Capítulo 11
O ÚLTIMO ENCONTRO
:: Bella's POV ::
31 de Outubro de 2009
- Ai, Bella. Eu estou tão feliz por você ter decidido comemorar o Halloween com a gente esse ano. – Ângela comentara pela quinta vez aquele dia, enquanto rodava à frente do espelho para ter uma visão total da sua fantasia rosa de princesa.
- É verdade, Bella. E nós vamos nos divertir muito hoje. – Jéssica concordara enquanto retocava a maquiagem roxa para combinar com a sua fantasia de bruxa da mesma cor.
Como se eu estivesse mesmo com intenção de comemorar essa festa ridícula. Tudo bem que era meu aniversário de dezessete anos, mas eu só estava ali na casa de Jess para não passar o dia com Charlie e Renée se lamuriando pelos cantos por achar que aquela poderia ser a minha última noite com vida.
Mal sabiam eles que meu destino já estava certo.
Então eu inventei para as meninas que estava com vontade de ficar com elas naquele dia e sair à noite para curtir, mas me livraria delas no segundo seguinte em que pisássemos na rua.
- Bella, você tem certeza que não quer uma fantasia de bruxa minha emprestada? – Jessica perguntara encarando a minha fantasia com o cenho franzido.
- Ou a minha de anjo que usei no ano passado? – Ângela perguntara fazendo quase a mesma expressão que Jess – Tenho certeza que cabe em você.
- Tenho sim. Obrigada. – acrescentei com um sorriso amarelo, voltando a folhear a revista impaciente.
Não havia nada de errado com a minha fantasia de Alice do filme Resident Evil 3. Era exatamente o tipo de fantasia que eu precisava essa noite. Era prática, confortável e ainda me deixava com a aparência de uma justiceira. Melhor impossível.
E as minhas kukri dariam o toque final. Elas estavam guardadas na caixa de madeira ao meu lado e eu me recusara a abrir quando as meninas pediram, deixando-as curiosas, mas eu tinha certeza que a curiosidade seria substituída pelo choque quando elas vissem o que tinha ali dentro.
E foi exatamente como eu imaginei. As duas gritaram de susto quando eu peguei as kukri e as prendi no cinto e ficaram me olhando de boca aberta por um longo tempo, até que eu estalei os dedos na frente dos seus rostos chocados e sorri gentilmente.
- É de brincadeira, meninas. – menti. – Faz parte da fantasia.
Eu não sei se elas acreditaram, mas também não ia perder tempo checando isso. Já passava das nove da noite e eu só tinha mais três horas para fazer cumprir a profecia.
- Vamos ou não? – perguntei, parando na porta do quarto de Jess e elas saíram do transe lentamente e andaram até mim depois de pegar suas bolsas.
Vesti o sobretudo que fazia parte da fantasia, jogando minha mochila nas costas e finalmente chegamos à rua, mas a área ali ainda estava pouco movimentada, com apenas algumas pessoas que passavam por nós fantasiados e eu tive que esperar até chegarmos na avenida principal para escapar do falatório constante das duas.
Quando chegamos na avenida, eu aproveitei o primeiro aglomerado para me livrar delas, me escondendo nas sombras até que elas estivessem longe o bastante e estavam tão concentradas na conversa que nem deram pela minha falta. Só então eu saí do esconderijo e comecei a correr na direção contrária, indo ao encontro de Edward para acabar com tudo de uma vez por todas.
Eu corria pelas ruas, apressada para sair de perto de toda aquela festa maluca onde as pessoas se fantasiavam de monstros. Se eles conhecessem metade dos monstros que eu já tinha visto, tenho certeza que nunca mais iriam comemorar o Halloween.
Quando as ruas foram ficando mais desertas eu senti a presença de Edward me seguindo, mas não era ali que eu queria enfrentá-lo. Apenas olhei ao redor para ver onde ele estava, mas não consegui achá-lo. Parei de andar e imediatamente vi uma sombra se projetando na calçada. Olhei para cima e vi Edward parado no parapeito de um prédio não muito alto, olhando diretamente para mim.
Respirei fundo e voltei a correr, sentindo que ele me seguia do topo dos prédios, às vezes conseguindo ver sua sombra refletida na calçada novamente e sorri internamente com aquilo.
Era estranho saber que ele estava me seguindo para a morte. Para a morte dele. Mas ao mesmo tempo eu sentia uma sensação esquisita de alívio por saber que ele estava ali perto de mim.
Mesmo ele nunca aparecendo nesses últimos meses, eu sempre me sentia bem quando sentia a presença de Edward me rodeando.
Continuamos a correr, saindo da parte mais movimentada da cidade, virando esquinas, descendo e subindo ladeiras, até que as casas e prédios foram substituídos por árvores e Edward continuou me seguindo escondido nas sombras da floresta.
Entrei por uma trilha lateral e só diminuí o passo quando cheguei a uma clareira ampla e iluminada pela luz da lua quase cheia.
Tirei a mochila e o sobretudo, colocando tudo num canto perto de uma árvore e só então me voltei para Edward que já estava parado do lado oposto da clareira.
- Você mudou de idéia? – perguntei, posicionando melhor as kukri nas minhas mãos.
- Ia perguntar a mesma coisa.
- Eu vou cumprir com a profecia, Edward.
- E eu vou permitir que você o faça. – ele sussurrou com um sorriso, mas o sorriso não chegava aos seus olhos dourados.
Uma dor que eu não consegui entender oprimiu meu peito e eu contive o impulso de me curvar com a dor.
- Posso te pedir apenas uma coisa?
- Tudo menos lutar contra você. – ele murmurou em resposta.
- Se defenda. – pedi no mesmo tom baixo que ele usava.
- Mas...
- Você não quer lutar? Problema seu. Mas eu te peço que ao menos se defenda.
- Nós dois sabemos onde isso vai acabar, Bella. Para quê prolongar mais?
- Você disse que faria qualquer coisa. – lembrei.
Edward continuou me encarando e depois de alguns segundos assentiu devagar.
- Tudo bem.
E era só o que eu precisava para começar a atacá-lo.
Longos minutos, talvez até horas, se passaram enquanto eu atacava Edward com tudo que tinha aprendido com ele naquele galpão, e ele se defendia com a mesma intensidade. Não me deu mole algum e eu o agradecia por isso.
Algumas vezes consegui machucá-lo, não tão seriamente quanto deveria e em outras eu acabava me machucando sozinha ao ir de encontro a alguma árvore quando ele desviava rapidamente dos meus ataques. E foi em um desses ataques mal calculados que eu perdi uma das kukri quando me desequilibrei e a arma voou para perto de onde Edward estava agora.
Me preparei para voltar a atacá-lo com a kukri que restava em minha mão, mas estava há apenas poucos metros dele quando aquela dor voltou com toda força e eu parei a sua frente, interrompendo o ataque.
