É tarde da noite.

Uma garota está pálida e inquieta nos jardins da mansão Clow. Ela segura um pedaço de pergaminho para o qual olha vez ou outra e murmura as palavras escritas nele. Uma declaração de amor.

Uma das portas que levam para dentro da mansão se abre e dela sai um rapaz de cabelos castanho claro e olhos cor de âmbar cheios de confusão. Ele se aproxima da garota inquieta.

- Héstia, está tudo bem?

A garota esconde o pedaço de pergaminho no bolso da capa e segura uma mecha dos cabelos enrolados.

- Tu... Tudo bem Remus.

O jardim está bastante escuro com exceção das luzes que vem das janelas casa. Remus caminha quase cegamente em direção a Héstia. Ele coloca a mão direita no ombro da garota e ela da um passo para trás nervosa.

- Héstia o que houve?

Héstia tira o pergaminho do bolso, suas mãos estão tremendo. Remus a encara confuso.

- Remus, eu... eu... Queria te dizer uma coisa. – Ela suspira e larga o pergaminho no chão. – Eu te amo.


- Héstia, porque você não se acalma um pouco? - Molly tenta fazer a garota de outro dia se sentar, mas ela anda de um lado para o outro da cozinha.

Durante esse pequeno ataque de nervos, ela lança olhares terríveis na direção de Remus.

Ela está tão inquieta e nervosa que passa como um furacão por todos nós, indo e voltando, indo e voltando. Peter e eu arrastamos nossas cadeiras de forma a ficar grudados na parede. Fizemos isso para dar mais espaço para a garota passar (e também como uma forma de prevenir sermos atropelados por ela).

Vejo Remus olhando de soslaio para Tonks. Ele deve estar morrendo de vergonha do comportamento maluco da garota Lua Cheia.

- Sirius, onde está Narcisa?

Sirius ergue os braços para os céus.

- E como é que EU vou saber Hesty?

Ela bufa e eu grudo na cadeira com medo do que ela pode fazer com Sirius. Ele nunca sabe a hora de parar com as piadinhas sem graça dele.

- Isso não é hora para piadas! – Héstia da um chute na cadeira de Sirius e ele ri (esse homem não tem noção do perigo) - Narcisa está sumida a mais de duas semanas.

- Você já perguntou para o senhor boi? – Régulus sugere prestativo. - Eles estão sempre juntos.

Cara, eu quase morri com a secada maligna que ela lançou para o coitado do Régulus. Sério, se eu fosse ele saia chorando da mesa e ficaria na minha cama por uma semana encolhida em posição fetal.

- Eu por algum acaso falei com você fofucho?

Régulus corou até a ponta do nariz dele. Nunca tinha reparado em como ele parece um bonequinho de cera, ele é todo delicado. Se colocasse uma peruca e um vestido podia facilmente se passar por uma menina de 14 anos.

- Não

- Olha Héstia – Remus se levanta de cadeira e segura a garota Lua Cheia pelo braço. Foi até que delicado levando em consideração o escândalo que ela esta fazendo. Bom, esse é Remus não é? – Você parece estar muito nervosa. É melhor se sentar e se acalmar antes que acabe fazendo uma besteira.

Remus puxa uma cadeira para Héstia e ela o obedece como um cachorrinho, ou um javali domesticado. Molly imediatamente entrega um copo de suco para a garota chata.

Héstia toma o copo de suco em um gole e apóia o copo na mesa com rispidez.

- E então Héstia, – Sirius novamente desafia o perigo - o que foi que aconteceu?

- Eu já disse. – Ela rosna - Narcisa está sumida. Faz mais de duas semanas que eu não a vejo.

Narcisa é a mulher que eu vi nos fundos da mansão no dia da senhora briga com Potter. A briga faz mais de duas semanas, mesmo assim ainda penso que o desaparecimento dela tem alguma relação com o mordomo sinistro. Já tentei tocar no assunto com os meninos, mas todos os doze nutrem uma adoração estranha pelo tal do Riddle.

Minhas anteninhas estão coçando de tanta curiosidade.

Não consigo me controlar e começo um verdadeiro interrogatório...

- Quando foi a ultima vez que a viu?

- Como eu já falei... Foi duas semanas atrás.

- Como ela estava na ultima vez que a viu?

- Ela estava meio nervosa com alguma coisa...

- Ela te disse o que foi?

- Não. Não me disse.

Conforme eu avanço em meu interrogatório Héstia vai ficando mais arisca.

- Régulus mencionou o possuído pelo boi. Você pode me descrever o nível da relação dos dois?

Acho que aí eu a cutuquei em algum ponto que não deveria. Ela se levanta da mesa tempestuosamente derrubando vários copos, pratos e talheres e aponta o dedo para a minha cara.

- Olha, o que você pensa que está fazendo?

O dedo dela está praticamente cutucando meu olho. Congelei de medo.

- Lily só está querendo ajudar. – Remus afasta Héstia de mim e eu respiro aliviada - Ela trabalha no departamento de Segurança Bruxa...

- Não se meta nisso garota. – Héstia me diz com um ar sombrio em tom de ameaça. Ela da um esbarrão em Remus quando caminha em direção a porta.

Remus ainda tenta segura-la pelo braço, mas ela consegue se livrar dele com o que eu posso descrever como um coice.

- Héstia...

- Não! Nem comece.

E então ela vai embora assim como apareceu... do nada.

Passamos o resto do jantar ouvindo Sirius e Arthur fofocarem sobre a possibilidade de Narcisa e o boi estarem tendo um caso escondidos ou não.

Depois da sobremesa eu e minha equipe nos trancamos novamente no escritório para terminar o bolo de trabalho que trouxemos para a casa. Molly passa para nos dar boa noite por volta das 22h00 e Arthur vai embora um pouco antes disso.

Lá para umas 23h00 Régulus e Tonks vão embora.

Me despeço dos dois e vejo Remus sentado pensativo no telhado da casa vizinha. Espero meus funcionários aparatarem para jogar uma pedrinha em sua direção. Obviamente não consigo acertar meu alvo, mas consigo pelo menos chamar a atenção dele, mando um tchauzinho com a mão. Ele sorri e faz sinal para que eu suba ali.

- E então - Aparato bem do lado dele. Remus me ajuda a sentar. – O que você está fazendo aqui todo pensativo?

Remus me encara com seus olhos cor de âmbar. Adoro os olhos de Remus, são de uma cor única, nunca vi olhos assim em nenhuma outra pessoa. Não consigo não pensar no quanto gosto de Remus. Se eu pudesse escolher uma pessoa por quem me apaixonar, com certeza o escolheria.

- Eu posso te fazer uma confissão?

- Claro que pode Remus! Somos brothers! – dou um soquinho no ombro esquerdo dele o fazendo rir.

Será que ele vai dizer que está afim da Tonks? Seria lindo!

Remus fica quieto durante um tempo calculando as palavras.

- A Héstia... Não sei se você percebeu, mas ela... Gosta de mim. Gosta de mim mais do que como amigos. – Ele fala de um jeito estranho, como se o fato de Héstia gostar dele o machucasse.

- Ela já disse isso para você?

- Já.

-Ela era minha melhor amiga, e desde então não fala mais comigo. Ela me odeia. Eu me sinto horrível Lily

- Remus, as pessoas não escolhem por quem se apaixonam. Não é culpa sua não corresponder aos sentimentos dela.

- Diga isso a ela então. Você viu o jeito como ela olha para mim?

- Não fique mal por causa disso Remus. As dores de amor se curam com o tempo. Acredite em mim.

Faço um cafuné nos cabelos castanho-claro de Remus e ele faz um barulho estranho, quase como se estivesse ronronando. Ele encosta a cabeça de leve no meu ombro.

- Lily.

- Diga.

- Muito Obrigada por voltar para minha vida. Adoro você.

Isso foi tão fofo que quase me derreti.

- Também te adoro Aluado.

Ficamos ali conversando sobre banalidades até que escutamos Peter dar um gritinho de susto (o grito dele me lembrou o de uma garotinha de 6 anos), só então percebemos que estávamos sentados bem na frente da janela dele. O grito de Peter chama a atenção de Sirius e os dois acabam se juntando a nós. Ficamos um bom tempo no telhado jogando conversa fora e cantando músicas velhas. Acabo indo dormir tarde de novo. Desse jeito eu não vou chegar nem aos meus 30 anos.

E mais um dia de trabalho se inicia. Vão fazer três meses que estou de volta, três meses que comecei nesse emprego. E tudo o que eu consigo pensar a respeito da minha vida profissional é: Quero férias.

Moody continua bravo comigo por causa do artigo no jornal. Ele fica resmungando toda vez que passa por mim. Ando sentindo uma vontade imensa de jogá-lo pela janela. Uma pena que as janelas daqui sejam todas falsas já que o ministério fica no subterrâneo de Londres.

Meu desanimo com o trabalho acaba indo todo embora um pouco antes do almoço quando estou voltando do banheiro e sou abordada por uma pessoa mais que especial.

Uma pessoa especial que pula em cima de mim no meio do corredor...

- LILS! – Emme joga todo o peso dela em mim e eu tenho que me segurar na parede para não cair.

Ela está super bronzeada, a pele toda dourada combinando com os cabelos loiros. E está toda de verde e amarelo. É incrível como as pessoas sempre voltam com mania de verde e amarelo quando vão ao Brasil.

- Emme! Quantas saudades!

Nos abraçamos e damos gritinhos. Os transeuntes se desviam de nós como se fossemos doenças graves transmissíveis pelo ar.

- Amiga, tenho que ir trabalhar. Mas no almoço nós conversamos. Te amo demais!

O trio parada dura (Alice, Emme e eu) se reune para o almoço e as fofocas. Fiquei tão feliz, como não ficava fazia um bom tempo (desde a briga com Potter, para ser mais exata). Emme trouxe vários presentes para nós. Inclusive umas comidas muito boas.

Eu AMO ganhar comida de presente.

Nem mesmo meu chefe chatolino ou as pilhas de trabalho na minha mesa conseguiram acabar com minha alegria. Régulus e Tonks se contagiam com meu bom humos e acabamos ficando eufóricos os três. Trabalhamos até tarde sem nem perceber.

No meio da empolgação toda conseguimos linkar o atentado de Kings Cross com mais três ocorridos nos últimos quatro anos. Esses três crimes passaram batidos pela equipe de Segurança Bruxa, pois foram tão bem planejados que pareciam perfeitamente com atentados de organizações terroristas trouxas. Com esse link estamos chegando mais perto dos verdadeiros culpados pelo crime.

Saímos para festejar com Emme, o marido dela e Alice. Eu chamaria esse grupo de inusitado. Régulus é muito sociável e Tonks com o jeito atrapalhado dela conquista qualquer um, assim em menos de meia hora estávamos todos muito entrosados (inclusive Benjamin que se mostrou uma pessoa muito agradável e com um talento imenso em construir castelos com palitos de dente). Comemos muito bem em um restaurante bruxo no beco diagonal chamado Pomo de Ouro e fomos tomar umas cervejas no caldeirão furado.

- Ahhhh eu não contei para vocês – Alice, já um pouco alegre, mesmo tendo tomado apenas uma cerveja amanteigada abraça Emme e da uma risadinha – Conheci um mocinho mês passado.

Tonks e Régulus batem palmas.

- E só me diz isso HOJE! – Eu bagunço o cabelo de Alice.

Emme coloca as mãos na cintura...

- Então me conta TUDO!

Alice narra, com uma empolgação fora do comum, que conheceu esse mocinho na casa da vizinha nova dela que, pela descrição, é uma senhora muito distinta.

-Ahhhh Alice sua safadinha! Um brinde ao novo "alguma coisa" de Alice!

Todos nós brindamos. E começamos a ouvir várias das milhões de histórias assombrosas de Emme e Benjamin perdidos no Rio de Janeiro. Em algum momento, não sei como, o assunto chegou em mim...

- E então Lily? – Emme já muito alegre perdeu completamente a descrição que ela nunca teve – Agora que Alice arrumou um mocinho para ela, só falta você se arrumar com alguém! Faz quanto tempo que você não t...

Graças a Merlin Emme acaba soluçando antes de conseguir terminar a frase.

Corei loucamente.

- EMME! – Dou um tapa (fraquinho) no cocoruto dela.

- Lily! – Emme massageia o cocoruto e faz bico - Você está super encalhada!

- E porque você só pega no meu pé? – Aponto para Régulus e Tonks e os dois me encaram inquisitivos - Eles também não comentaram nada sobre uma possível vida amorosa!

- Hei! – Régulus ri - Eu tenho uma namorada!

Não sei por que, mas imaginei Régulus namorando por cartas com uma garotinha do terceiro ano de Hogwarts.

- Bom e eu... – Tonks, ao contrário de Régulus ficou bem sem graça. Acho que vou ter que pedir desculpas a ela depois - eu estou saindo com um cara do curso de auror. Apesar de estar meio interessada em outra pessoa.

Ah eu sei que outra pessoa ela está interessada. Um certo gatinho de olhos cor de âmbar. Noto que Régulus olhou esperançoso para Tonks e depois disfarçou. Será que?

Se eu pego Régulus sozinho arranco isso dele em 15 minutos.

Olha só as coisas que estou pensando! Devo estar ficando bêbada já!

- É dona Lily Evans, só sobrou você! – Eu espero, do fundo do meu coração, que Emmeline não mencione James Potter. Já contei toda a história para ela, tirando o lance dos doze, e pedi para não falar mais sobre o assunto. - Ben disse que um dos amigos dele ficou maluco por você na festa de casamento. Mas vamos concordar que você não se lembra de nada né amiga?

Benjamim começa a rir loucamente.

- Acho que você não se lembra, mas dançou que nem doida com meu amigo Alex. Saiu puxando ele pela gravata por toda a pista de dança. Desde então ele tem me perguntado sobre a "dama de honra ruiva".

Oh céus, que vergonha!

Nos despedimos uma hora depois. Emme ficou completamente bêbada e Benjamin teve que carregá-la. Alice parou de beber depois da segunda cerveja amanteigada então ficou bem, só um pouco alegre. Régulus e Tonks se mostraram duas esponjas, beberam muito mais do que eu e estão super bem.

Já eu...

Bem, eu estou naquele estado de embriaguez no qual ou você fica super alegre e agitada ou super deprimida. Adivinhe qual das duas opções é a minha?

A conversa com as meninas me fez perceber que minha vida amorosa está realmente ridícula. A última vez que eu saí com alguém, foi no começo do ano e nem sequer rolou um beijinho de boa noite. A culpa é mesmo minha, pois estava completamente focada nos meus estudos, tão focada que cheguei ao estágio de neurose. Não conversava com praticamente ninguém e quase não saia do meu apartamento. Lembro-me de ficar olhando para o relógio e calculando quanto tempo me sobraria para estudar durante todo o encontro. Nem prestei atenção no coitado com quem estava saindo.

Depois fiquei maluca procurando um emprego. Meu objetivo era continuar nos Estados Unidos, mas de última hora fui chamada para uma entrevista relâmpago com Moody e passei. Tive uma semana para arrumar tudo e voltar para Inglaterra (isso explica minha babaquice de nem ao menos visitar a casa que aluguei). E então acabo me metendo nessa situação maluca de possuídos pelos doze signos.

Tanta coisa tem acontecido nos últimos meses. Tanta coisa que romance virou um último tópico na minha lista de prioridades e ficou ali esquecido por um bom tempo.

Deprimente.

Bom, tem aí minha paixão platônica e sem sentido pelo inútil do James Potter. Por mais que eu esteja brava com ele, não consigo evitar os sonhos que tenho com ele nu no meu quintal. Ele podia ser um pouco menos gostoso. Isso facilitaria minha vida.

Pior que isso é Severus Snape, ele tem sido muito legal comigo e eu percebi que está um pouco fofo demais para meu gosto. Não fofo como Remus é, um fofo que faz parte da pessoa, mas um fofo do tipo "estou tentando te levar para minha cama". E eu não acho que estou no estágio avançado da secura no qual você acaba ficando tão carente que se entrega para a primeira pessoa que te da bola sem pensar nas conseqüências. Se eu saísse com Severus sei que ele iria querer algo mais de mim, algo que não consigo sentir por ele. Uma pena.

Severus é tão bom.

E assim, apesar de ter tido um dia muito bom hoje, vou dormir deprimida.

Acordo com meu despertador irritante. (acho que preciso pensar em comprar um despertador novo) Me arrumo e vou até a cozinha onde Molly está com os meninos. Molly tem facilitado muito a minha vida desde que veio morar comigo, ela tem aturado toda a chatice relacionada a refeições e Sirius Black.

Ele agora anda comendo todos os legumes sem reclamar. (o filho da mãe só reclama quando sou eu quem faz)

- LILYYYY Bom dia! – Acho que Sirius esqueceu que está com raiva de mim por causa da minha briga com Potter, pois me recebe com um sorriso gigantesco e assustador - Onde você estava ontem?

- Emme voltou da lua de mel então saímos para jantar.

- Poxa, nem chamou a gente – Peter tem um complexo chato, ele sempre acha que está sendo ignorado.

Dou um belo de um tapa na cabeça dele.

- Deixe disso Peter! Decidimos de última hora.

Peter faz um bico enorme para mim e eu dou um beijo na bochecha dele. Aí ele fica todo bobo e para de reclamar.

- Quem foi? – Ele pergunta com a boca cheia de pão.

- Emme, Alice, Benjamin, eu, Régulus e Tonks.

Remus imediatamente se interessa pela conversa. Ele não diz nada, mas vejo que ele parou de ler o "Profeta Diário" e está apenas encarando o jornal tentando disfarçar.

Já Sirius, por outro lado...

- Tonks foi também é?

E Peter...

- Com Régulus?

Mas foi Molly quem fez a pergunta que estava coçando na garganta de todos.

- Os dois estão juntos?

Remus se engasga com o cereal e tenta fingir que não está interessado em ouvir minha resposta.

- Claro que não! Tonks está saindo com algum cara que fez o curso de auror com ela, mas, pelo que eu entendi, eles vão terminar.

Sirius da uma cotovelada na costela de Remus. Este se levanta e vai embora fingindo estar atrasado para o trabalho em Hogwarts.

- Ele está mesmo caidinho pela Rosa Chiclete. – Peter ri.

Isso acabou iniciando uma série de piadas envolvendo um possível encontro entre Remus e Tonks. Sirius imitava Remus todo contido e Peter Tonks derrubando todas as coisas. Ri demais.

Chegando eu trabalho, sou recebida com um abraço do chefe. Fico totalmente sem reação.

- Evans! – Ele me solta depois de um bom tempo – Sua equipe está de parabéns! Um ótimo trabalho no caso de Kings Cross. Um avanço que NENHUM desses ASNOS que trabalham aqui há ANOS conseguiu!

- Anm... Obrigada?

Não estou acostumada a esse tipo de tratamento. Nem minha equipe. Ficamos o dia todo mostrando para os outros bruxos do departamento como conseguimos chegar onde chegamos e depois Moody toma as rédeas da operação.

No almoço Emme reclama da dor de cabeça que está sentindo e da imensa quantidade de trabalho que o chefe dela deixou. Também, a pessoa fica quase DOIS meses em lua de mel. Até agora não sei como ela conseguiu tal proeza.

No final do dia estou podre. Graças a Merlin é Sexta Feira. Faltam apenas nove meses para que eu possa tirar minhas férias. Nove meses, Lily. Nove meses.

Se eu estivesse grávida, daria tempo do meu filho nascer. Me pego rindo ao pensar que a única possibilidade de eu estar grávida é se o espírito santo tivesse vindo me visitar durante a noite.

Que deprimente.

Molly me mandou uma mensagem hoje dizendo que vai fazer lasanha para o jantar então decidi comprar uns vinhos para acompanhar.

Vejo um homem de social muito bonito andando de um lado para o outro do hall de entrada do ministério. Reconheço os cabelos bagunçados que destoam do visual arrumado e os óculos de aro redondo.

James Potter.

Beleza.

Eu tento passar escondida entre dois bruxos desconhecidos e fingir que não o vi. Mas quando estou quase chegando na saída para a rua trouxa ele me cutuca. Eu me viro e o vejo olhando para o chão e arrepiando os cabelos, o rosto dele bastante vermelho.

- Ahnm... oi Evans.

Você está brava com ele Lily! Lembra do que ele te fez? Você precisa ser forte.

- Oi Potter. – Respondo um pouco ríspida.

Isso o deixa mais sem graça ainda. Eles está passando a mão freneticamente nos cabelos que já são muito bagunçados normalmente. Ele parece uma criancinha envergonhada.

E agora eu pergunto: É possível ficar brava com uma pessoa dessas?

Obviamente não.

Desisto de ser forte e dou um peteleco na testa dele.

- Você está sumido. Assim vão pensar que nos divorciamos depois daquele... como estava escrito mesmo no jornal?..."Barraco em Godric's Hollow".

James ri timidamente.

- Ah é...

Não estou gostando desse James tímido. Quer dizer, é super fofo, mas não o James Potter que eu conheço.

- Bom, estou indo no mercado trouxa que tem logo ali fora. Vamos fazer lasanha para o jantar hoje então pensei em comprar uns vinhos. – O convido na esperança de fazê-lo parar com essa frescura de ter vergonha de falar comigo - Quer ir?

- Eu posso mesmo ir jantar na sua casa?

Dou um tapa nas costas dele.

- Você é de casa, James. Pode aparecer quando quiser. Anda, vamos...

James nunca tinha ido a um supermercado trouxa. Ele ficou maluco quando viu o carrinho de compras. Eu vi que ele estava se controlando para não se pendurar nele e sair deslizando pelo mercado então acabou que eu fiz isso. No fim das contas, saímos do mercado rindo como se nunca tivéssemos brigado. Eu saí com um pequeno rombo no meu cartão. Gastamos uma fortuna com coisas totalmente supérfluas.

- Olha, - James tenta equilibrar todas as sacolas de compras (ele não me deixou carregar nenhuma delas) enquanto nos dirigimos a um beco para aparatar - eu tiro algumas moedas do meu cofre em gringotes e te pago depois.

- Ah para com isso Potter.

Antes de aparatar eu pego algumas sacolas da mão dele e entrelaço meus dedos aos dele. Ele sorri para mim.

No instante em que colocamos os pés na frente de casa ouço a porta se abrir. Sirius vem pulando em nossa direção.

-PONTAAAAAS!

Peter vem logo atrás dele, junto com Remus.

- PONTAAAAS!

A festa é tanta que parece até que James ficou fora 10 anos ao invés de um mês. Eu, Molly e Arthur (ele aparece todos os dias para a janta) decidimos deixar os Marotos curtindo o reencontro deles e vamos preparar a lasanha. Coloco os cinco vinhos e os vários tipos e marcas de cerveja que compramos no mercado (um momento da mais pura empolgação) na geladeira. Ligo o rádio, está tocando uma música animada dos Black eyed peas, daquelas antigas que tinham a letra super bizarra.

"No, no, no, no, don't phunk with my heart

I wonder if I take you home
Would you still be in love, baby (in love, baby)"

Molly não gosta muito da letra da música.

- Nossa, essa música é bem… moderna né?

Moderna como ela que tem cinco filhos com um cara com o qual mantém um relacionamento sério, mas não moram juntos e nunca foram casados. Decido não discutir com ela sobre o assunto, apenas dou risada e mudo a rádio.

Os meninos entram como um furacão na cozinha pulando e dando socos um no outro (homens, vai entender). Coloco uns amendoins em um pote como aperitivo e abro as cervejas trouxas que comprei no mercado.

- Nossa – Sirius toma uma longneck de Heinekein – Isso aqui é muito mais forte que cerveja amanteigada!

- Como será que é o Whisky dos trouxas? – Peter fica empolgado com a longneck de Stella Artois.

- Isso é porque vocês não provaram essa aqui! - Eu abro uma Guiness que e coloco na minha caneca oficial. Minha cerveja favorita de todos os tempos.

James toma um gole e arregala os olhos.

- Caraca!

Ele abre a outra latinha para tomar.

Remus acompanha Molly e Arthur no suquinho de laranja.

- Eu tenho que trabalhar amanhã! – Ele responde quando Sirius começa a criticá-lo.

- Amanhã é Sábado! – James cospe algumas cascas de amendoim na cara de Peter sem querer.

- Vou apitar a partida de quadribol: Grifinória x Lufa Lufa.

James e Sirius começam a gargalhar.

- Você apitando uma partida de Quadribol! Não sabe nem jogar!

Remus joga uns amendoins na cara de James e assim eles começam uma guerrinha até não sobrar nenhum amendoim no pote. Molly fica maluca com a bagunça que eles fazem. Eu a Arthur apenas damos risada.

- Cara – Sirius segura o braço esquerdo de James - você está usando a pulseira agora?

- Pois é, tenho trabalhado no Saint Mungus ultimamente. – Ele responde orgulhoso.

- Sério? – Peter arregala os olhos - Deixaram você ir?

- Sim

- E você não conta nada para a gente?

- Bom – James fica vermelho e olha de soslaio para mim – Eu estava com vergonha de voltar aqui depois do que aconteceu...

E Molly escolhe justamente essa hora para colocar a lasanha na mesa. (Merlin, muito obrigada)

Comemos muito e conversamos sobre o novo trabalho de James. Ele está muito feliz. Que bom, deve ser super chato ter que ficar 24 horas preso na mansão cuidando do patriarca. Agora ele pode sair e cuidar de pessoas que realmente precisam da ajuda dele.

Quando terminamos de comer a sobremesa Molly e Arthur se entreolham e vão levantando devagar. Eu não tinha reparado em como ela está arrumada hoje, está super bonitona com um vestido vermelho rodado e os cabelos ruivos presos em um rabo de cavalo.

- Bom... Arthur e eu vamos dormir na nossa casa antiga hoje. Tudo bem?

Agora está explicado.

Sirius da uma risada maliciosa e eu dou um chute nele por baixo da mesa.

- Claro Molly! Aproveitem bem!

- E, por favor – Sirius não se agüenta e grita para eles pela janela antes de vê-los aparatar - nada de arrumarem outro bebe heim? Acho que cinco ovelhinhas ruivas já são o suficiente.

Ah droga!

Me lembrei da bagunça de livros fora de ordem que está meu escritório. Régulos bagunçou tudo quarta feira quando veio aqui. Não vou conseguir dormir pensando nisso.

- E aí meninos! Quem está afim de me ajudar a arrumar meus livros na ordem?

Peter da uma desculpa esfarrapada que eu não entendi. Remus quer realmente me ajudar, mas ele tem que trabalhar amanhã. Sobram James e Sirius. Abrimos uma das garrafas de vinho que sobraram e bebemos enquanto arrumamos as coisas.

Não da nem cinco minutos e Sirius começa a reclamar.

- Ah que chatice! Vamos fazer alguma coisa legal!

Mais dez minutos e eu quero estrangulá-lo.

- Sirius, se você não quer ajudar não precisa. Só vá embora, por favor!

Ele tenta levar James com ele. Infelizmente para eles, eu puxo Potter pela orelha e o faço ficar para me ajudar. Ninguém mandou ele se oferecer. Ele reclama um pouco, mas depois de bebermos meia garrafa de vinho a arrumação parece se tornar alguma coisa muito divertida

Em algum momento começo a suar.

Está mesmo muito quente aqui. Talvez seja o efeito do álcool.

Levanto um pouco as mangas da minha blusa. James começa a se abanar com um dos livros vários livros que estão esparramados pelo chão, ele tira a gravata e abre um pouco a camisa.

O calor de repente ficou muito maior.

- O senhor dos anéis. – ele lê o título do livro enquanto toma outro gole do vinho direto da garrafa. – do que fala esse livro?

Pego a garrafa da mão dele e dou duas goladas.

- É sobre um outro mundo, chamado Terra Média.

James começa a gargalhar. Ele dobra as mangas da camisa e bebe mais alguns goles da garrafa.

- Terra Média? É tipo metade de uma Terra ou fica no meio da Terra?

Me engasgo de tanto rir da piada dele. Acho que se eu estivesse sóbria teria dado uma livrada nele por rir de JRR Tolkien.

- Não é nada disso Jamie – Tento pegar a garrafa de vinho da mão dele. James a segura no alto para eu não pegar e eu me debruço toda em cima dele. Ele ri, bebe um pouco e depois me entrega o vinho. Me sento no colo dele e dou vários goles.

- Desse jeito não sobra nada pra mim ruiva.

James da um beijo no meu pescoço e começa a rir no meu ouvido. Ele não deveria fazer isso quando eu estou na seca e semi alcoolizada.

Bom, eu também não deveria ter sentado no colo dele.

Acho que isso não vai prestar.

- Tem mais na geladeira bobinho.

Bebo o resto do que sobrou e vou até a cozinha pegar outra garrafa.

Talvez eu não devesse fazer isso.

Volto para o escritório e James tirou a camisa e está com uma regata branca que ele usava por baixo. Ergo uma das sobrancelhas para ele questionadora.

- Não tenho culpa se sou calorento!

Abrimos a garrafa de vinho. Eu pego o livro que ele estava vendo e começo a ler um trecho aleatório em voz alta. James tem um ataque de risos.

- Esse Gandalf é igualzinho o Dumbledore.

E não que é verdade?

- Dumbledore, o cinzento.

James quase cospe o vinho que estava na boca dele quando eu digo isso.

- Olha você se babando. Me dê isso aqui.

- Vem pegar ruivinha.

Ele ergue a garrafa bem no alto de novo, mas dessa vez ele está de pé. Eu subo na escrivaninha e ele corre para longe.

- Ah James me da um golinho vai! – Faço bico.

- Não vale fazer essa cara Ruiva. Não vale!

Ele volta para perto da escrivaninha e faz menção de me entregar a garrafa. Quando vou pega-la ele me da um beijo molhado na bochecha. Eu dou risada. Com uma das mãos, pego a garrafa a outra eu passo em volta do pescoço dele. Bebo um pouco de vinho e dou uma mordida em sua orelha. Sinto a mão forte de James na minha cintura. Ele bebe mais vinho e da um beijo no meu pescoço. Eu bebo mais vinho e pulo da escrivaninha para longe dele.

Escuto um muxoxo vindo da direção de onde ele está.

Agora estou com muito calor. Tanto calor que me incomoda.

Me incomoda demais.

Eu deveria parar de beber, tomar um banho gelado e ir dormir.

Mas não da, estou alcoolizada demais para ter bom senso.

Tiro minha blusa.

- Legal. – James me passa a garrafa de vinho e beija meu ombro.

Passo minhas mãos pelos cabelos bagunçados dele antes beber um pouco e devolver a garrafa.

De repente, não sei mais onde está a garrafa de vinho. Pelo menos eu sei onde está a boca de James Potter: Ela está colada na minha. E sei onde estão as mãos dele e também sei onde estão as minhas.

Mas não sei onde estão minhas roupas.

Oh Céus...

Amanhã vou acordar com uma ressaca daquelas.


NA: Aí pessoal mais um capítulo no ar. Gostaram?

A cena de James e Lily não ficou vulgar né? Eu me esforcei para não ficar vulgar.

O próximo capítulo vai ter o patriarca de volta e será sobre o POV do James.

O que será que James e Lily vão fazer depois dessa noite intensa dos dois?

Será que a identidade do patriarca finalmente será revelada?

O que aconteceu com Narcisa afinal?

Descubram no próximo capítulo. Que irá ao ar Domingo que vem.

Mii Macgonnagal e Baah S2: Muito obrigada por sempre me mandarem reviews! :D

Que bom que gostaram da briga ridícula de James e Lily! Quero saber o que acharam do estopim da tensão sexual deles. Hahaha.

Mii, preparei já o capítulo em que Sirius descobre que Régulus é irmão dele... vai ser tenso. Se prepara.

E mais para o final, vai ter um capítulo inteiro sobre o POV do Tom. Prepare-se para morrer de medo! ;P

Olha Baah, Narcisa não está nada bem... nada bem.

E pessoa anônima... OBRIGADA PELA REVIEW! Continue acompanhando!