Capítulo 10

Mea Culpa



Seu pensamento se ligou ao dele, por sua vontade. Livros. Uma biblioteca? Não, era um escritório. Cheiro de chá, uma lareira. Ele estava sentado, debruçado sobre alguns papéis. Estava preocupado, talvez por isso não tenha demorado muito ali. Levantou-se recolhendo tudo, guardou em um dos armários e, em seguida, saiu apressado para a noite fria, rumo a sua casa. Ele pensava na esposa e em seu filho, que se chamava Jean-Luca, mas também se lembrava da amante que havia deixado em Paris. Outra pessoa também ocupava uma enorme parcela dos pensamentos daquele homem e essa pessoa era Tom.

Precisava dar um jeito no homem de olhar assassino que andava apressado pelas ruas desertas, deixando pegadas na neve. Ele queria matar, destruir Tom, podia sentir. Podia ver. Ele precisava matar antes que morresse e Dominique não queria morrer. Ginny se encolheu na escuridão, tornando-se invisível aos olhos do homem que tinha seus pensamentos voltados para um único plano.

Ele tinha pressa, como se soubesse que havia alguém seguindo seus passos. Ingênuo. Ela não precisava se aproximar para causar dano. Resolveu fazer do seu jeito. Sua mente já estava conectada à essência dele, não havia mais nada que ele pudesse fazer.

"Locomotor Mortis", ela sussurrou.

Dominique caiu no chão coberto pelo imaculado branco da neve, confuso. Moveu a cabeça tentando encontrar o agressor, mas não viu ninguém, tentou se levantar, mas não sentia as pernas. Apoiou-se nos braços e sentou com dificuldade, encostando-se a uma parede.

"Boa noite", Ginny se aproximou, ajoelhando-se diante do homem.

"Eva?", sussurrou com a voz trêmula.

"Não", falou com tranqüilidade, tentando imitar a leveza da voz de Tom. "Você sabe que não é esse o meu nome, você me denunciou por isso, lembra? Pode me chamar de Ginny".

"O que você fez comigo?", perguntou desesperado, tentando se levantar novamente.

"A magia vai além do que a sua mente humana pode compreender, senhor Dominique. Não é apenas recitar palavras sem sentido, não é misturar substâncias grotescas em um caldeirão, não é adorar o demônio... Gostaria que soubesse que eu acredito e louvo ao mesmo Deus que o senhor, pois fui criada como católica, mas não costumo perdoar pessoas como você".

"Monstro".

"Sim, eu sou um monstro. Sinto por ter me tornado um, mas não é pelo fato de eu ter magia em meu sangue. Minha alma foi corrompida, mas a magia não tem ligação com isso. Realmente sinto pelo que está acontecendo, mas foi o senhor que procurou".

"Eu não fiz nada".

"Você se pôs em nosso caminho de forma perigosa, eu salvei você, e sua retribuição foi uma denúncia. Você está em dívida comigo, pois impedi que lhe tirassem a vida e isso, para um bruxo, é uma ligação que vai além da compreensão. Sua vida me pertence, e eu vou cobrá-la".

"Aquele Riddle..."

"A pessoa que você deve temer não é o Tom. Ele não é como eu, senhor Dominique, por isso eu sugiro que comece a rezar para que Deus tenha piedade da sua alma e não o mande para o inferno. Eu não vou perdoá-lo e é por isso farei as coisas do meu jeito. Sua vida já estava perdida de qualquer forma, só quero que não seja doloroso. Acredite, despedir-se de sua alma por minhas mãos é muito mais digno do que ser ferido pela espada de Tom".

"Não..."

"Só peço que não grite", falou, levando a mão aos lábios.

"Bruxa", ele sussurrou.

"Haeki"¹, ela murmurou, fixando seu olhar no dele.

Tradução = "Silêncio"

O homem se calou e, por mais que tentasse falar, sua voz não saía. Estava preso no mesmo feitiço que Molly costumava lançar sobre seus filhos quando estavam de castigo. Lágrimas caíram pelo rosto de Dominique, enquanto Ginny continuava a recitar seus versos.

"Eu presto honras ao grande guardião do espaço. Para que me dê permissão para segurar as cordas da vida e da mente em uma mão e tecê-las com a outra. Este é o meu desejo".

Ginny se lembrava perfeitamente bem do sentimento que a corroeu quando utilizou a mesma maldição da morte contra Miguel. A expressão de surpresa do padre ao vê-la recitar os versos estava estampada em sua memória como uma tatuagem pintada de horror.

"Dessa vez eu não preciso pedir perdão. Não quero ser perdoada", falou entre os dentes. "Nah eth cëuto sonopa eth inm. Nah eth cëuto sonopa eth inm. Nah eth cëuto sonopa eth inm".

O brilho nos olhos de Dominique eram apenas das lágrimas, seu corpo rejeitava a sua alma e tudo o que Ginny precisava fazer agora era recitar as palavras que fariam com que essa alma desaparecesse do Éter para que nunca mais retornasse. Era esse o significado daquela magia: eliminar uma existência da forma mais eficaz possível, destruindo a essência, sem chance para um retorno. A pior das maldições.

"Abhadda kedhabra".

O fim. Ginny sabia que naquele momento não foi apenas o homem que morria, mas também o último traço do ser humano que existia nela.

Levantou-se, e deixou o corpo para trás, disposta a voltar para a casa dos Flamel e continuar com sua viagem rumo ao céu ou ao inferno, pois já não sabia mais qual era o destino da sua alma. As lágrimas caíram por seu rosto sem que ela quisesse, como se seu corpo protestasse contra aquilo que a sua mente já não questionava. Suas atitudes desumanas eram fruto de um sentimento que jamais seria correspondido.

Sentiu saudade da sua casa. Lembrar da sua família era a única coisa que a fazia repensar sobre o que havia se tornado. Dor no peito, remorso. Não pela vida que havia tirado, mas pelas pessoas que havia deixado para trás sem nenhuma explicação, que deviam estar sofrendo tanto quanto ela, por não ter notícias.

Sem que se desse conta, seu corpo lhe levava para uma paisagem que reconheceu ser o lago perto da casa dos Flamel. O local lembrava tanto as proximidades da sua casa que doía e, por mais que se esforçasse para esquecer, aquela era uma ferida aberta que machucava muito. Fechou os olhos relembrando as imagens de uma vida que havia deixado para trás, com o final do outono. As folhas secas, a água fria, o sol que já não era tão quente... Não havia sol agora, apenas a lua prateada refletida nas águas negras de um lago.

Deu dois passos para frente, esperançosa. Aquilo era um espelho de água, deveria servir. Sorriu tristemente com a lembrança do sorriso da sua mãe, pois queria vê-lo mais uma vez, mesmo que fosse cheio de preocupação. Deixou que seus pés tocassem a água congelante e não protestou com a dor que sentiu, apenas deu mais um passo, depois outro e outro. A água já estava em sua cintura quando respirou fundo e espalmou suas mãos sobre ela.

"Nah möpo eth irà. Gäi nerp nah of eum pith. Gäi novo erö rath möpo jorode. Nah malen tontamuh a eum nanianh. Nah seen eth irà. Nah seen et irà."

O vento soprou mais forte, jogando seus cabelos para trás e fazendo sua pele se arrepiar. Fechou os olhos e respirou fundo, abrindo-os logo em seguida para encarar um rosto que apareceu na água no espaço que havia entre as suas mãos. Uma face primeiramente espantada, depois surpresa e, por último, manchada por lágrimas. A imagem estava borrada, mas conseguia distinguir a expressão confusa da sua mãe.

"Ginny?", ela gritou.

"Mamãe", respondeu chorosa. "Perdão. Sinto muito. Sinto..."

"Onde está? Como está? Parece-me tão triste, minha querida".

"Eu não sou importante. Como estão todos? Conte-me, por favor, eu preciso saber".

"Todos estão bem, mas preocupados. Avisamos ao Bill logo que nos demos conta do seu desaparecimento e ele foi a sua procura nos vilarejos vizinhos, sentiu sua presença em uma estalagem, mas você sumiu do território que ele manipulava logo em seguida. Ele continua procurando você e... Ginny, por favor, volte para casa".

"Não posso".

"Volte, Ginny. Por favor... Choramos a sua morte, mesmo tendo esperanças. O Harry não desistiu, ele também foi a sua procura! Da última vez que fez contato, estava a caminho de Paris, onde ia encontrar Hermione", ela soluçou baixinho e continuou. "Oh, céus... Graças a Deus você está bem e forte o suficiente para realizar essa magia, mas... Conte onde você está, iremos buscá-la".

"Eu... Eu apenas estou me despedindo", falou baixo. A voz sumindo por causa do choro.

"Ginny, não..."

"Sinto muito, mamãe. Sinto por tudo, mas foi melhor assim. Foi para o bem de todos. Vocês estão bem e é isso o que importa para mim, o que significa que meu sacrifício não foi em vão", disse, tentando acreditar. "Sinto sua falta, queria te abraçar de novo, sinto... Eu..."

"Ginny? Se concentre", Molly exigiu ao ver que a imagem saía de foco.

"Eu não sou a mesma pessoa. Não sou digna... Perdão. Só peço que a senhora me perdoe pelo que me tornei".

"Minha filha..."

"Eu..."

"Ginny? Ginny?"

Logo, sua visão se tornava borrada. Seus sentidos começavam a falhar, sentiu a magia se desfazer e seus joelhos cederem. Estava submersa e a última coisa que viu, antes de seus olhos se fecharem, foi a lua desfocada pela água. Não desejava mais nada. Sabia, sentia... Era a morte tomando forma de um vulto negro que buscava a essência de sua vida. Aquele vulto apenas observa, silencioso, como se sofresse calado enquanto via seu anjo branco afundar mais e mais nas profundezas de suas próprias e mais secretas tristezas. Sua culpa. Não merecia uma morte tão tranqüila como aquela, mas não rejeitou a bondade de Deus e se entregou aos braços da escuridão.


Era quente e não havia dor. Estaria no Éden mesmo após tudo o que tinha feito? Deus seria tão piedoso? Não queria respostas. Respostas costumavam doer. Abriu os olhos e viu luz, muita luz. Levou a mão ao rosto tentando se proteger, pois, para olhos já acostumados com a escuridão, a claridade incomodava.

"O que pensou que estava fazendo?", escutou a voz de Tom, sussurrada em seu ouvido.

Podia sentir que ele estava deitado ao seu lado, sua respiração em seu pescoço, seu braço sobre seu corpo, suas pernas entrelaçadas às dela sob cobertas grossas. Sentiu os dedos de Tom deslizando por seu colo e seguindo o contorno seu rosto com delicadeza, chegando aos seus cabelos, que acariciou gentilmente. Fechou os olhos. Sonho. Sentiu também os lábios frios dele fazerem pressão sobre os seus e deixou que ele lhe beijasse.

"O Éden", ela murmurou.

"Ainda não chegou ao Éden, Ginny, mas garanto que falta pouco".

Os lábios em seu pescoço, voz sussurrada, um sonho. Com receio, abriu os olhos. Tinha medo de ser capturada por aquele olhar sem brilho e mesmo assim tão fascinantes que era impossível não se perder na escuridão. Ele a encarava como sempre, tranqüilo, curioso e com o sorriso torto no canto da boca. Ginny sentou-se na cama, com rapidez. Não tinha morrido, não estava no paraíso e Tom estava ao seu lado. Suas roupas estavam secas e já não sentia frio.

"O que houve?", perguntou desorientada.

"Creio que essa é a minha pergunta", ele falou baixo, empurrando-a, para que voltasse a deitar. "Cabe a você me dar uma resposta".

"Dominique está morto", ela sussurrou.

"Eu sei".

"Como pode saber?".

"Senti a sua magia. Senti as perturbações que você costuma dizer que sente, apenas segui o fio da sua essência e a encontrei no fundo do lago. Foi imprudente da sua parte, Ginny. Queria me abandonar?".

"Não".

"Então por que estava no fundo do lago ao invés de estar em minha cama?"

"Porque você não me deseja".

"Alguma vez me escutou falar isso?"

"Suas atitudes falam por suas palavras".

"Nem sempre é possível fazer o que desejamos, porque se nos deixarmos levar por todos os nossos instintos seremos como os animais".

Ginny sentiu o nó em sua garganta apertar e as borboletas em seu estômago se agitaram quando Tom se colocou sobre ela e a beijou com convincente ternura. Estava insegura, sentiu medo, queria chorar. Ele, finalmente, havia decidido que possuir apenas sua alma não era suficiente. Então ele era capaz de sentir o mesmo desejo e agir por instinto, como ele próprio condenava nos animais?

Tom era egoísta, assim como ela. Preocupados com as próprias necessidades, incapazes de sentir o outro. Possessivos e contraditórios. Tão iguais que havia momentos que ela pensava que Tom não passava de sua imaginação, a outra face dos seus pensamentos que vivia aprisionada por ser perigosa demais para viver entre os seres humanos comuns.

Quis agir como uma pessoa egoísta novamente. Queria empurrá-lo, fazê-lo implorar por ela, assim como ela já tinha implorado, mas não conseguiu sustentar seus sentimentos de vingança ao menos por dois segundos, após ter sua camisa de algodão jogada no chão. Agarrou-se a Tom como pôde, mas sentia que não era um homem que segurava entre as suas pernas, mas sim o sonho que, por mais que negasse, era seu também. Éden. O Paraíso, a vida eterna, a luz para sua alma que havia mergulhado em uma escuridão tão profunda que não era mais digna de salvação. Precisava do Éden mais do que nunca, não por um capricho ou sonho inocente. Queria o Éden e a sua luz para não precisar mais viver no escuro frio das águas congeladas que compunham a alma de Tom.

Já não era mais inocente. Corpo e alma corrompidos por um deus de olhos escuros, sorriso misterioso e mãos que lhe causavam arrepios a cada toque. Tom não amava, mas amar Tom era diferente do que tinha imaginado que seria, pois não foi rápido, não foi humilhante, não houve palavras. Cada segundo parecia eterno e único, fazendo com que desejasse que cada instante voltasse mais uma vez, como se a cada gesto fosse premeditado para prendê-la ainda mais em sua redoma.

E em um desses momentos que Ginny imaginou que eles eram a mesma pessoa. Tão iguais em seu egoísmo, desejo e posse que ela sentia que a dor dele sempre foi e sempre seria a sua dor – e agora a alegria dele era a sua alegria. Ela sentia alegria também, e mesmo assim, a alegria dele de alguma forma também era dor. Quase tangível. Uma alegria que queimava na pele de Ginny como ácido, uma dor lenta, uma dor necessária, uma dor que desejaria sentir o resto dos seus dias.

Definitivamente era diferente do que havia imaginado por noites seguidas. Amar Tom não era sacrifício, não era só desejo, não era só egoísmo. O toque de Tom não era agressivo, seu corpo não era frio, seus beijos eram suáveis e ele deixou que seus olhos se fechassem. Por um único momento, ele se entregou. Por poucos segundos fechou os olhos antes de deixar seu peso cair sobre ela, se rendendo, por míseros instantes, ao seu lado humano.

Enquanto lutava contra seu próprio corpo, implorando que seu coração não batesse tão rápido, Ginny deixou que Tom colocasse a cabeça sobre o seu ombro, enquanto a abraçava em silêncio, com o olhar fixo em algo que ela jamais saberia o que era, pois não importava para onde Tom olhava, as imagens que ele realmente via existiam apenas em seu mundo. Sentia vontade de chorar, por saber que ela jamais teria aquele homem que estava em seus braços por completo.

"Por quê?", ela perguntou.

"São tantas as respostas para uma pergunta feita apenas de 'por que' que se torna impossível lhe dar a correta", murmurou.

"Talvez seja porque o número de perguntas que eu tenho para fazer seja infinito".

"As perguntas são importantes", falou ao ouvido de Ginny. "Eu aprecio as perguntas".

"O desenho que a minha mente fez dessa noite era totalmente diferente, Tom. Por que foi tão atencioso?"

"Não sei. Talvez porque a garota na minha frente parecesse em pedaços".

"Não preciso que junte os cacos em que me quebrei".

"É minha obrigação. Eva não pode estar quebrada quando chegar ao Paraíso. Eu preciso do seu poder e você não pode estar quebrada".

"Não preciso de tantos cuidados"

"Você é frágil e não suporta a dor de ter sua alma partida. Você é humana demais".

"Já não sei mais o que eu sou".

"Você é a minha Eva".

"Sim. Sua".

Tom sorriu. Ela o fascinava. Sempre. Cada vez mais. Desejava guardar para si o poder, a alma, o sorriso e cada um dos pensamentos inocentes que compunham a mente daquela mulher. Queria a sua essência. Estar ao lado dela o deixava mais vivo, sentia que o poder fluía em seu corpo como nunca antes. Era como se pudesse absorver a magia que havia no sangue puro.

Sabia que, de certa forma, dependia daquela pureza irreal, pois a sua alma negra e corrompida jamais seria bem vinda no Éden. Não poderia comer o fruto da Árvore da Vida sem a sua Eva. Necessidade. Não gostava de depender tanto de outra pessoa. Tom sempre esteve sozinho, seus pensamentos eram apenas seus. Sua vida, seus gestos, seus desejos e sonhos, nunca seriam compartilhados e era exatamente isso que ele queria. Permanecer sozinho, mais do que nunca. Queria poder se livrar do som que a voz dela tinha. Queria não depender da presença e do poder que aquele corpo feminino continha. Libertar-se de todo aquele cheiro de flores que impregnava seu corpo e que, quanto mais ele tentava esquecer, mais atiçava sua mente. Ginny era um bem necessário. Um bem que não poderia ser descartado antes que se tornasse deus.

Ela logo percebeu que os pensamentos dele vagavam longe, mais uma vez. Beijou-lhe os lábios com delicadeza e mergulhou seus dedos nos cabelos negros e finos de Tom, que fechou os olhos sonolento, esgotado. Os muitos dias de pouco sono pesando em suas pálpebras. Era mais uma tentativa inútil de se manter acordado, pois ainda que sua mente fosse de um deus, seu corpo era humano. Ele dormia em seus braços, quente, tranqüilo, olhos fechados. Apenas humano. Era isso que ela repetia para si mesma, desejando acreditar. Humano.

"Durma, meu Éden", Ginny sussurrou. "Durma, meu anjo caído, que segui porque não queria que a minha vida fosse em vão".

"A vida é em vão", ele falou baixo, devagar. "Nada e tudo é praticamente a mesma coisa, mas eu não quero ser o nada... Não há nenhuma outra mão que possa curar essa nossa doença de ser mortal que não seja a minha".

"Então cesse essa dor que eu sinto. Cure a mim", ela pediu, sem saber se ele realmente ainda escutava.

"Sua dor não é minha culpa".

"Eu nunca o culpei, mas machuca vê-lo lutando conta a sua humanidade".

"Eu não morrerei. Serei deus, seremos dois anjos no céu, na morte..."

Tom não concluiu. Parecia que finalmente havia perdido a batalha contra seu cansaço humano. Ginny suspirou, abraçando seu companheiro com mais força, contendo-se para não chorar.

"Você está errado", sussurrou. "Somos apenas duas almas pecadoras e silenciosas, que preferem se calar, mesmo com todas as coisas para serem ditas".


N/A: Depois de tanto tempo parada a fic retoma o seu rumo. Não é que eu não soubesse o que escrever. Já tenho tudo traçado e não vou mudar, mas as palavras simplesmente fugiram dos meus pensamentos e eu não conseguia me expressar e escrever essa história. Espero comentários, especialmente sobre esse capítulo. Agora os capítulos de Éden rumam para o desfecho da história. Obrigada a todos que esperaram pacientemente até que o meu bloqueio terminasse.