Casa de House - Manhã seguinte

Ele ainda estava dormindo quando a campainha tocava insistentemente. Pelo olho mágico viu tratar-se de wilson, segurando um bebê nos braços
House abre a porta, ainda sonolento.
- Eu não vou cuidar da sua filha! Diz Wilson entrando na casa.
- Mas você já cuidou...Responde House.
O oncologista continua segurando a menina que ainda dormia em seus braços.
- Eu tive ajuda...agora ela é toda sua. Continua Wilson passando o bebê para o colo de House.
Ele mal consegue segurar a criança direito, desajeitadamente arruma o bebê em seus braços, e olha para ela, que permanecia de olhos fechados, em seu mundo paralelo.
- A propósito, sua babá pediu demissão! Exclama Wilson, ja caminhando em direção a porta para ir embora.
- Porque ela se demitiu? pergunta House.
- Parece que sua filha herdou mais de você do que imagina...Afirma Wilson, fechando a porta atrás de si.
- Agora seremos só eu e você.Está nervosa? Porque eu estou...Fala House para a criança, como se ela realmente o entendesse.

Ele não tinha absolutamente nada em casa para cudar do bebê, fraldas, roupas, berço, mas sabia onde encontrar tudo que precisava. Porém iria precisar de uma pequena ajuda.

Casa de Cuddy
- Em pleno domingo e House quer que a gente invada a casa da Cuddy para roubar? Questiona Taub.
- Pelo menos não iremos pra cadeia, Cuddy está em coma não vai prestar queixa...Afirma Kutner.
Eles entram na casa e começam a empacotar as coisas do bebê. Iria ser um longo dia.
- Você precisa ver isso Taub! grita Kutner.
O médico se aproxima para ver Kutner olhando para alguma coisa dentro do armário.
- Eu acho que Cuddy gosta de coisas pervertidas...fala Kutner, pegando um par de algemas e balançando entre as mãos.
- Ela teve uma filha com o House, nada mais me surpreende. Diz Taub.
Continuam arrumando os pertences da criança, quando Kutner diz, inconformado.
- Porque 13 não está ajudando? Questiona Kutner.
- Eu acho que House tem outros planos pra ela...Conclui Taub.

Casa de House

- Você me disse que tinha uma emergência médica! Grita 13.
- E eu tenho...Responde House.
- Você não está doente, House! Diz ela.
- Mas eu vou ficar se essa criança não calar a boca! Exclama ele, tapando os ouvidos.
House caminha em direção ao quarto, pega a menina, que estava em sua cama, e a oferece a 13.
- Eu sou uma médica não uma babá! Afirma 13.
- Pelo que eu saiba você tem uma vagina...ela também, com certeza vocês vão se entender. Indaga House.
Ela pega a criança nos braços, tentando imaginar o motivo do choro.
- Você trocou a fralda? Amamentou? Pergunta ela.
- Por acaso eu pareço com uma ama de leite pra você? Diz ele sarcasticamente.
- Ela está molhada...Fala 13.
- Disso você conhece bem não é mesmo, sabia que vocês se entenderiam. Diz ele, deixando-a enfurecida.
- Você tem fraldas? Pergunta ela.
- Eu não uso fraldas...Responde ele.
- Pegue-a, eu vou arrumar fraldas e uma mamadeira... Diz 13 devolvendo a criança ao desajeitado pai.
Ela continua gritando, deixando House mais mau-humorado do que o habitual.
- Ok, já entendi, quando você quer uma coisa, você grita até conseguir...é uma boa estatégia, funciona pra mim às vezes, principalmente com sua mãe, mas ela não está aqui agora. Então, cale a boca! Grita House, olhando para o bebê.

Ele a segura pelo tronco, com ambas as mãos e a balança no ar, tentando acalmá-la.
Alguém bate na porta, e a abre logo em seguida.
- Então, entendeu o motivo da demissão da babá agora? Pergunta Wilson, que ouvia os gritos mesmo antes de entrar no apartamento.
- Wilson seu idiota...Diz House, encarando o amigo.
E a menina pára de chorar por alguns segundos, mas recomeça logo em seguida. Teria sido alguma coisa que ele disse, que a fez parar?
- Wilson...tenta House, sem sucesso.
- Idiota...diz ele novamente, tentando fazê-la se calar, mas ela continua chorando.
- Wilson idiota...Fala ele, e o bebê se cala.

House sorri incrédulo, e Wilson observa a cena, boquiaberto.
- Ela concorda comigo, esse bebê é um gênio! Diz House, com seu ar sarcástico habitual.
- Claro que ela não concorda! Você não deveria ensinar palavrões a sua filha...deixe a Cuddy saber disso!
E a menina volta a chorar.
- House idiota! Grita Wilson, mas ela continua a chorar, ainda mais alto.
- Eu te disse... Wilson idiota! Diz House, e ela novamente pára o choro.
Wilson olha para o bebê e para o amigo, sem acreditar na situação.
- Parece que vocês estão se entendendo...Afirma ele, exaltado.
- Estamos nos entendendo, Pesadelo? Fala House para a menina, que por forças maiores estava cansada de chorar e quase caía no sono.
- Porque você chama sua filha de pesadelo, House? Questiona Wilson.
- Porque ela vai me acordar no meio na noite, não vai me deixar dormir e ainda me causar mau -humor no dia seguinte. Explica House.
- É uma boa explicação, mas ela precisa de um nome. Afirma Wilson.
A menina pegou no sono, House a segurava nos braços, sentindo-se aliviado pelo fim de toda a gritaria.
- Cuddy não havia pensado em nenhum? Pergunta ele, engolindo seco e tentando esconder o sofrimento ao tocar no nome de Cuddy.
- Não que ela tenha me dito. Responde Wilson.

Nesse momento Taub e Kutner chegam e começam a decarregar as coisas do bebê, em seguida 13 retorna com as fraldas e a mamadeira, colocando a menina no berço logo depois de trocá-la.

O dia passou, exaustivamente para todos, inclusive para House. No início da noite ele estava novamente sozinho com sua filha em casa. Ele deita-se finalmente na cama, tentando descansar. Mal sabia ele que seria impossível...

Algumas horas depois ele ouve o primeiro sinal de choro vindo do berço. House abre um olho, depois o outro, tentando processar o som que ouvia. Por alguns instantes ele realmente pensou estar em algum tipo de pesadelo, mas o choro se intensificava e ele percebeu se tratar de sua dura realidade. Levantou-se da cama e dirigiu-se ao berço, pegando a menina nos braços.
- Fralda ou mamadeira? Pergunta ele a si mesmo.
Ele coloca a mão sobre a fralda e percebe que estava novamente molhada.
- Isso é embaraçoso...Diz ele, olhando para a criança que precisava ser trocada.
House pega uma fralda nova e retira a molhada, trocando a menina em cima de sua cama. Antes que ele pudesse colocar a fralda nova, a menina já havia molhado sua cama.
- Que merda! Exclama ele, ao perceber que seu colchão estava molhado. Você não poderia ter esperado 10 segundos pra fazer isso? Diz ele para a criança.
Mesmo após ser trocada ela ainda não pára de chorar e House segue para a segunda opção, a mamadeira. Ele coloca o leite para esquentar, senta-se na cadeira da cozinha para esperar e acaba caindo no sono.Quando ele acorda, o leite estava fervendo e caindo sobre o fogão.
- Droga! Grita ele, vendo toda aquela sujeira.

Ele limpa o fogão, enquanto o leite esfriava, em seguida o coloca na mamadeira e segue para o quarto. O bebê ainda estava chorando.
- Ok, aqui está sua mamadeira...Oferece a ela, enquanto a tirava do berço para amamentá-la.
A menina toma quase todo o leite rapidamente, e ela começa a pegar no sono logo em seguida. House havia esquecido de colocá-la para arrotar, por isso antes de conseguir coloca-la no berço novamente, a menina regurgita o leite sobre a camisa do pijama que ele usava, e assustada começa a chorar novamente.
- Oh Deus, estou pagando meus pecados...Nunca desafiarei você de novo! Diz House olhando para cima, como se Deus pudesse ouvi-lo.
House retira a roupa suja de leite da criança, deixando-a apenas de fralda, e a coloca novamente no berço, ainda chorando.

Ele troca sua camisa, pega um travesseiro, fecha a porta e vai para a sala. Deixando ,cruelmente, a criança chorar sozinha no quarto.
Apesar da porta fechada abafar o som, ainda era possível ouvi-la, o que impedia que House dormisse.Ele simplesmente coloca o travesseiro sobre sua cabeça e continua deitado, extemamente irritado com toda aquela situação.
- Amanhã eu vou providenciar tampões de ouvido...Afirma ele, levantando-se para tentar fazer a menina se calar, pois sua consciência falou mais alto.
Ele a retira do berço, e ela pára de chorar por alguns instantes. Quando ele tenta recolocá-la ela volta a chorar.
- Ei, vamos entrar em um acordo aqui? Eu quero dormir,você quer sair da sua cama...Se eu te tirar desse berço por meia hora temos um acordo? Pergunta ele para a menina.
House a coloca sobre o ombro, e ela finalmente permanece quieta. Ele senta-se com a menina no piano, apoiando-a sobre sua perna esquerda e segurando-a com um braço, deixando o outro livre para poder tocar o instrumento. Ele aperta algumas teclas, olhando em seguida para a criançaque estava apenas de fraldas, em seus braços. Gregory House jamais havia se imaginado numa situação dessas, ele olhava para ela como se não houvesse mais nada no mundo, como se ele realmente se importasse. Afinal, ela fazia parte de sua vida agora, mesmo que ele se recusasse a admitir isso.
De repente o choro recomeça, e vai aumentando de tom gradualmente. Deixando-o nervoso.

- Pensei que tivessemos um acordo! Exclama House, contrariado.

Ele começa a tocar o piano, tentando acalmá-la. A primeira música que vem a sua mente é "Satisfaction" dos Rolling Stones e ele toca alguns acordes, mas a menina chora mais alto ainda.
- Você não gosta de Rolling Stones...Vamos tentar outra coisa. Diz ele, parando a musica.
Então ele decide tocar Beatles, a música " Lucy in the sky with diamonds", sem sucesso, pois ela ainda chorava.
- O que há de errado com Beatles, vamos lá, você é minha filha, não pode ter tanto mau gosto assim! Indaga ele.
House opta por tocar uma música mais calma, e começa os primeiros acordes de "Clair de Lune", composta por Debussy. Ao ouvir a música a menina relaxa, suas pálpebras começam a ficar mais pesadas, e ela pára de chorar.
- Então você gosta de música clássica, hein? Diz House para ela.
Ele continua tocando a música, e o bebê começa gradualmente a dormir, finalmente se acalmando. Ao terminar de tocar, House olha para ela, que dormia serenamente em seus braços, indefesa e tranquila.
-Eu não posso te chamar de Pesadelo para sempre! Parece que você já tem um nome... Fala ele.
- Vamos para a cama, Claire. Conclui House, levantando-se do piano e dirigindo-se ao quarto.
E ele finalmente conseguiu dormir o resto da noite.