A Marca

Pomfrey olhou alarmada como o garoto que o Professor de Poções levava em braços parecia morto, e que ademais era Harry Potter. Fez-lhe levar à cama do fundo junto à janela para poder examiná-lo. Severus fez-se a um lado para deixá-la fazer seu trabalho, mas não decolava os olhos de Harry, orando em silêncio para não ter que escutar nenhuma má notícia.

- Que foi o que passou, professor? –questionou-lhe a enfermeira depois de invocar um capacete que proporcionava oxigênio ao rapaz, ainda que este continuava estático, e sem rastros de vida. - Isto é muito estranho, sua respiração é mal perceptível, nunca soube que tivesse problemas desta índole… será melhor que avise ao Professor Dumbledore, é provável que tenhamos que o transladar a St. Mungo.

- Vai estar bem… verdade?

- Não o sei. Pode dizer-me que passou?

Severus negou com a cabeça, não sabia se devia falar ou não, estava tão confundido e assustado. A enfermeira deixou-o só para ir em busca do Diretor, e Severus aproveitou o momento para se inclinar para Harry e ainda que não se animava nem ao tocar, precisava estar a seu lado.

- Tens que lutar Harry… faz favor. –suplicou agoniado. - Não suportaria que nada mau te passasse por minha culpa. Acorda, rogo-te… juro-te que jamais quis te machucar, que se tivesse sabido o que passaria não te teria beijado jamais! Acho que a maldição é certa, por um instante tive a esperança de que não fosse assim, e é que não quero te perder que irresponsável tenho sido!... Que faço para que se esqueça de mim?

Uma luz alumiou o cérebro de Severus, e talvez isso pudesse ajudar a Harry a superar também a crise pela que atravessava. Levou sua varinha para a cabeça de Harry disposto a oblivia-lo, mas uma repentina dor em sua antebraço esquerdo fez-lhe levar mão direita para lá, esquecendo do feitiço.

"Não, faz favor, agora não!" suplicou agoniado de ter que se marchar e deixar só a Harry. Olhou-o, não podia, ele o precisava justo nesses momentos. Mas a dor na marca fazia-se mais intenso, Voldemort reclamava-o com urgência… que devia fazer?

Um ruído depois dele o fez sobressaltar-se, viu como Ângelo chegava correndo à enfermaria, e ainda que deu a impressão que quis lhe dizer algo, assim que viu a Harry tendido na cama com esse capacete de oxigênio, sua atenção se desviou para ele.

- Que foi o que passou? –perguntou acercando ao rapaz olhando-lhe preocupado.

- Estávamos na classe, disse-te que pensava o treinar não? –começou ocultando a dor que sentia no braço e continuou depois de obter o assentimento do Veela. - Disse que não podia respirar, o trouxe aqui e…

- Não digas mais. –interrompeu lhe de repente. - Severus, o Lord chamou-te, verdade?

- Como o sabe?

- Severus, desde faz momento não tenho podido pensar em outra coisa, estava lendo quando comecei a se sentir extremamente agoniado e o único que se me veio à mente foi que novamente estava em problemas… te busquei por todos lados ao não te encontrar na sala, e me topei com Madame Pomfrey dirigindo ao despacho de Albus, ela me disse que estava aqui… tive tanto medo de que algo te tivesse passado.

- Eu estou bem, mas… -respondeu olhando a Harry.

- Temos que nos ir, o Lord te castigará se não chegamos cedo. Apressa-te, Severus.

- É que não posso me ir e o deixar assim.

- Ele estará bem. Agora te adianta, assim poderá lhe dizer a Dumbledore onde estaremos, te verei na entrada do castelo em dois minutos, assim daremos oportunidade a que chegue a enfermeira e Harry não ficará sozinho.

Severus duvidou ainda um pouco mais, olhava a Harry comprovando que não queria ir de seu lado. A dor na marca fazia-se mais intenso, não se importava, ele queria ficar junto a quem amava. Ângelo notou seu indecisão e respirando fundo acercou lhe para falar-lhe baixinho ao ouvido.

- Não o ajudará te ficando aqui. Se você-sabe-quem descobre que ficou por preocupação a Harry Potter saberá que é um espião… não começou tudo isso porque quis lhe dar a certeza de que estava equivocado? Agora tem que continuar, Severus, se te descobrem, me descobrirão a mim também e então não terá espião para a Ordem, e a batalha de Harry será ainda mais difícil.

- Sei, mas… Abbatelli, preciso que saiba algo, Harry…

- Agora não há tempo, confia em mim, nada lhe sucederá. Anda, apressa-te que já nos demorámos muito… aqui não tem nada que fazer.

Ângelo deu um suave empurrão a Severus para que se decidisse a se ir, e ainda que este parecia ainda relutante, suspirou com resignada frustração e se apressou a se reunir com Albus. Ao ficar só, Ângelo sabia que não tinha muito tempo, olhou a Harry por uns segundos, lhe sorrindo de maneira enigmática. Revisou que não viesse ninguém ainda, e então lhe retirou o capacete de oxigênio. Harry arquejou acentuando sua cor, agora violáceo, quase negro, sobretudo em lábios e em seus dedos.

- Harry… -falou-lhe Ângelo com macieza retirando-lhe delicadamente algumas mechas de sua testa suada. -… não pode morrer, não é sua hora, e não quero que suceda… Eu também te preciso, Harry, de modo que deve voltar, menino formoso.

Ângelo inclinou-se para o rapaz e colocou seus lábios sobre os frios e secos do Gryffindor, por um par de segundos foi só um roce, mas em seguida, Harry pareceu acordar ainda que sua mirada luzia ausente. Ângelo acomodou-se melhor sobre a cama e aprofundou a caricia conseguindo que em pouco tempo ambos estivessem beijando-se ardentemente. Harry cercou a Ângelo por sua cintura atraindo-o mais para seu corpo, sentindo um suave e reconfortante calor que o mantinha unido à vida. O Veela não o recusou, acariciava suavemente as bochechas de Harry que pouco a pouco iam recobrando sua cor.

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Severus já tinha comunicado a Albus sobre a condição de Harry, ainda que sem lhe dizer o motivo pelo qual estava doente, assim mesmo lhe avisou de sua iminente partida em quando Ângelo se lhes reunisse. Albus via-se preocupado, queria ir visitar a seu aluno, mas também precisava falar mais com Severus, algo lhe dizia que seu amigo não estava sendo totalmente sincero com ele. Sua palidez e a angústia quase aterrorizada de sua mirada não eram algo que se devesse a seu próximo encontro com Voldemort. Por fim Ângelo chegou e sem deter-se a nada, Severus lhe sujeitou da mão para levar aos limites de Hogwarts, em sua mente só uma ideia, voltar antes do amanhecer. Devido a que Ângelo não era um comensal em si, dependia de Severus para saber onde apresentar no momento do chamado de Voldemort. Finalmente apareceram-se no lugar onde estava a guarida do Senhor Escuro e usando a contrassenha que lhes foi enviada conseguiram entrar nele. Mal apareceram em grande Salão de reuniões quando um Crucio colou direto em Severus. Ângelo, sem imutar-se, caminhou para seu lugar entre todos os comensais e esperou pacientemente a que seu casal fosse libertado da tortura.

- Que seja a última vez que me faz esperar, Severus! –ordenou-lhe Voldemort furioso.

- Lamento, Meu Lord, é que…

- Não me interessam suas desculpas, precisava falar com Abbatelli com urgência e você tem retardado tudo! É um inepto, Severus!... Crucio!

- Não é que me importe demasiado. –interveio Ângelo ao ver que Severus voltava a ser presa da dolorosa maldição. - Mas se maltrata-me tanto passarei a noite vendo-o curar-se as feridas em lugar de transar, de modo que melhor esquece-te dele e pode me dizer qual era a urgência de me ver.

- Há um Veela chamado Giovanni… Conhece-lo? –perguntou interrompendo a maldição.

- Há muitos com esse nome, é frequente na Itália.

- Tenho entendido que provem de Florência você é daí, não?

- Sim… como é o Veela que te interessa?

- Parece-se a ti, tem o cabelo castanho e olhos azuis, é alto, muito atraente… tem estado envolvendo no Ministério, meus informantes dizem que usa seu encanto para os convencer de incluir aos de sua raça em algumas reformas a leis. Ao que parece começa a sair-se com a sua, e isso não convém a meus interesses. Se os Veela encontram vantagem em associar ao Ministério então não poderemos contar com mais de vocês. Preciso que busques a esse Veela e se desfaça dele… será sua primeira prova, Abbatelli.

- Não há problema, quiçá possa o convencer de lhe nos unir e…

- Não, não me interessa ter em minhas filas… quero que o mate e a mensagem lhes chegue a todos os de sua raça. Esse será o destino de todo aquele que vá contra mim.

- Como ordene, Senhor. –aceitou com um prazeroso sorriso.

- Agora quero que você e Severus fiquem esta noite aqui. Tenho decidido preparar tudo para que amanhã mesmo tome a marca, Abbatelli.

- A marca? –repetiu ocultando sua turvação. - Para que? Severus sempre se encarregará de me trazer quando seja necessário.

- Após o de hoje acabo de comprovar que preciso que a leve e não aceito protestos, Abbatelli… a reunião tem terminado, preparem tudo para o rito.

O resto dos comensais pôs-se de pé, felizes de que nessa ocasião nenhum fosse torturado além de Severus. O Professor de Poções encontrava-se em choque depois de sua máscara, não podia nem se mover ante o que acabava de escutar, e mal sim pôde reagir quando Abbatelli o sujeitou da mão para o atrair para ele e o abraçar.

- Está bem? –perguntou-lhe cobiçando-o em seu peito, agora mostrando sua dor ante o sofrimento que lhe tinha sido dado em seus próprios olhos.

- Sim, mas temos que sair de aqui. –murmurou Severus ao ouvido de seu companheiro, notava-se assustado. - Não posso permitir que te marquem… não quero, Abbatelli.

- Uma marca não significa nada, sobretudo após a missão que se me tem atribuído, amor. –respondeu repousando sua cabeça no ombro de Severus. - Não te angustie por mim, tudo sairá bem.

- Também não fará isso… Eu o farei por ti! –exclamou estreitando com força. - Não permitirei que te convertam em um assassino, para mim não terá diferença, mas você seguirá com suas mãos limpas.

- Severus…

- Importa-me demasiado para ficar-me sem fazer nada, Abbatelli. E ainda que até o momento não tenha podido fazer muito por ti, te prometo que saberei te cuidar e que não terá nenhuma morte em sua consciência.

- Para valer importa-te? –perguntou olhando-lhe apaixonado.

Esquecendo-se de onde estava, Ângelo se aferrou aos lábios de Severus sem esperar sequer uma resposta, e ainda que o Professor mal sim conseguiu corresponder por um segundo, não se sentiu ofendido, era feliz de que seu companheiro lhe estivesse reconhecendo e protegendo, ainda que seu dever também era o proteger a ele e o faria. Ângelo convenceu-lhe de ficar, convencido de que fugir só lhes acarretaria a morte aos dois, e apesar de que Severus terminou aceitando não podia deixar de se sentir culpado, por ele, agora Ângelo se veria marcado e assinalado como comensal pelo resto de sua vida… mas sobretudo, por Harry, não tinha pensado se demorar tanto em voltar, agora seria impossível chegar antes do amanhecer.

- Tranquilo, meu amor, tudo vai sair bem. –tentou tranquilizá-lo Ângelo quando estiveram a sós em uma habitação designada para eles. - Deixa de mostrar-te tão agoniado ou o Senhor Escuro notará algo estranho.

- Abbatelli… ultimamente tudo me sai mau. Não devi trazer a este lugar, não é para ti.

- Você não me trouxeste recorda?... vim só.

- Por mim, e agora vai pagar as consequências. Ainda não te imagina o que significa levar a marca.

- Vamos, Severus, se eu não o estou tomando tão trágico não o faça você.… Porque melhor não aproveitamos que estamos sozinhos e me faz amor? –pergunta abraçando-lhe para afundar seu rosto no pescoço de seu casal e beija-lo sugerentemente.

- Como pode ter vontade justo agora?

- Sempre tenho vontade contigo, meu amor… Faz favor, me ama agora mesmo.

- Não, Abbatelli… não é momento.

- Está bem. –aceitou suspirando. - Então só me abraça.

Severus levantou-lhe em braços conseguindo que o jovem Veela risse feliz fingindo que nada do que sucedia importar. Se recostaram sobre a cama, esperando a que chegasse no novo dia que mudaria a vida do Veela. Snape sabia que não poderia dormir, apertou os lábios para não se pôr a gritar de impotência. Sentia-se pressionado pela culpa do que lhe estava passando tanto a Harry como a Ângelo... Um em uma cama de enfermaria, o outro a umas horas de ser manchado de por vida, e tudo, porque ambos se tinham apaixonado dele. Agora daria qualquer coisa por regressar o tempo e voltar a ser o amargurado solitário que achou que jamais ninguém seria capaz de amar… o amor causava estragos, não era bom, não para quem o amavam.

Justo nesse momento, Harry abria os olhos violentamente, seu coração retumbava, olhou a todos lados e se tirando a coberta que lhe mantinha oxigenado tentou recordar o que tinha sucedido.

- Harry, não deve se levantar. –lhe repreendia a enfermeira quando o viu sentado em sua cama, olhando a seu ao redor quase com medo. - Ainda não se recupera de tudo, mas te asseguro que amanhã poderá sair da enfermaria se segue as instruções e descansas. Sua melhoria tem sido muito satisfatória.

- Porque estou aqui?

- Não o recorda?... O professor Snape trouxe-te desmaiado e…

- Onde está ele?

- A verdade, nem ideia. Quando regressei depois de avisar ao diretor já não estava e não tenho voltado ao ver. Agora descansa, é minha última palavra.

Harry obedeceu, sabia que era impossível desobedece-la, mas ademais, não se sentia com ânimo. Girou seu rosto para a parede e recordou o sucedido, não recordava nada do que tinha passado depois de beijar a Severus, só que um sentimento de morte iminente se apoderava de seus sentidos o pressionando e deixando sem a possibilidade sequer de respirar. No entanto, nada se comparava à tristeza que sentia ao se dar conta que Severus simplesmente o tinha deixado na enfermaria e se marchasse abandonando a sua sorte… ainda após lhe ter confessado que o amava. Poppy chegou nesse momento e fez-lhe beber uma poção para dormir e não se marchou até o ver a beber toda, parecia que não confiava nada nele, isso não se importou, em realidade almejava poder dormir sem sonhar, sem recordar a Severus Snape.

No entanto, seu descanso não foi tal, durante a madrugada pôde ver através dos olhos de Voldemort como este supervisionava as preparações para um ritual. Estavam em um quarto escuro, parecia um sótão abandonado, mas não tinha nenhum tipo de mobiliário, só uma mesa de pedra no centro rodeada de velas negras. A mirada de Voldemort fixou-se em uma porta e um profundo regozijo inundou-o. Harry acordou aterrorizado, adivinhou o que estava sucedendo, e ainda que ainda se sentia débil, se levantou da cama buscando sua túnica para se mudar, devia falar com Dumbledore em seguida.

O amanhecer estava a ponto de chegar, Severus encarregou-se de banhar a Ângelo pessoalmente, devia estar formoso e limpo para a cerimônia. Em completo silêncio lhe penteou seus longos cabelos castanhos olhando de vez em quando seus olhos verdes como azeitonas através do reflito do espelho que tinha em frente a ele. Não pôde evitar pensar em outro tom de verde, preocupado por saber o que tinha sido de ele… talvez nesses momentos já não tivesse nenhuma razão para continuar de pé nesse mundo.

- Não quero te ver triste, Severus. –pediu-lhe Ângelo sujeitando de uma mão-. O que vai passar não me importo, para valer.

- Quisesse que nada disto estivesse passando… quisesse poder fazer algo por ti, Abbatelli. –disse-lhe sentando a seu lado para acariciar lhe as bochechas com ternura. - É demasiado jovem para compreendê-lo, eu tomei a marca em uns anos antes que você e não sabia bem o que fazia… não quero que chegue a minha idade e sinta o arrependimento que sinto eu.

- Não sucederá porque estou tomando a marca com motivos diferentes… Não é pelo Senhor Escuro, é por ti, e só por isso, até me sinto contente.

Ângelo beijou a Severus antes de pôr-se de pé, era hora de colocar-se essa horrível túnica de cetim negro que lhe tinha sido levada para usar durante a cerimônia e Severus não pôde fazer nada mais que admirar sua valentia e coragem.

Enquanto, Albus tinha escutado a seu aluno em silêncio, e agora finalmente lhe deixava descansar em uma cadeira, ainda agitado pelo esforço realizado ao ir correndo desde a enfermaria.

- São notícias tristes, Harry… mas não podemos fazer nada.

- O marcará, professor! –exclamou agoniado. - Deveria estar organizando um resgate, reúna à Ordem, avise aos do Ministério… faça algo, faz favor, já!

- Ângelo é valente, Harry, ele sabia muito bem ao que se atina ao aceitar esse papel… se intervimos então jogaremos tudo a perder.

- Mas…

- Aqui esperaremos a que regressem, pelo menos sabemos que estão a salvo, Harry.

Harry não sabia que pensar, mas obedeceu ficando sentado em sua cadeira. Ainda que Ângelo não lhe agradava, nunca tivesse desejado que tivesse que passar por algo tão denigrir como ser marcado por Voldemort, de se converter em um mais de seus comensais. Agora queria voltar a ter uma conexão com seu inimigo, precisava saber o que sucedia… mas não o conseguiu, estava tão nervoso e preocupado que jamais poderia se concentrar o suficiente.

No refúgio de Voldemort, Severus ocultava sua tristeza depois da máscara de comensal, doía-lhe na alma ver que Ângelo era conduzido para a mesa de pedra e recostado sobre ela. Parecia realmente um anjo a ponto de ser sacrificado. Teve que retirar os olhos para não olhar, mas a voz de seu companheiro o chamando lhe fez voltar a fixar sua vista nele, se surpreendendo do ver lhe sorrir com ternura.

- Vêem, Severus. –pediu-lhe estendendo sua mão para ele. - Acerca-te para mim.

Severus duvidou, olhou ao Lord quem fez-lhe um sinal para que obedecesse e então se apressou a chegar ao lado do doce Veela que lhe olhava tão apaixonado que seu coração se sentiu mais culpado que nunca.

- Quero que esteja comigo neste momento. –pediu-lhe Ângelo sujeitando-o firmemente com sua mão direita. - Suponho que não tem nenhum inconveniente em isso, Senhor… ou sim? –agregou dirigindo-se a Voldemort.

- Muito românticos os dois… mas não, por mim não há problema. –respondeu Voldemort debochando-se deles. - É mais, ocorre-me uma grande ideia, Severus… tudo bom se tem a honra de marcá-lo pessoalmente?

Severus assentiu, ainda que lhe resultaria duplamente doloroso ser o causante de que Ângelo levasse a marca, o preferia a deixar que outro comensal lhe pusesse uma mão em cima. Ângelo sorriu-lhe animando-o a atuar como devia o fazer frente a Voldemort. Severus olhou-lhe um instante a seus olhos antes de proceder a presidir o ritual.

O coração de Severus se sobrecozia ao notar o rictus de dor de Ângelo quando usando um escalpelo de prata traçou uma linha reta ao longo de seu antebraço. O sangue começou a manar em todas as direções, o corte devia ser profundo e portanto abarcava até algumas artérias de considerado calibre, podia sentir as fibras dos músculos destroçadas pelo fio do bisturi mas não devia se deter. Voldemort acercou-se ao momento em que viu que o sangue já enchia uma vasilha colocada baixo o braço do Veela, e então colocou sua varinha sobre a ferida. Um reflexo verde cobriu o recinto em que se encontravam e Ângelo lançou um grito aterrador que congelou o sangue de Severus, sua respiração se voltou tão agitada como a do rapaz, se ganhando um sorriso mais que zombadora do próprio Voldemort, pensando que o amor estava inundando o coração de seus serventes. Esse pensamento fez-lhe pôr mais ênfases ao feitiço que pronunciava, precisava se assegurar de uma absoluta lealdade e o amor sempre era o pior obstáculo para isso… era melhor que jamais esquecesse essa tortura.

Severus apertou mais forte mão direita de Ângelo, via com dor seu rosto suado pelo martírio que sentia, de modo que dirigiu sua mirada para o Senhor Escuro em uma muda súplica para que se detivesse, por suposto, sabia que isso era um sonho, mas não podia o evitar… tinha que fazer algo.

Inclinando até o chão, beijou o longo da túnica de Voldemort implorando por Ângelo, convencido de que ele não suportaria mais sofrimento, não estava acostumado à dor por muitos duelos nos que tivesse participado, sempre eram coisas controladas, jamais tinha sido presa de uma maldição como a que agora lhe era dirigida. Finalmente, Voldemort separou a varinha do braço de Ângelo e este suspirou cansado, ainda que a dor não se ia. A ferida foi-se fechando e doía tanto como quando foi aberta enquanto uma imagem se desenhava por si mesma sobre sua branca e tersa pele de jovem Veela. Voldemort inclinou-se um pouco para levantar o rosto de Severus, tirou-lhe a máscara e sorriu diabolicamente.

- Se algum dos dois me falha, Severus… o que pagará será o outro. Tem entendido?

- Sim, Amo… nossa lealdade sempre será para você.

Voldemort olhou ao Veela antes de marchar-se, talvez deveu o ter matado, não lhe agradava saber que seus comensais se adorassem mais entre sim que a ele… mas o precisava, esse Veela era uma peça finque em seus jogos, ao igual que Severus. O resto dos comensais desapareceu-se com seu Senhor e Severus aproveitou para sujeitar a Ângelo em seus braços e levar à habitação. Aí limpou-lhe o sangue já coagulada para olhar asco como a marca tenebrosa se tinha aderido para sempre a essa pele tão cálida e amorosa… não era justo, pensou, porque manchar algo tão formoso?.

- Obrigado por estar comigo, Severus. –disse-lhe Ângelo com um pouco de dificuldade. - Sei que está preocupado por mim, mas te juro que já quase nem me dói.

- Esquece-se com quem fala?... sei o que se sente, Abbatelli, não pode me enganar.

- Já podemos regressar a Hogwarts?

- Sim… assim que sinta-te melhor nos iremos.

- Já me sinto bem. –assegurou tentando incorporar-se. - Quero ir-me a casa, amor.

- De acordo, nos iremos a casa.

Ambos se sorriram pensando em que realmente tinham encontrado algo parecido a um lar dentro do castelo onde trabalhavam, e somente aí podiam se sentir melhor libertando da atmosfera tétrica do refúgio de Voldemort. O que Ângelo não supôs foi que Severus pensava em Harry ao falar de lar, e não tinha alegria alguma em seu sorriso imaginando que talvez a seu regresso se encontrasse com uma notícia que não sabia se poderia suportar.

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Harry sustentava em suas mãos a caneca de chá que Albus lhe desse, mas não bebia, olhava sua superfície marrom pensando em Severus, rogando por que estivesse bem, para que a ele não lhe passasse nada, já tinham demorado demasiado, isso não podia vislumbrar nada bom. Já nem sequer se lembrava de sua tristeza por ter sido abandonado na enfermaria, o único que queria era o ver entrar são e salvo e então tudo estaria bem, poderia lhe dizer que o amava ou que o odiava, isso não importava, o que desejava era poder lhe falar.

A porta abriu-se e entrou Severus com Ângelo, este último ia sustentado do braço do outro professor, como se se lhe dificultasse se manter em pé. Harry levantou-se por um impulso, mas deteve-se no seguinte momento… que ia fazer? Lançar aos braços de Severus e beija-lo adiante de seu companheiro?... não, essa não era uma boa ideia.

Os olhos de Severus brilharam de uma maneira incrível ao ver a Harry em frente a ele, foi o fato de que Ângelo se aferrou com mais força a seu braço, o que lhe evitou sair correndo para Harry para o abraçar, feliz de voltar a ver esses olhos verdes a seu regresso. Com a ajuda de Dumbledore, sentou a Ângelo em um sofá e ele fez o mesmo a seu lado, recebendo em seus braços para que continuasse descansando sobre seu peito… já não se atrevia a olhar o que Harry fazia nesse momento.

- Alegra-me vê-los de regresso. –disse Dumbledore sentando-se em frente a eles, Harry permaneceu de pé, quase sem se mover, tentando passar desapercebido. - De modo que tem tomado a marca, Ângelo.

- Como o sabe?

- Harry veio-me a avisar faz momento, ao que parece teve uma visão de Tom.

- É isso verdadeiro, Potter? –perguntou Severus alçando a mirada para Harry com preocupação.

- Sim… e estou bem. É bom ver que pergunte. –contestou com uma ironia que não pôde manter oculta.

- E você como está, Ângelo? –interveio Dumbledore tentando evitar que esses dois voltassem a brigar.

- Bem, Albus, obrigado. Só um pouco débil, mas me reporei rápido.

- Sinto que as coisas estejam tomando este rumo.

- Eu aceitei as consequências, Albus, não tenho nada que recriminar. É mais, gosto de pensar que a marca é mais uma representação de meu amor por Severus que um símbolo de magia negra.

- Muito românticos os dois. –comentou Harry sem poder evitá-lo.

- Foi o mesmo comentário que fez você-sabe-quem quando lhe pedi que Severus estivesse a meu lado. –respondeu-lhe Ángelo sorrindo com tristeza.

- Talvez está me comparando com Voldemort? –lhe recriminou Harry ofendido.

- Só em que parece que a nenhum dos dois gosta de ver à gente feliz.

- Isso não é verdadeiro. –interpelou Harry ofendido. - Não tem direito a me dizer algo assim… não me conhece o suficiente.

- Sempre está fazendo comentários prejudiciais, Harry, sobretudo quando se trata de Severus e de mim, e eu não tenho feito nada que deva me envergonhar, ao invés, quis ser teu amigo e você não tem querido o aceitar.

- Sim, talvez seja tão cruel como diz, Ângelo, mas jamais te diria que tem algo que me recorda a um monstro, a alguém que assassinou a meus pais e que vive querendo fazer o mesmo comigo… acho que você também sabe fazer comentários prejudiciais.

- Eu só me defendia. –protestou cobiçando-se nos braços de Severus.

- Pois eu também sei me defender, e me morro porque chegue no dia em que possa te dar conta que…

- Basta! –exclamou Albus de repente. - Acho que ambos se ultrapassaram desta vez, e justo quando deveríamos estar mais unidos que nunca, de modo que lhes sugiro que se peça uma desculpa agora mesmo.

- Mas, Albus… -protestou Ângelo timidamente. -… só me defendia.

- O que disse estava a mais, Ângelo… te desculpa, faz favor.

- Não, eu não quero que se desculpe. –assegurou Harry. - Não me faz falta.

Harry saiu rapidamente do despacho do professor do Diretor, estava mais que furioso, mas não tanto contra Ângelo, aquela discussão não se importava tanto, mas sim o silêncio de Severus, isso lhe doía como punhais fincados na alma.

- Harry!

Harry deteve-se um segundo enquanto baixava a escada de caracol, a voz a suas costas tinha um poder incrível sobre ele, mas não se girou ao olhar, isso lhe restaria todas suas forças, e depois de respirar fundo continuou descendo o mais rápido que pôde. Mas Severus foi mais veloz e atingiu-o sujeitando de uma mão para impedir-lhe continuar fugindo. Intempestivamente, Harry girou-se sobre si mesmo e lhe golpeou repetidamente o peito para se soltar, mas Severus não o fez, lhe puxando para ele lhe abraçou e ainda que teve que usar mais força do que queria, conseguiu o submeter até que o garoto terminou chorando aferrado a sua túnica.

- Não me defendeu! –reclamou-lhe com ira. - Sei que esse Veela é a quem você elegeu, Severus, mas o que me disse não era para que ficasse calado!... E fez, não abriu a boca para nada enquanto seu amorzinho me humilhava me comparando com Voldemort!

- Harry… foi uma discussão infantil entre os dois, não deve a tomar em sério... aqui se jugam assuntos mais graves que isso e...

- Melhor já não diga nada! –gritou-lhe conseguindo se soltar. -Odeio-te, é um maldito que não merece que me tenha passado horas rezando para que estivesse bem, para que regressasse com vida!... Rezava para que voltasse a salvo, para ainda que seja poder brigar contigo como sempre, mas me esqueci do bem que sabe me machucar!...oxalá nenhum tivesse voltado!

- Não diga isso, sei que não o sente em verdade. Disse-me que… na sala, disse que…

- Esquece o que tenha dito na sala, Severus, escutou mau!

- Não é verdadeiro.

- E olha-te, Severus, ainda crendo ter escutado outra coisa, me deixa na enfermaria completamente só, sem se importar se morro ou não!

- Claro que me importava… não pode te imaginar quanto, mas precisava ir ao chamado do Senhor Escuro, Harry.

- Chamou-te? –perguntou mudando seu enojo por uma total preocupação, estremecendo-se involuntariamente quando Severus se atreveu a lhe limpar um pouco suas lágrimas. - Para que te queria a ti?

- Só para se comunicar com Abbatelli, lhe encomendou uma missão especial da que não posso te falar agora, preciso o fazer primeiro com Dumbledore.

- Bem. –aceitou suspirando resignado. - Façam suas conspirações a gosto… eu me vou, nem que me importasse a iniciação de seu amorzinho! Melhor regressa com ele e o ajuda, que isso é bem mais importante pelo momento.

- Harry, quero que falemos do que passou na sala, do que me disse e sobre o beijo.

- Pois que lástima, porque eu já não tenho nenhuma vontade de falar contigo… não agora.

Harry terminou de baixar as escadas e saiu rápido pela porta que a gárgula tinha aberto. Severus já não lhe seguiu, se sentou em um degrau, totalmente abatido por não poder lhe dizer que o amava e que suas palavras também o feriam.

"Ele tem razão" pensou suspirando cansado… "eu não devi me ir e o deixar só quando sabia que estava correndo um perigo de morte… o abandonei! Nem sequer disse-lhe a Albus para que buscasse algo para o ajudar, simplesmente confiei em que era Harry Potter, o menino que sempre tem sobrevivido"

Severus introduziu seus dedos em seu cabelo com ansiedade, precisava ser mais racional, atuar mais inteligentemente, mas a cada vez sentia-se mais confundido. Olhou para acima e viu a porta fechada do despacho, alegrando-se de ter colocado um feitiço de silêncio, assim poderia ter tempo de inventar uma mentira mais que justificasse o fato de ter saído correndo atrás de Harry.

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Nota tradutor:

Mais um capitulo pronto e o odioso do Abbatelli se saindo com a sua... como foi que se atreveu a humilhar ainda mais a Harry o comparando ao assassino de seus pais

Simplesmente odeio esse veela tosco

Vejo vocês no próximo capitulo

Ate breve!

Fui…