Capitulo dez

Estava saindo do quarto de Carl quando Ângela e Ben, o valete inexpressivo de Edward,

Surgiram.

— Encomenda especial, senhora — ele informou, estendendo um pacote em sua direção.

— Para mim? — Bella estranhou, rasgando o papel dourado que escondia uma caixa de veludo negro. Ela abriu o fecho brilhante, arregalando os olhos ao ler o cartão preenchido pela inconfundível letra de Edward. "Pelas cinco horas mais fantásticas que já vivi... Também posso ser romântico."

Sob o cartão havia um lindo colar de diamantes. Bella sentiu os olhos queimarem. Também podia ser romântico... O diabo que podia, ela pensou com amargura e ressentimento. O que havia de romântico em ser recompensada por tê-lo satisfeito na cama? Ele não sabia ser romântico, simplesmente porque nunca tivera de preocupar-se com isso.

Consciente dos olhares curiosos e dos pescoços esticados, Bella guardou o cartão no bolso e virou a caixa para que os criados pudessem admirar a jóia.

— Oh! — Ângela murmurou extasiada.

— Magnífica! —
Bem comentou com ar impressionado.

— Deixe-me ajudá-la, senhora — Ângela ofereceu.

Um minuto depois Bella tinha os diamantes em torno do pescoço. Tudo pelas aparências.

Felizmente a audiência cansou-se rapidamente de admirá-la e, aliviada, ela voltou para perto do berço de Carl.

— Ele não só é incapaz de ser romântico, como também é insensível. E como se estivesse pagando, entende? Edward devia ter mandado flores, ou um bilhete com algumas palavras doces...

Meia hora mais tarde, Bella havia terminado de retocar a maquiagem borrada pelas lágrimas quando Ben anunciou uma visita. Srta. Volturi

A mulher que atravessou o salão em sua direção a fez perder o fôlego. Muito alta e esguia, os cabelos Loiros presos à moda das bailarinas, as roupas elegantes... Não só era bonita, como evidentemente requintada. Um sorriso polido distendeu seus lábios finos quando ela estendeu a mão pálida.

— Sou Jane. Espero poder chamá-la de Bella.

— Jane —Bella repetiu perturbada. — Por favor, sente-se.

— Vejo que não se sente em condições de receber visitas. Lamento incomodá-la num momento tão inoportuno.

— Oh, eu almocei há horas — Bella respondeu, incapaz de compreender por que não estaria em condições de receber uma visita.

— Nós duas sabemos que não estou me referindo à hora do dia. Conheço Edward há tanto tempo que considero-me uma amiga da família — ela suspirou, acomodando-se numa das poltronas. — Não fosse por isso, não teria vindo até aqui para oferecer ajuda.

— Desculpe... — Bella respondeu confusa, sentando-se diante dela. — Sua ajuda?

— Odiaria que considerasse esta minha visita um ato de invasão.

— Oh, não, você é muito bem-vinda.

— Obrigada. Se ao menos houvéssemos nos conhecido em circunstâncias mais amenas... Desculpe se sou rude, mas sei a que tipo de tratamento Edward a está submetendo. Deve estar se sentindo sozinha, isolada, humilhada...

— Devo?

— Bella — Jane sorriu com ar piedoso. — Paris inteira está lendo a notícia ultrajante nas

colunas sociais. Não precisa fingir para salvar as aparências, querida. Estou aqui para oferecer minha amizade e ajudar no que for possível. Os jornais têm se comportado de forma atroz, mas Edward procurou toda essa publicidade quando desonrou o nome da família.

Bella não tinha idéia do que Jane estava dizendo. Jornais? Não havia lido um deles desde o dia do casamento. Normalmente preferia os noticiários da televisão, e por isso não percebera a ausência de um informativo diário. Edward procurara publicidade... notícia ultrajante?

— Sim, acho que tem razão — ela sorriu, tentando esconder a própria ignorância.

— Ele devia ter sido mais discreto. Sei que oferecer conselhos pode parecer arrogante...

— Não, eu adoraria contar com seus conselhos.

— Diga a Edward que não vai suportar esse tipo de comportamento. Ele pode ter preferido manter o casamento fora dos noticiários, mas é evidente que toda a sociedade sabe sobre o enlace. Aparecer com uma variedade de mulheres diferentes em locais públicos é o mesmo que pedir a atenção da mídia.

Mulheres diferentes... locais públicos... atenção da mídia... As frases chaves brilhavam na

escuridão de sua perplexidade.

— Estou surpresa. Não imaginava que Edward pudesse descer tanto.

— Pois eu não me surpreendo — Bella respondeu subitamente firme.

Jane encarou-a com ar preocupado.

— Estou disposta a conversar com ele em seu nome e chamá-lo à razão.

— E muita gentileza sua, mas não preciso desse tipo de ajuda. — Bella levantou-se e ofereceu um sorriso frio. — Foi um prazer conhecê-la, Jane. Esme havia dito que eu ficaria impressionada, e devo admitir que ela esteja certa.

Jane levantou-se, a pele pálida tingida por um intenso rubor.

— Mas eu...

— Ben! — Bella chamou, certa de que ele estava em algum lugar próximo.

— Receio tê-la ofendido — Jane comentou, parecendo desanimada.

— Ah, Ben! Por favor, acompanhe Srta. Volturi até a porta.

— Edward ficará furioso quando souber disso...

— Acho que não.

Tremendo violentamente, Bella viu Jane sair de cabeça erguida, a imagem da dignidade.

ofendida. Assim que Ben retornou, ela exigiu:

— Quero ver os jornais das duas últimas semanas. O valete empalideceu.

— Todos, senhora?

— Acho que sabe quais são os mais importantes — ela respondeu, virando-se para esconder a perturbação que sabia estar estampada em seu rosto.

Todos sabiam... todos, menos ela. Por isso Esme gritara com Edward. E Edward supunha que ela também soubesse. Agora entendia o que ele tentara dizer com aquela história de sentir-se desafiado, de não suportar ser ignorado.

Ângela trouxe os jornais e saiu em seguida. Todos os empregados lamentavam a sorte da Pobre noiva, traída menos de vinte e quatro horas depois do casamento!

A primeira foto mostrava Edward jantando com uma loira; na segunda ele dançava com uma morena. Bella parou incapaz de olhar as fotos seguintes. Estava ultrajada, tomada pela dor. Edward a forçara a entregar-se na noite de núpcias e depois a expusera ao ridículo saindo com outras mulheres. Prevenira-a sobre a necessidade de ser humilde para permanecer casada com ele, e não havia exagerado.

Atônita, ficou sentada com os olhos perdidos na distância, invadida por um sentimento de traição tão poderoso que era como se nada mais existisse.

Ben aproximou-se alguns minutos depois para avisar que havia um telefonema para ela. Era

Esme. Sentia-se sozinha em seu apartamento e adoraria recebê-la para jantar.

— Ótima idéia — Bella respondeu atordoada.

Uma hora mais tarde Ben apareceu novamente, e desta vez estendeu o telefone como se fosse uma arma ofensiva.

— O senhor Cullen — disse.

Bella apanhou o aparelho com um gesto brusco, tomada pelo ódio.

— Como vai? — Edward perguntou com tom íntimo.

— Pior impossível!

— Não sei se entendi...

— Esta tarde vi meu primeiro jornal em treze dias. Foi realmente... impressionante!

— Então não sabia? — Edward perguntou surpreso.

— Parece que eu era a única a ignorar, não?

— Posso explicar.

O que Esme fez com seu pai não foi nada comparado ao que sou capaz de fazer!

— Estou indo para casa...

— Não estarei aqui — ela avisou. — Esta noite irei à cidade. Se quer guerra, vai ter guerra.

Você pode dançar ate a madrugada? Eu também posso! Pode dormir em camas variadas? Eu também. Não há nada que possa fazer que eu não seja capaz de retribuir, seu... seu... O nome Cullen será um apelido para as mulheres da noite. Estará de joelhos, implorando pelo divórcio, antes de eu terminar o que pretendo fazer!

— Se for à cidade... se tiver a ousadia de sair...

Bella desligou. Jantar com a sogra... Não era um programa adorável? Especialmente se, durante a sobremesa, pudesse ter certeza do desespero de Edward.

E então ela surpreendeu-se com as próprias lágrimas, o ódio dando lugar à mais profunda

infelicidade que jamais experimentara. Deus, por que havia dito todas aquelas coisas idiotas e infantis? Por que descera ao nível dele? Porque quisera feri-lo... porque amava o cretino! E como podia amar alguém assim? Como uma mulher em sã consciência podia amar um monstro?

PS: Então o que acharam?

Se quiserem saber ainda hoje oque a Bella vai aprontar quero 10 comentarios e posto o capitulo onze,

e eu digo que o Edward vai ficar furioso.