Fico tão feliz em saber que tenho reviews para essa fic!! Eu tava meio paradinha de postar nela justamente por falta de reviews, mas foi como eu disse, quanto mais, mais eu me animo a postar os capítulos. Muito obrigada à quem deu um tempinho para seu feedback de Blackmail. S2

Mais um capítulo pra vocês! ^^


Capítulo XI – Something's Missing

PoV Edward

Para Ouvir: Bush – Swallowed

Uma semana havia se passado, e não tínhamos dado uma palavra desde aquele dia. Apenas as coisas que obrigatoriamente tínhamos que falar.

Era esse tipo de coisa que acontecia quando a minha cabeça de baixo falava mais alto que a de cima. Era esse tipo de porcaria que eu costumava fazer. Estragar tudo.

Sentir a textura de sua pele por debaixo da blusa, quente, arrepiada pelo ar condicionado, era algo que não saía da minha cabeça e eu ao menos nem tenho como explicar. Meu corpo ficou todo ligado, desesperado para estar dentro dela, falar palavras em seu ouvido, ou fazê-la gritar meu nome o resto da tarde em que passaríamos dentro daquele escritório.

A quem eu ia enganar? Isabella Swan estava me deixando louco... Eu estava maluco por essa mulher, e as circunstâncias todas indicavam que ela seria minha dentro daquela salinha. Mas ela fugiu. E fugiu chorando.

O que ela tinha, que simplesmente fazia ela me tratar daquele jeito? E principalmente, porque ela estava chorando? Eu precisava saber. Eu não ia descansar enquanto ela não me contasse, porque porra, eu já estava ficando cansado disso. Eu nunca tive problemas para ter a mulher que eu queria, mas essa, já estava saindo melhor do que por encomenda. Alice que me perdoe, mas nem se tratava mais de questões de vingança, e sim, de reconhecimento pessoal.

O que mais me irritava era que eu conseguia sentir que ela me queria. Estava escrito em seu olhar quando a agarrei, o tipo de respiração forte quando minhas mãos percorreram sua cintura e algumas partes de seu corpo. Ela me queria sim. Mas algo a impedia de continuar. Faltava alguma peça nesse quebra cabeça.

Eu não parava de pensar no que tivemos dentro da sala do ar condicionado, do cheiro de Isabella, de seu coque sendo solto assim que agarrei seus cabelos com força, da sua respiração no meu rosto ao me sentir imprensando-a contra a máquina... eu devia ter beijado ela. Porque não a beijei? Porque fiquei tão focado em seu corpo, e esqueci da principal parte? Será que foi isso que a incomodou?

Agora já não adiantava mais. Tudo estava se esvaindo. Isabella nem sequer me olhava, e mesmo que precisasse da minha ajuda, ela não me chamava. Eu comecei a me sentir inútil. Já estava me dando raiva, e a vontade de pedir demissão era gigante.

Ela então passou por mim na sala, ainda calada e com o mesmo semblante que vinha utilizando pela semana. Provavelmente saiu pra almoçar. Foi aí que me deu um estalo. Desde aquele dia eu não tinha falado com Alice, e eu ainda não fazia idéia do que elas tinham conversado na sala do delegado. Peguei o telefone rapidamente e disquei seu número.

- Uma semana sem dar notícias, bonequinho! Sua chefinha deve estar dando muito trabalho! – ela riu.

- Alice, uma pergunta: O que rolou dentro da sala do delegado?

- Meu amor, nada demais. Apenas falei algumas coisinhas pra sua chefe, que amoleceram seu coraçãozinho gelado. Você viu como ela já estava diferente dentro do carro naquele dia?

- O que você falou?

- Você está muito nervosinho. Apenas falei pra ela pegar leve com você, que você queria se aproximar dela e não conseguia...

- Então tudo o que aconteceu não foi porque eu consegui, e sim porque você falou? – quase gritei e minha cabeça deu uma pontada.

- Ah, Cullen! Pelo menos você conseguiu alguma coisa, não é? E aí, me conta, o que aconteceu?

- Alice, eu to com dor de cabeça, depois nós conversamos ok?

Desliguei e joguei minha cabeça na mesa. Alice não poderia ter falado só isso. Tinha mais coisa por trás.

Quando Isabella voltou do almoço, a segui para sua sala. Ela logo estranhou, porque olhou pra trás.

- Algum problema? – ela falou indo em direção a sua cadeira. Do mesmo modo frio que me tratou quando entrei na empresa.

- Sério que você faz essa pergunta?

Isabella suspirou então eu logo cortei.

- Eu sinceramente não sei o que aconteceu, o porque do que aconteceu e principalmente que semana ridícula foi essa. Nós não trocamos nenhuma palavra, a não ser as coisas obrigatórias. – comecei a soltar as palavras e parecia que elas não queriam parar de sair. - Me desculpa, mas eu não vou mais fingir que não rolou alguma coisa entre a gente.

- Eu sinceramente não quero falar sobre isso. – ela falou olhando diretamente para o notebook, mas com o olhar distante.

- Mas eu quero. E estou a uma semana segurando isso na garganta.

- Você tá parecendo uma mulherzinha falando desse jeito. – ela rebateu.

- Garanto que quem te agarrou ali dentro da sala de ar condicionado não era nem um pouco mulherzinha. Quer que eu te mostre o que a mulherzinha tem aqui entre as pernas? – falei entredentes.

- Não é necessário, eu não preciso disso para sobreviver. – ela levou o olhar para os papéis. Ela fazia de tudo para não olhar pra mim. O jeito frio e indiferente dela já estava dando nos meus nervos.

- Olha pra mim, Isabella! – gritei.

- Quem você pensa que é pra ficar gritando comigo? – ela levantou da cadeira e apoiou as duas mãos na mesa. - E se eu estou falando que não quero falar sobre isso, eu não quero, e acabou. – ela olhou para o relógio. – Temos um acompanhamento de audiência hoje, não sei se você se lembra. E estamos atrasados. – ela pegou sua pasta e saiu andando pela sala. Merda! Eu não me lembrava disso!

Entrei no carro de Isabella, e fomos até o fórum, onde ela estaria fazendo uma audiência com um cliente acusado de Estelionato. Nem preciso falar que não nos falamos por todo o caminho, a não ser para que eu passasse mais informações sobre o caso pra ela. Assim que chegamos, fomos direto para a sala onde seria a audiência.

- Você vai ficar ao meu lado. Vou falar ao juiz que você está como estudante, aprendendo. – ela falou baixo.

- Tudo bem. – respondi tirando os papéis e colocando onde ela precisava.

Ela se levantou e foi até o juiz, falando baixo em seu ouvido. Passei o olho pelo corpo dela inteiro, e mais uma vez as cenas daquele sábado vieram em minha cabeça. Até no trabalho ela queria me atrapalhar. Se eu tivesse uma ereção aqui eu não saberia nem como me portar.

Ela voltou e me deu um sorriso franco, olhando os papéis que eu tinha colocado na mesa. Dados uns dez minutos, nosso cliente chegou e nos cumprimentou.

- Bom Dia Sr. Jones, esse aqui é Edward Cullen, ele é meu estagiário e formando em Direito. Pode confiar no trabalho dele. – ela disse obviamente puxando o saco do cliente.

- Tudo o que você falar eu acarreto, minha rainha. – ele pegou na mão de Isabella e deu um beijo, segurando-a por muito tempo. Eu podia perceber pela cara dela que ela estava altamente constrangida, então tossi alto, tirando o cliente do transe.

- A audiência vai começar. – cortei e Isabella sibilou "Obrigada" pra mim. Já me senti mais aliviado que estávamos falando como pessoas civilizadas.

Nos sentamos na mesa, Bella no meio, eu do lado esquerdo e o cliente do direito. O advogado de acusação era a visão do inferno. Olhava para Isabella como se fosse acabar com sua dignidade em poucos minutos. Ela, pelo contrário, mantinha o semblante calmo e sorridente. Parecia uma briga de xerifes do velho oeste. E pela calma que eu via em Isabella, eu já tinha certeza de quem ia ganhar.

Estamos aqui para resolvermos a Ação Criminal nº 23.444, onde o réu Clifford Jones, da Jones Entertainment, é acusado de Estelionato sob. Pena do artigo 171.

- O que é o artigo 171? – Isabella perguntou sussurrando ao meu lado.

- Você não sabe? – perguntei. Eu não podia acreditar que ela não sabia o que era.

- Óbvio que sei, estou testando você. – ela revirou os olhos. – É sua prova final, para que eu recomende você à sua professora.

- E você me fala isso agora? – sussurrei de forma desesperada, fazendo o advogado de acusação nos olhar.

- Primeiro.. – ela disse entredentes. – Olha a sua postura, você está em um tribunal, e com um advogado de porta de cadeia te olhando, então deixe de ser moleque. E segundo: Eu não tinha que te falar, é teste surpresa.

Merda! Não só a filha da mãe estava me dando uma bronca como se eu fosse uma criança do Jardim de Infância, mas queria agora também me dar lição de moral. Ela me levava do céu ao inferno em poucos minutos. A vontade de tê-la quando a vi caminhando até o juiz já tinha sumido.

- Foda-se. – falei bem baixo.

- Eu ouvi. – ela me respondeu no mesmo tom.

- Foda-se novamente. – rebati.

- O Ministério Público denuncia o Sr. Jones por crime de estelionato, em continuidade delitiva, porque ele emitiu diversos cheques "pré-datados" como garantia de dívida, que acabaram retornando por falta de fundos disponíveis. – O advogado de acusação falou.

– Srta. Isabella Swan, pode se pronunciar? – o juiz apontou a caneta para ela, que assentiu com a cabeça e tossiu baixo.

Isabella levantou, deixando um pouco de seu cabelo bater em meu rosto, e senti o cheiro delicioso, que mais uma vez me fazia lembrar do dia que tive aqueles fios em minhas mãos. Eu necessitava urgente de um foco. Lá estava eu no céu novamente.

- Excelentíssimo, o acusado na época estava passando dificuldades financeiras. – ela falou determinada. - Há duas modalidades no disposito. A primeira seria emitir cheque sem suficiente provisão de fundos, e a segunda, emitir cheque com fundos e em seguida frustrar o pagamento. – ela tossiu novamente e passou a caneta por suas mãos. - No caso do meu cliente, o cheque não foi usado como pagamento à vista, e sim como promessa de pagamento, logo, alego que não há subsunção da conduta.

- Em crimes contra o patrimônio, a condição financeira não constitui excludente de ilicitude. – o advogado de acusação falou, rebatendo o que Isabella tinha dito. Impressionante como ela sabia ser mais forte do que ele.

- Excelentíssimo, não existe justa causa para a ação penal, já que os cheques são títulos de pagamento à vista e no presente caso foram emitidos como "garantia de dívida". Isso não existe. – ela falou. Ela tinha a minha idade. E ela já falava desse jeito. Eu não conseguia parar de olhar para Isabella, o jeito que ela falava, a segurança que ela tinha em suas palavras. Ela era um modelo a ser seguido. Eu estava ficando cada vez mais boquiaberto com a atitude dela. Perfeita, encantadora.

- Tudo bem. Isso aqui me parece um caso fácil de ser resolvido. Por favor, se retirem, dentro de uma hora eu trago o veredito. – o juiz falou carimbando um papel e se levantando.

- Vamos. – ela sorriu pra mim e nos levantamos. O cliente nos seguiu, mas logo teve que nos deixar sozinhos no corredor, porque precisou fazer umas ligações.

- Isso foi incrível. – falei rindo. Eu realmente estava bobo com a postura que ela tinha no tribunal. Ela não parecia aquela menina medrosa e tímida do colégio. – Você resolveu o caso em... quinze minutos.

Ela riu novamente e passou a mão nos cabelos. É, a menina tímida ainda existia.

- Ainda não acabou, não sei o que o juiz pode trazer. Mas acho que ganhamos essa. – ela riu novamente olhando para o chão. Toda a postura forte que ela tinha ali dentro, pareceu se esvair quando a elogiei. Olhei para suas bochechas e elas tinham ficado... rosa?

- Com certeza ganhamos essa. – falei me encostando na parede. Ela continuou a olhar para o chão, e batia seus saltos, claramente constrangida porque não sabia o que falar comigo. Eu também não sabia o que falar e o silêncio estava ficando constrangedor, até que tive uma idéia.

- Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento. – respondi finalmente o que era o artigo 171, tentando procurar seu olhar.

- Eu sabia que você sabia. – ela levantou a cabeça e sorriu.

- Desculpa ter mandado você se... foder, lá dentro.. sabe? – falei baixo me sentindo envergonhado. Ela devia ganhar um prêmio. Era a primeira mulher do mundo que estava ganhando minhas desculpas e me deixando envergonhado. Mas eu senti vontade de fazer isso.

- Qual é a pena? – ela falou ignorando meu pedido. Sério que a primeira vez que eu pedia desculpas decentemente sem ser à minha mãe, essa pessoa ia ignorar?

- Pena? – franzi o cenho.

- Pena para quem é acusado pelo artigo 171. – ela revirou os olhos.

- Ah. – dei um sorriso fraco. - reclusão, de um a cinco anos, e multa calculada em cima do montante fraudado.

- Parabéns. – ela sorriu.

A volta para o escritório foi um pouco mais amena. Afinal, a causa estava ganha e o cliente nos convidou para um coquetel no Hyatt Atlanta, um dos maiores hotéis da cidade.

- Se você quiser, eu não preciso ir. – falei baixo enquanto subíamos no elevador, voltando para a sala.

- Porque? Você também esteve comigo no caso do cliente, você merece tanto quanto eu esse Coquetel.

- Fico aliviado de estarmos nos falando como pessoas civilizadas. – resolvi abrir o verbo e falar. – Eu continuo achando que devíamos conversar sobre o que aconteceu, mas..

- Edward.. – ela começou a me cortar, mas não deixei.

- Mas.. – continuei, - ...se você não quer falar, tudo bem, vamos fingir que nada aconteceu.

Ficamos em silêncio por um tempo. Pensei que fosse melhor assim. Afinal, se eu quisesse me aproximar dela, era melhor que fosse pela amizade do que pelo sexo. Já que isso era o máximo que eu podia tomar de Isabella Swan.

O medo de estar, sei lá, talvez me apaixonando por ela, percorria por meu corpo me trazendo arrepios. Era só o que me faltava se isso me acontecesse.

Até cinco dias atrás só o que eu pensava era em levá-la pra cama e deixá-la sem sentidos, agora eu estava começando a pensar em mais do que isso? Sacudi minha cabeça tentando dispersar todos esses pensamentos.

- Obrigada. – ela me ajudou a cortar os pensamentos.

- Deixa pra lá. – o elevador chegou no nosso andar, e segurei a porta para que ela passasse.

- Você não vem? – ela disse me olhando, assim que percebeu que eu continuei dentro do elevador.

- Não... vou buscar seu café. – respondi.

- Não é necessário. Não estou com vontade. – ela falou dando um sorriso torto, mas logo se focou. – E você precisa arquivar o caso do Sr. Jones. – ela sorriu andando, e fui atrás.

Isabella passou o resto do dia em sua sala, e eu na minha mesa. Eu não podia estar me apaixonando. Não podia, não podia. Essa audiência tinha sido o fim da picada pra mim. Ver aquela Isabella, a advogada forte, determinada e sem medos, me deixou mais fixado do que eu estava. Só que dessa vez não era só sexo que eu queria. Estava ficando pior.

Coloquei os cotovelos na mesa e apoiei minha cabeça em minhas mãos tentando processar isso tudo. Não era possível. Isso devia ser fogo de palha. Isso não podia estar acontecendo.

Edward Cullen não se apaixonava.

- Não pode ser, não pode ser... – repeti para mim, mas dessa vez em voz alta.

- Não pode ser o que, Edward? – Isabella cortou, me dando um susto.

- Nada. – respondi ajeitando minha coluna na cadeira. – Coisa minha.

- Tudo bem. – ela sorriu. – Então, quanto ao Coquetel amanhã, você vai? – ela disse se sentando na cadeira em frente a minha mesa.

- Vou. – respondi rápido.

- É que.. como amanhã é sábado e eu não tinha nada marcado, acabei dispensando Eric, o meu motorista. Então tem como você me buscar? – ela falou corando novamente. ELA-ESTAVA-CORANDO. PORRA!

- Posso sim, sem problemas. – falei tentando me focar.

- Ótimo. Estarei te esperando as nove, ok?

- Tudo bem.

Ela deu um último sorriso e voltou pra sua sala, onde ficou até o final do dia. E eu confesso, do fundo de minha alma, que eu estava eufórico para ir a esse coquetel com Isabella Swan.