Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor. Que tem que ser vivido até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata. Clarice Lispector

Capítulo onze – Shh

(ponto de vista do Sasuke)

Eu estava voltando para casa depois de uma missão relativamente longa. Uma semana. Nada absurdo se comparado com o tipo que eu costumava realizar aos 12 anos, mas a mais longa que me designaram desde que eu voltara à Konoha. Na equipe estavam Hyuuga Neji e Nara Shikamaru, tendo o último como capitão. Para minha sorte, os dois eram tão calados quanto eu mesmo, de modo que a missão não foi tão tortuosa e desagradável.

Mas eu odeio admitir o quanto senti a falta de Sakura. Do seu sorriso sempre tão lindo e da sua voz doce. Da sua pele sedosa, das formas voluptuosas de seu corpo macio. Eu senti falta de cada centímetro dela, e de todas as particularidades de sua irritante personalidade. Senti saudades de Sakura por inteiro.

Só queria chegar em casa o mais rápido possível, para prendê-la em meus braços e só deixá-la ir quando eu tivesse tido o suficiente.

Por mais que a falta que ela me fizera fosse em grande parte carnal, não podia negar o quanto fora doloroso para meu coração estar longe dela. Sakura me acalmava, fazia com que respirar fosse algo natural outra vez. Ela mantinha meus demônios afastados.

Senti-me estúpido ao perceber o quanto precisava dela.

Tão idiota.


Entro em casa sem fazer barulho, por pura força do hábito. Quando você passa tanto tempo sendo ninja e constantemente sendo perseguido, você se acostuma a ser cauteloso.

Percebo que Sakura deve estar cozinhando, pois sinto o aroma maravilhoso de sua comida. Isso é bom. Essa sensação de chegar do trabalho e ter alguém esperando por você, com um jantar pronto. Pergunto-me mentalmente se era assim que meu pai se sentia, quando voltava de suas missões. Esse pensamento me faz corar e sentir-me idiota.

A simples ideia de associar Sakura à uma esposa esperando pelo marido é tão... Balanço a cabeça, decidido a ignorar meus pensamentos imbecis.

Quando chego à cozinha, Sakura ainda não percebeu minha presença. Não sei dizer se eu que sou um ninja muito bom ou se Sakura é que é péssima. Não importa. Chego mais perto. Pelo susto que ela toma, é obvio que ela só percebe que cheguei quando passo meus braços ao redor de sua cintura.

- Sasuke-kun! – Ela diz, fingindo estar irritada. Mas ela é péssima mentirosa. O corpo dela entrega todo o jogo. Suas pernas estão bambas e os pelos da sua nuca arrepiados, indicando o quanto ela está gostando do momento.

Sorrio.


Em questão de segundos, nossos lábios e corpos estão colados. Sem parar de beijá-la, desligo o fogo. Os beijos dela são muito melhores do que eu me lembrava. Seu cheiro muito mais embriagante. E seu corpo... ainda mais incrível do que nas minhas memórias.

Agarro-a pela cintura, suspendendo-a e colocando sentada no balcão. Suas pernas me abraçam imediatamente. O fôlego dela está acabando, então liberto seus lábios e me concentro em seu pescoço e ombros. Sei que, mais tarde, ela irá ralhar comigo por ter deixado marcas. Mas não agora. Sakura não consegue pensar em mais nada, apenas em mim. E isso me faz sentir poderoso.

Adoro o sentimento de ser adorado. Venerado. E tão, tão amado.


A essa altura, já deslizamos para o chão. Sakura sem seu vestido e sentada em meu colo. Suas mãos apressadas tentam desafivelar o cinto da minha calça. Ela é tão lenta e desajeitada que acabo sorrindo, afastando suas mãos e fazendo eu mesmo o serviço.

- Sasuke-kun – Ela diz, sem fôlego e entre os beijos. – Você... você tem...

Não consigo prestar atenção no que ela está dizendo, e só quero que ela cale logo a boca.

- Espera – Tenta de novo, afastando-se um pouco mais. Quando não paro de beijar-lhe os ombros, Sakura ri e me empurra. – Sasuke-kun!

Não consigo evitar um resmungo alto. O que diabos ela tem de tão importante para dizer, afinal? Tão irritante.

- O quê? – Pergunto. Percebo que minha voz está bem mal humorada. Mas Sakura não parece se importar. Pelo contrário, ri ainda mais.

- Você tem proteção? – Ela pergunta, suas bochechas corando.

Demoro um minuto inteiro para entender sobre o que ela está dizendo. Quando finalmente compreendo, reviro os olhos.

- Nós nunca usamos antes. – Digo, dando de ombros e voltando a beijá-la. – Por que se preocupar com isso agora? Você não está tomando aquelas pílulas?

- Sim, mas – Ela responde. – seria mais seguro usar camisinha também. Você sabe que nenhum método contraceptivo é cem por cento eficaz e...

- Sakura – Digo, finalmente perdendo a paciência. – Eu acho que vou continuar confiando nos seus anticoncepcionais. Agora, pare de ser tão irritante e cale a boca.


Encosto minha testa suada na dela. Ela ainda está respirando forte. Seus olhos parecem ser negros, tão dilatadas estão suas pupilas. Essa é uma visão linda. É assim que Sakura fica mais bonita. Com os cabelos bagunçados, o corpo suado e quente, e a expressão extasiada de prazer.

Sorrio, beijando-a de novo. Eu apenas quero fazê-la minha outra vez, e então terá sido o suficiente. Por esta noite, é claro.

- Eu amo você – Ela geme, suas pernas apertando ainda mais minha cintura. – Eu amo você. – Repete, seu hálito doce brincando com o lóbulo da minha orelha.

Sinto suas unhas cravando na carne de minhas costas, mas essa dor não pode ser comparada com o prazer que Sakura está me proporcionando. Puxo seus cabelos para trás, e mordisco seu pescoço exposto. Quase lá.

Só paro quando Sakura não resiste mais e grita de prazer. Finalmente sorrio, igualmente satisfeito.

- Seu idiota – Ela diz, ofegante, abraçando-me com seu corpo mole e trêmulo. – Eu odeio você.

- É mesmo? – Digo, aceitando a provocação dela. – Não é o que parecia, cinco segundos atrás.

Ela bate no meu ombro, mas sei que ela está brincando. Se ela tivesse usado sua força real, teria o deslocado.

- Você sentiu minha falta? – Ela pergunta, passando os braços pelo meu pescoço e beijando minha bochecha.

Pondero a pergunta, decidindo se falo ou não a verdade. Finalmente sorrio.

- Não.

Sakura revira os olhos e finalmente se levanta, mas sei que ela não está com raiva, pois me oferece a mão. Seguro-a, levantando-me sem realmente usar a ajuda oferecida. Sakura me abraça assim que estou de pé.

- Verdade? – Ela diz, com o tom de voz sedutor. Seus lábios beijam meu queixo. – Se você tivesse sentido minha falta, eu lhe convidaria para tomar banho comigo.

Passo os braços pela cintura dela, puxando-a para mais perto. Ela sorri e aproxima seu rosto ainda mais. Começo a fechar meus olhos, sentindo a boca dela mais e mais próxima da minha. Mas Sakura para, a centímetros de acabar com a distância entre nós.

- Mas como não é o caso – Ela diz, se afastando. – Você termina o jantar. Vou tomar banho.

Sakura dá meia volta e me deixa sozinho na cozinha, com cara de bobo. Reviro os olhos, sentindo-me bastante idiota ao me virar para o fogão.

Ao que tudo indicava, eu havia criado um monstrinho sedutor.


Mais tarde naquela noite, acordo com os gritos de Sakura. Depois do choque inicial, relaxo. Ela deve ter tido um pesadelo. Abro os olhos, apenas para encontrá-la aninhada em meu peitoral, tremendo. Instintivamente, abraço-a, fazendo movimentos circulares em suas costas.

- Como você lidou com os pesadelos nessa semana em que estive fora? – Pergunto, depois que ela está mais calma.

- Tomando remédios para dormir. – Ela responde.

- Isso não é bom. – Repreendo. – E você sabe disso.

Sakura resmunga e levanta a cabeça, visivelmente irritada.

- Então não me deixe mais sozinha! – Ela reclama, exatamente como uma criança mimada faria.

- Não sou sua babá. – Resmungo de volta. – Cala a boca e volta a dormir. Estou cansado.

Sakura me empurra e vira de costas para mim. Não consigo levá-la a sério, só tenho mesmo é vontade de rir das infantilidades dela. Mas não me atrevo. Ela já está irritada o suficiente, e esse é o indicativo para parar de provocá-la.

Cinco minutos se passam e sei que ela ainda não dormiu e que está morrendo de vontade de se aproximar de mim, e só não o faz por orgulho. Sakura não vai dormir enquanto não esquecer seu pesadelo, e ela geralmente se agarrava ao meu corpo para conseguir isso.

Engulo um pouco do meu próprio orgulho e a abraço de novo, depositando um beijo em seu pescoço e fechando os olhos. Fico surpreso a sentir a cotovelada de Sakura em minhas costelas.

- Que merda, Sakura! – Reclamo, empurrando-a. – Qual o seu problema? – Não foi só meu corpo que ela machucou, mas também meu orgulho. Nota mental: nunca mais ser gentil ou carinhoso com ela.

- Nenhum! – Ela grita de volta. – Só não estou no clima para dormir de conchinha. Boa-noite!

Como resposta, puxo o lençol todo para mim e a chuto para fora da cama, sem realmente machucá-la.

- Seu imbecil!

Meu sorriso é de vitória quando ela se levanta e sai do quarto, batendo a porta com força. Mas sei que a crise de raiva dela não vai durar muito, então não é uma surpresa quando, alguns minutos mais tarde, sinto-a se deitando ao meu lado, apoiando sua cabeça em meu peito.

- Desculpa. – Ela sussurra.

Ficamos em silêncio por um bom tempo. É só quando percebo que Sakura está adormecendo, que finalmente respondo:

- Eu também. – Sussurro. – Tentarei não deixá-la sozinha outra vez.

Sakura não responde, mas sei que ela ouviu.

- E – continuo, disposto a terminar de vez com o seu mau humor -, sinto muito se perdi seu aniversário.

Isso foi há semanas atrás e não foi minha última missão que me fizera perder a data. Um dia depois de termos dormido juntos pela primeira vez, fui convocado para uma missão puramente diplomática. Hoje, um mês depois, dia 28 abril, Sakura cansou de esperar e percebeu que eu não faria qualquer comentário sobre seu aniversário. E por esse motivo ela está tão mais irritante que o normal. Fosse sugerindo o uso de camisinhas ou acotovelando-me as costelas.

- Tudo bem – ela responde. – Eu não vou fazer nada no seu aniversário também.

Nós dois sabemos que ela está mentindo.


Na manhã seguinte, Sakura já havia voltando ao normal. Se é que se pode chamar alguém irritantemente barulhento de normal. Ela estava fazendo algumas panquecas, enquanto cantarolava uma música infantil e estúpida.

E pensar que um dia atrás eu acreditara estar com saudade disso...

- Neji-san estava na sua equipe, certo? – Ela pergunta. – Ele comentou alguma coisa?

Arqueio as sobrancelhas e encaro sua costa acusadoramente. Por que esse súbito interesse no Hyuuga, afinal?

- Hn. Estava. Por quê? – Detesto-me por minha voz ter saído em um tom defensivo. Sakura podia confundir isso com outra coisa.

- Você não respondeu minha segunda pergunta. – Ela diz, sorrindo e me servindo uma panqueca.

Dou de ombros, embora não esteja de fato confortável com o fato de ela estar tão curiosa sobre ele.

- Ele deveria comentar alguma coisa em particular?

- Claro que sim! Uma vez que...

- Por quê? – Eu já estou cuspindo as palavras antes que possa evitar. – Aconteceu alguma coisa entre vocês dois, no passado? Por que você continua perguntando sobre ele?!

Sakura pisca os grandes olhos, com uma expressão engraçada no rosto. Mas isso só dura um instante. O som de sua gargalhada histérica logo preenche a cozinha. Eu não conseguia me lembrar da última que corara tão intensamente. Viro o rosto, bastante irritado com toda essa situação.

- Isso é ciúmes? – Ela pergunta, obviamente me provocando. – Que fofo.

Faço de contas que não escutei e decido que irei ignorá-la pelo resto do dia. Volto a atenção para as panquecas e tento continuar meu café da manhã em paz. Sem irritantes Sakuras para me encher a paciência.

- Entendo. – Sakura começa, sentando-se ao meu lado e começando a comer. – Você pode ter tido diversos "amores" no passado, mas eu não tenho permissão para tal. Bem justo.

Eu posso dizer que, pelo seu tom voz, Sakura está tentando me provocar. Conto mentalmente até dez e continuo ignorando sua existência. Se ela teve ou não um "passado empolgante" nos últimos três anos, não sei se realmente quero saber.

- Vamos, melhore essa cara – A voz dela é doce agora. – Estou apenas implicando com você. Mas é muita ingenuidade sua achar que eu me envolvi com qualquer outra pessoa. Sasuke-kun, eu passei os últimos três anos chorando feito um bebê a sua perda!

- Tanto faz – Respondo – Não poderia me importar menos.

Não preciso olhar para ela para saber que a magoei. Sakura resmunga qualquer coisa e se levanta, dirigindo-se a pia e começando a lavar as louças sujas. Seu café da manhã está intocado na mesa.

Quase suspiro, perguntando-me quando que nossa harmoniosa convivência tornou-se tão difícil. Sinto-me idiota ao concordar com algo que Nara Shikamaru dissera, durante a missão. "Não é esquisito como sexo pode complicar coisas? Argh. Tão problemático!".

- Eu só perguntei sobre o Neji-san – ela começa, enxugando as mãos e voltando a se sentar ao meu lado. – porque ouvi um boato de que ele vai se casar.

Arqueio as sobrancelhas.

- Com quem? – Pergunto, verdadeiramente surpreso. – E por que você se importa, de qualquer forma?

Sakura revira os olhos e chuta minha canela.

- Ah, porque tenho uma quedinha por ele desde os tempos da academia! – Ela grita, impaciente. – Você nunca notou? Tenho um fraco por garotos arrogantes de clãs poderosos! Na realidade, eu estava considerando a ideia de convidá-lo para morar conosco, assim podíamos ser um casal de três e...

Ela começa a tirar a mesa – sem calar a boca -, recolhendo meu prato, embora eu não tenha terminado a panqueca. E eu preciso de dois segundos para assimilar o fato de que ela acabou de me chamar de burro. "Por que o chamam de gênio, de qualquer forma?", disse entre seus resmungos.

- Você é tão irritante! – Ela acusa, praticamente enfiando um dedo na minha cara. – Eu estava apenas tentando ter uma conversa normal, mas você... argh!

De repente, sem que eu possa explicar o motivo, estou sorrindo. A expressão de Sakura fica engraçada e ela pressiona os lábios. Dois segundos depois, explodimos em gargalhada, ao mesmo tempo.

Eu não conseguia me lembrar da última vez que rira daquele jeito. Acho que foi quando era um garotinho de cinco anos, e Itachi fez cócegas em meu estômago. "Sinto muito, Sasuke. Eu prometo brincar com você outro dia" ele disse, sem parar de cutucar minha barriga, "Vê isso? Você está tão feliz que vou passar uma semana fora, que está rindo feito uma hiena!". Esse era seu jeito de se despedir, quando tinha uma missão longa. Fazendo me rir histericamente, para que eu não chorasse.

A voz de Sakura me desperta de minhas lembranças:

- Ino me disse que ele e Tenten estão noivos – Ela explica, embora realmente não tenha mais importância. – Eu só queria confirmar. Você sabe como as pessoas podem ser fofoqueiras...

- Diz a garota que estava fofocando sobre o mesmo assunto.

Ela ri, passando os braços por meu pescoço e encostando os lábios nos meus, rapidamente. Percebo que Sakura estava prestes a dizer alguma outra coisa, mas não a permito. Capturo sua boca num beijo muito mais demorado.

- Não vamos mais brigar – ela pede, entre os beijos. – Não temos tempo para isso.

Estreito os olhos.

- O que você quer dizer?

Sakura suspira.

- Não sou idiota, Sasuke-kun. – Ela diz. – Desde aquele dia no hospital que você está diferente. Posso sentir isso.

Sakura era mais observadora do que eu imaginara. Quero lhe dizer que mudei de opinião, que não pretendo deixá-la em nenhum futuro próximo. Mas, de alguma forma, algo me impede de dizer-lhe essas palavras. Abro a boca mais uma vez e nada. Só consigo pronunciar uma palavra na terceira tentativa:

- Eu...

- Shh... – Ela sussurra, pousando o dedo indicador em minha boca. – Não faça promessas que não pode cumprir.

Não tenho uma resposta boa o suficiente para isso. E nem para o que ela diz a seguir:

- Enquanto for possível, quero estar com você. – Sakura diz, com um sorriso agridoce nos lábios. – Então, não vamos desperdiçar nosso tempo brigando.

Eu não poderia concordar mais.


Notas da autora: Acho que esse é o capítulo mais bobinho e sem tensão dessa fanfic. Mas esse era o objetivo dele. Mostrar um lado mais tranquilo do relacionamento do Sasuke e da Sakura.

Adorei escrever a cena da cama, quando o Sasuke empurra a Sakura. Haha Acho que isso serve para lembrar que os dois são realmente novinhos e, muitas vezes, infantis. Eu ainda sou criançona aos vinte anos! Avalie quando eu tinha só 17. Haha

Então, espero que esse capítulo tenha sido tão relaxante quanto eu esperava que fosse. Umas férias daquela atmosfera tensa dos outros 10 capítulos. UISDHSUIA

Tão bobinho que acho que nem vou contar como uma atualização de fato. Sexta devo estar de volta, com um capítulo cheio de draminha cafona. ADORON~~~~

Enfim, muito obrigada! Mandem mais comentários, mandem! *-*

Beijos! x*