward e depois ao redor.
Que ele quisesse a mesinha para ele, era ridículo. Então, por que estaria fazendo ofertas? A pergunta mais pertinente tinha que ser, para quem a mesa seria destinada?
Isabella fez uma oferta excessivamente alta como última tentativa. Aquilo já tinha deixado de ser uma concorrência e se transformado em um jogo patético entre duas mulheres querendo se sobrepor uma à ou tra.
Bem, para ela estava terminado.
Edward fez uma oferta tão alta que arrancou suspi ros dos presentes no auditório... Seguido por um si lêncio que significou o encerramento dos lances.
— Edward.
A exuberância de Tanya era impressionante, in cluindo o fato de ela estar com o braço nos ombros dele. Seja como for, os beijinhos na bochecha foram um pouco de exagero.
Se bem que, para ser justo, Edward imediatamente aproximou-se de Isabella e segurou a mão dela firme mente.
Foi difícil resistir à tentação de se livrar das mãos dele, em vez disso, ela cravou as unhas na palma da mão de Edward como forma de protesto. Como res posta, ele torceu, levemente, a mão dela.
Tanya, que deveria mostrar solidariedade em pú blico, passou seu braço por baixo do de Edward e saí ram do auditório.
Acompanhado por duas mulheres... Uma das quais era sua esposa, a outra, uma amante do passado. O re sultado foi uma foto que irritou profundamente Isabella.
Arranjada por Tanya?
Ou ela estaria delirando? Certamente, esta era a praia de Tanya.
Quando estiver em dúvida... Sorria. Foi o que ela fez. Qualquer outra coisa transformaria um boato em escândalo.
Mesmo a atitude deliberada de Edward em retirar o braço de Tanya de seus ombros foi pouco para ame nizar a raiva interna de Isabella.
Queria sair dali e se livrar daquela situação. Isabella era bem-educada e sabia como se comportar em público. Na intimidade, contudo, ela pretendia cravar as unhas nele.
Se ele pensava que acariciando seu pulso com o polegar iria diminuir a irritação dela, estava tremen damente enganado.
O leilão continuou e Edward arrematou uma pol trona e uma mesa.
Tanya, para não ficar por baixo, teve participação ativa nos lances. Ela fazia sinais para que Edward fi zesse os lances nos momentos oportunos, levantava uma sobrancelha ou dava risinhos.
Não importava se ele retribuía ou não. O impor tante era a intenção, e isto já era o suficiente para ela.
— Vou resolver os detalhes — Edward afirmou, quando o leilão terminou. Isabella deu um leve sor riso.
— Eu vou indo na frente.
— Isto não demora. Espere por mim.
Como uma esposa obediente? Ficar aqui e assistir Tanya desempenhar o seu papel de mulher faceira? Não se ela pudesse evitar.
Manteve o sorriso, esperou-o estar envolvido com a papelada e saiu discretamente pela porta.
Pegou a Ferrari e saiu em direção a South Bank, na cidade. Lá poderia perambular pelo calçadão, esco lher um café à margem do rio e saborear um café com leite. Qualquer coisa que atrasasse sua ida para casa.
A insistente campainha do celular chamou sua atenção por um segundo, mas ela preferiu ignorar e foi procurar uma vaga no estacionamento.
Edward, ela percebeu, quando olhou o identifica dor de chamadas.
Poderia enviar uma mensagem cortês... Não, dro ga, ele deveria sofrer um pouco.
Recebeu outra chamada enquanto tomava seu café sentada à mesa sob um guarda-sol observando o rio, mas preferiu deixar a ligação cair na caixa postal.
Dez minutos depois, recebeu uma mensagem de texto no celular.
Fique onde está. Edward.
Como se ela fosse obedecer docilmente.
Isabella olhou a cidade, observou o fluxo do trânsi to com tranqüilidade e depois voltou a atenção para as pessoas que andavam no calçadão.
Casais jovens, grupos... Era sábado à tarde e, para essas pessoas, nada melhor do que vagar um pouco, fazer uma refeição, pegar um cinema, uma peça, agitar em um bar e depois ir a uma festa...
Um garçom hesitou antes de se aproximar para or denar o pedido. Ela estudou o menu, escolheu uma comida leve e pediu uma garrafa de água mineral.
A imagem de Tanya continuava como uma enti dade palpável quando ela pensava naquela tarde.
Certamente Edward percebera a malícia da atriz.
No mundo dos negócios, ele adquiriu a reputação de um estrategista implacável, mas quando se tratava em ser conivente com uma mulher... Principalmente se esta mulher tivesse dormido com ele no passado.
O garçom trouxe a garrafa de água, abriu-a e encheu o copo. As mãos dela tremeram um pouco quando segurou o copo e ela xingou baixinho.
Isabella começou a prestar atenção no que se passava ao seu redor, a música de fundo, os fragmentos de conversas das pessoas que passavam, o grito em polgado de uma criança, o tráfego distante e as even tuais buzinas.
Uma brisa que vinha do rio tornava o anoitecer mais frio. Os garçons começaram a acender os aquecedores e em minutos a refeição chegou.
A apresentação do prato era perfeita e a comida parecia estar ótima; saboreou o aroma antes de dar a primeira garfada.
Depois de algumas mastigadas, empurrou o prato para o lado. A atitude chamou a atenção do garçom.
— Algo errado com a comida?
— Está ótima — ela garantiu. — Não estou com muita fome.
— Gostaria que eu retirasse o prato? Aceitaria um café?
Talvez alguma outra bebida quente.
— Chá? — e logo indicou o de sua preferência.
O celular de Isabella tocou outra vez e a ligação foi imediatamente encaminhada para a caixa postal. Minutos depois, outra mensagem de texto. Edward.
Por favor, responda.
Foi o, por favor,que fez a diferença, por isso ela retornou imediatamente.
Chegarei mais tarde. Isabella.
Logo depois, outra mensagem.
Quer companhia?
Não.
Ainda não estava preparada para enfrentá-lo.
Estava decidida, no momento pretendia seguir seus planos, ou seja, ir ao cinema e assistir a um filme leve e divertido.
Andar sozinha pela cidade à noite não era uma boa idéia. Preferiu pegar o carro para ir ao cinema, esco lher um filme e envolver-se com o enredo, os perso nagens, a comédia.
Não teve muito sucesso. Já passava das dez horas quando chegou em Toorak e estacionou o carro na garagem.
Tinha uma leve esperança de encontrar Edward na cama dormindo; por favor, Senhor, faça com que ele esteja adormecido. As preces não funcionaram, pois, quando entrou, encontrou-o na antessala esperando por ela com as mãos enfiadas nos bolsos.
Isabella percebeu que ele a observava, bem vestido como sempre. A não ser que ela estivesse enganada, ele não tinha trocado de roupa, apesar de estar sem a gravata, com os botões da camisa abertos, os punhos dobrados e os cabelos um pouco desarrumados.
Preocupado? Com ela? Ou simplesmente não conseguia se livrar da raiva?
— Talvez você me queira dar uma explicação?
A pergunta de Edward parecia vir acompanhada de um tom áspero na voz, que ela confirmou no modo como ele a olhou.
Nada melhor do que enfrentar o problema de cabe ça erguida.
— Comi alguma coisa em South Bank e depois fui ao cinema. — Ela o encarou. — Eu precisava de um tempo sozinha.
— Você poderia ter atendido ao celular.
— Eu atendi. Em determinado momento. — Ela passou por ele e subiu as escadas.
— Nunca mais faça isso.
Isabella virou-se e o olhou indignada.
— Ou... O quê?
— Não me provoque. — A advertência fez com que ela sentisse um frio na espinha.
— O mesmo para você.
O silêncio que se formou era quase audível quando ela o desafiou com destemido desprezo.
Tinha posturas alternadas, um misto de fragilidade e força, e conseguia atingi-lo como nenhuma outra mulher jamais o fez.
Olhou-o de cima a baixo, deteve-se por alguns segundos na boca sensual e rapidamente afastou aquele pensamento da cabeça. Isabella levantou a cabeça em um gesto desafiador.
— Não estou com a menor vontade de discutir agora.
O silêncio subsequente dele teve mais efeito sobre ela do que qualquer coisa que pudesse ter dito.
Por um momento, ela sentiu o prazer da vitória, que logo desapareceu quando foi para a cama.
O banho morno não aliviou a tensão. Entrou no quarto sem saber se estava feliz ou irritada por ele não estar lá.
Enfiou-se em baixo dos lençóis, apagou a luz da cabeceira e ficou no escuro olhando para o teto até o sono chegar.
