Normal: narração e fala

Itálico: pensamento

Capítulo 11.

Quando Neji acordou, estranhou o lugar onde estava. A última coisa que se lembrava era de estar no campo quando alguma coisa o acertou no rosto.

Neji: *olhando em volta* Onde é que eu estou?

Voz: Finalmente você acordou.

Neji olhou pra porta e notou Erein encostada nela, olhando pra ele com um sorriso leve.

Neji: Você é... Erein Acatauassú? Do time Shizune?

Erein: Sim. E você é o Neji Hyuuga, do time Jiraiya. Caso não tenha reconhecido o local em que está, aqui é a suite do meu time.

Neji: E por que estou aqui?

Erein: *sem graça* Eu... acertei um soco na sua cara.

Neji: *sério* Já entendi. O ódio por mim é tanto que você acertou um soco na minha cara.

Erein: Eu não acertei de propósito, eu juro! *pausa* A menos que você seja uma das minhas cunhadas.

Neji: Eu estava só brincando, sei que foi um acidente.

Erein: Mas eu não estava brincando. Se fosse uma de minhas cunhadas, eu te acertaria sem piedade.

Neji: *arqueando uma sobrancelha* Detesta tanto assim suas cunhadas? Por quê?

Erein: É uma longa história...

Neji: *sorriso maroto* Eu tenho tempo pra ouvir.

Neji, sentado na cama, colocou um pouco de gelo na área que levou o soco, ao mesmo tempo que ouvia a história de Erein.

Erein: Eu sou a caçula de 7 filhos, e a única mulher, por isso acabei virando o xodó da casa. Meu irmão mais velho, no qual sou mais apegada, sempre cuidou bem de mim, e o que nasceu antes de mim vive implicando comigo. Mas é mais ciúme de irmão, coisa que os outros também sentem. *sorriso maroto* Me pergunto o que fariam contigo se estivessem aqui.

Neji: Nada que eu não possa resolver. Mas onde entra suas cunhadas na história?

Erein: Digamos que meus irmãos casados são a razão da minha angústia, já que minhas cunhadas me odeiam e acham que se eu fosse um garoto não ficariam me paparicando. Eu não gosto de ver meus irmãos sofrendo, então sempre choro escondida pelos cantos.

Neji: Sem ofensa, mas... isso não parece ser um grande problema.

Erein: Você nem ouviu o pior. A esposa do meu irmão mais velho chegou a pedir pra uma pessoa me atropelar na rua, como uma tentativa de tirar minha vida. Felizmente, isso não aconteceu, mas fiquei em coma por seis meses. Sem falar que ganhei um corte na cabeça e tive que cortar meus cabelos ondulados que iam até os pés.

Neji: *engolindo em seco* Tomara que, se o Natsume casar com a Hinata, não resolva me atropelar. *indignado* O que estou pensando? Até parece que a Hinata vai se interessar por um cara violento desses.

Erein: Meus cabelos até voltaram a crescer, mas preferi ficar com a aparência pouco feminina pra evitar o ciúme das cunhadas e não chamar a atenção.

Neji: Bom, chamou a minha.

Erein corou com a cantada, mas preferiu continuar contando a história.

Erein: Eu sofri muito quando soube do atentado, mas não contei nada para meu irmão mais velho porque, como disse antes, não queria vê-lo sofrer. Por causa das implicâncias com meu irmão que nasceu antes de mim, troquei o handebol pelo futebol, por ser boa na defesa e por ter ganhado ânimo e amor pela vida depois de ver o esforço de outros jogadores. Já quis morrer pela angústia e depressão causada pelas cunhadas, mas eu garanto pra você, Neji, que isso não voltará a acontecer, pois surgiu uma Erein forte e determinada do acidente.

Neji: Fico feliz por você.

O olhar penetrante de Neji foi o bastante para Erein virar o rosto, que havia ficado vermelho como pimentão.

Enquanto isso, na cozinha, Ryuu conversava com Hana.

Hana: Achei que você e o Itachi estivessem se dando bem!

Ryuu: *tomando um gole de sakê* E nós estamos.

Hana: Então por que está me pedindo conselho?

Ryuu: Porque eu quero mudar de "estágio".

Hana: *confusa* Huh?

Ryuu: Itachi e eu ficamos juntos já algum tempo, mas sem compromisso. Acho que deveríamos aprofundar nosso relacionamento, entende?

Hana: Entendi: você quer passar do "ficar" pro "namorar".

Ryuu: Exatamente. Mas confesso que tenho medo da reação do Itachi... *murmurando* ... assim como tive medo da reação do meu pai.

Hana: *sem ouvir bem o murmuro* Como? Da "o quê" do seu pai?

Ryuu: *suspiro* Esquece.

Hana: Nem vem! Você começou e agora vai terminar! Tem algum problema com seu pai, por acaso?

Ryuu: Está bem, eu conto! Mas o que eu disser não sai dessa cozinha, ouviu bem?

Hana concordou com a cabeça, antes de Ryuu começar a contar sobre seu passado.

Ryuu: Eu sou fruto do relacionamento de minha mãe com outro cara, por isso meu "pai", Osamu, me odeia, meu irmão mais velho, Masaki, acha que sou uma decepção, e a caçula Momoko é uma pirralha, mas a melhor pessoa da família. Minha mãe, Kimiko, sempre foi aquela "mãezona" que me ajuda com qualquer problema, apesar de ser dona-de-casa e seguir fielmente as ordens do meu pai.

Hana: Sua família parece muito complicada.

Ryuu: Bota complicada nisso! Mas vamos voltar à história. Na minha infância e pré-adolescência, eu era uma garota riquíssima, recatada, educadíssima e que nunca fazia qualquer esporte masculino. Isso mudou quando, há 3 anos, vi o Masaki jogando futebol e fiquei interessada, começando a jogar escondida do meu pai.

Hana: Seu pai acabou descobrindo?

Ryuu: Sim. Tanto que brigou muito comigo e me mandou pro quarto. Claro que não fiquei satisfeita com isso e fugi de casa, pegando todo o dinheiro da mesada, minhas roupas e a bola de futebol. Fui morar numa quitinete onde pagava aluguel baixo com salário de garçonete.

Hana: Pelo menos você ficou longe do seu pai.

Ryuu: Aí que você se engana, Hana! Meu pai me encontrou e fez um barraco na frente do restaurante, exclamando que fui deserdada da família. Acabei ficando irritada e mostrei o dedo do meio pra ele, antes de ir embora. No final, fui demitida do emprego e comecei a beber, até conhecer Shizune no bar e entrar pro time.

Hana: Entendo. De qualquer forma, Ryuu, se você enfrentou a reação de seu pai, pode enfrentar a do Itachi sem problemas. Ao contrário do seu pai, ele gosta de você.

Ryuu: É... tem razão. Bom, já vou indo.

Ryuu saiu da cozinha, sendo observada por Hana.