Quero dedicar este capítulo a uma enorme fã do Draco Malfoy, Gaby Amorinha, que me tem deixado extremamente orgulhosa com os seus comentários.

Para escrever a cena final entre o Scorpius, o Albus e a Rose usei a música "Count on me" do Bruno Mars para me inspirar, realmente reflecte bem aqueles momentos.

O passado fica no passado, certo?

Scorpius, por favor, responde-me a dizer se estás bem. Estou preocupada contigo. Nada do que aconteceu entre o teu pai e os meus muda aquilo que sinto por ti, és a tua própria pessoa e não apenas o filho de Draco Malfoy.

Amo-te.

Rose guardou o diário dentro da cómoda e sentou-se na cama, sentindo como se o peso do mundo estivesse sobre os seus ombros. As palavras que os seus pais trocaram não paravam de ecoar na sua mente, juntando-se à expressão horrorizada de Scorpius. Quando descera atrás dele, Rose deparou-se com Albus, que de expressão surpreendida lhe perguntava se sabia porque Scorpius lhe dissera um adeus apressado e quase correra para dentro das chamas, de regresso a casa. Rose negara ter qualquer conhecimento sobre o comportamento bizarro do Slytherin, mas fora com o coração pesado que se reunira ao resto das festividades e nem mesmo a chegada do seu colorido e sempre alegre primo Teddy lhe avivara o espírito. Agora, ao chegar a casa depois de ter fingido toda a noite que nada de errado se passava, apenas tinha vontade de se enrolar numa bola e esquecer o resto do mundo…

Ao sair da lareira, num humor totalmente oposto ao que tinha ao partir, Scorpius dirigiu-se imediatamente ao quarto dos pais, com a segurança de estes ainda não terem chegado. Sabia que o seu pai, tal como grande parte das famílias de sangue puro mantinha um registo quase diário da sua vida e esperava que num desses diários encontrasse respostas às suas questões.

O quarto dos seus pais estava escuro e usando a varinha para lhe iluminar o caminho, aproximou-se do enorme baú onde se encontravam os registos. Abrindo-os para ver a primeira e a última data, rapidamente escolheu dois que se adequavam ao período de tempo referido por Mrs. Weasley. Não querendo ser apanhado em falta, Scorpius fez instantaneamente a cópia dos dois livros e voltou a guardar os originais junto dos restantes.

Dirigiu-se ao quarto e sentando-se na sua poltrona, começou a ler o primeiro dos diários. Ao ler as palavras, quase conseguia ver o aspecto do seu pai aos dezassete anos, em quase tudo semelhante a si próprio, pelo menos fisicamente, mas quanto mais ia progredindo, mais aquela pessoa lhe parecia um estranho. A forma como falava era indubitavelmente do seu pai, mas o conteúdo das suas emoções e desejos era diferente do homem calmo e presente que tinha como figura paternal, era um estranho que queria seguir um louco, em defesa de uma supremacia ignorante e maléfica. Scorpius sentiu-se doente e teve de fazer uso de todo o seu controlo e coragem para continuar a ler. Podia ver que, com o passar do tempo, a fé do seu pai em Voldemort ia diminuindo, que este começava a ter dúvidas sobre se seria correcto todos aqueles actos, que finalmente estava a conseguir ver que o mundo não se podia dividir apenas em poderosos e aqueles que seriam demasiado fracos para procurar esse poder, começava finalmente a conseguir ver rasgos do seu pai naquele rapaz, mas ainda assim, não era suficiente.

Ao ouvir os seus pais a chegar, apressou-se a enfiar-se na cama e fingiu estar a dormir, quando a mãe abriu a porta ao de leve. Ao ouvir os passos dela a afastarem-se, puxou do segundo diário e começou a lê-lo. Podia ver como a presença daquele lunático fazia o seu pai tremer e percebia agora o porquê dos seus pais nunca o deixarem entrar na antiga mansão, onde o seu avô ainda vivia: não era por este ser um condenado e não quererem que influenciasse demasiado o neto, mas sim por temerem que a presença de Voldemort, mesmo passados todos estes anos, ainda se fizesse sentir dentro daquelas paredes, qual fantasma regressado para controlar os vivos.

Pouco depois, sentiu o diário que Rose lhe dera vibrar e abrindo-o, deparou-se com o seu recado preocupado. Scorpius suspirou, sentindo-se horrível consigo mesmo por a estar a fazer passar por tudo isto, mas sem conseguir formular uma qualquer resposta antes de conhecer toda a verdade.

Finalmente, perto das cinco da manhã, várias palavras começaram a despertar a atenção de Scorpius para uma certa passagem.

"Estava com o pai, na sala, quando ouvimos a comoção. A mãe tinha ido atender a porta e agora regressava com um grupo maltrapilho. "Dizem que apanharam o Potter", informou ela, perante a expressão surpresa do pai e realmente, por entre aquele grupo imundo podia ver a Granger e o Weasley junto a um rapaz de cara inchada e cabelo comprido que, de certeza, se tratava do Potter, juntos a eles um outro Gryffindor e um goblin. Quando a mãe me chamou, soube imediatamente o que queria, mas eu não era capaz de o fazer. Odiava-os até ao fundo do meu ser, queria tê-los visto expulsos inúmeras vezes, magoados, humilhados, mas não era capaz de os entregar para morrer, não depois de ter vivido com Ele durante aquele Verão, era demasiado retorcido, demasiado para eu puder aguentar…

Eles falavam e discutiam, prontos a chamar o Senhor das Trevas e eu só conseguia gaguejar e só pensava em afastar-me o mais depressa deles. Eles tinham reconhecido a sangue-de-lama e o traidor e estavam certos de que o outro era o Potter, eu sabia que aquele grupo não teria muito tempo, quando a porta da sala se abriu e a tia entrou. A partir daí foi tudo a descambar, ela queria chamar o Senhor das Trevas, mas de repente ao ver a espada que os Raptores traziam endoideceu e começou aos gritos com todos, acabando por enviar os prisioneiros para a cave, com excepção da Granger. Era horrível de assistir, enquanto a Bellatrix a rodeava e ria histericamente, torturando-a a seu bel-prazer. Eu tentara usar o crucio contra o Potter uma vez, mas não conseguia imaginar tamanho prazer em fazê-lo, como ela parecia sentir. Os gritos dela pareciam ecoar nos meus ouvidos e deixá-los a zunir, enquanto, da cave, o Weasley parecia um lunático a gritar em resposta. Eu tentava bloquear todos os sons daquela sala, não queria ouvir os gritos de terror da sangue-de-lama, nem os histerismos de Bellatrix, era como uma cacofonia de horror. E então mandaram-me à cave, buscar o goblin. Eles podiam atacar-me, mas eu não podia dar parte de fraco, não à frente do pai e da mãe… Depois de voltar, o interrogatório continuou, mas então o Wormtail foi mandado investigar um barulho na cave e de repente, o Weasley e o Potter vinham a correr, lá de baixo, mas a tia era mais rápida e agarrou a sangue-de-lama, apontando-lhe uma faca, mas de repente o lustre caiu, trabalho daquele monstróide do elfo doméstico e eles conseguiram recuperar as varinhas e fugir, mas era tarde demais para nós: a tia havia chamado o Senhor das Trevas e agora tínhamos de arcar com as consequências de termos deixado o Potter fugir por entre os nossos dedos, por mais horríveis que elas fossem."

Scorpius não conseguia ler mais, sentia-se enjoado, como se ao mínimo movimento fosse vomitar, a cabeça doía-lhe intensamente e por várias horas fixou o olhar no colar que tinha nas mãos. As palavras de Rose ecoavam na sua cabeça: "Não muda nada entre nós", mas pensaria ela assim se soubesse os horrores que o passado dos seus pais guardava? Horrores provocados pela família dele… e pensar que Hermione o defendera naquela noite… mais-valia tê-lo sovado, provavelmente sentir-se-ia melhor do que agora… Como é que voltaria a olhar para Rose e Al e todos os Potters e Weasleys, sabendo o que acontecera. Se fosse ao contrário ele odiaria todos os que tivessem magoado os seus pais…

"Mas o teu pai não os magoou... ele tentou defendê-los…" – retorquia uma voz na cabeça de Scorpius, que se assemelhava, estranhamente, à de Rose.

"Sim, mas ele estava lá, parado, sem fazer nada…" – sussurrava continuamente Scorpius.

Quando o dia amanheceu, Scorpius não tinha conseguido adormecer nem por um minuto: parecia-lhe que conseguia ouvir os gritos de Hermione e os de Ron misturados numa gargalhada maléfica e quando as suas fantasias iam mais além, os dela transformavam-se nos gritos de Rose e os de Ron nos de Scorpius.

Fingindo ter uma pilha de trabalhos para fazer, Scorpius conseguia evitar ao máximo a presença dos pais, fugindo ao seu olhar directo: não sabia como havia de se comportar perante Draco agora que sabia tantas das coisas que este fizera na sua juventude e o pior de tudo, para Scorpius, era não conseguir manter-se zangado com o pai. Odiava tudo o que defendera, repugnava-o os ideais da pureza de sangue que este defendera, mas continuava a ser o seu pai, o homem que lhe dera a primeira vassoura e o ensinara a jogar Quidditch, que lhe contava histórias sobre dragões e que nunca o ensinara a guiar-se pelas regras da pureza de sangue. Talvez naquela noite o seu pai tenha começado a ver a luz, ou talvez, até antes, mas sem ter a coragem para o admitir, mesmo a si próprio.

E mesmo sem que Scorpius se apercebesse, a noite do dia 28 chegara e fora arrancado dos seus devaneios pela voz da mãe, que lhe gritava para se apressar, pois Albus estava na lareira à sua espera. Scorpius saltou da cama e por momentos pensou em dizer que estava doente ou que tinha muitos trabalhos para fazer, mas se seguisse a primeira ideia Albus quereria vê-lo e saberia que ele estava a mentir instantaneamente, se seguisse a segunda Albus saberia à mesma que era mentira pois ambos tinham terminado os trabalhos na véspera de voltarem a casa, sob os comandos de Rose. Então, resignando-se a uma noite de suplício, Scorpius pegou na capa e encaminhou-se para a lareira, despedindo-se apressadamente dos pais e de Elise, que se entretinha a jogar com um baralho de cartas explosivas.

- Adeus idiotas! – cumprimentou James, enquanto passava por Albus e Scorpius a saírem da lareira, para a sala de estar dos Potter.

Scorpius olhou em redor, observando a sala e notando como esta estava repleta de inúmeras fotografias de família, nas situações das mais normais às mais ridículas.

- Esta é a Rose às cavalitas do Teddy Lupin? – perguntou Scorpius, ao observar uma foto de uma Rose muito mais nova, às cavalitas de um rapaz de cabelo azul e com um nariz em forma de focinho de cavalo, que corria com ela num jardim.

- Essa fotografia já devia ter sido destruída há muito tempo – comentou uma voz masculina, por detrás dos dois rapazes.

Scorpius virou-se e deparou com uma versão mais velha do rapaz de cabelo azul, já com um nariz normal, de olhos castanhos-claros e sorriso fácil.

- Scorpius Malfoy – apresentou-se Scorpius, estendendo a mão para o rapaz.

- Edward Lupin – retorquiu o rapaz – Mas podes chamar-me Teddy como todos os outros… - e acrescentando, com um sorriso – primo.

Scorpius também sorriu, mas ao ver uma mulher de cabelo castanho a entrar na sala, o seu sorriso morreu imediatamente.

- Boa noite, Scorpius – cumprimentou Hermione, aproximando-se para o abraçar, mas ele recuou diversos passos, como se ela o fosse magoar. Todos o olharam de forma estranha, mas o barulho da restante família a entrar fez a atenção dispersar-se de Scorpius para as delícias que flutuavam sob o comando das varinhas de Ginny e Harry e sob o olhar atento de um elfo doméstico extremamente velho.

Durante todo o tempo que decorreu entre aproximar-se da mesa, sentar-se e começar a comer, Scorpius podia sentir o olhar de Rose cravado nele e foi recorrendo a toda a sua capacidade de controlo que conseguiu evitar trocar olhares com ela.

- Ei, rapaz, queres mais puré? – perguntou de repente uma voz que fez Scorpius olhar para cima de olhos esbugalhados. Ron Weasley estava a dirigir-se a ele, de forma minimamente cordial… poderia o pedido da mulher ter tido tamanho efeito ou chegara o homem à conclusão de que o rapaz loiro apenas compartilhava o aspecto físico do pai e não os seus desejos e aspirações?

- Desculpe, eu não aguento mais… – explodiu subitamente Scorpius e correu para fora de casa.

- O que é que eu disse de mal? – retorquiu Ron para os presentes, que tinham uma expressão de assombro no rosto.

- Por estranho que pareça, nada – comentou Hugo, levando um encontrão da irmã como resposta.

- O rapaz está obviamente perturbado, mas porquê? – inquiriu Hermione, olhando para a filha e para o sobrinho, em busca de uma explicação.

- Bem… - começou Rose e todos os olhares se viraram na sua direcção, fazendo-a corar profusamente – no dia em que o Malfoy foi jantar à Toca, nós estávamos a falar e eu contei-lhe que havia um vampiro no sótão, mas ele riu-se de mim e então, eu quis mostrar-lho e foi quando passávamos em frente ao antigo quarto do pai que o ouvimos a falar com a mãe e…

- Oh! – exclamaram Ron e Hermione, simultaneamente – Ele deve ter descoberto – acrescentou Hermione, para o marido.

- O quê? – perguntaram os mais novos, em uníssono, enquanto Teddy observava fixamente a expressão do padrinho, que tinha endurecido.

- Talvez devêssemos contar aos miúdos… - sugeriu Harry, olhando para Hermione em busca de um sinal afirmativo.

- Claro que sim, mas enquanto vocês fazem isso, eu vou falar com o Scorpius. Provavelmente far-lhe-á bem ouvir o que tenho para lhe dizer – disse Hermione, levantando-se da mesa e seguindo a direcção que o rapaz tomara.

Enquanto se afastava, podia ouvir a voz de Harry flutuar até ela, começando a narrativa apenas a partir do ponto em que tinham sido capturados. Isso tranquilizou-a, aqueles miúdos viviam num tempo de paz, não precisavam de memórias mais assustadoras do que aquelas que iriam ouvir em seguida.

O luar banhava o jardim que ficava nas traseiras da casa dos Potter, quando Hermione saiu para o exterior. Podia ver um vulto sentado no banco de ferro forjado, situado em frente ao lago congelado. A neve preservava as pegadas que se encaminhavam em diferente direcções até finalmente se dirigirem ao banco.

- Está um pouco frio, para se estar aqui fora – comentou Hermione, sentando-se ao lado de Scorpius. Este afastou-se o máximo que o banco lhe permitia, sem olhar uma única vez para cima.

- A Rose contou-nos o que vocês ouviram… - começou Hermione, colocando uma mão sobre o ombro de Scorpius, mas este afastou-se do contacto e virou-se para ela, agressivamente.

- Sim, aposto que neste momento estão todos a ter uma alegre conversa sobre o traste que o meu pai era e como se deveriam ter livrado dele há muito tempo, estou certo? – rosnou Scorpius, saltando do banco e recomeçando a caminhar de um lado para o outro.

- Ouve, meu menino – ordenou Hermione, levantando-se também e com mais força do que Scorpius achava ser possível dela ter, empurrou-o novamente de novo para o banco – O teu pai realmente era horrível para connosco e para aqueles que, segundo os seus conceitos, não eram dignos de aprender magia, mas se há uma coisa que aquele tempo me ensinou é que todos podem errar e todos podem mudar e ser perdoados… e isso foi o que aconteceu ao teu pai, percebes? Não há ninguém melhor do que eu, o meu marido e o Harry que saibam dizer quão anormal ele era, enquanto adolescente, mas ele mudou, não o podes condenar por todos os erros que cometeu quando era jovem… Merlin sabe que ainda hás-de cometer muitos erros durante toda a vida e não seria justo, daqui a muitos anos, que alguém te condenasse por eles, pois não? – perguntou Hermione, enquanto fixava o olhar na lua.

- Mas eu nunca poderia juntar-me a um monstro como aqueles… - suspirou Scorpius, entrelaçando as mãos no colo.

- Porque não foste criado a adorar tudo o que tivesse a ver com o Voldemort, ao contrário do teu pai… - retorquiu Hermione – Os teus avós criaram o teu pai de uma forma muito diferente da tua, desde pequeno que o seu caminho de vida estava traçado, enquanto tu tens uma miríade de escolhas à tua frente…

Scorpius olhou finalmente para Hermione e viu que esta lhe sorria.

- Mas Mrs. Weasley… - começou Scorpius.

- Trata-me por Hermione, por favor, caso contrário vou andar sempre à procura da minha sogra quando te dirigires a mim – interrompeu Hermione, fazendo o rapaz sorrir.

- Mas H-Hermione… não sente ódio do meu pai por ele ter observado a sua tortura sem ter feito nada para a travar?

- Hum… se me tivesses feito essa pergunta há muitos anos atrás, provavelmente teria dito que sentia, mas olhando para o passado e para tudo o que perdemos durante aquela guerra, esses sentimentos de rancor apenas envenenariam o meu ser caso os tivesse mantido… nem mesmo o meu marido odeia o teu pai, sabias? – acrescentou Hermione, perante o olhar surpreso de Scorpius.

- Mas ele disse…

- O meu marido é demasiado emotivo e diz coisas sem pensar… - comentou Hermione, sorrindo com uma doçura ao falar de Ron que Scorpius já tinha visto na expressão de Rose quando estavam os dois sozinhos: era uma expressão reservada às mulheres Granger para com os seus amados - Com isto, não quero dizer que alguma vez poderão ser amigos, apenas que se comportam com a tolerância de quem já sofreu demasiado para tentar reerguer velhos ódios…

- Então, a senhora não odeia a minha família pois apercebeu-se de que isso seria inútil e compreende que todos possam corrigir os seus erros passados e acredita que o seu marido não odeia o meu pai por essas mesmas razões? – resumiu Scorpius, olhando-a de sobrancelhas erguidas.

- Precisamente – confirmou Hermione, sorrindo serenamente.

- Tem a certeza que não bebeu demais ao jantar? – explodiu Scorpius, antes de se conseguir conter, fazendo Hermione desatar a rir à gargalhada.

- Se tivesse sido outro amigo da Rose a dizer-me isso teria levado com um feitiço de ferrar, mas digamos que tenho um fraco por ti – confessou Hermione, numa voz conspiratória.

- Hum? – foi a resposta de Scorpius, demasiado confuso para elaborar algo mais.

- Digamos que estou a torcer por ti – Hermione levantou-se e ainda acrescentou – Uma mãe sabe estas coisas, mas tem em conta que se a magoares estás feito, meu rapaz, estamos entendidos?

- Sim, senhora – respondeu prontamente Scorpius, meio assustado, meio fascinado. Hermione Weasley era sem dúvida uma mulher a ser temida e respeitada por todos.

Nem cinco minutos tinham passado quando as vozes de Albus e Rose se insurgiram na noite, gritando o nome de Scorpius. Ao verem o seu contorno no banco, correram para lá e sentaram-se a seu lado.

- O meu pai contou-nos o que aconteceu na velha mansão Malfoy – informou Albus, observando o amigo, com preocupação. Este limitou-se a abanar a cabeça.

- És mesmo um grande idiota, sabias? – resmungou Rose, fazendo Scorpius olhar para ela, com receio do que esta tivesse para lhe dizer.

- Depois de todas as porcarias que aguentei de ti e do Albus – Scorpius e o amigo cruzaram olhares e o primeiro viu que este usava um sorriso conspiratório, que o fez sorrir também – achas que posso simplesmente deixar-te afastares-te do teu melhor amigo e da sua prima chata e mandona para andares deprimido pelos cantos?

- Mas o meu pai…

- Não és tu – interrompeu Albus – vocês são pessoas diferentes, que fazem escolhas diferentes e tu não te podes culpabilizar por algo que a tua tia-avó fez há vinte e tal anos atrás.

Scorpius sorriu aos amigos e um calor como raramente tinha sentido propagou-se pelo seu corpo, como se estivesse ao lado duma lareira acesa e não num jardim gelado.