Capítulo 11 – Os Comensais da Morte.
Tom estava na sala de Slughorn e aguardava a chegada de todos os integrantes. Com ajuda de Erin e Malfoy, procurou no livro de feitiços de Dumbledore como que se arrumava uma sala para batalhar, como no Clube dos Duelos do primeiro ano.
Havia conseguido de forma louvável. O chão estava coberto de tatames verdes, e almofadões pratas com detalhes verdes estavam em diversos pontos.
Finalmente as pessoas se sentaram nas almofadas e Malfoy trancou a porta. Olhou em volta para conferir se todos estavam ali.
- Muito bem. Hoje começaremos com as aulas de feitiços das Trevas. Vamos começar com o Feitiço do Bicho-Papão.
Várias pessoas fizeram muxoxo e expressões de desagrado.
- Vamos aprender como se prende um bicho-papão ou como o derrotamos? Já aprendemos isso em DCAT. – Wilkes perguntou.
- Claro que não é isso. Tem esse nome porque é um feitiço que causa o mesmo efeito do bicho-papão. A pessoa atingida pelo feitiço vê seu oponente como seu pior medo e perde as forças para lutar contra ele. Bastante útil.
Dessa vez os burburinhos foram de aprovação.
- Mas antes de ensiná-los quero deixar bem claro: nada de ficarem usando os feitiços, que eu ensinar aqui, nos corredores de Hogwarts como se fossem simples azarações. Quem for pego por um professor por causa de algum dos meus feitiços, será expulso do grupo. E acho que todos vocês querem ser mais poderosos e saber feitiços que mais ninguém saberá, não é?
Todos concordaram.
- Ótimo. Vamos começar.
Dolohov levantou a mão.
- Como você já sabe esse feitiço?
- Treinei essa semana toda com Malfoy e Leah. – falou de forma rápida. – Mais alguma dúvida?
- Onde você arranjou ele? – o garoto continuou.
- Vamos começar? – o ignorou.
- Por que não quer responder? – Tom o olhou de forma rígida e o garoto engoliu em seco. – Perdão, Milord.
- A palavra é Mumus. Significa bicho-papão em húngaro, pois foram os húngaros que descobriram esse animal e ainda criaram o feitiço baseado em seu poder. Vocês devem apontar a varinha duas vezes após falar Mumus, como se fossem estocadas de esgrima. Assim. – virou para Malfoy e ele tremeu um pouco. Havia odiado esse feitiço e nunca conseguia atingir Tom para poder ficar "quite". Até agora Tom não sabia o que mais temia, pois não haviam conseguido atingi-lo. – Mumus! – deu duas estocadas e Malfoy arregalou os olhos e ficou paralisado de medo.
- P-por favor...para... – Tom o observou durante um tempo, se deliciando com a tortura que ele estava sofrendo. Aproximou-se e Malfoy se afastou. Parecia prestes a sair correndo. – Por favor...
Esperou mais um tempo e então, sorrindo, disse:
- O contra-feitiço é Pastrim. Significa purificação em albanês. Os albaneses, que eram inimigos dos húngaros na guerra bruxa de 1892, que inventaram o contra-feitiço. Os próprios atacantes que vão ter que dizer o contra-feitiço. – apontou a varinha para Abraxas e disse: - Pastrim.
- Como na guerra eles faziam então? – Debra perguntou.
- Seus companheiros tinham que ajudar. A pessoa fica totalmente impotente. – eles começaram a ficar tensos. Tom olhou os assustados integrantes. – Conseguem lembrar-se das palavras? Repitam em voz alta então, sem as varinhas.
Todos falaram "Mumus" e depois "Pastrim".
- Muito bem, dividam-se em duplas.
As horas foram se passando lentamente. A sala se encheu de pessoas dizendo o feitiço e de alguns gritando de pavor. De início, os que primeiro atingiram sua dupla acharam divertido torturar o outro, até que viesse sua vez e a diversão terminava.
Vários deles ficavam fechando os olhos, gritando ou até correndo para longe e Tom sorriu com isso. Ele, Malfoy e Erin ficaram apenas andando pela sala e ajudando o aperfeiçoamento dos outros.
Tom parou diante de Scott e sua dupla, Debra, para ver como estavam se saindo. Scott havia acabado de ser acertado por sua parceira e seus olhos se arregalaram. Ele parecia confuso ao mesmo tempo em que tremia de medo.
Tom se aproximou um pouco mais, curioso, pois essa era a reação mais diferente que ele havia visto.
- Daniel, você...? – começou. O menino virou-se para ele e pareceu ainda mais surpreso. Afastou-se e apontou de Debra para ele.
- Dois...? Por que tem dois de você...?
Tom não entendeu. Dois? Olhou para trás e procurou algum engraçadinho que pudesse estar confundindo Scott.
- Mas...você é meu amigo...então por que sinto esse medo? – engoliu em seco e se afastou mais.
Então Tom entendeu. De alguma forma, a memória que Tom alterou ainda continuava em seu subconsciente e estava se manifestando agora. Provavelmente, Tom havia sido o que mais assustou Scott na vida, e mesmo ele não lembrando disso, involuntariamente seu cérebro produziu sua imagem em Debra. E ele sentiu medo, mesmo sem saber o porquê.
- Lord, do que ele está falando? – Debra perguntou. Era uma menina inteligente e Tom não podia correr o risco dela entender o que estava se passando. Pegou sua varinha e apontou para Scott.
- O que está fazendo? – Scott se afastou e empunhou sua varinha também.
- Eu vou só usar um contra-feitiços.
- Fica longe de mim!
- Pas...
- Mumus! – Scott gritou e atingiu Tom que quase caiu para trás com a força do feitiço. Sua cabeça começou a rodar e as pessoas ficaram em silêncio. Não sabia se isso fazia parte do feitiço ou se elas estavam observando a reação de seu líder.
Fechou os olhos tentando manter o foco e quando os abriu, viu Dumbledore à sua frente.
Tomou um susto e deu um pulo para trás, tropeçando na almofada e caindo em cima dela.
- Você... – engoliu em seco. – Como você entrou aqui?
- Se acha muito esperto, não é? – Dumbledore tinha um sorriso maléfico, coisa que nunca havia visto antes. – Você não é nada. Tenta ser mais poderoso do que eu, mas não chega aos meus pés. Nunca vai chegar.
- Cale a boca! Eu...eu não tenho medo de você. Não tenho medo de nada.
- Tem sim. Tem medo de fracassar. De se tornar mais um enquanto meu nome será lembrado eternamente de forma gloriosa. Todos me amam, todos me adoram, todos me admiram e todos me temem.
- Cale-se.
- Você tem medo que eu leia todos os seus pensamentos e os exponha, não é? Nunca será um bom oclumens. Não o suficiente para me deter. E nunca será um excelente legilimens. Não como eu.
Dumbledore parecia ter entrado em sua mente e Tom sentiu como se todas as suas lembranças estivessem sendo roubadas.
O seu coração estava disparado e sentia uma enorme raiva em um misto de terror. Sentia a varinha sendo apertada em sua mão direita, mas não conseguia empunhá-la e muito menos lembrar de qualquer feitiço.
- Você vai morrer por minhas mãos e sem ter se destacado em NADA. Patético. Avada Kedavra!
- Não! – a sala voltou a girar e Tom fechou os olhos. Então aquilo era morrer? Não sentia nada de diferente.
Estava tudo silencioso e ele não tinha coragem de olhar em volta. Abriu os olhos aos poucos.
Todos estavam em volta dele, em silêncio. Scott de olhos arregalados. Leah e Abraxas a sua frente com semblante de preocupação.
- Milord? – Leah perguntou.
- O que aconteceu?
- Assim que Scott te acertou, usamos o contra-feitiço nele. Ele tentou falar contigo, pedir desculpas e outras coisas, mas você só o mandava se calar. Até que ele usou o contra-feitiço.
Então toda aquela conversa também fora sua imaginação. O feitiço distorcia o que a pessoa dizia para poder condizer com o medo. E o avada kedavra era na verdade o pastrim.
Mas algo ainda não estava certo...
Levantou-se zonzo e tentou se recompor.
- Mas...você disse que a pessoa ficava sem reação e não conseguia lutar. Scott confundiu você com o atacante e usou o feitiço. – Debra disse, desconfiando de algo.
- Bem...não sei como ele conseguiu. Talvez por ter sido comigo. O enfeitiçado não deve conseguir atacar aquele que o enfeitiçou, mas deve poder fazer isso com outros.
A menina não parecia convencida.
- E por que ele te confundiu? Quero dizer, pelo que você falou, ele vê apenas a pessoa que o azarou como seu pior medo, não?
- Bem... – sua cabeça parecia que ia explodir e já estava cheio daquela espertinha e suas perguntas inconvenientes. E naquele momento estava bem difícil de conseguir inventar mentiras. - ...você deve ter feito errado! Tem que treinar mais.
- Ora! – ela parecia ofendida. – Eu nunca erro.
- Parece que dessa vez errou. – a olhou irritado. – Vamos terminar por hoje. Amanhã vamos voltar a treinar.
As pessoas começaram a sair sem dizer nada, mas todas transmitiam a impressão de que Tom não devia ser um líder tão bom, por causa de suas vagas respostas.
Ótimo, pensou. Agora que os tinha convencido de que era um bom líder, fez esse vexame.
E ele sabia que o motivo de Scott ter conseguido atacá-lo foi justamente a confusão que se deu com seu subconsciente. De alguma forma aquilo deve ter influenciado e modificado a maneira como o feitiço agiu.
Enquanto os alunos iam saindo, sentou-se em uma cadeira e ficou pensando no que acabara de acontecer.
Leah e Abraxas sentaram-se ao seu lado.
- Está tudo bem? – a garota perguntou.
- Sim.
- Tem certeza? – Abraxas estava hesitante.
- Já disse que sim. – coçou a cabeça. Ela latejava terrivelmente.
- Bem, se quiser, o deixaremos sozinho.
- Seria esplendoroso. – falou sem emoção na voz.
- Mas antes de ir, tem algo que talvez te anime. – Leah sorriu e esperou ansiosa a permissão de Tom para que falasse. Ele suspirou cansado.
- Eu duvido, mas enfim...diga.
- Eu e Abraxas conseguimos pensar em um nome para nosso...digo, seu clube.
Tom realmente pareceu mais animado e levantou a cabeça de forma brusca. Isso a fez doer ainda mais, porém tentou ignorar.
- Qual?
Ela olhou Abraxas, sorrindo, e respondeu triunfante:
- Os Comensais da Morte.
Hey!
Desculpem-me não ter postado semana passada, mas agora estou aqui \o/
Vou deixar pra comentar os reviews semana que vem porque to meio enrolada aqui. Só postei hoje porque eu não ia deixá-los mais uma semana sem capítulo. Vocês iam me matar rs ou pior: me abandonar. ("Ela tem que decidir o que é prioridade" by Rony Weasley rsrs)
Espero que gostem do capítulo onde aparece o pior medo do grande Lord Voldemort e a nomeação do grupo como Comensais da Morte!
Beijos e até mais!
