Capítulo 11
As remanescentes ondas de êxtase ainda consumiam suas forças quando novamente viu-se aninhada nos braços de Inuyasha. Ele era um homem possessivo em todo e qualquer momento, disso não lhe restavam dúvidas. Ao mesmo tempo em que recaia sobre ambos uma sensação de plenitude, os conflitantes sentimentos que usualmente duelavam sobre a razão e a emoção, pairavam acima de seus corpos, como se houvesse uma espécie de bloqueio para esses.
Ficaram ambos parados por um tempo, olhando para o teto em total silêncio. A curiosidade era mútua quando se tratava em imaginar o que se passava na cabeça do outro, mas nenhum dos dois tinha coragem de perguntar.
— Lembre-me de tirá-la de casa mais vezes — Um misto de satisfação e divertimento fez seus lábios se curvarem em um sorriso e sua voz soar em um tom rouco.
Ainda acrescentou, passando a ponta dos dedos como uma carícia suave pela linha da sua coluna:
— Acho até que deveríamos construir uma casa na árvore perto da piscina. –
— Posso gostar disso. — Kagome ronronou como uma gata de puro prazer e arqueou o corpo, aproximando-se dele para encaixar seu rosto na curva entre o ombro e o pescoço. Enterrou o nariz ali simplesmente por adorar o perfume dele.
— Vai ser a primeira coisa que eu vou providenciar quando chegarmos à Nova York.
— Falando nisso, precisamos voltar antes que amanheça, do contrário a situação não vai ser nada confortável. – Apoiou-se sobre o peito nu de seu marido e olhou em seus olhos enquanto falava, ele gostou muito de vê-la brincando com o momento.
— Para quem havia proibido diversão durante a viagem, você parece que sofreu uma lavagem cerebral, querida.
Com um ato de pura criancice, mostrou a língua para ele irrompendo em uma gargalhada a seguir.
— Achei que minhas condições haviam sido muito claras, sem brincadeiras sob o mesmo teto que seus pais. Ao que me parece, estamos fora da área de perigo, zona livre para diversão.
— Sabe K-chan, gosto muito da maneira de como nossos pensamentos estão em sincronia. — Ainda com um sorriso exposto, tomou o rosto dela em suas mãos, passando o polegar sobre a saliência de sua face.
— Você vai ficar só olhando ou pretende me beijar de uma vez por todas?
Ele achou que era melhor não discutir quando ela usava aquele tom com ele, para o seu bem, obviamente. Mas quando encostou seus lábios sobre o dela, um som irritante atrapalhou o momento.
— Taisho — Falou com a boca a poucos milímetros da dele — se esse for seu celular, teremos uma briga muito feia.
Ele suspirou pesadamente, mas considerando o quão tarde era, deduziu que só poderia ser algum problema, ou algum bêbado no meio da noite estava brincando de perturbar a vida alheia. Rezava para que fosse a primeira opção, caso contrário nãosentiria pena da pessoa do outro lado da linha.
— Eu preciso atender. — Então foi atrás do celular que estava no bolso da sua calça perdida entre as almofadas.
Kagome sentou-se apenas observando-o, na verdade tinha ficado preocupada com uma ligação àquela hora na madrugada. Viu Inuyasha procurar apressado por seu celular e depois de insistentes toques, achou e atendeu sem olhar o identificador na tela. Houve um momento de silêncio e a face dele, antes apresentando sinais de preocupação, tornou-se incrédula para logo após vestir uma máscara indefinida.
— Miroku. — Falou por fim, sem muito acreditar que ele o estava atrapalhando justo quando as coisas iam tão bem. — Você sabe que há uma diferença de fuso horário, não sabe?
Kagome precisou rir da careta que ele fazia quando voltou para o seu lado. Então ficou em silêncio, apenas escutando por longos minutos e um sinal muito claro de preocupação voltou a perturbar seu lindo rosto quando sua testa ficou franzida. Porém, o movimento seguinte que ele fez foi o mais estranho.
— Kagome, ele precisa falar com você. — E lhe estendeu o celular.
— Sou eu Miroku, algum problema? — Foi o necessário para que ele cuspisse as palavras todas de uma só vez.
— Acalme-se, não consigo entender nada. Respire. Isso. Comece novamente. — pediu ela com uma paciência incomum.
— Tem alguma coisa errada com Sango, — Ouviu ela — primeiro ela não atendia minhas ligações hoje pela manhã, o dia inteiro seu celular esteve desligado e quando liguei para o seu apartamento parecia não ter ninguém. — A voz masculina se tornava cada vez mais falha enquanto relatava, buscando desesperadamente por controle. — Então fui até lá, o porteiro se comunicou com ela, mas quando ele falou meu nome, ela disse que não podia receber visitas, Kagome. Estou desesperado, não fiz nada dessa vez!
— Miroku. — Suspirou profundamente ao perceber que sua paciência não duraria por muito tempo. — O que eu posso fazer? Estou a milhares de quilômetros de distância, do outro lado do oceano! Nem que eu quisesse poderia chegar em menos de doze horas.
Ele começou a falar rapidamente outra vez, parecia extremamente preocupado e ela achou tudo muito estranho, talvez estivesse começando a se preocupar também.
— Tente se lembrar de detalhes, qualquer coisa nos últimos dois dias, alguma briga, uma olhada indiscreta, uma cantada, qualquer coisa... Você não fez nada que lhe dessem motivos para não querer vê-lo?
— Não, De maneira nenhuma! Estávamos muito bem ontem, saímos para jantar. Eu a deixei escolher o local, pedimos um bom vinho, comemos comida italiana, conversamos por algumas horas e então eu a deixei em casa, porque ela pediu, e fui para a minha. Não aconteceu absolutamente nada, pelo contrário, estamos perfeitamente bem e já a conheço o suficiente para dizer quando ela não gosta de algo que eu faço.
Kagome continuou a escutar, mas gesticulou para que Inuyasha pegasse o celular dentro de sua bolsa e ligasse para Sango. Se algo estivesse errado com sua amiga, ela saberia.
Inuyasha havia vestido suas calças ao notar a leve ruga de preocupação no cenho de sua esposa, então, fazendo o que ela lhe pediu, procurou a bolsa no canto que havia deixado, ao lado dos sapatos muito altos que havia lhe dado para segurar também horas antes. Quando pegou o aparelho na bolsa minúsculo que parecia mais um acessório de boneca, não teve tempo para pensar muito já que o mesmo começou a tocar e vibrar em suas mãos. Percebendo isso, Kagome fez um sinal sutil com a cabeça pedindo para ele atender, enquanto continuava a falar:
— Eu falei com ela ontem, antes que vocês saíssem Miroku, ela me pareceu bem, talvez seja apenas uma indisposição ou TPM. — tentou tranqüilizá-lo ao mesmo tempo em que fazia um esforço para escutar a conversa de Inuyasha, que havia voltado para ficar ao seu lado.
— Oi Sango — Ele atendeu.
— Inu. — Disse como se estivesse identificando para si a voz que lhe pareceu estranha, pois esperava escutar o conhecido tom melodioso da fala de Kagome. — Desculpe-me por ligar a essa hora, sei que há diferença no horário e já é muito tarde, mas eu preciso falar com Kagome. É importante.
— Não se preocupe, estávamos acordados. — ouviu um riso fraco, uma tentativa de disfarçar seu pesar. — Ela está do meu lado, vou passar para ela.
— Obrigada. — Disse quase lhe fazendo uma reverência.
— Não se preocupe, vai dar tudo certo. — Falou por sentir a necessidade dela por palavra amigas.
Então, afastando o celular do rosto, disse para Kagome:
— Eu cuido de Miroku. — Ela olhou para o marido e assentiu.
Despediu-se rapidamente para que ele não tivesse tempo de contestar e trocou de aparelho com Inuyasha.
— O que você fez dessa vez, meu amigo? — E por trás do tom de brincadeira havia uma sutil repreensão.
— Kagome está com Sango no telefone, não está? Ela está bem? — Ele soou à beira do desespero, mas Inuyasha simplesmente desconversou, tentando distraí-lo por um tempo até que sua mulher tivesse as respostas que estavam sendo pedidas. Ele olhou para ela e não gostou nem um pouco da expressão que viu obscurecendo seu lindo rosto.
— O que está acontecendo, Sango? Miroku liga para Inu querendo falar comigo e desata a falar que aconteceu algo grave com você porque não atende aos telefonemas dele e não quer vê-lo. Ele jura por tudo o que é mais sagrado que não fez nada.
— Diga a ele para não se preocupar, ele realmente não fez nada, apenas não consigo encará-lo agora, bem, a única pessoa que eu precisaria agora é você K-chan. — E lhe deu um breve resumo de seu problema.
Houve um momento de silêncio, ambos se dispuseram a escutar apenas. Kagome estava encolhida ao lado de Inuyasha vestindo apenas a camisa dele e seu conjunto de roupa íntima e no meio da conversa ele havia colocado a mão sobre seu joelho, afagando-o gentilmente, olhando para ela rapidamente como se quisesse lhe dizer que ela não estava sozinha. Quando havia falado com Sango, provavelmente deduzira que o problema não era simples e que ela precisaria de Kagome.
Assim, no final apenas poucas e significativas palavras foram ditas.
— Tudo bem Sango, vou fazer o possível para estar de volta o quanto antes.
— Sango está bem Miroku, não se preocupe.
Então, o silêncio recaiu sobre eles mais uma vez naquela noite.
Com um gesto automático, ambos encerraram suas ligações e deixaram de lado os celulares. Ironicamente, e os dois pensaram na mesma situação, pouco mais de um mês antes. Eles estiveram em um momento muito parecido, quando, depois de despertados de seu sono por ligações inesperadas, eles se olharam como estavam fazendo naquele momento e alguns esclarecimentos tomaram forma. E o mesmo acontecera desta vez.
— Vou providenciar as coisas para voltarmos á Nova York — Ele segurou o queixo dela em uma das mãos e continuou a olhar diretamente em seus olhos. Sem perguntas ou especulações, as palavras saíram com facilidade.
— Obrigada. — Disse sinceramente e encostou sua testa à dele. — Eu não queria estar nessa confusão com nenhuma outra pessoa, Inu. — atreveu-se a sorrir rapidamente, mas não pôde completar sua frase.
Ele a beijou, como se a ligação que receberam não tivesse atrapalhado aquele momento anterior e como se, para ele, aquela mulher fosse o mundo. Não deixaria que ela enfrentasse nada sozinha, assim como queria compartilhar todos os seus problemas com ela. Queria que ela compartilhasse da sua vida por inteiro, fossem os momentos bons ou ruins.
Eles voltaram para a casa e dormiram pelas poucas horas que lhes restava, então, ao amanhecer, Inuyasha já estava com tudo preparado para que partissem o mais cedo possível. Despediram-se da família Taisho, alegando que Kagome enfrentava um imprevisto com uma campanha de extrema importância que teria que ser lançada na segunda-feira e o problema precisava ser resolvido pessoalmente.
Antes de partir, Inuyasha teve uma rápida conversa com sua irmã para amenizar a situação visivelmente desconfortável entre os três.
O pequeno avião particular estava esperando-os e pronto para decolar assim que chegaram ao aeroporto. Quando ela não conseguiu dormir, apesar da viagem tranqüila, ele também ficou acordado, mantendo-a distraída e entretida durante todo o percurso de treze horas. Ao chegarem em solo conhecido o motorista dele esta os esperando, pronto para levar suas malas para casa e os levar até o apartamento de Sango.
Quando chegaram ao prédio nas proximidades do Central Park era apenas o começo da manhã, estranhamente, próximo ao horário que haviam saído de Tóquio, o que deixava Kagome extremamente confusa e cansada por causa da diferença de fuso horário, e ainda, quando saíram do carro climatizado tiveram que enfrentar o vento quente desprezível, característico de Nova York naquela época do ano. Ela achava absurdo com as pessoas lotavam as calçadas podendo estar no conforto de suas casas, mergulhadas até o pescoço em uma piscina de águas geladas, mas isso era só por que estava cansada e com um humor terrível, do contrário teria concordado com a maioria e adoraria caminhar pelo Central Park logo pela manhã, lembrou-se que costumava fazer justamente isso quando morava perto de sua amiga em um prédio igualmente luxuoso naquela área.
— Bom dia, John. — Kagome cumprimentou o porteiro conhecido ao entrar no prédio lado a lado com o marido.
— Como vai, Sra. Kagome?
— Bem, obrigada — Forçou um sorriso educado — Sango está me esperando.
— Sim, ela pediu que a senhora subisse assim que chegasse.
Kagome assentiu, deixando o olhar vagar pelo saguão conhecido para conter a ansiedade que começava a aflorar. O ambiente apresentava uma elegância e classe muito sutil, havia uma pintura abstrata com tons pastéis que pareciam movimentar-se sobre a tela, ocupandogrande parte da parede creme e em uma extremidade estavam os sofás de couro, sob a meia luz aconchegante e muito convidativa.
Quando o elevador parou no andar, Inuyasha colocou o braço ao redor dos ombros da esposa e a guiou para dentro quando estava distraída.
No curto período de silêncio total, ela encontrou conforto, diferente de quando chegaram ao andar destinado e viram Miroku andando impaciente de um lado para o outro, o mesmo que quase deixou escapar um uivo de alegria quando viu Kagome.
— Kagome, graças a Deus você está aqui! — Apertou-a em seus braços na primeira oportunidade, sentindo puro alívio.
— Largue a minha mulher antes que eu tenha que lhe dar um soco, parceiro. — A passos calmos, o segundo homem se aproximou deles e, escondendo seu espanto por ver o amigo em um estado deplorável, deu-lhe alguns tapas amigáveis nas costas.
— Há quanto tempo está aqui? — perguntou ela, observando a calça jeans e a camiseta azul amarrotada e olheiras muito fundas em sua pele branca.
— Não sei, eu fui e voltei várias vezes.
— Inu, fique com ele enquanto converso com Sango, sim? — Miroku estava a ponto de contestar quando ela virou-se para ele e lançou um olhar pouquíssimo amigável, falando: — Faça o que eu estou dizendo, assim eu posso resolver essa situação e todos podem voltar às suas vidas.
— Vamos tomar um café e voltamos em uma hora. — Inuyasha disse, já apertando o ombro do amigo e o conduzindo até os elevadores.
Com olhos demonstrando indícios de pavor e medo, Miroku observou até que ela pegasse a chave em seu próprio molho e abrisse a porta, para então ser arrastado em direção ao elevador. Acabou sendo até mesmo ameaçado pelo homem talvez um pouco mais forte que ele a ser levado a nocaute se não se comportasse.
Kagome adentrou o apartamento, procurando por Sango por onde passava. As paredes que a circundavam passavam de um vermelho vinho para um amarelo destoante com a mesma harmonia com que eram combinados sofás de veludo preto com móveis absurdamente contemporâneos. Esta era Sango, excêntrica, mas com todos os detalhes sobre controle, fazendo o mais esquisito combinar quando ninguém mais conseguiria. Subiu as escadas de vidro que a levariam para os quartos e o resto do apartamento grande demais para uma pessoa só e viu-se nos corredores brancos, com pinturas monocromáticas que pareciam fundir-se à parede.
Havia sempre pouca luz ali criando um ambiente misterioso, mas daquela vez, estava sombrio demais, tanto que lhe causou arrepios.
Entrou sem cerimônia na suíte principal, encontrando-a vazia, até caminhar para a saleta adjacente e ver a mulher de longos cabelos castanhos, parada em frente à janela escancarada. O vento que invadia o quarto através dela era violento, projetando as cortinas azuis para dentro do quarto com veemência, fazendo-as parecer muito leves. Encostada à moldura da janela estava Sango, com os olhos fechados e uma expressão muito serena em seu rosto. Ela gostava de sentir o ar quente envolvendo seu rosto e brincando com a gola do seu robe de seda rosa claro, fazendo o tecido gelado brincar contra sua pele.
— Miroku está com você? — Abriu os olhos e encarou Kagome do outro lado do cômodo.
— Inu o levou para um passeio. Você sabe como deixar um homem louco, minha amiga.
Sorriu muito rápido e a observou se distanciar da janela, com o vento ainda movimentava livremente seus cabelos e o robe com os respingos de tinta em uma explosão de cores, formando irregulares flores de cerejeira, envolvendo seu corpo até deixar-se arrastar criando um efeito dramático quando caminhava.
— Miroku só está apavorado por que gosta de tudo "preto no branco" e eu não, mas é isso que funciona conosco. — Passou os dedos pelos cabelos rebeldes automaticamente e foi se sentar no sofá branco de três lugares. Calmamente bebeu alguns goles da xícara de chá que estava sobre a mesa de centro, parecendo anestesiada.
— Você está bem? — Kagome contornou a poltrona e sentou-se ao seu lado.
Seus olhos ficaram interessados nos croquis que viu sobre a mesa de centro, quando ela se demorou para responder. Analisou-os por um momento e como sempre, constatou que eram muito bons. Algumas mulheres chorariam e devorariam uma caixa de bombons diante de circunstâncias difíceis, sua amiga fazia o que sabia melhor, criava. Os desenhos eram dramáticos, cores fortes e roupas bem estruturadas, com volumes e linhas que pareciam impossíveis de virar realidade, mas ela tinha certeza que ainda veria aquelas peças em um dos desfiles de Sango.
— Posso responder à pergunta quando estiver pensando novamente? — Pousou a xícara sobre o colo, olhando para o emaranhado de papéis sobre a mesa.
— Leve o tempo que precisar. — Tirou os olhos de alguns esboços que tinha em mãos e tentou passar conforto à sua amiga. — Do mesmo modo que você esteve ao meu lado durante toda a situação com Inuyasha, desde o começo, você sabe que farei o mesmo por você, não sabe?
— Eu sei e muito obrigada por isso.
Kagome estreitou o espaço entre elas e colocou o braço por cima de seu ombro, ela sabia que Sango não derramaria uma lágrima se quer, não por que queria provar a alguém que era forte, mas porque não era assim que ela encarava os problemas. Ainda assim, deixou-se ser abraçada e confortada.
— Eu vou ter um filho. Em 8 meses terei uma criança neste apartamento. — Falou baixo, como se mais uma vez estivesse assegurando aquelas palavras para si mesma.
Kagome não sabia exatamente o que poderia oferecer naquele momento de silêncio que se seguiu, se não amparo.
— Pelo visto eu não fui a única que arranjou confusão em Las Vegas. — Elas se olharam e Kagome riu depois de Sango.
— Não, pelo visto não foi.
— Você já pensou... Nas suas opções? — A pergunta surgiu relutante com a necessidade de preencher a quietude desconfortável que persistiria se deixassem.
— Eu tenho apenas uma opção, ter essa criança.
— Você jamais faria diferente. — Assentiu Kagome.
— Por mais que Miroku não fique feliz com isso, eu não preciso dele.
— Apesar de querer que essa também seja a opção dele?
— Sim, apesar de querer. — O suspiro profundo lhe deu o instante necessário para colocar as palavras em uma ordem que fizesse sentido: — Eu estou apaixonada por ele de uma forma insana, como eu nunca achei que estaria. Pela primeira vez eu experimento o medo de estar sozinha sem ter alguém insubstituível ao meu lado. Eu nunca dependi de ninguém, nunca precisei de ninguém e agora eu até mesmo quero isso. Eu amo ele, de verdade, mesmo sendo um idiota muitas vezes. — Parou mais uma vez e sorriu — Bem, talvez o ame por isso mesmo. Ele não é nada daquilo que um dia eu possa ter idealizado, é simplesmente do jeito dele, forte quando necessário e idiota quando pode, mas sempre incrivelmente charmoso. E é justamente porque o amo que nunca vou forçá-lo a fazer nada que o deixe infeliz ou tenha que fazer por algum tipo de obrigação.
— Sango — Segurou a mão dela entra as suas e esperou que a olhasse — O homem que eu encontrei do lado de fora deste apartamento, não me parece que vá abandoná-la assim. Se quiser saber, acho que ele te ama tanto quanto você a ele. Inuyasha disse que nunca viu Miroku ficar tanto tempo com uma mesma mulher e gostar tanto dela a ponto de incomodá-lo quando está em uma viagem do outro lado do mundo e agir como um desesperado porque ela simplesmente não quer falar com ele.
— Interessante a visão que o seu marido tem do amor. — sorriu com as linhas de preocupação do seu rosto gradativamente atenuando-se — Mas eu espero que vocês estejam certos, não sei se eu consigo fazer isso sozinha.
— Ora! E quem disse que vai estar? Com ou sem Miroku, esse bebê vai ter a melhor madrinha do mundo e você continua tendo a melhor amiga do mundo, quer algo melhor que isso? — O sorriso começou a desaparecer rapidamente — Espere, eu vou ser a madrinha, não vou?
— E em algum momento eu disse que não seria?
Ambas riram com vontade, sentindo toda a tensão se esvair.
— Você vai ser mãe! — Kagome falou entusiasmada.
— Meu Deus, Sim! — Sango estava começando a gostar daquela idéia insana.
— Esse será o bebê mais fashion da cidade! Espere até os 3 meses e já estará fazendo propaganda para a Johnson baby
— Vamos com calma — ela achou que nunca estaria dizendo isso para Kagome, os papeis estavam se invertendo. — primeiro temos que informar a Miroku a novidade.
— É verdade, quer que eu peça para Inu trazê-lo?
— Dê-me só mais alguns minutos, me distraia e conte como foi sua viagem.
— Turbulenta com certeza, mas no final deu tudo certo.
Interessada, Sango apoiou-se contra as almofadas, esquecendo momentaneamente o que tinha que enfrentar.
— Você conheceu os pais dele? Miroku diz que o Taisho manda-chuva é um pé no saco.
— Ele é terrível com Inu, escutei uma discussão entre os dois por causa do casamento e como eu estava o destruindo e à empresa dele. Ele acabou dizendo que eu poderia fazer o que quisessem com a empresa dele, mas que não se metesse no nosso casamento.
— Kagome, o cara está louco por você! — Sango disse espantada, mas ao mesmo tempo feliz por sua amiga.
— Gosto de pensar que ele está apenas louco. — Ela admitiu. — E eu também estou. Essa coisa toda deve ser contagiante porque quando Inuyasha saiu do escritório depois da briga, eu entrei e falei algumas coisas ao meu querido sogro, e o pior de tudo é que me intitulei como Kagome Taisho no final. Foi o fundo do poço!
— É oficial, você está caidinha por ele!
— Eu espero que não, é muito cedo pra dizer.
— Não seja idiota, ou cega, como quiser. Porque não pode estar apaixonada por ele?
— O pai dele me chamou de audaciosa — Tangenciou o assunto de propósito, recebendo um olhar repressor de Sango.
— Eu acho que ele quis dizer intrometida e cega de amor pelo filho dele.
— Mas o melhor da viagem foi quando eu cuspi na cara de Ayame toda a história verdadeira do casamento.
— Ah.
— Isso mesmo, ela também ficou sem palavras.
— E porque você faria isso?
— Porque estou ficando louca, já disse. Ou melhor, Inuyasha está me deixando louca. — Tomou a liberdade de beber da xícara de chá de Sango porque sua garganta estava ficando seca e sempre ficava agitada ao falar desses acontecimentos. — Ayame ficou realmente chateada comigo e Inuyasha, mas quando contei a ele o que tinha feito ele não teve nenhuma reação alterada, apenas disse para deixar as coisas se resolverem com o tempo e que eu parasse de pensar em tudo isso e simplesmente deixasse acontecer.
— E você ainda tem alguma dúvida de onde isso vai levá-los? — Ergueu as sobrancelhas começando a duvidar da inteligência de Kagome.
— Eu gosto de Inuyasha, gosto mesmo, estranhamente nos damos bem apesar de sermos muito diferentes. Mas, dividir a vida com alguém, não é fácil e eu não acho que esteja preparada para isso.
— Primeiro: Isso não é exatamente o que estão fazendo? Segundo: a questão aqui é, você está ou não apaixonada por ele?
— Por favor, Sango! Nos conhecemos há pouco mais de um mês, não é como se fosse amor à primeira vista, essas coisas não existem!
Existem sim, pensou Sango. Mas mesmo que estivesse acontecendo alguma coisa que Kagome não admitiria para si mesma nem sob tortura, quanto mais para outra pessoa.
— Os sobrinhos de Inu são uns amores, eu lhe contei? — Vendo que Sango não desistiria daquele assunto, achou melhor mudá-lo — Kioshi é muito ativo e um fofo! Hana é só um bebê, fala algumas poucas palavras, mas já sabe muito bem como usar todas as armas que tem ao seu alcance para conseguir o que quer.
— E isso vindo da pessoa que achava que tinha aversão a crianças.
— Eu gostei deles e eles gostaram de mim, dessa vez funcionou. E eles são meus sobrinhos para todos os efeitos, tinha que pelo menos tentar me dar bem com eles. — Deu de ombros sem conseguir o entusiasmo na voz quando falava deles.
— Que bom que você já está praticando tia K-chan! Sextas e sábados será sua vez de cuidar do seu afilhado, já que eu e Miroku precisamos de uma folga. — Piscou para ela como sua cúmplice e então se lembrou que ainda tinha coisas a fazer. — Acho melhor falar com Miroku agora.
Kagome assentiu, dizendo:
— Vou ligar para Inuyasha.
Levantou-se e foi até a janela, esperando que ele atendesse a chamada.
— Por favor, me diga que Sango quer ver Miroku? — A voz de Inuyasha sôo um pouco desesperada.
— Oi para você também. — Começou a se encaminhar para o andar de baixo, logo atrás de Sango.
— Estou falando sério Kagome — soltou quase um grunhido quando ela começou a rir.
— Onde vocês estão?
— Não muito longe – respondeu - na verdade no corredor.
— Eu achei que tinha ouvido você ameaçá-lo com um nocaute se ele não se comportasse. Nunca pensei que você fosse tão fraco querido. — a sonora gargalhada atingiu em cheio o ego de seu marido.
— Veremos quem é o fraco depois que eu derrubar essa porta.
— Calma garanhão, já vai... — Abriu a porta para ele e tudo aconteceu rápido demais, Miroku entrou como um foguete dentro do apartamento e foi direto para Sango, deixando Inuyasha e Kagome com cara de idiotas, cada um com o celular na mão. Inuyasha deu de ombros e guardou o aparelho, sua esposa riu e acabou pro fazer o mesmo.
Com um cumprimento silencioso, o casal colocou-se lado a lado, observando um homem muito desesperado tatear o rosto da namorada e o corpo a procura de ferimentos ou algo do tipo.
— Miroku...
— Você está bem? Alguma coisa quebrada, algum machucado? Algum...
— Miroku! — Sango fez com que ele a olhasse e parasse de movimentar suas mãos. — Podemos, por favor, nos sentar? Tenho uma coisa a lhe contar.
Intrigado, ele a obedeceu, ficando um de frente para o outro no sofá com um assento de distância. Tentou se aproximar, mas ela o impediu.
— O que há de errado Sango?
Permaneceu calada com os olhos dele sobre ela, muito preocupados.
— Comece pelo começo — Incentivou-lhe
— Tudo bem. Você notou algo de diferente desde que voltamos de Las Vegas entre nós?
— Estamos muito bem, obrigada, não há nada de errado aqui Sango.
Sango acabou revirando os olhos e quase riu. Homens.
— Serei mais direta então. Quando saímos, porque eu pedi que me deixassem em casa dois dias atrás?
— Disse que estava cansada. — Sem entender, apenas respondeu.
— Certo. Isso é normal?
— Para você? Não.
— Estamos progredindo. Há quanto tempo você não reclama que eu estou de TPM?
Ele olhou paras as mãos e contou nos dedos.
— Não lembro, dois meses, antes de Las Vegas talvez? Espere. — Finalmente ele pareceu analisar todas as informações e chegar a uma conclusão plausível. — Você está grávida, Sango?
Ele não parecia acreditar nas palavras que saiam da própria boca, nem ao menos assimilava o que tinha falado.
— Sim Miroku, vou ter um filho. — Falou finalmente sentindo aquele peso sobre os seus ombros desmaterializar-se.
Houve um momento de silêncio onde Miroku buscou o olhou para Inuyasha e Kagome às suas costas, em busca de apoio. Eles haviam ficado fora de cena, apenas observando os dois e Kagome retribuiu o olhar confuso com um sorriso doce, tentando lhe passar coragem e Inuyasha assentiu em um silencioso "é isso mesmo, meu amigo"
— Como você vai ter um filho? — Voltou-se para sua namora, com as únicas palavras que tinha em mente.
— Ora Miroku, você quer mesmo que eu lhe explique de onde vêm os bebês? — Tentou rir, mas tudo o que conseguiu foi um meio sorriso. Não conseguia descobrir o que estava se passando pela cabeça dele e isso estava acabando com ela.
— Estou falando sério, onde eu entro nessa história? Porque se esse filho não for meu, não sei o que estou fazendo aqui. — Ele fez menção de se levantar e Sango o tocou pela primeira vez, segurando sua mão para que ele ficasse onde estava.
— De quem mais seria seu idiota? — sentiu-se insultada e foi o que a fez voltar ao seu eixo novamente. — Nós, eu e você teremos um bebê, mas você não é obrigado a ter essa responsabilidade, mesmo assim minha decisão já está tomada.
— Não seja ridícula Sango! — Por um breve momento ela viu aborrecimento e decepção em seu rosto. — É preciso duas pessoas para fazer um bebê e dessa vez eu tenho tanta responsabilidade quanto você. Sinto lhe dizer isso minha querida, mas você não vai se livrar de mim tão cedo.
Lá estava o tom brincalhão e carinhoso novamente. Ela se sentiu tão bem com ele ao seu lado, que o sorriso bobo que brincou em seus lábios foi natural.
— Eu sei como gosta de estar no controle da situação e não precisar da ajuda de ninguém, mas pelo menos dessa vez, você terá que ceder um pouco, deixar que eu cuide de você, porque eu te amo, Sango. E a ideia de perdê-la nas ultimas 24 horas me deixou completamente louco.
Não precisava ouvir mais nada, iria explodir de alegria a qualquer minuto e bastou aquelas palavras para que o puxasse para junto de si e o beijasse de forma desesperada.
— Eu aceito não estar no controle, mas não se acostume com isso — Disse assim que o deixou com um sorriso que quase não lhe cabia. — Eu te amo seu bobo, seja lá o que isso signifique. Eu amo de verdade.
Kagome observou com encantamento os dois rindo como crianças e simplesmente se abraçando já que só estar próximo bastava.
— Nossa Sango! Por essa eu não esperava. — Ainda tentava se acostumar à ideia — Nós vamos ser pais... Meu deus! Isso é loucura.
— Completamente.
Então esqueceram-sedo mundo à sua volta inclusive que seus dois amigos estavam parados observando toda a cena.
— Acho que essa é nossa deixa — Sussurrou no ouvido da esposa com medo de estragar aquele momento entre os dois "pombinhos" — Pelo visto não precisam mais de nós.
Kagome concordou e seguiu Inuyasha até a porta. Olhando uma ultima vez para os dois, recebeu um "obrigada" silencioso de Sango a amiga sorriu e fechou a porta atrás de si quando a viu enterrar o rosto no pescoço do namorado.
— Miroku vai ficar louco com isso, estou vendo ele como um super-protetor extremista. Coitada de Sango. — Ele sorriu apesar da brincadeira, não tinha um coração de gelo, pelo contrário, estava muito feliz pelos amigos. Com certeza não seria fácil, mas eles dariam conta.
— Sinto pena de nós, isso sim! — Quando entraram no elevador, ela encostou a cabeça sobre o peito do marido e deixou-se ser envolvida por seus braços, sentido-se muito confortável ali.
—Deixe as preocupações para outra hora, eles vão dar um jeito nisso assim como nós demos. — Plantou um beijo na sua testa para em seguida apoiar o queixo nos cabelos dela, aguardando paciente.
— Eu espero.
— Tivemos acontecimentos suficientes por um fim de semana, vamos para casa.
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Olha só gente, estou progredindo, 20 dias depois da ultima atualização, um novo capítulo hahaha, esse não é um dos meus preferidos, mas é necessário para o resto da história. Se vocês leram, acho que conseguiram entender porque eu disse que ele é muito ligado ao cap anterior, se tivesse demorado muito mais que isso para postar, ia ficar meio sem sentido. Enfim, lembrem-se que sou péssima em revisão então deve ter um ou outro erro por ai, para agilizar o negócio e só corrigi as anotações que eu tinha feito na minha versão impressa e não li de novo. Por favor, se houver algo muito absurdo, me avisem.
Uma coisa que eu preciso combinar com vocês e a frequência das atualizações, se estiver bom para vocês, me organizei de tal maneira que é possível continuar atualizando a cada 20 dias. Não sei vocês, mas eu estou louca para acabar essa fic para postar outra haha. Portanto, me avisem.
BChibi Aqui está o capítulo, ainda tem mais 2 né? Pois vem logo em seguida, quando eu conseguir revisar e o 13º só precisa ser terminado e revisado também. Obrigada pelas suas reviews, sempre!
Srta Kagome Taisho hahaha demorou, mas eu postei. É esse é um dos meus capítulos favoritos! Essa cena do final eu gostei mais que a outra do cap 6 (eu acho, não me lembro em que cap foi direito) Achei mais a cara deles ou pelos menos como os imagino. Sério mesmo que você acha isso? Own, obrigada! Eu não acho que escreva muito bem, mas eu gosto de escrever, por isso continuo a tentar, mas quem sabe um dia, não tenho um livro, não é mesmo? Haha e quanto ao fato que você comentou de usar ou não proteção, bom, por mais que eu ame histórias com relações de pais e filhos, essa a principio não vai ter esse assunto como algo bem trabalhado, não para o Inu e a K-chan... Não se baseie muito nesse detalhe, porque na verdade você nunca vai vê-lo por aqui hahaha não é algo que eu esteja acostumada a escrever. Não tinha visto esse erro, vou corrigir... obrigada e por sempre ler a fic também!
marinapz4 Que bom que gostou! Fico tão feliz... É verdade, mas estou tentando melhorar, me organizar melhor, vou tentar o meu máximo postar com mais frequecia. Obrigada pela review, continue mandando!
Mais uma coisa antes que eu esqueça, uma madruga dessas cai sem querer no primeiro capítulo e fui ler de novo, resultado, fiquei com vontade de cavar um buraco e me enterrar visto a quantidade absurda de erros de digitação e ortografia mesmo. Então corrigi e repostei, acho que ficou um pouco melhor, pretendo fazer isso com os outros do começo também... E um segundo comunicado, Junto com o próximo capítulo, vou colocar uma enquete no meu perfil para que vocês me ajudem a decidir qual vai ser a próxima história que eu vou postar, essa está na metade mais ou menos e se eu quiser postar outra tenho que começar a pensar nela, não sei se vocês sabem, mas escrevo várias ao mesmo tempo, geralmente aleatórias, e sempre me foco mais em duas ou três. Dependendo da escolha de vocês, vou mudar minhas prioridades (:
Ok, esse capítulo foi 70% de avisos, chega gente. Uma boa semana para vocês e espero que tenham gostado desse pedacinho da história. MUITO OBRIGADA pelas reviews, é basicamente por receber os comentários que eu posto e se possível, continuem mandando! Beijos ^-^
