CAPÍTULO X
— Então ele voltou!
— E parece estar apaixonado por ela.
— Aposto que vai pedí-la em casamento!
Três pares de olhos espiavam pela fresta da cortina do quarto de Arthur Weasley.
— Esse tipo de homem não sabe o que é amar. Ele só se casará se precisar desse herdeiro — Neville opinou, contrariando as fantasias românticas das criadas. Ele havia acabado de chegar — O homem é um mulherengo mentiroso. E nossa ama estará melhor sem ele.
As duas se viraram e trocaram um olhar rápido antes de encará-lo.
— Posso dizer o mesmo de alguém que está bem aqui. E creio que é necessário alguém da mesma espécie para reconhecer um semelhante — Matilda disparou, deixando o quarto de cabeça erguida.
Neville ofereceu um sorriso pálido à noiva. Parvati retribuiu com uma careta desconfiada. Depois, exibindo uma postura tão altiva quanto a da Sra. Sweeting, ela também deixou o aposento levando o balde.
— Lorde Malfoy chegou e jantará conosco — Virgínia anunciou orgulhosa ao entrar na sala de estar. — Quero apresentá-lo ao Sr. Diggory, meu lorde. Ele é… é…
— Um homem bom e decente?
— Ele foi advogado de meu finado marido. Tia Matilda, pode servir o vinho enquanto a refeição é preparada?
Matilda superou o choque em alguns segundos.
— É maravilhoso vê-lo novamente, Visconde Malfoy. - Draco inclinou-se com exagero, zombando do cumprimento. Era evidente que não havia esquecido o último encontro com a Sra. Sweeting no baile de aniversário de Pansy.
— Vou ver como Edith está se saindo com o jantar — Virgínia anunciou antes de sair.
Na cozinha, ela depositou as ervas sobre a mesa e olhou para a cozinheira. — Sinto muito, mas temos outro convidado. Todos os empregados estavam reunidos no aposento, e a primeira a reagir ao comentário foi Parvati.
— Eu não disse?
— Neville, que bom que voltou! Por favor, providencie vinho e sirva-o na sala de estar.
— Senhora, talvez eu deva ir ao lago e pescar alguma coisa para o jantar.
— Parvati devia ter feito isso há horas! — Edith censurou-a.
— Sim, Neville, seria excelente — Virgínia respondeu com tom grato. — Parvati, sirva o vinho, sim?
—Enquanto isso, eu pentearei seus cabelos e escolherei um belo vestido para adorná-la – Disse Matilda.
O jantar foi perfeito. Tia Matilda operou um verdadeiro milagre no rosto cansado e pálido de sua senhora e, à mesa, Virgínia brilhava tanto quanto as velas nos castiçais. A comida também era deliciosa. Trutas regadas ao molho de mostarda fresca, vegetais grelhados, queijos e tortas para a sobremesa. O carneiro que restara do dia anterior fora regado com uma mistura de ervas e levado ao forno, e também havia uma galinha assada guarnecida com legumes. Os criados serviam com maneiras invejáveis e ar orgulhoso, e tudo corria muito melhor do que o esperado.
— A refeição estava soberba, Sra. Potter — Cedrico Diggory elogiou satisfeito. — Concorda comigo, visconde? Não vai ser fácil enfrentar a estrada gelada depois de um jantar como este. Onde pretende passar a noite?
— No Hotel Swan em Godric Hallow.
— Oh, mas podemos hospedá-lo aqui esta noite — Virgínia interferiu, temendo vê-lo desaparecer novamente. — E prometo um bom quarto e uma noite de sono reparador. — Percebendo que as palavras haviam sido mal interpretadas pelo advogado, cujo sorriso cínico tinha um milhão de significados odiosos, ela se corrigiu: — Quero dizer, mandarei Neville abrir um quarto e preparar uma boa cama e…
— Não creio que seja oportuno — Draco cortou com um sorriso doce.
Tensa, Virgínia esperou ansiosa, certa de que seu futuro dependia das próximas palavras do visconde. De repente se dava conta de que queria ser amada novamente, porque, ao longo de sete anos, não conseguira deixar de amá-lo. Preferia que ele fosse pobre, porque assim nada poderia prejudicar sua felicidade. Só precisava de amor e fidelidade…
— Dizem que uma associação tão próxima nas noites que antecedem o casamento não traz boa sorte aos noivos.
— Casamento? — Cedrico e Matilda repetiram perplexos.
— Virgínia e eu vamos nos casar. No sábado. Passarei amanha o dia todo na cidade cuidando dos preparativos. Oh, sim, já ia esquecendo… isto — Draco revelou, deixando sobre a mesa uma caixa de veludo que tirou do bolso interno da casaca. Sem pedir licença, ele segurou a mão de Virgínia e removeu de seu dedo a aliança de casamento, colocando em seu lugar o belíssimo anel de diamante. — Este anel simboliza tudo que lamento em meu passado e todas as minhas esperanças para o futuro.
— Que maravilha! — Matilda aplaudiu excitada. Cedrico acompanhava a cena com um olhar furioso.
— Meus parabéns. Imagino que queiram ficar sozinhos. — O advogado levantou-se.
— Sr. Diggory, por favor… Temos de resolver a questão da venda do anel de minha tia.
— Essa questão já foi resolvida, Sra. Potter. Obrigado pelo jantar. Quero partir antes que a noite se torne fria demais.
— Por favor, espere! — Virgínia levantou-se. — Minha tia está disposta a devolver o dinheiro da venda do anel. O comprador nem precisa saber que a transação foi realizada.
— A oferta éjusta, Diggory — Draco interferiu, colocando-se entre ele e a porta. — Cobrou comissão pela venda?
— Visconde, eu…
— O anel! — Draco exigiu, estendendo a mão aberta. O advogado devolveu a jóia que levava no bolso.
— Meu dinheiro?
Matilda correu ao encontro do trio enquanto retirava da bolsa um maço de notas. Cedrico partiu levando o dinheiro e uma expressão furiosa no rosto.
— Temo que nunca mais voltemos a vê-lo — Matilda observou com um sorriso largo. — Que dia! Bem, se me permitem, vou me deitar. Estou exausta.
Segundos depois, Virgínia e Draco estavam sozinhos na sala. Ele a pedira em casamento diante de testemunhas. Contrariando todas as expectativas, seu herói da juventude a resgatara de todos os perigos, afinal.
— Obrigada…
— É só isso que tem a dizer? Passei a viagem toda pensando se me aceitaria de volta, no que diria a você, enfrentando meus fantasmas e tudo que recebo é um obrigado?
— O que quer ouvir?
— Algo sincero e verdadeiro.
— Eu amo você, Draco.
— Tem certeza? Mesmo depois de tudo que ouviu a meu respeito? Mesmo depois de tudo o que eu fiz? Não está confundindo amor com gratidão?
— Não. Se quer mesmo que eu seja sincera, nunca deixei de amá-lo. Nem mesmo durante os piores dias, quando tentei odiá-lo por ter me desonrado... Por acreditar que havia me abandonado…
A frase foi interrompida por um beijo longo e apaixonado. Quando Draco despediu-se prometendo voltar em dois dias para uma conversa longa e esclarecedora, Virgínia tinha a sensação de estar no paraíso.
