_ ALICE _

Acordei no outro dia na mesma posição em que adormeci, levantei e fui ao banheiro, lavei meu rosto, liguei a torneira da banheira e deixei-a enchendo enquanto tirava a roupa, devo ter demorado por algumas horas, quando sai, fui lentamente para os jardins, precisava de ar e fazer uma ligação. Não vi Snape em nenhum lugar, ainda bem, por que não conseguiria olhá-lo sem que minha expressão de raiva ficasse explicita.

Não conseguiria permanecer em hogwarts nesse domingo, pedi para que Dumbledore me liberasse e ele permitiu, voltei ao Brasil acabada, minha semana tinha sido tão boa se não fosse pelo incidente de ontem.

Quando cheguei nem atras de Daniel fui, precisava tomar uma boa cerveja, por fim nem cheguei a experimentar direito o gosto da tão famosa cerveja amanteigada. Liguei para alguns amigos e fui logo para um barzinho, aquele sim foi um ótimo dia, cheio de gente alegre, falando mal da vida dos outros, altas fofocas, e tudo de bem com a vida. Uma vida da qual professor Snape provavelmente não conhece já que a felicidade não faz parte de sua historia, aquele homem estupido e mal encarado. Mas por que raios eu estou pensando nele? AI QUE NERVO!

Não me atrevi se quer mencionar sobre aquele assunto a ninguém, voltei para hogwarts na segunda-feira apliquei normalmente a prova, não me lembro em ter visto Snape em algum lugar, mas também não fiquei procurando, imaginei que ele fugiria e me evitaria por um bom tempo, o que de certa forma era bom já que pelo menos eu não me estressaria com farpas de lá para cá.

Alguns meses se passaram, eu e Severo não trocávamos nenhuma palavra a mais, felizmente não houve mais brigas. Houve situações que nos encontrávamos pelos corredores e ele imediatamente desviava o caminho para não ter que me encarar. Covarde! Mas também não irei fazer questão de pará-lo para conversar. Embora morro de vontade de fazer isso, já que a situação seria divertida ou uma discussão feia. AH! Quem eu quero enganar? Hiperativa como sou, não sei como aguentei por todo esse tempo, talvez meu mal seja provocar e ser provocada, mas prefiro mil vezes discutir com Snape do que esse silêncio agonizante.

Já era quase natal, e a beleza natalina na Europa é espetacular, a pouca neve, os enfeites e a celebração é fantástica. Nem vou comentar sobre Hogwarts que chega a ser comparado com o paraíso, se é que existe. Dava até vontade de passar as festas de fim de ano aqui, mas embora a beleza seja indescritível em compensação ao Brasil, ainda sim, as festa e as animações superam qualquer beleza, sem contar a presença dos amigos que torna tudo formidável.

Ouvi um aviso que antes do natal haveria um baile, o famoso baile do inverno, os alunos estavam todos alvoriçados e apaixonados. Ai... A juventude é tão bela não é mesmo? Paixões ali e aqui, até descobrirem que nada é como os contos de fadas. Acredite não tenho tanto ódio assim pelos homens, até por que preciso deles, mas já cortei para o outro lado e acredite se relacionar com uma mulher é pior ainda, não sei nem por que eu tentei, principalmente quando as duas entra em período menstrual, nunca neguei aventuras acho que por isso eu tentei, mas valeu a pena a experiência.

Voltando ao assunto do baile, não sei se quero ir, há tantas regras e formalidade que conhecendo a minha personalidade não condiz com o bom comportamento que tanto exigem, afinal festa é para se divertir, e sem álcool ASSIM NÃO DÁ. Dai me lembraram que isso é uma escola e os alunos não podem ingerir álcool aqui dentro, o que é uma pena. Não para eles, mas para mim.

Em fim, não tinha ideia do vestido que usar, com quem iria, e se iria dançar, havia muitas contradições da qual nem vou comentar por que como disse condiz com minha personalidade "aventureira". Acho que Snape tem razão, penso seriamente nisso as vezes, ou talvez seja um pretexto para poder pensar nele, num sei direito.

Fui convencida por McGonagall a ir no baile, alias peguei um amor maternal por Minerva que não tem preço, ela sempre vem me ajudando e me ensinando a lidar com as pressões da vida, confio muito nela, como sou boca aberta e não sou nada reservada, minha vida é um livro aberto, no entanto sou imprevisível e essa é a graça da coisa.

Resolvo no final de semana passear por Londres, quero um vestido bem lindo para ir nesse baile, entro em algumas lojas maravilhosas, um vestido mais lindo que um outro e por fim me apaixono por um. Saio toda feliz da loja com minhas sacolas em mãos, por que como todos sabem, uma mulher que compra uma roupa nova necessita de um sapato novo e isso é mais que OBVIO. Parei em uma lanchonete estava azul de fome e meu corpo suplicava por uma trégua. Enquanto esperava o garçom trazer o meu pedido (Obs.: o atendimento desse povo é péssimo, se fosse no Brasil já ia pedir para chamar o gerente, mas aqui o gerente é ainda pior) avistei de longe um homem moreno, alto e de cabelos grisalhos, NÃO PODE SER, era Lúcio, um dos grandes amigos que tive e NOOOOOOSSA como estava gato, como assim? Aquele menino magrela, cheia de espinhas e que usava óculos, agora um baita homem charmoso e maravilhoso. Ainda bem que eu nunca o ignorei e não o desprezei, sempre fui sua amiga. Ele me reconheceu, armou um sorriso encantador e veio em minha direção.

- UAU – Exclamei sem deixar escapar e levantando para cumprimentar com um beijo no rosto. - Mas o que foi que fizeram com você? Está um gato!

- Se acha? - Ele sorriu novamente depois que me cumprimentou e segurou minhas mãos. - Vindo esse elogio de uma gata como você me sinto extremamente honrado.

- Que isso! Você esta ótimo. Mas quanto tempo hein? Muita coincidência ti encontrar fora do Brasil né!

- E não é mesmo?! Ah, moro aqui já faz anos, mas confesso que sinto muita falta do pessoal de lá. Principalmente das bebedeiras. Se é que me entende. - Ele ri sacana.

- Ah, claro que entendo! - Devolvi o sorriso. - Então, eu também estou meio que morando aqui, mas não são todos os dias.

- Como assim?

- Estou lecionando em Hogwarts. Esse é meu primeiro ano. Mas não são todos os dias, pois preciso voltar toda semana para o Brasil e resolver os problemas do Clã.

- Ah, Em hogwarts?! Nossa, então a senhorita caminha para o sucesso hein.

- Não sei bem, é uma longa história, mas vamos ver no que dá.

- Hum, estou um pouco atrasado, - ele disse enquanto tirava um cartão do bolso – Mas me passa seu telefone, precisamos marcar um dia para relembrar os velhos tempos.

- Claro! Anota aí. - descrevi meu numero, comentamos mais alguma coisa e Lúcio já ia indo embora quando o parei e lembrei de algo. - Lúcio, o que você irá fazer nesse próximo sábado?

- Ainda não sei. Por que?

- Digamos que irá haver um baile nesse dia, em hogwarts e gostaria muito que fosse meu par. Se quiser é claro. - Sorri timidamente, não que eu fosse tímida, mas é que no flerte a gente se finge de tudo.

- Hum. - Ele pensou e depois disse. - Seria um prazer, a que horas tenho que estar lá?

- As 18horas. Em ponto, acredito que ainda lembra do meu pavor em atrasos?

- E tem como esquecer dos seus ataques insuportáveis?

- Que bom saber que sou inesquecível.

- Com toda certeza. Conte comigo.

Nos despedimos novamente e ele se foi. Lúcio não era tão mais velho, acho que por volta de uns três anos mais velho que eu, apesar dos cabelos grisalhos o que adoro em um homem.

Fiquei ainda mais empolgada com o baile, ainda mais agora que Merlim me deu esse presente HAHA.