Observações da autora: Eita, que esse daqui foi demorado, né gente. Peço desculpas pra todo mundo que ficou aí esperando por uma atualização! Galera, rolou uma crise criativa das brabas, mas ainda bem que deu tudo certo e eu consegui terminar o capítulo sem muitos problemas!
Então, tenham uma boa e merecidíssima leitura!
Capítulo 11 - "Onde é mais seguro estar"
Kagome estava decidida a acordar cedo naquela terça feira. Não ter aulas pela manhã era bastante tentador e quando ela ouviu o toque irritante do despertador sua vontade de continuar dormindo cresceu assustadoramente. Mas havia muita matéria para estudar e ela não poderia se dar o luxo de dormir até tarde.
Tinha planos de não pensar no encontro com Ichiro, mas é claro que eles foram por água abaixo. Como não ficar remoendo cada detalhe, cada olhar, cada ironia e cada acorde de violão que eles haviam compartilhado no dia anterior? Mesmo que Kagome estivesse se esforçando para concentrar-se acabou se deixando levar pela ansiedade antes mesmo que Ichiro desse qualquer sinal de vida. Afinal de contas ele havia somente dito que eles iam almoçar juntos. Nada de horário ou lugar combinado e ele nem ao menos tinha o número do celular dela. Quando Kagome pensou nisso seu estômago deu uma revirada.
Era o primeiro encontro dela com um garoto pelo qual realmente se interessava.
Ela lembrou-de de uma vez que saíra com Houjo, no colegial. Tinha sido a coisa mais natural e boba do mundo na época. Ela não estava com uma sensação curiosa na barriga; muito menos revirando o closet em busca de uma roupa perfeita. Kagome recordava-se de ter pegado o primeiro vestido que viu na frente. As coisas definitivamente haviam mudado de uma situação para outra.
Depois de provar algumas peças de roupa e ver que naquele instante não tinha cabeça pra decidir o que iria vestir, Kagome zarpou para o banheiro em busca de um banho longo e demorado. Reconhecendo sua ansiedade, resolveu levar o celular consigo ainda imaginando como Ichiro poderia fazer para conseguir seu número.
Seu banho não foi tão tranquilo quanto imaginara. O tempo todo pensava em quais seriam as verdadeiras intenções de Ichiro. Queria muito desabafar com alguém, mas Sam estava com o celular desligado e Zhang... Kagome tinha que admitir que era um pouco constrangedor falar de um cara com a própria irmã dele, por mais que elas fossem amigas. Não tinha dúvidas de que Zhang saberia separar as coisas tranquilamente, mas ainda receava algum tipo de reação negativa da parte dela. Mas não iria pensar naquilo. Se preocupar antes do tempo não ajudava em nada e Kagome sabia disso.
Ela saiu do banho e pegou o celular de olhos fechados imaginando uma chamada não atendida quando os abrisse novamente.
Mas não havia nada.
"Como eu vou escolher uma roupa se eu nem ao menos sei aonde vamos?"
Pelo menos ela tinha certeza de que iria para a faculdade depois então teria de vestir algo versátil. O tempo estava mais aberto anunciando o verão que dava seus primeiros passos. Kagome já havia tirado do closet um short jeans, mas estava com dificuldades de encontrar uma blusa mais fresquinha. Foi quando ela ouviu seu celular tocando. Uma chamada. Um número desconhecido.
- A-alô? - gaguejou ela.
- Abre a porta. - respondeu ele, curto e grosso, como sempre.
- Q... - eram muitas coisas para serem assimiladas de uma vez só, mas Kagome se contentou com a pergunta mais óbvia que lhe veio à cabeça - Como você conseguiu meu número?
- A Zhang me deu, duh. - explicou ele, sem saber o efeito que sua voz provocava em Kagome - Dá pra abrir a porta, agora?
- Eu acabei de sair do banho, - irritou-se ela, tentando catar alguma roupa na pilha de peças em sua cama - espere um pouco!
- Acabou de sair do banho...? - a voz dele adquiriu um tom ligeiramente pervertido - Hm...
Ele não ousou fazer piada alguma, mas mesmo assim Kagome achou graça. Ela desligou o celular depois de pedir uma última vez para que ele esperasse um pouco mais.
Kagome voltou-se para o closet, decidida a pegar um vestido que desse conta do recado. Foi quando ela viu um pedaço de tecido cinza estampado. Kagome puxou o tecido e lembrou-se que ele fazia parte de um vestido que ela havia comprado a alguns meses, mas nunca tinha usado. Ainda estava com a etiqueta que ela removeu cuidadosamente.
Vestiu-o rapidamente e teve somente alguns segundos para concluir que lhe caía muito bem. O decote era discreto e de um formato quadrado; tinha mangas curtas e a cintura era marcada por uma fitinha vermelha assim como as outras extremidades da peça. A saia do vestido ía até o meio das coxas e pelo caimento dava uma leve noção do formato do corpo da garota.
Ela se demorou olhando sua imagem no espelho até que ouviu batidas contínuas na porta do apartamento. Revirou os olhos e acelerou o passo até lá.
- Oi pra você também! - disse ela tentando não se intimidar com a presença de Ichiro - São 12:14 e eu ainda não estou pronta.
Ele entrou no apartamento sem cerimônia. Vestia mais um de seus jeans de tonalidade escura e uma camiseta branca de gola em v que aparentava ser de um tecido bem leve. Tão leve que quando o sol vindo da janela da sala espalhou-se pelo torso do garoto deixou a camiseta um pouco transparente nas laterais. Ela podia ver o formato do corpo bem torneado de Ichiro.
Kagome engoliu em seco e fechou a porta com os olhos fixos nele. Cruzou os braços esperando a próxima reação do garoto. Ichiro olhava para ela com a mesma expressão de vitória que carregava desde que haviam começado a conversar civilizadamente.
"Civilizadamente é uma palavra muito forte. Sem tentativas de homicídio cairia melhor." pensou ela esboçando um sorrisinho irônico.
- E então? - disse ele colocando as mãos nos bolsos - Vamos?
- Eu acabei de dizer que ainda não estou pronta! - Kagome riu - Espere só mais quinze minutos.
Ele não entendia o que faltava para que ela estivesse pronta. Afinal de contas, as mulheres se dizem prontas quando estão bonitas, não? Para Ichiro, Kagome já estava linda. Os cabelos úmidos caindo em cascatas negras, pingavam no chão e molhavam o vestido dela de leve. O rosto perfeito, a pele lisinha; os olhos azuis brilhando intensamente; o sorriso branquinho e espontâneo. Não podia ficar mais bonita que aquilo.
"O que diabos ainda falta?"
- Meh! - disse ele, sentando-se no sofá com ar de impaciência - Que seja. Não demore ou vou embora sem você.
- Hahaha. - ela respondeu com uma risada irônica - Olha, se você quiser alguma coisa, fique à vontade para ir na cozinha e pegar o que quiser, tudo bem?
- Hunf. Tá.
Kagome abanou a cabeça e marchou para o quarto, apressadamente. Passou uma escova pelos cabelos que já tinham começado a molhar o vestido. Ela secou-os de leve caprichando mais na franja e aplicou um produto de cheiro doce que ela esperava que fizesse algum efeito.
Em seguida, passou um protetor solar no rosto e um pouco de rímel nos cílios. Nos lábios, aplicou um batom avermelhado bem discreto e se considerou pronta. Abriu o compartimento do closet no qual guardava seus pares de sapato e escolheu uma sapatilha azul royal para contrastar com o cinza-quase-branco discreto do vestido.
Ela guardou apressadamente as peças que havia retirado do closet e correu para a escrivaninha procurando seu relógio. Achou na segunda gaveta e parou abruptamente quando notou um pedaço de papel de foto amassado junto a uma pilha de outros papéis.
Kagome colocou o relógio. Então tomou a foto e a segurou com as duas mãos. Sorriu.
- E-eu... - sussurrou ela, docemente - Eu vou sair com outra pessoa hoje.
Obviamente o garoto da fotografia não lhe respondeu. Só ficou ali com a expressão tensa de sempre. Olhando timidamente para a garota que estava posicionada ao seu lado. A garota em questão era ela. Três anos atrás. Kagome sentiu um nó na garganta.
- Espero q-qu... - ela se esforçou para manter a calma respirando profundamente uma vez - Por favor, que fique tudo bem...
Sentiu uma presença aquecer seu coração de forma delicada e, repentinamente, a vontade de chorar passou. Restava apenas uma saudade gostosa que ela apreciou por alguns instantes antes de perceber que a jóia tinha um brilho diferente, mais rosado. Ela não sabia de onde vinha essa certeza, mas, onde quer que Inuyasha estivesse, não era raiva ou ressentimento que ele sentia por ela.
Encostou a foto no peito com cuidado.
- Obrigada. - disse ela, com os olhos entre-abertos - Por tudo.
A foto foi guardada na mesma gaveta que estava. Kagome olhou para o relógio e percebeu que seu tempo já havia se esgotado. Eram meio-dia e meia. Supôs que Ichiro poderia estar cansado de esperar. Pegou uma bolsa qualquer e jogou rapidamente dois livros, tentando se lembrar de tudo que iria vir a precisar para as aulas que começariam às duas e meia.
Com uma última olhada para a gaveta em que estava uma das suas únicas lembranças de Inuyasha, ela saiu, sentindo-se renovada.
Ichiro ouviu o som de uma porta se fechando e supôs que Kagome havia saído do quarto. Ansioso, esperava que ela já estivesse pronta e foi se levantando do sofá. Deu de cara com a garota vasculhando algo em sua bolsa enquanto andava pelo pequeno corredor que separava os cômodos ao fundo da sala.
Estava adorável, como sempre. Ichiro não sabia que estranha habilidade era aquela que Kagome tinha de sempre parecer diferente - pra melhor - depois de se arrumar. Ela fazia alguma coisa nos cabelos que os deixava mais brilhantes e soltos; e certamente seus lábios estavam mais rosados. De qualquer forma, sua mente masculina não conseguia captar as pequenas sutilezas da aparência de Kagome. Tudo o que Ichiro sabia era que ela estava incrivelmente mais linda do que nunca.
A garota olhou para ele distraída e sorriu. Tirou de dentro da bolsa as chaves do apartamento e indicou a porta para ele. Ichiro saiu do apartamento e Kagome trancou a porta principal jogando as chaves de volta à bolsa em seguida.
- E então? - disse ela, parecendo animada - Aonde vamos?
Ichiro saiu do transe em que estava desde que Kagome havia aparecido toda arrumada em sua frente. Sua mente trabalhou rápido para formular a resposta que ela esperava, mas ele gaguejou um mumúrio incompreensível que o fez irritar-se consigo mesmo. Fez um gesto que encorajava Kagome a esquecer o que ele ia falar e a garota deu de ombros apesar de ainda estar curiosíssima.
Os dois desceram o elevador e chegaram ao carro de Ichiro que se encontrava do outro lado da rua, parado em frente à sorveteria.
- Quer guardar suas coisas na mala? - perguntou Ichiro apontando para o tubo de plantas que Kagome carregava junto com a bolsa.
- Ah, - sorriu ela, afetada - você quer dizer as plantas?
- É. - disse Ichiro, abrindo a porta do carro enquanto ria da falsa irritação de Kagome - Suas coisas, que seja. Vocês arquitetos sempre são obrigados a andar cheios de bagagem.
Kagome deu uma risadinha sarcástica e entrou no carro jogando as plantas e os livros no banco traseiro do carro. Enquanto Ichiro ligava o veículo e ela colocava o cinto de segurança, a discussão continuava.
- Tudo que nós fazemos tem utilidade, oras. - resmungou Kagome - Aposto que inclusive pra você, seja lá que curso você faça.
- Hm... - murmurrou ele, pensativo - Então você não sabe a menor ideia?
- Er... - confusa, Kagome não sabia se arriscava um palpite, mas resolveu tentar - Com todas essas piadinhas que você fez, acho que minha opção mais segura seria dizer que você faz Engenharia Civil.
- Sabia que você ia chutar isso. - respondeu Ichiro com ar de riso, mas sem tirar os olhos da estrada - Errou, tá? Só pra você ficar sabendo.
- Então não sei, desisto. - falou Kagome dando de ombros - Diz logo.
- Qual a matéria mais interessante do Ensino Médio? - perguntou ele, misterioso - Considerando tudo o que você já viu na vida.
- Nenhuma. Não gosto de física, nem de matemática. - respondeu Kagome, distraída - Mas vamos, me diga: o que diabos você cursa?
- Que tipo de arquiteta não gosta de física? - brincou Ichiro, fugindo do assunto - Tudo o que você projetar vai cair por terra assim!
- Oras! - Kagome cruzou os braços indignada e Ichiro se viu contente por ela ter "mordido a isca" - Eu disse que não gosto de física. Isso não significa que eu não seja boa em física.
- Aham. Agora, que nome você vai usar quando assinar seus projetos? - Ichiro pareceu estar levando a garota a sério até que a próxima frase veio - Sabe como é, né? Preciso saber pra nunca correr o risco de morrer soterrado quando um prédio seu desabar.
- HA. HA. HA. Nossa. Que hilário. - a voz da garota alterou-se, e Ichiro sorriu com satisfação - Pedante assim você só pode fazer medicina.
- Quê? Claro que não. - respondeu ele - Eu lá tenho cara de quem vai se propor a salvar vidas? Tente de novo.
- Hm... Direito? - chutou Kagome, pensativa - Também é profissão de gente implicante...
- Não e não sou implicante. - divertiu-se ele.
- Língua Francesa? Vamos lá, ninguém conseguiria imitar com perfeição aquele sotaque como você! - brincou ela, sem realmente chutar pra acertar, apenas pelo prazer de importunar Ichiro.
- Digamos que eu apenas assista muitos filmes franceses. - riu ele, olhando pra Kagome rapidamente - Continue tentando, está divertido.
- Química?
- Química nem ao menos existe! De novo.
- Biblioteconomia?
- Não.
- Hum... Geografia! - vibrou Kagome, como se tivesse descoberto a cura do câncer.
- Hum, também não! - Ichiro soltara uma gargalhada alta e olhou outra vez para Kagome - Vai tentando. Quem sabe quando a gente chegar você ace...
- Sociologia! - falou Kagome, um pouco mais alto do que gostaria - Você faz sociologia! Como eu não pensei nisso antes...
- Errou de novo. - falou ele, balançando a cabeça de um lado pro outro - Desiste?
- Hunf. É, né? - disse ela, cruzando os braços - Mas fiquei realmente curiosa...
- Eu vou me formar em História.
- Sério? - falou Kagome, meio que rindo.
- Ué, sim. - respondeu ele - Porque a surpresa?
- Eu não consigo imaginar ninguém com menos cara de quem tem o hábito da leitura do que você! - perguntou Kagome, olhando para Ichiro descrente - Sério?
- Eu posso ter dificuldades em me expressar, mas dentro da minha cabeça eu tenho um vocabulário extenso, garota. - respondeu ele, um vinco se formando entre as duas sobrancelhas - Você duvida?
- Bom, história é de fato a matéria que eu mais gosto... - declarou Kagome, cheia de razão, decidida a provocar Ichiro - e de fato pode ser um curso de gente pedante...
- De onde raios você tirou que sou isso aí? - exclamou ele ligeiramente indignado - Feh! Que julgamento injusto!
- Oras, me desculpe se você ainda não teve tempo de demonstrar seu intelecto super desenvolvido, tsc, tsc...
- Suponho que isso signifique que você vai me dar um tempo a mais pra que eu possa te convencer das minhas habilidades? - perguntou ele sugestivamente, deixando Kagome corar - Posso te mostrar minha biblioteca.
- Você tem uma biblioteca?! - exclamou ela, virando-se pra ele abruptamente - Me promete que não é uma biblioteca apenas de mangás por favor...
- Hahahaha, claro que não, idiota!
Eles riram juntos e depois se calaram por uns instantes enquanto Kagome tentava reconhecer que caminho ele estava seguindo. Ela sabia que estavam nos arredores da Toudai, mas nunca havia passado por aquelas ruas antes. De repente o carro parou e Ichiro desligou o motor, tirando o cinto de segurança.
- Chegamos. - anunciou ele.
Kagome não via nenhum restaurante no lado que ela estava olhando, mas quando se virou lá estava.
Do lado da janela de Ichiro ela podia ver que havia um simpático restaurante em tons de bege e vinho. Kagome duvidou que fosse tipicamente japonês e achou bacana de Ichiro sair do óbvio.
- Ei. - disse ele, acenando para ela como quem tentava tirar alguém de um transe - Eu disse que chegamos.
- Aah, claro! - falou Kagome, distraída.
- Heh. - começou Ichiro com a sua risada seca característica - Por um instante pensei que você estivesse desistindo e que eu ganharia essa aposta.
- Ahn... - Kagome fez um esforço para contextualizar a fala de Ichiro - Ah! A aposta. Bom, não conte com isso.
Eles desceram do carro e foi aí que Kagome notou que se tratava de um restaurante italiano. Vibrou por dentro e abriu um largo sorriso, pois não havia coisa mais gostosa para ela do que uma boa massa com molho de tomate e bastante queijo. Sua boca encheu-se de água instantaneamente.
- Se você não gostar de comida italiana - disse ele, com cautela - tem um restaurante japonês ali no fim da rua. Eu não me imp...
- Não, não! - respondeu Kagome enfaticamente - Esse é perfeito!
- Er... Ok. - Ichiro respirou, seu nervosismo se dissipando, aliviado - Que bom.
Ele não sabia o quanto ela havia gostado da macarronada que ele tinha cozinhado no domingo, mas como a garota chegou até a repetir Ichiro imaginou que ela apreciasse uma boa massa. Apostar no óbvio não fazia o estilo dele, afinal de contas.
Eles entraram no restaurante e foram logo encaminhados para uma agradável mesa para dois na parte mais discreta do ambiente. Antes do garçom entregar os cardápios perguntou se eles iriam querer a la carte ou preferiam o rodízo. Ichiro olhou para Kagome.
- Seguinte: se você pedir pelo cardápio é menos comida por mais dinheiro, - declarou ele enquanto o garçom sentia-se levemente constrangido - mas se optarmos por pedir o rodízio...
- Hm, já entendi. - disse Kagome tentando facilitar as coisas para o garçom - Prefiro o rodízio então.
- Você é das minhas, heh! - respondeu Ichiro com um olhar que Kagome classificaria como malicioso - Dois rodízios, per favore.
- Sí, signore. - disse o garçom com um sotaque bastante característico. Kagome poderia jurar que ele era, de fato, italiano.
Ele se retirou, levando os cardápios e deixando Kagome e Ichiro sozinhos. Havia um pequeno adereço na mesa: algumas flores artificiais num elegante vasinho de madeira rústica. Todo o lugar era decorado com tons quentes e luzes amareladas. Tudo tinha um leve cheirinho de flores misturado com laranja. Kagome não achou nem um pouco enjoativo. Ela observava com interesse os padrões arquitetônicos do local prometendo a si mesma que viajaria para a Itália assim que tivesse uma folga na faculdade. Entretanto, ela não via a possibilidade de isso acontecer num futuro próximo. Soltou um suspiro pesado.
- Que houve? - perguntou Ichiro um tanto quanto ríspido.
- Ahn? - Kagome olhou para ele, distraída - O quê?
- Você pareceu desapontada... - disse ele se esforçando para ser mais delicado - Quando... Er... Você está gostando?
Kagome sorriu e Ichiro viu as luzes do local se refletirem no rosto pálido da garota. Ela não precisava dizer mais nada para ele saber a resposta.
Gostaria de ter desviado o olhar do rosto dela, mas por algum motivo que desconhecia, não conseguiu. Nunca havia se demorado tanto analisando as feições de uma garota. Era engraçado para ele como Kagome parecia amigável sempre. Até mesmo quando ela tentava ser grossa. Ichiro sabia que não poderia continuar olhando-a daquela forma sem que a mesma lhe perguntasse em algum momento o que estava fazendo. Ele só aguardou a reação da garota.
Kagome estava analisando os detalhes de uma parede que ficava na entrada do restaurante e foi então que percebeu o que a sua visão periférica já tinha tentado avisar: estava sendo observada.
- Tem alguma coisa no meu rosto? - perguntou ela, sinceramente confusa.
- Tem. - respondeu ele, cruzando os braços - Dois olhos, um nariz e uma boc...
- Aham, aham. - Kagome ergueu uma sobrancelha forçando-se a não rir - Corta essa. Me diz porque você não consegue tirar seus olhos de mim.
- Erm... Q... Ahn? - de repente Ichiro desviou o olhar e passou a mão na nuca parecendo bem nervoso - Er... Voc...
- Não precisa responder. - disse Kagome ainda surpresa pela sua audácia na pergunta anterior.
Ichiro engoliu em seco. Não sabia que Kagome poderia ser incisiva. Imaginava que essa palavra nem existisse no vocabulário dela. Ele se sentiu um pouco amendrontado como se estivesse indo por um caminho sem volta. A garota parecia desvendá-lo com inocência e carisma. Nada era forçado, nada era artificial. Diferente de tudo o que ele já havia vivido antes. Em contrapartida, Kagome sabia que aquela sensação era estranhamente familiar. Ela sabia de algo que Ichiro desconhecia.
Ela gostaria que ele soubesse. Não que ela se importasse em mostrar.
- Penne aos quatro queijos, senhorita? - disse um dos garçons, deixando o prato às vistas de Kagome.
Ela não desviou os olhos para a comida imediatamente por ainda estar atenta aos movimentos de Ichiro. Ele havia tido um susto quase imperceptível quando o garçom chegou e suas sobrancelhas se juntaram ainda mais demonstrando que ele estava mais tenso do que de costume.
Kagome sorriu para o garçom e acenou com a cabeça afirmativamente. Ele serviu uma porção de massa e em seguida ofereceu-a à Ichiro que, por sua vez, recusou.
Ela não deixou de ficar tímida e encolher-se na cadeira por ter que comer sozinha agora que Ichiro havia recusado o prato. Fez menção de mover os talheres, mas a voz dele a fez parar.
- Que graça tem esse molho? - perguntou ele com uma sobrancelha estrategicamente erguida - É só... Queijo.
- Exatamente, oras. - respondeu Kagome como se aquilo fosse óbvio - Queijo é ótimo. Quem não gosta de queijo?
- Meh. - resmungou o garoto, apoiando o queixo em uma mão enquanto olhava para o prato de Kagome - Queijo não tem gosto de nada.
- Claro que tem, seu bobo... - Kagome riu, passando as mãos pelos longos cabelos negros - Mas eu sempre gosto de adicionar pimenta. Dá um sabor especial, não acha?
- Você? - Ichiro pareceu surpreso - Não tem cara de quem gosta de pimenta...
- Pois eu gosto, tá? - disse Kagome já pegando o vidrinho de pimenta americana e espalhando gotas pela massa - E só gosto se for bastante!
- Heh! Interessante... - falou Ichiro mais para ele mesmo do que para Kagome - Vai querer um refrigerante com isso aí, não é?
Kagome já havia colocado uma porção de penne na boca e limitou-se a acenar com a cabeça afirmativamente. Ichiro fez sinal para o garçom e pediu duas cocas sem perguntar a preferência de Kagome. Quando se lembrou desse pequeno fato, brigou consigo mesmo em silêncio. Entretanto, não estava em seus planos corrigir o erro. Talvez fosse orgulhoso demais até para isso. Ao final, ele deu de ombros e continuou observando a garota até que lhe ofereceram spaghetti à bolonhesa. Ele aceitou e começou a comer enquanto outro garçom servia os refrigerantes.
- Não é tão difícil, não é? - perguntou Kagome apoiando o queixo nas duas mãos - Dividir uma mesa comigo, quero dizer.
Ichiro olhou para ela, surpreso e tomou um gole de coca que desceu queimando a garganta. Piscou duas vezes para Kagome ainda em silêncio.
- Eu não... Eu nunc... Meh! - ele não parecia encontrar as palavras certas com facilidade - Você que sente dificuldade em dividir o mesmo espaço comigo. Essa é a razão da aposta, não é?
Ele sabia que estava mentindo. Na maior parte do tempo ele sabia, mas simplesmente não ligava. Entretanto, ao dizer aquilo, sentiu que estava fazendo algo de errado. Ignorou a sensação. A aposta era uma desculpa esfarrapada que ele tinha para se encontrar com Kagome sem parecer um idiota apaixonado. Mas foi bastante tolerante consigo mesmo. Não se importava realmente se soasse como um idiota. O que ele não podia aceitar era o fato de que poderia estar se apaixonando... Apaixonado não. Nunca. Até porque ele só conhecia Kagome há algumas semanas.
Não é?
- Eu não sinto dificuldade nenhuma! - respondeu Kagome, protestando - Se você se comportar como um ser humano civilizado não vejo problema nenhum...
- Quer dizer que eu não sou um ser humano civilizado? - Ichiro riu. Um riso safado e escroto que só ele conseguia ter.
Kagome sentiu que ele estava provocando. Mesmo tendo reparado, ela não hesitou em morder a isca. E se sentiu terrivelmente burra quando o fez.
- Não é civilizado estacionar o seu carro atrás do meu bloqueando a minha saída. - respondeu ela, entre uma garfada e um gole da bebida.
- Oras... Eu pedi sua permissão, não exagere... - disse ele, utilizando-se de um tom cheio de seriedade.
- Minha permissão! - indignou-se Kagome, trincando os dentes de leve - Só se foi por telepatia! E tenho de lhe dizer: não funcionou nem um pouco.
- A culpa não é minha se você não recebeu o recado, feh. - respondeu ele, distraído, comendo mais um pouco.
Kagome ergueu uma sobrancelha e respirou fundo.
- Ok, então. - disse ela dando uma nova chance à Ichiro - Não é civilizado rosnar para os meus amigos.
- Heh! Rosnar? Eu? - respondeu ele com boas doses de ironia - Caso não tenha percebido são os seus amigos que rosnam pra mim. Especialmente aquele francesinho arrogante...
Kagome sentiu-se desconfortável quando se lembrou de Éric. O que ele pensaria se a visse almoçando com Ichiro? Num dia ela diz que não tem nada com ele e no outro estão dividindo a mesma mesa num restaurante. Nem ela mesma se daria credibilidade.
Ichiro notou o desconforto de Kagome e um vinco mais acentuado formou-se em sua testa. Ainda não tinha certeza da relação que ela mantinha com aquele amiguinho inconveniente. E isso o deixava enciumado.
- O que você tem? - perguntou Ichiro substituindo a preocupação que sentia por grosseria - Foi só falar naquele seu nam...
- Não. - disse Kagome massageando a nuca - Não é isso que você tá pensando... Ele não é nada além de um amigo. E ele sabe disso... Ele soube ontem!
Ichiro olhou para Kagome sentindo-se culpado. Ela não tinha nenhuma obrigação moral de dar satisfações a ele, no entanto ela o fazia. Tinha de admitir para si mesmo que suas palavras o deixavam aliviado e estranhava essa sensação. Raramente se envolvia com garotas por tempo suficiente para que esse tipo de coisa acontecesse e, quando acontecia eventualmente, não podia sentir mais do que pura indiferença. Sua auto confiança estava abalada e ele experimentava a insustentável agonia de estar mergulhando num abismo de altos e baixos imprevisíveis.
- Deixa isso pra lá. - disse ele, tentando manter seu tom o mais neutro possível.
Ela pareceu interpretar aquilo como um sinal de que tinha falado demais.
- Como se isso fosse do seu interesse, não é? - perguntou ela, voltando a comer.
Ichiro não sabia o que responder e optou por continuar em silêncio. Seu rosto continuava tenso e ligeiramente contraído, mas se conseguisse externar o que estava sentindo tinha absoluta certeza de que abriria um sorriso imenso. A verdade é que estava eufórico.
Kagome e ele eram amigos, ou colegas, pra ser mais exato. Claro que esse fato não diminuía a vontade que Ichiro sentia de esbofetear o francesinho idiota toda vez que o via encostar num fio de cabelo sequer dela. Mas era bom tirar um peso das costas pelo tempo em que estavam juntos e falar de outras coisas. Mesmo sem baixar a guarda, claro!
O silêncio foi interrompido quando um delicioso rondelle de queijo e bacon foi oferecido para a mesa deles. Ambos aceitaram. Kagome reforçou a pimenta na comida. Ela já estava sentindo os cantos da boca ficarem ardidos e o calor em suas bochechas indicava que provavelmente já estariam num tom acentuado de rosa avermelhado. Amava a sensação que o tempero lhe proporcionava. Para ela, tudo que fosse salgado ficaria ótimo com pimenta. Absolutamente tudo.
E também ajudava-a a esquecer o fora imenso que havia acabado de dar com Ichiro.
"Como eu pude ser tão idiota, Kagome burra! Não coloque a carroça na frente dos bois!" pensava ela, corando em parte pela pimenta e parte pela vergonha.
Ichiro observava a mudança de cor no rosto da garota enquanto tentava pensar em algo inteligente para dizer e reiniciar o diálogo. Como sempre, Kagome pensou mais rápido do que ele e tomou a palavra antes.
- Sabe... - disse ela enquanto terminava de engolir o refrigerante - Eu posso não ter cara de quem gosta de pimenta, mas você também não parece levar jeito com o violão.
Ichiro achou aquela declaração curiosa. Ele sempre gostara de música e não sabia somente violão. Seu pai, satisfeito com o gosto refinado do filho - um dos únicos que ele tinha, na verdade - o matriculara em várias aulas extras de música. Graças à isso, Ichiro conhecia os mecanismos do piano, do violino, da flauta doce e do violoncelo.
- Porque? - perguntou ele.
- Você não tem cara de quem faz qualquer coisa minimamente sensível.
Ichiro gargalhou, o que era raro, e Kagome se deliciou com a sensação que havia provocado nele. Suspeitou que o clima tenso da sua declaração anterior havia se dissipado com muita facilidade. O garoto comeu mais um pouco e por um instante parecia que não ia falar mais nada.
- E eu tenho cara de quem faz o quê, então? - questionou ele, curioso.
- Além de obrigar meninas inocentes a almoçar com você? - perguntou Kagome, divertindo-se.
- Eu não te obriguei a almoçar comigo... - disse ele sob o olhar falsamente acusador da garota - Mas que seja. Além disso.
- Você... - Kagome colocou uma mão no queixo e suas sobrancelhas se aproximaram como se ela estivesse se esforçando para pensar em algo - Você tem cara de quem sabe manejar uma espada.
Ichiro deu um sorriso discreto e olhou nos olhos de Kagome. Ela corou mais ainda, mas não conseguiu deixar de encará-lo. Não sabia de onde havia tirado essa história de espadas e tudo o mais. Ou melhor: até sabia, mas insistia em negar.
- Ok. - disse Ichiro descansando os talheres no prato - Um ponto pra você.
- Hahaha. Eu sabia! Mais alguma coisa que eu possa adivinhar sobre suas habilidades secretas?
Ichiro não deixou de estranhar a reação de Kagome. Geralmente quando ele contava isso para as garotas com quem costumava sair elas se empertigavam todas e perguntavam, espantadas, se ele poderia fazer isso ou aquilo com uma faca de cozinha. Era o tipo de reação que o deixava um pouco irritado. Era o tipo de reação que Kagome não teria.
Talvez por ter visto mais caras com armas mortais do que Ichiro jamais poderia imaginar?
- Sim. - respondeu Ichiro após se recompor - Continue chutando... Quem sabe você não acerta mais uns pontos e eu acabo te dando um brinde por isso?
Houve algo no tom que Ichiro usou para dizer aquilo que deixou Kagome extremamente tímida e sem jeito. É claro que ele estava sendo malicioso. E é claro que ela fingiria não ter notado. Apenas pigarreou discretamente e prosseguiu como se a última frase não tivesse existido.
- Você pode escrever poemas... - fantasiou Kagome, pensativa - Você pode ser bem sensível, afinal. Já que estamos explorando esse seu lado mesmo, não é?
Ichiro riu e depois degustou um bom bocado da massa ainda olhando fixamente para Kagome. Abanou a cabeça de um lado para o outro em negação o que ela parecia ter achado engraçado. Ichiro notou que seu copo estava vazio e só então percebeu que o refrigerante havia acabado. Ele deu uma olhada rápida no de Kagome e decidiu pedir mais duas cocas ao garçom mais próximo. Ele se virou e ergueu a latinha de refrigerante enquanto estendia dois dedos para um garçom perto da entrada do restaurante. Quando o homem se retirou pronto a atender o pedido, Ichiro pode notar um casal que lhe era estranhamente familiar. Suas sobrancelhas se uniram e sua mente revirava as memórias que ele tinha daquele homem. Foi então que ele viu o seu rosto.
- Ichiro? - perguntou Kagome, intrigada - Quem é aquele cara? Você conhece?
- Acho que... Eu... - o homem sorriu para Ichiro e parecia estar chamando a sua acompanhante, ele reconheceu-o então e todo o seu corpo entrou em estado de alerta.
Sempre acreditara que não era abençoado com uma sorte muito grande. Não tinha sido a primeira coisa que viera a sua cabeça quando seu pai anunciou a mudança para Tókio? Felizmente, conseguira desvincular-se de Sapporo com louvor dando satisfação apenas a dois amigos íntimos os únicos que conseguira manter ao longo dos anos. Não falava com ninguém daquela cidade desde que completara duas semanas no novo lar.
Então como poderia saber que Koji estava na mesma maldita cidade que ele?
- Masagami! - uma mão pesada apoiou-se sem cautela no ombro de Ichiro que arregalou os olhos involuntariamente - Venha, Akane. Quero que conheça um dos meus alunos mais inesquecíveis!
Ichiro tentou tranquilizar Kagome com o olhar, mas ela mirava o casal a frente deles com uma expressão curiosa no rosto. Ele então levantou-se, constrangido, e fez uma pequena reverência para os dois em sinal de respeito.
- Akane, este é Masagami Ichiro - disse o homem se dirigindo para Ichiro em seguida - e esta é Kimura Akane, minha noiva.
- Muito prazer. - respondeu Ichiro, visivelmente tenso.
Houve um breve momento de silêncio no qual Ichiro hesitou em apresentar Kagome para eles. Só começou a falar de fato quando a garota levantou-se e fez uma leve reverência, educadamente.
- Higurashi Kagome, - começou ele, sentindo-se cada vez mais desconfortável - estes são Kamiya Koji e Kimura Akane.
Kagome sorriu para o casal a sua frente tentando imaginar o que havia feito Ichiro ficar tão tenso de repente. Não que ele não estivesse sempre nervoso durante a maior parte do tempo, mas ela conseguiu notar a ligeira mudança no comportamento dele.
- Então, Masagami... - começou Koji, sua voz grave reverberando nos ouvidos de Ichiro - Como estão as coisas por aqui?
- Bem, muito bem. - o garoto apressou-se em dizer mas não se estendeu na conversa buscando espantar logo a inesperada visita.
- Claro, claro! - disse Koji, olhando sugestivamente para Kagome - Vejo que o seu bom gosto continua intacto, não é?
De repente Kagome se viu corando, o ritmo cardíaco aumentando rapidamente. Não havia gostado nem um pouco do jeito que aquele homem estava falando. Parecia que ele conhecia Ichiro muito bem, pois estava conseguindo deixá-lo extremamente constrangido.
Ichiro, por sua vez, sentiu o estômago despencar. Isso. Não iria escapar dos comentários que sempre ouvira quando residia em Sapporo. Claro que naquela época isso não importava nem pra ele, nem para as garotas que conhecia... mas naquele momento estavam sendo muito incômodos. Ele não queria que Kagome fosse obrigada a passar por aquela situação, mas estava acontecendo. E ele não via nada que pudesse fazer a não ser balançar a cabeça afirmativamente e esboçar um sorriso amarelo.
- Querido, desculpe, mas... - a mulher que acompanhava Koji falou pela primeira vez - Eu estou faminta! Vamos nos sentar logo...
- Não, vamos sentar aqui com eles, Akane! - disse Koji enquanto batia nas costas de Ichiro que parecia querer infartar a qualquer momento - Faz muito tempo que não vejo o meu garoto!
- Errr... N-não precisa se incomod...
- Viu, Koji? - interrompeu Akane com um olhar que transmitia calma a Ichiro - Vamos deixar o casal a sós, sim?
- Akane eu ac...
- Foi ótimo conhecer vocês dois, queridos. - interrompeu a mulher sorrindo para Kagome e Ichiro - Aproveitem o almoço!
Ela puxou o noivo com uma firmeza que causava espanto. O fato é que Koji finalmente pareceu ceder e sorriu para o casal enquanto acenava discretamente. Os dois sentaram-se no outro extremo do restaurante. Ichiro respirou audivelmente, aliviado e agradeceu mentalmente à tal de Akane que, fosse quem fosse, teve a sensibilidade de perceber a inconveniência de Koji.
- Quem era ele? - perguntou Kagome sentando-se.
- Ahn? Quê? - Ichiro ainda estava demorando para se recompor do nervosismo - Eles...?
- Sim. - Kagome adquiriu uma expressão séria e seu tom de voz se mantinha assustadoramente estável - Quem eram?
- Eles... Hm, erm. Era só o meu treinador e a noiva dele. - respondeu Ichiro, sentindo-se intimidado pela abordagem diferente de Kagome.
Kagome olhou-o de forma fria, tentando concluir se ele realmente estava dizendo a verdade ou não. Mexeu um pouco em seu prato e tomou um gole de refrigerante longo, sem tirar os olhos de Ichiro.
- O que você treina? - perguntou ela.
- Eu t-treinava... - respondeu Ichiro, sentindo o nervosismo aumentar gradativamente - Artes marciais.
- Ele parece te conhecer muito bem, sabia? - alfinetou Kagome, apoiando o queixo delicadamente nas mãos.
Ela não sabia porque se sentia incomodada com o ocorrido. A única pista que tinha era que estava com a sensação de que Ichiro não era lá muito chegado em relacionamentos estáveis, e não que o tal Koji tivesse dito nada sobre isso, mas a forma como ele falou... Parecia que não costumava levar a sério as companhias de Ichiro. Mas bem, entre ele ainda não existia nada, de fato. Apesar de querer com todas as suas forças se dar o luxo de sentir ciúmes de Ichiro, Kagome respirou fundo e procurou se acalmar. Era um almoço simples, não deveria ser tão tenso assim, não é?
Ichiro recuou um pouco quando Kagome soltou a indireta, mas não o suficiente para querer se afastar definitivamente dela. E isso deveria acontecer, não? Era o que acontecia sempre que ele se sentia cobrado por alguém. Ele pulava fora. Entretanto, o que sentia era uma vontade de provar para Kagome que ele era capaz de mudar. Uma vergonha o atingiu. Queria esconder seu passado, seus motivos, sua história. E por mais que tentasse, mais cedo ou mais tarde aquela garota descobria tudo.
E se ela não gostasse de quem ele realmente tinha sido? E se isso pesasse em sua decisão?
- Feh. Você não sabe de nada. - disse ele, perdendo a noção do tom que usava - Ele...
- Sabe de uma coisa? - perguntou Kagome ignorando a grosseria de Ichiro - Esquece isso, tá? E daí que você tem uma fama meio... Hm.
- Ruim? - arriscou Ichiro, sentindo-se extremamente aliviado com a mudança de humor de Kagome.
- É. Ruim. - disse ela, enquanto ria levemente - Isso não nos impede de sermos amigos.
- Amigos? Feh. - resmungou Ichiro, percebendo um segundo depois que deveria ter falado mais do que deveria - Erm...
Kagome optou por ignorar solenemente o que ele havia dito.
- Sim. Amigos. - disse ela, sorrindo e estendendo a mão para ele - Tudo bem por você?
- Amigos. - respondeu ele, enquanto apertava a mão de Kagome selando o acordo - Heh.
Eles sorriram como se não houvesse nada de errado. Como se a opção mais segura fosse a opção mais correta.
Mais algum tempo se passou até que eles terminassem de comer e quando já estavam saindo do restaurante, Ichiro decidiu quebrar o gelo.
- Você vai pra Toudai agora, não é? - perguntou ele.
- É... - respondeu Kagome um tanto quanto vagamente - Eu tenho uma aula dentro de uns quarenta minutos.
- Tenho que te deixar direto lá então, não é?
- Hm, é. Eu me viro pra voltar pra casa.
Eles caminharam para fora do restaurante e Kagome pode notar que Ichiro acenava para o casal sentado no outro extremo do restaurante. Ela se virou e acenou para eles também e logo depois lembrou de algo que havia se esquecido de perguntar.
- Então, você ainda treina artes marciais?
Eles se dirigiram para o carro de Ichiro enquanto conversavam.
- Não mais. - respondeu ele, como se estivesse lembrando de alguma coisa - Eu deixei muita coisa pra trás quando me mudei pra cá.
- E esse treinador - continuou Kagome - que a gente encontrou agora... Ele te ensinava o que exatamente?
- Ele costumava me dar aulas de esgrima, na verdade. - respondeu ele enquanto abria o carro para entrar - Mas o irmão mais novo dele também foi meu professor. Ele me ensinou muita coisa sobre karatê.
- Hm...
Eles entraram no carro e Kagome se demorou pensando no quanto eles haviam evoluído naquele dia. Já conseguiam conversar durante um tempo considerável sem discutir, sem dúvida um grande avanço.
- Você ganhou, heh.
- Quê? - Kagome olhou para ele que sustentava uma expressão de vitória no rosto.
- Oras... Você conseguiu, aguentou me aturar até agora. - ele desviou os olhos da estrada por um segundo, o tempo de encarar Kagome nos olhos - Parabéns.
Kagome ergueu uma sobrancelha para ele e se fez de desentendida.
- Hm, e o que é que eu ganho com isso mesmo? - perguntou ela, mirando as unhas distraidamente.
- O que você quiser. - respondeu Ichiro rindo do charme que a garota fazia.
- Acho que vou guardar esse meu crédito - disse Kagome, passando os dedos pelos longos cabelos - depois eu lhe digo o que eu decidi. Supondo que a aposta não tenha prazo de validade, claro.
- Heh, não. Não tem. - respondeu ele - Mas não demore muito, hem?
- Hmmm... Alguém parece estar muito ansioso, não? - brincou Kagome - Talvez eu te torture mais um pouco com isso... Ichigo.
- Eu odeio esse apelido. - falou ele, trincando os dentes.
- Como se eu me importasse com isso, não é?... Ichigo.
- Eu desisto, meh.
Ele havia soltado aquele resmungo que Kagome já não interpretava mais como mau humor. Ela podia ver através da visão periférica que um sorriso sem dentes estampava o rosto de Ichiro o tempo todo. Ela riu, chamando a atenção dele para si e os dois coraram ao mesmo tempo. Eles passaram o resto do caminho mergulhados no mais confortável silêncio, até que começaram a avistar os prédios da Toudai.
Kagome se perguntou se seus amigos já sabiam com quem ela tinha saído naquele dia. Esperava sinceramente que Zhang e Sam amenizassem a situação. Começou a ficar tensa. Ela estava chegando na universidade com Ichiro, no carro dele. E se eles dessem de cara com Éric? Como ela não havia pensado nessa possibilidade antes?
Nem percebeu quando o carro parou, numa vaga não tão perto do prédio no qual estudavam. Kagome sentiu-se desconfortável. Eles teriam que andar uma distância maior e, como consequência, corriam o risco de serem vistos juntos.
- Alguma coisa errada, Kagome?
Mas ela não tinha escutado. Estava preocupada demais pensando se Éric acreditaria caso ela dissesse que Ichiro era seu mais novo amigo. Porque era isso que ele era, não? Um amigo. Só um amigo. Como eles haviam combinado.
- Kagome? - chamou Ichiro, demonstrando um pouco de impaciência - Ei! Nós chegamos, desça do carro.
- Ah! Claro! - Kagome virou-se abruptamente visivelmente nervosa e deu um sorriso sem graça para Ichiro - Então, eu vou indo! Tchau.
- Ei!
Mas Kagome já saltava do carro, apressadamente, esperando que Ichiro não fizesse mais perguntas. Entretanto, ela não conseguiu se afastar nem dois metros do carro quando sentiu uma mão forte puxando-a pelo braço fazendo com que ela se virasse.
- Você parece distraída - ele estava com uma expressão confusa no rosto, segurava o braço de Kagome numa mão e as coisas dela na outra - e você esqueceu suas coisas.
- Ah, hahaha. - Kagome pegou suas plantas e a bolsa e até tentou soar descontraída, mas só conseguiu aumentar a desconfiança se Ichiro - Claro, claro. Então, até mais.
Ichiro ignorou completamente o tom de despedida de Kagome e passou um braço em volta dos ombros dela.
Ele conseguia sentir os músculos de Kagome tensos e sua expressão visivelmente preocupada. Os olhos dela estavam mais atentos do que nunca, mirando todos os locais possíveis, como se ela estivesse procurando alguém ou tensa por se encontrar naquela situação.
Ichiro sentiu-se um pouco triste quando pensou que talvez ela não quisesse ser vista com ele. Claro que aquilo não fazia muito sentido uma vez que ela havia aceitado almoçar com ele num lugar público e comum. Mas se Ichiro parasse para pensar um pouco ela não tinha aceitado necessariamente, mas sim havia sido meio coagida por ele. Será?
- Você parece tensa. - observou ele, querendo descobrir o que se passava.
- Hm? Eu? - Kagome parou de procurar algum conhecido na multidão e olhou para Ichiro que parecia um pouco agressivo - Er... Não. Não to tensa.
- Sei.
Kagome respirou fundo e tomou coragem para falar.
- Você só não precisa me acompanhar até a sala. Se você não quiser...
- Por quê?
Alguma coisa no tom de Ichiro fez com que Kagome se sentisse culpada. Ela tinha que zelar pela sua amizade com Éric, naturalmente, mas não podia magoar Ichiro daquele jeito. Éric teria de acreditar na palavra dela. Por mais que nem ela mesma se desse o devido crédito.
- Ichiroooo! - uma voz doce e melodiosa ecoou nos ouvidos de ambos e eles se viraram imediatamente.
Sacudindo seus cabelos loiros e exibindo sua pele bronzeada lá estava Kyiomi Hasegawa andando na direção dos dois.
Kagome experimentou uma sensação completamente oposta a que sentira segundos antes. Estava aliviada por Ichiro ter escolhido passar o braço nos ombros dela. O ciúmes a corroeu como um animalzinho faminto por mais espaço. E então ela segurou a cintura dele com o braço livre e sentiu que ele a segurava com mais firmeza a medida que a garota se aproximava dos dois.
- Olá, e aí? - disse ela, ignorando o quão junto Kagome estava de Ichiro e sapecando um beijinho na bochecha dele, ela então olhou rapidamente para Kagome e deu um risinho afetado - Ah, olá.
- Olá. - respondeu Kagome, friamente.
- E então? - ela começava a cantarolar novamente - Você vai na festa que vai rolar essa sexta?
- Hm...? - Ichiro não olhava muito para Kyiomi e parecia bastante alheio ao que ela falava - Festa...?
- Claro! A festa de confraternização da nossa turma.
Kagome ferveu por dentro. Aquela garota definitivamente não sabia aonde estava se metendo.
- Hm... Talvez. - respondeu Ichiro, fazendo menção de se retirar - Eu vou ver.
- Ótimo! - respondeu Kyiomi com tamanha empolgação que parecia que Ichiro tinha dito que iria para a festa montado num cavalo branco - Te vejo lá então, me liga!
- Ok.
Kagome olhou a garota com desconfiança até que ela sumiu completamente de vista. Continuou caminhando com Ichiro em direção aos corredores, mas manteve uma cara fechada e um pequeno vinco entre as sobrancelhas. Não que ela estivesse percebendo isso.
- Do que você estava falando mesmo? - perguntou Ichiro, soando estranhamente alegre.
- Quê? - perguntou Kagome com uma impaciência gerada pela irritação que Kyiomi causara - Não lembro.
- Que você não queria que eu te acompanhasse até a sua sal...
- Não, eu mudei de idéia. - apressou-se em dizer - Eu quero muito que você me acompanhe. Na verdade eu preciso.
- É mesmo, não é? - riu Ichiro sentindo-se ligeiramente convencido - Achei que talvez você não quisesse que as pessoas nos vissem junt...
- Eu quero! - respondeu Kagome, angustiada pelo joguinho que Ichiro fazia - Er... Eu quero.
- Porque? - instigou ele.
Kagome revirou os olhos, respirando fundo. Já achava que estava fazendo demais em assumir que havia mudado de ideia rapidinho ao ver que Ichiro era um garoto assediado. Aquela atitude não combinava nem um pouco com o trato que eles haviam feito de ser amigos.
- Você quer ter alguma coisa com essa garota? - perguntou Kagome.
- Eu? Meh. - respondeu Ichiro, fazendo pouco caso - Não...
- Pois é! - cortou Kagome - Apesar de achar que ela até faria o seu tipo, eu acredito na sua resposta.
- E o que isso tem a ver com o que eu perguntei? Feh.
- Oras, você não vê? Significa que eu estou te fazendo um favor. - declarou Kagome com convicção - Vou te manter longe dessa... Bem. Dessa aí.
Ichiro gargalhou gostosamente e Kagome ficou em dúvida se ele havia levado ela a sério ou se só estava fazendo cena. Resolveu entrar no jogo dela.
- Então... Esse é o tipo de favor que eu posso esperar de você, Kagome? - perguntou ele - Minha mais nova amiga protegendo a minha honra, heh.
- Claro! - depois que sua resposta saiu ela percebeu como o nervosismo deixava sua voz estridente - Quer dizer, sim, óbvio! Esse é o tipo da coisa que os amigos fazem, certo? Certo...?
- Claro... - ela havia caído em sua armadilha e Ichiro não estava disposto a deixar a oportunidade passar - Então conte comigo também para te manter longe daquele seu amiguinho desprezível...
Ele era esperto com as palavras sim, Kagome riu gostosamente. Como não tinha suspeitado antes que ele cursava História? Só podia. Debaixo da sua faceta grossa e sucinta se escondia um adversário a altura, logo pra ela que sempre tinha uma resposta na ponta da língua para quem quer que fosse.
A medida em que iam avançando pelo corredor, Kagome notava alguns rostos conhecidos. Eles passaram pelo corredor onde se localizavam várias salas diferentes e ela reconheceu o amigo loiro de Ichiro que havia enfrentado Kayri num jogo de tênis, dias atrás. Ele comentava alguma coisa com um grupo de colegas e não parecia zelar muito pela discrição de forma que Kagome logo percebeu que se tratava dela. Entretanto, não estava mais tão nervosa.
Eles chegaram na porta da sala na qual Kagome iria ter a primeira aula do dia. Ichiro não se contentou em deixá-la por perto, ele se fez visível a qualquer aluno que estivesse dentro da sala ficando exatamente na abertura da porta. Kagome soltou-se do abraço dele e acenou, despedindo-se.
E então Ichiro fez algo realmente estranho. Ele puxou a mão que ela havia usado para acenar e beijou.
Kagome sentiu o sangue subir instantâneamente às bochechas e um calor relaxante se espalhou pelo seu corpo. Foi então que ela percebeu que Ichiro não estava olhando para ela.
Ele mirava alguém que se encontrava do lado de dentro da sala.
- Quem você está provocando? - disse Kagome, tirando sua mão da de Ichiro, discretamente.
- Hm? - perguntou ele, sem se esforçar para disfarçar - Eu jamais provocaria alguém... Estou... Zelando pela sua honra.
- Você é tão implicante. - pontuou Kagome, revirando os olhos.
- Eu sei. - falou ele, encarando-a e dando uma piscadela - As garotas adoram.
Kagome soltou um suspiro alto e acenou para Ichiro, despedindo-se de vez dele, mas ainda pode ouví-lo gritar algo em alto e bom som para ela.
- E não se esqueça de pensar direitinho no que vai me pedir, hem?
Ela fechou os olhos antes de encarar quem estava na sala de aula.
Kayri e Johnny pareciam querer saber o que estava se passando, mas Kagome soube de alguma forma que eles foram previamente avisados por Zhang. Hideki parecia meio alheio, mas sustentava uma expressão confusa no rosto. As duas amigas estavam com expressões tensas e olhavam de Kagome para Éric como se estivessem prevendo uma luta física entre os dois.
Éric estava com os braços cruzados e a medida que Kagome foi erguendo o olhar ela viu que os lábios crispados e os olhos magoados dele formavam uma expressão que ela realmente não gostaria de ver.
Iiiiih, galera. A coisa ficou tensa! Primeira vez que eu interrompo um dia na fanfic, mas achei que seria bastante dramático terminar o capítulo dessa forma. Eu sou meio cruel às vezes.
Boa sorte pra Kagome, né? Ela vai precisar!
Agora a melhor parte! REVIEWS *-*
S2 Lily. S2: Minha flooor, você sempre presente né? Agradeço imensamente às suas reviews e vou logo adiantando que você sacou direitinho as tais sutilezas que eu coloquei pelo capítulo, hihi :x Por favor, continue postando reviews eu preciso das suas opiniões constantes!
katsu-chan: Nossa, também sou louca num morango. Meu namorado louco que não curte muito, mas quem não gosta dessa fruta perfeita hem? Dá fome mesmo!
Camila: Concordo com você. Vacilo da Rumiko ter colocado a Kikyou tão presente na história. Gerou falsas esperanças pra quem gostava dela, né? E só gerou raiva da parte dos adoradores da Kagome (vide eu, oi!). E olhaí a Kyiomi de novo nesse capítulo pra encher o saco dos dois.. Mas não sei você, eu acho que Kagome vai saber cuidar dessa sirigaita direitinho!
M-chan: Oun, gatinha, acabei demorando pra caraaaamba! Espero que tenha perdão 3 E eu entendo essa sua dificuldade em imaginar o Ichiro porque o Inuyasha é realmente um personagem muito único e marcante. Eu to aqui suando pra dar o devido espaço pro Ichiro lindo, AUHSUSHSAU. Tenho fé que consigo!
L.R.: Ai, você não sabe como é bom ouvir isso de que você se apaixonou pelo Ichiro, sabe? É muito gratificante ver que o personagem que eu criei está sendo tão bem recebido! Nossa, e eu super concordo com você. Adoro esperar ansiosamente pelo momento do beijo entre um casal, sabe? Acho que é algo bem especial por mais que seja "só um beijo" né? E quanto a Zhang, nossa eu acho ela A AMIGA sabe? Compreensiva, sincera, honesta, fofa... Tenho certeza que ela vai deixar o Hideki mais tranquilo e os dois juntos só vão se fazer bem : )
Nana Patil: Acho que voce julga o Ichiro mais merecedor da Kagome porque ele é SÓ dela, se é que você me entende. Muito paia a gente ter que ficar sentada vendo o Inuyasha dizer que amava as duas e queria as duas e mimimi. Nossa, que abuso. Eu fiz essa fanfic pra aliviar um pouco esse lado do mangá que eu particularmente detesto :/ Enfim! Espero que esse capítulo tenha valido a pena a sua espera também!
Ayame Gawaine: Achei muito interessante os pontos que você escolheu abordar! UHSAUHSAUSHUA. Bom, a Kagome tá de fato tentando lembrar da época que ela transitava para a era feudal de uma forma positiva, por mais que ainda exista a saudade e tals. E você acertou na Zhang, ela tem um papel muito fundamental na história, mas ainda não sei no que ela vai exatamente participar. E o Souta eu já sei bem como vou colocar ele na história. Mais fácil que ele tenha uma participação maior já que ele sabe das aventuras de Kagoma na Era Feudal : )
Adrii-chan: Aaaawn, fico feliz que voce tenha rido e chorado com a fanfic, porque eu busco ser realista e na vida é isso mesmo que acontece não é? A gente ri e a gente chora :) Enfim, se seus sonhos te derem alguma idéia bem legal pode me contar hem? Estou aberta a sugestões :D
Bee: Hmmm, será que esse lance da Kayri e da Sam vai rolar? To na dúvida ainda! A cena da arquibancada é a minha preferida, definitivamente. E bom, se você teve pena do Éric no capítulo anterior, acredito que também vai sentir um pouco por ele nesse aqui :/ Tadinho, ele vai parar de sofrer, prometo!
Roses Blanches: Aaaah, você também faz arquitetura que máximo :D Bom, eu optei por colocar a Kagome nesse curso porque afinal, quem melhor do que eu pra abordar de forma realista o que ocorre num curso de arquitetura, né? Oooun e me perdoa por ter matado o Inuyasha, tadinho né? Fico satisfeita por você, mesmo sendo fã irredutível do Inu, ter gostado da minha fanfic :) Valeu mesmo!
Iummy-chan: Que bom que você não achou o capítulo curtinho! Agora assim, depois desse capítulo você notou que a situação entre Kagome e Éric vai ficar meio tensa por uns tempos né? Não vai acabar tão rápido não, hem? :x E você tá certa o Ichiro tá marcando o território mesmo, percebeu? E sobre o seu palpite... Hm, eu não diria que você está tão errada dessa vez! Aaah, pega meu e-mail: .com que eu to muito curiosa pra ver o seu desenho de cachorro! UAHUASHUAHSU
Ayanami: Bom, pelo menos eles já conseguem passar algumas horas juntos de forma civilizada, não é? Acredito que eles estão dando o primeiro passo ao admitirem que podem ser amigos não é?
Patuxa: Aaaaah que feliz, você gostou :D Bom, então acho que esse capítulo foi um prato cheio não é? Espero! Continua comentando, gatinha :*
Morringhan: Muito bem pontuado o seu comentário sobre reencarnação é exatamente essa idéia que eu quero passar :) Se você tá pensando assim vai sacar muita coisa da fanfic mais rápido do que as outras pessoas, te digo. E também achei o final do mangá super choco, não fez sentido nenhum a Kagome continuar humana ou o Inuyasha continuar hanyou... Ali alguém teria que ceder, concorda? Bom, já que a gente não pode alterar o que a Rumiko escreveu, vamo se divertir lendo fanfic mesmo né? uahsauhsuahaus. E mil perdões pela demora, viu? :*
laari w. black.: Nossa, foi exatamente isso que eu quis fazer! Ichiro e Inuyasha tem suas qualidade e defeitos, são parecidos e diferentes e as pessoas tem que enxergar isso pra que a fanfic faça sentido :) Agora acho que o Éric ainda vai dar um trabalhinho pra Kagome, hem? Tenso! Nossa, eu tava falando pra outra menina agora respondendo as reviews e vou repetir pra voce: é muito gratificante ver que o personagem que EU criei tá sendo tão bem recebido. Até porque tentar suprir a falta do Inuyasha não é algo muito fácil de se fazer, né? Então muito obrigada!
mimieuxx: Aaaawn, mas continue lendo que eu garanto que você vai dar umas risadas também, a fanfic não é só tristeza ninguém merece né? ;)
Susan N.: Aaaawn, sério que você entra pelo celular? Que fofa você, poxa! Espero que você não tenha pensado que eu abandonei só porque demorou esse tempo todo, hem? Não vou abandonar a fic não, relax!
midory-chan: Ele é delicado né? uahauhsauhsahsuahsu, uma pétala, meu Deus... Olha, eu demorei a postar, mas isso não vai mais acontecer hem? :x
Yume YellowHearth: Aaaah, continua comentando mesmo, poxa! Espero que você leia logo os capítulos que faltam, linda! :*
Então, gente, é isso! Desculpem mais uma vez minha demora e um grande beijo pra todo mundo!
Petit.
