Notas da Autora – Olá, pessoal! Poxa, que demora, não? o.o É, eu sei que demorou, mas eu não tive tempo para publicar. Além das aulas na faculdade, eu também estava estagiando num Juizado Federal. Sinto muito por fazê-los esperar. T-T

Aqui está o novo capítulo! Espero que gostem e não esqueçam de comentar, ok? Sem reviews, nada de atualização... XD

Ah, outra coisa, eu atualizei hoje porque é um dia muito especial para mim: meu aniversário! Hoje eu faço exatamente 20 aninhos... Weeeeee! Esse capítulo é meu presente para vocês, assim como o capítulo de "Dake wo Aishite". /o/

Agradeço a Dany por revisar o capítulo. Muito obrigada, menina!

Oh, não posso esquecer de deixar beijos especiais para três pessoas importantes para mim: Rin-chan, Shampoo-chan e Mitz-chan! Lis-sama gosta muito de vocês.

Oh, também não posso deixar de agradecer aos gentis review que recebi. Obrigada Cindy-shan, Pyoko-Chan, Lan Ayath, Hinata-chan, Mitzrael Girl, Raissinha, Bellynha, Lillyth, Nanda Higurashi, kanna, sangohigurashi, Clr!Cë, Taize Cassuce, Kagome-chn LP, Hys., Akane Mitsuko A.S.T., Rin-chan (Fofinhaaaa, eu te amo!), Mari Moon, Srta. Kinomoto, Jéssica, Mila "Mangá", Rafinha Himura, Fernanda, soi-chan, The Girl of The Shadow, jalineb, Juli&Ana, Clarice, Cathy, Mah-Sama, Kyouyama Anna, Mahzinha e Hiwatari Satiko. Beijos a todos vocês que me alegraram muito com os comentários. :-D

Ahhhh, quase me esqueci de uma coisa muito importante: só para constar, eu não vou desistir de nenhuma de minhas fanfics. Não se preocupe, posso demorar um pouco – ou muito ¬¬" – para atualizar, mas não vou deixar de publicar o final de nenhuma de minhas histórias. Fiquem tranqüilos quanto a isso. ;-P

Hum... Acho que é somente isso. O.o

Até o próximo capítulo. o/

Beijos,
Lis


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Ensina-me a Amar

By Palas Lis

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Música – "Faint", Linkin Park.


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Parte XI

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Manhã calma, passarinhos cantando em um ensolarado dia de final de Verão. Poucas nuvens no céu e um vento agradável para refrescar o tempo quente.

Dia perfeito, não?

Seria, obviamente, se não tivesse que estar com aquela roupa de malha justa e ridícula de ginástica em uma maldita quadra de voleibol para uma maldita aula de Educação Física, com um maldito sol escaldante sobre sua cabeça.

As férias de Verão tinham passado mais rápido do que Rin – e a maioria dos alunos – queriam. Naquela mesma semana começaram as aulas do último ano colegial da irmã caçula de Kikyou.

Dentro da quadra, Rin tentou pegar a bola antes que ela acertasse o chão, mas não conseguiu – esportes nunca foi seu forte – e resmungava maldizeres ao inventor daquele esporte inútil. Porque, que utilidade tinha um esporte que se resumia a não deixar uma bola tocar o chão?

Ela ficou um momento na reserva quando o professor mandou, ao errar mais aquela jogada. Encostou-se na grade e cruzou os braços. Era um jogo imbecil e agradeceu mentalmente por ser tão má atleta que foi colocada fora da equipe.

Levou os dedos direitos à mão esquerda, passando-os numa fina cicatriz que se formara ali. Ganhara-a no dia que deu seu primeiro beijo... Em Sesshoumaru...

Não sabia exatamente o que tinha acontecido para machucar mão a ponto de deixar uma cicatriz. Tudo o que se recordara era que estavam se beijando e... Depois acordara, quase duas semanas depois, em sua casa, parecendo que um trator tinha passado sobre seu corpo.

Ficou curiosa para saber o que tinha acontecido, mas nunca perguntaria nada a Sesshoumaru. Morria de vergonha do beijo entre eles. Kikyou lhe disse que ela havia desmaiado na escola e que machucara a mão quando caiu.

Passada as duas semanas que ficou inconsciente, não foi à escola devido às férias. Todos os dias que ficara de folga do colégio foram passados em casa, fugindo de ver Sesshoumaru, e funcionara. Viu-o apenas uma vez, pela janela de seu quarto.

Queria saber se seus poderes haviam se manifestado ou não, mas não conseguia se lembrar. Tudo se tornou escuro e vago em sua cabeça. Mesmo se esforçando, não conseguia se lembrar.

Acreditava que por ter sentido intensamente as sensações do beijo sua mente não suportou tanto poder telecinético e se apagou, exausta. Isso explicaria o fato de passar muito tempo inconsciente.

A única coisa que se lembrava com exatidão – mais do que queria – era do beijo... Ele a beijara tão intensamente...

Rin corou e levou os dedos a boca, sem graça.

Não queria admitir a si mesma, mas tinha gostado muito de beijá-lo.

Mordeu o canto da boca.

Queria beijá-lo de novo e...

"Ora, o que eu estou querendo?", ela pensou em desagrado. Balançou a cabeça para os lados, não querendo mais pensar no beijo. "Ele é um imbecil!".

Uma corrente mais forte de ar soprou e o cabelo dela – agora mais comprido e pegando no meio das costas – balançou-se e fez alguns fios soltarem-se da trança que estavam presos. Ela levou as mãos aos cabelos e soltou os fios, deixando-os cair nas costas.

Ouviu o som de carro e olhou para trás, segurando com as mãos a grade da quadra ao reconhecer o carro preto esporte. Era o carro dele...

Um rapaz desceu do veículo ao estacioná-lo e Rin o reconheceu imediatamente, ficando vermelha de vergonha; o coração batendo mais rápido, o estômago dando muitas voltas, as pernas bambas e...

"Maldição! Por que toda vez que penso ou o vejo, fico assim?", Rin pensou, raivosa, levando a mão a uma mexa do cabelo que caiu no rosto e a colocando atrás da orelha. "Que droga! Não quero ficar assim por causa dele!".

Da quadra que estava, ela seguiu Sesshoumaru com os olhos castanhos. Fez uma careta e cruzou os braços frente ao peito.

Apostava que assim que ele a visse iria incomodá-la... Ela estreitou os olhos quando Sesshoumaru olhou na direção que ela estava e...

Rin descruzou os braços ao ver Sesshoumaru entrar no colégio.

O que aconteceu? Ele não quis falar com ela? Nem incomodar ou fazer piadinhas? Não ia deixá-la irritada com suas ironias? Apenas... Ignorou-a?

"Mas, que diabos, aconteceu com ele?", Rin pensou, confusa. "Será que tem a ver com o...?".

Os pensamentos dela foram interrompidos por uma bola que passou pela rede de voleibol e acertou em cheio a cabeça de Rin, fazendo-a piscar uma, duas, três vezes, distraída.

As outras meninas que jogavam se encolheram nos lugares que estavam, fingindo não ter acontecido nada, assustadas. De todas as pessoas que aquela bola poderia ter acertado, sem duvidas, acertava na menos aconselhável... Rin era uma garota extremamente grosseira e não ía perdoar quem lhe havia acertado...

Ela levou a mão à cabeça e continuou pensativa, nem percebendo o que havia acertado-a. Se fosse em outro momento, furaria a bola e teria feito a menina que acertou comer o que sobrasse dela, mas estava com os olhos voltados para onde Sesshoumaru entrou...

Que estranho... Ele nem falara com ela...

- Você está bem, Rin-chan? – Kagome e Sango se aproximaram da garota rapidamente.

- Hai... – ela ainda olhava para a direção que o rapaz passou.

Um amontoado de alunas se formou em torno de Rin, preocupadas com o estado dela. Para a menina não ter respondido, xingado, discutido ou dado um escândalo e chiliques, a bolada que recebeu tinha de ter fraturado gravemente seu cérebro.

- Dê espaço para ela respirar. – o jovem professor de Educação Física falou, afastando as garotas de Rin.

- Hakudoushi-sensei, eu posso levar Rin-chan para tomar um pouco de água? – Kagome pediu, abanando os braços, preocupada. – Ela não me parece bem.

- Hai. Leve Rin a enfermaria, para darem uma olhada no ferimento. – Hakudoushi levantou a franja da menina e viu o lugar avermelhado. – Acho que vai ficar roxo.

Kagome e Sango acompanharam uma Rin ainda distraída até o pátio da escola, parando frente à sala da enfermaria e bateram na porta. Segundos depois uma moça bonita abriu a porta, sorrindo para elas.

- O que foi, meninas? – ela perguntou.

- Kanna-san... – Kagome começou. – Rin-chan levou uma bolada na cabeça!

A enfermeira sentou a garota no banco da sala e deu uma olhada no ferimento, vendo o estrago que a bolada causou pegando depois uma bolsa térmica e colocando alguns cubos de gelo dentro.

- Vou pegar mais gelo, meninas. – Kanna falou, entregando a Kagome a bolsa térmica. – Coloque levemente no ferimento.

"Ele não falou comigo...", Rin pensou, sem saber o que tinha acontecido e não percebendo o que estava acontecendo a sua volta.

Piscou quando Kagome colou em sua testa a bolsa com cubos de gelo dentro e Sango lhe estendeu um copo com água, olhando-a preocupada. Fez uma careta ao sentir a bolsa gelada e sua testar arder.

- Itai! – ela levou a mão à testa, sentindo um pequeno calombo se formar. – O que diabos você fez em minha cabeça, Kagome?

- Você está bem, Rin-chan? – ela perguntou, preocupada.

- Tirando minha testa dolorida, sim.

- Que bom. – Kagome suspirou aliviada. – Você não gritou ou xingou, pela bolada que levou na cabeça e eu fiquei com medo de ter sido algo grave.

- Bolada? – ela tirou a mão da testa e estreitou os olhos.

- Er... Estávamos na quadra e o time adversário ao nosso acertou a bola na sua cabeça. – Sango de um sorriso sem graça.

Rin piscou de novo. Estava tão distraída pensando no porquê de Sesshoumaru não ter falado com ela que nem percebeu.

- Ora! – Rin retrucou, irritada, levantando, de uma vez, do lugar que estava. – Diga-me agora mesmo quem fez isso que eu vou tacar a bola na cabeça dela também!

- Oh, não! – Kagome a sentou de novo, colocando o gelo na cabeça dela. – Você precisa ficar sentada.

- Eu preciso me vingar e... – parou de falar ao ver Sesshoumaru passar com o diretor da escola frente à sala que elas estavam e sair pela porta central. Ela baixou os olhos e ficou calada.

Droga! Desde que se mudara para Tóquio, há muitos meses, queria se livrar dele e que ele não a seguisse mais... Porém, agora que ele não estava dando-a atenção ficou... Aborrecida.

"Aborrecida que nada! Eu consegui me livrar dele", ela pensou em satisfação. "Tenho é que agradecer!".

Esperou Kagome cuidar de seu machucado até Kanna chegar para colocar um curativo e tomou a água de um gole; um sorriso de satisfação estampado no rosto. O sorriso não ficou muito tempo e murchou até sumir completamente dos lábios dela.

Tinha se livrado de Sesshoumaru... Então por que sentia-se tão... Vazia?

-o-o-o-o-o-o-

Kikyou estava preparando um jantar para Suikotsu, Rin e ela na cozinha da residência. Ela tirou a franja dos olhos com a costa da mão e deixou a panela para cortar alguns legumes na pia.

Ainda de costas para a entrada da cozinha, ouviu os passos arrastados da irmã mais nova e ouviu algumas murmurações dela. Kikyou rodou os olhos quando Rin pôs-se a andar em círculos com a mão no queixo, pensativa.

A mais velha suspirou... Será que tinha a ver com o que aconteceu no colégio quando Sesshoumaru a trouxe para casa inconsciente?

Depois daquela data, Rin ficara muito estranha: parecia extremamente distraída e Kikyou a pegou várias vezes suspirando pelos cantos.

"O que será que aconteceu no colégio aquele dia...?", Kikyou pensou. "Sesshoumaru-sama não entrou em detalhes...".

Ele chegou, aquele dia, na casa dela com Rin desfalecida nos braços, deixando Kikyou desesperada. Rin tremia de frio e estava toda molhada. Depois de aquecê-la com vários cobertores, deixaram-na em seu quarto, enquanto conversaram.

Sesshoumaru lhe contava que os poderes telecinéticos de Rin tinham se manifestado e, muito surpresa, Kikyou o ouviu. Ele não lhe disse como aconteceu, mas alertou que os poderes dela estavam ficando muito perigosos.

Contou também do estrago do colégio e que ia usar da influência de seu pai para mandar arrumar tudo, antes que outras pessoas ou mesmo Rin, visse. Não queria que ela descobrisse, por enquanto, que ele sabia dos poderes dela. Precisava antes que ela tivesse disposta a deixá-lo ajudá-la.

"Sesshoumaru-sama já passou por coisas parecidas", Kikyou lembrou-se do que ele lhe contou e deu um pequeno sorriso. "Ele pode ajudar Rin-chan...".

As duas semanas que Rin estava inconsciente, Sesshoumaru a visitara constantemente, querendo saber do estado dela. Ele parecia preocupado, mas não dizia nada. Sempre se mantinha impassível.

Rin bufou ao lado dela e a fez despertar de seus pensamentos. Kikyou virou um pouco o rosto e viu a irmã ainda andando em círculos e deu um suspiro cansado.

- O que foi, Rin-chan?

- Nada... – ela respondeu simplesmente, sem parar de andar em círculos.

- Então pare de ficar andando em círculos, que vai acabar furando o chão.

- Deixe-me em paz, Kikyou! – ela reclamou. – Estou tentando pensar!

- Você não podia me fazer o favor de ir pensar lá na sala e me deixar terminar esse jantar?

- Feh! – Rin marchou invocada até a sala, jogando-se no sofá. – Você é muito chata, Kikyou!

- Ter uma irmã como você deixa qualquer um chato. – Kikyou brincou, ouvindo Rin bufar.

- Não enche, Kikyou!

A mais velha rodou os olhos. Não daria cinco minutos e ela estaria ali na cozinha, andando de um lado para o outro, incomodada com alguma coisa... Kikyou só não sabia exatamente o que seria.

- Kikyou-chan... – Rin entrou na cozinha com as mãos atrás do corpo; no rosto tinha uma expressão doce que fez Kikyou arquear uma sobrancelha.

- O que você aprontou, menina? – Kikyou colocou a mão na cintura e deixou a panela para olhar Rin, com uma cara desconfiada.

- O que a faz crer que eu aprontei alguma coisa?

- Essa sua carinha doce não me engana, Rin-chan. – Kikyou balançou o dedo indicador para ela. – Vamos, diga, agora, o que fez.

- Eu não fiz nada, Kikyou! – Rin bateu o pé direito no chão, fazendo birra.

- Tem certeza? – Kikyou ainda duvidou, levando a outra sobrancelha também.

- Se eu tivesse feito, acha que estaria aqui para ouvir uma bronca sua? – Rin fez uma careta.

- Bem... – Kikyou olhou para cima, pensando. – Acho que não... Você estaria trancada no quarto.

Rin rodou os olhos.

- Quer me dizer o que está acontecendo com você estes dias? – Kikyou perguntou ao voltar a mexer a comida na panela. – Você anda muito estranha.

Rin ficou calada e Kikyou não a pressionou a falar. Deixaria ela falar quando quisesse ou se quisesse... Como sempre faria.

- Kikyou-chan... – Rin usou o tom mais casual e desinteressado que conseguiu. Encostou-se próximo ao fogão e olhava a irmã preparar a refeição. – Sabia que eu gosto de morar em Tóquio?

- É, Rin-chan? – Kikyou sorriu. – Eu também.

- Pois é, tirando o fato de Sesshoumaru me incomodar – ela falou, ainda no tom desinteressado. – Que, por falar nele, há alguns dias que eu não o vejo... Ainda bem...

Kikyou sorriu... Então era isso. Rin deu uma imensa volta apenas para tentar esconder da irmã que queria saber de Sesshoumaru. Seria bem mais fácil ela chegar e perguntar dele, não?

Rin voltou a sentar. Estava sem lugar. Todo canto que ia ficava incomodada, mas não ia admitir que gostaria de saber porque Sesshoumaru não falou com ela há três dias na escola e que no outro dia deu as costas para ela na porta de sua casa. Não se importava, não é mesmo?

- Realmente, faz tempo que eu não o vejo. – Kikyou falou.

- É... – Rin continuou, enquanto passava a ponta do dedo indicador na mesa, fazendo alguns desenhos. – Será que ele morreu e ninguém me avisou para eu fazer uma festa?

- Não, ele ainda está vivo. – Kikyou riu. – Eu vi o pai dele, Inokuma-sama, e ele me disse que Sesshoumaru-sama não está muito bem de saúde.

Uma sobrancelha de Rin se levantou e ela parou de desenhar para olhar a irmã.

- Sério?

- Hai.

- Demo... Será que é algo... Grave?

Kikyou sorriu, fingindo não ter percebido o tom preocupado de Rin.

- Isso eu não sei informar. – Kikyou falou. – Conversamos rapidamente... Ele estava perguntando se você tinha melhorado.

- Melhorado? – Rin estranhou.

- Quando você ficou mal aqueles dias, Sesshoumaru-sama vinha em casa para vê-la. – Kikyou falou.

Rin entreabriu a boca, surpresa. Ela não sabia disso. Passado o susto inicial, e ignorando o coração disparar no peito, Rin voltou à expressão impassível.

- Perguntei de Sesshoumaru-sama e Inokuma-sama falou que ele estava febril há dias, mas que era teimoso demais para ir ao médico. – Kikyou completou com um sorriso.

- Bem feito. – Rin deu de ombros várias vezes. – Eu nem ligo.

- Posso saber por que toda essa curiosidade sobre Sesshoumaru-sama? – Kikyou deu um sorriso provocativo, virando um pouco o rosto para olhar a expressão de Rin.

- O que está insinuando com isso, Kikyou? – ela estreitou os olhos levemente.

- Ora, só estou querendo saber. – Kikyou falou. – Ele é um rapaz bonito...

- Eu não acho. – Rin se fez de difícil e cruzou os braços. – Ele é irritante, chato e implicante.

- Você nunca reparou como os olhos dele são dourados e intensos? – Kikyou começou a provocá-la, em tom sério, disfarçando o sorriso zombeteiro.

- Iie. – Rin mentiu. Como não repararia nos olhos dele? São lindos! E... Rin balançou a cabeça para os lados. Não devia ficar pensando essas coisas de Sesshoumaru! – Não perco meu tempo com isso.

- Ou como ele é forte e tem a voz sensual?

- Kikyou-chan, não precisa apelar, né? – Rin fez uma careta. – Por favor.

- E se eu não estivesse com Suikotsu eu... – a mais velha continuou a falar, sem se importar com Rin.

- Não ouse terminar essa frase, Kikyou! – Rin ordenou, levantando as mãos em defensiva. – Meus tímpanos são sensíveis demais para isso.

- Você é tão dramática. – Kikyou riu, divertindo-se com Rin.

- Não acredito que você disse que ficaria com Sesshoumaru... – Rin recuou um passo, fazendo uma cara estranha no rosto de traços suaves.

- Por que não?

- Eu não quero que ele fique com ninguém, kuso! – Rin quase gritou e piscou sem graça ao perceber o que disse, levando a mão à boca para tampá-la. – Eu...

- Você não está com ciúmes do Sesshoumaru-sama, está? – Kikyou encarou a irmã.

- Claro que não! – ela mentiu veemente, abanando a cabeça para os lados. – Por que eu teria ciúmes dele?

- Não se importaria se eu o beijasse...?

- Eu vou contar tudo isso que você está falando para Suikotsu. – Rin a cortou e ameaçou com os olhos estreitos. – Viu?

- Não sei... Quem sabe, eu não deixo o Suikotsu e fico com o Sesshoumaru-sama... – Kikyou perguntou em tom baixo, com a intenção de provocar a mais nova.

- O quêêêêêêê! – o grito de Rin fez Kikyou dar um pulo no lugar que estava em pé e quase pôde ser ouvido na rua. – Nunca mais repita uma loucura dessa, ou mando interná-la em um manicômio para tratamento a choque!

Kikyou não agüentou e gargalhou.

Rin se afastou, contrariada, e jogou-se no sofá. Pegou o controle remoto e ficou pulando de canal em canal; o rosto contraído com a petulância de Kikyou em dizer que estava com ciúmes de Sesshoumaru.

Não estava, não é mesmo?

Ouviu o som de carro e deu um pulo do sofá, correndo para a janela e vendo Sesshoumaru descer do veículo. Debruçou-se na janela aberta e olhou-o, sentindo a pele da face queimar, o que a fez ter certeza que estava corada.

- Sesshoumaru... – ela sussurrou e arregalou os olhos quando ele virou-se para onde ela estava.

Ele deu um pequeno sorriso e deu as costas para ela. Rin recuou e só parou quando as pernas bateram na mesinha do centro da sala, fazendo-a equilibrar-se para não cair sentada nela.

Por que ele estava ignorando-a? Por que estava doente ou por causa do beijo...?

Rin baixou a cabeça.

Ele parecia tão abatido e pálido... Devia estar mesmo doente...

Mordeu o nó do dedo.

Será que era algo muito grave? Estava com febre há dias, segundo Kikyou...

Rin contraiu o rosto, preocupada.

Rapidamente Rin tirou as sandálias e calçou os sapatos que estavam na entrada da casa, abrindo a porta com força e estancando quando Kikyou pousou a mão no ombro dela.

- Aonde vai, menina? – a mais velha quis saber.

- Eu... – Rin engasgou ao tentar explicar. – Vou dar uma volta.

- Dar uma volta? – Kikyou franziu a testa.

- Não posso ficar na cozinha porque você me expulsou de lá – Rin falou, brava. – Vai querer me impedir de sair também?

- Iie – Kikyou sorriu, tirando a mão do ombro da caçula. – Apenas não se atrase pro jantar, sim?

Rin acenou com a cabeça que 'sim' e saiu, fechando a porta atrás de si. Olhando para trás, ela começou a caminhar na direção contraria a da casa de Sesshoumaru.

Kikyou viu e se escondeu, vendo que Rin, ao notar que ela não estava mais olhando, correu na direção da casa do rapaz, tentando não ser percebida pela irmã.

Nakayama Kikyou sorriu e foi acabar de preparar o jantar. Essa Rin não tem jeito, sempre gostando de complicar as coisas... Não seria mais fácil dizer que ia à casa de Sesshoumaru?

Rin parou frente à porta do vizinho e olhou para porta de sua casa, suspirando aliviada quando achou que Kikyou não percebeu que ela estava ali. Ela não precisava saber que estava preocupada com Sesshoumaru, né?

Apertou a campanhia e levou as mãos atrás do corpo, sem graça.

Por que tinha que estar na porta da casa dele? Que idiotice!

Ela deu as costas, querendo ir embora antes que alguém atendesse a porta. Sua tentativa de fugir fui interrompida assim que a porta foi aberta e uma voz masculina e grossa falou:

- Pois não?

- Oh! – Rin se virou e encarou o senhor Taisho. – Eu...

- Você deve ser Nakayama Rin. – o senhor sorriu. – Vamos, entre.

Rin piscou e fez uma reverência ao homem, entrando depois na casa dele.

- Como o senhor sabe quem sou? – Rin quis saber.

- Sesshy já me falou de você.

Rin piscou novamente. Não sabia qual das duas coisas lhe pareceu mais estranha: Sesshoumaru ser chamado de "Sesshy" ou ele já ter falado dela para seu pai...

- "Sesshy"? – Rin deu um pequeno sorriso debochado.

- É o apelido de infância de Sesshoumaru. – Taisho sorriu abertamente.

Que idiota deixaria que alguém o chamasse de "Sesshy"? Um sorriso divertido surgiu nos lábios Rin... Deixe só Sesshoumaru começar a implicar com ela que usaria aquele apelido...

- O que deseja aqui, moça?

- Minha irmã disse que seu filho não está bem de saúde... – Rin começou. – E me mandou vim ver como ele está... Não queria, mas ela insistiu tanto... – Rin mentiu, mordendo o canto do lábio inferior. Claro que não admitiria que ela mesma que estava preocupada com Sesshoumaru!

- Ah, sim. – o senhor sorriu, percebendo o tom mentiroso da garota. – Ele está no quarto. Pode subir, se quiser.

- Domo arigatou, Inokuma-sama. – Rin falou, fazendo uma reverência antes de subir as escadas para o andar de cima.

Ela terminou de subir os degraus e parou ao ver um das portas se abrirem, e dela sair Inuyasha, que parou e a encarou, surpreso.

- Rin?

- Que é?

- O que faz aqui?

- Não te interessa.

- Você está na minha casa. Claro que me interessa!

- Não estou aqui por sua causa. – ela fez uma careta, terminando de subir os degraus. – Onde é o quarto de seu irmão?

- Sesshoumaru? – Inuyasha achou esquisito ela querer visitar o irmão.

- Por acaso você tem outro? – Rin rodou os olhos.

- O que quer com ele?

- Quero ver como ele está, ok? – Rin falou em tom cansado, passando a mão pelo cabelo. – Poderia, por favor, me dizer qual é o quarto dele.

- Não me engane, garota! – Inuyasha apontou o dedo para ela. – Diga o que quer!

- 'Tá bom, você descobriu. – Rin rodou os olhos. – Vim colocar uma bomba no quarto dele, então me mostre agora mesmo qual dessa malditas portas vai da no quarto do imbecil do seu irmão.

Inuyasha sorriu vitorioso. Agora parecia a Nakayama Rin que estava acostumado.

- É aquela ali. – ele falou, apontando para a esquerda e depois entrando no seu próprio quarto. – Se precisar de ajuda para implantar a bomba, pode me chamar.

Rin achou graça e sorriu, antes de aproximar-se do quarto e bater levemente na porta. Ouviu uma voz rouca do lado de dentro dizer que a porta estava aberta e levou a mão à maçaneta, girando-a lentamente.

Abriu um pouco a porta e entrou no quarto escuro, clareado apenas pelo abajur ligado ao lado da cama, onde Sesshoumaru estava sentado, lendo um livro, concentrado.

Ele levantou os olhos dourados e pareceu muito surpreso ao ver Rin parada na porta, olhando-o. Ajeitou-se na cama e sorriu, colocando um marca página no livro e o deixando sobre o criado-mudo.

- Rin? – ele falou, levando a mão fechada na boca para tossir.

- Sesshoumaru... Eu... – ela baixou os olhos, corada e sem graça por estar frente a ele. Depois que se beijaram, nunca mais se aproximou dele. – Eu...

- Veio me ver, é? – ele brincou. – Não esperava sua visita.

- Ora, se quiser eu vou embora, então! – ela falou, rudemente.

- Eu não disse que não gostei, apenas que não esperava.

Rin ficou calada, sem graça.

- O que você tem, hein? – Rin falou, aproximando-se dele, esforçando-se para manter-se indiferente. – Kikyou me obrigou a vir ver como você estava.

Sesshoumaru achou graça ao notar o tom mentiroso que ela usou.

- Não sei. – ele respondeu simplesmente. – Deve ser uma gripe.

- Foi ao médico, pelo menos? – ela perguntou.

- Não.

- Devia, né! – Rin falou, aproximando-se dele e levando a costa da mão na testa dele, querendo parecer impassível. – Kami! Você está queimando de febre!

- Logo passa. – Sesshoumaru deu de ombros e levou o livro que estava lendo e abrindo-o na página que parou.

- Você não pode ficar lendo! – Rin exclamou, tomando o livro das mãos dele e empurrando-o pelos ombros para fazê-lo deitar-se. – Você precisa ficar deitado!

- Rin, eu...

- Quer morrer, é? – ela falou, puxando o cobertor para cobri-lo.

- Eu estou bem e... – ele parou de falar para tossir e voltou a falar depois, rouco: – Estou bem.

- Você quase expeliu seu pulmão e vem me dizer que está bem? – ela o encarou, levando a mão à cintura. – Kikyou sempre prepara um chá quando fico assim... – Rin falou, levando o dedo ao queixo. – Já volto!

Sesshoumaru ficou olhando a porta por onde ela saiu e acomodou-se na cama. Realmente, não estava nada bem. Ele respirou fundo e sentiu as costas doerem, de tanto que estava tossindo nos últimos dias.

Arqueou uma sobrancelha ao ouvir gritos no andar de baixo e panelas caindo. Ouviu também Inuyasha descer os degraus correndo e gritar com Rin na cozinha. Claro, Rin não ouviu calada: gritou também!

- Ela vai destruir a cozinha da casa... – Sesshoumaru balançou a cabeça para os lados, levando depois a mão a fronte ao sentir a cabeça doer.

O silêncio reinou no andar de baixo e Sesshoumaru franziu a testa. Ou Inuyasha e Rin tinham se matado no andar de baixo, ou ela tinha acabado de preparar o chá.

- É mais provável a primeira opção. – Sesshoumaru deu um suspiro.

Segundos depois, Rin entrou no quarto, fechando a porta trás de si com força.

- Sua infeliz, você bateu a porta na minha cara! – Inuyasha gritou do lado de fora do quarto, socando-a.

- Vá dormir, Inu-kun! – Rin gritou, ouvindo-o fungar.

- Por que está fazendo isso?

- Isso o quê? – Rin se virou para Sesshoumaru e caminhou até ele, entregando a xícara com chá.

- Isso. – ele olhou para o chá.

- Porque eu quis?

Sesshoumaru riu.

- Tome de uma vez, homem. – Rin retrucou, sentando-se na poltrona que ficava no canto do quarto, cruzando os braços.

Sesshoumaru olhou para o chá e depois para ela, levantando uma sobrancelha, moldando no rosto impassível uma expressão desconfiada.

- Não tem veneno aqui, né? – ele perguntou.

Rin fez uma carranca.

- Sempre trago arsênico no bolso, mas dessa vez esqueci em casa. – ela falou de modo sarcástico. – Se quiser eu posso ir buscar...

- Engraçadinha. – Sesshoumaru sorriu.

- Não tem veneno aí, não. – Rin falou, fazendo gesto de impaciência com a mão.

Sesshoumaru olhou para ela e voltou os olhos para o chá. Levou a xícara aos lábios e tomou, estranhando ao perceber que o gosto era bom. Deixou a xícara vazia ao lado da cama e se virou para Rin.

- Domo arigatou.

- Não me agradeça – Rin fez um caretinha. – Só estou aqui porque fui obrigada.

- Hai... – ele foi irônico.

Rin fez um som de desagrado com a garganta e o viu ajeitar-se na cama, ainda tossindo. Não passou muito tempo e o rapaz dormiu, cansado.

Ela aproximou-se da cama e o observou dormir, respirando lentamente. Levou a mão ao rosto pálido dele e ficou preocupada ao notar que estava quente demais. Ela puxou o cobertor cobre o corpo dele e desligou o abajur, deixando o ambiente escuro.

- Durma bem, Sesshoumaru... – ela murmurou, inclinando-se para beijar a testa dele. – Melhore logo, sim?

Ele mexeu-se na cama e Rin afastou-se dele, abrindo a porta delicadamente, olhando para o corpo imóvel na cama antes de tornar a fechá-la.

"Eu devo está mesmo enlouquecendo...", Rin pensou, recostando-se a porta fechada e olhando o chão, colocando a mexa do cabelo que caiu no rosto atrás da orelha. "Primeiro fico com ciúmes dele, depois gosto do maldito beijo e agora me preocupo com ele".

Rin suspirou cansada e desceu os degraus depressa.

"O que está acontecendo comigo, Kami?", ela pensou, confusa. "Por que ele provoca tantas coisas em mim?".

Ela abriu a porta e acenou para o senhor Inokuma que estava sentado no sofá, assistindo televisão. Caminhou confusa em direção a sua casa; na face uma aparência de dúvidas.

"Eu o odiava tanto, por que agora fico tão...", ela levou a mão no peito, sentindo o coração pulsar depressa, "Estranha quando estou perto dele?".

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