Uma pizza, 3 horas e muitas risadas depois, Harvey foi embora. Era fácil manter uma conversa e simplicidade ao lado de Donna. Eles jantaram, tomaram um bom vinho argentino, conversaram um pouco mais sobre as aulas de dança de Donna e os motivos que a fizeram ir totalmente para o lado do teatro. Harvey achou que ela seria um grande destaque no teatro musical. Donna queria saber um pouco mais sobre o passado e infância com Lily mas preferiu deixar essa conversa séria e muito provavelmente desconfortável para ele para outro dia. O dia havia sido melhor do que ela esperava e não ia estraga-lo agora.
Donna usou parte do seu domingo para descansar, aproveitando que Rachel passaria o dia fora. Dormiu a maior parte do dia no sofá com Meg aos seus pés e a televisão com o volume bem baixo, apenas para lhe fazer companhia. Um pouco depois do almoço, Donna aproveitou para responder alguns e-mails e revisar o material que ela já tinha para dar início à matéria sobre as letras.
Mexer no conteúdo que ela já tinha, a fez lembrar de Harvey. Um suspiro cansado e cheio de emoção escapou por seus lábios e Meg a olhou, como se soubesse o que se passava em seu coração. Não seria fácil transformar todos esses dias em palavras bem colocadas. Harvey já fazia parte da sua vida e, imaginar ele se afastando por ambição profissional dela, levava seu pensamento aos piores cenários possíveis.
Vagando por um dos e-mails, Donna deparou-se com uma reclamação de um dos principais clientes da Pearson. Jeff Malone redigiu uma carta ameaçando processar a revista se um dos funcionários do departamento de entretenimento chamado Stephen Huntley não fosse demitido na semana seguinte.
- Mas que merda. – Donna disse em voz alta e Meg levantou o focinho para olhar para ela. Ela afagou a cabeça de Meg e a cachorrinha voltou a dormir. – Desculpa lindinha.
Jeff o acusou de coisas que Donna nem sequer tinha conhecimento e, ao terminar de ler a carta, ela tremia de raiva. Sabia que Stephen era incompetente para a revista, mas não fazia ideia que o problema chegaria a um nível tão alto.
Donna encaminhou o e-mail para Jéssica com algumas indagações pertinentes ao caso e um aviso de que Stephen não seria mais um funcionário da Pearson no dia seguinte.
Ao contrário da semana interior, Donna estava nas nuvens. Nenhum problema. Nenhuma reclamação. Nenhum trabalho para ser refeito. Tudo na mais perfeita ordem. Ela estava um pouco mais sobrecarregada, mas isso era normal pela época do ano. Stephen havia sido demitido por ela e Jéssica na segunda-feira e o problema com Jeff resolvido. Ele não iria processar a revista e as duas conseguiram reverter o problema causado por ele – Stephen havia enviado uma matéria plagiada produzida por uma revista rival à Pearson e Jeff achou que isso fosse uma afronta a ele e a sua empresa, que patrocinavam a Pearson por muitos anos.
- Ei Donn, o que vocês vão fazer amanhã? – Rachel havia acabado de tomar banho e se aproximou de Donna, que estava mexendo em seu computador na bancada da cozinha.
- Não sei. É a vez dele. – Donna sorriu ou olhar para a amiga. – Espero que ele tenha pensado em algum lugar quente porque com o frio que estava fazendo lá fora eu vou morrer congelada. – Por quê?
- Está muito frio mesmo. – Rachel friccionou as mãos, criando calor entre elas. – Acabei de receber um aviso de que amanhã tem previsão de início de nevasca e uma tempestade. Só queria te avisar porque vou cedinho para a casa dos meus pais e talvez você não tenha recebido o aviso.
- Realmente, - Donna pegou seu celular e o desbloqueou. – sem aviso. Obrigada Rach. O almoço é amanhã?
- É! – Rachel estava animada. – Minha mãe só fala disso há semanas. É um almoço beneficente, mas, você sabe, para minha mãe é como se fosse dar um almoço para a rainha da Inglaterra.
As duas riram.
- Não sei que horas eu vou voltar, ainda mais com esse tempo maluco. – Rachel foi em direção a Donna e a abraçou. – Espero que você tenha um ótimo dia amanhã. E não faça nada que eu não faria.
Com uma piscada, Rachel se desvencilhou de Donna e caminhou em direção ao seu quarto.
- Boa noite, Donna.
- Boa noite, Rachel.
E, como Rachel havia dito, Nova York amanheceu com muita neve. Os carros que ficaram na rua durante a noite estavam impossibilitados de serem retirados do lugar por conta da neve acumulada. Um enorme trator fazia barulho perto do prédio de Donna, retirando o excesso das ruas e liberando espaço para a movimentação.
Isso a desanimou um pouco, mas, ela não deixaria que esse clima a impedisse de ter um dia agradável com Harvey. Ou melhor, ela esperava que não impedisse. Se as ruas ainda estivessem bloqueadas, nenhum dos dois poderia se locomover e, consequentemente, seria um sábado perdido.
Às 15 horas, uma hora depois que Harvey habitualmente chagava ao seu apartamento, Donna já estava perdendo as esperanças. Seu celular, disposto na mesinha de centro da sala, vibrou com 4 toques de mensagem.
"Oi. Sou eu. "
Harvey. Donna sorriu.
"Vou demorar um pouco mais, desculpe. "
"Tem muita neve na minha rua. "
"Espere por mim. "
Ótimo, então ele não havia esquecido dela. Donna caminhou até a janela da cozinha e se debruçou sob a pia para ter uma visão melhor do clima de fora. Todas as casas ao lado do prédio e os carros nas ruas estavam cobertos de neve. Não dava para distinguir nada. Se Harvey realmente conseguisse chegar, seria um milagre.
Algum tempo depois, Donna ouviu de seu quarto a campainha tocar. Correu em direção à porta e, antes de abrir, espiou pelo olho mágico.
Vestido com botas de neve e um casaco enorme para chuva. Donna abriu a porta com um sorriso no rosto.
- Oi, desculpe a demora. – Harvey disse, entrando no apartamento e tirando as botas molhadas, alinhando-as do lado de fora. – Eu realmente achei que ficaria preso lá por pouco tempo mas acabou sendo horas.
- Imagina. Pelo menos deu tudo certo. – Donna o guiou até a sala.
- Bom, aparentemente teremos que cancelar nossa programação de hoje. A neve está aumentando e pode ser um pouco perigoso.
Ao se dar conta das palavras de Harvey, Donna automaticamente desanimou. Seria um dia perdido. A não ser que...
- Bom, já que você está aqui, podemos fazer algo aqui no apartamento mesmo. – Donna refletiu. – Se acontecer uma tempestade estaremos à salvo.
- Seria muito cômodo uma tempestade. – Harvey olhou de canto de olho para ela, sorrindo. Os dois se acomodaram no sofá e Donna puxou uma pequena coberta, posicionando-a em suas pernas.
- Por quê?
- Minha letra é T. – Donna o olhou com curiosidade. – Uma pena que tudo isso estragou minha programação.
Harvey colocou a mão no bolso da calça e retirou 2 ingressos para a peça "Hello, Dolly!" que estava em cartaz na Broadway naquele final de semana.
- NÃO ACREDITO! – Uma cara de choro seguida de um bico muito infantil surgiram na cara de Donna ao passar o olhar dos ingressos para Harvey. – Tem certeza que não dá para irmos? Não tenho medo de neve nem chuva nem nada do tipo.
- Tenho. Melhor não arriscarmos. – Harvey pegou do chão uma pequena sacola de papelão que até então Donna não havia tomado conhecimento. – Para todos os efeitos, trouxe vinho e queijo para nós.
Harvey os tirou da sacola, colocando-os na mesa de centro da sala. Donna sorriu pelo gesto de Harvey. Ele pretendia ficar e passar a tarde com ela, mesmo com alerta de tempestade. Não parecia mais tão ruim assim perder a sessão do teatro.
- Já que você trouxe o vinho, vou contribuir com a diversão. – Donna levantou e caminhou até a televisão. Abriu uma gaveta e tirou de lá algumas caixas. Harvey as identificou como caixinhas de DVD. Ela caminhou até onde Harvey estava sentado e os colocou em seu colo. – Escolhe um. De hoje não passa.
Harvey os examinou um por um. DVD's infantis. Mas que porra...
- O que a gente vai fazer com isso? – Harvey olhou para ela, curioso.
- Ah, Harvey. Vamos assar. – Donna revirou os olhos. – Assistir seu bobo. Você disse que nunca viu uma animação. Hoje é seu dia de sorte.
- Ainda bem que eu trouxe vinho. – Harvey sussurrou. Ele continuou analisando os filmes apenas pela capa e título, mas nenhum lhe chamava a atenção. – Você realmente tem a coleção toda dos filmes do Shrek?
- Culpada. – Donna sorriu e deu de ombros. – É meu preferido.
- Vamos de Shrek, então. – Harvey separou a caixinha e a jogou em cima de Donna.
- Ei!
- Agora eu quero ver. – Ele se acomodou mais no sofá, colocou os pés na mesa e puxou uma outra coberta, disposta ao seu lado.
- Folgado. – Donna riu, levantando-se para ligar o aparelho.
Duas horas depois, Harvey nem parecia o mesmo. Eles conversaram sobre a história durante o filme todo e, impaciente como uma criança, Harvey a importunava com mais detalhes, sem paciência para esperar até o final.
- Esse filme é genial! Como eu não assisti antes? – Ele pegou mais algumas pipocas do saquinho que estava em seu colo e continuou falando. – O burro definitivamente é muito irritante.
- Parece você. – Donna também tinha um saco vazio de pipoca no colo e tomava mais uma taça de vinho. – A graça da história toda para mim é a Fiona. Forte, linda, decidida, carismática.
- Parece você. – Harvey pronunciou sem se dar conta eu havia falado em voz alta. – Quer dizer... você também é tudo isso.
- Obrigada. – Ela sustentou o olhar que Harvey havia lhe lançado e, antes que pudesse falar mais alguma coisa, um estrondoso trovão quebrou o silêncio entre os dois.
- Acho que Rachel estava certa, afinal. – Donna levantou e foi em direção à janela novamente. A lareira estava ligada, esquentando o ambiente. Eles haviam se concentrado tanto no filme que não se deram conta da nevasca que antecedeu o temporal.
A claridade do dia estava sendo substituída por nuvens pretas e foi necessário que ela acendesse as luzes do apartamento.
- Já está ficando tarde. - Donna constatou, sem olhar para Harvey, que havia levantado e caminhado até onde ela estava. - Se você não quiser ficar preso de novo, é melhor voltar para casa.
Harvey fingiu estar chocado.
- Está me expulsando? Tão diretamente assim?
- Não! Não, não é isso. - Donna riu, constrangida. - Só pensei que você poderia preferir estar na sua casa, agora que a chuva está começando.
- Eu não vou deixar você aqui sozinha. - Harvey, que estava agora ao lado dela, colocou sua mão esquerda em cima da mão direita de Donna. - Eu gostaria de ficar, se não tiver problema. Se eu for para casa, ficarei sozinho lá também.
Donna sorriu. Ele realmente queria ficar.
- Nesse caso, acho melhor abrirmos mais um vinho. - Donna sentia o calor da mão de Harvey na sua e isso a fez reunir todas as forças para retira-la de lá.
- Boa ideia, capitã. - Harvey já sentia falta de ter sua mão segurando a dela. - Podemos ver mais um filme, se você quiser.
- Ora, ora, se eu não criei um monstro dos filmes infantis. - Donna soltou uma gargalhada, pegando outra garrafa de vinho.
- Deus tenha piedade dos seus filhos... - Harvey a acompanhou na risada.
Dessa vez, Donna escolheu o filme. "Up, altas aventuras" estava praticamente na metade quando outro estrondo iluminou a sala. Poucos segundos depois, o apartamento - e a vizinhança toda - ficaram em um breu total. A energia elétrica havia caído e, em casos de tempestade COM neve, Donna já sabia que poderia demorar horas para a manutenção conseguir chegar ao ponto de distribuição para consertar.
- Isso é ótimo. Tudo o que faltava. – Donna bufou.
- Não é tão ruim assim. - Harvey disse, procurando seu celular. Assim que ele o desbloqueou, ligou a lanterna, virando-a na cara de Donna.
- Meu deus, vira isso para lá. - A ruiva riu, fazendo o mesmo com seu celular. - Você fica muito sexy à meia luz Harvey. Deveria ser modelo. Daria ótimas fotos.
- Aham, com certeza. - Harvey disse, em tom de deboche. - Meus clientes iriam dar muita credibilidade para mim se eu tirasse fotos sexy.
Donna não conteve a risada.
- Me conta algo sobre você. - Ela desligou a lanterna. - Algum segredo. Pode ser obscuro, ou não. Você escolhe.
- Que isso? Interrogatório agora? - Harvey achou graça no jeito dela. - Se eu falar você também vai ter que falar alguma coisa. Qualquer coisa que eu quiser saber.
- Tá bom. Manda ver. - Ela estava confiante e animada. Seria legal jogar esse jogo com Harvey. Eles tinham tempo, um bom vinho e nenhuma responsabilidade. Só esperava que nada muito constrangedor saísse dessa brincadeira de adolescentes.
- Respondendo ao seu inquérito... - Harvey demorou alguns segundos, pensando. - Meu dedinho do pé não tem unha.
- O QUÊ? - Donna soltou uma gargalhada tão alta que Harvey tinha certeza que o prédio inteiro tinha ouvido. - Como assim?
- Pois é. - Ele deu de ombros, mesmo no escuro, e continuou. - Eu uso sapato fechado há tantos anos que, eles amassaram meu dedo e não cresce mais unha. Meu dedo não tem unha.
- Isso é hilário. Obrigada por compartilhar comigo, Harvey. - Donna não conseguia parar de rir.
- Minha vez. Sua cor favorita? - Ele bebeu mais um gole de vinho, esperando pela resposta.
- Ah, essa é fácil demais Harvey, não valeu. É azul. - Donna também tomou um gole da sua taça. - Pode fazer outra.
- Hum... não consigo pensar em nada.
- Finge que nós temos 15 anos e faz qualquer pergunta boba, essa é a graça. A diferença é que temos 30 anos e estamos um pouco embriagados.
- Vamos ver... tá. - Harvey estava curioso para saber até onde essas perguntas iriam. - Seu primeiro beijo. Quantos anos?
- 14. Filho da vizinha da minha avó. Horrível. - Donna riu.
- Isso foi mais do que eu perguntei, mas tudo bem.
- Foi mal. Mas Harvey, você não sabe brincar de perguntas. - Donna debruçou sob a mesa para pegar mais vinho. - Ei, ilumina aqui, por favor.
Harvey ligou sua lanterna de novo e Donna preencheu as taças.
- O que é para perguntar então? Se você quer falar, eu deixo. - Seu tom de voz era provocativo.
- Não sei. Minha vez. - Donna voltou para o sofá, cobrindo-se. - Já transou com alguém do escritório?
Harvey engasgou.
- Já. - Ele admitiu. - Mas faz tempo.
- Quanto tempo? - A curiosidade de Donna havia sido atiçada.
- Isso é mais de uma pergunta.
- Responde logo.
- Há muito tempo. Transamos tantas vezes que essas vezes se tornaram um relacionamento de 7 anos e, quando eu a pedi em casamento, ela me traiu com um associado do escritório rival.
- Que filha da puta. - Assim que as palavras saíram de sua boca, Donna a tampou com as mãos. - Meu Deus, me desculpa. Não quis soar rude.
- Não tem problema. Já é passado. - Harvey agora sorria. Realmente havia parado de pensar em Paula há muito tempo e, pensar nela na presença de Donna, a fazia ser alguém totalmente insignificante para ele.
- Minha vez. - Ele provocou. - E você?
- Eu o quê? - Donna estava começando a aparentar estar um pouco mais alegre que o normal. A segunda garrafa de vinho estava quase no final e ela havia a bebido praticamente sozinha.
- Já transou com alguém do seu trabalho? - Harvey explicou.
- Ah, não. Do teatro sim, muito sim. - Donna se lembrou de algo - ou alguém - parando de falar por alguns segundos. - Mas da revista, não. Lá só tem gays.
Foi a vez de Harvey rir.
- Minha vez. - Donna levantou a voz. Ela permaneceu em silêncio pelo o que pareceu uma eternidade. – Harvey, o que aconteceu entre você e sua mãe?
Harvey pigarreou, pego de surpreso pela pergunta. Falar sobre Lily e seu passado ainda lhe causava dores, como uma ferida não cicatrizada. Ele sabia que podia confiar em Donna. Ele queria contar tudo a ela, pelo amor de Deus. Pela demora em responder, Donna entendeu que ele não responderia e, prestes a pedir desculpa pela intromissão, Harvey começou a falar.
- Lily sempre traiu meu pai. Eu a vi com Bobby quando eu era pequeno. Minha mãe nunca me amou, Donna. – Harvey suspirou. – Eu não sou filho do homem que ela ama. Depois que meu pai morreu... eu simplesmente não consigo perdoá-la.
Donna não sabia o que dizer. Não sabia que a mágoa de Harvey com Lily era tão profunda. Ele sempre foi tão lívido, tão pacífico, que era difícil imaginar tais sentimentos perambulando pelo coração de Harvey. Mas ele era frágil. A compaixão de Donna por ele, naquele momento, ultrapassou todas as barreiras que ela havia imposto. Donna apanhou seu pequeno cobertor e foi para o outro sofá, onde Harvey estava sentado. Tomada pela emoção, ela colocou uma mão na perna de Harvey, confortando-o.
- Eu sinto muito. – Donna suspirou.
- Sei que sente. Eu estou tentando, sabe. Perdoa-la. Ela é minha mãe. – Harvey tomou o resto de vinho em sua taça. – Meu pai já se foi. Um dia eu vou perde-la também. Ela pode não me amar, mas eu ainda sinto um carinho por ela.
- Harvey, eu vi a forma com que ela te olha. Ela te ama, sim.
- Ela pode me amar agora, ou fingir que ama. – Ele deu de ombros. Agora, mais própria a ele, Donna conseguia ver suas expressões através do pequeno feixe de luz que entrava pela janela. O olhar de Harvey era de pesar, de tristeza. – Mas eu não me importo, não mais. Acho que é minha vez agora.
Dona suspirou, tomando mais vinho.
- Me conta algo sobre você. – Harvey repetiu as mesmas palavras que ela. - Algum segredo. Pode ser obscuro, ou não. Você escolhe.
Eles riram, voltando ao clima de antes.
- Acho que... não sei. – Donna tirou a mão de sua perna, levando-a até os cabelos. – Eu não posso dirigir.
- Como assim, não pode? – Harvey a olhou com curiosidade.
- Repeti 7 vezes no teste de direção e, quando passei, causei um acidente de trânsito com o instrutor da autoescola, 3 dias depois. – Donna deu de ombros, rindo. – O estado de Nova York me proibiu de tentar tirar a carteira de motorista de novo.
Foi a vez de Harvey soltar uma gargalhada. Donna não aguentou e se juntou a ele.
- Até que enfim uma coisa que Donna Paulsen não seja capaz de fazer.
A brincadeira de perguntas continuou até de madrugada. Donna estava oficialmente embriagada, falando coisas desconexas e sem sentido. Harvey não havia bebido tanto quanto ela e seus sentidos ainda estavam funcionando.
Quando a energia elétrica finalmente voltou, Donna estava dormindo sentada no sofá, com um dos braços e a cabeça apoiada no encosto. Harvey havia percebido que ela havia caído no sono há um tempo atrás quando, ao perguntar sobre sua coleção de discos, Donna soltou um ronco fraco.
Meg estava em sua caminha no canto da sala e, ao ver Harvey levantar lentamente, correu para perto dele.
- Ei, lindinha, agora vou precisar que você volte para a sua cama, não quero te machucar. – Harvey sussurrou. Meg pareceu entender o recado e voltou para o seu lugar.
Harvey descobriu Donna, ajeitando seu braço e apoiou sua cabeça em seu ombro. Ele a pegou no colo, levando-a até seu quarto. Ele nunca havia estado no quarto de Donna antes e, para sua surpresa, ele era muito parecido com o seu. Paredes e móveis brancos, com uma decoração dando destaque. Claro, sua decoração não contava com flores e revistas emolduradas e algumas fotos de teatro. Mas ainda assim, a personalidade era a mesma.
Ele a colocou na cama, puxando o cobertor para baixo e colocando as pernas de Donna dentro do pequeno casulo. Ele arrumou sua mão e colocou seus cabelos ruivos para trás. Sua vontade era de se deitar ali mesmo, junto dela. Mas ele sabia que isso era muito além dos limites que eles tinham. Antes de sair, ele lhe deu um beijo no rosto, demorando mais que o usual.
O que ele não esperava era que Donna se mexesse bem na hora. Suas bocas praticamente se tocaram e, senti-la de novo tão perto, era reviver todos os seus pecados no inferno e mesmo assim morrer feliz.
Ele se afastou, fechou a porta do quarto e caminhou até a sala. Ele não sabia se a neve havia aumentado ou não. Mas ele não iria para casa aquela noite. Uma coisa ainda precisava ser resolvida.
A próxima letra.
