"Behind the Shadows"

AUTORA: Larysam

BETA: Victoria Winchester

FANDOM: J2, Padackles

NOTA: Os atores de Sobrenatural, ou quaisquer outros atores de quaisquer outros seriados, não me pertencem *sad face*. Sou apenas uma fã que gosta de brincar com as inúmeras possibilidades que se apresentam na relação dos mesmos. Meus textos não têm fins lucrativos.

ADVERTÊNCIA: Homofobia, bullying, preconceito e violência.

RESUMO: Jared tinha uma vida normal, mas sua mãe o abandonou, seu pai arranjou uma nova namorada, Sarah, e uma gangue da escola vive pegando no seu pé e nos de seus amigos. Já não bastasse a relação complicada com o pai, o sobrinho de Sarah, agora órfão, vai morar com eles. Jared quer distância de Jensen, um garoto estranho, calado e que parece ter medo da própria sombra. Na verdade, Jared só quer que sua vida volte a ser como antes. – Padackles AU

Capítulo 11

Como prometido, Jared tinha falado com os amigos e voltado para o quarto de Jensen, o chamando para jogarem. Jensen até tentou um pouco, mas desistiu quando, por mais que colocasse seu personagem para ir por um lado, ele continuava no mesmo lugar, girando. Jared riu e fez algumas piadas, mas o loiro sentiu que dessa vez era diferente e o mais novo não estava realmente tirando uma com ele. Jensen até se pegou sorrindo.

Só que Jensen não conseguia parar de pensar na briga de Steve e Chris, no que Jared tinha falado e no que tinha aprendido sua vida inteira como errado. Seus pensamentos iam de seus amigos, para sua mãe, Jared e Jason.

- Como você soube? – Jensen se pegou falando antes mesmo de perceber o que estava fazendo.

Jared pausou o videogame e direcionou um olhar confuso para Jensen. – O quê?

Desviando o olhar, Jensen mordeu os lábios, inseguro. – Como você soube que gostava de... você sabe.

- Garotos? – Jared esperou Jensen confirmar e respirou fundo, pensando um pouco, como se tomando uma decisão. – Promete não rir?

O loiro pareceu confuso, mas prometeu mesmo assim. – Prometo.

- Chris. – Jared abaixou a cabeça, tentando fazer com que a franja cobrisse seus olhos.

Jensen arregalou os olhos para o moreno e não soube definir o que estava sentido. Surpresa, claro, mas a confissão o deixou sentindo desconfortável, o que contrastava totalmente com como o rosto corado de Jared aquecia-lhe o peito. E isso tudo só o deixava ainda mais confuso.

Desviando o olhar, Jensen limpou a garganta, meio se jeito. – Você gosta do Chris?

- Não! Não. – Jared apressou-se em explicar e levou as mãos ao rosto. – Não. Nunca foi uma questão de estar a fim do Chris. Ele só aconteceu de ser o vizinho mais velho e, bem... era um dia de sol e ele estava sem camisa, lavando o carro, então... argh! – Jared se jogou, afundando a cabeça no travesseiro. – Podemos não mais falar nisso?

- Me desculpe. – Jensen olhou ao redor, meio desconfortável. – Acho que vou pro meu quarto.

- Não, Jensen, não precis... – Jared levantou de pronto a cabeça, preparado para convencer o loiro de que estava tudo bem.

- Meninos! – A voz de Jeffrey se fez escutar da escada e Jared surpreendeu-se com como o tempo tinha passado tão rápido. – Está tudo bem?

- Está sim, pai! – Jared gritou de volta.

- Eu vou indo. – Jensen falou e, no segundo seguinte, saiu pela porta como se tivesse preso.

Jared abriu a boca, mas não teve tempo de falar mais nada, o que o deixou confuso, pois ele nunca tinha falado aquilo nem para Chad, quanto mais seu pai, e preocupado em ter feito algo para espantar o loiro. O que era engraçado porque, agora ele realmente queria ser amigo do Jensen e vê-lo meio que fugindo daquele jeito o dava a sensação de estar fazendo algo errado.

Resolvendo que não ia adiantar nada ficar ali repassando a conversa que tivera com Jensen, Jared levantou-se e desceu, encontrando Jeffrey e Sarah na cozinha, se beijando.

- Vocês já não fizeram isso o bastante por hoje? – O jovem seguiu com uma careta até a geladeira. – Digo, o encontro de vocês não era para pararem um pouco de fazer isso aqui?

- Você fica uma graça todo sem jeito. – Sarah se virou nos braços de Jeffrey, encostando as costas no peito de seu homem. – Cadê o Jensen?

Jared tomou um gole do seu copo com água antes de responder. – No quarto.

Jeffrey observou bem o filho e percebeu certa inquietação. – Algum problema?

- Não? – Jared falou meio incerto e Jeffrey arqueou uma sobrancelha, esperando mais. – É só que Chris e Steve brigaram e Jensen 'tá preocupado.

Sarah franziu o cenho, preocupada, deu um beijo em Jeffrey e se afastou. – Acho melhor eu ir falar com ele.

- Ok. – Jeffrey concordou e observou Sarah sair antes de voltar sua atenção para o filho. – E você? O que fez o dia todo?

- Os rapazes apareceram aqui e nós adiantamos o halfpipe. – Jared abriu um largo sorriso. – Acho que amanhã estará pronto.

Jeffrey gostava de ver o filho animado, como desde a partida da mãe ele não via, mas seu sorriso logo sumiu. – Vejo que alguém está querendo estrear amanhã.

- Você pode me culpar? – Jared falou com a mão cheia de biscoitos. – Bom, eu vou terminar isso no meu quarto. Boa noite, pai.

- Boa noite, filho. – Jeffrey tentou fazer um cafuné no filho, que se abaixou e saiu com o velho choramingo - "pai!" -, fazendo o mais velho rir, mas logo ficou sério quando viu Sarah reaparecer. – Algum problema?

A loira balançou a cabeça e voltou a se aconchegar nos braços do companheiro. – Ele estava dormindo. Não deve ser nada, eu devo estar me preocupando a toa.

- Você só quer ter certeza de que tudo está bem. – Jeffrey cheirou-lhe a cabeça. – Só que não podemos sufocá-lo, meu bem. Ele é um adolescente e precisa de um pouco de espaço.

- Eu sei, é só... – Sarah grunhiu e escondeu o rosto no pescoço de Jeffrey. – Estou sendo uma daquelas mães superprotetoras, não é?

- Nah... mas falta pouco. – Jeffrey se satisfez quando sentiu Sarah rindo. – Você sabe que estou brincando.

Sarah se afastou e acariciou-lhe o rosto. – Você acha que eu deva deixar pra lá?

- Não. – Jeffrey deu-lhe um beijo. – Converse com ele amanhã e veja como ele está, mas não se preocupe antecipadamente.

- Obrigada. – Sarah mantinha o olhar preso no de Jeffrey. – Eu te amo.

- Eu te amo também. – E o sorriso logo se tornou mais safado. – O que me diz de irmos para o quarto?

- Não sei. – Sarah tentou fazer um ar desinteressado, mas, no instante seguinte, estava soltando um grito. – Jeffrey, me ponha no chão! Jeff!

Mas o moreno não prestou atenção aos protestos da mulher em seus braços, carregando-a até o andar de cima.

J2~J2~J2

Jensen estava deitado em seu quarto com as costas para porta quando escutou uma leve batida, antes da mesma ser aberta.

- Jensen? – A voz de Sarah soou calma e sussurrada.

O loiro mordeu os lábios e permaneceu o mais quieto possível. Não que ele estivesse com medo da tia, mas ele realmente queria ficar sozinho e pensar um pouco. Uma grande parte do que ele tinha aprendido como errado e certo havia sido jogado contra si e ele não sabia o que pensar ou em que acreditar.

Sua mãe e padre Füller sempre tinham feito questão de ensinar o que era pecado, mau, e como ele sempre fazia as coisas erradas. "O homem é fraco e o mundo está perdido, não posso deixá-lo se perder de vez", era o que sua mãe dizia, e por isso que ele não podia ir para a escola e, como conseqüência, não tinha amigos. Mas e agora?

Jensen estava vendo um pedaço do mundo pela primeira vez que não era através de um livro ou pela visão de sua mãe e até agora ele tinha gostado. Claro, Milo e sua turma mostravam que, em parte, Rosa Ackles estava certa, mas Jeffrey e sua tia Sarah, além de seus amigos estavam mostrando que nem tudo era ruim. Até Jared vinha demonstrando que as pessoas podem mudar para melhor. E a melhor parte, ninguém vivia lhe repreendendo e dizendo o quanto era um jovem mau que devia sempre rezar e pedir perdão somente por existir.

- Tudo bem. Boa noite, Jensen. – Sarah falou suavemente antes de fechar a porta.

O jovem adolescente estava tão perdido em seus pensamentos que tinha até esquecido que a tia estava à porta. Suspirando, Jensen virou-se de forma a deitar de costas. Ainda havia tanta coisa que ele não conseguia entender, mas que estava se acostumando, como o fato de Jeffrey e Sarah não rezarem antes da janta, como ninguém o perguntando se havia rezado o terço; Chris e Steve com os cabelos compridos, Danneel e seu linguajar. Todo o conceito de "bullying" e preconceito.

Era engraçado porque tudo isso só o deixava mais confuso, pois o fez perceber que ele realmente não sabia como se sentia. Tanta coisa havia reprimido, que agora Jensen não fazia idéia sobre o que pensava e sentia a respeito.

As palestras na escola sobre "bullying" e respeito meio que defendiam aquilo que lhe tinha sido ensinado através dos ensinamentos bíblicos, mas, por outro lado, o contrariavam completamente quando falava de aceitação de relacionamento homossexual. E poderiam pessoas como Jared e Steve merecer ser tachadas como pecadoras? A Bíblia tinha defendido a escravidão em alguns pontos, ela poderia estar errada quanto a isso também, não é?

Soltando a respiração em frustração, Jensen levou as mãos aos cabelos e tirou os olhos do teto, direcionando-os ao criado-mudo, onde seu colar arrebentado estava. Onde ele estava nisso tudo? Ele tinha tentado tanto se convencer que o beijo de Jason tinha sido um erro da parte do amigo e que não havia sentido nada. Balançando a cabeça, Jensen se sentou e pegou o colar nas mãos. Talvez Jason estivesse certo e não há nada de errado nisso, nada de errado com ele, Jared e Steve.

- Mas eu não sou assim. – O jovem sussurrou para si mesmo. – Eu não gosto de homens e Jason era só um amigo.

Jensen tentou ignorar que as palavras ditas não trouxeram a convicção desejada. E com certeza não foi o sorriso de Jared que tinha em mente quando finalmente caiu no sono.

J2~J2~J2

Domingo de manhã, Sarah estava na cozinha quando Jared entrou como se estivesse ainda dormindo. Então, o moreno parou e olhou para Sarah, que sorriu para ele e arqueou uma sobrancelha curiosa.

- Você tem algum fetiche com cozinha? – O garoto perguntou com um sorriso de lado. – Porque sério, toda vez que eu venho aqui eu te encontro e, na maioria das vezes, cozinhando. Não que esteja reclamando. – Acrescentou logo.

Sarah riu e colocou ovos mexidos no prato do adolescente. – Bom dia pra você também, Jared.

- Bom dia, Sarah. – Jared disse, retribuindo o sorriso.

Jeffrey entrou pela portas dos fundos, deu um beijo na bochecha de Sarah antes de ir lavar as mãos. – O que vocês estão conversando?

- Oh, nada, Jared só quer saber se eu tenho alguma fantasia sexual envolvendo a cozinha. – Sarah estava se esforçando para manter a expressão séria diante do vermelho no rosto do jovem.

Jeffrey terminou de enxugar as mãos e arqueou uma sobrancelha para o filho. – Mesmo? Devo me preocupar em você querer roubar minha namorada?

- Pai! – A reclamação quebrou todo o esforço de Sarah e Jeffrey, que caíram no riso.

Jeffrey, então, puxou Sarah e sorriu para ela. – Quer dizer que você tem uma fantasia com a cozinha, hã? Por que não me conta? Talvez eu possa te ajudar a realizá-la.

- Ok, a partir de hoje eu não como mais nessa mesa, por vias das dúvidas. – Jared se levantou com o prato na mão, quando viu Jensen parado na porta. – Ei, Jensen.

- Vocês são estranhos. – Jensen falou sem pensar e arregalou os olhos, mas a única reação que conseguiu foi um revirar de olhos de Jared e risos de Jeffrey e Sarah.

- E você só percebeu agora, sério? – Jared colocou o prato na pia e andou em direção a portas dos fundos. – Bem, eu vou lá pra trás.

Jared estava se sentindo animado e sorriu quando chegou perto do halfpipe, só faltavam alguns detalhes, mas ele podia dizer que estava praticamente pronto. Pegando o skate que tinha deixado ali do lado no dia anterior, Jared achou que daria para arriscar umas manobras. E só de ter o skate aos seus pés, o adolescente se viu sorrindo. A rampa era pequena, não ia poder arriscar nada que precisasse de muita altura, mas quando desceu e sentiu o vento nos cabelos, Jared se sentiu leve e livre. E era isso que ele mais gostava no esporte, só havia ele em cima de quatro rodas e ele podia fazer o que quisesse.

Quando Jared parou com o skate repousando sob um de seus pés, ele ainda sorria. O halfpipe tinha umas ondulações que precisariam ser resolvidas, mas nada que seu pai e ele não dessem conta.

- Quase um Tony Hawk. – A voz de seu pai o surpreendeu.

Jared se virou para o pai e balançou a cabeça. – Nah, mas quem sabe um dia um Bob Burnquist.

- Bob, hã? – Jeffrey colocou uma expressão pensativa. – Não o Michael Jordan do skate? O primeiro a realizar o 900º?

- Bob é o cara, primeiro a fazer manobras com a base invertidas e conseguiu realizar o 900º na mega rampa. – Jared fez uma pequena manobra de chão, que fez seu pai revirar os olhos. – Além do mais, ele é meio americano.

- Mas compete pelo Brasil como você já cansou de me falar. – Jeffrey cruzou os braços desafiadoramente.

Jared balançou uma mão em direção ao pai. – Pequeno detalhe.

Jeffrey riu, jogando a cabeça para trás e se aproximou do filho, assanhando-lhe os cabelos. – Como queira, Jared Burnquist. Agora, vamos terminar esse sua rampa, pois eu não quero ser a causa de um novo astro dos skates não prosperar.

Jared só abriu ainda mais o sorriso e, após colocar o skate de lado, começou a apontar as falhas que tinha sentido e que precisavam ser consertadas. Não demorou muito para os dois começarem a trabalhar em silêncio, o qual seria um silêncio normal se Jared não sentisse que seu pai estava um pouco inquieto.

- O que foi? – Perguntou por fim, sem se agüentar mais.

Se Jared precisava de alguma confirmação, o suspiro do seu pai por si só já respondia que não vinha boa coisa.

- Eu encontrei a senhora Bledel. Ela me falou que o filho está aqui esse final de semana e como ela está esperançosa do filho voltar a viver com ela, ao invés de com o pai.

Jared sentiu o coração disparar e tentou manter a voz calma. – Matt vai voltar para cá?

- Até onde eu sei é o que a mãe dele espera. – Jeffrey se aproximou do filho, colocando uma mãe em seu ombro. – Você nunca me disse, mas acredito que o Matt tem a ver com o que aconteceu ano passado?

O adolescente confirmou com a cabeça, mas mantinha o olhar baixo.

- Quer conversar a respeito? – Jeffrey tentou, mas mal terminara a frase e o filho já negava. – Ok então, mas se quiser, você sabe que sempre pode vir falar comigo.

- Eu sei. – Jared tentou sorrir, mas não foi muito bem sucedido. – Acho melhor voltarmos a trabalhar senão não terminaremos hoje.

Jeffrey observou o filho por alguns segundos antes e se aproximar. – Olha, estamos sem cola, porque você não vai comprar?

- Posso mesmo? – Jared lançou um olhar para o skate, querendo mais do que tudo um tempo sozinho.

- Seu castigo acabou, não foi mesmo? – Jeffrey lançou um olhar suspeito ao filho. – A não ser que eu não saiba de algo que o faça ser prolongado.

- Não, não. – Jared não perdeu tempo em garantir o pai e lançou seu olhar de cachorrinho pidão. – Juro que não aprontei nada. Posso ir?

Jeffrey manteve o suspense por mais alguns segundos antes de sorrir. – Ok, pode. Ei!

Jared tinha pegado o skate e já fazia o caminho até a garagem, que era a saída mais próxima, mas parou ao chamado do pai. – O quê?

- Não está se esquecendo de nada? – O mais velho revirou os olhos quando o filho olhou para o skate e, então, negou com a cabeça. – E o dinheiro pra você comprar o resto do material? Mas tudo bem se você quiser tirar do seu bolso.

- Não, tudo bem, eu deixo você pagar. – Jared falou se aproximando do pai, estendendo a mão.

- É, claro. Devo presumir que você vai passar na casa do Chad também? – Jared mordeu os lábios, sem jeito. – Por que isso não me surpreende? Tudo bem, acho que o restinho do material que eu tenho aqui dá pra eu terminar, mas ainda preciso que você compre para repor meu estoque, pois nunca se sabe.

- Pode deixar, pai. – Jared voltou a correr em direção à saída.

- E não apronte! – Jeffrey gritou, mas Jared já tinha desaparecido, então, voltou um olhar pensativo para o halfpipe. – Matt Boemer. Ainda vou descobrir o que você aprontou, moleque.

J2~J2~J2

MOMENTOS ANTES NA COZINHA

Jeffrey viu o filho fazer o caminho até a porta dos fundos e serviu-se com mais uma caneca de café.

- Daqui a pouco eu vou. – Mas quando se virou, Jared já tinha saído e provavelmente não tinha escutado o comentário, então, voltou-se para Jensen. – E você? Tudo bem?

Jensen havia se sentado a mesa e deu de ombros, sem olhar para Jeffrey.

Sarah se aproximou e acariciou os cabelos de Jensen. – A gente soube da briga entre Chris e Steve e que você ficou chateado. Quer conversar?

O loiro mordeu os lábios e olhou da tia para Jeffrey e voltou a negar. Sarah e Jeffrey trocaram um olhar e o moreno indicou com a cabeça que estava saindo.

- Ei. – Sarah o chamou novamente após estarem sozinhos.

- Você não vai à igreja? – Jensen perguntou de supetão.

Sarah se surpreendeu com a pergunta, mas a respondeu mesmo assim, ou mais ou menos. – Serve a missa de Natal e Ação de Graças?

Jensen balançou a cabeça positivamente, mas parecia mais constatar algo do que responder a pergunta de Sarah. – Então... – O adolescente olhava intensamente para a caneca que segurava com as duas mãos. – Você não acha errado homem gostar de homem?

- Claro que não. – Sarah parou por um instante, observando o sobrinho com atenção. – Isso é por causa do Jared?

- Minha mãe sempre me disse que era pecado. – Disse, dando de ombros.

A jovem mulher loira puxou a cadeira para mais perto do sobrinho. – Jensen, não há nada de errado em pessoas do mesmo sexo gostarem umas do outras. As pessoas tendem a julgar aquilo que não compreendem.

- Mas está na bíblia. – Jensen realmente queria dizer que concordava com a tia, mas eram anos de ensinamento e educação.

- Assim como está que as mulheres adúlteras deveriam ser apedrejadas. – E mesmo apreensivo com a conversa, Jensen se viu acalmando diante do sorriso compreensivo da tia. – Você acha isso certo?

Jensen negou com a cabeça, parecendo um garotinho de oito anos e não um adolescente de dezesseis. – Mas Jesus disse para não fazer.

- E você acredita que ele jogaria uma pedra em alguém cujo único crime perante os olhos dos homens foi amar alguém do mesmo sexo? – Sarah acariciou as mãos de Jensen. – Que eu saiba, amar não é pecado.

- Minha mãe... – Mas o que quer que fosse falar, ele não completou.

- Sabe, Jensen, o problema não está na fé ou na religião em específico, mas, em minha opinião, no homem que a interpreta. – Sarah tomou um gole de seu café, mesmo este já tendo esfriado. – Meu pai se separou de sua avó por muitos motivos, mas também por ela ter perdido a noção do certo e sensato, protegendo-se de seus atos atrás da religião. E, pelo visto, minha irmã fez o mesmo.

Jensen sorriu amarelo e tinha lágrimas nos olhos. – Eu só estou tendo dificuldade em descobrir o que realmente é certo e errado.

- Vá com seu instinto e coração. – Sarah se levantou e beijou-lhe a testa. – Você é um bom garoto, tenho certeza que vai saber o que é certo. – Jensen observou a tia se mover até a pia, espantado, pois ele nunca tinha sido um bom garoto.

- Eu vou para meu quarto... é, isso se você não precisar de ajuda.

- Não se preocupe, eu me viro aqui, afinal não tem muita coisa. – Ela já tinha começado a lavar os poucos pratos.

- Ok. – Jensen começou a seguir o caminho quando parou e se virou com um pequeno sorriso. – Obrigado, tia.

Sarah observou Jensen sair do cômodo e sorriu. O sobrinho parecia tão perdido às vezes e ela só podia imaginar como tinha sido sua vida, mas ele estava aqui agora e ela ia fazer de tudo para que Jensen fosse feliz. E Sarah não tinha mentido, ela acreditava que o sobrinho era capaz de se adaptar a essa nova vida sem o peso dos preconceitos. E qualquer coisa, ela estaria lá para ele.

J2~J2~J2

Jared seguia distraído, prestando só o mínimo de atenção ao caminho, pois tudo que ele conseguia pensar era na possibilidade de Matt voltar a morar com a mãe e o padrasto, ou seja, voltar a morar na cidade. E o que mais o assustava era que ele não sabia exatamente o que sentir a respeito e isso o assustava porque ele não podia sentir mais nada por ele.

Entrando na loja, Jared ainda estava tão distraído que nem percebeu que alguém falava com ele.

- Jared! – E o dono da voz lhe tocou o ombro. – Está tudo bem, filho?

Pego de surpresa, Jared se assustou, mas logo estava sorrindo. – Desculpe, senhor Williams, estava distraído.

- Eu percebi essa parte. E nada de senhor comigo, rapaz. – O homem sorriu, mas o observava atentamente. – Mas está tudo bem? Algum problema em casa ou com seu pai?

- Não, Steve, meu pai está bem. – Percebendo que o outro ainda estava desconfiado, colocou seu melhor sorriso. – Juro que nada está errado.

Alguns segundos, e o homem finalmente pareceu se convencer. – Ok, e seu pai? A última vez que o vi foi quando jogamos pôquer na casa do Phil e desde então ele vem dando a desculpa de que está cheio de serviço na empreiteira.

- Você sabe como ele é, sempre levando o trabalho a sério até demais. – Jared entregou a pequena lista.

- E pelo jeito ele anda trazendo trabalho pra casa. – O dono da loja comentou após ler a lista. – Diga ao seu velho que ele tem que viver um pouco. Me espanta Sarah não ter começado a reclamar.

- Acho que ela começou sim, mas ele saiu com ela ontem. Estou começando a pensar que foi para acalmá-la. – Jared sorriu enquanto o homem negro ria. – E quanto à lista, não é trabalho, pelo menos não pra empreiteira. Nós dois estamos trabalhando em algo juntos.

- Entendo. – O mais velho lançou um olhar sobre o ombro para Jared enquanto separava o que Jeffrey tinha pedido. – Ele estava preocupado com você.

Jared grunhiu. – Steve.

- Jared, você sabe como eu e seu pai somos bons e velhos amigos. Eu te vi crescer, garoto, e também estava preocupado. – Steve entregou a sacola para Jared e sorriu. – Olha, só estou dizendo que é bom ver que a sua fase da aborrecência está passando.

- Aborrecência? – Jared arqueou uma sobrancelha sorrindo e entregando uma nota de cinqüenta dolares. – Sério?

- O quê? Isso tem outro nome hoje em dia? Talvez você devesse aparecer mais e me ensinar umas gírias novas. – Steve aceitou o dinheiro e devolveu o troco, sorrindo.

- Claro, aparece lá em casa e ainda prometo que pegarei leve no videogame. – Jared pegou a sacola e seguiu até a saída. – E assim vai ser mais fácil você convencer meu pai a aparecer.

- Vou pensar a respeito, principalmente sobre a parte de você me humilhar naquele seu joguinho. Ainda acho que você deveria pegar leve com os mais velhos.

- E deixar você se iludir? De jeito nenhum. – Jared abriu a porta. – Tchau, Steve.

- Se cuida, JT. – Steve acenou e voltou a sua atenção para os afazeres da loja.

Jared ainda estava rindo e balançando a cabeça, fazia tempo que não via Steve, e o amigo do seu pai era uma pessoa divertida e ótima de se conversar. Subindo no skate, Jared colocou um pouco de impulso, mantendo uma velocidade média até que alguém se colocou na sua frente.

- Ei, Jared. Achei que fosse você. – E Jared se viu diante daquele sorriso confidente que conhecia tão bem.

- Ma... Matt. – Jared se odiou por gaguejar, mas quando viu o sorriso no rosto do moreno aumentar, a surpresa diminuiu e ele recebeu bem a raiva. – Eu preciso ir.

- Wow, por que a pressa? – Matt se colocou na frente de Jared bem de perto. – Parece até que está com medo de mim.

- A última coisa que eu sinto por você nesse momento é medo. – Jared deu um passo para trás, aumentando a distância entre eles. – Eu diria algo mais pra ódio.

O mais velho se aproximou e sussurrou para Jared. – Talvez eu possa mudar isso.

Jared empurrou Matt, pegando-o de surpresa e fazendo-o se desequilibrar, quase caindo. – Vai se ferrar, Matt! Volte pra casa do seu pai e me esquece. Eu não vou ser mais sua diversão.

- Hum... você está diferente, mas eu gostei. – O garoto se ajeitou e encostou-se à parede. – Apesar de te achar fofo quando agia todo inocente.

- Cuidado, Matt, você não vai querer que nenhum dos seus amiguinhos te vejam com o gay da escola, não é? – Jared tentou mais uma vez sair, mas dessa vez Matt o pegou pelo braço.

- Eu sei que fiz merda, mas me arrependo desde então, Jay. – Matt respirava praticamente no rosto do mais novo, que tinha a respiração agitada e não conseguia evitar olhar para aqueles lábios tão próximos. – Então é, estou pensando em voltar. Quem sabe não resolver esse pequeno mal entendido.

- Pequeno mal entendido? – Jared sorriu, mas ele não sabia dizer o que era mais engraçado, Matt ou como ele próprio era um idiota. – Claro, porque o que você fez foi um pequeno mal entendido. Eu vou embora.

Dessa vez, Matt soltou o braço de Jared quando este o puxou. – Não seja exagerado, Jay, eu sei que ainda mexo com você.

Jared só sorriu. – Com licença. – E passou pelo mais velho, mas parou logo depois. – E Matt, não me chama de Jay.

- A gente se vê, Jared.

E Jared se xingou mentalmente, pois não deveria achar Matt bonito com aquele sorriso irônico, principalmente quando ele era a piada. Ele deveria odiar o outro e ter que se convencer disso só o fazia ficar ainda mais com raiva.

Continua...

N/A: Feliz Natal atrasado! Bem, era para ser um presente de Natal, mas não consegui terminar no Sábado, por isso vai sair um pouquinho atrasado. Agora, sobre o capítulo, espero que gostem. Eu até tive que terminá-lo mais cedo ou ele ficaria enorme, o que significa que iria demorar ainda mais pra eu postar. Vamos ver ser eu consigo postar o próximo capítulo ainda esse ano!

* Lene, Jensen realmente está tendo dificuldade em aceitar isso, principalmente porque ele retraiu tanta coisa que sentia que nem sabe mais o que sente, mas algo no fundo quer acreditar que realmente não tem nada demais, só que não é tão fácil, principalmente sobre ele mesmo. Eu gostei de fazer o Jared ajudá-lo sem nem ao mesmo perceber, considerando mais uma conversa pra se conhecerem rsrs. Obrigada, beijos.

* Polli, a mãe do Jensen fez um grande trabalho em abusá-lo psicologicamente, vamos torcer para que ele desabroche nesse novo ambiente. Obrigada, bjs.

* Tailie, que bom que gostou, era um parte da fic que eu tinha certeza desde o começo, mas, ao mesmo tempo, foi também muito difícil. Quanto ao beijo, tenha calma ahsuahsua. Obrigada, beijos.

* Meire, o Milo realmente é um filho da p#$% e mãe do Jensen realmente não fica muito atrás. Mas, se a história for pra ter um final feliz, que algo melhor do que esse que você descreveu? Obrigada, beijos.

* Crisro, que bom que você gostou do Chris/Steve, eu tento não fazer deles sempre um casal, mas as vezes eu não consigo evitar =p. Acho que depois de viver com a maluca da mãe, Jensen vai ter que se redescobrir e pode ficar tranqüila que vai mais um pouquinho sobre o passado Jason e Jensen. E se o Jensen tentar fugir, vamos torcer pra que o Jared não o deixe. Também adorei a bronca da Danneel rsrs. Obrigada, beijos.

* Caio, tudo bem sim e espero que com você também. Melhor ainda vendo que você gostou dos novos capítulos. Agora, uma hora Jensen e Jared teriam que ser amigos né? Se bem que pular dos inimigos pra amantes também é interessante ahaushuah. Obrigada, bjs