Capítulo XI

Bella tentava a todo custo enxergar quem quer que estivesse parado bem na sua frente, mas nada conseguia ver. A vela que deixara junto à cama havia sido apagada a pouco, pois o cheiro de cera queimada ainda podia ser sentido pairando no ar e na lareira havia apenas brasas quase extinguidas. A única luz que entrava no cômodo provinha da janela aberta, mas o sol ainda não havia nascido, por isso Bella nada podia ver alem de vultos e sombras.

Sabia que havia uma pessoa na sua frente, pois havia uma mão tampando sua boca além de sentir um odor agridoce pairando no ar, mas não fazia ideia de quem fosse. Quando seus olhos finalmente se acostumaram a escuridão, pôde constatar que seu visitante usava uma pesada capa negra com capuz, o que deixava seu rosto totalmente omitido pelas sombras.

-Não quero lhe fazer nenhum mal, milady... – Disse sua visitante misteriosa, com a voz tão sedosa que só poderia pertencer a uma mulher – Se eu destampar sua boca promete que não irá gritar?

Bella pensou por um minuto, até que finalmente acenou afirmativamente com a cabeça, e logo em seguida, sentiu a delicada mão deixando sua boca livre. Tinha medo do que estaria acontecendo e não fazia ideia do que fazer. Puxou as cobertas para junto de si o máximo que podia e respirou fundo antes de finalmente falar.

-Quem é você?

-Quem eu sou não importa... – Disse a mulher enquanto sentava-se na cama, ao lado de Bella, ficando de frente para ela – O que realmente lhe interessa é o que eu vim fazer aqui.

-Então fale de uma vez! Não gosto deste tipo de jogo.

-Isso não se trata de um jogo, milady... – Disse a mulher com a voz tremula. Parecia nervosa e Bella não gostava nada daquilo – É na verdade algo terrível. A senhora corre riscos e eu vim aqui para salvá-la de um horrível destino.

-Do que está falando? – Indagou Bella sentindo-se cada vez mais insegura e apreensiva.

-Não é "do quê", milady... Mas sim "de Quem"! Lorde Edward Cullen não é quem a senhora pensa que é. Aquele homem é um verdadeiro monstro, um violador sem escrúpulos.

-Por que diz isto? Lorde Edward nada mais fez do que me proteger. Foi por isso que ele me trouxe para Masen, arriscando-se a entrar em uma guerra contra os Volturi e os escoceses por minha causa...

-Não, milady! – Interrompeu a mulher, parecendo angustiada – Não a trouxe para mantê-la segura, e sim para possuí-la! Se ele a tiver, também terá as terras de Forks, e qual senhor não iria querer um porto como aquele? Lorde Edward não sabe perder, e quando deseja algo, simplesmente vai lá e o toma. Ele a deseja, sei disto... E quando voltar desta viagem para a fronteira norte virá diretamente a este quarto e a desflorará!

-Como sabe disto? Ele lhe disse algo por acaso?

-Não foi preciso... O conheço há bastante tempo! Ele mandou que a acomodassem em seu próprio quarto, para usá-la como bem entender. Falo isto por que... Por que já passei por esta mesma situação, milady.

-Oh, por tudo que há de mais sagrado... – Bella sentiu um forte aperto em seu peito. Suor frio começou a surgir em pequenas gotículas sobre sua testa enquanto suas mãos se colocavam a tremer. Não podia acreditar no que acabara de ouvir...

Foi então que sua mente a levou para aquela última noite em que passara junto a Lorde Edward, sozinhos em uma barraca de acampamento. O modo como ele a beijava e tocava... Tentava acreditar que não passara de sonhos libidinosos gerados pela febre, mas no fundo de seu coração, sabia que tudo havia sido real. Será que aquela mulher falava a verdade afinal?

-Escute-me com atenção, milady... Eu era apenas uma simples criada de cozinha do antigo Lorde Masen, antes da invasão normanda tomar este lugar. Naquela época eu não passava de uma pobre criança, e por isso consegui passar despercebida aos olhos dos primeiros invasores. Mas quando Lorde Edward chego aqui, eu tinha acabado de completar meus vinte e três anos e já era tão formosa quanto uma mulher poderia ser. Isto foi minha maldição no final das contas, pois assim que Lorde Edward pôs os olhos em mim, me reclamou como sua posse.

-Céus... Não posso crer nisto! – Balbuciou Bella, sentindo seu peito apertar cada vez mais.

Não queria acreditar que o mesmo homem que a fizera sentir-se como mel derretido, também era o responsável pelas lagrimas que aquela mulher misteriosa derramava. Sabia que era comum os senhores feudais usarem suas servas para obter prazer, mesmo que aquilo fosse contra a vontade delas, mas jamais imaginara que Lorde Edward fosse adepto de tal prática vil. Ele lhe parecia um homem tão descente e honrado...

-Oh, mas foi exatamente assim que aconteceu. Eu tentei impedi-lo, mas Lorde Edward era o senhor dessas terras e por direito podia fazer o que quisesse comigo... Eu ainda era donzela naquela época e estava me guardando para um jovem rapaz com quem almejava contrair matrimonio. – A voz dela parecia intercortada, ameaçando romper as lágrimas a qualquer momento, mas a moça respirou fundo e prosseguiu – Foi tão doloroso que senti como se estivesse sendo rasgada por dentro. Desde então, Lorde Edward me mantém como uma concubina e me obriga a realizar todos os seus desejos mais cruéis. Ele sempre me toma com brutalidade como se fosse um animal selvagem, e às vezes me obriga a fazer coisas terríveis das quais me envergonho completamente! Uma vez... Uma vez até se deitou comigo e com duas outras mulheres, ao mesmo tempo. – As palavras dela pareciam confusas aos ouvidos de Bella, mas ainda assim ela sabia que a violação era algo realmente cruel.

-Não posso crer que Lorde Edward cometa coisas tão terríveis como estas! Ele me pareceu um homem tão honrado...

-Oh, mas isso não passa de uma armadilha milady, para que a senhora baixe a guarda e se entregue a ele de boa vontade. Lorde Edward adora fazer isso... Seduzir garotas inocentes para poder usá-las ao seu bel prazer. E não sou a única a sofrer com tais assédios! Há algumas camponesas que já tiveram o desprazer de cair nas garras dele. Mas no final, ele sempre as joga fora, como se fossem míseros objetos.

-E por que você não foge? Pode ir para outro lugar, outro feudo...

-Não posso! Se fizer isso ele matará minha mãe. Ela vive na aldeia e tem as pernas fracas... Não posso deixá-la aqui e também não posso levá-la comigo, pois temo que não suportaria a viagem. Por favor milady, deixe que eu a ajude.

-Me ajudar? – Indagou Bella confusa – Mas quem necessita de ajuda é você, e não eu.

-Engana-se minha senhora. O mal já foi feito a mim, mas ainda posso impedir que Lorde Edward a desonre. Sua comitiva voltará hoje, após o almoço, e tenho certeza de que, assim que ele chegar, virá diretamente para este quarto! Se por acaso ele a violar, temo que a senhora não resista... É uma dama tão delicada e tão pequena... E ele é enorme! Pode até mesmo parti-la ao meio, caso a possua! Quando me obriga a enfiar seu membro na boca, só me entra até a metade e muitas vezes eu chego a me entalar.

Bella arregalou os olhos e sentiu um calafrio percorrer todo seu corpo. Lembrava-se do membro viril de Lorde Edward, pois o vira nu há dois anos atrás, quando o curou de um ferimento de flecha. Foi o primeiro e único homem que vira nu na vida, mas mesmo assim, sabia que o membro dele era grande. Não fazia ideia de como o utilizava, mas preferia não descobrir! Se aquela pobre mulher estava disposta a lhe ajudar, então que assim fosse!

-Como fará para salvar-me dele?

-Irei ajudá-la a fugir. – Disse a mulher com veemência – Tem algum local onde possa se esconder? A casa de algum parente talvez?

Não, não tinha nenhum parente que morasse por perto. Sua mãe era filha única, assim como a sua avó materna e a mãe desta. Já na Escócia poderia encontrar o antigo clã de seu pai, mas as guerras eram bastante frequentes naquele território, e nada garantiria que os MacSwan estivesse dispostos a recebê-la e a mantê-la seguira. Além disso, como faria para cruzar a fronteira sem ser capturada por algum bárbaro? Todavia, Bella poderia ir para a antiga cabana de sua mãe, onde viveria no bosque junto a Patas Suaves! Estaria segura naquele lugar. Tinha certeza de que estaria.

-Sei para onde ir, basta que você me deixe próxima ao rio e encontrarei meu porto seguro. Mas lhe aviso logo, não estou autorizada a cruzar as muralhas, e há sentinelas em todas as amuradas...

-Deixe isto por minha conta, milady. Apenas se apresse e vista algo.

Bella fez que sim com a cabeça e se levantou com dificuldade, uma vez que sua perna ainda incomodava deveras. Estava completamente nua e sentiu-se constrangida por isso, mas não se deixou abater pelo embaraço. Caminhou até a cadeira onde havia deixado o vestido verde que usara no dia anterior, e o vestiu rapidamente. A mulher lhe ajudará a calçar as botas de couro, e logo em seguida, pôs a capa de peles, levantando o capuz para omitir seu rosto.

Quando por fim terminaram, sua visitante misteriosa segurou a sua mão e a guiou para fora do quarto. Bella se impressionou com a delicadeza de sua pele. Suas mãos eram macias e suaves, enquanto que as dela eram grossas e calejadas, devido aos anos dedicados as suas ervas.

Descer as escadas fora um trabalho hercúleo. Como o sol ainda não havia nascido, a única luz que iluminava o caminho provinha dos archotes que estavam acesos nas paredes. Sem falar que, graças ao ferimento que Bella possuía na perna direita, necessitava andar sempre devagar apoiando-se nas paredes e tomando extremo cuidado. Mas por sorte não encontraram ninguém no caminho, e logo chegaram ao salão principal. Havia um pequeno grupo de criados que dormiam aglomerados ali, junto a uma lareira. E por isto, tiveram que andar ainda mais devagar, para não acordá-los.

Quando chegaram à porta que levava ao pátio externo, depararam-se com alguns guardas, mas esses não as impediram de sair. Bella achava que eles deveriam conhecer a mulher que a guiava e por isso não interviram. O chão tinha uma grossa camada de neve, fazendo com que caminhar fosse difícil, ainda mais no escuro da madrugada, e Bella sentia sua perna direita queixar-se a cada passo. Mas não se deu por vencida! Tinha que fugir dali, ou do contrario seria violada das maneiras mais cruéis por um homem que julgara honrado! Era isso que ganhava por confiar em um maldito normando!

A mulher misteriosa a levou na direção dos estábulos, e Bella sentiu-se ainda mais incomoda com aquilo. Detestava cavalos! Encontraram a maioria dos pajens dormindo quando lá chegaram, mas a mulher acordou um deles cutucando-o com o bico de sua bota. Era um jovem garoto que parecia ter apenas dez anos e estava aninhado em meio ao feno.

-Acorde! – Disse enquanto sacudia o menino até que este despertasse, parecendo desorientado – Quero que prepare a carroça para mim.

-E quem é a senhora? – Indagou o menino enquanto coçava os olhos remelentos de modo ainda sonolento.

A mulher nada respondeu. Apenas deixou que o capuz de sua capa caísse para trás e lhe revelasse o rosto. Bella quase perdera a respiração com o que viu. Era extremamente bela, com cabelos loiros e olhos azuis... E de repente, sabia quem era aquela mulher!

-Irei preparar a carroça agora mesmo, dona Irina! – Disse o menino correndo pelo estábulo e sumindo de suas vistas.

Irina tornou a segurar as mãos de Bella e a levou para a parte de trás do edifício, onde uma carroça coberta já as aguardava. Não demorou muito até que viu o menino regressando com um cavalo de tração. Enquanto ele atrelava o animal ao veiculo, Irina a ajudou a subir na carroça, que havia sido carregada com pesadas mantas e peles de animais.

-Quero que fique ai, escondida em baixo de todos esses panos. Não será por muito tempo, garanto. Apenas o necessário para passarmos pelos guardas.

-E se nos descobrirem?

-Não se preocupe, tenho permissão para sair da fortaleza e os guardas comem nas minhas mãos. Agora enfie-se em baixo destas mantas e não faça nenhum ruído.

Bella a obedeceu e aguardou por alguns minutos. Levou um susto quando a carroça se pôs em movimento, mas manteve os lábios cerrados para não gritar. O veiculo não era nada confortável, mas ao menos estava protegida do frio. Sentiu seu coração disparando no peito quando a carroça parou de maneira brusca e repentina pela primeira vez.

-Quem está ai? – Ouviu um grito vindo muito de cima. A voz parecia pertencer a um homem, e logo compreenderá que haviam chegado ao portão da fortaleza.

-Sou eu, Irina! – Respondeu a mulher com uma voz provocante – Estou indo ver a costureira. Abra os portões e deixe-me passar.

-E o que leva nesta carroça, doçura?

-Apenas alguns tecidos. Lorde Edward disse que eu podia levá-los para que me fizesse novos vestidos e túnicas. Portanto, trate logo de abrir a porcaria deste portão, ou não brincaremos mais no celeiro da próxima vez em que você estiver farto de sua esposa.

Bella achava que aquilo não iria funcionar. Mas logo ouvira o som de travas sendo removida, e sentiu a carroça sendo posta em movimento. Achava que o perigo já havia passado, quando o veiculo parara novamente. Como da primeira vez, um homem perguntou quem era, e Irina deu a mesma resposta que dera ao outro homem. Aquilo deixou-a confusa. Quantos portões deveria haver naquela fortaleza?!

A carroça se pôs novamente em movimento após os porões terem sido abertos, mas isto não durou muito, uma vez que pararam novamente. Bella já não compreendia mais nada. Outra vez, Irina fora questionada sobre quem era e o que levava na carroça. A mulher deu as mesmas respostas que das outras duas vezes, e logo depois, Bella sentiu a carroça entrando em movimento.

Não foram interrompidas após isto. Daquela vez, o veiculo seguiu seu caminho por um tempo maior do que julgava necessário. Sentia suas costas doloridas e sua perna direita parecia queixar-se a cada trote que o cavalo dava. Bella não sabia até quando teria que suportar aquilo, mas quando a carroça finalmente parou, rezava para que daquela vez fosse em definitivo. Sentiu as peles e mantas sendo puxadas e quando abriu os olhos, dera de cara com o céu cinzento que precede o nascer do sol.

-Chegamos, milady. – Disse Irina enquanto a ajudava a descer da carroça.

Bella deu uma boa olhada ao seu redor, e constatou que estava no meio de um bosque onde podia ver as águas correntes do rio. Se seguisse o sentido da corrente, chegaria uma hora ou outra na Queda das Almas. Claro que aquilo poderia levar um dia inteiro, mas se tivesse sorte, a carroça poderia seguir a maior parte do caminho sem ter grandes problemas ou obstáculos para passar.

-Como prometido, lhe ajudei a fugir. – Falou Irina enquanto mexia na carroça e tirava de dentro desta uma pequena cesta e uma das pesadas mantas de lã. – Aqui, pegue isto.

-Do que se trata? – Indagou Bella enquanto olhava dentro da cesta e descobria que estava cheia de pão dormido e queijo velho.

-Não quero que milady passe fome pelo caminho. Não sei para onde pretende ir, mas é melhor que este lugar fique o mais longe possível de Masen. E como tem uma perna ferida, creio que o caminho será ainda mais árduo.

-O que disse? Não vai me dar a carroça para que eu possa seguir viagem?

-Dar-lhe a carroça? – Indagou Irina soltando um riso de escárnio – Seria uma tola se fizesse isto, milady! Que explicação eu daria aos homens de Lorde Edward se por acaso voltasse a pé para a fortaleza?

-Mas... O local para onde vou é distante, e levaria mais de um dia se eu fosse andando com esta perna! Sem falar que o chão está escorregadio pela neve que caiu durante a noite e pode haver lobos no bosque.

-Tudo bem, tudo bem! Não se pode agradar a todos não é mesmo? Tome, pegue essas moedas. – Disse Irina enquanto metia a mão dentro de seu decote e retirava daí um saquinho. O jogou para Bella com total indiferença e subiu na carroça com toda a graça de uma mulher – Há uma aldeia nas margens do rio não muito longe daqui. Você deve chegar lá por volta do anoitecer. Use as moedas para pagar um quarto em uma hospedagem, se assim lhe prover.

-Não pode fazer isto comigo... Posso cair e me machucar no caminho, ou...

-Ou o quê? – Indagou a bela mulher parecendo se irritar – Prefere ser violada todas as noites por Lorde Edward? Acredite, ele vai fazer de você uma cadela, e depois vai jogá-la fora, assim como fez com todas as outras! A única que mantém por muito tempo ao seu lado sou eu, pois sei como agradá-lo. Mas a senhora é muito pequena e frágil para isto! Duvido que consiga proporcionar prazer a um homem tão grande e vigoroso quanto Edward, e quando ele não conseguir se satisfazer com você, irá entrega-la para seus soldados. Tentei lhe ajudar, mas a senhora parece ser bastante ingrata pelo que vejo. Pois bem, basta dar meia volta e caminhar até a fortaleza!

Depois de falar isto, Irina atiçou o cavalo e pôs a carroça em movimento, deixando Bella para trás. A pobre garota sentiu-se confusa e perdida. Não sabia como voltar para Masen, e se por acaso acabasse acertando o caminho, ainda teria de se submeter a um verdadeiro monstro que a estupraria e depois a dividiria com seus homens. Mas por outro lado, se seguisse o rio, poderia chegar a Queda das Almas... A decisão a se tomar era mais do que obvia.

Pôs-se a caminhar pelo chão rochoso que formava a margem do rio, e seguiu o rumo das águas. O sol nascia lentamente e iluminava seu caminho, mas ainda assim, era difícil de se enxergar pois a vegetação impedia que a luz penetrasse no bosque. Sua perna doía muito, e por duas vezes quase caíra. Mas não desistiu. Manteve seu ritmo e continuou seguindo o rio abaixo, sempre tomando cuidado para não escorregar no gelo. Quando o sol já estava a pico, resolveu parar um pouco para comer o pão e o queijo velho que Irina lhe havia dado.

Havia um tronco de árvore partido, onde podia sentar-se, e Bella aproveitou aquele descanso para averiguar sua ferida. Por sorte, os pontos não tinham se aberto, mas a pele ao redor do corte estava tão vermelha quanto no dia em que se machucara, além de também parecer um tanto inchada. Talvez fosse melhor esperar um pouco antes de prosseguir a viagem. Usou o manto que também fora presente de Irina, e o forrou no chão para poder deitar-se na sombra de um carvalho. Não se deu conta até que finalmente adormecera.

Edward exigia tudo o que podia de seu cavalo. Queria chegar o quanto antes à Masen, para poder ver como Lady Isabella estava. Passara os últimos três dias pensando se a jovem donzela estaria bem, e se havia conseguido superar a febre. Não queria ter partido para o norte, enquanto a pobre garota estivesse travando uma verdadeira batalha contra a morte, mas fora praticamente obrigado a seguir rumo à Escócia. Afinal, teria que dar uma explicação plausível aos Highlanders para está com Lady Isabella. Não queria entrar em guerra contra os escoceses enquanto lutava contra os Volturi, e se conseguisse fazer dos Highlanders seus aliados, teria mais chances de derrotar Alec.

O clã MacSwan era uma família antiga e orgulhosa, mas agora seus únicos membros era um velho demente chamado Bill - o Aleijado e seu filho, um rapaz extremamente impulsivo e de humor negro, conhecido como Jacob, o Black, que havia acabado de se casar. De principio, eles queriam que Edward entregasse Lady Isabella, para que cuidassem dela, uma vez que eram a única família que a donzela possuía. Mas Edward explicou que a garota havia sido ferida pelos homens de Alec Volturi, e que agora travava uma luta contra a morte.

Aquilo fora o bastante para ganhar tempo. Edward não queria entregar Isabella a um clã que vivia travando guerras com seus vizinhos. Havia dado sua palavra a Sir Benjamim que a manteria em segurança, e não seria nada prudente deixá-la nas mãos de um velho tio aleijado e de um primo saliente. Tinha uma dívida para com Lady Isabella, e pretendia pagá-la.

Mas agora, só podia pensar em chegar à Masen e encontrar sua pequena ruiva. Nas ultimas noites, acordara extremamente excitado, após ter tido os sonhos mais obscenos com aquela deliciosa beldade. Sabia que não podia fazer com ela metade do que desejava, mas seu subconsciente não parecia satisfeito com aquilo, e Lady Isabella costumava aparecer em seus sonhos. Aquilo era estranho... Os únicos pesadelos que costumava ter, era com o maldito árabe, mas agora também tinha que lidar com sonhos cheios de luxuria! Devia mesmo está há muito tempo sem ter uma mulher em sua cama. Assim que chegasse a Masen, iria até o quarto de Irina, e a daria um pouco de prazer em troca de descarregar todo aquele desejo acumulado.

Já podia ver as muralhas de sua fortaleza, quando avistou um cavaleiro se aproximando rapidamente. Demorou um pouco, mas logo o reconheceu: Era Sam, um dos homens que havia deixado montando guarda em Masen.

-Milorde! – Disse o homem enquanto parava o cavalo de forma brusca. Edward sentiu automaticamente que havia algo de errado, e logo desmontou de seu cavalo, assim como Sam também o fez.

-O que há?

-Lady Isabella... – Disse com o fôlego entrecortado. O sangue de Edward gelou ao ouvir aquilo e logo se pôs a pensar em um milhão de coisas.

-O que houve com ela? Ande, fale! A febre por acaso piorou?!

-Não foi à febre meu senhor... Na verdade, Lady Isabella parecia bem melhor e ontem mesmo até deu uma volta pela fortaleza...

-Então o que houve?! – Indagou enquanto agarrava de forma rude a túnica de Sam e o sacudia violentamente. Não tinha paciência para a forma cautelosa como o cavaleiro falava. Queria respostas.

-Se continuar segurando-o assim, ele não poderá dizer nada! – Exclamou Emmett que rapidamente se colocava ao lado do irmão. Foi graças a isto que Edward percebeu que estava estrangulando Sam com a túnica, e o largou bruscamente, soltando uma imprecação.

-Ande Sam, diga logo o que aconteceu com Lady Isabella, antes que eu torne a estrangulá-lo de novo, e garanto que desta vez será pra valer!

-Milorde... Sinto muito ter que dizer isto, mas... Lady Isabella sumiu.

-Sumiu? – Gritou Edward a plenos pulmões. Emmett pousou a mão em seu ombro, para acalmá-lo, mas aquilo de nada adiantou. Fazia muito tempo que não via o irmão assim, tão furioso – Como diabos ela fugiu?

-Não sabemos senhor... – Respondeu Sam parecendo nervoso – Quando a senhora Sue entrou nos aposentos da torre esta manhã, encontrou a cama de Lady Isabella vazia. Nós a procuramos por todo o castelo, mas nada encontramos...

-Ela não pode ter simplesmente desaparecido! – Gritou Edward tornando a segurar a túnica de Sam e o sacudindo como se fosse uma marionete – Alguém a deve ter ajudado! Tenho homens vigiando as muralhas, como não podem tê-la visto passando?

-Não sabemos senhor... As únicas coisas que haviam passado pelos portões foram cinco carroças e alguns camponeses. Depois que descobrimos sobre o sumiço de Lady Isabella, ordenamos que ninguém entrasse ou saísse da fortaleza...

-Essa ordem foi dada tarde demais! É obvio que ela só pode ter deixado Masen escondida em uma dessas carroças! Quero todos os meus homens fazendo uma busca pelo perímetro. Ela está com a perna ferida e não deve ter ido muito longe. O que estão esperando? – Gritou para os cavaleiros que o havia acompanhado até a Escócia – Façam o que ordenei, ou do contrario esfolarei cada um de vocês e farei uma capa com suas peles!

Os homens atiçaram seus cavalos e saíram a trotar, como se o próprio diabo os perseguisse. Até mesmo o pobre Sam tornara a montar e partiu em busca de Lady Isabella. O único que manteve-se ao lado de Edward, foi Emmett.

-Eles irão encontra-la, irmão. – Disse tentado acalmá-lo – Você sabe que irão. Treinou estes homens para rastrear até mesmo uma formiga, se fosse necessário. Mais cedo ou mais tarde, regressarão com Lady Isabella.

-Sim, mas "mais cedo" seria melhor do que "mais tarde"! – Disse de mau humor enquanto tornava a montar em seu cavalo – Não quero pensar no que pode acontecer a ela enquanto está perambulando por ai! Se a perdemos, como direi a Sir Benjamim e aos MacSwan que não pude manter minha palavra e protegê-la?

-O que vai fazer?

-Vou procurá-la, oras. Não posso simplesmente continuar parado de braços cruzados, esperando em minha fortaleza enquanto Lady Isabella pode está sendo violada neste exato momento!

-A questão é: Onde pretende procurá-la?

Aquilo fez Edward pensar por um instante. Onde deveria procurá-la? Para onde uma donzela com a perna ferida e sem parentes próximos ou amigos leias iria? Se fosse para a Escócia, em busca dos parentes de seu pai, poderia acabar sendo capturada por um Highlander no caminho... Não, não faria isto! E as terras de Forks também estavam fora de cogitação, uma vez que havia sido o próprio castelão quem pedira para Edward cuidar de Lady Swan.

Então, para onde? O convento parecia um tanto provável, mas ele duvidava que Isabella regressasse aquele lugar por vontade própria. O único local em que ela julgava seguro, era aquela estranha queda d'água em que a tinha encontrado na primeira vez, há dois anos atrás. Sim! Era para lá que ela seguia, podia apostar toda a sua fortuna nisto! E como Lady Isabella não conhecia aquelas terras direito, o único caminho confiável era o do rio.

-Tenho um pressentimento. – Disse para Emmett enquanto via o irmão montando em seu cavalo – Volte para Masen e tome conta de tudo por lá enquanto eu não regressar. Irei seguir o rio sentido correnteza. Acredito que a encontrarei lá!

E após falar aquilo, esporeou seu cavalo, indo de encontro ao rio. Iria encontrar Lady Isabella, e ensiná-la a ter um pouco mais de respeito!


Me diverti muito com as especulações de vcs... Eric ou Irina? hahaha Ganhou qm apostou na rameira.
E agora o Edward tá puto da vida! O q será q ele vai fazer se encontrar a Bella?

Gostaria de agradecer as reviews de Priscila, Theslenn Urils, Nicole 2712, JOKB, Jana Masen, Milena, Marjorie e P. Bruce. É ótimo poder contar com todas vcs!

Nunca pensei q me sentiria tão feliz por ser chamada de malvada, terrível e acusada de matar minhas leitoras por curiosidade súbita hahaha Isso prova q a estória está prendendo vcs :D

Respondendo rapidamente a algumas questões levantadas:

*Não sei dizer se Bella é uma bruxa. Isso depende do ponto de vista. Digamos que ela é um tanto "sensitiva" para a presença de almas, mas isso limita-se apenas as almas de suas ancestrais.

*E sim, passaram-se 2 anos desde que Bella encontrara Edward na queda d'água. Na época, nossa heroína tinha 16 anos, e agora tem 18. Acho que não posso explicar mais nada, se n perderá a graça :P

Espero ver vcs amanhã... Isso é, se vcs n morrerem de curiosidade súbita hahaha

;*