Golpeado
Eles estavam a meio caminho do Lincoln quando o atendente gritou adicionando: "Um Lincoln com um buraco grande no porta-malas se destaca!"
Eric olhou para o metal retorcido, mas deu de ombros nem um pouco preocupado. Eles estavam perto de Bon Temps e não teriam de parar novamente. No momento que entrou no carro notou que Sookie tinha limpo seu pescoço ensanguentado no banheiro da loja de conveniência. Ele manobrou se afastando do posto e voltou para a estrada que os levaria de volta a I-20. Pelo espelho retrovisor viu dois carros da polícia encostando no estacionamento do posto de gasolina, as sirenes ligadas.
"Ele está certo", disse Sookie.
"Eu deveria ter pego a pickup", ele respondeu facilmente. Era tarde demais agora e isso não o preocupava.
"Como está o seu rosto?"
Ele passou a mão pelo rosto, que já não estava doendo. Sentindo as pequenas marcas deixadas em sua pele pela rede, que estavam desaparecendo rapidamente. "Está ficando melhor", disse ele.
Houve um momento de silêncio e então ela perguntou com cuidado, "O que aconteceu?"
Outro carro de polícia indo sentindo contrário passou por eles, iluminando o rosto de Sookie em vermelho e azul, quando ele se virou para olhar para ela. Ele desviou o olhar para a estrada e disse-lhe rapidamente o que tinha acontecido, até a parte que jogaram a rede sobre ele.
"Sua mente deveria estar em outro lugar", ela murmurou.
Ele continuou a olhar para a frente. "Sim, estava." Sua mente estava "em outro lugar", desde que ela entrou no Fangtasia.
"Então o que aconteceu?", perguntou ela.
"O mais forte me bateu com a coronha da arma, e isso me levou um pouco de tempo para me recuperar."
"Eu vi o sangue."
"Sim, eu sangrei", disse ele, tocando no local onde tinha sido golpeado. Depois explicou como havia escapado da rede.
"Daí você ficou livre?"
A entonação dela solicitava pela continuação, então ele disse a ela sobre ir até a torneira e depois encontrá-la. Ele olhou para ela, mas ela parecia não ter nada a dizer em resposta. "Diga-me o que aconteceu na loja", disse ele, por fim.
"Eles me confundiram com outra mulher que entrou na loja, ao mesmo tempo em que fui ao banheiro feminino", disse ela. Lembrou-se da outra loira que tinha caminhado com ela. "Eles não pareciam ter certeza de que eu estava na loja", continuou ela, "e o atendente estava dizendo a eles que havia entrado apenas uma mulher, e que ela tinha ido embora. Eu sabia que ele tinha uma espingarda na caminhonete dele -Você sabe, eu o ouvi pensando nela - e eu fui até lá e a peguei, furei os pneus da caminhonete deles e fui procurar por você . Porque eu percebi que algo tinha acontecido com você . "
Ela estava pedindo para morrer? E que tipo de protetor era ele se era ele quem precisava ser salvo? Ele apertou a mandíbula . "Então você planejava salvar a mim e o atendente, ao mesmo tempo?"
"Bem ... sim", ela respondeu, como se nada pudesse ser mais óbvio ou lógico . "Eu não achei que tivesse muitas opções naquela hora "
Ele não disse nada. O fato de que ela não tinha escolha - o fato de que ela tinha que se colocar nessa posição perigosa - era porque ele tinha sido descuidado. Mesmo que seria impossível protege-la se ela mesma não presava por sua própria segurança.
Eles ficaram em silêncio por cerca de quinze minutos, antes de Sookie falar novamente. "Você não parece muito feliz com alguma coisa."
Ainda assim, não lhe respondeu. Ele não sabia o que dizer. Pedir desculpas por ficar tão distraído com ela e deixar dois desastrados, candidatos a assassinos, lançar uma rede de prata em sua cabeça? Repreende-la por insistir em salvar o atendente da loja, que não significava nada para eles? Outros trinta minutos de um silêncio desconfortável se estendeu entre eles.
"Haveria algo de errado com o fato de tentar resgatar vocês dois?", Sookie pressionou, quando eles passaram por Bon Temps.
A estrada dela estava uma desgraça, com buracos profundos que poderiam causar estragos em qualquer alinhamento de carro. Ele cerrou os dentes e xingou em voz baixa. Ela estava olhando para ele com expectativa e sabia que não poderia evitar responde-la por mais tempo.
"Sim, tem algo de errado com isso", ele disse a ela, embora seu orgulho não lhe permitisse elaborar. Ele desligou o carro. "E por que diabos você não manda consertar a estrada para sua casa ?" Oh, ótimo! Desconte sua raiva nela.
Ela abriu a porta do carro e ele seguiu o exemplo. Por um momento, eles se olharam por cima do carro, em seguida, ela caminhou em torno dele para encará-lo, seus olhos brilhando. Eles também estavam marejados e ele se sentiu imediatamente arrependido.
"Porque eu não posso pagar, por isso!" disse ela, a beira da histeria. "Eu não tenho DINHEIRO! E vocês continuam me pedindo para tirar uma folga do meu trabalho para fazer coisas para vocês! Eu não posso! Eu não posso mais fazer isso! Eu me demito!"
Se eles apenas estivessem totalmente ligados pelos laços de sangue, ele poderia acalma-la. Se ela não parecesse tão disposta a enfiar uma estaca nele neste momento, ele poderia puxa-la para seus braços e confortá-la. Ele mencionou o nome de Bill com cuidado, o que certamente não ajudou.
Seus olhos se estreitaram enquanto ondas de raiva rolavam fora dela. "Ele está gastando todo o DINHEIRO dele com os Bellefleurs . Ele nunca, nunca se preocupa em me dar dinheiro." Ela ergueu o queixo e encontrou seus olhos desafiadoramente. "E como eu poderia aceita-lo? Isso me tornaria uma aproveitadora e eu não sou a puta dele . Eu sou sua ...", Sua voz falhou. "Eu costumava ser sua namorada." Sozinha, sozinha, sozinha, o sangue dela gritou para ele, o que era fisicamente doloroso.
Por que ela não podia ver ou aceitar que o presente de um amante não fazia dela uma prostituta? Se ela fosse sua, ele iria adora-la e rega-la com presentes, e não como uma espécie vulgar de pagamento, mas porque lhe daria prazer. Sem dúvida, Bill não tinha mudado. Antes que ele pudesse expressar isso em voz alta, ela tinha mudado o assunto.
"De onde você tirou aquilo, quando disse antes que eu era a sua ... a sua futura namorada?" Ela corou rosa. "De onde foi que saiu isso?"
Esse tema não seria o tópico da discussão no momento. Então ele respondeu-lhe no que esperava que fosse uma voz calma, relaxante. "O que aconteceu com o dinheiro que você ganhou em Dallas?"
Uma lágrima escapou do canto do olho dela, mas ela pareceu não notar. "Eu paguei meus impostos sobre a propriedade com ele."
Ele a olhou com um misto de surpresa e afeto. "Você já pensou," ele disse lentamente, "que se você me dissesse onde Bill está escondendo seu programa de computador, eu daria a você qualquer coisa que você quisesse?" ,Eu faria isso de qualquer maneira, se você permitisse. "Você não se deu conta que Russell teria pago generosamente a você ?", Ela ficou sem folego com a honestidade indignada e ele sorriu para ela. "Vejo que você não pensou nessas coisas."
"Oh, sim, eu sou simplesmente um anjo", ela retrucou. "Alguém está esperando em minha casa, Eric."
Ela afastou-se dele chegando próximo da velha cadeira de balanço na varanda, enquanto ele permaneceu em silêncio como um idiota, sua mente incapaz de pensar em qualquer coisa. Mas então a compreensão o esbofeteou na cara exigindo sua atenção.
"Sookie!" ele gritou, já correndo em sua direção.
Mas já era tarde demais. Ela abriu a porta e alguém dentro da casa escura a golpeou com um objeto, que ele não pode reconhecer. Ele rosnou, suas presas se estendendo, quando ela caiu no chão. Ele correu em direção da casa, mas foi parado pela dor de duas balas quando elas rasgaram sua perna e seu peito. Xingando, ele correu para a cobertura das árvores e pegou seu telefone celular.
"Mestre?", Pam respondeu. "Você está b-"
"Pam, quem está perto de Bon Temps? Eu preciso saber agora."
Ela reconheceu seu tom e não pediu por mais explicações. "Bem, Bill. Ele ligou há pouco para ver se você estava de volta. Acho que ele está indo direto para Sookie. Pode ser que já esteja lá ."
Perfeito. Pam não ficaria ofendida que ele desligou na cara dela, não que isso importasse. Ele fechou o telefone e empurrou-o no bolso. As balas tinham caído fora dele e suas feridas estavam começando a se curar. Bill apareceu ao seu lado assim que ele se arrastou para a varanda escura. Eles acenaram um para o outro e então Eric abriu a porta.
Com um rugido ele agarrou a primeira pessoa que viu e rasgou a garganta do homem para fora. Não haveria misericórdia para qualquer um desses filhos da puta. Num acesso de raiva cega ele rasgou vários outros corpos, quase não poupando um olhar para seus rostos. Bill foi tão cruel quanto e o trabalho foi realizado num piscar de olhos. Ele ficou surpreso consigo mesmo por pensar com alívio que esta parte da casa de Sookie não era acarpetada.
Ambos correram para ela. Ela estava coberta de sangue. "Sookie?" disse ele ansioso. "Sookie?", Ele pressionou os dedos no seu pulso. "Será que precisamos levá-la ao hospital?" ,Ele não detectava nenhum sentimento - nada - dela.
Bill sentiu o pulso em seu pescoço e olhou visivelmente aliviado. "Seu pulso está forte. Eu vou muda-la de posição."
Ele enviou uma oração silenciosa aos deuses que, provavelmente, não existiam. "Ela está viva?"
"Sim."
Eric inclinou-se mais próximo tentando ver seu rosto. "Esse sangue é dela?", Ele não via nenhum ferimento, e com todo o sangue derramado em torno deles, era difícil isolar o puro e doce aroma dela.
"Sim, um pouco", Bill respondeu indicando um corte feio na bochecha dela.
Ele inalou o cheiro dela, o apreciando. "O dela é diferente." Nada como a sujeira que ele ainda podia sentir o gosto em sua língua.
"Sim, mas com certeza você já está saciado agora."
Mesmo que ele bebesse o sangue de cada habitante em Shreveport, ele ainda estaria com fome do sangue de Sookie, mas haviam coisas a serem feitas agora. Ele levantou-se e avaliou os danos que tinham feito. "Já faz muito tempo desde de que tomei sangue de verdade em abundância", observou ele.
"Para mim, também", Bill respondeu, enquanto se preparava para mover Sookie. "precisamos colocar todos no quintal e limpar a casa de Sookie."
"Claro."
Ele sentou-se ao lado dela, de costas para o sofá , enquanto Bill a virava. Suas lágrimas ecoavam o que o sangue dela lhe dizia: dor. Ela olhou para cada um deles, um de cada vez, piscando as lágrimas para vê-los claramente. O que eles tinham feito a seus atacantes não era nada comparado com que os filhos da puta mereciam.
"Você pode falar?", ele perguntou-lhe suavemente.
Ela abriu a boca para responder, em seguida, sacudiu a cabeça.
"Ela precisa de uma bebida," Bill apontou, deixando-a de lado para buscar uma.
Mechas de seu cabelo estavam grudadas, repletas de suor e sangue de seu rosto; e ele cuidadosamente as arrumou. Tocou levemente com a ponta dos dedos em sua pele machucada, mascarando a raiva que sentia. Seu corpo tinha sido devastado duas vezes em uma única noite - a primeira vez pelo seu próprio amante, em seguida, pelo Lobis. Se Bill não estivesse no caminho, ele teria dado a ela mais de seu sangue. Ele não ficaria surpreso se ela nunca mais quisesse ver outro vampiro novamente depois de uma noite como esta.
Bill voltou para o lado dela e a levantou ligeiramente para que ela pudesse beber sua água.
Quando ela conseguiu falar, disse com a voz rouca: "Vocês mataram todos eles." Eric lhe respondeu com um aceno de cabeça, imaginando como ela reagiria ao massacre sangrento em sua própria casa. Mas sua voz era mais forte quando ela respondeu com um firme, "Bom", e ele não foi capaz de conter um breve sorriso. "Quantos?", perguntou ela.
Ele e Bill olharam ao redor da sala, embora fosse difícil dizer com tantos corpos - e tantas peças - espalhados no escuro.
"Sete?", Bill sugeriu. "Dois no quintal e cinco na casa?"
Eric não sabia quantos Bill tinha perseguido até o quintal e matado, mas haviam definitivamente seis na casa. "Eu estava pensando em oito", disse ele.
Bill se voltou para Sookie. "Por que eles vieram atrás de você desse jeito?"
Ela tomou outro gole de água através do canudo. Que estava quase no fim agora. "Jerry Falcon", disse ela.
"Ah. Ah, sim. Eu já me deparei com ele", Bill disse a eles, e seu rosto estava tão sombrio como jamais Eric tinha visto antes. "Na sala de tortura. Ele é o primeiro na minha lista."
Eric sorriu largamente. "Bem, você pode risca-lo dela. Alcide e Sookie descartaram o corpo dele na floresta ontem."
Ontem parecia ter sido a uma semana atrás. Depois que eles tinham desovado o corpo de Jerry Falcon, Sookie tinha sido perfurada com a estaca e curada, eles quase tiveram relações sexuais, ele tinha dado sangue a ela, ela tinha resgatado Bill e então atacada (e estuprada?) por ele no porta-malas de um carro, eles haviam escapado do posto de gasolina e agora isso. Era quase bizarro o suficiente até lembrar.
"Esse Alcide o matou ou Sookie?", Bill perguntou, chamando a atenção de Eric de volta ao presente.
"Ele diz que não", explicou Eric. "Eles encontraram o cadáver no armário do apartamento de Alcide e criaram um plano para esconder seus restos mortais."
Bill piscou em descrença. "Minha Sookie escondeu um cadáver?"
"Eu não acho que você pode estar tão certo sobre o pronome possessivo", Eric disse a ele. Ele não se incomodou em esconder sua fúria para Bill. Mas haveria outro momento para essa discussão.
"Onde você aprendeu esse termo, Northman?"
Eu já falava este idioma séculos antes de você nascer, imbecil. "Eu fiz o curso¨ Inglês como Segunda língua¨ em uma faculdade comunitária nos anos setenta", disse em vez disso, casualmente. Ele havia feito o curso, isso era verdade.
"Ela é minha," Bill disse, em voz baixa e Eric viu o brilho de presas.
Para a surpresa e alegria absoluta de Eric, Sookie mandou Bill se fuder. Gesticulando com ambas as mãos. Ele riu alto e tentou decidir o que lhe deu mais prazer:o gesto ou a exclamação horrorizada de Bill ao dizer: "Sookie!"
Ele estava se divertido, mas era hora de voltar a ficar sério novamente. "Eu acho que Sookie está nos dizendo que ela pertence a si mesma." Ele olhou para ela com crescente feto, em seguida, se voltou para Bill explicando sua teoria de que o assassinato de Jerry Falcon poderia ser para culpar Alcide.
"Então, toda essa trama pode ser direcionada a Alcide em vez de nós?", Bill perguntou, franzindo a testa enquanto tentava dar sentido a tudo.
"É difícil dizer," Eric admitiu. "Evidentemente, pelo que os assaltantes armados no posto de gasolina nos disseram, o restante da gangue convocou todos os bandidos que eles conheciam e os posicionaram ao longo da interestadual para nos interceptar no caminho de volta. Se tivessem tido exito, eles não estariam agora na cadeia por assalto a mão armada. Que tenho certeza de que onde eles estão agora. "
Bill avaliou o sangrento desastre ao seu redor. "Então, como esses caras chegaram aqui?" ele perguntou. "Como eles sabem onde Sookie vive, quem ela realmente era?"
A resposta veio a Eric, enquanto falava as palavras. "Ela usou seu próprio nome no Club Dead". Ele encontrou os olhos de Bill. "Eles não sabiam o nome da namorada humana de Bill ... Você foi fiel."
Mas Bill, sempre o nobre mártir, se recusou a aceitar o pequeno reconhecimento. "Eu não tinha sido fiel de outras formas. Eu pensei que era o mínimo que eu poderia fazer por ela."
"Assim, os Lobis podem não saber que ela era sua namorada", continuou Eric, pensando um pouco além. "Eles só sabem que ela estava hospedada no apartamento com Alcide quando Jerry desapareceu." Ele acrescentou depois que ninguém do bando, incluindo o líder, acreditava que Alcide tinha cometido o assassinato.
"Este Alcide," Bill disse, pensativo, "ele parecia ter um relacionamento conturbado com a namorada."
"Ela está noiva de outra pessoa. Ela acredita que ele está gostando de Sookie." Era conveniente que um Lobi teria uma puta como namorada.
"E ele está ?", Bill perguntou. Ele parecia como se não quisesse realmente saber a resposta. "Ele teve a coragem de dizer a aquela víbora Debbie que Sookie é boa na cama."
"Ele queria deixa-la com ciúmes. Ele não dormiu com Sookie." Isso era tão certo como ele sabia o seu próprio nome.
"Mas ele gosta dela."
Eric sorriu um pouco. "E quem não gosta?"
"Você acabou de matar um bando de caras que não pareciam gostar de mim nem um pouco," Sookie interrompeu. "Bill, como você chegou aqui?"
Bill disse a eles que ele havia feito um acordo com Edgington - uma jogada inteligente - e que seu carro tinha sido devolvido a ele. Aparentemente os Lobis tinham usado a internet para descobrir onde Sookie vivia.
Eric balançou a cabeça. "Esses computadores são coisas perigosas." Ele gostava das novas tecnologias, tanto quanto qualquer outro vampiro, mas as velhas formas eram definitivamente menos complicadas e preocupantes.
"O rosto dela está inchado," Bill observou.
Ele estava certo, apenas nos últimos minutos sua bochecha tinha virado um feio roxo, e hematomas estavam cobrindo todo o rosto. Ele só poderia imaginar em que estado estava o resto de seu corpo.
"Eric, está bem?", ela perguntou com a voz fraca.
Ele afagou novamente os cabelos dela com as pontas dos dedos, tocado que ela se importava. "Eu vou curar", ele assegurou, "especialmente depois de ter tido todo esse sangue bom." Os olhos dela se fecharam. "Sookie?" murmurou.
"Bom", disse Bill. "Ela desmaiou. Ajude-me a levá-la para a cama."
"Eu vou. Só um minuto." Ele chamou o Fangtasia novamente e disse a Pam para enviar alguns funcionários para a casa de Sookie com produtos de limpeza. Pam sabia exatamente o que "produtos de limpeza" era.
Bill levantou Sookie em seus braços e seguiu Eric, que chutou corpos e outros detritos para fora do caminho. Ele acendeu as luzes enquanto subia, até que ambos estavam no quarto de Sookie. Embora Bill não parecesse particularmente satisfeito com isso, eles trabalharam juntos para remover suas roupas ensanguentadas, limpar o sangue de sua pele e deslizar uma camisola macia sobre seu corpo, que estava tão machucado e inchado como seu rosto. Eric puxou as cobertas de sua cama, em seguida, Bill a deitou. Bill dobrou bem as cobertas em torno dela, e ambos ficaram em silêncio olhando para ela.
"É melhor começarmos a limpar," Bill disse, por fim.
Eles trabalharam em silêncio, enquanto removiam os corpos, os colocando para fora. Exceto por um tapete, nada parecia estar quebrado ou permanentemente manchado. Os funcionários do Fangtasia chegaram um pouco depois, e Eric apenas apontou para a casa sem uma palavra. Ele e Bill foram deixados sozinhos na varanda.
"Você a estuprou?", Perguntou Eric. "No carro."
Um longo silêncio. "Sim."
O soco forte na mandíbula enviou Bill cambaleando para trás, mas ele não pronunciou uma palavra de protesto. Eric cruzou os braços e olhou para frente. "Vá para casa. Eu vou ter certeza que a bagunça seja arrumada."
Sua gente foi rápida e cuidadosa, os benefícios de muita experiência, e uma hora mais tarde ele estava a caminho de Fangtasia. O amanhecer estava muito próximo, mas ele tinha mais um item para se encarregar. Iria fazer o telefonema e depois dormiria no refúgio de emergência abaixo de seu escritório. A lista telefônica de Shreveport não incluía Bon Temps, então ele abriu seu laptop e encontrou o número que precisava.
"Randy Burgess," disse o homem com um grunhido irritado.
"É Eric Northman. Pegue algo para escrever, Randy. Eu quero que você conserte a estrada de Sookie Stackhouse, e eu quero que seja feito logo na parte da amanhã . Não me importa quem você tenha que fazer esperar. Estou sendo claro?"
Ele havia contratado Randy Burgess antes, de modo que o homem sabia muito bem que não devia questionar. "S-sim, senhor."
"Use o material mais caro que você tiver, faça a estrada inteira e a deixe bonita. Eu não me importo com o preço. Utilize quaisquer extras que você tiver e me envie a conta. Você está escrevendo tudo isto?"
Ele podia ouvir o rabiscar de um lápis na outra extremidade da linha. "Entendi", disse Randy.
"Não bata em sua porta. Ela está doente e eu não quero que seja perturbada. Isso é tudo."
"Eu vou cuidar de tudo de acordo com sua vontade, Sr. Northman." Randy estava claramente acordado agora. A promessa de dinheiro tende a ter esse efeito.
Quando ele despertou na noite seguinte, Pam já estava em seu escritório. "Finalmente!", ela exclamou. "Diga-me tudo o que aconteceu."
Ele contou tudo, em seguida, expulsou o sorriso satisfeito dela com suas tarefas para a noite. "Vá para a casa de Sookie. Ela pode ter sido capaz de se lavar e cuidar de si ela mesma hoje, mas eu duvido. Ela poderia necessitar da ajuda de outra mulher."
Pam ficou boquiaberta. "Você quer que eu me faça de enfermeira a uma humana?", Ele não teve necessidade de responder, porque sua expressão lhe disse tudo. Ela conhecia o olhar. "Eu vou, Mestre. Mais alguma coisa?"
"Bill e eu vamos estar lá pelas sete. Certifique-se de que ela saiba que estamos chegando."
Ele chegou quando disse que faria, surpreendeu-lhe quando Bubba atendeu a porta. Sookie estava sentada em uma poltrona, vestindo pijama rosa com robe e chinelos da mesma cor. O inchaço em seu rosto tinha diminuído um pouco, mas não o suficiente para satisfazê-lo. Bill estava sentado na cadeira atrás dela e estava escovando seus cabelos, enquanto Pam observava com diversão. Imaginou-se no lugar de Bill, cuidando dela desta forma estranhamente íntima, e descobriu que ele estava com ciúmes. Era uma emoção que ele mal se lembrava.
Depois que Bubba desejou a todos uma boa noite e partiu, Eric se virou para Pam. "O que ele estava fazendo aqui?"
Foi Sookie quem respondeu. "Foi Bubba que matou Jerry Falcon." Ouviu com satisfação quando Sookie explicou o que tinha acontecido, e Pam riu quando a história terminou.
"Ele seguiu você até Jackson", disse ela com admiração, "quando suas instruções eram apenas para ficar aqui, por uma noite ... ele continuou seguindo suas instruções, não se importando com o que acontecesse ! Não é muito vampírico, mas ele certamente é um bom soldado. "
Eric teve que concordar, embora o bom soldado Bubba tinha interrompido seu feliz interlúdio duas noites atrás . "Teria sido muito melhor se ele dissesse a Sookie o que tinha feito e por que ele tinha feito isso."
Sookie revirou os olhos. "Sim, um bilhete teria sido bom. Qualquer coisa teria sido melhor do que abrir o armário e encontrar o corpo enfiado lá dentro ."
Pam riu de novo. "Eu posso simplesmente imaginar a sua cara! Você e o Lobi tendo de esconder o corpo? Isso não tem preço."
"Eu gostaria de saber tudo isso quando Alcide esteve aqui hoje." Sookie fechou os olhos e inclinou a cabeça para trás ,enquanto Eric e Bill absorviam essa informação.
"Alcide Herveaux esteve aqui?", Eric perguntou por fim, plenamente consciente de que estava mordendo a isca.
"Sim, ele trouxe minha mala", disse ela. "Ele ficou para me ajudar, vendo como estou machucada."
Bill tinha parado de pentear o cabelo dela e Eric pegou Sookie sorrindo para Pam. Ele também pegou a piscadela de Pam. Portanto esta seria a punição, sua e de Bill. Suportar qualquer coisas que as duas mulheres decidissem dizer.
Foi Pam quem começou a diversão e jogos. "Eu desfiz sua mala para você , Sookie. Onde você conseguiu aquela coisa linda de veludo que parece um echarpe?"
"Bem, minha primeira echarpe foi arruinada no Club - Quer dizer, no Josephine", explicou Sookie. Mais uma vez ela sorriu. "Alcide muito gentilmente a comprou para me surpreender. Ele disse que se sentia responsável pela outra ter sido queimada."
Eric rangeu os dentes, determinado a não dizer nada. O Lobi deu-lhe um echarpe. Ele tinha-lhe dado uma estrada nova ... sobre o que ela, até agora,não disse nada.
"Ele tem bom gosto para um Lobi. Se eu pedir emprestado o seu vestido vermelho, poderia me emprestar o echarpe, também?", Pam iria pagar por isso mais tarde. Ela podia contar com isso.
"Claro", Sookie respondeu com uma voz que era muito alegre para sua condição.
"Não é agradável receber presentes de homens?" Pam suspirou. " especialmente de homens bonitos." Sookie riu, mas não disse nada. Pam pareceu perceber que não havia mais diversão para tirar daqui, então ela se levantou abruptamente e anunciou: "Eu acho que eu vou correr para casa através das floresta. Me sinto com vontade de aproveitar a noite."
Os olhos de Sookie se arregalaram. "Você vai correr todo o caminho de volta até Shreveport?"
"Não vai ser a primeira vez", Pam respondeu com um encolher de ombros. Ela deu alguns passos, em seguida, virou-se novamente. "Ah, a propósito Bill, a rainha ligou no Fangtasia esta noite para descobrir por que você está atrasado com seu pequeno trabalho. Ela foi incapaz de te achar em sua casa por várias noites, disse ela."
"Eu vou ligar de volta depois da minha casa", disse Bill, voltando a escovar o cabelo de Sookie .Eric se perguntou o quanto mais ele poderia escovar antes que os arrancasse de sua cabeça . "Ela vai ficar feliz em saber que eu o completei."
Durante a conversa entre Pam e Bill, Eric esteve abrindo e fechando os punhos. Até que finalmente, seu temperamento o venceu. "Você quase perdeu tudo", disse a Bill em um rosnado. Tudo era Sookie, sua mente acrescentou, aparentemente por vontade própria, o que só o deixou mais irritado.
Pam sabiamente partiu e Sookie parecia desconfortável.
Bill olhou para ele. "Sim, estou bem ciente disso."
"Você foi um tolo em voltar com aquela mulher-demônio novamente."
"Ei, pessoal," Sookie disse, acenando entre eles, "Eu estou sentada bem aqui." Não graças a ele, Eric pensou. Ele não ia desistir, não agora ,e aparentemente nem Bill. Sookie se levantou. "Ok, eu esperava evitar isso, mas ..." Ela se virou para Bill. "Bill, eu retiro o seu convite para a minha casa."
Eric sorriu triunfante quando os pés de Bill o levaram para fora da sala. Sookie tinha escolhido e ela tinha escolhido a ele - aquele que tinha estado ao lado dela a cada passo do caminho.
Então, ela olhou para ele e disse o nome dele no mesmo tom, e ele sabia que estava errado. Ela estava rejeitando os dois. Assim como ela lhe tinha dito no carro, ela não queria mais participar do que eles traziam para sua vida. E como poderia culpa-la? Ele mal prestou atenção as palavras quando a força irresistível começou a puxa-lo para trás. Ela os observou por alguns segundos,lado a lado em sua varanda, em seguida fechou a porta na cara deles.
"Agora nós dois a perdemos", disse Bill.
Eric se afastou da porta e olhou para a nova estrada. Ele disse a si mesmo que não iria deixa-la fugir dele e ele estava falando sério. Seja lá o que ainda restava do seu coração, isto a desejava e não seria rejeitado.
"Eu não", disse e levantou voo para o céu.
