Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Ariel é uma criação única e exclusiva minha. Boa Leitura! Capitulo11: Reconhecimento.
I – Conflitos.
Finalmente eles haviam achado o presente que Saga tanto queria para a namorada. Já era quase final de tarde quando Tétis e Kanon sentaram-se em uma das mesas de uma lanchonete para tomarem um suco e descansarem.
-Tétis, me desculpe, não pensei que fossemos andar tanto; Kanon falou, visivelmente cansado.
-Não tem problema, foi bom colocar a conversa em dia; ela respondeu sorrindo.
Passara a tarde toda andando pela cidade com o ex-marina, não negava que fora algo realmente interessante, ainda mais por alguns momentos que pode provocar um certo alguém que ainda pensava que não fora notado.
-Ah! Tem uma coisa que eu queria te perguntar; ele começou.
-O que?
-Tétis querida, aqui esta você; Jullian falou, aproximando-se com o sorriso mais descarado do mundo, arrastando Sorento junto com ele;
-Como vai Kanon? –Sorento perguntou, visivelmente sem graça com a situação, tentara a todo custo impedi-lo de se aproximar, mas Tétis não facilitara as coisas para o seu lado, dependurando-se do braço do cavaleiro a cada oportunidade que tinha para provocar.
Sorento chegou até a achar que depois dessa Jullian tomaria uma atitude, porem o jovem estava surtando, mas conversar com ela, ele não conseguia; ele concluiu quando notou que estava sendo arrastado para lá.
-Muito bem e você? –Kanon perguntou, olhando os dois com certa curiosidade.
-B-bem; Sorento respondeu com um sorriso sem graça.
-E eu melhor ainda; Jullian respondeu.
-Não querem se sentar e tomar um suco com a gente? –Kanon perguntou educadamente.
-N-não, acho melhor não, não posso ficar muito; Sorento respondeu prontamente.
-Obrigado pelo convite, eu aceito com prazer; Jullian respondeu, sentando-se ao lado de Tétis, ficando entre ela e Kanon.
A jovem olhava incrédula a cena, simplesmente não conseguia entender o que estava acontecendo, poderia jurar que a cada palavra que o ex-imperador falava era uma promessa de morte lenta e dolorosa ao amigo.
Sorento olhou pra Tétis como se perguntasse o que fazia agora, porem a sereia estava tão perdida quanto ele.
-Bem, já que vocês vão ficar, eu tenho que ir; Sorento falou saindo pela tangente. –Kanon foi bom te ver de novo, outra hora a gente conversa com mais calma;
-Ta certo, você vai quando ao santuário? –o geminiano perguntou.
-Talvez depois de amanhã; Sorento respondeu.
-...; Ele assentiu. –Até mais então;
Logo o marina disparou em direção ao hotel, faltava pouco tempo para que a apresentação da Acrópole e não poderia se atrasar. Os três o observaram se afastar, Kanon engoliu em seco, enquanto caminhava com Tétis teve a leve impressão de que alguém os seguia agora tinha certeza, se o ex-imperador ouvira o que ele falara a sereia, deveria agora estar querendo sua cabeça numa bandeja de prata. Suspirou aliviado quando o celular em seu bolso tocou.
-Quem será? –ele murmurou atendendo.
Tétis lançou um olhar fuzilante a Jullian que respondeu com um doce sorriso, o que a deixou mais fula da vida ainda e principalmente mais desconfiada.
-Alô;
-Aonde você esta? –Saga perguntou impaciente do outro lado da linha.
-No centro, o que quer? –ele perguntou, rolando os olhos, era obvio que o irmão estava desesperado atrás dele, mas só há alguns minutos atrás lembrara de ligar o aparelho.
-Estou te esperando, vai demorar muito? –ele perguntou irritado.
-Talvez; Kanon respondeu com um sorriso maroto. –Estou ocupado agora, vai ter que esperar;
-O QUE? –até mesmo Jullian e Tétis ouviram o grito do outro geminiano.
-Ta certo, eu já vou levar aquele negocio pra você, não precisa estressar; Kanon respondeu.
-Seja rápido;
-Detestável; ele resmungou.
-Eu ouvi isso; Saga respondeu.
-Puff! Já to indo; Kanon falou. –Até mais; ele completou desligando o telefone antes mesmo que o irmão pudesse falar alguma coisa.
-Algum problema? –Tétis perguntou, ao ver uma veinha saltando-lhe na testa.
-Adivinha; ele falou com certo sarcasmo.
-O Saga ta surtando; ela respondeu rindo.
-Pra variar; Kanon respondeu. –Tétis me desculpa, mas vamos ter que deixar esse suco pra outra hora, eu realmente tenho que ir antes que meu querido irmãozinho resolva me mandar pra outra dimensão a longa distancia mesmo; ele falou com um sorriso sem graça.
-Sem problemas; ela respondeu.
-Jullian, também foi bom te ver de novo; ele falou, lhe estendendo a mão.
-Igualmente; o ex-imperador respondeu polidamente, apertando-lhe a mão.
Kanon engoliu em seco, o olhar que lhe fora direcionado não era só uma promessa de morte lenta e dolorosa era um aviso de que seria um pouco pior.
-A gente se vê; ele falou para Tétis, aproximando-se e dando um beijo no rosto da jovem que corou, porem o mesmo lhe deu uma piscadela marota antes de sair.
Jullian simplesmente começou a contar até dez de trás para a frente e de frente para trás, pra ele mesmo não mandar o ex-marina pra outra dimensão.
-Você tem um minuto para explicar o que esta fazendo aqui; Tétis falou pausadamente, assim que viu Kanon a uma distancia segura.
-Eu só estava dando uma volta com Sorento por Atenas, mas como agora ele teve que voltar para o hotel estou aqui; ele respondeu, apontando para si mesmo.
Tétis respirou pesadamente, massageando as temporas. Fechou os olhos tentando pensar no que estava realmente acontecendo.
-Não me convenceu; ela falou por fim, abrindo os olhos e voltando-se para ele.
-Tétis, eu...; Ele começou, porem ela o cortou asperamente.
-Vamos deixar uma coisa bem clara aqui, Jullian; a amazona falou com a voz tão cortante quanto uma navalha. –Só volte a falar comigo, quando você for realmente capaz de falar a verdade; ela completou, levantando-se e deixando em cima da mesa o dinheiro referente ao valor do suco que haviam pedido, porem que ela não pretendia ficar para tomar.
-Mas Tétis; Jullian tentou argumentar, porem a jovem ergueu a mão pedindo que ele se calasse.
-Sabe, a única coisa que eu queria era que você não mentisse mais pra mim, só que acho que é meio impossível, pelo menos nessa vida; ela completou, dando-lhe as costas e indo embora.
Julian abaixou a cabeça, como poderia contar a ela o que viera buscar em Atenas, ou melhor, o que precisava resolver de uma vez por todas. Não a culpava por tomar essa atitude, embora bem drástica. Dessa vez sentiu o peso dos últimos anos nas costas, todas as lembranças. Levantou-se sentindo o corpo pesar mais do que chumbo e voltou para o hotel.
II – O Concerto.
As pessoas já começavam a acomodar-se em seus devidos lugares. Passando por uma e outra pessoa Sorento finalmente conseguira chegar até a primeira fila de lugares. Fora realmente difícil conseguir a entrada de ultima hora, mas nada que não desse um jeito; ele pensou, sentando-se e acomodando-se na cadeira de forma que as roupas não ficassem amassadas, dentro do paletó jazia a flauta dourada, não que fosse precisar, era apenas algo por precaução.
-o-o-o-o-
Ariel respirava pesadamente, estava ansiosa, tinha medo de que ele não estivesse ali. Caminhou na ponta dos pés até as cortinas dos bastidores, espiando através de uma frestinha os lugares sendo preenchidos aos poucos. Prendeu a respiração ao notar um olhar direcionado a si na primeira fila, ele viera; ela concluiu, sentindo as bochechas esquentarem ao notar o olhar intenso sobre si, era como se ele soubesse que estava ali.
-Procurando por alguém? –a voz divertida de Carite soou atrás de Ariel, fazendo-o dar um pulo.
-Quer me matar do coração é? –Ariel perguntou, colocando a mão na direção do coração, com a respiração descompassada.
-Na verdade não; ela respondeu com um sorriso deslavado. –Mas e ai, ele veio? –Carite perguntou, olhando para a frestinha na cortina e olhando para fora.
-Veio; Ariel respondeu emburrada.
-Porque essa cara? –a jovem de madeixas verdes perguntou.
-Você me assustou; ela falou manhosa.
-Só isso? –Carite perguntou, gesticulando casualmente. –Deixe disso e me diga logo, onde ele esta;
-Ali, o de casaco vinho; ela falou tentando ser o mais discreta possível;
Carite tornou a olhar pela cortina e notou a presença de um jovem de cabelos azuis, quase acinzentados na primeira fila. Voltou-se para Ariel com um sorriso maroto.
-Agora entendo porque você ficou o dia todo suspirando;
-Hei! Eu não...; Ela tentou contestar, porem Carite a cortou.
-Não negue, ele é uma gracinha; ela completou. –Mas vamos conversar sobre isso depois, vá se arrumar logo porque não vai demorar para começar; ela falou.
-Ta certo; Ariel respondeu, indo em direção aos camarins improvisados.
Minutos depois...
Todos os músicos se posicionaram em seus devidos lugares, a jovem de madeixas verdes sentara-se à frente do piado e ao aceno suave do maestro começou a dedilhar uma suave melodia.
-"Por Zeus, eu preciso me concentrar"; Ariel pensou aflita, apertando o instrumento entre as mãos, sabia de cór as notas, mas agora elas simplesmente pareciam ter sumido de sua mente.
Viu Carite iniciar um solo e logo violinos e violoncelos entrarem em ação diante do simples aceno do maestro, onde estava, Ariel conseguia ver Sorento sentado na primeira fila apenas observando as coisas, por um milésimo de segundo seus olhares se encontraram, mais uma vez prendeu a respiração.
-"Eu tenho que fazer direito, pelo menos dessa vez"; ela pensou, fechou os olhos e respirou fundo, ao abri-los, olhou novamente para o local onde o jovem estava, porem não o viu mais. –"Ele foi embora"; ela pensou com um brilho triste no olhar.
Logo as luzes diminuíram e ela começou seu solo suave de flauta, as primeiras notas saíram tremidas, ela fez uma pausa. Outros instrumentos recomeçaram a tocar, logo seria novamente sua vez. Não sabia porque, mas não ver o jovem na platéia lhe deixara triste, era como se perdesse uma parte de si por não sentir sua presença.
-Respire fundo; alguém sussurrou em seu ouvido.
-Uh! –ela murmurou voltando-se para trás, notou que agora Sorento estava atrás de si, com um olhar confiante, como se dissesse lhe que iria conseguir.
O maestro ergueu a mão, como se indicasse que ela deveria continuar. Mais confiante ela recomeçou a tocar, as notas saíram mais firmes, porem ainda não tinham a mesma essência que a melodia tocada pelo jovem no dia anterior tivera e isso a estava desesperando.
Gentilmente os braços do jovem lhe enlaçaram pela cintura, enquanto o mesmo apoiava o queixo em seu ombro, Ariel sentiu o corpo todo fiar tenso.
-Esqueça que esta tocando para eles, toque somente para você; Sorento falou num sussurro.
Ela fechou os olhos, respirou mais uma vez e retornou a assoprar com mais suavidade as notas.
-Concentre-se somente no que esta sentindo, esqueça do resto; ele continuou.
Uma pausa muito breve e a melodia entoada pelo instrumento de siringe voltou mais intensa e vibrante. A própria Ariel sentia seu corpo vibrar, diante de sensações que nunca presenciara em toda a vida, porem uma coisa tinha certeza, tudo isso era devido à presença dele ali.
-Mantenha a calma e o ritmo. Tudo está perfeito, deixe que sua mente flua junto com as notas e seus sentimentos se revelem; Sorento completou.
Inebriado pelo cheiro de lírios ele apenas deixou-se levar, não sabia porque fizera aquilo, simplesmente não sabia onde achar a resposta. Mesmo distante, pode sentir a hesitação dela, ela estava com medo, num impulso inexplicável ele sairá de seu lugar e fora até ela.
Fechou os olhos aspirando a doce e suave essência de lírios, era como se o conhecesse há muito tempo, como se sempre a houvesse procurado, sentiu a jovem aos poucos relaxar entre seus braços e até mesmo as notas saírem mais vibrantes. Acordou do leve torpor quando ouviu o som de palmas e o encerramento da apresentação, soltou a jovem, porem lutando contra isso.
Afastou-se de forma que ficasse encoberto pela sombra da cortina. Ariel voltou-se para trás lhe procurando, porem muitas pessoas a rodearam cumprimentado-na pela ótima apresentação, Carite notando o estado de ansiedade da jovem puxou-a para longe.
-O que foi? –ela perguntou.
-Sorento, onde ele esta? –ela perguntou, mais para si do que para ela.
-Na primeira fila; Carite respondeu como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
-Não, ele estava ali, atrás de mim, ele...; Ela parou ao ver a jovem olhá-la com preocupação. –Esquece; Ariel falou dando um suspiro cansado.
-Fique calma; Carite pediu.
-Desculpe, deve ser imaginação minha; ela respondeu. –Bom, vou pra casa agora;
-Não vai sair pra comemorar com a gente o sucesso da apresentação? –Carite perguntou estranhando, sempre vira a amiga se desesperar antes das apresentações, porem sempre as fazia com perfeição, mas essa noite acontecera algo diferente, a apresentação fora divinamente perfeita, mas ela parecia querer se isolar;
-Não, deixa, outro dia eu vou; Ariel respondeu.
-Tem certeza?
-Tenho, boa noite; Ariel respondeu, colocando a flauta dentro do estojo e indo em direção a saída.
Não sabia porque tivera aquela reação, quase como uma fuga, ao sumir das vistas da jovem, porem agora estava ali ansioso olhando para aquele pequeno arranjo de margaridas que providenciara meio que de ultima hora, esperando-a sair.
Pedia aos céus que não falasse nenhuma besteira, em seu intimo queria entender o porque de reagir daquela forma perto dela. Era como se sentisse aquele vazio que lhe atormentava ser preenchido aos poucos pela doce imagem dela. Fechou os olhos e abriu-os novamente ao sentir sua aproximação.
Desencostou da parede e viu uma porta abrir-se, de dentro do local ele viu-a descer de forma suave a escada e olhar automaticamente em sua direção.
Ariel estancou, vendo-o ali a lhe esperar, ficara confusa quanto ao fato de aquilo ter sido apenas impressão a sua, mas ele estava ali.
-Parabéns; Sorento falou com certa timidez, aproximando-se da jovem e lhe entregando o delicado buquê. –Sua apresentação foi maravilhosa;
-O-obri-ga-da, são minhas favoritas; ela falou com a voz tremula, pegando o buquê, por um momento suas mãos se tocaram, ambos ergueram os olhos encarando-se, aquele era um momento de reconhecimento.
-Ahn! Ariel...; Ele começou.
-Sim; ela falou quase num murmúrio, aspirando a suave essência do buquê. Sempre adorou margaridas, a essência daquela flor lhe deixava tranqüilo. Perguntou-se intrigada como ele adivinhara.
-Gostaria de jantar comigo? –Sorento perguntou.
-Jantar? –ela perguntou, sentindo as faces esquentarem.
-Sei que pode parecer estranho, afinal, mal nos conhecemos, mas...; Ele se atrapalhou, porem a jovem o cortou.
-Adoraria; Ariel respondeu sorrindo docemente, o que o fez ficar momentaneamente aéreo. Aonde mesmo já vira aquele sorriso? –ele se perguntou intrigado.
-...; Sorento balançou a cabeça tentando afastar alguns pensamentos. –Me daria a honra? –ele perguntou, estendendo-lhe o braço.
-Será um prazer; Ariel respondeu, enlaçando o braço no dele.
III – Gelo.
Chegou praticamente correndo de volta ao hotel. Simplesmente não conseguia mais agüentar tudo aquilo, entrou em seu quarto encostando-se na porta fechada em seguida. Deixou-se escorrer até o chão.
-"Que droga"; Tétis pensou, apoiando a cabeça na madeira fria.
-Tétis; alguém chamou atrás da porta, ela não pretendia abrir, sabia exatamente quem era. –Por favor;
Jullian parou em frente à porta encostando a cabeça nela, era como se assim pudessem sentir a jovem, que fosse um pouco mais próximo de si. Respirou fundo, precisava de uma forma de falar-lhe tudo, porem agora duvidava que a jovem pudesse ao menos acreditar em uma palavra que fosse a sua.
-Tétis; ele chamou de novo.
-Vá embora; ela mandou com a voz chorosa, se havia algo que não conseguira agora era encará-lo. –Já disse, só fale comigo quando estiver disposto a falar a verdade.
-Eu...; Ele começou, fechando os olhos e recriminando-se por não ter feito isso antes. –Me deixe entrar, por favor; ele pediu.
-Porque deveria? –Tétis perguntou. Respirando pesadamente, queria tanto ignorá-lo, porem isso parecia difícil agora.
-Vou lhe contar...; Jullian começou falando em tom baixo, que ela quase não foi capaz de ouvir. –Por favor, abra; ele pediu.
Tétis pareceu hesitar, porem abriu uma pequena fresta encontrando o jovem com a aparência abatida, chegou até a preocupar-se com esse fato, mas a lembrança de todas as desculpas mal lavadas que ele lhe dera quase a fez fechar a porta novamente.
-Posso? –ele pediu, fitando-lhe intensamente, ela apensar lhe deu passagem sem emitir som alguém.
Jullian olhou para o corredor antes de entrar e fechar a porta atrás de si. Seria uma noite longa e cheia de explicações das quais talvez ainda não estivesse preparado para dar.
Continua...
Bom, agora começa a segunda fase da história de Ariel e as coisas vão se desenrolar de forma mais rapida. Para aqueles que estão gostando de ver as cenas de Sorento e Ariel, preparem-se, no próximo capitulo muitas emoções.
Sinceramente espero que tenham gostado do capitulo. Um obrigada especial a Margarida e Naty-chan. Valeu meninas, pelo comentario.
Até a próxima
kisus
ja ne...
