- Menina, Dobby precisar da sua ajuda.

- Da minha ajuda? Mas porquê? O que se passa? – perguntou Hermione, preocupada.

- Pode me acompanhar até um lugar? – perguntou o elfo, a tremer.

- Espera, Dobby, acalma-te. Conta-me o que se passa.

- Não, tem de vir com Dobby. É importante. – disse, arregalando os seus olhos enormes.

Hermione não duvidou que fosse importante devido ao estado em que se encontrava Dobby. Olhou para o quadro dos Gryffindor e finalmente disse:

- Pronto, então vamos.

Enquanto seguia o elfo que andava aos tropeções, Hermione pensava o que lhe estaria a dizer Harry e Ron neste momento se ela estivesse a contar-lhes sobre ir embora de Hogwarts. Parecia a Hermione que já caminhava durante vários minutos.

- Dobby, onde é que vamos afinal?

- Chegamos. – disse Dobby, deixando escapar um gemido.

- À floresta? – perguntou confusa.

Sem ter tempo de fazer mais alguma pergunta, sentiu a pressão da mão de Dobby e em segundos estava num local totalmente diferente da floresta proibida. Olhou em redor e Dobby já tinha desaparecido com um murmúrio de 'Desculpe'. Estava escuro e Hermione andava aos apalpões. Era um lugar frio e distante de Hogwarts tinha a certeza. Porque diabos é que Dobby lhe tinha levado até ali?

Pegou na varinha e murmurou 'Lumos!'. A luz rapidamente saiu da ponta da varinha. De repente, viu duas pessoas encapuzadas virem em sua direcção. Só podiam ser Devoradores da Morte. Brutamente, pegaram em Hermione, retiraram-lhe a varinha e empurraram-na para a frente.

- Larguem-me! –gritou Hermione. – O que estou aqui a fazer?

Um dos Devoradores riu-se.

- Estás cheia de coragem, sangue de lama.

Estavam agora num sítio mais iluminado, apesar de ser muito escassa a luz. Hermione olhou furiosamente de um dos Devoradores para o outro. Não conseguia reconhecer pela voz.

- O que vocês querem de mim?

- Nós? Nada.

Subitamente, Hermione lembrou-se de Draco. Estaria ele envolvido nisto? Desejou no seu íntimo que não. Fechou os olhos. Continuava a andar aos empurrões até que chegou a uma sala, onde foi atirada para o chão.

- Agora apodrece aí. – disse um dos homens encapuzados.

Hermione encostou-se a um canto da sala e gemeu. Estava frio. Não tinha varinha para fazer absolutamente nada. A sala só tinha chão, paredes e uma pequena janela com grades. Parecia uma cela de prisão.

Gritou, mas parecia que ninguém a ouvia. Nem para mandá-la calar os Devoradores apareceram.

No seu íntimo, Hermione esperava que Draco a viesse buscar. Ele não podia estar envolvido, não depois de tudo o que passaram juntos. Gritou, desejando que Draco a ouvisse. Mas ele não podia ouvi-la.

Os devoradores só apareciam para trazer duas refeições por dia a Hermione. Por vezes, ela deixava de lado aquelas refeições com péssimo aspecto.

- Eu não vou comer isso. – disse Hermione rispidamente.

O homem encapuzado que viera sozinho dessa vez riu-se descaradamente.

- Por mim, nem te vinha aqui trazer nada, o Senhor das Trevas é que quer assim. Quer que tenhas forças suficientes para o grande momento...

Hermione gritou enraivecidamente.

- Eu não sei o que vocês querem de mim, mas garanto que não farei nada.

O devorador da morte entrou na cela e encostou Hermione à parede.

- Por mim, já tinhas morrido há muito, Granger. És nojenta.

Usava força a mais. Hermione quando se pôde finalmente largar dele, sentou-se novamente no chão. Desejava saber onde estava Draco, precisava dele. Só ele a podia tirar dali. Ela ainda o amava, ainda o tinha no seu coração. No fundo ela sabia que ele viria.

Hermione só queria saber o que se estava a passar. Estava perdida na escuridão, sem conseguir encontrar o caminho para voltar. Há dias que estava a viver na agonia, sem saber onde estava. Lord Voldemort queria que Harry a fosse resgatar. Mas ela faria de tudo para proteger o melhor amigo.

-DHR-

Ginny estava ofegante enquanto falava com os amigos e explicava que Hermione tinha dito que ia embora de Hogwarts.

- A Hermione não se ia embora sem se despedir de nós, eu tenho a certeza. – disse Harry firmemente. – Alguma coisa lhe aconteceu. E nós temos de saber o quê.

- Como vamos saber? – perguntou Ginny.

- Eu já sei. – disse Taylor, saindo rapidamente da torre.

Correu em direcção ao quarto de Hermione. Disse a palavra-chave quando chegou lá e encontrou Draco sentado no sofá.

- O que fizeram com a Hermione?

Draco fez um confuso por Taylor estar ali e ainda mais confuso ficou com a pergunta dela.

- Eu nunca mais tive nada com ela. Porquê?

- Ela desapareceu. – disse Taylor com horror estampado no rosto. – Tu não tens nada a ver com isto, Malfoy?

Draco levantou-se rapidamente.

- Ouve, eu amo-a. Eu tinha uma missão para cumprir e não a cumpri. Tinha de me aproximar da Hermione e eu afastei-me, tudo para não magoá-la. Eu nunca lhe faria mal, acredita em mim. – Draco estava contorcido em dor. – Não é possível…

- Eu quero acreditar em ti. Mas tu magoaste a Hermione.

- Traí-la era a única maneira de ela me odiar novamente… - justificou-se. – Mas o Dobby tinha uma missão. Vamos tentar encontrá-lo!

Draco esteve com Harry, Ron, Ginny e Taylor à procura de Dobby, mas passaram-se dias e nunca o conseguiram encontrar.

- É tudo culpa tua. – disse Ron.

- Parem! Ele já disse que não queria magoar a Hermione. – disse Taylor, defendendo Draco.

- E tu acreditas-te nele?

- Acredito. Mas agora o mais importante é encontrarmos a Hermione. E nisso estamos todos juntos.

Draco há muito que não respondia às provocações de Ron.

- Eu vou encontrar a Hermione, custe o que custar. – disse, saindo da beira dos Gryffindor furiosamente.

Decidiu enviar uma coruja à mãe. Ela tinha-lhe prometido que não deixaria que nada de mal acontecesse a Hermione.

"Mãe,

Onde está a Hermione? Diz-me que está tudo bem com ela, por favor.

Draco Malfoy."

Durante horas esteve fechado no quarto à espera da resposta de Narcisa. Pensava em maneiras de dizer a Hermione que estava com ela. Mas não havia maneira de o fazer.

Saiu do quarto e foi pela quinquagésima vez procurar Dobby na cozinha de Hogwarts. Dessa vez não fora em vão, pois lá estava Dobby a preparar o jantar dessa noite.

- Dobby, por favor tens de me ajudar.

Dobby pinchou no seu lugar.

- O que fizeram à Hermione?

- Dobby não puder contar, Senhor.

- Dobby, por favor. Só tu me podes ajudar.

- O Senhor das Trevas deu uma missão ao Dobby e Dobby não puder contar.

- Tiveste de levá-la, não foi? – concluiu Draco.

- Não Dobby não contar! – disse, automaticamente dando com o rolo da massa na sua própria cabeça.

- Por favor, eu juro que não conto a ninguém que tu me disseste. Eu amo-a.

Dobby gemeu no seu lugar.

- Dobby ter que levá-la para a casa onde foi a reunião.

Sem ter tempo para dizer mais nada, Draco saiu da cozinha e foi rapidamente ao quarto preparar uma pequena mala com objectos indispensáveis.

-DHR-

Hermione deitou-se, encostando a cara ao chão frio. Chorou sem parar durante várias horas. Estava magoada, cansada, a morrer por dentro. Só queria que Draco aparecesse. Mas onde estava ele? Ela precisava dele agora. Onde estava ele? Quando apareceria? Ele não a podia deixar sozinha neste momento. Não havia maneira de ela sobreviver sem o ter por perto. Ela amava-o e sabia que ele a amava. Ela sabia que eles tinham pegado nele, tinham-no magoado. Hermione sentia a falta dele. Ele tinha-lhe magoado muito, era verdade. Mas ela agora conseguia sentir que não tinha feito propositadamente. Sem saber como, ela sabia disso. A tristeza dele estava escondida por dentro no momento em que a magoara.

De repente, um Devorador da Morte entrou pela cela a dentro. O que queria ele afinal?

- Sangue de lama, está aqui o teu jantar…

Hermione não se levantou nem para fitar o pequeno prato ao seu lado. Continuou a chorar, quebrada por dentro.

Todas as memórias faziam com que parecesse que Draco estava por perto, era tudo sobre eles os dois. As lágrimas silenciosas faziam-na guardar o medo para si mesma.

- Hermione! – gritou Draco do outro lado da cela.

A voz que Hermione poderia reconhecer no outro lado do mundo, fê-la levantar e ir em direcção às grades.

- Eu sabia que tu vinhas… - disse Hermione, com felicidade na voz.