TÍTULO: NOS BRAÇOS DE UM PIRATA
CAPÍTULO 11
AUTORA: Lady K
BETA READER: TowandaBR
DISCLAIMER: Todos os personagens da série "Sir Arthur Conan Doyle's The Lost World" são propriedade de John Landis, Telescene, Coote/Hayes, DirecTV, New Line Television, Space, Action Adventure Network, Goodman/Rosen Productions, e Richmel Productions (não venham nos pentelhar).
GÊNERO: Aventura, romance, mistério, terror, intrigas, comédia, drama e umas cenas calientes (quem sabe?). Eu sei q ninguém liga p/ esses avisos, MAS, fiquem fora desta fic, crianças! Não nos responsabilizamos por qqr dano psicológico ou moral. lol.
COMMENTS:
Acperry: Gib estava em crise depois de ter brochado com as prostis e quase ter ido pro analista achando que era gay, agora ele foi à forra! Rs... Sim, Roxton vai abandonar o navio. Ele ama a vida no mar, mas é uma vida incompatível com ter uma família, daí...
Jéssica: Acho que foi o primeiro capítulo que vc não reclamou rs...
Marguerrite: Você e as outras meninas estão me colocando em situação complicada, quem deve aparecer mais afinal, R&E ou G&A? Já estou vendo a hora em que vai rolar barrako hauhauhau Não se preocupe quanto à declaração do Roxtoso, no final ele vai explicar porque foi tão grosso e desconfiado, e claro, será muito romântico *.*
Lady Anne/Lidy: Vc está fazendo muitas perguntas que eu ainda não posso responder em review hauhauhau Roxtoso já deixou claro o quanto gosta da sua liberdade e vida no mar, mas para se tornar um lord, ele teve seus motivos...
NinaMakea: Agora sim que o nosso casal cute vai deslanchar, porque chegou o momento de o Roxton salvar o dia, tal como nosso Roxtoso do mundo perdido :D
Jéssica: Vc e a Marguerrite, queiram se acalmar :P
Aline: Sim sim e sim! Afinal, se ele não ligar no dia seguinte, ao menos vc dá uma bem dada hauhauhau
Lady Jeh: hauhauhau Amei isso, Anita também está NOS BRAÇOS DE UM PIRATA!!! Nem vem reclamar do tamanho do capítulo pq vc não postou mais, logo, não pode falar :P Amo tu, mas não me obrigue a usar métodos drásticos :D
Mamma Corleone: Mandou ferro na boneca??? Hauhau Rachei de rir com isso!!! E vc está me caluniando, eu não sou um pokemon do mau hauhauhau sou tão do bem que escrevo coisas do bem *.* Amo tuuuuu!
AmandaBBC: As escritoras já estavam prestes a fazer greve por causa do seu sumiço, mas ainda bem que você voltou *.* Sobre o Gib, ele só falou o nome dele pra Anita porque está muito apaixonado, porque na verdade ninguém sabe o nome dele :D fofoooo!
Tow: Vc está muito convencida :P
De pé, parcialmente vestidos e ainda abraçados, Gibraltar começou a desabotoar lentamente os poucos botões que estavam fechados da camisa dela e a tirou. Aos poucos, foi desnudando a moça. Desta vez não tinha pressa. Quando terminou, Anita o impediu de continuar. Era a vez dela. Assim como ele fez antes, tirou-lhe a camisa explorando com as mãos seu peito firme. Ajudou-o com as botas e as calças e o olhou confirmando a impressão que tivera quando o viu nu no bordel. Sem dúvida, era magnífico. Gibraltar segurou os seios da moça sugando pausadamente, primeiro um, depois o outro, enquanto sua mão livre escorregava pelo seu ventre. Usaram suas roupas para cobrir o chão e sobre elas se deitaram. Pela primeira vez na vida, Gibraltar desejou satisfazer plenamente sua companheira, colocando isso à frente até de seu próprio prazer. Ele prosseguiu tocando, explorando e ficou fascinado ao perceber que ela fazia o mesmo com ele. Sempre fora mestre e senhor das mulheres com quem se deitava, mas nas mãos de Anita, entregou-se como se fosse um escravo. Se na primeira vez haviam se amado com urgência, na segunda saborearam cada segundo e juntos chegaram mais uma vez às nuvens.
Gibraltar olhava fascinado o corpo nu de Anita entre seus braços, atento a cada mínimo detalhe dela. As pernas dos dois entrelaçavam-se. Se quando vivia na pele 'Angelo' ela o havia conquistado, agora sabendo tratar-se de uma linda mulher, poderia amá-la sem qualquer vergonha. Aliás, sentiu-se aliviado ao perceber que foram seus instintos masculinos atuando, como se tivessem percebido tratar-se de uma mulher o tempo todo.
Ainda que estivesse muito feliz com a descoberta, havia uma série de implicações.
"Anita... por que você anda vestida como homem? Você tem algum... não sei, problema com roupas femininas ou o que?" - perguntou cheio de cuidados.
A loira deu uma gargalhada, afinal, a coisa era mais simples do que ele imaginava. Simples, nem por isso fácil.
"Claro que não, Gibraltar. Tenho um único motivo que me obrigou a isso por conta das circunstâncias..." - ela passou narrar a noite em que chamou Esmeralda para deixar sua casa até que ambas chegaram ao navio, de maneiras tão diferentes.
Ele acariciou sua face com as costas dos dedos, num gesto levíssimo enquanto seus olhos a fitavam com admiração - "Foi um gesto muito ousado... e muito estúpido! Já pensou se não tivéssemos acreditado, o que os outros teriam feito com você?"
"Eu não pensei em nada disso, apenas fui e fiz." - ela respondeu naturalmente. Hesitou por alguns momentos antes de perguntar sem rodeios - "O que pretende fazer comigo? Vai me entregar a Roxton?"
Foi a vez de o jovem pirata ficar preocupado - "Não poderia, mesmo que tivesse a intenção. Não sei o que faremos, apenas que quero tê-la por perto. Quanto a seu plano inicial, sinto muito em dizer que Roxton não deixará que Esmeralda vá embora."
"É, eu já desconfiava... Mas também não acredito que ela ainda fale a sério quando diz que odeia a vida ao lado dele."
Os dedos de Gibraltar roçaram lentamente a curva do seio, e ali ficaram para tocar o rego formado por eles - "Não quero que se preocupe com isso agora. Eu cuidarei para que seu segredo não seja revelado... e cuidarei de você também. Mesmo tendo me feito pensar que era homem por todo esse tempo." - seu rosto se afundou no pescoço da moça, um misto de sedução e brincadeira. Ela sorriu, arrepiada diante do toque agradável. Depois se levantou rapidamente e correu para o lago. Ele a seguiu, mergulhando atrás dela. Lá se amaram mais uma vez. Uma das muitas que ocorreram durante aquele dia na mata.
Gibraltar havia voltado a tratar 'Angelo' como há alguns dias antes de descobrir seu segredo. Então, a tripulação acabou atribuindo o comportamento agressivo, quando ele maltratara 'Angelo', a algum mal humor passageiro. Por sorte, ninguém deu muita importância ao fato. Todos estavam muito mais preocupados com outro evento que era do interesse de todos: o ataque ao galeão espanhol.
Sabiam que se tratava um grande carregamento em ouro, como nunca haviam visto antes. Claro, como todo saque desse tipo, havia seus riscos. Somava-se a isso o fato de que a própria rainha havia feito uma proposta a Roxton, a qual ele se recusou a entrar em detalhes, exceto com Gibraltar, que sabia ser discreto. Além da mera curiosidade, pesava o fato de que caso John os deixasse, quem assumiria a liderança.
No primeiro momento que Esmeralda teve a sós com Anita, cujas mudanças não passaram despercebidas, questionou-a sobre os últimos acontecimentos.
"Anita, por Diocito Santo, o que está acontecendo entre você e Gibraltar?! Eu já percebi que andam trocando olhares e sorrisos o tempo todo!"
"Está tão óbvio assim?" - Anita alarmou-se, perguntando baixo.
"Então vocês..."
"Ele descobriu tudo e ficou louco de raiva por eu tê-lo enganado. Por isso me tratou daquela forma. E depois, quando ele me desmascarou... bem, foi como fogo na palha seca. Não conseguimos evitar e muito menos parar... ele tem ido à minha cabine nas madrugadas. Ah, você sabe, ficamos juntos e fazemos amor enquanto os outros dormem."
Esmeralda cobriu a boca com a mão para conter sua surpresa e, ao mesmo tempo, a alegria. Ambas riram muito.
"Mas ele não contou a Roxton?"
"Não, disse que não pretende contar."
Esmeralda esticou a mão, tocando o braço de Anita - "Ah, minha amiga, o que faremos? Isso não é vida para duas mulheres e ao mesmo tempo, já não posso cogitar a hipótese de... viver sem ele."
"Tenha fé, Esmeralda. Algo me diz que coisas boas nos aguardam."
"Pelo visto a noite tem trazido coisas boas para nós duas." – as mulheres gargalharam.
Gibraltar entrou na cozinha e sentou na cadeira, apoiando os cotovelos na mesa e olhando Anita que, de costas para ele e virada para o fogão, preparava o almoço.
"Hummm... que delícia!"
"É apenas uma sopa de legumes..." - ela respondeu com um sorriso malicioso.
"Quem disse que eu falava da sopa?" – ele se levantou e a abraçou pela cintura pressionando o quadril dela em direção ao dele. Anita sentiu o crescente volume pressionando-a. Ela mesma sentiu-se arrepiar, além das sensações de prazer que havia aprendido a conhecer tão bem em seus braços.
"Gibraltar! Alguém pode nos ver."
Ele a soltou de repente.
"Ai, ai, ai. Nem posso mais olhar para você que sinto pegar fogo, mulher."
"Meu Deus, eles não eram nada discretos." – Challenger interrompeu.
"Estavam apaixonados." – Malone parecia apoiar o casal.
O caçador prosseguiu.
"Mas enquanto os dois pombinhos estavam na cozinha não perceberam que outra coisa acontecia."
"O que?" – Summerlee estava com a curiosidade a flor da pele.
"Bem... a cozinha..."
... tinha uma pequena e suja escotilha que ficava junto ao chão do convés principal e era possível ver o que acontecia lá fora sem esforço. Ao contrário, quem estivesse lá fora teria que se abaixar e observar atentamente para perceber o que acontecia no recinto. Roxton andava pelo convés observando o movimento e brincando distraidamente com a faca, jogando-a para o alto e fazendo com que ela rodasse sobre o seu eixo para segurá-la. Quando a faca escapou, foi cair espetada na madeira do convés. O comandante se abaixou para pega-la. Foi quando virou a cabeça e viu... Gibraltar abraçando 'Angelo'... por trás.
George gargalhava quase perdendo o fôlego.
"O comandante achou que os dois marujos eram..."
"Não ligue para ele, Roxton... continue." – Malone estava curiosíssimo.
O comandante voou para a cozinha. Enquanto isso...
"Suba agora e vá jogar uma água fria no corpo." – recomendava Anita a Gibraltar.
"Está bem... mas antes..." – o pirata a virou de uma vez pegando-a surpresa em um beijo apaixonado.
Neste instante, Roxton, abriu a porta e se deparou com a cena. Demorou alguns segundos para que entendesse o que seus olhos viam. Então, num ímpeto de fúria, empurrou Gibraltar e bateu a porta atrás dele.
"O que pensam que estão fazendo? E no meu navio? Gibraltar!!!" – estava totalmente cego de raiva.
Anita se encolheu num canto, sem saber o que fazer. Gibraltar ainda foi responder, mas Roxton o impediu, dando-lhe um soco.
"Nem me venha com desculpas, eu sei o que vi! Você me decepcionou demais, Gibraltar. Jamais esperei isso de você. Nem de você, 'Angelo'." - ao dizer isso, pegou Gibraltar e 'Angelo', e os levou aos tapas para o convés.
A essa altura, os outros piratas já haviam ouvido os gritos e largaram suas atividades para ver o que havia deixado o capitão em tal estado. Parecia estar possuído, nunca o haviam visto tão exaltado. Como não poderia ser diferente, Esmeralda também já estava na porta da cabine, assistindo com total horror ao que acontecia.
"Amarrem esses dois vagabundos! Traidores! Serão açoitados mais tarde! Só não o farei agora porque no estado em que estou, mataria a ambos. E terão sorte se não forem feitos em pedacinhos e atirados aos tubarões!" (N.A.: Homenagem a Towanda hauhauhau)
As ordens foram cumpridas imediatamente. Porém, os olhares indagadores dos homens sobre Roxton exigiam uma resposta; era o que sempre acontecia quando alguém era castigado. E a curiosidade tornava-se ainda maior por ser Gibraltar o imediato do comandante. Seu homem de confiança.
Roxton avaliou as possibilidades. Poderia simplesmente dizer que flagrou os dois em atitude suspeita, obviamente tinham algum tipo de caso, eram dois 'maricones'. No entanto sabia que se dissesse isso, com certeza, os homens seriam bem cruéis com os dois. Atitudes como aquela eram imperdoáveis em um navio... E apesar de tudo, Gibraltar sempre foi um amigo leal. E em consideração a isso, omitiu esse detalhe, inventando a primeira mentira que lhe veio à mente.
"Esses dois foram pegos tentando me roubar! Mais alguém quer fazer companhia a eles também?!" – gritou, enquanto o navio fazia um silêncio sepulcral. Viu os dois amarrados junto ao mastro - "Voltem a suas obrigações, não há nada mais para ver!" - voltou a suas atividades, que agora se concentravam na partida para alto mar.
Esmeralda pôde apenas deduzir o que realmente aconteceu. Conhecia Gibraltar e Anita o suficiente para saber que não eram ladrões. E conhecia Roxton o suficiente para saber que a história do roubo foi a primeira coisa que conseguiu inventar. E ela precisava agir antes que a situação tomasse uma proporção ainda maior.
John passou o dia todo dando ordens e reclamando de tudo que seus homens faziam, estava totalmente inquieto e irritado. Como não comeu nada, o Sr. Miguel, de volta a suas obrigações de cozinheiro oficial, levou um lanche para o capitão em sua cabine. Foi o primeiro momento que Esmeralda teve a sós com ele.
Sentados à mesa, Roxton se dedicou a devorar o que estava à frente sem sequer olhar para a morena, que tomou apenas um pouco de café.
"Quer me dizer o que realmente aconteceu hoje? Eu não acreditei em uma só palavra da história que contou a todos." - Esmeralda perguntou lentamente, mas de maneira confiante. Ele teria de ouvi-la de qualquer jeito.
"Tem coisas que você, como mulher, não entenderia." - Ele resmungou com a boca cheia, ainda sem olhá-la.
"É mesmo? Talvez eu possa entender se você puder explicar. Posso parecer, mas não sou nada burra." - apesar de ter soado irônica, tudo que Esmeralda desejava era não deixá-lo mais irritado.
Roxton parou de comer para fitá-la por um instante. E seu olhar estava carregado de raiva - "Se você comentar o que vou dizer com alguém, eu te mato, entendeu?"
"Sim!" – ela engoliu em seco sentindo que ele falava sério.
"Hoje de manhã vi aqueles dois... no meu navio, bem debaixo do meu nariz! Fazendo... você sabe, como... dois 'mariposones'!" - Ele falou baixo e, pela primeira vez, ela viu Roxton se constranger com alguma coisa. Tentou manter a compostura porque, apesar de tudo, não deixava de ser engraçado.
"Não vejo a menor graça nisso, Esmeralda." - ele reclamou.
"Eu tampouco. E é por isso que vamos resolver essa história agora. E não será com castigos físicos." - ela se levantou.
"O que pensa que está fazendo?" - ao se dar conta, Esmeralda retirava uma adaga de seu cinto e antes que pudesse impedi-la, saiu porta afora.
Ouviu que algum pirata tentou dizer algo a ela, ao que Esmeralda assumiu um tom de voz firme e decidido - "Saia da minha frente, o capitão aguarda os dois em sua cabine. Se quiser, pergunte a ele."
Em seguida, de cabeça baixa, entraram 'Angelo' e Gibraltar. Esmeralda tratou de fechar a porta e fazer sinal para que se sentassem à mesa.
"Eu não vou dividir a mesma mesa com esses... esses depravados."
"Sente-se agora, Roxton!" – Esmeralda ordenou e ele obedeceu.
"Muito bem, é assim que pessoas civilizadas resolvem seus conflitos, cavalheiros. Roxton me contou que os viu em situação... digamos... íntima... e pensa que são 'maricones'. Gibraltar, quer fazer o favor de dizer a verdade?"
"Você sabia dessa pouca vergonha o tempo todo?" - Roxton começou, mas desta vez, foi Anita quem interveio.
"A culpa foi toda minha, capitão" - demorou alguns segundos para John compreender que aquela voz feminina pertencia ao garoto - "Eu era criada de Esmeralda em sua casa e, quando foi trazida para cá, eu a segui para cuidar dela. Gibraltar também achava que eu era um homem, mas ele descobriu alguns dias atrás, nos apaixonamos e... o resto da história, já conhece."
O comandante pensou, outra vez, que os dois bem mereciam ser açoitados até a morte. Por outro lado, Esmeralda tinha razão: a queixa era os dois serem 'maricones' e, de fato, não eram. Também não deixou de admirar a coragem e o sentimento de lealdade da jovem por sua patroa. Claro, ficou desconfiado que ela ainda pudesse vir a ajudar Esmeralda a fugir, o que não permitiria de modo algum, mas com isso se preocuparia depois.
"Definitivamente vocês dois deveriam ser jogados aos tubarões."
Gibraltar segurou a mão de Anita enquanto os dois, juntamente com Esmeralda, aguardavam nervosos o veredito do capitão.
John arqueou a sobrancelha - "E agora, o que faremos com duas mulheres a bordo?"
No dia seguinte, o navio partiu rumo ao ataque do galeão espanhol.
Para a segurança de Anita, ficou estabelecido que ela manteria sua identidade falsa ao menos até retornarem da empreitada, quando então pensariam em como resolver sua situação.
Porém, o capitão ressaltou que não permitiria mais nenhuma cena como a que presenciou. Poderia ter sido qualquer outro a flagrá-los e, caso isso viesse a acontecer, a situação ficaria bastante complicada. No fim, Roxton apenas disse que se enganou em relação ao roubo e o assunto se deu por encerrado.
John deu ordens expressas para que Esmeralda e Anita se escondessem no porão do navio assim que o ataque começasse. Ele chegou a cogitar a hipótese de desembarcar Esmeralda, para não expô-la ao perigo. Entretanto, egoísta ou não, temeu por deixá-la com qualquer pessoa, o que poderia levar à repetição do que aconteceu com Pepe... além do mais, apertava-lhe o coração pensar em deixar sua 'leoa'.
Quanto mais navegavam, o clima se tornava mais tenso, pesado. O vento fresco e o céu azul, sem nuvens, quase conseguiam disfarçar o perigo que estava por vir, latente.
Até que o momento chegou. Ansiado durante toda a viagem e, ao fim, mais rápido do que os sentidos, em alerta, esperavam.
"Tomem suas posições! Preparem os canhões! Homens, ao meu comando!" - Roxton gritou ao ver um pequeno ponto naquele horizonte pacífico: o galeão espanhol.
Sabendo que era esse o sinal para se esconderem, Esmeralda desceu para o porão em busca de um esconderijo, acompanhada de 'Angelo', não sem antes trocar um último olhar com John Roxton.
Diferente da vez em que ele viajou, agora Esmeralda pensava muito menos em seu destino caso algo viesse a acontecer com Roxton. Estava mais preocupada com ele. Apenas isso.
A preocupação cresceu mais ainda quando, escondida com Anita num quartinho escuro, ouviam os tiros de canhões e armas de fogo, lâminas de espadas chocando-se e os gritos e ordens, em inglês e espanhol.
Tudo começou com os tiros de canhões e algumas manobras, tudo que aqueles imensos navios podiam permitir com seu tamanho. Roxton dava ordens sem parar, muito atento a tudo, a cada mínimo detalhe. Tinha muita segurança no que fazia e, se Esmeralda pudesse vê-lo nesse instante, teria ficado muito orgulhosa de suas habilidades como capitão.
Logo, o confronto tornou-se inevitável, já que os espanhóis não deram o menor sinal de que se renderiam, e ambos os barcos se tocaram lateralmente, permanecendo assim, quando então começou a troca de tiros.
Os homens de Roxton começaram a jogar cordas no navio espanhol, laçando os mastros e unindo os dois navios. Só se separariam quando um dos lados vencesse.
O convés dos dois navios se transformou em um grande campo de batalha, onde o caos reinava absoluto. Enquanto os espanhóis lutavam com classe, como que seguindo as técnicas aprendidas nas aulas de esgrima e tiro ao alvo, os piratas lutavam com o que sabiam na prática, graças aos anos que seguiam nesta vida de saques e pilhagens. Além disso, eram muito mais ousados e não aparentavam ter medo da morte.
Somente quando o capitão espanhol foi morto é que seus soldados se renderam.
Roxton aproximou-se do cadáver de seu oponente, o qual ele venceu numa luta justa de espadas e deu um pequeno chute, certificando-se que, de fato, estava morto. Retirou um pequeno anel do dedo do defunto e o colocou em seu dedo menor, como um símbolo da vitória absoluta.
Os espanhóis que aceitaram a rendição foram devidamente amarrados para o caso de ainda tentarem alguma besteira. E em pouco tempo, os piratas levaram todo o ouro que encontraram no navio, bem como as armas e munições. Quando já não havia mais o que levar, deixaram os espanhóis em seu navio e se dirigiram de volta à Inglaterra.
Gibraltar e Roxton foram atrás de Anita e Esmeralda, ficando surpresos de quão assustadas elas estavam. É claro que para o grupo, aquilo fazia parte de sua rotina e já não os sensibilizava tanto, mas as moças nunca haviam estado em tamanha confusão.
Gibraltar abraçou Anita que não se conteve o olhando e tocando para ter a certeza de que ele não estava ferido.
"Eu estou bem." – garantiu ele, beijando-a ardentemente.
Quando Roxton estreitou Esmeralda nos braços, os lábios tocando sua cabeleira negra, sentiu-se um pouco culpado por impor sua vida de tal maneira a ela. Pela primeira vez, parou para pensar na mudança que causou na vida de Esmeralda e o quanto ela o havia mudado. Jamais uma mulher o fizera querê-la tanto. Afinal, como ela lhe perguntou semanas atrás, o que faria quando se cansasse dela? Para ele, estava claro que esse dia não chegaria, era-lhe inconcebível pensar em um único dia sem tê-la para si, e foi exatamente o que o irritou. Desejava que ela ficasse, ou melhor, que quisesse ficar tanto quanto ele a queria com ele. Mas, no entendimento de John, ela não parecia compartilhar de seus planos.
Também pensava no que seria de Esmeralda se algum dia ele lhe faltasse, se morresse... E pela primeira vez, considerou que, talvez, deixar o mar não fosse tão assustador assim como pensava antes.
À noite, após o saque, os piratas fizeram uma comemoração com os poucos recursos que havia no navio. Entretanto, o melhor foi quando voltaram à terra: ancoraram o navio próximo a uma praia deserta, já na Inglaterra, antes dos corais, e desceram para comemorar.
Esmeralda e Anita consideraram a comemoração muito justa: era uma quantidade imensa de ouro e pedras preciosas, mesmo os piratas, acostumados a saques, nunca tinham visto um valor tão grande reunido de uma única vez.
Roxton deixou dois de seus homens de confiança no navio, apenas para o caso de alguma emergência, o que era pouco provável considerando-se estarem em local distante. Caso houvesse algum problema, os homens imediatamente soariam o alarme.
Na praia, todos se divertiam ao som de um violão que era tocado por um dos marujos, enquanto assavam alguns peixes e bebiam rum.
Para a surpresa de Esmeralda, John a tirou para dançar e era exímio dançarino. Quando ela já estava praticamente sem fôlego, Roxton a rodopiou, arrancando gargalhadas de ambos.
Pouco depois, Esmeralda não se sentiu bem do estômago e pediu para voltarem ao navio, mas ninguém dava o menor sinal de cansaço, nem mesmo Roxton.
"Eu irei daqui a pouco." - Roxton beijou-a nos lábios - " 'Angelo' irá levá-la."
Esmeralda sorriu, feliz com o voto de confiança dado a ela. Há algum tempo já havia deixado de lado o desejo de escapar.
Em pouco tempo, o pequeno barco chegou ao navio, que estava no mais completo silêncio. A duas acharam estranho, mas imaginaram que os guardas tivessem descido para o porão.
Anita ainda esperou Esmeralda entrar na cabine e, assim que fechou a porta, a morena ouviu o som de algo ser jogado à água e um braço envolveu sua cintura por trás. Uma mão tapou-lhe a boca, abafando o seu grito de alarme. Chutando e unhando, Esmeralda tentou livrar-se. Outro homem aproximou-se rapidamente, com uma corda na mão. Com os pulsos fortemente amarrados, ela foi arrastada para um barco atracado do outro lado do navio, que não podia ser visto da praia.
Com assombro, viu num canto escuro do navio os dois homens que deveriam estar de guarda, caídos no chão, rodeados de sangue.
A mão que lhe tapava a boca mal lhe deixava ar para respirar. O pouco que Esmeralda conseguia inspirar vinha maculado com um odor fétido da mão. Ela dilatava as narinas, tentando absorver o oxigênio, mas a respiração era ofegante, devido ao medo e ao esforço.
Quando a mão foi retirada, Esmeralda tentou gritar - "Rox..."
Um lenço sujo foi enfiado brutalmente em sua boca, quase a sufocando. Outro pedaço de pano foi amarrado ao redor da cabeça, para manter a mordaça no lugar.
Ao ser jogada à força na pequena embarcação, onde outro homem os aguardava, Esmeralda viu quem a havia agarrado: Pepe. Pareceu-lhe que tudo acabou conduzindo a esta situação, desde o dia em que ele a trouxe. A terrível sensação de inevitabilidade assustou-a.
O sorriso obsceno parecia estar gozando do terror nos olhos verdes dela, os dentes quebrados e amarelados semelhantes às presas de um cão faminto.
CONTINUA...
E agora, quem poderá nos defender? :o
