Saga caminhava tranqüilamente pelos corredores desertos de gêmeos. A luz era quase inexistente na casa entre touro e câncer, mas especialmente naquela manhã estava escuro demais. Os grandes pilares projetavam fracas sombras gigantescas no chão, mas por mais que ele andasse, não achava a entrada para a sala principal de gêmeos. De repente viu-se preso no labirinto do terceiro templo.

- Se isso for uma brincadeira sua, Kannon, é de muito mau gosto! – exclamou e seu grito ecoou sombrio pelos corredores.

Mas não ouve resposta. O gêmeo de Kannon passou a correr pelos corredores que pareciam infinitos. Chamava pelo irmão, mas nenhuma resposta vinha. O único som existente eram seus sapatos batendo no piso de pedra. Acabou vencido pelo cansaço e sentou-se num dos cantos do labirinto.

- Vou matar Kannon quando isso acabar... – murmurou o cansado cavaleiro.

- Não duvido nada... – a maléfica voz do deus Ares ecoou, grandiosa – para um cavaleiro que matou Shion, tentou matar Athena e enganou todos a sua volta, isso não é nada. Não esperava nada diferente de você, Saga.

- Ares! – vociferou Saga – o que faz nesse santuário? Você mancha o nome dos deuses!

- E você dos cavaleiros! – a grandiosa voz ecoou novamente, dessa vez com mais força.

- Fui forçado por você! – respondeu Saga, já de pé – Agora saia das sombras seu covarde! – desafiou – quero ver vir até aqui me enfrentar!

- Não provoca que eu vou, Saga de Gêmeos! – cada vez a voz soava mais ameaçadora – E não me culpe por seus atos. Acha que se essa vontade não existisse dentro de você eu teria conseguido penetrar sua mente e corrompê-la? – a imagem do deus começava a se materializar na frente de Saga – Tudo existia em você, Saga. Você é uma pessoa má, eu apenas ajudei seu lago ruim a sair!

- Vai ficar ai blasfemando? – Saga estava lívido de raiva – o que veio fazer aqui?

- Visitar me antigo corpo! – Ares falou calmamente – E Lana também.

Saga não soube explicar, mas suas mãos voaram involuntariamente no pescoço de deus.

- Sa... Saa... Saga! – a voz de Kannon saiu abafada dos lábios do deus.

Saga sentiu o corpo levantar bruscamente e abriu os olhos. Estava de volta em seu quarto, ainda era noite, mas o pescoço que apertava não era de Ares e sim de Kannon.

- ESTÁ LOUCO! – Kannon berrou quando Saga o soltou – Quer me matar?!

- Desculpe... – sussurrou o homem de cabelos azuis – não tive a intenção de...

- Me estrangular?! – completou Kannon com ironia.

Os dois trocaram olhares por alguns segundos. Só agora o ex-general notara o estado do irmão. Este estava molhado de suor e ofegava, puxava o ar com urgência para dentro dos pulmões, a palidez era assustadora e seu semblante aborrecido.

- Porque me chamou de Ares? – perguntou Kannon, agora mais calmo – sonho com...

- Essa resposta é meio obvia. – cortou Saga – Isso não acontecia há anos...

- Como foi o sonho? – o ex-marina mostrava-se preocupado com o irmão.

- Eu gritei? – Saga tentou mudar de assunto, mas sem sucesso.

- Muito pouco. – o irmão gêmeo respondeu rapidamente – mas que sonho foi esse? – insistiu.

- Fiquei preso no labirinto de gêmeos e depois ele apareceu. Falou que minha natureza era má e que estava aqui para visitar seu antigo corpo e... – Saga parou de falar nessa parte.

- E... – Kannon arqueou uma sobrancelha.

- E visitar Lana... – concluiu, tristemente.

O gêmeo de Saga processou as palavras por alguns segundos e falou:

- Não ligue pra isso... – tranqüilizou o irmão - foi só um sonho e não senti o cosmo de Ares por perto. Relaxe.

Saga limitou-se a deitar novamente. Talvez Kannon esteja certo, pensou Saga. Tudo não passava de um sonho e ele estaria se preocupando demais, novamente. Fechou os olhos e entregou-se ao sono, mas o pensamento estava no quarto enfrente. Só de pensar que Lana poderia ter se envolvimento com Ares deixava-o sem chão. A amazona não era nada dele, mas não conseguia deixar de se sentir dono dela...


Finalmente a manhã de sábado. Pássaros cantando, dia ensolarado, céu azul, nuvens raras e branquinhas.

A casa de Áries foi tomada pelo nucleou feminino do santuário naquela manhã. As amazonas discutiam sobre a roupa de cada uma, enquanto Mu e Kiki eram mais uma vez expulsos do templo.

- Bom dia, Deba. – cumprimentou o tibetano.

- Tio Deba! – Kiki saltou no colo do grande cavaleiro

- Expulsos? – perguntou, divertido.

- O que eu não faço por ela... – murmurou o rapaz de cabelos lavanda.

- Ele gosta mais dela do que de Athena! – exclamou Kiki num tom reprovador.

Silencio repentino. Deba parecia pensativo.

- O que foi, Aldebaram? – indagou Mu, preocupado – mudou de expressão de repente.

- As coisas mudaram muito nesses últimos três anos. – comentou o grande cavaleiro fitando o amigo – Quando Athena permitiria uma luxuria dessas? – o taurino observava sua sala especialmente decorada – Até Shion anda relaxado demais.

Kiki corria alegremente atrás de uma borboleta roxa e nem se deu conta da conversa que começava.

- Nesse ponto eu concordo com você... Está tudo calmo demais...

- Fico feliz que tenha o mesmo ponto de vista. – Aldebaram levou sua bruta mão à nuca – tenho a impressão que alguma coisa ruim espreita esse santuário. Alguma coisa maligna.

- Shaka acha o mesmo. – comentou Mu – Conversamos outro dia e ele também mostrou a mesma desconfiança.

- Nem as amazonas usam mais mascaras, sempre achei essa lei machista e ridícula, mas...

- Tínhamos uma sensação de ordem. – completou o ariano.

- Acha que isso está por acabar? – indagou o grande homem – Essa paz?

- Provavelmente sim... – Mu deixou escapar um sorriso triste, muito triste – tenho medo por ela, ou melhor, por elas.

- Elas sabem se virar – tranqüilizou o amigo – são tão fortes quanto nós e...

- E não tem a menor experiência em batalhas reais...

- Não é típico seu ser pessimista. – observou Aldebaram.

- Mas diante dos pressentimentos não posso deixar de ser.

- É por isso que os relacionamentos eram proibidos... – murmurou Aldebaram – Fomos treinados para lutar e amar Athena, não outras mulheres... Triste destino...

- Acha que isso tudo é um erro...?

- Todos nós estamos felizes e não há mal nisso, mas acho que na primeira confusão tudo voltará ao normal. Mascaras, mulheres num canto e homens no outro... Tudo. – o cavaleiro de touro fitou novamente o amigo – Mas lembre-se que estamos supondo tudo isso. – falou, descontraído – aceita beber alguma coisa? O freezer do Kamus é bem eficiente!

Mu deixou escapar uma risada e aceitou. Gostava muito da companhia de Aldebaram, mas nem o amigo conseguia fazê-lo esquecer a idéia de perder sua loira. Isso angustiava o Cavaleiro de Áries mais que a própria morte...


Se na manhã anterior a Casa de Touro estava barulhenta, Áries estava muito mais. O quarto da loira ficou pequeno para tantas mulheres que, por final, acabaram ocupando a sala com roupas, maquiagens, sapatos, em fim, tudo que usariam. Com exceção de Lana, que não levara nada, e apenas observava a animação das amigas.

- Vou de vermelho! – informou Nicky.

- Não! Eu vou usar vermelho! – impôs Sah

- Eu sou visita, por tanto, tenho preferência – falou Vanessa, divertida – eu quero ir de vermelho.

Sah fechou a cara e acabou optando pelo azul. Nicky cedeu o "vermelho" para sua irmã e acabou escolhendo um vestido lilás.

- E você Lana? – perguntou Luh – não vai escolher sua roupa?

- Ah... – murmurou com a pergunta – vou assim mesmo. Não faço questão de me arrumar e...

- LÓGICO QUE NÃO! – o grito de Mel assustou a todas – Você vai, e vai linda!

- Isso mesmo! – Nicky deu força à amiga – está na hora de usar o vestido que compramos! Saga vai babar! E minha sandália dourada vai ficar linda!

- Ia sugerir um modelito oriental! – falou Luh, divertida.

- Vou pegar o vestido em gêmeos! – exclamou Bella num raro momento prestativo.

- NÃO! – suplicou a grega – gente eu não faço questão de me arrumar mesmo! Juro!

- Mas nós fazemos questão que você fique ma-ra-vi-lho-sa! – Lea acabara de se levantar.

Lana estremeceu com a idéia de usar o vestido. Enfrentaria qualquer batalha mortal, mas estremecia diante de um longo pedaço de pano. Ainda com o complemento de maquiagem e salto alto, mas não adiantava ir contra a vontade das meninas, afinal, eram muitas contra uma. A grega apenas suspirou. Agora era esperar pra ver o resultado...


Aquário estava gélido, como sempre, e o divertido cavaleiro de escorpião subia para fazer uma agradável visita ao francês. Este estava deitado no Divãn da biblioteca, lia um exemplar de capa azul marinho que não possua titulo aparente.

- Kamyu! – a alegre voz do escorpião ecoou pelo ambiente, fazendo Kamus saltar do Divãn.

- O que foi Milo!? – ralhou o aquariano, recompondo-se.

- Que jeitinho agradável de dar boas vindas! – Milo riu da irritação do amigo para depois se jogar na confortável poltrona onde, há muito tempo, havia interrogado Kamus sobre Lune.

- O que traz você aqui Milo? Não são nem meio dia.

- Mel está em Áries desde de manhã... – murmurou Milo – não sei porque as mulheres se reúnem para fazer coisas tão idiotas!

- Nem eu, meu amigo. – respondeu Kamus, dando um pouco mais de atenção ao escorpião – Lune também saiu sedo daqui.

Silencio. Milo passou a fitar as prateleiras recheadas de livro, enquanto Kamus voltou a sua leitura.

- Você não sente falta dos velhos tempos? – perguntou Milo, subitamente.

- O que quer dizer com isso, escorpião? – o cavaleiro de aquário finalmente fechara o livro.

- Dos tempos de guerra... – falou, sonhador.

- Porque sentiria falta? – indagou Kamus, surpreso com a revelação do amigo – Lune está segura, Hyoga também e Athena não sofre nenhuma ameaça há anos!

- Ah... – murmurou Milo – o pato.

- É cisne. – Kamus corrigiu, sem dar bola para a provocação do amigo. – Mas porque deveria sentir falta da guerra?

- Ora! Kamus de Aquário, você realmente está feliz com essa vidinha? – perguntou Milo – A única coisa boa nisso tudo é que tenho Mel ao meu lado, mas é tudo tão monótono e parado...

- Concordo com a parte do monótono...

- Então! Fomos treinados para lutar! É isso que sabemos fazer de melhor... Gostaria de viver uma vida simples com a mulher que amo, mas depois de experimentar a sensação de um campo de batalha...

- Não consegue para de pensar na próxima batalha. – completou Kamus – Todos pensamos assim Milo. Sem exceções.

- Quando estamos em guerra imploramos por paz, mas quando estamos em paz, desejamos algum conflito...

- Pode me dizer o por que da sessão nostalgia, Milo?

- Kamyu Kamyu Kamyu... – disse o escorpião, divertido – A verdade é que elas não nos conhecem completamente. Elas nunca nos viram lutando numa guerra.

- Espero que nunca vejam.

- Não minta! – Milo jogou uma almofada no amigo.

- Vamos para com isso antes que você destrua minha biblioteca! – falou Kamus com aspereza – Melhor almoçarmos.

- Almoço?! – Disse Milo, empolgado.

- Isso mesmo! Está surdo? – Kamus mostrava os primeiros sinais de irritação.

- Calma, Francês! – Milo gesticulou casualmente. – Ficarei para o almoço!

Kamus suspirou.

- Não sei onde fui arrumar um amigo tão chato! – reclamou o francês.

- Algumas casas abaixo! – exclamou o cavaleiro de escorpião – E eu sei que você me ama!


Os afazeres na casa de Áries só terminaram quando as primeiras estrelas brilhavam no céu avermelhado.

Aquela tarde de sábado passara rapidamente e em meio a discussões e brigas, mas a parte mais difícil estava por vir: Convencer Lana a usar o vestido.

- É um pedaço de pano! – exclamou Carol sem muita paciência – eu garanto que ele não morde!

- Mas eu...

- Mas o que? – cortou Bella

- Não vai fazer mal nenhum usar o vestido! – falou Nicky, docemente – Vamos lá! Daqui a pouco o carneirinho vem se arrumar e não teremos mais tempo!

Mas nesse momento Vanessa adiantou-se e pegou o vestido das mãos de Lana.

- Vem comigo! – exclamou a sorridente francesa.

Lana não teve tempo de recuar, foi pega pelo braço e levada ao quarto de Nicky.

- Sua irmã tem atitude – observou Lea.

- Você nunca a viu num dia difícil... – suspirou a loira – Ela estava muito estressada de manhã.

- Dirigir uma impressa deve ser estressante, mas ela não tem "terceiros" para fazer isso no lugar dela? – perguntou Luh.

- É difícil confiar totalmente em alguém quando se trata de alguns milhões de euros circulando. – falou Mel – sei como é... Mamãe também é assim.

- Às vezes me sinto culpada por ela ter que carregar todo esse peso... Sozinha. – lamentou Nicky.

- Tenho certeza que ela gosta do que faz. – a voz de Mu ecoou graciosamente pelo templo – Vejo que ainda não estão prontas.

- Bom... Não. – respondeu Nicky, corando.

- Tudo bem. – falou o recém chegado – troco de roupa em touro.

- Não tem problema mesmo, Mu? – perguntou Luh – ocupamos sua casa a tarde toda.

- Nenhum! Podem ficar o tempo que quiserem... – disse após beijar Nicky levemente.

- Obrigado Carneirinho! – exclamou a francesa.

- Então vou me retirar. – falou, por fim – até mais!

O ariano deixou o primeiro templo na calma inabalável de sempre. Seus passos sumiram pelo corredor de lutas.

- Mu é um doce... – murmurou Lea – já Aiolia é machão demais para permitir isso.

- E Milo é um depravado! – comentou Mel, divertida.

- Ele realmente é um amor. – concordou Nicky – admito que tenho muita sorte.

- Ele te coloca num pedestal. – comentou Luh – Divido que Kamus permitisse essa bagunça na preciosa mobília francesa.

- Na minha opinião vocês ainda parecem mestre e pupila! – Sah estava numa duvida cruel entre os sapatos.

- Concordo com Sah, se quer saber minha opinião. – opinou Lea.

- Não sei como era antes, mas realmente vocês não demonstram muito afeto – falo Bella.

- Só falta chamá-lo de mestre ou senhor! – Sah não se conteve.

- Sou péssima com relacionamentos! – Carol limitou-se a esta frase.

- E vocês também não têm nenhum apelido fofinho! – Nicky parecia indignada com a relação da amiga com o namorado.

- Sem falar que Kamus parece ser bem frio. Em todos os sentidos! – completou Lea.

- Para o governo de vocês, meninas... – começou Luh, já cansada do assunto – ele é BEM quente! E sim, nós temos apelidos "meigos".

- Só acredito vendo! – desafiou Sah – ou melhor, ouvindo!

A ruiva trocou olhares divertidos com a italiana que, por sua vez, limitou-se a rir da amiga que adora esse tipo de provocação.

- Pois então provarei para vocês na festa! – disse Luh, mas não teve tempo de dizer mais nada.

Lana acabara de aparecer na sala e, como Nicky tinha previsto, estava perfeita.

O traje azul, quase no tom dos cabelos de Saga, era longo e delineava o belo corpo da grega. Preso somente ao ombro direito, a alça única era trançada com fios que pareciam ser de ouro. Usava um bracelete simples e dourado no braço esquerdo. Sandália dourada e alta.

Os cabelos foram escovados de forma que os repiques foram realçados.

- Sua irmã está de parabéns... – a expressão de incredulidade da inglesa era cômica.

- Eu não fiz nada demais! – falou Vanessa – ela que é muito bonita.

Lana estava escarlate, parecia não estar confortável encima do salto alto e pequena fenda deixava a grega desconcertada.

- Não vou a lugar nenhum vestido isso! – exclamou a desconcertada grega – estou ridícula...

- Vai começar... – Carol revirou os olhos – "Sou uma bruta! Não sirvo para usar vestido e salto alto" – a italiana desdenhava imitando a voz da amiga.

- Mas é verdade! – Lana defendeu-se.

- Saga vai ter muita dor de cabeça essa noite! – insistiu Sah.

- Pega o geminiano de jeito amiga! – encorajou Lea.

- Acho que vão comentar dessa festa por muito tempo... Será memorável! Posso até imaginar a cara do Saga quando você entrar! Haha! – Luh deu uma pequena risada e pareceu esquecer um pouco as responsabilidades.

- Nem morta eu saio assim! Nem arrastada! – insistiu Lana que começava a tirar os sapatos, mas de repente seu corpo levitou fazendo-a deixar o chão.

- Levitando você pode ir? – Nicky usava um tom irônico.

- Me solte Verônique Karkaroff! Agora! – ordenou Lana.

- Já se olhou no espelho para ver como está bonita? – perguntou Mel.

- Claro que sim!

- Não olhou não! – cortou Vanessa – ela nem quis olhar! Disso que estava ridícula e...

- Eu tropeço a cada meio metro com essa coisa no meu pé! – revidou a grega que ainda flutuava.

- Mas isso não é motivo para não se olhar! – argumentou Mel – Agora, onde tem um espelho grande aqui, Nicky?

- No meu antigo quarto tem um, mas não é muito grade.

- Carregue essa teimosa pra lá! – ordenou a morena.

Lana debatia-se no ar sem muito êxito. Logo a grega foi colocada no chão de frente para o espelho.

- Sou eu? – indagou ao ver o próprio reflexo – até que eu sou... Bonita... – ela tocou levemente seu reflexo – acho que ele vai reparar em mim... – dessa vez pensou um pouco alto demais.

- Você tem dúvidas que ele vai reparar? – falou Carol, sarcasticamente.

- Eu acho que ele vai babar – concordou Nicky – e agora que a senhorita Lana está pronta, podemos nos arrumar?!

- Já são quase oito horas... – murmurou Bella – eles vão nos matar.

- Alguém tem que me maquiar! – exclamou Lana.

- Já ta falando até em maquiagem... – Lea se surpreendeu.

- Podemos nos ajudar! – falou Vanessa – mas vamos logo!


A lua brilhava intensamente no céu, as estrelas cintilavam e os rapazes estavam estressados.

- Caspita! – ralhou Carlo, que andava de um lado para o outro tomando sua terceira cerveja – Não é possível que demorem tanto para colocar uma roupa!

- Vejo que você não se preocupou muito com isso – provocou Afrodite que, como sempre, estava impecavelmente vestido. Trajava uma calça social preta, sapatos sociais incrivelmente lustrosos e uma camisa verde água.

- Vocês já vão começar? – ironizou Kamus.

- Lá vem o chato! – brincou Milo – relaxa ai, Francês! Estamos entre amigos e briguinhas são inevitáveis.

- Mas essas "briguinhas" quase destroem o santuário. – começou Shaka, mas foi logo cortado por Kannon.

- Tava demorando... Buda Junior, a revanche!

- Que quê você ta falando ô Pink? – Shura gritou do outro lado do salão de touro.

Saga não conseguiu conter as risadas.

- Olha quem está rindo... Cérebro! – retrucou Kannon.

Logo uma discussão masculina estava formada, mas isso era um tanto normal. Shion não interrompeu nem deu ordens, muito pelo contrario, parecia colocar mais lenha na fogueira. Dohko ria do "Grande Mestre" que agora parecia um tanto normal e divertido, como nos velhos tempos.

Mu estava na mesa junto ao Grande Mestre, Dohko,Kiki e Shaka.

- Será que elas ainda vão demorar muito? – indagou o homem de cabelos lavanda, levando a taça aos lábios.

- Acabaram de chegar... – murmurou Shaka, embasbacado.

- Acho que valeu a pena a demora... – Dohko mostrava-se tão surpreso quando o cavaleiro de virgem.

Kiki e Mu coraram levemente com a aparição.

A surpresa maior foi ver Shina, Marin, June e Clover junto às novas amazonas.

Shura sorriu ao ver Shina num lindo vestido grego. Este era levemente esverdeado e feito num tecido tão leve e marcante que a amazona parecia nua.

June e Marin usavam trajes muito semelhantes. Uma bata curta e decotada com mangas longas e largas, sendo a da loira, azul, e a da ruiva, laranja. Saia longa e branca, com uma sapatinha na mesma cor das batas. Os lindos corpos estavam delicadamente expostos e Shion não consegui evitar a amazona de camaleão, olhava-a discretamente.

A pequena Clover parecia mais velha. A sandália branca que usava tinha um pequeno salto e acompanhava o vestidinho rosa bebê. Os cabelos morenos, normalmente preços, estavam soltos e cuidadosamente penteados. Usava um colar em ouro com um trevo de quatro folhas pendurado. Kiki corou levemente ao ver a menina que, até então, não conhecia.

- Não esperava vê-las aqui... – murmurou Aiolia para Aiolos.

- Era de se imaginar que seriam convidadas... Marin está muito bonita. – comentou o mais velho, descuidadamente.

- Aiolos... – murmurou o leão, cheio de malicia – Sabia que você não queria mais ficar sozinho...

- Não seja idiota, Olia! – exclamou o irmão – foi só um elogio, e Lea também está linda. Todas estão.

E de fato estavam. A belga trajava uma calça jeans escura e muito justa, esta delineava cuidadosamente o lindo corpo da moça de olhos verdes. Usava uma bata verde musgo, decotada nas costas e no colo. O salto alto, tão raro nos pés da belga, deixava-a mais alta e elegante. A aliança do que Aiolia lhe dera anos atrás ainda brilhava no dedo da moça que, por sua vez, usava também brincos finos e compridos, quase batendo nos ombros.

Era Nicky quem geralmente chamava atenção logo de cara, mas quando Lana adentrou o salão, timidamente, Saga quase deixou a taça cair no chão. O traje azul deixava um gostinho de quero mais. A pequena fenda que se alongava até o joelho, e, a forma com que o vestido se ajustava ao corpo da amazona, causava uma incrível necessidade de ver um pouco mais. Saga estava perto de tomar a moça para si mesmo sem permissão.

- Baba não, Cérebro! – desdenhou Kannon – Acho que ela é muito pra você!

Mas Saga não respondeu, estava hipnotizado com o andar da grega que, por sua vez, parecia ter se acostumado com o salto alto.

Mel estava ao lado de Lana. A brasileira usava uma blusa vermelha de alça bem fina e justa ao corpo. O decote deixava Mel ainda mais atraente e a calça jeans, tão apertada quanto à de Lea, realçava as curvas perfeitas da morena. Usava um salto alto que a deixava quase do tamanho de Milo. O pingente de morando brilhava no pescoço da amazona, assim como as pulseiras que usava no braço direito.

Vanessa caminhava graciosamente de braço dado com a irmã. A irmã mais velha vez jus ao pedido do vestido vermelho, este era longo e de alças finas, e a imensa fenda existente no lado direito da peça revelava as pernas da francesa. A sandália era rica em tiras, dourada e alta. Ostentava um bracelete no braço direito e um anel na mão esquerda. Os cabelos caiam como uma cascata negra, seu rosto estava livre de qualquer tipo de maquiagem, pois o traje da morena era mais que suficiente para atrair olhares. A Loira não fez por menos colocando um curto vestido lilás, este era bem justo a todo o corpo e um largo cinto branco, frouxo, pendia no quadril da francesa. Usava uma sandália semelhante a da irmã, porém branca. Os cachos estavam anormalmente definidos e sua tatuagem parecia realçar mais que nuca sobre o decote.

- Temos mulheres lindas, não é? – Afrodite acabara de puxar uma cadeira ao lado de Mu.

- Realmente lindas... – concordou o cavaleiro, corando levemente.

- Quem é aquela menina de rosa? – interrompeu Kiki

- O nome dela é Clover – informou Shion – se não me engano é aprendiz de Shina há dois anos e candidata à armadura de Taça.

- Está interessado? – indagou Gustav – As crianças começam bem cedo hoje em dia!

- Gustav! – reprovou Mu – Ele é uma criança!

- Isso mesmo! – reforçou Shion.

- Deixem isso rolar gente – falou Dohko – É uma coisa inocente, Shion! Shiryu e Shurei nunca fizeram nada de errado, e olha que eles até dormiam juntos na infância.

- Na infância, sei... – duvidou Gustav.

- Não seja depravado! – reprimiu Dokho.

- E não difame as pessoas dessa forma – completou Shaka.

- Adultos... – reclamou o menino que, em meio à discussão dos homens, não era mais ouvido.

Lune e Bella conversavam durante a entrada na casa de Touro. A japonesa estava deslumbrante nem vestido oriental, roxo, com lindos pássaros bordados e um decote em gota. Duas fendas revelavam as belas pernas de Luh e dois palitinhos (N/A: desculpem, mas eu nunca lembro o nome!) ornamentavam os cabelos da amazona num coque único e desfiado. A inglesa apostou numa curta saia de pregas vinho e uma blusa branca decotada com um faixa, também vinho, marcando a cintura da amazona. As polainas brancas e o scarpin vinho completavam a roupa de Bella.

- Só quero ver você deixar o Kamus sem graça hoje – provocou Bella.

- Convivência com a Sah, é? - retrucou Luh – ta provocando agora?

- Na verdade é a convivência com a Carol, mas isso não vem ao caso. – respondeu Bella.

- Vocês testemunharão meu relacionamento "fofo" com Kamus de Aquário, mas mudando de assunto – Luh falou num tom malicioso - Kannon não tira os olhos de você.

- O máximo que ele vai ganhar é um olho roxo se continuar...

Do outro lado do Salão...

Saga, Kamus, Kannon e Milo conversavam discretamente sobre as recém chegadas.

- Ela adora me provocar... – murmurou Kamus.

- O que disse francês?

- Nada não, Milo.

- Nada não... – desenhou Kannon – tenho certeza que estava olhando para as pernas da amazona de diamante!

- Lógico! Ela é minha mulher – o cavaleiro frisou muito bem a ultima parte – E pelo menos eu não fico olhando as pernas alheias, Kannon.

- Já viu como Saga está com cara de idiota desde que Lana entrou? – a pergunta fez Saga observar furiosamente o irmão.

- Não é hora de você provocar. – falou o cavaleiro de aquário – Mas seja mais discreto, Kannon. É deselegante secar qualquer mulher dessa forma.

- O que é bonito deve ser apreciado, mon mi – brincou Kannon – mas devo admitir que tem belas pernas... – completou em pensamento.

Sah e Carol eram as ultimas. A ruiva parou o coração do loiro com seu traje. Este era composto de um corpete azulado e comprido, quase até o quadril, uma saia igualmente justa e preta. O coturno também era preto com alguns detalhes azuis. Os cabelos estavam escovamos e a maquiagem realçava os olhos violeta da amazona. O rosário de contas escuras que Shaka dera de presente, anos atrás, estava frouxamente preso no pulso direito da moça. Mascara disfarçou muito bem, mas seu coração falhou quando Carol adentrou. Usava um vestido preto e curto, bem curto. O decote tipo biquíni realçava os seios da italiana e a trança embutida balançava graciosamente com o andar da amazona. Os sapatos não eram tão altos, mas o suficiente para lhe dar uma postura ainda mais feminina.

Criou-se um clima de observação por alguns segundos, mas a sensação era que horas haviam se passado.

Bella e Lana fitaram os gêmeos. Estes estavam igualmente vestidos com uma camisa azul marinho, uma calça jeans escura e um sapato social marrom. Desse jeito ficava muito difícil diferenciar quem era quem, e, Lana e Bella, demoraram alguns minutos para ter certeza de suas escolhas.

Sah sorriu ao ver o loiro num lindo sari azul-bebê cuidadosamente ornamentado em dourado. Foi em direção a mesa onde Shaka bebia e conversava ao lado do Grande Mestre, Dohko e Mu.

Nicky seguiu a amiga até a mesa dos rapazes. Mu parecia ainda mais encantador naquela noite. Usava um traje tibetano composto por uma blusa branca e uma calça no mesmo tom. Uma faixa azul na altura dos rins quebrava o branco da roupa e uma fita, também azul, prendia o cabelo lavanda frouxamente.

Mel sorriu, marota, ao ver o escorpião sentado e segurando uma taça de vinho. A blusa do cavaleiro era da cor do liquido e sua calça era jeans básica. A morena sorriu novamente ao se lembrar que Milo era um homem muito casual.

Lea quase derreteu ao ver seu "leãozinho" trajando uma camisa social vermelha e uma jeans bem escura. Caminhou lentamente até o leonino que estava acompanhando irmão.

Lune percebeu o olhar de cobiça do aquariano. Ah! Como ela amava provocá-lo, mas hoje a amazona de diamante também fora vitima da boa aparência de Kamus. Os cabelos pareciam estar mais revoltos naquela noite, mas não menos atraentes. A blusa azul marinho cominava muito com o belo homem e a calça social dava um ar muito imponente ao aquariano.

O comentário de Afrodite sobre a má aparência de Carlo era brincadeira, só podia ser brincadeira. O canceriano estava lindíssimo e todo de preto. Blusa e calça social preta, assim como o sapato. Carol olhou discretamente para o cruel homem que cuidara tão bem se seus machucados nos últimos dias, mas não se rendeu à tentação de ir falar com o italiano, deu meia volta e juntou-se a Sah, Vanessa e Nicky na mesa mais próxima.

Décimo terceiro templo...

A deusa de cabelos lavanda estava do lado de fora do ultimo templo, fitava a única casa iluminada, Touro. Deu alguns passos adiante e iniciou sua solitária descida.

Trajava roupas pouco comuns para uma deusa. Calça escura e justa, com uma bota preta até os joelhos. Uma bata branca deixava o colo da deusa nu. Uma infinidade de grandes pulseiras brancas e pretas brilhavam no pulso esquerdo da moça e faziam um estranho barulho a cada degrau que descia.

- Acho que não vão se incomodar se eu parecer... – pensou a deusa – também sou filha de deus... Literalmente...


Desculpem a demora meninas!

Tive UERJ no ontem e vou entrar em semana que provas agora! O ritmo ta puxado... Mas farei o máximo para postar pelo menos um Cap por semana!

Qualquer coisa sou toda ouvidos xD

Bjao!