Capitulo 11
Estacionou a caminhonete no lugar de sempre. Desceu dela e foi a passos lentos para a porta da casa. Estacou em frente a ela, sem saber ao certo se devia entrar ou simplesmente sumir dali de uma vez.
Ainda estava se decidindo quando a porta abriu revelando a última pessoa que queria ver no mundo.
_Oi, irmão. – Jason cumprimentou, a cara de sono e ainda de pijama. – Você não dormiu em casa ontem né, safadinho! – e riu divertido pegando a mão do irmão e o puxando para dentro de casa. – A mãe já ta fazendo café e tem torta de limão. –continuou, sem se importar com o olhar aterrorizado que Jensen lançava para os lados.
Não queria encontrar Misha ali, ou melhor, queria, mas não queria. Isso por acaso parece confuso?
Foi se deixando levar pelo irmão até a cozinha, a mãe estava de avental enquanto arrumava a mesa e Jensen suspirou ao ver que o cunhado não se encontrava ali. Achou que seria uma boa hora para comunicar sua decisão, já que tinha passado a noite em claro tentando resolver um problema que ele mesmo havia criado.
_E-eu tenho uma... Novidade, pra vocês. – começou, meio vacilante.
_Ah, os convites do casamento? – perguntou Jason afoito. – Só podem ser os convites, eu vi eles parcialmente, mas a Dan é malvada não me deixou...
_Não é sobre os convites, Jason. – cortou, sem querer ser rude.
A mãe virou na direção deles nesse momento, queria conversar com Jensen, queria pedir desculpas pelos anos em que tinha o maltratado, pelos anos em que tinha simplesmente ignorado a presença dele.
_Eu posso conversar com você antes? – pediu, olhando para Jason que de repente sorriu grandemente, já sabendo do que se tratava.
_Bom, então eu vou sair. – disse ele, pegando uma maçã e saindo.
_Mas, eu nem...
_Jensen. – chamou e o olhar verde encarou os olhos da mãe. – Filho, eu...
Jensen sentiu como se fosse enfartar, não se lembrava quando tinha sido a última vez em que sua mãe tinha lhe chamado de filho e aquilo o fazia pensar em tudo que tinha acontecido em sua vida, desde o fato de ter que sustentar a casa desde os doze anos até aquele momento, onde tinha se apaixonado pelo cunhado e poderia destruir a família inteira.
_O que foi, mãe? – perguntou, sentando-se na cadeira que ela tinha indicado, em sua cabeça milhares de perguntas se formando.
Será que ela tinha visto o beijo? Será que ela desconfiava que ele gostava de Misha? Será que por acaso ela iria lhe mandar embora? Não que esta última lhe preocupasse já que sua decisão tinha sido a de ir embora, para nunca mais olhar para Misha.
_Eu só quero que você...
_Me desculpe. – disse antes que ela terminasse de falar. – Eu não quis. Quero dizer... Eu quis sim, e eu sei que é errado, mas eu só não consegui... Me conter. – e as lagrimas rolaram de seus olhos.
Donna olhou preocupada para o filho, nunca o tinha visto assim antes, tão devastado, como se carregasse o peso do mundo nos ombros. Sentiu o peito apertar e fez o que qualquer mãe faria.
Jensen quase não acreditou quando sentiu os braços magros e fracos da mãe o abraçarem, ela não podia estar alisando seus cabelos, muito menos beijando seu rosto enquanto dizia que estava tudo bem. Aquela não era sua mãe, não podia ser.
Sua mãe, Donna, deveria estar lhe dando vassouradas como da vez em que roubou a farmácia, ela não deveria estar lhe abraçando, ela não fazia isso consigo, será que por algum acaso ela estava a lhe confundir com Jason?
_Mãe... Eu sou o Jensen. – disse quando sua voz finalmente saiu.
Donna riu baixinho, os olhos fechados enquanto ainda abraçava o filho.
_Eu sei Jensen, eu sei. – disse, apertando-o mais contra si. – Me desculpe você, meu filho. Eu não fui a melhor mãe do mundo, me desculpe por não te dar o que você merecia, me desculpe por ser aquela pessoa horrível, eu te prometo que não farei mais nada daquilo, você é tão importante pra mim, querido.
Jensen fechou os olhos e mordeu os lábios.
Sua mãe estava lhe abraçando, estava pedindo desculpas, estava praticamente dizendo que o amava. Logo agora... Logo agora que quem estava se tornando o vilão era ele, logo agora que iria embora para bem longe, é, talvez a vida não fosse justa consigo, lhe dando as coisas que mais almejava nos momentos errados, exatamente como aconteceu com Misha.
Foi ao pensar nele que sua consciência voltou, se sentiu partido, quebrado, imundo e se deixou desmoronar ali, naquele aconchego que antes lhe era negado, se deixou ficar ali, aproveitando a primeira demonstração de afeto depois de todos aqueles anos, porque a partir do dia seguinte, não a veria mais, nem seu irmão... Nem Misha.
Mordeu os lábios, o peito comprimido e a dor parecendo dilacerar seu corpo, aquilo tudo era tão injusto!
_Está tudo bem, querido. – disse ela. – Meu amor, está tudo bem. – e a única coisa que Jensen pode fazer foi balançar cabeça negativamente. – O que aconteceu? – perguntou, preocupada. – Conta pra mim, Jen. – e ele novamente balançou a cabeça.
_Eu não posso mãe, me desculpe. – e apertou os olhos, impedindo que mais lágrimas caíssem.
Jason sorria enquanto olhava Misha dormindo.
Não costumava fazer esse tipo de coisa, não era de seu feitio, era uma pessoa agitada demais, criativa demais para simplesmente parar e prestar atenção em algo, era ocupado demais para perder alguns minutos olhando para quem quer que fosse.
Misha era tão lindo, mordeu os lábios e depois sorriu para si mesmo, já fazia algum tempo que queria desenhá-lo, mas o moreno sempre dava um desculpa qualquer.
Foi até a mesa que ficava no quarto e o mais silencioso que pode, pegou sua prancheta e um lápis. Fez alguns esboços, mas não era como se conseguisse transportar o moreno para a folha.
Suspirou frustrado, e numa última tentativa conseguiu fazer alguns traços, olhando com adoração para o desenho que finalmente tomava a forma de seu namorado.
Viu Misha se mexer e então abrir parcialmente os olhos, era exatamente isso que queria registrar, o despertar daquelas lindas safiras. Desenhou os olhos semi-abertos, ainda sonolentos e com ar de suavidade, adorou sua criação.
_Jason? – a voz rouca chamou seu nome e foi obrigado a olhá-lo. – O que está fazendo? – o ouviu perguntar enquanto coçava um dos olhos.
_Estava fazendo você. – respondeu simplesmente, deixando de lado os materiais que tinha usado.
_Do que está falando? – perguntou, voltando a afundar a cabeça no travesseiro macio.
_Eu desenhei você. – disse, beijando um dos ombros descobertos. – Eu finalmente consegui criar a minha melhor obra.
Misha encarou os olhos verdes de Jason e sorriu de leve.
_Jason, você recriou a Monalisa e fez tantos outro quadros, como pode dizer que essa é sua melhor obra?
_Porque é você. – respondeu simplesmente. – Não tem nada mais perfeito que você.
_Você não pode falar essas coisas pra mim, eu acabo acreditando. – disse divertido, levantando o tronco e sentando na cama.
Jason sorriu.
_Eu estou falando sério!
_Aham. – e balançou a cabeça.
Estava com preguiça de levantar, queria voltar a dormir, porque no seu sonho, depois de lhe beijar, Jensen não ia embora e nem lhe pedia desculpas pela melhor coisa que tinha lhe acontecido. Suspirou fundo, pensando se Jensen ainda estava fora de casa.
_Você não vem tomar café? – ouviu Jason perguntar.
_Vou tomar um banho antes. – respondeu, levantando lentamente como se tivesse um elefante em seu colo, o que fez Jason rir escandalosamente.
_Então tá. – disse o namorado. – Só não demora muito, Jensen disse que tem uma novidade.
_O Jen está aí?
De repente todo aquele desanimo em levantar pareceu se evaporar do corpo dele. Jensen já tinha voltado então, mas que novidade seria essa?
_Tá sim, ele chegou agora a pouco, estava com uma cara péssima, mas então a mãe quis conversar com ele, acho que finalmente vão se acertar.
_Isso... Isso é bom. – respondeu simplesmente, sem capacidade para falar outra coisa, já que sua cabeça começava a repetir constantemente o beijo que trocaram.
Jason saiu do quarto com uma sensação estranha, mas não falou nada. Misha tinha ficado estranho depois dele falar que o irmão estava ali, era como se... Bem, não saberia explicar, mas não foi uma sensação muito boa.
Misha parecia interessado demais em Jensen ter voltado, alguma coisa devia ter acontecido e para piorar seu cérebro continuava gritando que Jensen era apaixonado por Misha, e esse sentimento era recíproco. Fechou o punho e socou de leve a parede.
_Não. – disse baixinho. – Isso tudo é só coisa de sua cabeça, o Jensen vai se casar, mas porque é que eu acho que ele não está feliz com a Danneel?
Deixou as próprias perguntas de lado e entrou na cozinha novamente, puxou assunto com a mãe e com Jensen, tentando esquecer aquele incomodo que a toda hora lhe fazia imaginar o irmão beijando Misha.
Só podia estar ficando louco!
Tudo parecia bem agora, Jensen sorria e tinha um brilho no olhar, provavelmente pela conversa que teve com Donna, e isso deixava Jason consideravelmente feliz, estava distraído comendo um pedaço de torta quando irmão falou algo que o fez arregalar os olhos e derrubar o pedaço de torta que levava até a boca.
Misha saiu do banho e vestiu uma calça jeans azul, estava bastante calor, foi por isso que colocou uma camisa gola V branca e depois secou os cabelos com a toalha.
Andou devagar até a mesa e encontrou o papel onde o namorado tinha desenhado. Tinha ficado lindo, tinha que admitir, melhor até mesmo que uma fotografia. Jason tinha o dom de conseguir capturar expressões que Misha nunca vira outro artista fazer.
Sorriu para o papel e então o colocou de volta no lugar, não conseguiu achar o chinelo, provavelmente o namorado devia ter pegado. Não se importou. Andou descalço até a cozinha e parou na porta vendo todos reunidos. Estava a ponto de dizer 'Bom dia' quando a voz de Jensen revelou algo que fez seu peito doer.
_Eu consegui um quarto, vou embora. – disse, o semblante neutro, mesmo que seu coração sangrasse. – Estou me mudando para perto da oficina, mas é só até Jim achar um substituto, e então eu vou embora da cidade.
_O quê? – a voz saiu antes que pudesse conter, de repente todos os olhares estavam em si e Misha só queria que Jensen respondesse a maldita pergunta.
N/a: Meus amendoins, que review's lindos que me deixaram *-* leio todos viu, e é muito bom saber que vocês estão gostando, e sim eu sei que é difícil torcer apenas para um deles, mas né... Até o próximo = *
