AGORA O DESTINO DA TERRA MÉDIA ESTA NAS MÃOS DE UM HOMEM.

OU SERIAM DOIS?

O SENHOR DOS DRAGÕES

By Dama 9

Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas as valkirias, Alanis, Aaron, Cadmo e Emmus são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.

Boa Leitura!

Capitulo 11: A beira de um colapso.

.I.

Encostou-se na parede, vendo uma a uma, as jovens valkirias entrarem na sala das armaduras. Todas sem exceção, pareceram confusas quando os cavaleiros pediram que elas com cuidado tocassem as armaduras.

Nada, elas continuavam a não reagir. Isso era muito estranho, toda armadura sagrada tinha vida, elas simplesmente não funcionavam se não tivessem. O que lhe levava a crer que elas não passavam de um complemento para a decoração do lugar do que realmente, para protegê-las.

-O que isso tudo quer dizer? –Leda indagou, chamando-lhe a atenção.

-Nós ainda não temos um diagnostico preciso; Kanon respondeu dando um suspiro cansado. –Mas infelizmente as noticias não são boas até agora;

-As armaduras são novas, o que pode ter acontecido com elas? –Coralina indagou, enquanto de soslaio, via Amélia em frente a sua armadura estudando-a com o cenho franzido.

-Kanon; Milo chamou, enquanto parava em frente às janelas.

-O que foi? –o geminiano indagou, voltando-se para ele.

Não adiantava explicar nada a elas, enquanto o ariano não chegasse, mas que droga, porque aquelas duas horas tinham de parecer trinta e seis?

-Você não deixou o Mú muito irritado, quando ligou pra ele, não é? –Milo indagou, sem voltar-se para ele.

-Do que esta falando Milo? –Aaron indagou aproximando-se da janela, vendo-o apontar para algo lá fora.

-Ahn! Sabe aquela velha história, sobre o quão perigoso é deixar um ariano irritado?- o Escorpião falou indicando a janela. –Bem, se alguém me perguntar, a culpa vai ser toda sua, Kanon; ele completou no momento em que as paredes do castelo tremeram e um cosmo intenso se manifestou-se de uma vez só.

-Por Odin; as valkirias sussurraram, colocando-se aos vidros para ver o desfecho da batalha que se iniciava nos portões do castelo.

-o-o-o-o-o-

Sentiu os pés afundarem na neve e apoiou-se em uma parede. Deixou os orbes correrem para todos os lados identificando o local que foi aparecer. Fechou o sobretudo preto sobre o corpo, impedindo que o vento gelado entrassem.

Para todos os lados que olhava, via casas simples de madeira e algumas com telhado de sapé, tudo muito simples, mas bastante aconchegante. Começou a andar, acostumando-se com a neve, entretanto sua chegada ali não pareceu muito bem vinda, já que ao longo do caminho viu muitas janelas e portas se fecharem antes de passar.

De onde estava, quase no centro do vilarejo, conseguia ver as torres do castelo, não estava muito longe, mas pelo que sabia, não poderia usar telesinese nos limites do palácio, então, teve de encontrar o lugar mais próximo e continuar o resto do percurso a pé.

Suspirou cansado, ainda estava com sono e com um terrível mau humor, sem contar a pequena guerra que travara com o espelho antes de sair. Seus cabelos estavam ficando ainda mais claros. Só esperava sobreviver aos próximos três dias sem fazer nenhuma besteira.

Continuou a andar, vendo-se logo em frente a um campo aberto, mais alguns metros e uma grande ponte em arco ergueu-se a sua frente. Uhn! Então aquela era a famosa ponte arco-íris; ele pensou.

Puxou a ponta do cachecol acinzentando, fazendo-o dar mais uma volta no pescoço. Estava acostumado com o clima frio de Jamiel e até mesmo de Londres, mas nada fora capaz de lhe preparar para aquele frio glacial de Asgard.

-Quem é você? –alguém perguntou.

Olhou para todos os lados, no momento que uma matilha inteira de lobos lhe rodeou. Entretanto, nenhum deu um passo sequer à frente.

Parou os orbes sobre um lobo prateado ao lado do rapaz, que parecia guardar os portões. O lobo aquiesceu e sentou-se calmamente ao lado do dono. Os pelos incrivelmente brancos misturavam-se com a neve, dificilmente veria lobos daquele tamanho em outros lugares; ele pensou.

-Mú de Áries, cavaleiro de Athena; o ariano respondeu, voltando-se para o cavaleiro de melenas esverdeadas.

-Você é esperado, pode vir comigo; Fenrir falou, mas antes que pudesse dar a ordem, para que os lobos se afastassem, viu um a um aproximar-se do cavaleiro, formando um circulo fechado em volta dele. –King; ele chamou, vendo até mesmo o fiel amigo lhe ignorar e seguir com os demais.

Os lobos farejavam o ar e pareciam curiosos com o recém chegado, que não demonstrou nenhuma perturbação com a aproximação deles.

-Então, você faz jus ao nome; Mú comentou, abaixando-se na altura dos olhos do lobo prateado que tomou a frente dos outros.

Ninguém em sã consciência abaixaria a guarda dessa forma para um lobo, mas não estava preocupado com isso. Os orbes de um verde intenso, focalizaram o animal, permitindo que o mesmo perscrutasse o mais fundo de sua alma, com os orbes azuis platinados.

-Eles, não estão atacando; Fenrir murmurou confuso, vendo os lobos pouco a pouco, sentarem-se no chão, sobre as quatro patas, como cães de estimação.

-Vocês também estão inquietos com essa mudança no tempo, não é? –Mú comentou, passando a mão sobre a cabeça do lobo.

Sentiu os pelos brancos abaixo de sua mão se eriçarem, os animais estavam bastante irrequietos, por serem mais sensíveis que os humanos, eles estavam sofrendo com aquela mudança no tempo.

-Vai ficar tudo bem; ele sussurrou, antes de se levantar.

O longo sobretudo preto esvoaço com graciosidade, os lobos se levantaram e em comum acordo, formaram duas filas indianas ao lado do cavaleiro e seguiram em frente, marcando o caminho a ser percorrido.

-Podemos ir? –Mú indagou voltando-se para Fenrir.

-...; ele assentiu abismado. Os lobos jamais foram tão dóceis com um desconhecido, até mesmo ele tinha dificuldades para lidar com eles às vezes, mas porque justamente com esse cavaleiro, eles agiram como cãezinhos?

Voltou os olhos para o castelo, sentindo a presença dos demais lá dentro, provavelmente Kanon já teria aviso que iria chegar a qualquer momento; ele pensou seguindo em frente.

Pelo menos, os demais cavaleiros de Asgard estavam por perto para impedir alguma eventualidade. Infelizmente aquele castelo estava longe de ser uma fortaleza capaz de suportar uma guerra aberta; ele pensou, observando a estrutura do castelo, pelo lado de fora.

No topo de cada torre, havia um sentinela, a beirada das paredes no alto eram escarpadas, o que impedia qualquer um de escalá-las. Existiam balcões altos e inacessíveis, quando mais próximos do penhasco, próximo à torre.

À direita, conseguia ver uma trilha sinuosa para uma encosta de rochas, sabia que ao seguir aquele caminho, conseguiria encontrar a parte do mar que levava ao santuário de Posseidon, pelo que o pupilo já lhe contara.

O palácio era um labirinto perigoso para os desavisados, mas ainda sim, continha uma estrutura deficiente quando o quesito era proteção. Parecia mais o palácio de inverno do czar da Russa Imperial, em San Petersburgo, do que algo pronto para enfrentar a fúria de gigantes e sabe-se lá o que mais.

-Você sabe se todas as valkirias estão no castelo? –Mú perguntou, aproximando-se do cavaleiro.

-Creio que sim, elas se reuniram agora a pouco com os cavaleiros; Fenrir respondeu.

-...; ele assentiu pensativo.

Antes que pudesse fazer mais alguma pergunta ao rapaz, ouviu o som de árvores caindo ao longe, seus sentidos estavam bem mais sensíveis naquela época. Parou no meio de um passo, deixando o cavaleiro continuar sozinho.

Os lobos detiveram-se também e começaram a uivar, chamando a atenção de todos que estavam lá dentro. Mesmo com o barulho, conseguia ouvir os sentinelas se posicionando das torres e os gritos de alerta ecoando pelas paredes.

-Cavaleiro? –Fenrir chamou, voltando-se para ele, mas o ariano apenas ergueu a mão, mandando-o se afastar.

Quando Fenrir ameaçou voltar, King colocou-se em seu caminho. O cavaleiro estancou, vendo que o lobo parecia agora obedecer às ordens do outro. O que lhe deixou seriamente chocado.

-Isso que é boas-vindas; Mú murmurou caminhando uns dez passos, para se afastar da entrada do palácio.

-O que foi? –o Guerreiro Deus indagou confuso, quando o som de árvores caindo tornou-se mais próximo. Tentou passar por King novamente, mas o lobo rosnou mostrando-lhe os dentes.

-Mande os outros cavaleiros protegerem as laterais e os fundos do castelo, vamos ser atacados; o ariano avisou.

Fenrir estancou, sem saber como proceder, ouvia o barulho de algo pesado se locomovendo em grande velocidade apesar de tudo, mas não iria receber ordens de um estranho, mesmo King tendo se rebelado.

-Agora! –o ariano mandou, mas antes que Fenrir pudesse fazer algo, desapareceu. Como se nunca houvesse estado ali.

Embora existisse uma barreira que o impedia de usar telesinese para entrar nos limites do castelo, a regra não se aplicava se já estivesse lá dentro. Poderia se locomover por dentro do castelo, contanto que não tentasse sair das limitações, o que mostrava-se bastante conveniente agora.

King e os demais lobo formaram uma barreira branca em frente as portas do castelo, como se para impedir a passassem de qualquer um por ali, enquanto o Guerreiro Deus não estivesse de volta.

Suspirou pesadamente, ótimo, era só isso que faltava, só porque havia prometido a Laura não se meter em problemas; Mú pensou balançando a cabeça levemente para os lados. Pelo visto teria de seguir o conselho dela sobre tomar um banho de sal grosso pra ver se acabava com aquele mau agouro, porque mesmo ali aparecia um pepino desses para resolver.

Respirou fundo, deixando os braços caírem na lateral do corpo, enquanto afastava-se ainda mais do palácio, parando no meio da ponte. Havia um grande desfiladeiro lá em baixo, sem a ponte ali, não haveria fuga do castelo, muito menos a entrada de alguém.

O que era uma faca de dois gumes; ele pensou, sabendo que o limite de seus poderes, estava até o final oposto da ponte e Saori já lhe avisara que o palácio possuía uma barreira, semelhante a que antigamente existia no santuário, que lhe impedia de usar telesinese.

Poderia muito bem destruí-la e se locomover livremente, mas estaria comprometendo a segurança dos demais com isso. Então, o negócio mesmo era enfrentar o que estava vindo.

Encostou-se na amurada de pedra, cruzando os braços na frente do corpo. Conteve um suspiro quando viu as últimas árvores caírem logo à frente e três imenso gigantes surgirem com claves nas mãos.

Eram enormes, até maiores do que já ouvira falar em livros de mitologia nórdica que leu um dia. Tinham a pele avermelhada pelas chamas intensas de Muspell. Os olhos eram pequenos e finos, que pareciam mais um botão de camisa perdidos em meio a um monte de pele.

Pareciam completamente transfigurados, urravam e gritavam, como se estivessem se comunicando entre si. Não sabia quem estava por trás daquilo, mas fora bastante inteligente em adestrar aqueles seres tão irracionais e usá-los para o próprio beneficio.

-Let's go; ele murmurou, desencostando-se da amurada, no momento que os três dispararam numa corrida louca até a ponte. Não iriam passar, poderiam derrubar todas as outras árvores que tinham no caminho com a clave, mas não iriam.

Se eles pudessem pensar, o que achava meio difícil. Certamente iriam pensar que não passava de um anãozinho querendo derrubar um gigante. Bem... Tecnicamente era mais ou menos isso. Entretanto...

O gigante do meio tomou a dianteira, mas antes que ele pudesse pisar no inicio da ponte, seu corpo tornou-se ainda mais vermelho, exalando calor. Ele não se deteve, jogou a clave no chão, provocando uma imensa rachadura no solo que poderia comprometer a ponte.

Seu cosmo elevou-se, os longos cabelos lilases tornaram-se ainda mais claros. Os orbes brilharam intensos e antes que o gigante pudesse tocar na ponte. Ele deve seus movimentos.

O gigante moveu o corpo tentando se mexer, os demais que passaram por ele, tiveram o mesmo problema. Parecia que seus pés estavam fincados no chão, embora nada os segura-se. Nada que um mortal comum pudesse ver.

-Vocês não vão passar; o ariano avisou.

Um dos gigantes jogou a clave em sua direção e teria lhe acertado em cheio se a mesma não houvesse simplesmente se pulverizado no meio do caminho. Não se moveu, nem mesmo ergueu uma das mãos, mas no segundo seguinte os três gigantes ganharam o mesmo destino da clave.

Fragmentos de poeira cósmica pairavam pelo ar, enquanto uma aura intensamente dourada envolvia o cavaleiro. Respirou fundo, acalmando seu cosmo, fazendo a luz dourada diminuir.

Olhou a sua volta e se concentrou, constatando rapidamente que não havia mais ameaça alguma por perto.

Virou-se num movimento gracioso, fazendo a barra do sobretudo esvoaçar, com calma e tranqüilidade retomou o caminho para o palácio.

-o-o-o-o-o-o-

-Ele é de dar medo assim; Milo falou engolindo em seco ao ver que o cavaleiro nem ao menos erguera as mãos e acabaram com três gigantes cinco vezes maiores do que ele.

-Lembro que ele fez algo parecido com o Myu; Kanon comentou, um tanto quanto pálido. –Mas ahn... Eu realmente não pensei que ele estivesse tão irritado quando liguei;

-Meus pêsames; Aldebaran falou dando um tapinha em suas costas. –Você sabe muito bem o que acontece quando o Mú se irrita; ele completou em tom complacente.

-Oras, como se a culpa fosse só minha; Kanon exasperou, voltando-se para ele.

-Você poderia ter ligado para o mestre Shion; Milo o lembrou, enquanto se afastavam da janela, entretanto as valkirias ainda pareciam chocadas com o que haviam visto e permaneceram no mesmo lugar.

-Nem f-...;

-Olha o respeito, com as senhoritas aqui; Aaron exasperou. –Não importa se é o Shion ou o Mú temos de resolver esse problema;

-Aaron tem razão; Aldebaran falou com ar sério.

-Ótimo, não é o seu couro que ele vai arrancar quando chegar aqui; o geminiano resmungou enquanto saia da sala e ia encontrar o cavaleiro na entrada do palácio.

-Ahn! O amigo de vocês parece realmente aborrecido; Coralina falou, contendo um suspiro.

Nunca imaginou que existisse um cavaleiro com um poder tão elevado quanto aquele. Uma vez, há muitos anos atrás vira Sindar usar seus poderes até o limite, mas naquela época ainda era inexperiente quanto a sentir a vibração do cosmo das pessoas, mas agora, poderia afirmar que o cosmo do elfo não chegava à metade daquele cavaleiro; ela pensou.

-Não se preocupe, Mú deve só estar num dia ruim, mas vai ajudar; Aldebaran falou tentando tranqüilizá-las.

-Mas ele, Ahn... Pode mesmo resolver isso? –Adélia indagou hesitante.

-Se existe alguém que pode, é ele; o taurino respondeu veemente.

-Amélia; Ceres chamou, puxando a jovem para um canto.

-O que foi? –ela indagou com há voz um pouco tremula.

Nunca pensou que fosse encontrá-lo ali em Asgard. Céus, porque não chamaram Shion? Ainda não estava preparada para encarar o cavaleiro e se ele lhe reconhecesse? –ela pensou aflita.

-Se esse cavaleiro ficar mais alguns dias aqui em Asgard, poderíamos pedir a ele que treinasse conosco, não acha? –a jovem indagou inocentemente.

-O que? –ela quase gritou.

-Amélia, você esta bem? Parece tão pálida; Ceres falou preocupada.

-Estou; a jovem limitou-se a responder, enquanto um turbilhão de pensamentos povoava sua mente.

-Então, o que acha?

-Desculpe Ceres, depois conversamos sobre isso; Amélia falou, levando a mão a cabeça, sentindo-a latejar, mais essa agora.

-Tudo bem; a jovem falou ainda achando estranha aquela reação.

.II.

Passou a mão levemente pelos cabelos, os fios lilases e dourados misturavam-se na cascata lisas que caia sobre seus ombros. Suspirou pesadamente, enquanto voltava a caminhar em direção ao castelo.

Ainda sentia a barreira que envolvia o castelo, intacta. Mas por quanto tempo? Se os gigantes haviam ousado atacar o castelo agora, outros poderiam vir em seguida.

Mal entrou no castelo pelo menos cinco cavaleiros apareceram do nada, detendo-lhe o caminho. Era impressão a sua ou eles estavam pálidos? –ele pensou, mas optou por imaginar que aquele era um tom de pele natural dos nativos, já que a temperatura baixa gerava esse tipo de coisa.

-Como vão? –ele indagou cordialmente, vendo Fenrir se aproximar, um pouco hesitante.

-Ahn! Bem, obrigado...; Mime respondeu hesitante, enquanto os demais apenas assentiram.

-Siegfried, saia da frente antes que eu lhe deixe prostrado no chão; a voz irritadiça de uma mulher ecoou pelo salão principal, chamando a atenção de todos.

-Mas Hilda...;

-Agora; a jovem de melenas azuis quase prateadas exasperou, empurrando o cavaleiro e conseguindo passar por ele.

Os orbes azuis cintilavam de ira e ela tinha a face corada pela irritação.

-Oras, onde já se viu; Hilda resmungou andando a passos firmes em direção ao recém chegado, enquanto arrumava as roupas levemente empoeiradas. –Você não tinha esse direito; ela completou lançando um olhar enviesado a Siegfried.

-Mas foi por uma boa causa; ele falou engolindo em seco.

-Me trancar naquele armário, por uma boa causa? Vou lhe chutar do altar de Odin e depois grito enquanto você cai, que foi só por uma boa causa; ela rebateu sarcástica, enquanto os demais cavaleiros abafavam o riso.

Não era algo normal ver a princesa tão irritada daquele jeito, mas ao que tudo indica, ela tinha seus motivos. Siegfried estava ficando obcecado em protegê-la ultimamente, que ao menor barulho, como a pouco, simplesmente a jogara para dentro do armário mais próximo e a mantivera presa ali, até ter certeza de que estava tudo bem lá fora.

Respirou fundo, recompondo-se antes de voltar-se para o ariano, que fitava a tudo com uma expressão indecifrável.

-Perdoe meus modos, mas houve alguns probleminhas que eu tive de resolver; ela falou com um sorriso forçado.

-Não tem com que se preocupar, senhorita. É normal que estando à frente deste castelo, a senhorita esteja com os nervos à flor da pele. Compreendo que a situação delicada não contribua para o bom humor de ninguém no momento; Mú respondeu polidamente.

-É; ela concordou, dando um pesado suspiro. –Mas é um prazer conhecê-lo, como você deve ter reparado, sou a princesa regente de Asgard; ela falou com simplicidade. –Hilda de Polaris;

-Mú de Áries, a seu dispor; ele falou prestando-lhe uma breve mesura.

-Vamos cortar as formalidades, por favor; ela pediu sorrindo mais calma.

-Como quiser; o ariano respondeu assentindo.

-Mú;

Virou-se ao ouvir o chamado, instintivamente os orbes verdes serraram-se de maneira perigosa, fazendo o outro cavaleiro refrear seus passos.

-Espero que o discurso esteja pronto; o ariano avisou, vendo-o empalidecer.

-Como? –Hilda indagou confusa, sem compreender o porquê daquela nuvem negra ter recaído sobre o salão principalmente sobre os dois cavaleiros de Athena, já que estranhamente os outros Guerreiros Deuses pareciam bem menos nervosos agora.

-Se eu começar agora, será que da tempo de terminar? -Kanon falou com um sorriso nervoso.

Ele estava realmente aborrecido, isso... Só aborrecido, porque tinha até medo de pensar como ele agiria se estivesse irritado. Engoliu em seco ante as possibilidades. Estava começando a pensar que teria sido melhor encarar o Shion do que ele.

-Ah, mas você vai desejar ter falado com Shion primeiro; Mú avisou como se lesse seus pensamentos. –Princesa, peço que me de licença, pois gostaria de ver o mais rápido possível as armaduras;

-Tudo bem; ela balbuciou confusa.

Passou pela jovem, cumprimentando os cavaleiros que haviam chegado por último, com um aceno respeitoso, o mais estranho é que todos, sem exceção, responderam a isso, dando-lhe passagem. Sem a mesma hesitação que sentiram quando os outros cavaleiros chegaram a Asgard.

Ele emanava uma aura de imponência e liderança, e por mais estranho que fosse, não havia como não se curvar a isso.

.III.

Esfregou o pano nervosamente sobre a mesa de madeira, ela já estava brilhando há muito tempo, mas nem isso foi motivo para lhe impedir de aplicar ainda mais força nos movimentos.

-Eros, vai rachá-la ao meio se continuar assim; Dionísio falou, pousando a mão calmamente sobre seu ombro, detendo-lhe.

Viu o jovem de melenas douradas bufar exasperado e jogar o pano com lustrador na mesa. Suspirou pesadamente, embora já estivesse convivendo com o sobrinho a mais de dois meses, ainda era difícil ver que o temperamento sempre tão dócil de Eros havia mudado drasticamente.

Ele ainda estava muito revoltado com o pai e não queria entender os motivos de Ares.

-Tem mais alguma coisa para eu fazer, antes de fecharmos? –Eros indagou esquivando-se dele. Como se houvesse declarado guerra contra o tio também, alias, havia declarado guerra contra todos aqueles que apoiavam Ares na decisão que tomara.

-Não, pode ir descansar;

-Certo; ele balbuciou, tirou o avental preto e deixou-o nas costas da cadeira, antes de virar-se e ir embora.

Suspirou pesadamente, dificilmente concordava com as decisões do irmão mais velho, mas dessa vez, tinha de concordar com Ares, Eros precisava de uma nova perspectiva, por mais difícil que fosse agüentar isso.

-o-o-o-o-o-

Subiu os templos com passos pesados e o corpo dolorido devido ao dia de trabalho incessante, ergueu os orbes para cima, vendo a noite cair sobre a Grécia. Agora ia chegar ao penúltimo templo e encontrá-lo vazio; ele pensou desolado.

Quando tudo aquilo acontecera, há pouco mais de dois meses atrás. O pai havia dito para ficar com Dionísio, mas não queria, alias, queria ter um canto próprio onde pudesse lamber as feridas. Ele não tinha o direito de tirar seus poderes; ele pensou serrando os punhos.

Foi quando o cunhado apareceu e ofereceu o templo de Aquário, não queria de alguma forma se colocar entre ele e a irmã, mas Aishi também foi veemente ao dizer que preferia que ele ficasse ali, onde teria mais conforto.

Sabia que não era fácil para eles que já estavam acostumados a viver, apenas os dois ali terem uma terceira pessoa por perto tirando-lhes a intimidade da rotina diária, por isso disse que iria se virar sozinho, mas como sempre a irmã gêmea conseguiu ser mais teimosa e em comunhão com o cunhado, lhe fizeram ficar. Entretanto agora, agradecia a ambos por isso.

Queria distancia dos parentes agora, era frustrante ver-se incapacitado de fazer suas coisas tendo sido limitado daquela forma.

Terminou de subir o último degrau, quando deparou-se com uma sombra a porta do templo de Aquário. Franziu o cenho, Aishi e Kamus estavam viajando, então não era nenhum dos dois. Bufou exasperado, se tivesse seus poderes, poderia sentir de quem era a presença ali; ele pensou.

-O que quer? –Eros perguntou irritado.

-Sou eu; Anteros falou saindo das sombras e encontrando o irmão a fitá-lo com os orbes serrados. –Pensei que soubesse q-...;

-Não; o gêmeo o cortou bruscamente. É claro, se tivesse seus poderes iria saber que era o próprio irmão que estava ali. Como não soubera também que ele havia chegado ao santuário, naquele dia em que estava conversando com Kamus e Aishi ali também.

-Você sabe onde Kamus e Aishi estão? –Anteros perguntou cauteloso.

-Viajando; Eros respondeu abrindo a porta do templo e entrando, seguido pelo irmão. –Ela não esta bem desde que Freya sumiu, então Kamus decidiu tirá-la do santuário por um tempo, para esfriar a cabeça e relaxar; ele explicou, frisando bem a palavra 'sumiu'.

-Você não entende, eu prometi a Freya que não iria revelar seu paradeiro, por isso não contei a Aishi onde ela está; Anteros se defendeu.

-Sabe, estou cansado de você e de papai falando que eu não entendo, mas quer saber? São vocês que nunca perguntaram a minha opinião sobre isso; Eros exasperou, voltando-se furioso para o irmão. –Eu admito que parte disso foi minha culpa, você não faz idéia de como me arrependo de tê-lo flechado, por isso eu anulei o efeito da flecha, mas a centelha já estava acesa e você escolheu amá-la independente do que eu fiz ou não; ele exasperou. –Agora você vem me dizer que eu não entendo, não seja patético!

-Como? –Anteros indagou confuso, vendo a face alva do irmão ficar escarlate de ira.

-Estou dizendo que você poderia ter escolhido não amá-la; Eros falou entre dentes. –Não era a minha flecha que causou tudo aquilo. Se desde o começo você houvesse perguntado, em vez de ficar falando "Você não entende", para todo mundo que queria ajudar, teria descobrido a verdade; ele completou, passou pela sala e foi em direção à cozinha. –Aishi sabia, por isso interferiu dessa vez;

-Não era efeito da flecha; ele murmurou.

Estranho, a vida toda pensou que fosse o irmão capaz de induzir os sentimentoS com suas flechas, mas a verdade era que, as coisas eram mais fáceis antes quando acreditava que a culpa pertencia a Eros e suas flechas, mas saber que fora por seu livre arbítrio era aterrorizante.

-Somente nós temos o poder de criar nossos próprios caminhos, eu posso ser uma divindade, pelo menos era há dois meses atrás... Mas não tenho o poder de controlar os sentimentos humanos muito menos seus destinos e agora acredito que nem mesmo as deusas podem; Eros falou, abrindo a geladeira e olhando distraidamente para dentro da mesma.

-Eu...;

-Você estava obcecado por Ariel, alias, estava obcecado pela idéia de desafiar a mamãe ao não cumprir aquela ordem, mesmo sabendo que Ariel era inocente. Depois veio a culpa, ela era apenas uma sereia com coração puro que se apaixonou por um mortal, mas seu orgulho falou mais alto e você decidiu que a amava apenas por que ela rejeitou seus sentimentos; Eros falou, enquanto pegava uma smirnof da geladeira e abria. –Depois passou todos esses séculos bancando a baba dela, apenas para se redimir, sem pensar no estrago que estava causando. Bem você diz que eu não entendo, pode até ser, mas você vem agindo de forma patética nos últimos séculos;

-Não era pra desafiar a mamãe; Anteros falou entre dentes.

-Não? –Eros rebateu, encostando-se no balcão de mármore e levando a garrafa aos lábios. –Talvez, mas isso não importa agora; ele falou dando de ombros. –Mas a questão é, quanto mais o tempo passa, mais as coisas vão se complicar, por isso lhe aconselho a dizer de uma vez a Harmonia onde Freya está. Porque do contrario, você vai estar ainda mais encrencado se alguma coisa acontecer a ela;

-Já disse, não posso; o jovem falou exasperado. –Eu prometi que não contaria e não vou contar;

-Claro, contar seria o mesmo que admitir o erro que cometeu ao se deixar levar e usar suas flechas nela; Eros falou calmamente. –Não se preocupe, no seu caso posso imaginar o que Freya fez para convencê-lo a agir de acordo com as regras dela;

-Do que esta falando? –Anteros indagou confuso, diante do tom levemente malicioso do irmão.

-Freya é uma mulher muito bonita, apenas um louco não a desejaria; Eros falou, gesticulando casualmente com a mão que detinha a garrafa. –Mas imagino que ela não tenha lhe contado que a fase de femme fatale dela passou, quando se casou com Odur, alias, ele é a causa disso tudo;

-Quem é esse?

-O marido de Freya, você sabe, já deve ter ouvido sobre as lendas que envolvem a história dela e Odur, principalmente sobre a época em que dizem que ela foi amante de Odin e sei lá, mais quantos outros deuses; Eros falou torcendo o nariz. –Esse é um dos preços da fama, calunias e difamação. Apenas quem vive aquilo que vivemos sabe o que realmente faz parte da história ou o que foi deturpado pelo mito; ele falou sentando-se displicente sobre a bancada, enquanto a garrafa balançava em sua mão e ele apoiava os cotovelos nos joelhos.

-Ouvi falar alguma coisa sobre isso; Anteros falou cauteloso.

-Depois do casamento, Odur desapareceu e ninguém nunca mais ouviu falar dele. Freya o procurou incessantemente. É irônico, que aquela que todos diziam não poder amar, houvesse se apaixonado finalmente. Ela ficou arrasada por não encontrá-lo e mesmo os séculos se passando ela não deixou de procurá-lo; Eros explicou. –Acredito que Freya tenha admitido de uma vez que jamais fosse encontrá-lo novamente, por isso tomou uma decisão drástica, mas fugir dos problemas não vai eliminá-los; ele falou fitando o irmão com ar sério. –Foi quando você apareceu;

-Então é por isso; o jovem de melenas negras balbuciou.

Havia achado estranha a forma como Freya agira quando se encontraram, ela parecia nervosa e hesitante, antes de apelar para os próprios poderes e lhe convencer amigavelmente a fazer o que ela havia pedido. Apenas uma flecha que mudou muitos destinos naquela manhã gelada, em Asgard; ele pensou contendo um suspiro.

Ela também tinha o coração ferido e de alguma forma, havia se identificado com isso, não apenas por ela ter usado a imagem de Ariel para lhe convencer, mas também, por ela estar desesperada.

-Harmonia sabia que ela não estava bem, mas não pode ficar em Asgard quando as guerras começaram para impedi-la de fazer alguma besteira; Eros continuou. –Freyr também não estava lá, há muito tempo ele e Freya vem tendo uma vida independente um do outro, por isso ele não sabia o quanto ela estava deprimida;

-Faz sentido; Anteros falou. –Mas de qualquer forma, não posso contar; ele ressaltou veemente.

-Você é quem sabe, pra mim isso não faz diferença... Não é problema meu; Eros falou dando de ombros.

Observou-o atentamente, enquanto Eros tentava agir friamente, conseguia sentir que ele estava magoado, apenas algumas horas atrás ficara sabendo sobre o que o pai havia feito e ainda achava difícil se acostumar com a nova situação. Tudo bem que ele fora um pouco longe demais com a história da Cobra, mas enfim... Ares deveria saber o que estava fazendo; ele pensou encolhendo os ombros.

-Bem, eu acho melhor ir agora; Anteros balbuciou.

-Mande lembranças a Carite por mim, se encontrá-la por ai é claro, desde Paris que eu não a vejo; Eros comentou num leve tom mordaz e um sorriso nos lábios, antes de tomar mais um gole da bebida.

-Paris? –ele indagou voltando-se para o irmão.

-Vovô convocou alguns deuses para caçar as últimas erinias que sobreviveram a erradicarão de pregas em Londres dezesseis anos atrás e também, ele pediu a Carite para ficar de olho numa garota, que vivia lá; ele explicou com ar casual.

-E? –Anteros indagou, sabendo que ele ainda não havia destilado todo o veneno.

-E nada; Eros respondeu dando de ombros casualmente. –Mas você sabe, Paris... Lamur; o jovem sussurrou, carregando o sotaque francês. –Não tem como não se envolver naquela atmosfera. Pra você ter noção até mesmo o Hermes pareceu empolgado com a missão, ele e Carite fizeram uma ótima dupla;

-Onde está querendo chegar com isso, Eros? –Anteros indagou com os orbes faiscando.

Já não bastava a marina tê-lo dispensado friamente há algumas horas atrás, quando a encontrara com Hermes no conservatório, agora o irmão vinha com essa história?-ele pensou irritado.

Não gostara nem um pouco daquela intimidade pairando no ar, quando encontrou os dois na sala de musicas, mas também, se ele não conseguiu falar com Carite, Hermes muito menos, porque a jovem largou os dois plantados na sala e foi embora, bastante irritada.

-A lugar algum caro irmão; Eros respondeu casualmente. –Só estava pensando como as coisas são irônicas, vovô que sempre achou que as mulheres mortais só serviam para amantes, mas andou mordendo a língua ao admitir que nossa querida amiga sereia era a nora perfeita, alias a nora que ele pediu ao Todo Poderoso; ele completou sarcástico. –Não sei não, mas você esta perdendo terreno;

Quase riu ao ver os olhos do irmão tornarem-se negros, sabia que estava correndo um serio risco de provocar Anteros daquela forma, mas se provocar sua iria e o ciúme que sentia com relação a sereia era a única forma de fazê-lo reagir e ver que o tempo estava passando pra ele, vali a pena tentar.

-Conversamos depois; Anteros falou desaparecendo no segundo seguinte.

-É, que venha a tempestade; Eros murmurou levando a garrafa novamente aos lábios.

Não mentira para ele quando disse que até o onipotente estava de olho na sereia com esse propósito. Sabia que Carite havia ganhado muitos pontos contra o avô quando ficara ao lado de Olhos Vermelhos, quanto ao desfecho da missão em Paris.

O cavaleiro negro ganhara muitos inimigos ao longo dos anos, mas nesse ínterim, a maioria se transformou em fortes aliados. Dos quais, Hades certamente era um deles. Mas a questão era que, apesar de suas infidelidades o avô prezava muito àqueles que se mantinham fieis a seus princípios acima de tudo.

Mas se o irmão não corresse, iria acabar ficando pra trás; ele pensou antes de descer o balcão e jogar a garrafa vazia no lixo.

.IV.

Subiu os degraus calmamente, porém parou justamente no último. Deixou os orbes correrem pelas paredes de mármore branco, impecavelmente limpas. Tinha uma estranha sensação de já conhecer aquele lugar.

-Algum problema, Mú? –Kanon perguntou cauteloso, voltando-se para ele.

-Não, não; ele balbuciou, antes de roçar a mão levemente no último balaústre da escada.

Viu os orbes verdes perderem parcialmente o brilho e foi como se o cavaleiro houvesse mergulhado dentro de um portal, para outro mundo, alheio a tudo a sua volta.

-Vamos ficar aqui só por um tempo; a voz calma da mulher falou, afagando os cabelos arrepiados da criança.

-Mas e a tia? –ele indagou, sentando-se nos degraus de mármore emburrado, enquanto as perninhas balançavam de um lado para outro.

-Ela tinha algumas coisas para resolver; Eraen respondeu, sentando-se a seu lado.

Ouviu-o resmungar alguma coisa e encostar a cabeça no balaústre da escada, conteve um suspiro. Não lhe agradava em nada não estar em Ehnoryen, mas era necessário ficar em Asgard por alguns dias, principalmente para saber o que andava acontecendo sob o reinado de Wolfar.

Entretanto, não iria deixar o filho do Ydashi sozinho no castelo, seus instintos diziam que não era seguro e seu sexto sentido materno reafirmava ainda mais isso.

-Mas ela vai demorar a chegar? –o pequeno indagou, voltando-se com um olhar esperançoso para ela.

-Não sei, criança; Eraen murmurou, contendo uma praga entre os lábios, detestava a idéia de que o filho parecia gostar mais da madrinha do que dela, que era a mãe. Mas esse ciúme bobo iria apenas afastá-los, sabia que Alexandra só queria o bem de ambos, mesmo que reprovasse a maioria de suas últimas decisões.

-Mas a senhora e tia Alexandra, prometeram me ensinar a montar; ele falou acabrunhado.

Sorriu, antes de puxá-lo para seu colo, vendo a face sempre alva corar levemente. Ele poderia se fazer de difícil, entretanto era uma criança como todas as outras e também se sentia carente às vezes, mas tinha dificuldade em falar aquilo que sentia por viver mais entre adultos acostumados a controlar os próximos sentimentos, do que crianças, que viviam como se nada tivessem a perder.

-Você ainda é muito pequeno para montar Argos; Eraen falou, envolvendo a cintura pequena com os braços, fazendo-o repousar a cabeça em seu ombro. –Mas prometo arrumar outro cavalo para lhe ensinar a montar, quando chegar à hora;

-Eu já vi a senhora montando e sei conduzir Argos; ele resmungou, cruzando os braços na frente do corpo, emburrado.

-Você aprende muito rápido, pequeno, mas ainda não é hora de montar Argos; ela falou sorrindo.

A muito já havia descoberto que seu pequeno filho tinha uma habilidade fora do comum para aprender as coisas, enquanto crianças normais apenas repetiam as coisas que viam sem saber o que faziam, ele tinha completa consciência do que estava fazendo e do por que.

Ele era muito observador, várias vezes já o vira empoleirado em cima da mesa de Ydashi, onde o dragão mantinha seus experimentos químicos, que sempre estava estudando. Mexendo nas coisas que sabia que não iriam lhe fazer mal. Ainda mais depois do episódio do diamante.

A noticia havia se espalhado, muitos que já respeitavam o pequeno pela incrível semelhança que tinha com os avôs tornaram-se ainda mais veementes ao afirmar que ele seria o próximo senhor e ninguém, poderia contestar.

Bem, ninguém virgula. Ainda estava preocupada com as recentes ações de Kari, o dragão vermelho parecia bastante irrequieto nas últimas vezes que o conselho se reuniu. Isso não era um bom sinal. Precisava de uma forma de manter o filho em segurança, caso uma guerra pudesse se armar.

-Quando a hora chegar, eu vou estar com você; ela completou pousando um beijo suave sobre sua testa.

-Mú! – Kanon chamou, passando a mão em frente a seus olhos.

Viu-o piscar e os orbes verdes voltarem rapidamente ao foco.

-De ja vu...; Mú sussurrou afastando-se do balaústre.

Tivera uma sensação de 'de ja vu', mas sobre algo que nunca vivera, alias, era estranho como aquelas imagens estavam surgindo cada vez com mais freqüência em sua mente.

Sabia que a criança não podia ser ele, mas porque então estava vendo tudo aquilo? –ele pensou confuso.

Quando elas começaram a aparecer pela primeira vez, imaginou que fosse devido ao desequilíbrio de seu cosmo, afinal, tantas coisas haviam acontecido naquele dia que manter a calma estava fora de cogitação, mas era como se estivesse faltando uma peça para completar o quebra-cabeça.

-Esta tudo bem? –Kanon indagou confuso.

-...; assentiu, ainda lançando um olhar para a escada quando se afastaram. Era como se pudesse ver os dois ainda ali, sentados.

-Ahn! Queria te perguntar uma coisa; o geminiano começou.

-Pergunte então; Mú falou calmamente. De alguma forma aquilo servira para lhe acalmar os nervos e aliviar o mau humor que sentia e que tornara-se mais ferrenho depois do ataque dos gigantes.

-Como está Celina? –Kanon indagou.

-Difícil saber; o ariano respondeu, enquanto passavam por diversos corredores a caminho da sala das armaduras. –Não perguntei a ela como tudo aquilo começou, embora eu já tenha alguma idéia sobre isso;

-Ela deve estar me odiando ainda; o geminiano comentou desolado. –Mas eu juro, não tenho culpa se o mestre surtou de novo. Eu falei para ele que agir daquele jeito só iria afastá-la. Celina não é uma criança que você precisava ficar em cima o tempo todo; ele exasperou.

-E você disse isso a ele? –Mú indagou arqueando a sobrancelha levemente, incrédulo.

-Claro que sim, mas ele não ouve mais ninguém. E a Hanay também, o que tinha de se meter no meio? -Kanon exasperou. –Agora eu que fico de bode expiatório, porque ela resolveu bancar a boa samaritana e contar para o Shion que a Celina estava em Áries;

-Então foi a Hanay? –Mú falou casualmente.

-Foi, eu nem sabia que ela tinha "oficialmente" fugido. Só fiquei sabendo depois que sai de Áries e parei em casa, onde encontrei o Saga e ele contou que o mestre estava surtando porque ela tinha fugido de novo;

-Ah! Ai entra aquela parte de Santorini; o ariano falou dando a entender que só sabia da história meio por cima.

-Depois que você viajou Shion pirou de vez, você tem noção de que ele se meteu a treinar com a Celina, como se ela fosse um cavaleiro de ouro, que já havia passado pelo super nova? –ele exasperou. –Mas o mestre foi longe demais, eu disse a Celina que ia falar com ele sobre Santorini, mas ela não deixou;

-Uhn?

-Ela disse que já havia falado com ele, de noite, por isso eu pensei que ele já soubesse. Mas depois daquela zebra toda que deu na biblioteca e eu fui explicar para a Ilyria o que aconteceu, ele já veio pra cima de mim e eu não sou idiota pra apanhar quieto; Kanon falou em tom de exasperação, mas estranhou o cavaleiro ter ficado quieto de repente.

Pararam na entrada da sala, quando se virou para falar com ele, mas estancou ao vê-lo com o celular na mão, era um objeto delicado tão preto quanto o sobretudo, por isso não havia reparado a quanto tempo ele estava na mão dele.

Era aquele modelo que as duas partes, tela e teclado deslizavam em forma de placa uma sobre a outra, sem serem o sistema flip mais frequentemente vistos por ai.

Viu o visor azul acender e ele aproximar o aparelho da orelha.

-Celina, ainda está ai? –o cavaleiro indagou, vendo o geminiano empalidecer.

-Estou; ouviu-a responder, mesmo estando de longe e a voz do outro lado ter soado tremula.

-Ótimo! Agora vocês dois me ouçam bem, se começarem a agir como crianças, vou tratá-los como criança. Não vou admitir essa história de falta de comunicação, isso é para covardes, por isso vocês só tem uma escolha e é bom resolverem logo essa história; o ariano falou em tom frio.

Olhou-o assustado, principalmente porque jamais o vira agir assim, de maneira tão precisa e fria, mas era obrigado a dar o braço a torcer e concordar que isso era bem mais eficiente.

-Então?

-Posso falar com o Kanon, mestre? –Celina indagou do outro lado.

Voltou-se para o geminiano que estendeu a mão, pedindo o aparelho. Entregou-lhe antes de dar-lhe as costas e entrar de uma vez na sala, onde vários pares de olhos voltaram-se assombrados em sua direção.

-Bom dia... Ou melhor, boa tarde; ele falou cordialmente, ao consultar o relógio de pulso, onde havia mudado o horário de acordo com o novo fuso.

-Boa tarde; todos responderam num murmúrio.

-O que você fez no cabelo? –Milo indagou, com ar chocado, antes mesmo que Dohko se aproximasse para conversar com o ariano.

Voltou-se para o Escorpião com os orbes serrados de maneira perigosa, fazendo-o empalidecer.

Ainda não estava pronto para admitir, que algumas mudanças por mais que fossem pequenas, ainda eram boas, tudo dependia do ponto de vista. E é claro, não iria dar o braço a torcer, com relação à opinião veemente de Laura sobre isso, não enquanto estivesse naquele inferno astral fora de época; ele pensou.

-Não ta mais aqui quem falou; Milo falou rapidamente.

-É melhor assim; Mú respondeu, com o máximo de calma possível.

-Ahn! Espero que não tenhamos lhe atrapalhado em nada, ao pedir que viesse, Mú; Dohko comentou cauteloso.

-Não, nada importante; ele respondeu dando de ombros ao voltar-se para o cavaleiro e ver a seu lado a jovem de melenas castanhas.

-Alana, esse é Mú de Áries, o cavaleiro que lhe falei; Dohko adiantou-se em apresentá-los.

-É um prazer conhecê-lo; ela falou estendendo-lhe a mão e sorrindo de maneira nervosa.

-O prazer é meu; Mú falou tomando-lhe a mão estendida e num gesto cavalheiresco, levou-a aos lábios. –Já ouvi falar muito da senhorita, mas não haviam me dito que era tão bonita; ele completou em tom de flerte.

-Ahn! Bem... Obrigada; Alana balbuciou com a face em chamas.

-Is the truth, no more that the truth (É a verdade, nada mais do que a verdade); ele falou carregando o sotaque britânico.

-Kanon falou que você ia ver as armaduras; Dohko falou entre dentes, puxando a jovem delicadamente para longe do ariano vendo a expressão derretida da jovem com o cavaleiro.

-É, parece que era isso que ele queria; Mú respondeu com um fino sorriso nos lábios, vendo-o bufar.

-Se incomodaria de fazer isso rápido, esse suspense esta nos matando; Coralina falou, chamando-lhe a atenção.

Voltou-se para as jovens que pareciam realmente bastante nervosas, mas seus olhos recaíram rapidamente sobre uma, que mantinha-se mais ao fundo, ao lado de uma garota de melenas castanhas.

Cabelos prateados e orbes azuis, de imediato sentia que ela lhe era familiar, mas onde já a virá antes? –ele se perguntou antes de desviar o olhar e encontrar próximo a janela os altares com as armaduras.

-Não; ele respondeu para Coralina, antes de se aproximar das armaduras.

-Elas não dão choque como as outras; Aaron falou se aproximando. –Por isso ficamos preocupados;

-Nem todas armaduras dão choque para repelir estranhos; Mú respondeu aproximando-se do tigre.

A armadura era simplesmente perfeita em termos de estética. O metal cintilava sob a luz, se olhasse de longe pensaria que era realmente branca, mas de perto conseguia notar que era de um prateado diferente do que já vira tanto em jóias como em outras armaduras até.

Ele parecia mudar sozinho, instintivamente tocou o topo da armadura, precisamente sobre a cabeça do tigre. Uma pequena onda de estática correu seu corpo, fazendo até mesmo alguns fios de cabelo se eriçarem.

-Antes ela não reagiu; Milo falou tão surpreso quanto os demais.

-Não esta morta e provavelmente as outras também não; Mú respondeu pensativo.

A pessoa que forjara aquelas armaduras, ou tinha um senso de humor sádico, ou tinha fortes motivos para fazer o que fez. Principalmente por não revelar seus propósitos e deixar as valkirias correrem o risco de usarem as armaduras sem saber realmente o que tinham de fazer.

-Mas o que elas têm então? –Leda perguntou impaciente.

-Eu ainda não posso dar um diagnostico final, mas se puderem me deixar sozinho com elas eu agradeço; ele falou indicando as armaduras.

-Mas...; Adélia murmurou.

-Venham; Alana falou chamando-lhes a atenção. Lançando um olhar tranqüilo as jovens.

Uma a uma as valkirias saíram da sala, enquanto os cavaleiros permaneceram. A porta foi fechada e apenas Dohko, Aaron, Milo e Aldebaran estavam silenciosamente esperando.

-Elas só estão dormindo; Mú explicou, enquanto caminhava ao longo das fileiras vendo cada uma das armaduras.

-Dormindo? –Milo indagou confuso.

-Quem as fez, tinha a clara intenção de que cada armadura reagisse apenas sob o cosmo do guardião verdadeiro; Mú explicou, tocando distraidamente as longas asas do cisne negro. –Essas garotas foram treinadas apenas no básico, não tem estrutura para comportar tanto poder quanto essas armaduras estão dispostas a armazenar;

-O que podemos fazer então? –Aldebaran indagou. –Elas precisam das armaduras, não podem lutar sem nada;

-Não, mas enquanto não estiverem prontas, será mais perigoso usá-las, do que lutar sem; ele respondeu voltando-se para ele.

-Nós já propomos treinar com elas e tentar aperfeiçoar as técnicas; Milo falou, vendo-o assentir em concordância e não pode deixar de se sentir orgulhoso pela sugestão que havia dado, diante do olhar de aprovação que lhe foi dirigido.

-A idéia é boa, mas devido ao tempo, vamos precisar de uma abordagem um pouco mais agressiva; Mú falou dando um pesado suspiro. –Elas não vão gostar nada nada disso, mas não tem outro jeito;

-O que tem em mente? –Dohko indagou curioso.

-Vamos fazer um teste primeiro, se funcionar eu vou saber como poderemos proceder depois disso; ele respondeu antes de voltar-se para o aquariano. –Aaron vou precisar de um favor seu;

-...; ele assentiu, embora pelo olhar que recebeu, já soubesse exatamente o que vinha a seguir.

-o-o-o-o-o-o-

Afastou-se o máximo que pode dos corredores, assim evitando que ouvidos bisbilhoteiros ouvissem a conversa. Respirou fundo, tentando manter a calma. Ainda lembrava-se da última vez que haviam se falado por telefone e ele havia demorado mais de cinco minutos para conseguir começar a falar.

-Alô; ele falou com a voz tremula.

-Kanon!

-Celina! –o geminiano sussurrou.

Essa de ser pego de surpresa pelo ariano, não havia ajudado em nada. Agora simplesmente não sabia como falar, ou melhor, como começar a se explicar. O quanto da conversa ela havia ouvido? –ele pensou preocupado.

-Me desculpe; Celina sussurrou, segurando fortemente o aparelho do outro lado. –Eu estava irritada com papai e acabei descontando em você;

-Qualquer um no seu lugar, teria agido da mesma forma; ele respondeu encostando-se na parede gelada.

-Papai foi longe demais; ela falou contendo o choro.

-Ele esta inseguro, por um lado eu até o entendo, mas...; Kanon falou contendo um suspiro. –Como você está? –ele indagou mudando de assunto.

-Bem, na medida do possível; a jovem respondeu. –Ontem à noite fomos assistir "Alegria", em Paris; ela falou bem mais animada, do que demonstrara a alguns segundos atrás.

-Eu já assisti "Dralion",, mas já tem algum tempo; ele respondeu, contendo um sorriso. –Espero que tenha gostado;

-Foi incrível; Celina falou sem esconder a empolgação. –E eu vi a torre, a vista de lá é sensacional;

-Você esta em Paris ainda? –ele indagou curioso.

-Não; Celina respondeu hesitante. Não contara a ninguém onde estava, nem a mãe, quando falou com ela mais cedo. –Estou em outro lugar;

-Tudo bem, não precisa dizer aonde; Kanon a tranqüilizou. –Vai ser bom para você passar um tempo fora do santuário, quem sabe os ânimos esfriam por lá até você voltar;

-Papai deve estar louco comigo, não é? –ela indagou.

-Não, ele deve estar mais é frustrado consigo mesmo, mas quando você voltar ele vai estar menos intransigente; ele falou a tranqüilizando.

-Eu gostaria de ter fé nisso;

-Enquanto estiver ai, não se preocupe com o santuário, não vale a pena se martirizar fora do tempo. Divirta-se; o geminiano falou.

-Obrigada... Mas é uma pena não poder falar o mesmo, as coisas estão muito complicadas ai em Asgard? –Celina indagou.

-Mais ou menos, só espero que o Mú consiga dar um jeito no problema como fez com aqueles três gigantes agora de pouco; ele comentou distraidamente.

-Laura não vai gostar de saber que ele andou lutando; Celina falou seria, chamando-lhe a atenção para a participação da jovem de melenas azuis nisso tudo.

-Se eu disser que ele não levantou um dedo para acabar com os três você acredita? –Kanon rebateu, ainda abismado com o que havia visto.

-Sério?

-É, se ele tivesse me falado que estava entrando num inferno astral, eu não o deixaria nem sair de casa, pra não correr o risco; ele falou engolindo em seco,

-Realmente, a Laura falou mesmo que ele fica bastante irritadiço no inferno astral; Celina comentou pensativa. –Mas isso deve ser por causa do desequilíbrio de cosmo, pelo que ela explicou deveria acontecer apenas uma vez por ano, mas isso aconteceu duas vezes esse ano e o pegou de surpresa. Por isso ele anda mais irritado que o normal;

-Não duvido, esse tipo de coisa acaba com o bom humor até de um comediante; ele comentou, antes de franzir o cenho ao ver as valkirias saindo da sala, com expressões fechadas. –Desculpe Celina, mas agora eu preciso ir;

-Tudo bem; ela falou um pouco desapontada por encerrar a conversa. –Desculpe novamente, não costumo fazer julgamento precipitado sobre as coisas;

-Não se preocupe, eu entendo; o geminiano falou sorrindo. –Se cuida;

-Você também; ela respondeu antes de desligar.

Ergueu os orbes para o teto, com ar pensativo. Sentia-se bem melhor agora que conversaram, porém era obrigado a admitir que se o amigo não houvesse feito aquilo, talvez Celina nem falasse mais consigo.

Suspirou pesadamente, essa do ariano sempre saber o que fazer ainda lhe assustada, principalmente depois daquela conversa que haviam tido há algum tempo atrás na Toca do Baco.

Balançou a cabeça levemente para os lados, Celina poderia não ter lhe falado diretamente onde estava, mas sem duvidas, indiretamente deixara a informação vazar. Não tinha duvidas de que ela estava em Londres nesse momento, já que ela mencionara a misteriosa Laura, que Mú vivia falando.

No começo até imaginou que fosse uma possível 'namorada', mas o amigo foi veemente ao afirmar que a relação dos dois era apenas de amizade. Ele dizia que aprendera a detestar essas faltas de atitude com a garota que tinha um temperamento intempestivo e por vezes muito atrevido, o que a levava muitas vezes a falar sem pensar e agir por impulso. O que no final, não era algo ruim, dizia ele.

Mas a verdade é que tinha curiosidade em conhecer a famosa Laura, sabia mais ou menos por cima como eles haviam se conhecido e quando, devido àquela conversa na Toca, entretanto, não prolongou o assunto devido à situação da época. Enfim, era melhor esperar Celina voltar e iria garimpar algumas informações com ela depois; ele pensou, quando a voz de alguém lhe chamou a atenção.

-Kanon, o que esta acontecendo aqui? –Cadmo perguntou aproximando-se com Alanis.

Virou-se para os dois e arqueou a sobrancelha, ainda era difícil vê-los juntos como um casal, ou melhor, era difícil de acreditar que eles fossem mesmo, um casal. Seus instintos diziam que havia mais coisas por trás daquilo do que parecia e a forma como Milo vinha agindo desde que chegou apenas ressaltava isso.

O Escorpião sabia de alguma coisa, mas não iria dizer. Entretanto, isso poderia gerar uma serie de outras ações que apenas iriam complicar mais as coisas dali para frente; ele pensou balançando a cabeça levemente para os lados.

-Mú esta dando uma olhada nas armaduras, os outros estão lá dentro, mas não sei por que elas saíram; ele comentou indicando as garotas.

-Ele pediu; Leda falou com ar aborrecido.

-Mas deve ter seus motivos; Amélia defendeu, lançando um olhar cortante a garota.

-Que seja; ela deu de ombros.

-Meninas, por favor; Alana pediu, vendo que Amélia parecia ainda mais arredia do que de costume.

-Com licença; Aaron falou saindo da sala, quando todos os olhares se voltaram em sua direção. –O Mú já deu um diagnostico para as armaduras, elas não estão mortas; ele falou serio, ouvindo vários suspiros de alivio. –Mas ainda existe um problema a ser resolvido, ele esta analisando as possibilidades e depois vai avisar o que será feito; ele completou.

-Quanto tempo isso vai levar? –Adélia indagou impaciente, enquanto os guerreiros deuses se aproximavam, vindo pelo corredor.

-Paciência é uma virtude; Milo falou, parando ao lado do cavaleiro. –Não adianta, sabemos que vocês estão ansiosas, mas atropelar as coisas não vai levá-las a lugar algum;

-Como se ficar esperando de braços cruzados fosse ajudar em algo; Leda reclamou.

-Se você fosse um pouco mais esperta, arrumaria o que fazer logo; Amélia falou com os orbes serrados de maneira perigosa.

-Oras, quem voc-...;

-Leda; Alanis falou cortando a irmã.

A jovem encolheu-se diante daquele tom de voz, antes de voltar-se para ela, encontrando os orbes da irmã fitando-a com repreensão.

-Não importa se você é uma amazona ou valkiria, sua função é proteger o castelo acima de qualquer coisa, se esta reclamando de que não tem nada para fazer, arrume. Trabalho por aqui é o que não falta, pelo visto andou esquecendo os conceitos de disciplina e hierarquia que lhe ensinei; ela completou.

-Não, mas...; a jovem balbuciou se encolhendo.

Sabia que Alanis ainda estava muito aborrecida consigo, por causa de toda aquela confusão, mas nem mesmo quando passara seis anos treinando com ela na França, a irmã falara consigo daquela forma; ela pensou, lutando contra as emoções conflitantes, tentando impedir os orbes de marejarem.

-Vamos garotas, como Amélia e Alanis disseram, não é difícil arrumar o que fazer; Coralina falou calmamente.

Sem outra alternativa, assentiu seguindo com as demais valkirias para o salão principal do castelo.

-Você não acha que anda pegando pesado com elas? –Alana perguntou aproximando-se da jovem de melenas prateadas.

-Não! –Amélia respondeu displicente. –Você mesmo já teve uma amostra que existem cavaleiros muito mais fortes do que elas jamais ousaram imaginar que existissem. Agora elas pensam que, só porque treinaram com elfos, anões e sei lá mais o que, tem o calibre necessário para enfrentar o que esta por vir; ela rebateu.

-Sim, mas todos estão com os nervos a flor da pele nesse momento; Alana explicou.

-Concordo, porém não sou a favor de você ficar as mimando, quando deveria estar pegando no pé delas, para ver se cai à ficha; ela respondeu com ar sério.

-Como?

-O que ela esta querendo dizer Alana, é que as garotas colocaram na cabeça, que aquilo que já sabem é o suficiente e não estão abertas a novos conhecimentos; Dohko explicou. –Auto confiança gera acidentes, nesse caso, acidentes aos quais, pode colocar a vida de todos em risco; ele completou.

-Leda é teimosa demais e de dar nos nervos quando quer; Alanis comentou. –Não me importo de fazê-la penar um pouquinho, para tirá-la desse pedestal de ouro que ela subiu por conta própria; ela adiantou-se.

-Estamos organizando as coisas para começar a treiná-las, se quiser ajudar; Milo falou calmamente.

-Eu quero; Alanis respondeu veemente diante do olhar intrigado do Escorpião.

-Depois me avisem o que vocês resolveram, tenho umas coisas para fazer agora; Aaron falou, voltando-se para Kanon, que apenas assentiu, vendo-o desaparecer ao longo do corredor.

-Vocês ainda precisam de mais alguma coisa? –Alana indagou, apontando para a sala, onde o ariano ainda estava.

-Uma xícara de café seria bom, se não for incomodar; o ariano falou, saindo da sala.

-Venham comigo então; ela falou calmamente voltando-se para os demais.

-Obrigado; o ariano respondeu sorrindo de maneira acolhedora. –Me permite? –ele indagou estendendo-lhe o braço.

Hesitante, Alana assentiu, ouvindo Dohko bufar logo atrás, mas o cavaleiro apenas puxou-a consigo, caminhando majestosamente pelo corredor.

-Ares; Alanis murmurou vendo-os passarem por si.

-Disse alguma coisa? –Cadmo indagou voltando-se para ela, mas surpreendeu-se ao ver a jovem pálida.

-Milo, quem é aquele cavaleiro? –Alanis indagou voltando-se para o Escorpião que se aproximava.

-O Mú, não se lembra dele Alanis? –ele indagou confuso.

-Sim, mas...; a jovem murmurou. –Por um momento eu pensei que fosse...; ela parou, balançando a cabeça fortemente para os lados. –Deve ser só impressão;

-É, nem eu o reconheceria também; Milo falou. –Nunca imaginei o Mú loiro; ele completou rindo nervosamente, ao lembrar-se do comentário que fizera a pouco e o que isso poderia ter lhe rendido.

-Isso é efeito do inferno astral; Kanon respondeu enquanto seguiam todos juntos para o salão principal. –Isso deveria acontecer apenas uma vez por ano, no ciclo normal do zodíaco;

-Não sabia que o cabelo das pessoas mudavam com o inferno astral; Amélia comentou, acompanhando-os.

-Normalmente não, mas como sabe que mudou? –Kanon indagou voltando-se para ela.

Engoliu em seco, sentindo-se gelar. Droga! Devia estar mais atenta ao que falava, agora como iria explicar aquilo sem se trair. Se bem que, já não conseguia pensar em muita coisa desde que o reencontrara ali.

Conteve um suspiro. É, nem mesmo ela imaginou que ele fosse fica ainda mais atraente naquelas roupas tão escuras quanto à noite e com os cabelos quase dourados.

-Os fiozinhos; ela tentou pareceu casual ao falar.

-Uhn? –Milo murmurou, voltando-se para ela com um olhar perscrutador.

-Ainda tem alguns fios lilases entre os dourados. Então eu supus que a cor original fosse lilás, já que vocês comentaram que nunca o haviam visto loiro; ela explicou.

-É, tem razão; o Escorpião falou dando de ombros antes de voltar-se para o geminiano. –Mas não entendo, quando eu entro em inferno astral meu cabelo não muda de cor;

-Não é com todo cavaleiro que isso acontecesse; Aldebaran explicou. –Comigo mesmo nunca aconteceu, mas eu lembro de ter visto o Mú loiro uma vez; ele falou pensativo.

-Quando? –Kanon indagou curioso.

-Na época da batalha contra os titãs, eu e o Leo tínhamos ido até Jamiel restaurar a armadura. Aquele dia foi muito estranho, eu podia jurar que os olhos tinham mudado de cor também, por pouco não chegando ao prateado; ele completou, mas deu de ombros em seguida. –Deve ser mesmo só inferno astral;

-Porque isso só acontece com algumas pessoas? –Milo perguntou, voltando-se para o tio.

-Eu nunca vi muitas transformações assim, e sinceramente não sei explicar; Cadmo respondeu encolhendo os ombros, antes de enlaçar a jovem a seu lado pela cintura, para caminharem lado a lado.

-É por causa do super nova; Kanon respondeu, chamando-lhes a atenção. –O limite do cosmo. São poucos que o atingiram ou passaram do limite de um cavaleiro de ouro comum, então como em qualquer um dos estudos de Darwin sobre a evolução, começam as mudanças físicas para se adaptar ao meio;

-Explique melhor, por favor; Milo falou, enquanto desciam as escadas.

-Existe um limite para o cosmo, ao ultrapassá-lo, o corpo começa a acumular mais energia do que o comum, porque você acha que Athena proibiu o uso do Exclamação?

-O cosmo de três cavaleiros de ouro, podem chegar ainda mais rápido ao limite, o que causaria uma catástrofe; Aldebaran comentou. –Mas um cavaleiro só levaria mais tempo para chegar a esse limite, não?

-Não se as circunstancias não ajudarem; Kanon falou com ar serio. –Enfim, depois que atinge esse limite, no inferno astral, que é aquele período em que qualquer pessoa esta mais sensível que o comum, entretanto, no nosso caso isso é potencializado pelo cosmo. Acontece essa mudança;

-Meu cabelo nunca ficou prateado; Milo murmurou, passando a mão pelos fios, com ar amuado.

-Não se preocupe com isso; Alanis falou em tom consolador, pousando a mão sobre seu ombro.

-Mas até o Mú já conseguiu; ele resmungou, em tom de criança contrariada.

-Foi há muito tempo Milo, não vale a pena ficar esquentando a cabeça com isso agora; Kanon falou antes de se despedir e ir até a cozinha atrás dos outros.

-Será que eu ia ficar bem de cabelo prateado? –Milo indagou voltando-se para Alanis.

-Ia ficar uma gracinha; ela brincou, dando-lhe um beijo estalado na bochecha. –Agora pare com isso, não quero ver você deprimido;

-Hei! Hei! Hei! Pode parar com isso; Cadmo falou puxando-a mais para perto de si.

-Cadmo; Alanis exasperou com a face em chamas.

-Quem tem, cuida! - ele falou, lançando um olhar enviesado ao sobrinho.

-Ahn! Eu acho melhor ir atrás dos outros. Até depois; o Escorpião adiantou-se antes de sair correndo.

-Sem comentários; Amélia e Aldebaran falaram ao mesmo tempo, vendo o casal afastar-se e começar a discutir.

-Ahn! Poderia lhe acompanhar até a cozinha, senhorita? –o taurino indagou, voltando-se para a jovem.

-Obrigada, mas não estou indo para lá. Quem sabe da próxima; ela falou com um sorriso gentil.

-Tudo bem, com licença então; Aldebaran falou prestando-lhe uma breve mesura antes de se afastar.

Respirou fundo, antes de tomar o caminho oposto e procurar uma das salas, precisava pensar e de preferência, ficar o mais longe possível do ariano. A possibilidade de cometer mais um deslize e se entrar era grande demais para correr o risco; ela pensou.

Continua...

Agora as coisas vão começar a pegar fogo de verdade... XD