...oOo...

No meio de um bar de SM, Blake descansava os braços num sofá acolchoado, a cabeça pendia para trás, apoiando no encosto macio, mas os olhos não estavam fechados. Abertos e alertas os olhos azuis brilhavam em expectativa. Já havia feito um passo para que tudo desse certo, e a ruiva idiota caíra como um patinho. Aliás, ela caiu numa armadilha no segundo que revelou sua identidade para ele, o erro de Karin foi procurá-lo.

Um sorriso diabólico surgiu nos lábios do moreno, mas ninguém se importou com o garoto sentado naquele canto do sombrio bar. Fazia dez minutos que ele sentara naquele lugar para descansar, e umas cinco putas haviam ido ao seu encontro. Por incrível que pareça, o motaformo negou gentilmente todas as investidas das sedutoras mulheres.

Um leve pigarro fez com que ele levantasse a cabeça, olhou para a garota que estava de pé a sua frente e fez um gesto para o garçom vir. Levantou uma elegante sobrancelha como se questionasse a ruiva, mas esta se sentou na cadeira à sua frente e nada disse.

Quando o garçom chegou, Karin disse com uma voz sedutora, a voz de um succubus:

-Duas vodkas puras. - O homem saiu aos trôpegos, nenhum humano suportaria o encanto de uma cria de Nyx.

Blake esperou até que o homem se afastasse o suficiente para dizer:

-Já fiz.

A ruiva sorriu com a afirmação do comparsa. Calmamente olhou ao redor, analisava quem estava por lá. No geral eram prostitutas, cafetões e homens mal amados.

-Ótimo, o quanto antes tivermos esses contatos, teremos mais a confiança deles, e mais poder em nossas mãos... – foi aí que Blake parou de ouvir.

Enquanto a ruiva tagarelava sem parar, provavelmente o discurso de sempre, o moreno se lembrou do que havia feito momentos antes:

"Sangue empapava suas vestes, escorria por seus braços e manchava as paredes do extenso corredor. Nunca pensou que voltaria ali, mas lá estava. A casa de seus verdadeiros pais. Blake mal se lembrava das tardes que passara naquele lugar que agora era uma infestação de demônios mestiços, ou humanos infectados.

Os olhos cor do céu brilharam furiosamente ao se deparar com o retrato de família desfigurado, como aquelas escórias tiveram tal audácia? Eram seus pais, e durante quatro anos ele os amou mais que tudo, não que não gostasse dos DiCielo, mas eles não eram seus pais de verdade.

Inspirou profundamente, deixando o cheiro de sangue e morte adentrar em seus pulmões, um sorriso doentio e psicótico se espalhou em seus lábios. Era tão glorioso matar! Agora que já havia causado a morte dos subordinados, só faltava esperar o líder chegar..."

Blake se lembrava se cada grito agonizante, cada gota de sangue que escorria, a cada memória que sua mente revivia, o moreno se deleitava no prazer sádico.

Karin percebeu que o garoto estava distraído e perguntou venenosa:

-Transou muito com os cadáveres?

Como se ela tivesse lhe batido, Blake parou de reviver suas memórias e quase assentiu à pergunta, mas antes de fazê-lo, demonstrou uma careta desgostosa e disse:

-Não ouse imaginar coisas como essa.

-Então preste atenção no que digo.

Então o garçom chegou e o moreno entrecerrou os olhos para a menina, mas a presença do homem que servia as bebidas o impediu de falar.

Vendo a careta do acompanhante, Karin sorriu com escárnio, ele era tão divertido!

...oOo...

O sol brilhava a pino e era aula de educação física...

-SÓ MAIS 40 VOLTAS! – gritou enérgico.

Os alunos soltaram um longo suspiro. Sem qualquer ânimo de continuar a correr, algumas pessoas foram parando, o que resultou em cascudos do alegre professor, só que sem medir a própria força acabou desacordando os desistentes.

No fim das 300 voltas os alunos quase nem se mexiam. Jogados no chão, respiravam com força, e descansavam permitindo que o suor escorresse por seus rostos, e braços. O peito masculino subia e descia velozmente, estava cansado! Onde já se vira fazer um mago correr? Isso era ridículo!

-Vamos Shika, só mais 200 abdominais. – ele ouviu a voz da loira.

-Mais nem morto. – resmungou.

A vampira sorriu mostrando os afiados caninos. - "Três, dois um..."- a garota mal finalizou a contagem mental e o professor usando o seu macacão verde veio saltitando e pulou em cima de Shikamaru, este apenas soltou um sonoro e dolorido gemido.

-VAMOS! NÃO PODEMOS PARA AGORA! O FOGO QUEIMA EM NOSSAS VEIAS... – o homem ia fazer seu discurso de como era importante o fogo da juventude, mas deu o sinal do almoço.

Sem esperar mais qualquer segundo, os alunos antes muito cansados desapareceram como mágica, incluindo Temari, e o pobre mago amassado estalou os dedos e desapareceu. O que deixou o pobre professor com lágrimas nos olhos e gritando:

-POR QUÊ?

...oOo...

-Sério, o que aquele cara é? – perguntou a morena.

-Ninguém sabe, mas há vários boatos que ele uma mistura de várias raças e assim por diante. – respondeu a nephil.

-Como alguém agüenta quilo eu sinceramente não sei. – murmurou a metaforma.

-Do que você está falando? – perguntou Sakura. – Além de você são no máximo cinco pessoas na nossa classe que agüentam esse treino louco. – a ninfa frisou o "você".

A morena franziu os lábios, era tão estranho não ter jovens acostumados a exercícios extremos! E sorriu para a amiga.

-Na ilha, nós fazemos 3 vezes mais exercícios. – disse.

A loira e a rosada olharam para a morena que estava tranqüila, já que aquilo lhe era normal. Uma mão bateu no ombro de Hinata, que andava de costas, e falou:

-Vamos. – disse a voz imperiosa que Sasuke.

-Por quê? – perguntou a princesa, ela detestava ficar a sós com o demônio, este lhe causava sensações de luxúria.

-Temos que conversar. – respondeu.

Sem sequer dar tempo para a garota retrucar, Sasuke saiu arrastando-a até a sala número 13. Andava com uma velocidade incrível, tanto é que o ar parecia uma barreira quebrável, as pessoas mal se movimentavam. – "Será que está tudo bem a Hinata?" – ele pensou enquanto dobrava o corredor. Ao chegar lá ele abriu a porta como se ela não estivesse trancada e puxou a garota para dentro, fechando a porta de mogno assim que a garota passou pela soleira.

-Muito bem, - a garota começou com a voz falha. – o que pensa que está fazendo?

O moreno sorriu malicioso, como ele tinha puxado a garota com muita velocidade antes dela ter se trocado, Hinata estava com os cabelos emaranhados, respiração ofegante e meio corada, parecia até outra coisa. A princesa corou sob o olhar intenso de Sasuke sobre seus seios.

-Eu te chamei aqui porque vou por as cartas na mesa. – disse suavemente.

-Você se drogou? – perguntou sem entender nada.

-Não minha querida, apenas cansei de brincar e esperar que você se lembre de mim.

Hinata franziu as sobrancelhas escuras e tentou encaixar Sasuke em seus sonhos. Sim, ele estava lá, mas não fazia nenhum sentido. Ela e Sasuke havia se conhecido antes? E por que ele falava ser apaixonado por ela? Havia tantas perguntas rodando sua mente!

De sobrancelhas erguidas, Sasuke puxou a garota pra si e a abraçou de modo que a cabeça da mesma ficasse encostada em seu peito, perto da curva do pescoço.

-O que você está fazendo Sasuke? – a garota sem perceber usou o nome dele.

-Você não se lembra de mim, mas seu corpo sim. – sussurrou antes de tomar os lábios carnudos pra si.

Os braços fortes travaram a garota, impossibilitando qualquer sequer o espaço de uma agulha entre eles. A boca ágil se movimentava prendendo os lábios femininos, implorando uma passagem, fazia quanto tempo que ele não provava de fato os lábios dela?

As mãos da garota serpentearam o tronco forte e deixavam carícias inconscientes, enquanto iam em direção ao pescoço do moreno, puxando-o para mais perto. Hinata deixava seus lábios serem dominados com uma paixão ardente! O desejo era tão forte e a conexão tão completa, parecia até que as almas eram interligadas. Cada toque, cada suspiro e beijo, era como voltar para casa à noite e sem ligar as luzes, não precisavam da visão, já se conheciam e amavam-se, não adiantava negar, o que era de outro tempo permanecia e jamais um dos dois se esqueceria.

A língua aveludada se entrelaçava com a sua, implorando mais um toque, instigando o moreno a continuar o que fazia. Os braços da garota enlaçavam o pescoço do moreno como barras de aço, as mãos afagavam os fios negros, cada toque era como se brasa quente caísse pele de Sasuke.

Quando o ar faltou, o príncipe se separou da garota, mas ficou a milímetros de distância de Hinata, as faces quentes e coradas, cabelos bagunçados, respirações ofegantes, era assim que os morenos se encontravam.

Olhos nos olhos, a garota perguntou:

-Por quê?

Aquela simples pergunta o abalou, por que ele ainda ia atrás dela?

-Porque eu te amo. – sussurrou.

Os olhos da morena o encaravam chocados, ali não havia mais as doces pérolas, ali quem o encarava era a princesa Hyuuga, a herdeira de dois tronos. A princesa do Espírito. Os olhos vidrados da garota se fecharam bruscamente e Hinata desfaleceu em seus braços, a informação lhe forçou o estado de inconsciência...

...oOo...

"-Porque eu te amo. – o moreno sussurrou.

-Mas, e aquela amante sua, My Lord? – perguntou confusa.

-Eu a tenho, mas o que mais quero é teu coração Princesa.

Hinata sorriu docemente, apesar do príncipe demônio irritá-la, quando queria ele era o mais doce amante e o mais gentil cavalheiro.

-Eu também te amo, Vossa Alteza. – a morena sussurrou antes que ele selasse os lábios dela."

A memória era fresca. Mas como ela a conseguira? De certo de sua encarnação anterior. Perguntas giravam na cabeça da garota, o que aquilo significava? Ela reencarnara para ele? Mas o Apolo? Morto com certeza... Se ela voltara por Sasuke, significava que no passado ela errara ao tomar partido do semi-deus? Ou será que era uma espécie de segunda chance? Ela não sabia.

-Eu sei que você já acordou. – a voz masculina preencheu o silêncio. – Como está? – o tom se tornou mais ameno.

"Droga!" – ela praguejou em pensamento, e respondeu:

-Melhor. – o silêncio incômodo se instalou.

Sem mais opções ela vasculhou a própria mente por algo a dizer, ficar naquele silêncio era constrangedor de mais para ela, principalmente pelo fato da garota se lembrar da relação anterior deles, aliás ela se lembrara de tudo, ou seja, mais constrangimento.

-Er... – Sasuke olhou para ela. – Tudo aquilo aconteceu mesmo?

-Depende do que você quer dizer com "aquilo". – falou frio, mas desejou internamente que ela não lhe perguntasse sobre Apolo.

Hinata engoliu seco antes de responder, mas respirou fundo, criou coragem e disse:

-Nós, Apolo, a guerra, tudo. – o moreno franziu os lábios na menção de Apolo, mas respondeu:

-Sim, você era e ainda é minha. – ele frisou a palavra.

-Como tem tanta certeza disto? – perguntou desafiadora, olhando-o nos olhos.

Sasuke sorriu de canto e correspondeu o olhar branco da menina. Sem qualquer indício de culpa, ele se sentou na borda da cama e disse:

-Você estava sonhando comigo. Quando eu te beijei, você não me bateu. Eu te amo, e você me ama. – Hinata revirou os olhos e respondeu em tom insolente:

-Ok, ok, até aí eu já entendi senhor eternidade, mas como você tem certeza disto, o que te prova? Eu podia sei lá, estar com desejo.

-Não você não estava. – falou convicto.

A morena suspirou, estava se cansando das certezas dele. Agora com outra cabeça ela se odiava pelo fato de em outra vida ter se deixado amar e ser amada por aquele egocêntrico, por mais que soubesse ser mentira ela disse:

-Eu não te amo, eu te odeio.

-Mentir pra si mesma não muda a realidade, sabia?

-Quem disse que minto?

-Seus olhos. – retrucou se aproximando da garota.

-Pare com isso. – resmungou vermelha, não queria voltar a ser fraca.

-Acho que vou te beijar.

-Não se a...

A garota não pode acabar, lábios quentes e masculinos prensaram os seus, e numa disputa de território, as línguas lutavam desejosamente, fazendo carícias uma na outra, a cada segundo o fogo da paixão carnal crescia, e o beijo se tornava mais quente, beirava a se tornar lava.

Logo haviam braços, pernas entrelaçadas e os beijos não pararam na boca, sem qualquer pudor, Sasuke trilhou um pegajoso rastro de saliva que ia até o colo alvo, neste trajeto mordiscava e chupava a pele, fazendo com que a morena estremecesse de prazer.

Sem perceber, em meio às carícias e gemidos, um subconsciente da princesa fez com que ela sussurrasse passionalmente:

-Eu te amo.

Aquelas três palavras foram como um balde de água fria para o casal de morenos. Enquanto o demônio sorria descaradamente, como se dissesse: eu te disse. A metaforma não reconhecia que aquelas palavras se originaram dela mesma, que aqueles eram os sentimentos enterrados dentro de si, os quais ela andava lutando desde que começara a ter os sonhos sobre sua vida anterior.

Os olhos maliciosos se suavizaram ao ver a expressão chocada da amada, e a boca que antes desejava um contato ardente disse singelamente:

-Eu te amo mais. – e deu um selinho na garota, que o olhava aturdida. – Agora tenho que ir, está dispensada das próximas aulas do dia, então quando se sentir melhor vá para o dormitório biblioteca, enfim, qualquer lugar menos as aulas.

Sem dar tempo de qualquer resposta, Sasuke se desfez como uma miragem. – "Agora você, e agora não vê."- a menina pensou amargurada, era tão injusto ele fazer coisas assim! Hinata ainda não acreditava que havia que o amava! Sim, talvez ela o tenha amado, mas no passado. Não seria errado ela amá-lo?

"Eu te amo mais" a voz rouca e masculina ainda parecia lhe preencher os ouvidos. – "Não." – ela pensou. – "Definitivamente não é errado eu amá-lo, afinal, o coração já errou tanto? Se não fosse para acontecer, conseguiria superar as leis da vida?" – suspirou pesadamente, não importava o que dissesse para si mesma, não conseguiria entender o por que de ter voltado. Era para ele? Tinha algo que precisa acabar na vida? Ela não sabia.

-My Lady? - a voz de veludo a despertou.

-Sim, Ghost?

-O que fará em relação ao príncipe demônio?

-Nada, vou aprender tudo de novo. – os olhos que voltaram a ser pérolas olharam para o elemento.

-Tente não se machucar, minha senhora. – disse gentilmente.

Hinata olhou docemente para o homem, ela não via a beleza estonteante, os olhos raros e com brilhos sensuais, na verdade Hinata via um amigo, a pessoa que fora destinada a ser sua "metade cerebral", a pessoa que pensaria igual a ela, a pessoa a qual a princesa amaria incondicionalmente, como se ama um irmão, e como se ama a si mesmo. Ela via o brilho assustado nos olhos do elemento, a felicidade, e todas as fraquezas dele.

-Diz-me uma coisa?

-Sim, My Lady?

-Você já amou?

Ghost sorriu de canto, mesmo que a menina não se lembrasse, em outra vida ela lhe fizera a mesma pergunta.

-Sim.

-Como foi? – perguntou interessada.

-Perfeito, mas não construa um romance de mágica... – ele olhou procurando palavras.

-Contos de Fadas?

-Sim, exato, não construa um romance em cima disto, ou pode se arrepender.

-Por quê?

-Nada é perfeito. – suspirou e aproximou-se da cama. – E eu, mais que qualquer um, não quero te ver triste, não quero que nada lhe aconteça, em hipótese alguma!

-Obrigada.

O elemento sorriu-lhe e bagunçou os longos cabelos da menina. Esta meramente deu-lhe um sorriso radiante, era tão bom ter alguém que a entendia. Outra dúvida surgiu em sua mente:

-Como é sentir minhas emoções?

-Não é o tempo todo. – garantiu. – Só quando você precisa de mim.

Hinata franziu as sobrancelhas negras e suspirou, provavelmente ele não lhe diria mais nada, mexeu-se de modo que Ghost lhe desse espaço e levantou-se.

-Vou para meu quarto. – fez uma pausa para sorrir travessa. – Ganhei um dia de folga.

O portador dos olhos brancos soltou uma risada baixa e musical.

...oOo...

-Mas Sasu-chan! – a ruiva tentou.

-Vaza daqui! – falou irritado.

Karin olhou para o noivo com uma cara de pidona. Como ele não deixava a própria noiva não entrar em seu quarto? Estavam parados na porta, ele pra dentro impedindo a passagem dela.

Os olhos ônix se tornaram vermelhos sangue e ele fez um movimento com as mãos, o que resultou numa rajada violenta que passou cortando a ruiva. Esta meramente arregalou os olhos com lágrimas e desapareceu.

-Maldita escória! – Sasuke vociferou, entrou no quarto batendo a porta.

Inferno! Por que aquela vadia não o deixava em paz? Ele nunca se casaria com ela, a ruiva era apenas diversão, mas havia chances de Hinata ter se lembrado dele, então Sasuke definitivamente iria parar com a ruiva insistente e irritante.

-SASUKE-TEME! – a voz de Naruto ecoava pelos corredores, logo ele entrou no quarto quase derrubando a porta e disse:- Cadê a Hina-chan?

-Por que eu saberia? – desafiou.

-Porque você é o responsável dela. – o loiro deu de ombros.

-Ela foi dispensada das aulas por hoje. – respondeu.

A primeira reação do príncipe branco foi arregalar os olhos e colocar as mãos sobre a boca. A segunda foi começar a gritar perguntas como: "O que você fez pra ela seu idiota?", "Ela está bem?"; no fim, acabou calando a boca quando Sasuke irritado deu-lhe um soco na boca do estômago.

-SASUKE-TEME! VOCÊ VAI ME FAZER VOMITAR MINHAS TRIPAS! COMO O MUNDO VAI GIRAR SEM MIM? – o loiro se lamentava dramaticamente.

-Cala a boca dobe. - Em um instante ele estava quieto. – Agora eu te conto o que aconteceu.

Resumidamente Sasuke falou que pensava que agora ele e a princesa estavam juntos, mas Naruto não parou de perguntar detalhes e detalhes, irritando o moreno mais e mais. – "Por que aquela praga quer detalhes?" – ele pensou irritado enquanto respondia as perguntas insistentes com o mínimo de interesse.

-Ah teme, você é muito irritante. Não me dá detalhes de nada! – reclamou.

-Talvez seja porque nenhum de nós é uma garota? – disse sarcástico.

-Hunf! – o loiro se virou para a janela e deixou que asas brancas e puras brotassem em suas costas. – Até mais teme! – e saiu voando pela janela.

"Paz até que enfim!" - pensou gratificado. Agora poderia pensar em como reconquistaria Hinata, porque ter seu amor não era a mesma coisa que ter sua confiança.

...oOo...

Era no fim do dia, e diante das fofocas que corriam pela escola, a coisa que a loira mais queria era ir correndo para o dormitório das amigas. Ela queria checar se Hinata estava bem. Afinal, Sasuke não era alguém muito delicado e podia ter feito algo contra a sua amiga.

-Ino! – a nephil ouviu alguém lhe chamar e se virou. – Vamos! – a rosada passou parecendo um furacão e levando ela junto.

Antes que ela pudesse protestar, milhões de pétalas de cerejeira a envolveram e dentro de um segundo elas estavam dentro do quarto. A nephil lançou um olhar fumegante em direção à rosada que meramente deu de ombros e foi acordar a morena.

-Ahn? O que foi? – perguntou grogue.

-Muito bem senhorita, pode nos contar o que você e o senhor delícia ficaram fazendo na hora do almoço. – falou Ino atirada como sempre.

-N-n-ada. – gaguejou.

-Hyuuga Hinata! – elas gritaram.

-Tá bem. Eu conto.

Loira e rosada se jogaram ao lado de Hinata na cama pra ouvirem mais atentamente o que aconteceu.

-Ele falou que estava cansado de brincar e me queria.

-Ah! Sério?

-Hunhu, e disse que eu era dele. – as garotas soltaram gritinhos. - E eu desmaiei depois que ele me beijou. – ela deixou de lado a parte de ter renascido.

-AAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – Ino gritou histérica. – ELE TE BEIJOU? ELE BEIJA BEM?

-Ino! – repreendeu Sakura. – Deixa a menina falar.

-Ok. – disse amuada.

-Bom, tem uma coisa que aconteceu antes disso, na verdade eu já o conhecia há muito tempo.

-Sasuke?

-Hunhu. Ele já me conhecia em outra vida. – disse.

-Como assim em outra vida? – perguntou a rosada.

-Eu renasci.

-Literalmente?

-Sim.

-Que legal. – falou a loira.

-Então, antes, na outra vida, agente se amou, mas acabamos separados...

-Você pode ter renascido pra ele dessa vez. – a loira interrompeu.

-Seria muito romântico. – Sakura acrescentou.

-Sim, pode ser, era isso que eu estava pensando. – disse.

-Conta tudo. – falou Ino.

-Como assim?

-Conta tudo o que você lembra da outra vida.

-Pode ser.

Hinata falou que já sabia desde pequena, mas foi só esse ano que começou a descobrir o resto da vida que ela teve, comentou sobre o que aconteceu no ano passado com Blake, e falou sobre os sonhos que teve. O envolvimento com Apolo e Sasuke na outra era. Tudo.

-Oh Minha Senhora!* - disse Sakura quando a princesa metaforma acabou de contar a história.

(*aqui eu estou lembrando que nos cultos de antigamente a figura feminina era uma deusa ou rainha, nesta parte a "Senhora" seria a Rainha das Fadas.)

-Quer dizer que realmente é uma história predestinada! – Ino exclamou. – Será que mais tardar você vão entrar para as histórias contadas dos nossos? Sabe, assim como Cupido e Psique, Romeu e Julieta, esses casais famosos?

Diante das afirmações da amiga loira, Hinata soltou uma sonora e divertida gargalhada, como ela, uma simples garota de dezesseis anos, entraria pra história? Ao lado de pessoas como Cupido e Psique? A nephil devia ter batido a cabeça.

-O que foi? – pergunto Sakura, que com sua inocência não entendia que Hinata já perdera sua ingenuidade.

-É Hina, o que foi?

A morena suspirou se lembrando de coisas que derreteram os últimos restos de humor em si. Com os olhos sérios ela falou:

-Perdi a esperança de amar e ser feliz no ano passado. – sorriu triste.

-Você não devia deixar um idiota desses acabar com a sua vida. – disse uma voz séria vinda da porta.

-GAARA? – exclamaram juntas.

-Não é o meu fantasma. – zombou.

-Desde quando você ouviu? – perguntou Hinata.

O ruivo olhou sério, depois mirou o teto, suspirou pesadamente, e voltou a olhar para a garota. Por fim respondeu:

-Desde o começo. – respondeu sério. – E por isso eu digo, não sofre por quem não merece. Logo você encontra alguém, até lá, tome cuidado pra não acabar em outra armadilha dessas.

A metaforma sorriu pesarosa para o Shinigami, mas o que ela já tinha visto, e tudo mais, não eram coisas tão fáceis de resolver, nunca foi, nem nunca será, infelizmente, o estrago estava feito, e por mais que a dor passe, as cicatrizes ficam.

...oOo...

"Branco. O som de asas. O homem estendeu as mãos e as observou como se fosse a primeira vez que enxergasse.

De repente as imagens do ocorrido lhe vieram à mente. Risos. Sangue. Gritos. Cheiro de Morte.

-Onde eu estou? – a voz masculina perguntou.

-Você veio para nós. – respondeu uma voz adocicada.

Itachi se virou e viu uma mulher bela de olhos carmim, com cabelos negros e esvoaçantes, trajando uma roupa branca, tal como ele próprio.

-E onde é aqui?

-Aqui é aonde as almas que não vão mais encarnar vão.

-Hmm, e por que eu estou aqui?

-Por que você morreu, meu querido.

-Isso é impossível, sou imortal, filho de mãe e pai demônio.

-Eu também era, fui filha do próprio caos, mas cá estou.

Itachi arregalou os olhos em reconhecimento, ajoelhou-se sobre um joelho e levou a mão direita ao peito, num sinal de respeito saudou a mulher:

-Mãe, My Lady.

Os olhos cor de sangue brilharam de orgulho, enquanto ela se atirou nos braços do homem que estava se levantando, e chorando ela disse:

-Não acredito que é você! Você cresceu tanto! – ela beijou as faces do moreno, enrolou a ponta dos cabelos entre os dedos e o abraçava forte. - Mas o que faz aqui? – ela perguntou.

-Eu acho que me mataram.

-Isso é impossível, a única pessoa, aliás demônio que pode te matar é quem te criou, essa é a regra, mas... – o silêncio caiu sobre a mulher falante. Não era de se esperar. – E Sasuke? – perguntou por fim.

-Ele está bem, provavelmente foi nomeado como o herdeiro agora.

Nyx fitou o horizonte daquela terra que parecia, ou melhor, era encantada e disse por fim:

-Isso não é surpresa, nada vindo daquele homem.

-Touché. – finalizou."

As memórias pareciam frescas ainda que fossem da época em que Sasuke mal tinha 50 anos.

O reencarnado suspirou profundamente, lembranças e lembranças, o bom é que quando voltasse não teria as mesmas surpresas que quando foi.

Nada nunca foi surpresa, qualquer atrocidade vinda de Uchiha Fugaku, Lord do Tártaro, Lúcifer, Hades, nada nunca fora supresa...

...oOo...

YOOOO MINA-SAN!

Desculpem pelo atraso, era pra eu ter postado isso na semana retrasada, mas eu perdi o capítulo inteiro e tive que reescrever TT_TT

Mas estou de volta com força total!

OBS: Quem curte Dramione, vá lá no meu perfil e dê uma olhada na minha fic!

Beeeijos de Frambesa!

Com MUITO amor Rynui!

PS: Deixem reviews e se quiserem recomendem!