Capítulo 10: Eu quero que você fique
HERMIONE ENCAROU OS OLHOS VERDES examinadores de Harry pela décima vez.
"O que foi?" Ela finalmente perguntou, vencida pela curiosidade.
"Você anda sumida." Ele observou, enquanto tomava um gole de cerveja amanteigada. "Pansy acha que tem a ver com algum homem."
"Sua mulher é uma metida. E você não deveria dar ouvidos a ela!" Hermione encarou o antigo bar onde passou todos os finais de semana de Hogsmeade. "Obrigada por me arrastar para fora do meu apartamento hoje, eu precisava tirar um tempo da minha rotina." Harry sorriu de lado e imitou o gesto da amiga, o Três Vassouras estava vazio, tirando eles e alguns duendes que discutiam em uma língua que Hermione suspeitava ser irlandês.
"Como você está com o divórcio? O Rony me disse que você tem um novo advogado, e que não aceitou o acordo dele."
"Ele pedia até a casa dos meus pais naquele acordo. Ele é doido." Hermione respirou fundo. "Eu pedi para o Draco me representar."
"Draco? Desde quando ele é Draco e não Malfoy?" Harry perguntou divertido.
"Desde que ele é meu advogado, e vai fazer o Ronald sair exatamente do mesmo jeito que entrou nesse casamento: sem nada." Ela revirou os olhos e encarou a caneca de cerveja na sua frente. "Como vai Molly? E Arthur?" Desde o início do longo processo de divórcio, Hermione não via mais seus sogros. Ela sempre considerou os dois como seus pais, tendo o mesmo amor por eles, mas as coisas ficaram complicadas quando Molly tomou as dores do filho e tentou fazer com que Hermione ficasse em casa e virasse uma máquina de parir bebês ruivos e sardentos.
"Eles estão bem, Rony levou uma nova namorada para jantar com a família... Hannah Abbott, ela cursou Hogwarts com a gente, na Lufa-Lufa." Harry mordeu o lábio inferior e bebeu novamente da sua caneca.
"A loira que namorou o Neville?" Hermione perguntou curiosa, acenando positivamente com a cabeça. "Que bom. Assim talvez ele queira tirar as mãos grudentas das coisas que me pertencem."
Harry riu baixo, e olhou para a rua pela janela imunda do seu lado.
"Pansy está grávida." Ele comentou sorrindo. "Queremos que você seja a madrinha, e o Draco Malfoy o padrinho."
"Acho que o Draco não foi bem escolha sua..." Ela comentou com um sorriso jocoso.
"Pansy quer, o que Pansy quer. Não consegui mudar isso. Descobrimos que vocês também vão ser padrinhos do filho dos Zabini. Acho que isso prova que eu deveria aumentar meu círculo de amizades." Ambos riram.
"Sim, vamos. E sim, nós dois deveríamos aumentar nossos círculos de amizade." Hermione começou a mexer distraidamente com uma mecha do seu cabelo. "Ultimamente eu só tenho visto o Draco."
"Como ele está?" Harry apoiou a cabeça na palma da mão, entortando levemente os óculos redondos.
"Eu não sei bem, ele reclama bastante do casamento e parece bem triste com o problema em ter filhos. Ele tirou uma licença do trabalho, acabava hoje. Faz duas semanas que eu não vejo sinal dele. Só algumas corujas falando sobre o decorrer do processo do meu divórcio."
Hermione se perdeu em seu pensamento, o coração apertado com a falta do loiro. Ela havia passado as últimas duas semanas em seu próprio mundo, se corroendo de culpa pelo sumiço dele, e se afundando lentamente em um mar de lamentações. O corpo também demonstrou sinais de abstinência, aquele brilho nos olhos decorrentes dos encontros sexuais com Draco desapareceu e sempre que se deparava com alguma cena mais caliente - pessoalmente, em alguma revista, livro, ou na TV - ela sentia uma dor no estômago e sua calcinha ficar molhada, porque tudo era recriado na mente dela como se fosse ela e Draco.
"Hermione?" Ela piscou os olhos e encarou Harry, que parecia estar a chamando há algum tempo. "Que cara é essa?"
"Preocupada com alguns processos do meu emprego. Só isso." Ela sorriu amarelo e tomou um longo gole da cerveja.
Ela olhou o relógio e percebeu que já tinha passado um pouco das sete. A cabeça começou a latejar, e ela sabia que era o resultado das semanas estressantes que se passaram.
"Eu vou para casa, Harry. Descansar e me enrolar no meu cobertor." Ela disse sorrindo para o melhor amigo, que acenou e se ergueu, deixando algumas moedas na mesa.
"Eu também, quero abraçar e beijar a minha linda esposa."
"Que você dizia ter cara de buldogue na escola." Hermione o lembrou, divertida.
"Passado, Hermione. Nessa época você chamava o Malfoy de doninha."
Ambos saíram do bar e andaram até o fim da rua principal de Hogsmeade, de braços dados.
"Muito obrigada por hoje. Eu amo você." Hermione disse, apertando Harry no seu abraço.
"Eu também amo você. Se cuida." Ele beijou a testa dela, deu alguns passos para trás e aparatou.
Hermione se concentrou no seu quarto, e nos 3D's (ahn?), fechando os olhos e girando o corpo, ela aparatou para casa.
ERAM OITO DA NOITE quando a coruja azulada entrou pela janela do quarto dela.
"Venha para a mansão. Draco quer um encontro hoje." Dizendo isso, ela se dissolveu no ar, como fumaça ao vento.
Hermione grunhiu irritada. Duas semanas sem aparecer, e justo hoje ele queria um encontro. Ela empurrou os cobertores do seu corpo e se pôs de pé. Sem se preocupar em trocar o pijama de flanela, ela aparatou para o quarto onde ela se arrumava para os encontros.
Astoria estava sentada em uma das camas, com um casaco longo e uma mala ao lado do corpo.
"Ótimo, você chegou." Ela soou irritada. "Eu estou indo agora para o Ministério, pegar uma chave de portal internacional para França. Minha irmã vai dar a luz ao primeiro filho e pediu minha companhia. Eu volto dentro de duas semanas, os encontros não vão mais parar. Você vai acertar os horários com o Draco no quarto de encontros. Você já sabe todo o resto, certo?" Hermione acenou com a cabeça, andando em direção ao roupeiro e tirando uma camisola de seda em tom verde-musgo. "Então, estou indo. Mande-me uma coruja com o resultado da semana que vem." Astoria pegou a mala dela e aparatou, deixando Hermione sozinha.
"Vadia, vagabunda, te odeio sua nojenta do caralho." Hermione resmungou, enfiando a camisola pela cabeça. Ela se encarou no espelho, os cabelos castanhos caindo em ondas pelas costas. Hermione alisou a camisola, e fechou os olhos. Será que se ela entrasse como ela mesma naquele quarto ele ainda gostaria dela? Provavelmente não. Afinal, ela era só uma sabe-tudo irritante.
Duas semanas, duas semanas que ele havia sumido do escritório e encerrado os encontros. Ela sentira tanta falta dele que chegava a doer. Como eu deixei isso acontecer? Como eu deixei o Draco Malfoy se tornar tão importante para mim? Ela se sentia tão frustrada que queria chorar. Chorar como ela tinha feito nas últimas duas semanas, sempre que saía do escritório até o horário de voltar para o mesmo. Ela voltou a se encarar no espelho, e tomou a sua decisão. Eu vou fazer essa noite tão inesquecível que ele não vai mais querer ficar sem me ver. Bem, pelo menos não até ela ter que entregar o filho deles para a vagabunda da Astoria e mudar de país. Porque provavelmente ela não ia conseguir ficar assistindo enquanto eles criavam o resultado da união dela e do Draco como uma família perfeita.
Hermione retirou a camisola e abriu o sutiã, o jogando no chão, para logo em seguida fazer o mesmo com sua calcinha. Respirando fundo, e tentando ignorar o bolo que se criou na sua garganta, voltou a deslizar a camisola pela cabeça.
Andando para a porta, ela percebeu uma bandeja com vários exemplares das poções para o cabelo e para voz. Tomando a dosagem do primeiro dia, ela andou em direção à porta.
DRACO ESTAVA DEITADO NA CAMA há pelo menos meia hora agora, completamente nu, a esperando entrar pela porta. Duas semanas procurando sem parar o nome dela, ele foi a todas as agências de barriga de aluguel da região e nenhuma delas tinha contrato com ele. Era como se ela tivesse aparecido unicamente para atender a ele e Astoria.
Durante esse tempo de duas semanas, teve alguns momentos que sentiu uma vontade enorme de bater com a cabeça contra a parede. Apenas para aliviar toda aquela tensão, ele só sentiu tão pressionado assim em uma época de sua vida. Uma época que deixou muitas marcas, além de uma cicatriz horrorosa no antebraço. Inconscientemente ele coçou o lugar da Marca Negra, um lembrete constante das coisas que Draco já havia presenciado.
Ele fechou os olhos e balançou a cabeça, o problema dele agora era outro, e comparar viver com Lord Voldemort com os encontros naquele quarto não fazia sentido. Claro que ele se sentia pressionado igualmente pela Astoria, ultimamente eles brigavam tanto que ele começou a confundi-la com o seu pai.
A verdade é que ele precisou desse tempo, livre de todos, por isso ele tinha pegado suas coisas e ido para a Londres trouxa, para ficar com a tia dele e o neto dela. Ele acordou de seus pensamentos quando ela entrou no quarto, ele ergueu a cabeça apenas o suficiente para ver a luz de fora fazer o desenho do formato do corpo dela.
"Então," Ela começou a dizer, enquanto subia na cama lentamente e montava nele. "Tirou férias de mim, por duas semanas." Draco levou as mãos até a cintura dela e apertou a carne macia.
"Eu estava com a minha cabeça cheia." Ele suspirou, erguendo a mão até o seio dela e o apertando levemente. "Eu senti a sua falta..." Ele murmurou , erguendo o corpo e a abraçando pela cintura. A boca dele encontrou a pele do pescoço dela, onde ele começou a fazer uma trilha de mordidas e beijos até o decote da camisola.
Ela passou as mãos pelo cabelo dele, puxando os fios com força e o fazendo erguer o rosto.
"Eu também senti a sua..." Ela murmurou de volta. Hermione sentiu uma vontade maluca de beijar os lábios dele, apenas para saber qual seria a sensação. Mesmo depois de todos esses encontros, Draco nunca tinha a beijado. Era como se o beijo fosse algo íntimo demais. Revelador demais. Ela conteve a vontade, e beijou o maxilar dele, dando uma mordida na pele com a barba por fazer.
Ele soltou um grunhido quando ela sugou um ponto pulsante no pescoço dele. "Eu vou foder você hoje." Ele gemeu, erguendo a camisola dela. "Toda."
Hermione fechou os olhos e se afastou dele apenas o suficiente para a camisola ser retirada, grudando seu corpo no dele logo em seguida o máximo que a física permitia. Ela o apertou contra si com força, mergulhando na sensação da temperatura do corpo dele, inspirando o cheiro masculino e único que a pele dele tinha. Ela tinha sentido tanta falta dele. Tanta.
A mão de Draco desceu pelas costas nuas dela, ele sorriu contra o ombro da castanha quando percebeu que ela não usava nenhum sutiã, e voltou a sorrir quando sua mão cobriu a nádega macia e redonda dela sem encontrar nenhuma calcinha.
"Alguém estava ansiosa." Ele comentou, beijando e mordendo o ombro dela. "Eu também estava." Draco a afastou delicadamente e tomou o bico túrgido e rosado do seio dela em sua boca, o sugando sensualmente.
Com a mão que segurava sua nádega, ele ergueu o corpo dela, puxando o lençol que os separava, a ereção dele se libertou em toda sua glória, roçando levemente contra as dobras macias e já molhadas dela.
Draco voltou a se deitar, e largou o peso de Hermione sobre sua ereção, sem a penetrar, uma das mãos dele encontrou o ponto de nervos entre as pernas dela e começou a alisá-lo lentamente, em movimentos circulares.
Os quadris dela começaram a se mexer para frente e para trás, umedecendo o membro latejante dele.
"Coloque as mãos na cabeceira." Ele ordenou enquanto erguia o quadril dela. Inclinando o corpo, Hermione obedeceu, agarrando a cabeceira com ambas as mãos, permitindo um ângulo perfeito para a penetração dele.
Ela fechou os olhos ao se sentir completa depois do que pareceu uma vida sem ele. A ponta do pau dele tocando exatamente no ponto G dela.
"Vamos, querida, cavalgue em mim." Ele grunhiu, massageando os dois seios dela. Hermione usou o apoio das mãos para subir e descer por toda a extensão dele, lentamente. Os dedos deles circularam o bico rosado, o quadril dele se erguendo para encontrar cada movimento dela.
"Mais..." Ele gemeu embaixo dela, apertando a cintura dela e a fazendo aumentar o ritmo até o ponto onde os seios balançavam com os movimentos e o suor escorria pelas costas dela.
Ela rebolou no topo dele, sentindo-o em todos os cantos dentro de si, ela soltou um gemido alto, chamando o nome dele como um mantra.
Ela sentia o prazer aumentar até o ponto crítico, a tensão chegando ao máximo, ela sentiu o corpo convulsionar e se perdeu nas sensações maravilhosas que só ele trazia para ela. Não demorou muito para ela sentir o alívio dele, como jatos quentes e longos a preencherem.
Soltando uma das mãos da cabeceira da cama, ela a apoiou no peito dele.
Foi quando aconteceu. Draco empurrou a mão dela e a puxou com força em sua direção, colando suas bocas em um beijo ardente e sensual, era como se boca dele estivesse tentando consumir ela. A mão dele se enrolou nos cabelos dela, inclinando a cabeça dela para ter mais acesso a sua boca. Os dentes dele prenderam o seu lábio interior e o puxou, sugando em seguida para aliviar a dor da mordida. Ele encerrou o beijo com vários selinhos. Ela respirou fundo, tentando assimilar o gosto dos lábios dele ainda no dela, o coração palpitando fortemente no peito, Draco respirava lentamente, a pele dos lábios formigando, o coração acelerado. Ambos estavam perdidos na sensação daquele toque tão íntimo e tão perfeito. Os lábios tinham se encaixado perfeitamente, assim como tudo entre eles fluía bem.
"Passe a noite aqui, a Astoria esta viajando." Ele voltou a beijá-la, a impedindo de responder, Hermione estava extasiada com tantas emoções diferentes, com a sensação dos lábios macios dele, com o gosto da língua dele, com a habilidade e agilidade com que ele movimentava a língua contra a dela. "Passe a noite comigo."
"Sim. Sim. Sim." Ela respondeu desesperada, voltando a beijá-lo com sofreguidão.
Eles se enroscaram no lençol, corpos nus suados de amor
E essa foi a primeira noite que Hermione passou nos braços de Draco Malfoy, e quando o dia nasceu e ela saiu do quarto sorrateiramente, o efeito das poções já terminados, ela se deu conta de que havia cometido um dos maiores erros de sua vida: ela havia se apaixonado por alguém que nunca seria dela.
