Aviso: Inuyasha e Cia. ainda não me pertencem, ainda por que um dia pelo menos o Kouga!

The fury in the snow.

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Liberte-me.

_Sango! – chamou Kagome batendo na porta do quarto da amiga – Acorda e toma banho!

_Kagome! – a voz embargada de sono de Sango respondeu de dentro do quarto – Pelo amor de Deus, hoje é domingo me deixa dormir!

_Nada disso! – respondeu batendo mais forte – Hoje nós temos um dia cheio!

_Vai dormir Kagome! – gritou Sango.

Kagome suspirou ao que tudo indicava Sango realmente não ia se levantar da cama tão cedo, preparou-se para ir embora quando algo lhe impediu seus olhos azuis, sem a camuflagem da lente de contato, brilharam e tornaram-se mais claros do que jamais foram.

_Porque não abre a porta? – Aquela voz... Kagome conhecia aquela voz, já a havia ouvido antes, mas... Onde? – Você só precisa girar a maçaneta.

Obediente, quase hipnotizada, Kagome voltou-se para a porta, seus dedos fecharam-se ao redor da maçaneta, mais quanto tentou girá-la, a mesma protestou, a porta estava trancada.

_Destranque-a. – ordenou a voz. – Destranque a passagem. – alguma coisa no tom da voz, parecia indicar que ela não se referia à porta do quarto de Sango.

Mas como destrancar a porta? Kagome não possuía a chave.

_Sim, você possui a chave. – sussurrou-lhe a voz. – Eu lhe mostro como usar.

Sem piscar, Kagome acenou com a cabeça, seus lábios estavam entre abertos e sua expressão vazia.

_Primeiro, largue a maçaneta. – instruiu-lhe, e Kagome obedeceu deixando que sua mão caísse inerte ao lado de seu corpo – Muito bem, agora... Concentre sua energia através de seu braço, até que chegue a sua mão, e então a concentre toda nas pontas de seu dedo médio e indicador.

Todo o corpo de Kagome pulsou, e ela fechou os olhos fortemente, dando um passo para trás, lutando para reassumir o controle sobre seu corpo.

_Acalme-se. – a voz falou mansamente – Você consegue.

_Não posso. – sussurrou dando outro passo para trás.

_Sim, você pode.

_Não!subitamente os olhos de Kagome voltaram ao seu tom naturalmente azul céu e ela jogou-se para trás, percebendo então não estar mais em sua casa, mas sim em um lugar que era, aparentemente, infinito e onde a luz não existia, e a porta continuava ali a sua frente.

Porém já não era mais a porta de madeira do quarto de Sango, mas sim uma porta metálica com várias correntes e cadeados a trancando.

_Por quê? – a voz já não vinha da cabeça de Kagome, mas sim do outro lado da porta, e ela estava furiosa. – Por que continua mantendo-me aqui? – a porta estremeceu.

Assustada Kagome correu.

_Liberte-me! – gritava aquela que estava do outro lado da porta – Liberte-me!

E então, Kagome caiu, despencou no infinito, enquanto a voz continuava a gritar, clamando por sua liberdade, e Kagome dava voltas e mais voltas no ar, balançando os braços e pernas, ela iria cair... Para sempre?

_Kagome! – e finalmente ela chegou ao chão.

Toda enrolada em seu cobertor, com as pernas nuas para o alto, e as costas grudadas ao chão.

_Sango? – murmurou, retirando o cobertor de seu rosto.

Sango olhava-a risonha.

_Parece que estava tendo um sonho agitado, não é mesmo? – perguntou estendendo a mão para ajudar a amiga a levantar – Eu vim chama-la para o café da manha, e quando cheguei a vi despencando da cama. – explicou – Com o que você estava sonhando?

Kagome passou as mãos nos cabelos e piscou confusa ao perceber que não se lembrava, na verdade, nem mesmo se lembrava de ter sonhado.

_Eu não sei.

_Tudo bem, venha tomar o café. – passando o braço ao redor dos ombros de Kagome, Sango a conduziu para o corredor, e de lá em direção as escadas – Você está pálida.

_Você me conhece. – Kagome sorriu debilmente – Tenho uma cara horrível antes do meio dia.

_Huhun. – concordou Sango fazendo Kagome sentar-se no balcão e entrando na cozinha.

Kagome fez uma careta – Não era para você concordar!

Sango riu, pousando uma xicara de café com leite a frente de Kagome, que novamente fez uma careta, desde pequena, quando fora passar aquele verão na casa da madrinha nos Estados unidos Sango gostava de café.

_Sango eu não gosto de café. – protestou.

_Eu não gosto de chá. – retrucou Sango tomando um gole de seu café – Mas tomo, não tomo?

_Não. – Sango sorriu amarelo diante a resposta de Kagome. – Aliás, nós não costumamos tomar café aqui no Japão.

_Você sabe que nem eu, nem você, somos japonesas tradicionais Kagome. – Sango deu-lhe uma piscadela.

_Tradicionais ou não. – Kagome empurrou a xicara – Eu não gosto de café.

_Deveria ao menos experimentar. – comentou tomando outro gole.

Kagome observou o liquido fumegante, já havia experimentado há algum tempo atrás, quando fora tomar café da manha na casa de Sango em uma manha de outono, e certamente Kirara se lembrava disso, ao pensar nisso Kagome olhou em volta procurando pela adorável gatinha.

_Eu deixei Kirara sair para pegar um ar fresco. – comentou Sango como que lendo seus pensamentos – Não precisa se preocupar em cuspir o café quente nela.

_Oh, pobre Kirara. – suspirou Kagome com ar culposo.

_Pare de enrolar e tome logo. – Sango sorriu.

Kagome acenou com a cabeça e pegou a xicara, para beber o liquido, porém o mesmo nunca chegou a tocar seus lábios.

_Liberte-me! – gritou aquela voz em sua cabeça novamente no mesmo momento em que a xicara explodiu.

Novamente?

_Kagome tudo bem? – Sango aproximou-se preocupada com um guardanapo em mãos.

_Eu estou bem. – murmurou levando uma mão a cabeça.

_Kagome, o seu rosto! – exclamou Sango – Está sangrando!

Atordoada Kagome escorregou a mão até sua face, havia um corte diagonal em sua bochecha esquerda com aproximadamente 3,5 cm, por onde o sangue lhe escorria.

_Oh. – murmurou fitando a ponta dos dedos ensanguentados – Mas o que aconteceu?

_A xicara explodiu na sua mão, Kagome! – exclamou limpando o filete de sangue do rosto de Kagome com o guardanapo – Um dos cacos deve ter voado direto para seu rosto e lhe cortado.

_Eu devo ter segurado com muita força. – comentou.

Sango encarou-a séria, pois Kagome estava segurando a xicara pela aza, não havia como ela simplesmente explodir, ela sentia que Kagome lhe escondia algo, mas a mesma estava tão atordoada que Sango duvidava que ela mesma soubesse o que se passava consigo, e ela podia ver na confusão de tons de azuis que eram os olhos de Kagome, que ela estava confusa.

_Kagome. – suspirou – O que está havendo com você?

Agora não era só a confusão de azuis que dominava os olhos da amiga, as pupilas haviam se dilatado, e tremiam, Kagome estava com medo.

_Eu não sei. – confessou levantando-se, Sango pensou em impedi-la de se afastar, mas alguma coisa em Kagome lhe dizia que ela precisava ficar só – Eu vou subir e colocar algo para cobrir este arranhão.

Mas será que não seria pior deixar Kagome só?

_Tudo bem. – concordou em um suspiro – Eu vou limpar as coisas por aqui.

Kagome subiu as escadas com lentidão, às mãos firmemente agarradas ao corrimão, ao chegar ao segundo andar ela seguiu pelo corredor até a ultima porta, e a empurrou, depois disso deslizou para dentro e fechou a porta, naquela manha havia acordada exausta.

_Eu preciso... Preciso lavar o rosto. – concluiu debilmente, encaminhando-se para a pia, onde abriu a torneira em toda a sua potencia e encheu suas mãos para molhar o rosto.

Quando se ergueu, deparou-se com seu reflexo no espelho, fixou os olhos nele notando algo diferente... Os olhos!

Aqueles olhos que lhe encaravam do espelho não eram os seus, pois eles tinham um brilho frio e cruel, de um tom de azul gelo que jamais existiu em sues próprios olhos, agora espantada, e mais atenta, ela deu-se conta que seu reflexo não possuía o corte na bochecha que a pouco ela ganhara, além de que usava roupas diferentes, pelo menos até onde se podia ver pelo pequeno espelho, as roupas eram negras e nada tinham a ver com sua delicada e inocente camisola amarela de mangas curtas.

Seu reflexo, ao contrario de si mesma, usava uma sombra negra nos olhos e um brilho labial nos mesmos.

_Kagome eu nunca lhe faria mal, tudo o que desejo é protegê-la de toda essa imundice em que se tornou o mundo físico – disse-lhe o reflexo seriamente. – Porque então insiste em me manter aqui?

Um pavor inexplicável tomou conta de Kagome e assim como em seu sonho, do qual ela não lembrava, ela tentou escapar, mas a porta do banheiro estava trancada, em seu desespero ela tentou girar a maçaneta, mas a mesma não se movia.

_Você precisa destrancar a porta com a chave. – informou-lhe o reflexo.

_A chave! – repetiu amedrontada olhando em todas as direções possíveis, exceto a direção em que se encontrava o espelho, a procura da chave. – Onde está?

_Você possui a chave.

Kagome já não ouvia, tudo o que ela queria era abrir a porta, escapar dali.

_A porta só se abrirá com a chave. – informou-lhe o espelho – Abra a porta.

Não era da porta do banheiro que ela falava disso Kagome tinha certeza.

_Abra a porta! – ordenou-lhe o reflexo – Liberte-me!

_Me deixe em paz! – gritou virando-se e fazendo um repentino e bruto movimento com a mão direita.

De sua mão uma onda de energia rósea foi disparada, como um chicote, em direção ao espelho, à energia o atingiu quebrando-o em vários pedaços que voaram pelos ares, Kagome gritou assustada, mas antes que um daqueles cacos de espelho a atingisse uma barreira formou-se ao seu redor.

_Um dia me libertarei! – foi a ultima coisa que ouviu antes de desmaiar ali mesmo no banheiro.

A escuridão... Era esse o seu refugio.

_Levante-se Kagome. – a voz ordenou-lhe pacificamente, e Kagome sentiu o cálido toque de uma mão em sua face.

Kagome abriu os olhos numa única vez, e não viu nada se não a escuridão, estaria ela cega?

_Levante-se Kagome. – repetiu a voz.

O coração de Kagome disparou. Oh não, de novo não!

_Está tudo bem, não precisa me temer. – falou a voz mansamente, e Kagome sentiu que algo acariciava lhe os cabelos, então ela percebeu: a voz tinha um corpo. – Sinto ter sido tão bruta, e tê-la assustado, mas tente compreender-me, eu sou o que você é em seu intimo, sou incapaz de dissimular ou mesmo controlar o que sinto... E eu sinto muitas coisas.

Subitamente tomada de uma calma inexplicável Kagome permitiu-se usar seus braços para impulsionar seu corpo e sentar-se sobre os próprios joelhos, a sua frente outra Kagome encontrava-se na mesma posição, passeando delicadamente as costas dos dedos pela lateral de seu rosto.

Assim como ela já havia percebido, aquela outra Kagome era diferente de si, carregava olhos azuis gelo, um pouco de maquiagem e roupas negras, e seus cabelos eram mais curtos mal lhe passavam dos ombros.

Suas roupas, Kagome reparou, eram constituídas de um belo vestido longo, cuja saia era armada, o decote quadrado e avantajado lhe dava destaque aos seus dotes assim como a renda negra que adornava o decote, as mangas seguiam rentes aos braços até dois dedos após o cotovelo onde também havia rendas negras, e ela também usava pequenas luvas negras feitas de renda.

Kagome sentiu-se bem, em paz, uma estranha e confortável sensação lhe inundou o corpo, e ela pode ver com a visão periférica, a tênue luz rósea que escapava dos delicados dedos daquela outra Kagome, que lhe traçava o corte em sua bochecha.

Hesitante Kagome tocou com as pontas dos dedos os dedos enluvados que lhe acariciavam a pele, e sentiu a energia fluir por todo o seu corpo, então, naquele momento, ela soube que o corte deixara de existir.

Aquela que estava a sua frente, havia-lhe cicatrizado o corte com um simples toque, utilizando-se daquela energia pura que provinha de sua alma, de tal maneira que apenas uma miko poderosa e pura poderia fazer.

_Quem é você?

_Eu sou você. – respondeu-lhe a outra Kagome serenamente – Você sou eu.

_Onde estamos? – perguntou olhando em volta, não havia nada senão a escuridão.

_Nós estamos bem aqui. – respondeu-lhe botando ambas as mãos em forma de concha sobre o lado esquerdo do peito e abaixando o olhar.

Kagome sentiu-se impulsionada a imitá-la, colocando também as mãos em concha sobre o lado esquerdo de seu peito.

_Aqui?

_Exato. – sussurrou-lhe. – Aqui é onde você me aprisiona. – sua fisionomia tornou-se triste quando a outra Kagome voltou a encará-la.

_Perdão. – murmurou Kagome.

_Houve uma época, em que fomos uma só. – informou-lhe a outra Kagome – Mas as pessoas desprezaram-nos, porque éramos diferentes... Éramos apenas uma criança, e você achou que a solução seria jogar-me aqui, fingir que eu simplesmente não existia. – ela fez uma pausa baixando o olhar – Eu cresci aqui, aprisionada, cheia de ódio.

Ódio. Entre todos; aquele era o sentimento mais perigoso, ódio, também conhecido como o "sentimento irracional", o temor voltou a tomar conta de Kagome, pois aquela Kagome havia lhe confessado estar cheia deste sentimento.

_Mas não é a você, que meu ódio se dirige. – disse a outra Kagome deixando lentamente que suas mãos escorregassem de seu coração para o seu colo – Mas sim aqueles que nos maltrataram.

_Aqueles que nos maltrataram... – repetiu em um murmúrio também colocando as mãos sobre o colo. – Quem nos maltratou? – ela sabia que muitas pessoas havia a maltratado, mas queria saber qual a extensão da lista de ódio daquela Kagome a sua frente.

_Houve dois porcos imundos que presenciaram meu despertar. – exemplificou a outra Kagome – Eles bateram-nos, e nos fizeram chorar... Se Sango não tivesse intervindo, eu mesmo o teria feito.

Kagome estremeceu, pensando no que aquela Kagome poderia ter feito aos garotos.

_Sabe... – a outra Kagome ergueu o olhar para algum ponto distante na escuridão a cima da cabeça das duas, em seus lábios havia o que parecia ser um sorriso sonhador – Nós somos capazes de criar uma barreira dentro de um ser humano, e expandi-la até que ele exploda.

Kagome arregalou os olhos, horrorizada perante aquela revelação, seu avô nunca havia lhe ensinado aquilo... Ou talvez, ela não tenha lhe dado tempo.

Você me aprisionou por não me compreender, e por temer que eu fizesse mal aqueles que você ama. – lamentou-se a outra Kagome desfazendo-se de seu sorriso – Não posso mentir Kagome, seu medo tem fundamentos. – confessou-lhe. – Você interrompeu seu treinamento. – falou de repente.

_Sim, eu... –mordeu o lábio inferior, e sem coragem para continuar a encarar a outra Kagome ela desviou o olhar – Já não podia mais suportar, enquanto todas as crianças brincavam na rua e faziam amizades eu estava presa em casa treinando.

_Kagome. – chamou-lhe a outra Kagome docemente a segurando pelo queixo e a obrigando a encará-la – Você tem ideia da grandiosidade de nossos poderes?

_Sim. – sussurrou baixando o olhar para suas próprias mãos.

_É evidente que não. – comentou a outra Kagome como se não houvesse ouvido o que ela havia dito – Do contrário, você saberia que jamais deveria ter cessado com o treinamento, por tanto você é incapaz de controlar aa teus próprios poderes... –suspirou erguendo o olhar novamente e retirando a mão do queixo de Kagome – Por tanto eu sou incapaz de controlar-me.

_Eu... Eu não compreendo.

_É claro que não. – a outra Kagome lhe sorriu ternamente.

Por alguns minutos elas ficaram caladas, o silencio era a única companhia que elas tinham, até que a outra Kagome respirou fundo, como se tomasse coragem para falar algo.

_No inicio, eu não me importei de está aprisionada neste lugar. – contou-lhe – Assim como você, eu achei que isto era o melhor a se fazer... Para que você pudesse ser como uma garota normal. – ela suspirou novamente, sua expressão era sofredora – No entanto, a cada dia que se passava você separava-se cada vez mais e mais de mim, e então sem consegui suportar passei a tentar comunicar-me contigo através de teus sonhos, que são como um meio termo entre o mundo físico, o qual está praticamente fora de meu alcance, e este mundo, que até então estava fora de seu alcance, mas você horrorizava-se quando eu...

_Quando, você...?

_Quando eu confessava-lhe as coisas horríveis que eu havia feito em minhas poucas aventuras ao mundo físico, fortalecida pelo ódio e pelo desejo de vingança.

Sem explicação os rostos de Taylor e Shinjo, os dois garotos que havia lhe machucado quando muito pequena e que meses depois foram dados como desaparecidos e nunca mais encontrados, passaram por sua mente, depois os rostos de Akiko e Chang, os dois garotos que, supostamente, Sango havia mandado para a UTI... Ela não sabia por que, mas de repente passara a duvidar das palavras de Sango.

_E de alguma forma, você sempre arranjava um jeito de enfurecer-me. – a outra Kagome a tirou de seus devaneios e um sorriso fraco e triste brotou no rosto dela quando ela levantou-se – O que não é muito difícil.

_Eu não compreendo, nunca falei com você antes. – falou também se levantando, e só naquele momento deu-se conta de estar vestida exatamente igual a sua outra eu, porém inteiramente de branco.

_Kagome nós já nos falamos muitas vezes. – por cima do ombro ela lançou lhe um olhar melancólico, pelo visto, aquela Kagome sentia uma enorme tristeza em seu coração, além do ódio que ela confessara ter – Acontece que você sempre apagava de tuas lembranças no momento em que acordavas. – explicou começando a caminhar.

_Por quê? – perguntou Kagome fazendo menção de mover-se para seguir sua outra eu, mas percebendo então, estar presa.

_Porque você quer ser como as outras pessoas. – respondeu-lhe a outra Kagome sem olhar para trás – E eu sou aquilo que não a deixas ser normal.

Neste momento Kagome notou haver um espelho a frente de sua outra eu, e que ela caminhava em sua direção, porém não havia reflexo.

_Agora me escute Kagome. – pediu olhando-a novamente por cima do ombro enquanto colocava uma mão sobre o espelho – Recentemente eu pressenti o perigo, e lutei para libertar-me... Para unir-me novamente a você. – a mão dela, Kagome percebeu, estava adentrando o espelho lentamente – Para que assim eu pudesse defendê-la, para que juntas fossemos capazes de nos proteger, tentei fazê-la destrancar a passagem, libertar-me, mas você está determinada a manter-me aqui. – agora seu braço já adentrará o espelho até a altura que começava a manga do vestido – Por tanto só me resta avisá-la: Tome cuidado Kagome, o perigo se aproxima.

_O perigo? – espantou-se Kagome.

_Sim. – confirmou a outra se virando para frente e dando um passo à frente em direção ao espelho, entrando completamente no mesmo – Ele saberá como seduzi-la, e cegará teus olhos com o brilho, muitos serão aqueles a tentar, assim como eu, salvá-la, mas você não lhes dará ouvidos... – lentamente a imagem daquela Kagome dentro do espelho e de costas para ela ia desaparecendo – Não se deixes ser capturada Kagome.

Agora que a imagem sumirá por completo, o espelho transformou-se em uma porta metálica, trancada com cadeados e correntes.

_E eu lhe imploro Kagome. – lá estava ela, a voz, novamente em sua cabeça – Não te esqueças.

_Eu não me esquecerei. – respondeu pousando as mãos em concha sobre o coração e baixando o olhar.

_Prometa-me. – pediu a voz angustiada. – Prometa-me que não esquecerás.

_Eu... Prometo. – sussurrou fechando os olhos.

Uma brisa vinda de algum lugar soprou no rosto de Kagome, fazendo seus longos cabelos dançarem esvoaçantes, mas ela não se incomodou nem mesmo em abrir os olhos, e por isso não percebeu que suas roupas antes brancas tornavam-se novamente sua camisola amarela.

_Olhe, acho que ela está acordando. – Kouga?

_É mesmo... Mas ela está com uma cara horrível. – Ayame?

_Ayame ela desmaiou no banheiro e ficou inconsciente por quase duas horas, é claro que a cara dela está horrível! – definitivamente eram Ayame e Kouga – Como você acha que sua cara ficaria se isso acontecesse com você?

_Aposto que bem melhor do que está agora. – murmurou Kagome abrindo os olhos.

_Ela acordou! – exclamou Ayame saltando sobre Kagome para abraça-la.

_Ayame larga ela! – espantou-se Kouga a puxando – Quer que ela desmaie novamente?

_Eu só queria mostrar o quanto estou feliz, por ela ter acordado. – argumentou fazendo beicinho.

_Francamente Ayame. – Kouga girou os olhos – Ela só desmaiou, não é como se ela tivesse acabado de acordar de um coma.

_E se ela tivesse batido a cabeça e...

_O que estão fazendo aqui? – perguntou Kagome, encerrando com a discursão, enquanto sentava-se ainda meio zonza.

_Eu vim convidar você e Sango para irmos ao shopping comemorar meu aniversario. – respondeu Ayame.

_E que é só daqui a dois... – Kouga parou de falar quando finalmente fitou Kagome diretamente –... Dias. – terminou em um murmúrio depois balançou a cabeça e recomeçou a falar – Quando Sango abriu a porta e eu vi que você não estava por perto, achei que ela ia tentar exterminar a gente.

_Há quanto tempo vocês chegaram?

_Estávamos entrando quando ouvimos você gritar no banheiro, e então a encontramos, caída no chão. – a expressão de Ayame tornou-se eufórica – Foi à coisa mais legal que eu já vi!

_Como disse? – perguntou sem entender.

_Não você está caída no chão como se estivesse morta! – Ayame tentou corrigir-se erguendo as mãos, ais quais estavam enfaixadas por ataduras até os pulsos, e balançando a cabeça – Me refiro à barreira!

_Que barreira?

_Você estava envolvida por uma barreira... – Kouga parou por um momento, esforçando-se para lembrar algo – Espiritual!

Kagome empalideceu, eles haviam visto.

_Ayame, o que houve com suas mãos? – tentou mudar de assunto olhando preocupada para as mãos enfaixadas da amiga.

_Essa maluca. – Kouga começou a falar antes que Ayame tivesse chance – Quando chegamos ao banheiro e a vimos caída no interior daquela barreira, ela ficou tão preocupada que se esqueceu de que era uma youkai e tentou tirar você lá de dentro, mas assim que tocou a barreira...

_Eu fiz isto. – concluiu em um murmúrio culposo.

_Não se culpe! – exasperou-se Ayame – A culpa é minha por ser tão estabanada!

_Sango, por ser humana, foi à única que conseguiu tocá-la dentro da barreira, e no momento em que fez isso a mesma desapareceu então nós a trouxemos para o seu quarto. – Kouga encerrou com seu relato.

_E... Onde está Sango?

_Ela saiu agora a pouco. – respondeu-lhe Ayame – Foi guardar o material de primeiros socorros que usou para enfaixar minha mão. – sorriu amarelo.

Fez-se silencio por um estante, até que Kagome retomasse a palavra:

_Ayame, disse que veio convidar Sango e eu para irmos ao shopping comemorar seu aniversario?

_Sim! – respondeu animada ao lembrar-se do fato – Ah, e o Kouga vai ser nosso chofer e carregador. – completou com um sorriso diabólico.

_É isso que dar morar na faculdade. – Suspirou Kouga deixando a cabeça tombar para frente – Você vira um alvo fácil.

*.*.*.*

Olha eu aqui ressurgindo dos mortos! o/

Eu deveria ter postado há semanas, mas meu comutador quebrou de repente e sem aviso prévio (o sorte ¬¬') e quando voltou tudo tinha sido apagado e eu tibe que redigitar tudo de novo, mas olhe pelo lado bom o capitulo saiu com quase o dobro do tamanho que ia sair anteriormente!

Respostas as review's:

Dreime: Você arranja muitos machucados Dreime-san.

Sabe como é só pra confirmar. ^^'

EllenChaii: Que bom que gostou, e pode exagerar o quanto quiser, porque é um belo incentivo para eu escrever. ^^

Ayame Gawaine: Bem acho que sim, eu dei bastante pistas. ^^'

É verdade, o Jackotsu é tudo! Apesar de ele ser vilão no anime, todo mundo ama ele.

É a Ayame não é normal, definitivamente ela tem uns parafusos a menos. ^^

Nossa verdade? o.O

Que coincidência, e eu realmente acreditava que fosse porque você gostava da personagem.

Bem eu perdi tudo, mas estou tentando reescrever (inclusive a dúzia de one shorts que eu tinha prontas para serem postadas) infelizmente a minha memória não colabora muito.

Mas eu não vou desistir! *olhar determinado*