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CAPÍTULO ONZE

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Inuyasha apercebeu-se, então, que o brinde de Sesshoumaru era dirigido a ela e que Kagome estava noiva. Não podia ser. Não. Recusava-se a acreditar! Kagome era rica? Kagome era irmã de Sesshoumaru? Como não se tinha apercebido antes? Kagome Taisho! A filha delicada de InuTaisho! Era por isso que ela tinha aquele carrão! Tinha dinheiro para ter uma frota deles! Encontrou o olhar confuso e aterrado de Rin. Devia tê-lo sentido ou ouvido. A ver como batia o seu coração era bem possível.

Deu-se conta que ela também o enganara todo aquele tempo. Rin, que tinha sempre protegido de tudo e de todos, também o apunhalara pelas costas.

Rin dirigiu-se a ele e Kagome viu-o também, ao seguir o olhar preocupado da morena. Ficou pálida, quase se assemelhando à cera das velas que ardiam lentamente pela sala, e dirigiu-se para ele também.

Não querendo mais ouvir mentiras e desculpas, deu meia volta e foi para as escadas.

- Inuyasha! Espera! – Kagome gritou quando chegou ao exterior. – Eu posso explicar!

Rin apareceu atrás dela e ficou muito quietinha e calada, embora o seu olhar estivesse aterrado e consumido pela culpa e pela tristeza.

- Oh, pois claro! – disse com ironia. – Podes começar, então! Vais-te casar? Esperavas ao menos dizer-me?

- Inuyasha, eu sei que estás zangado, mas eu não queria que…

- Não querias o quê? – cruzou os braços. - Que isto chegasse a este ponto? Não querias ter-te envolvido tanto com uma pessoa pobre como eu?

- Não é isso! Eu amo-te! Daria tudo por ti, mas só…

- Tu o quê? – riu-se com escárnio. – Não me venhas com essas tretas! Eu não vou cair, Kagome, por mais inocente que possas parecer, não passas de uma mentirosa! Eu já percebi o teu joguinho! Querias fazer-te de coitadinha e depois convencias-me com o teu dinheiro a tornar-me teu amante! Eu não estou à venda, nem pretendo ser o outro!

Kagome balançou por um momento, atónita. – O quê? Não! Não, Inuyasha, estás a perceber tudo mal! Eu…

- Sabes que mais? – ergueu a mão para a calar. – Não quero saber. E fico muito feliz por ter vindo neste maldito cruzeiro, caso contrário só saberia a falsa que és daqui a alguns anos, quando eu te pedisse em casamento e tu me apresentasses aos teus filhos ricos.

Kagome começou a chorar. – Inuyasha, não vás, precisamos conversar!

- Adeus, minha senhora. – fez uma vénia exagerada e desceu as escadas com passos pesados depois de dirigir a Rin um olhar duro.

- Inuyasha! – Kagome caiu sobre o joelhos e cobriu o rosto com as mãos enquanto chorava desesperadamente. – Eu amo-te…

Rin começou a chorar também, muito silenciosamente, e ajudou-a a levantar-se.

- Vamos, Kagome, vamos para o teu camarote. Eu ajudo-te.

- Não! Eu tenho que falar com ele! Tenho que lhe dizer tudo o que sinto por ele! Ele não me pode deixar assim, Rin! Eu amo-o! – olhou para ela, desesperada.

- Eu sei como ele é, conheço-o há mais tempo e sei que ele agora precisa de tempo para pensar. Não vai ouvir nada do que possas dizer.

Rin deixou que ela chorasse no seu ombro durante uns momentos e depois levou-a para o corredor dos camarotes pela escadaria do exterior que levava ao piso de cima. Deitou-a na cama e consolou-a durante muito tempo, até que ela adormeceu entre suspiros cansados e espasmos de choro. Tirou-lhe os sapatos, as jóias e desapertou-lhe o vestido para a deixar o mais confortável possível. Desceu e dirigiu-se para a popa do cruzeiro.

Àquela hora ninguém ia para lá pois tinha começado a levantar um pouco de vento frio e ali era mais forte. Tinha frio e a sua pele estava arrepiada, mas era mesmo isso que queria. Estava tão triste por Inuyasha e Kagome. Não se tinha apercebido até que ponto a sua relação tinha avançado até àquela noite, quando ele a acusou de querer torná-lo seu amante. Isso queria dizer que já tinham estado juntos mais intimamente.

Talvez tivesse sido quando ela não lhe tinha atendido o telefone e não estava no hotel. Deveria estar com Inuyasha.

Sentiu uma lágrima quente escorrer-lhe pelo rosto e limpou-a devagar, sentindo subitamente o cheiro de Sesshoumaru tornar-se presente e cada vez mais forte.

- Boa noite, Rin, perdi-te de vista durante o brinde e pensei que tinhas sido raptada por um dos teus admiradores. – o seu corpo enorme e quente posicionou-se a seu lado. A força da sua presença era impressionante.

Riu-se levemente, tentando livrar-se das lembranças do sucedido. – Não, graças a deus! Fui só levar Kagome ao quarto dela e ajudei-a a tirar o vestido.

- Ela está bem?

- Está. – mentiu. – Ficou só um pouco indisposta e cansada e pediu-me para a acompanhar até lá.

- Sendo assim… - deixou-se ficar e seguiu-se um momento de silêncio entre eles. – Estás a gostar da festa?

- Sinceramente?

- Sim.

- Não.

Sesshoumaru riu-se. – Nem eu! – confessou. – Odeio festas e coisas do género, gosto mais de ficar a trabalhar no escritório. As festas são mais o tipo da minha irmã. – olhou para ela e sorriu um pouco. – Mas obrigado por teres vindo, a Kagome gostou muito. – E eu também…

- É, eu sei.

Sesshoumaru ficou em silêncio novamente e aproveitou para admirá-la. Estava tão linda! Tão perfeita e irresistível! Aqueles seios! Deuses! Pareciam gritar-lhe que os apanhasse entre as mãos e que os apertasse. Observou melhor e perdeu o fôlego quando se apercebeu que não tinha soutien. O que era natural, visto que aquele modelo não dava para usar um. Mas, ainda assim, ficou chocado.

A erecção ergueu-se de novo, demandando alívio de dentro das calças, e quase bateu na grade da popa. Tragou em seco e desceu o olhar, percorrendo a curva acentuada da anca e o ventre liso. A racha depravada estava do seu lado e conseguia ver a sua perna até à coxa. Agradeceu ao vento que parecia actuar em seu favor, passando pelo vestido com força, abrindo mais a racha.

Meu deus, estava mesmo a agradecer ao vento?

- Está uma noite linda. – Rin comentou de olhos fechados e inclinando-se para a frente, como se se entregasse ao vento. – Aposto que se vêem imensas estrelas.

Sesshoumaru ergueu o olhar e confirmou. – É verdade. Há muitas esta noite e aqui, sem as luzes da cidade, parecem ser ainda mais. – desceu o olhar e admirou a face pálida e perfeita, com uma pele suave e macia. Apeteceu-lhe acariciá-la. – Hoje fui assediado a noite toda por homens que queriam que os apresentasse a si.

- A sério? – revelou uma expressão de surpresa. – Oh, peço imensas desculpas! Não queria ter vindo para tornar a sua noite num inferno, senhor Taisho!

- Não tornou, não se preocupe. Como sabia que não estava disposta a tornar-se no centro das atenções, disse-lhes que estava ocupada com outros assuntos e que não estava disponível. Parece, no entanto, que, nem mesmo com todos aqueles que afugentei, a menina pôde ter uma noite sossegada.

- É verdade. Ainda sinto os pés doridos de tantas vezes que dancei. – riu-se. – Mas, apesar disso, gostei de ter dançado, senti-me como uma autêntica Cinderela.

- Espero que fique depois da meia-noite. – disse com a voz rouca e virando-se para ela.

Rin virou-se também, perdendo o sorriso, sentia-se estranha perto dele. Havia uma leve tensão entre eles que não sabia dizer muito bem o que era. O corpo de Sesshoumaru aproximou-se, ela sentiu-o. O seu cheiro, o seu calor, a sua presença. Lambeu o lábio, ansiosa e nervosa.

De repente, Sesshoumaru agarrou-a pela nuca com uma mão e beijou-a profundamente. Apanhou-a tão de surpresa que não conseguiu reagir e ele aproveitou para deslizar a língua para dentro da sua boca. Rin não conseguiu pensar, agiu por puro instinto, nunca tinha sentido nada parecido. Gemeu quando ele a beijou com mais ferocidade e perdeu a força nas pernas.

Sesshoumaru rodeou-lhe a cintura e apertou-a contra si, espremendo a erecção contra a sua barriga. Rin segurou-se ao pescoço dele como se fosse cair de um precipício e voltou a gemer.

Oh, deus! Nunca tinha sido beijada e, certamente, nunca daquela maneira! Aquilo superava todos os níveis das suas fantasias!

- Sesshoumaru… - suspirou quando ele passou a lhe beijar o pescoço, cego de desejo.

A primeira vez que ela o chamava pelo nome! E soava-lhe tão bem!

Sesshoumaru rosnou e avançou com ela pela popa até a encostar contra a parede, num canto escuro e isolado. Colocou as duas mãos na cintura dela e encaixou um joelho atrevido no meio das pernas, voltando a beijá-la para calar os gemidos.

Estava louco, concluiu. Ele não conseguia afastar-se dela, era simplesmente impossível. Tinha a certeza que só um exército seria capaz de o agarrar e tirá-lo de cima dela, naquele momento.

- Minha… - murmurou, mordendo-lhe o pescoço.

Rin gritou. – Sesshoumaru! – agarrou os cabelos dele e pressionou-o mais, entregando-lhe a garganta como se fosse um banquete.

O youkai subiu as mãos para cima, ladeando as suas curvas até que chegou aos seios e apertou-os. Foi o suficiente. Rin gritou e deixou-se cair. Sesshoumaru apertou-a contra si, segurando todo o seu peso e beijando-lhe e mordendo-lhe a parte visível dos seios, movendo o joelho contra o centro das suas pernas.

- Sesshoumaru?

A voz de um dos seus colegas de negócios chamou-o à razão. Abriu os olhos e olhou para Rin. Ninguém os veria ali, a não ser que saíssem para a popa, mas o seu colega não tardaria a fazê-lo para o procurar. Não queria que o encontrassem ali com Rin naquele estado. Não queria que a vissem tão perfeita, ainda com o calor da paixão. Aquela visão era só dele.

- Sesshoumaru? Estás aí? – voltaram a chamar.

Fitou os lábios vermelhos e inchados e tocou-os com o indicador, ouvindo a respiração entrecortada dela. Tão linda. Tão pura. Apostava tudo como era virgem ainda. Não estava preparada para o seu ataque apaixonado e por isso deixou-se levar e surpreender daquela maneira. Quase desfalecera nos seus braços.

- Tão linda… - murmurou, acariciando o lábio inferior com delicadeza. Voltou a beijá-la, desta vez com suavidade, e retirou o joelho de entre as suas pernas. – Não fujas, eu volto num instante.

Beijou-a uma última vez e deixou-a, indo ao encontro do seu colega.

Rin passou a mão pelos cabelos e continuou a regular a respiração. Meu deus! Que ataque! Sesshoumaru era extremamente quente! Levou a mão ao peito, numa tentativa de acalmar o coração jovem. Precisava se esconder dele. Se ele voltasse, tinha a certeza que não seria capaz de o parar e ele acabaria por a levar para o quarto. Tinha a certeza que o seu corpo traidor não resistiria ao seu toque escaldante.

Tinha que se esconder.

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Inuyasha pousou a embalagem pesada do óleo no chão e passou o antebraço pela testa para limpar a sujidade e o suor. Trabalhou a dobrar desde que deixara Kagome na popa. Apesar de estar zangado com ela, partiu-se-lhe o coração ao ouvi-la chorar enquanto descia as escadas.

Lutou contra o instinto de correr escada acima outra vez e tomá-la nos braços, fazê-la prometer-lhe que ficaria com ele para sempre e que acabaria com aquele casamento.

Mas era impossível. Ela era rica e ele era pobre. Que típico.

Ouviu alguém chamá-lo, uma voz doce, e contornou as máquinas para encontrar Rin do outro lado, com os olhos muito arregalados e assustados.

- Inuyasha? Estás aí? – perguntou por cima do barulho das máquinas.

- O que queres?

Aproximou-se e sentou-se numa máquina baixa. Estavam sozinhos naquela zona, os outros estavam na outra ponta da sala, a trabalhar com outras máquinas. Pegou num pano sujo e limpou as mãos cheias de óleo.

- Vim procurar-te. Acho que precisamos conversar agora.

- Achas que sim?

- Inuyasha… Ouve…

- Porque me fizeste de parvo todo este tempo? Pensei que éramos amigos. – riu-se com sarcasmo. – Não! Eu pensei que éramos como irmãos! Na tua terra, os irmãos fazem isto uns aos outros?

- Eu sei que estás zangado, mas eu queria contar-te.

- Então porque não me contaste?

- Porque a Kagome não me deixou. Eu disse-lhe que tu odiavas pessoas ricas e ela achou que era melhor não saberes as suas origens. Ela tinha medo de te perder! – chegou-se perto dele. – Ela gosta tanto de ti que não queria que a odiasses por ser quem é. Ela ama-te!

- Se ela me amasse, não me mentia! Muito menos tu! Protegi-te tantas vezes, ajudei-te quando tinhas medo do Sesshoumaru! É assim que me retribuis?

Rin abriu e fechou a boca. Depois, baixou a cabeça e deixou uma lágrima cair. – Perdoa-me.

Inuyasha ficou a olhar para ela durante muito tempo. Deixou-a chorar à sua frente e depois suspirou, derrotado. Era impossível alguém se zangar com Rin. Ela era irresistível. Não conseguiu mais e abraçou-a.

- Anda cá, Rin mou. – encostou a cabeça dela ao pescoço e pousou o queixo no seu cabelo escuro. – Eu perdoo-te. Mas promete-me que não me mentes mais.

- Nunca mais! Eu prometo! – abraçou-o com força e deixou-se ficar assim muito tempo.

Quando se separaram, Inuyasha exclamou quando olhou para ela.

- Santa Mãe de Deus! Que te aconteceu, Rin? – tocou-lhe nos lábios inchados. – O que te aconteceu aos lábios?

Rin tocou-os e surpreendeu-se ao senti-los tão volumosos e sensíveis. Inuyasha desceu o olhar e viu uma marca vermelha no seu pescoço e mais duas iguais na parte de cima do seio direito. Viu tudo vermelho.

- Quem te atacou? Magoou-te? Diz-me quem foi e eu mato-o! – segurou-a pelos ombros. – Violaram-te?

- Não! – afastou-se e sentou-se na máquina onde ele estivera antes. – Ele não me magoou.

- Tens três marcas na pele, Rin. Uma aqui. – tocou-lhe no pescoço. – E duas aqui. – pegou na mão dela e pô-la sobre o seio. – Alguém te beijou e mordeu. Diz-me quem foi.

- Ele não me magoou. Eu… - corou enquanto tocava na marca do pescoço. – Eu deixei.

- Mas quem diabos foi? – gritou.

- Ele. – sussurrou. – Sesshoumaru.

Inuyasha arregalou os olhos e quando falou, a sua voz saiu baixa e cansada. – Eu disse-te que ele te queria. Eu disse-te para teres cuidado! Quando te deu o vestido tinha segundas intenções em mente! – sentou-se a seu lado e passou um braço protector pelos seus ombros magros. – Magoou-te muito? Foi bruto contigo? O que te disse quando acabou?

Rin bateu-lhe na mão e olhou-o para onde estaria o seu rosto com um ar zangado.

- Ele não fez isso que estás a pensar. O Sesshoumaru só me beijou, nem sequer estivemos num quarto. Estávamos na popa!

- Quer dizer que continuas intacta?

- Sim!

Inuyasha suspirou de alívio. Muito alívio. Sentira-se culpado ao pensar que ela fora desflorada e ele não a tinha protegido como devia.

- Ainda bem! Mas… - olhou para ela, desconfiado. – Como conseguiste livrar-te dele?

- Eu… - levantou-se, deu alguns passos e parou, de costas para ele. – Alguém o chamou e ele deixou-me por uns instantes. Aproveitei para fugir para aqui. Não… Não estava preparada para o que aconteceu entre nós. Aconteceu muito depressa. – virou-se para ele com os dedos nos lábios e um olhar distante e sonhador. – Nunca tinha sido beijada antes, Inuyasha, e a forma como ele o fez foi tão… Senti-me tão… quente e… desejada que…Ai! – tapou o rosto com as mãos, de tão envergonhada que se sentia.

Inuyasha sorriu. Ao menos Sesshoumaru tinha feito com que o primeiro beijo de Rin fosse uma lembrança positivamente inesquecível.

- Pronto, pronto. Acalma esse coraçãozinho. Ficas aqui comigo mais algumas horas e depois podes fugir para o teu camarote. – puxou-a e abriu as pernas para que ela ficasse a pé entre elas e abraçou-a pela cintura. Rin sorriu e abraçou a sua cabeça contra os seios. – E certifica-te que trancas a porta durante a noite. Não só por causa dele, mas pelos outros convidados também. Porra, nunca te vi tão bonita!

Ela sorriu e beijou-lhe o cabelo, largando-o para que pudesse voltar ao trabalho enquanto ela ficava por ali a conversar com ele.

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Já era perto das três da manhã quando Rin se despediu de Inuyasha e saiu da sala das máquinas pelas escadas que davam para a popa. Estava a cair de sono. Quando aterrasse na cama, dormiria que nem um anjinho.

Gritou quando duas mãos enormes a puxaram para trás e as suas costas bateram contra um imenso peito quente. Uma respiração morna soprava-lhe no pescoço e a voz profunda murmurou-lhe no ouvido.

- Disse-te para não fugires de mim, agapi. – uma língua escaldante subiu pelo pescoço acima até à orelha. – Desobedeceste-me. – os lábios fecharam-se sobre o lóbulo. – Terei de te castigar. – introduziu a ponta da língua no ouvido.

Rin fechou os olhos com a respiração entrecortada e apoiou-se nele, para evitar cair. Estava perdida. Sesshoumaru apanhara-a mais depressa do que pensara. Nem sequer chegara ao pé das escadas exteriores que davam para o corredor dos quartos. Que tristeza.

Sesshoumaru virou-a para si e beijou-a. Não obstante, Rin resistiu.

- Abre-te para mim, agapi. – lambeu-lhe os lábios e fitou-a. – Deixa-me beijar-te da forma que mereces.

- Sesshoumaru… Não. Não podemos…

Ela abraçou-a pela cintura com mais força. – Não podemos? Estás enganada. Podemos, sim. Eu quero-te, tu queres-me, o que nos impede?

- Eu…

- Além disso, és minha. – acariciou-lhe o pescoço com os lábios até à marca que tinha no lado esquerdo. – Tens uma marca que o prova. – disse com orgulho.

Rin fechou os olhos e suspirou, rendida.

Sesshoumaru beijou-a novamente e, desta vez, enfiou a língua pela sua garganta e explorou-a com ferocidade. Rin tinha a mais doce das bocas! Puxou-a para si e pousou ambas as mãos nas nádegas firmes aproximando-a da prova mais evidente do seu desejo.

Oh, estava doido para a possuir. Não via a hora de se enterrar entre as suas pernas, profundamente dentro dela, sentido o seu corpo nu a retorcer-se de prazer debaixo do seu.

Sem aguentar mais um segundo, pegou nela ao colo e levou-a escada acima, caminhou pelo corredor e encontrou o seu camarote. Ainda bem que a maioria dos convidados só se deitaria depois das quatro da manhã, talvez cinco.

Entrou na sua suite e fechou a porta com as costas. Pousou Rin no chão e encostou-a de imediato contra a parede, voltando a possuir-lhe a boca.

Rin passou os braços à volta do seu pescoço e gemeu profundamente. Sesshoumaru pressionou-a ainda mais e pegou num joelho e subiu-o até ao seu quadril, movendo as ancas contra o centro dela, esfregando a erecção. A morena voltou a gemer, mas mais alto, sentindo-se completamente dominada e deliciosamente presa entre a parede e os braços e o corpo estonteante daquele homem.

Sesshoumaru desviou o vestido e apertou a coxa nua com generosidade, roubando-lhe mais gemidos e mais beijos. Movia as ancas ao ritmo perfeito, enfiava e tirava a língua da boca dela, imitando o acto sexual. Estava a prepará-la para o que viria. Não estava disposto a deixá-la sair daquele quarto sem a possuir. E sabia que se a possuísse, não… quando a possuísse, não a deixaria sair da cama naquela noite nem na manhã seguinte. Faria amor com a sua pequena a noite toda, em todas as posições que conhecia e que conseguisse antes de caírem no cansaço.

Puxou-a até à cama e fê-la deitar-se. Rin abriu os olhos, amedrontada e puxou o corpo para o topo da cama, como se procurasse amarrar-se ao último fio de sanidade com todas as suas forças.

- É inútil, Rin mou. – comentou, tirando o casaco e desapertando a gravata. – Esta noite és minha.

- Senhor Taisho, acho melhor nós não…

- Agora voltei a ser o senhor Taisho? – riu-se levemente, tirando a camisa. – Gosto mais quando me chamas pelo meu nome. – gatinhou por cima dela e prendeu os seus pulsos contra o colchão, prendendo-a com o seu corpo. – Di-lo outra vez. Diz.

- Não… - murmurou de olhos fechados. – Tenho que ir embora, é melhor…

Sesshoumaru mordeu-lhe o pescoço novamente, deixando-a sem fôlego. Chupou a pele com força e por fim lambeu-a docemente.

- Diz.

Ela abanou a cabeça e ele sorriu. Tão teimosa… Beijou o peito e desceu com a língua até ao início dos seios, forçou o decote para baixo, quase o rasgando e os montes de carne tornaram-se mais salientes e tentadores. Descontrolado, rasgou-lhe o vestido pelo decote e tomou os seios nas mãos, guloso. Rin arqueou-se instintivamente para ele, pedindo mais.

- Sesshoumaru!

Sesshoumaru abocanhou-lhe um seio, sem nem sequer se dar ao trabalho de explorar os mamilos com calma, primeiro. Lambeu-o, chupou-o e mordeu-o, depois trocou e deu igual prazer ao outro. As mãos dela foram parar aos cabelos dele e apertaram a cabeça conta o peito, desesperada e gemendo alto.

Sesshoumaru abriu-lhe as pernas e acomodou-se entre elas enquanto a abraçava com força pela cintura e a puxava para cima, devorando-lhe os seios. Naquela posição, Rin sentiu-se possuída. Sesshoumaru era tão grande que a obrigava a ter as pernas o mais afastadas possível para o acomodar e era tão pesado e tão quente que a deixava louca. Além disso, aquela boca obrava milagres nos seios e teve a sensação que se ele parasse, o obrigaria a dar-lhe mais prazer.

Sesshoumaru estava descontrolado. Nunca quisera tanto uma mulher, sempre se orgulhara de controlar as suas paixões, mas agora… Rin cegava-o de desejo. Fazia-o actuar como um animal no cio. Completamente descontrolado e desesperado.

Forçou o tecido e rasgou a parte da frente toda e deixou-se ficar a olhar para a quantidade de pele pálida exposta. Oh, Santo Céu! Era ainda melhor do que imaginara! Tirou o que foi outrora um lindo e caríssimo vestido fino e observou-a com fome. Pura fome masculina e sexual. Arrebatou-lhe as cuecas e Rin agarrou-o pelas mãos quando tentou abrir-lhe as pernas, de forma a ver a sua parte mais íntima.

- Não!

- Agapi, não tenhas medo de mim.

- Não quero que me vejas.

- Mas eu vou ver. És minha.

- Por favor… - o seu rosto corado era adorável. – Não quero que me vejas, eu…

Sesshoumaru interrompeu-a, segurando-a pelos joelhos e abrindo-lhe as pernas de repente. Rin gritou e tentou fechá-las, mas ele impediu-a, baixando-se de imediato e colocando os joelhos dela para cima dos seus ombros. Sem esperar mais, mergulhou a boca na carne exposta e sentiu o seu delicioso odor. Era rico e suave. Intocado.

Devorou-a.

Lambeu, beijou, chupou, sugou e mordeu tudo o que pôde, deixando Rin no limite do êxtase e da loucura. Ela contorcia-se e esfregava-se contra ele, pedindo mais e gemendo o seu nome. Sesshoumaru praticamente alimentou-se dela e quando a levou ao seu primeiro orgasmo, não se sentiu satisfeito. Levou-a a um segundo e a um terceiro. Quando atingiu o quarto, achou que já estava preparada para o receber.

Levantou-se da cama e baixou as calças, vendo o corpo inerte e suado de Rin esparramado na cama. Estava orgulhoso por lhe ter dado tanto prazer. Os olhos amarelos resplandeciam de satisfação.

Baixou o elástico dos boxers e a erecção saltou para fora, enorme, imponente, orgulhosa. Sempre soube que o seu tamanho agradava as mulheres, apesar de as magoar quando não estavam bem preparadas para ele. Os médicos especialistas que tinha visitado de rotina, diziam-lhe que era um dos poucos casos em que o seu membro atingia um tamanho de maturidade extraordinariamente grande. Não que fosse uma aberração, não era. Diziam apenas que era um homem muito sortudo e viril.

Sesshoumaru estava preocupado, acima de tudo. Nunca se preocupara com as prostitutas e outras amantes que tivera, mas Rin era diferente. Era virgem. Um pénis de tamanho pequeno podia magoá-la facilmente na primeira vez, o seu então… rasgá-la-ia. Por isso preocupara-se em prepará-la tão bem. Assim, molhada como estava, não lhe ia doer tanto.

Gatinhou para cima dela e acariciou-lhe a face. Os olhos amarelos abriram-se lentamente, lânguidos e húmidos, e Sesshoumaru percebeu que nunca se esqueceria deles. Mesmo se nunca mais visse aquela mulher outra vez. Estavam-lhe gravados na alma.

- Abre-te para mim, meu amor. – pediu suavemente.

Ela corou e fechou as pernas. Pegou na mão dela e levou-a ao seu membro inchado. Rin abriu muito os olhos, assustada com o seu tamanho.

- Não… - engoliu em seco, visivelmente transtornada. – Não vai caber…

- Vai, sim. – acariciou o pescoço com a ponta do nariz. – Confia em mim. Quero fazer-te minha.

- Sesshoumaru… - murmurou, fechando novamente os olhos, deixando-se levar pelas carícias do homem experiente.

Abriu as pernas e permitiu que ele se deitasse em cima dela. Sesshoumaru beijou-a levemente antes de tomar o seu membro na mão e guiá-lo para o centro dela. A ponta húmida e quente tocou na sua entrada e Rin gemeu. Sesshoumaru pousou as duas mãos no colchão, uma em cada lado da sua cabeça e forçou a entrada, muito lentamente. Encontrou instantaneamente a resistência natural de Rin. Os músculos internos não estavam acostumados àquela invasão e contraíram-se, impedindo a sua passagem. Rin voltou a gemer e mordeu o lábio inferior quando Sesshoumaru voltou a insistir e a empurrar para a frente. Olhou para baixo, para a união dos seus corpos.

Praguejou. Não ia conseguir. Era demasiado grande e Rin demasiado apertada. Só a cabeça tinha entrado e com muito esforço. Voltou a forçar a entrada e avançou um pouco mais, mas desta vez teve de parar. Encontrou a barreira de virgindade. Sentindo-se o homem mais sortudo do mundo por ser o seu primeiro, deitou-se completamente sobre ela e beijou-a profundamente, sugando a sua língua e estimulando-a ao máximo. Quando teve a certeza que Rin estava entretida demais com o beijo, penetrou-a por completo, entrando nela e rasgando o seu véu de pureza.

Rin parou de o beijar e gritou, as lágrimas formando-se no canto dos olhos e as unhas a arranharem as costas musculosas. Sesshoumaru murmurou-lhe palavras doces e acariciou os cabelos escuros e a face tensa. Quando se acalmou, abriu os olhos e olhou directamente para ele. Sesshoumaru ficou surpreso por um instante. Era a primeira vez que o olhava tão directamente, como se pudesse realmente vê-lo.

Rin sorriu docemente e tomou o seu rosto entre as mãos.

- Amo-te.

E beijou-o. Sesshoumaru foi consumido por ela, pelo seu beijo, pelo seu cheiro, pelo seu calor, pelas suas palavras e pelo seu corpo. Começou a mover-se dentro dela e saiu, depois entrou e voltou a sair para voltar a entrar novamente. Aumentou o ritmo, ouvindo os suspiros femininos e beijando o seu pescoço.

- Oh, Rin… - murmurou contra os caracóis negros, como se sofresse. – Quero-te tanto!

Ela arqueou-se para ele, oferecendo-se e ele aceitou tudo. Segurou-lhe um joelho acima dos quadris e penetrou-a com mais força e lentidão, estirando-a tanto que julgou chegar-lhe à cerviz.

Rin nunca se sentiu tão possuída na vida. Sesshoumaru entrava nela com autoridade e força, como se fosse o seu dono. A sua grossura era impressionante e o prazer que a devastava era indescritível. Abriu mais as pernas, o máximo que pôde, arqueou as costas para ele, oferecendo-lhe os seios e o pescoço, e deixou cair os braços sobre o colchão. Abandonava-se completamente. Era dele. Desde a primeira vez que se encontraram, no apartamento dele. Sabia-o, só que nunca o tinha admitido. Sentiu o corpo musculoso mover-se de outra maneira. Ouvia o ruidoso respirar do seu amante, como se rosnasse, sentiu o cheiro característico dele tornar-se cada vez mais forte. Ele ajoelhou-se e sentou-se sobre as pernas. Puxou-a com força pelas ancas e não teve outra opção senão gritar de prazer ao senti-lo mais dentro de si.

Sesshoumaru gritou quando se enterrou bem fundo nela e atirou a cabeça para trás, pensando que ia desfalecer de prazer. Continuou a bombeá-la e olhou para ela. O seu corpo magnífico era só dele. Só ele é que a possuiria, apenas ele a veria daquela forma. Era dele. De mais ninguém.

Insatisfeito, saiu de dentro dela, observando como os músculos dela relaxavam e tremiam de frio pela sua saída repentina.

- Sesshoumaru? – ela chamou. Avançou as ancas na sua direcção e choramingou. – Não pares, por favor…

- Queres mais? – debruçou-se sobre ela e beijou-lhe os lábios lentamente, profundamente.

- Sim…

- Vira-te, então. – sussurrou.

Rin obedeceu de imediato e ele afastou-se um pouco para lhe dar espaço de manobra. Quando a teve sob si, com aquele traseiro lindo para o ar, beijou-lhe as costas, desviando os caracóis largos abundantes. Desceu muito lentamente, torturando-a impiedosamente, e mordiscou uma nádega. Quando ouviu um queixume de dor e prazer, sorriu atrevidamente.

Beijou-lhe o rosto e o pescoço enquanto enfiava dois dedos dentro dela. Rin choramingou, exigindo mais prazer. Mas ele foi teimoso, e brincou com ela até a fazer chegar ao orgasmo, usando três dedos. Quando ela recuperou, ele passou um braço por baixo dos seios e levantou-a, pondo-a de quatro, segurou-a com firmeza pelas ancas e penetrou-a com toda a força.

Rin gritou bastante alto e Sesshoumaru sorriu a pensar que todos a deveriam ter ouvido. Possuiu-a como se não houvesse amanhã. Bombardeou-a de tal forma que os cabelos dela abanavam com os seus movimentos. Caiu sobre ela e segurou os seus seios com uma mão, apoiando-se no colchão com a outra e continuando a montá-la.

Não estava a fazer amor, nem a seduzir. Estava a acasalar. Como um macho solitário que finalmente encontrava a sua fêmea.

Deitou-a de novo e voltou a encaixar-se entre as suas pernas, montando-a com força. Rin agarrou-se a ele com todo o seu corpo. Envolveu-o com os braços e rodeou as ancas esguias com as pernas, permitindo uma penetração muito mais profunda. Adorava os seus gemidos roucos, as vezes em que lhe dizia que era dele, as vezes em que lhe dizia que ela o enlouquecia.

Atirou a cabeça para trás quando se veio. O orgasmo a rasgá-la sem dó nem piedade, os gritos a brotarem-lhe da garganta seca. Sesshoumaru bebeu todos eles, num beijo profundo, enquanto procurava agora a sua satisfação.

Estava quase no auge, não aguentaria mais. Aumentou o ritmo e diminuiu a distância entre eles, dando estocadas mais curtas, fortes e rápidas. Quando se veio, gritou, dilacerado pelo prazer indescritível. E enquanto permanecia na névoa deliciosa do orgasmo, murmurou-lhe coisas em grego. Coisas sentidas, profundas e graves, que em outras circunstâncias nunca admitiria.

Chamou-lhe a sua agapi mou, pediu-lhe que nunca o abandonasse, que lhe permitisse possuir o seu corpo para sempre. Pediu-lhe bebés. Meu deus! Falara como um tolo.

Ronronou-lhe ao ouvido quando finalmente se deu por satisfeito e rodou com ela na cama, deitando-se de costas e puxando-a para o seu peito largo. Quando a abraçou pela cintura com um braço, sentiu a mão pequena dela acariciar-lhe o peito e um suspiro trémulo abandonou-lhe a boca. Estava cansada. E ele foi o responsável por isso. Pelo seu cansaço e pela sua satisfação.

Olhou para ela e sorriu ao ver os olhos amarelos brilhantes e húmidos. O seu corpo suado e curvilíneo aninhado contra o seu, nu. Beijou a sua testa e pousou o outro braço sobre a cintura fina.

- Estás bem?

Ela assentiu ligeiramente, caindo no sono a pouco e pouco. Mas então, surpreendeu-o olhando outra vez dentro dos seus olhos e sorriu magnificamente. Levantou uma mão pequena e tocou-o no rosto.

- Toda a minha vida, desejei poder ver de novo. Mas, durante todos esses anos, nunca o desejei mais do que agora. Daria a minha própria alma para poder olhar para ti agora e ver se és tão bonito como dizem. Como um anjo. – suspirou, e deixou a mão cair no seu peito, os olhos cheios de lágrimas.

Sesshoumaru beijou-a e voltou a deitar-se em cima dela.

- Tu vês-me melhor do que o resto do mundo, agapi. Ninguém me vê como tu, que me olhas por dentro e me fazes sentir coisas que nunca senti antes. – beijou-a e penetrou-a sem aviso. Rin espantou-se com o seu poder. Sabia que os homens demoravam muito tempo para voltarem a fazer amor outra vez, e ele demorara apenas uns minutos.

Aquelas palavras, sabia, eram a coisa mais próxima de um 'amo-te' que receberia dele. Sesshoumaru não se apaixonava por ninguém, ele era um homem, e como o resto da sua espécie, era movido pela luxúria e pelo desejo. No entanto, ele tinha o dom de a fazer esquecer o mundo e os seus próprios pensamentos com algumas carícias e foi o que fez. Possuiu-a a noite toda nas mais variadas posições, surpreendendo-a deliciosamente.

Tinha-o chamado de anjo, mas enganara-se. Sesshoumaru era um autêntico demónio na cama. Deveria ser a reencarnação do deus do sexo, pois não se cansou enquanto não a levou ao limite da exaustão e da satisfação. Só ficou contente quando, depois de lhe dar o milésimo orgasmo devastador, Rin adormeceu assim que ele saiu de dentro dela.

Sesshoumaru sorriu como há muito não sorria e virou-a de lado, abraçando-a por trás como um amante possessivo, com um joelho entre as suas coxas, os braços à sua volta, uma mão nos seios e o rosto no seu pescoço.

Só quando a teve daquela forma nos braços é que se rendeu ao sono e ao cansaço. Enquanto a luz da manhã invadia o quarto.

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Continua…

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