Le Femme Musketeers – Era de Ouro

By Dama 9

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Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Ducase, Anjou, D'Arjan e Aaron são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.

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Importante!

Dama 9 e amigos incentivam a criatividade e liberdade de expressão, mas não gostamos de COPY CATS. Então, participe dessa causa. Ao ver alguma história ou qualquer outra coisa feita por fã, ser plagiada ou utilizada de forma indevida sem os devidos créditos, Denuncie!

Boa Leitura!

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Capitulo 10: E movem-se os peões...

.I.

Aproximou-se sem o mínimo de sutileza, as madeixas douradas oscilavam conforme andava e delicadamente fechou o leque que tinha em mãos, para dar pequenos tapinhas em quem entrava em seu caminho.

-Lorde Ducase; Juliana falou iniciando parte do plano para aquela noite.

-Milady; o italiano a cumprimentou com uma formal mesura.

-Perdoe-me por me aproximar assim, mas já tem algum tempo que estava curiosa sobre sua pessoa; ela falou com um sorriso coquete, abrindo o leque num movimento gracioso e colocando-o pouco abaixo dos olhos, conferindo-lhe um olhar misterioso.

-Verdade? Espero que seja uma curiosidade boa? –ele brincou, enquanto estendia-lhe o braço e guiava-lhe pelo salão, dispensando os demais que pairavam ao seu redor.

-Sem duvida que sim; Juliana respondeu sorrindo. –Tanto que decidi deixar as convenções de lado e me apresentar diretamente. Acredito eu, que as coisas sejam mais fáceis assim, não concorda? –ela acrescentou.

-Plenamente, milady; ele falou.

-Por favor, Violet; ela o corrigiu. –Violet Lecrox;

-Acredito que não haja necessidade de eu me apresentar, então; Ares falou levando uma das mãos da jovem aos lábios. –Mas de qualquer forma, Ares Ducase a seu dispor;

-Anchante mecie; ela falou num sussurro, carregando o sotaque frances.

-O prazer é meu; ele respondeu fitando-a com olhos felinos.

.II.

Entrou no cômodo o mais silenciosamente possível, encontrou sobre uma escrivaninha, um tinteiro e uma pena. Com rapidez começou a marcar as entradas que não estavam nos mapas.

A porta do quarto da rainha estava trancada por fora, mas o acesso pelo quarto do rei era livre. Ainda havia algumas passagens no quarto do rei, que levavam a outra sala e ao quarto de banhos.

Qualquer pessoa mal intencionada poderia ter acesso aqueles dois cômodos. O que não era um bom sinal. Se Éris começasse a agir, iria primeiro nos pontos fracos.

-Uhn! Deve ter mais alguma coisa aqui; Sahara murmurou.

Deixou os orbes correrem pelo suntuoso cômodo, o mesmo usado por mais de cinco gerações de reis. Castelos e palácios antigos tinham inúmeras passagens secretas, quem sabe se tivesse acesso às plantas de Versalhes pudesse traçar um plano mais preciso para a segurança do rei.

Se acontecesse algo ao rei, precisavam ter acesso a Versalhes o mais rápido possível, sem que ninguém se colocasse em seu caminho.

-Pense! Pense! – ela murmurou.

Um barulho do outro lado da porta a alertou para a chegada de alguém, guardou rapidamente o mapa e desapareceu bem a tempo da porta abrir-se, revelando alguém cheio de mas intenções.

.III.

Suspirou pesadamente enquanto seguia o irmão pelo extenso salão, até o local onde a mesa que lhes fora reservada, estava.

-O que Saga e Kanon lhe falaram? –Kamus indagou taciturno.

-Estava apenas conversando com Kanon, quando Saga chegou e você me chamou; Aisty respondeu rolando os olhos diante do interrogatório.

-Só isso? –ele quis saber.

-Se duvida, porque não pergunta ao Kanon; ela respondeu aborrecida.

-Desculpe; o irmão murmurou envergonhado. –Mas me preocupa que aqueles dois fiquem te aborrecendo, principalmente porque eles ainda não perderam o vicio de competirem entre si;

-Como assim? –Aisty indagou, enquanto ele lhe puxava uma cadeira.

-Saga e Kanon são bastante competitivos, podemos atribuir isso ao fato de serem gêmeos e a necessidade de um sobressair ao outro, mas as vezes eles esquecem de quem esta no meio; ele comentou.

-Ainda não entendo o que isso tem a ver comigo; ela falou recostando-se na cadeira e apoiando as mãos sobre o colo, numa postura que Fiona soltaria júbilos de alegria.

-Esqueça, são preocupações bobas do seu velho irmão; Kamus falou sorrindo.

-Podem ser bobas, mas você não é velho; Aisty respondeu com um largo sorriso. –Pelo contrario, pode onde passamos, vejo moças suspirando ao olhar para você;

-Puff! Essas debutantes são desinteressantes demais pra mim; ele respondeu passando a mão levemente pelos cabelos.

-Uhn! Sem duvidas; Aisty respondeu prontamente. –Mas conheço alguém que seria perfeita pra você; ela falou enigmática.

-Quem? –ele perguntou curioso.

-Bem... Quem sabe um dia você a conheça, se assim o destino permitir; ela completou antes de desviar o olhar ao ouvir o som de trombetas ecoando pelo salão.

-Vossa Majestade esta chegando; Kamus falou ficando em alerta.

-Parece que sim; Aisty falou levantando-se como os demais ao ver o monarca apontar em uma das entradas, seguido por seu séqüito de conselheiros e o Cardeal.

Lançou um rápido olhar para Juliana, que estava do outro lado do salão com Ares, o ministro parecia por demais encantado com a beldade loira para notar o rei, do outro lado do salão, Sahara se colocava a postos ao lado de Milo como se a festa toda houvesse estado ali.

Muitos mosqueteiros da cede encontravam-se nos vários pavimentos do salão principal, onde tinham uma vista panorâmica de tudo que estava acontecendo, mas também, se alguém decidisse colocar-se entre eles, seria um problema.

-Muitos mosqueteiros estão de prontidão hoje; Aisty comentou, enquanto o rei cruzava o salão cumprimentando a todos.

-Mesmo que não pareça essa é uma situação de risco, Vossa Majestade está muito exposto entre tantas pessoas e isso pode ser perigoso; Kamus sussurrou.

-Não duvido; Aisty respondeu vendo Ares e Juliana se aproximarem do rei para cumprimentá-lo. –Irmão?

-Uhn?

-Você acha que Durval esta aspirando um cargo na Câmara? –Aisty perguntou como quem não quer nada, indicando com o olhar o sempre presente cardeal, ao lado do rei e do primeiro conselheiro.

-Acredito que ele pense que, porque Richelieu conseguiu, nessa geração ele também possa; Kamus falou franzindo o cenho. –Porque?

-Curiosidade; Aisty respondeu sorrindo. –Faz tempo que não me intero sobre a política na França e fiquei curiosa, você bem sabe que em São Petersburgo quem da as cartas é Rasputin, mesmo ele não sendo nada mais do que um conselheiro, ele tem mais influência sobre a monarquia do que o próprio czar, por isso pensei que talvez Durval aspirasse algo parecido;

-A maioria dos homens que se corrompem almejam esse poder; Kamus falou serio. –E é com esses homens que se deve tomar cuidado; ele completou ficando tenso ao ver o rei se aproximando com Mú a seu lado.

-Kamus, como vai?

-Vossa Majestade; ele falou curvando-se, antes de voltar-se para a irmã. –Majestade, essa é Aisty, minha irmã mais nova;

-Milady, é um prazer conhecê-la; ele falou cortesmente.

-Igualmente Majestade; ela falou numa leve mesura.

-Ouvi dizer que faz pouco tempo que chegou a Paris; Shion falou com tranqüilidade.

-Alguns dias, mas acredito que Kamus já esteja com vontade de me despachar de volta para Rússia; Aisty brincou.

-Hei! – ele falou indignado.

-Estou brincando irmãozinho; ela falou sorrindo.

-Milady pretende se fixar em Paris? –Mú indagou casualmente.

-Não, no inverno pretendo ir para a casa dos meus avós em Aberdeen, mas é algo que eu ainda estou ponderando; ela respondeu com tranqüilidade, embora ninguém houvesse notado a troca de olhares que sucedeu-se entre os dois.

-Soube que milady é retratista, esta trabalhando para alguém no momento? –Shion perguntou.

-Não, minha irmã não vende seus trabalhos, Majestade; Kamus respondeu por ela.

-Verdade? –ele indagou curioso.

-Isso mesmo, o tipo de arte que faço é intima demais para ser compartilhada com alguém que seja incapaz de entender e respeitar. Vez ou outra, até presenteio alguém com uma tela, mas é muito raramente; a jovem ressaltou. –Acredito que, quando colocamos tudo de nós em um trabalho, seja em um desenho, ou em uma melodia, ela se torna uma parte importante de nós que nos dispomos a compartilhar com os outros. Da mesma forma que não se vende um filho, não se vende a arte. Pelo menos, não a verdadeira arte;

-É uma pena que muitos artistas não pensem assim; Shion comentou. –O ateliê de Mecie Pierre D'Oun tem ótimos profissionais, também;

-Foi o que eu ouvi dizer; ela falou forçando um sorriso. Toda a Paris sabia que o velho Pierre não passava de um paspalho fanfarrão, que usava e abusada de seus alunos e que repudiava as mulheres como a peste.

-Se nos dão licença, precisamos ir agora, Sua Majestade; Mú o lembrou.

-Ah! Sim... Claro Mú; Shion falou contendo um suspiro enfadado. –Aproveitem a noite, por favor; ele falou despedindo-se dos irmãos antes de se afastar.

-É impressão a minha, ou Sua Majestade não parece muito bem? –Aisty indagou num sussurro para o irmão.

-A casa dos nobres o vem pressionando muito ultimamente; Kamus falou, puxando a cadeira para que a irmã se sentasse novamente. –Shion vai completar trinta e dois anos no fim do verão e até agora uma rainha não foi escolhida; ele comentou.

-Entendo que isso seja importante, caso o rei venha a faltar, mas se ele tem um irmão, a sucessão ao trono esta garantida, não? –ela indagou referindo-se ao príncipe que poucos mencionavam, mas que vivia na Islândia, como embaixador.

-Mesmo assim, o povo se sente mais seguro e estável, quando o monarca possui uma rainha a seu lado, mas Shion sempre muda de assunto, ou arruma uma desculpa qualquer para evitar o casamento, nem mesmo Durval conseguiu fazê-lo mudar de idéia e isso é melhor que podemos desejar no momento; Kamus completou.

-Entendo; ela murmurou pensativa, enquanto seus olhos corriam pelo salão, buscando por Juliana e Sahara. Logo avistou as duas dirigindo-se a cantos opostos. Entretanto, diferente de Juliana que logo sumiu no meio da multidão, Sahara não teve a mesma sorte e acabou por topar com um dos mosqueteiros a paisana aquela noite.

.IV.

Conseguiu deixar as galerias com o coração aos saltos. Os documentos de que precisava, estavam bem guardados no bolso oculto em seu saiote. Por questão de segundos quase foi pega.

Fora tolice a sua imaginar que seria a única a vasculhar os aposentos reais aquela noite, mas pelo menos encontrara coisas interessantes, que poderiam ajudar o conselheiro a proteger o rei.

Alguém estava colocando na suíte real, pequenos objetos envenenados. Era um plano amador para alguém que conhecia os mais variados tipos de veneno e era imune a pelo menos vinte deles. Mas para o rei, se por acaso resolvesse abrir uma correspondência sozinho, em vez de deixar que seu valete o fizesse, poderia ser fatal, ao tocar a lamina do cortador de carta e cutucasse o dedo.

Ou até mesmo se fosse escrever uma carta e deixasse a tinta do tinteiro escorrer em sua pele, entre outras coisas.

Obviamente conseguira neutralizá-los, mas o mais importante fora descobrir quem estava plantando aqueles venenos. Dali a uma semana, o rei e metade de sua corte partiriam para os pântanos de Chamborne, onde ocorreria por duas semanas a caçada anual. Tendas seriam armadas por toda à parte, enquanto as armas de fogo seriam preparadas.

Seria catastrófico; Sahara pensou entrando no salão de baile e misturando-se aos outros convidados.

Se alguém acertasse "sem querer" um tiro no peito do rei, ninguém desconfiaria que fosse algo mais, alem de um acidente. Por tanto, precisavam resolver aquilo em uma semana, por que nem todos os mosqueteiros do mundo seriam capazes de impedir que o rei fosse assassinado em Chamborne; ela pensou antes de chocar-se contra uma parede sólida que obstruiu-lhe a visão.

Estranho, não sabia que havia uma parede no meio do salão de bailes.

-Desculpe, milady; Aiolia falou segurando-a, antes que Sahara caísse para trás, com o choque.

-Não, eu...; Sahara balbuciou desnorteada ao deparar-se com um par de orbes verdes preocupados sobre si. Deveria estar mesmo absorta demais em seus pensamentos para não tê-lo notado. –Esta tudo bem, perdoe minha distração; ela completou ruborizando.

-Não há o que desculpar, mas...; ele parou olhando por sobre o ombro dela. –Pensei que tivesse vindo com os Bering; ele completou.

-Ahn! Sim...; Sahara murmurou. –"Pense! Pense! Droga! O que vou falar?" –ela pensou engolindo em seco.

-Sahara, kyria; a voz de Milo soou a suas costas e ela quase suspirou de puro alivio.

-Kyrio, que bom que o encontrei; Sahara falou carregando o sotaque grego. –Você acredita que uma tal de Lady Belmerk me reteve todo esse tempo na sala de descanso das damas, pedindo as mais absurdas informações sobre você; ela falou com ar exasperado, antes de voltar-se com um olhar inocente para Aiolia. – O pior de tudo, é que ela me reteve por tanto tempo, que no meio dessa multidão, não consigo encontrar Aisty;

-Você deveria alertar essas damas para serem mais discretas, Milo; Aiolia o repreendeu. –Mesmo porque, não é nada educado aborrecer uma dama com assuntos tão levianos quanto esses;

-Não se preocupe Aiolia, vou avisá-las; Milo respondeu casualmente, deixando evidente que não se importava com o interesse quase obsessivo das damas sobre si. Entretanto, somente ele e Sahara sabiam o quanto isso era necessário, irritante, mas importante para que o foco das atenções de desviasse da jovem e recaísse sobre o notório libertino.

Anos atrás Paris fora povoada por boatos referente a sua identidade como Escorpião. Graças a um traidor que espreitava sua família. Cabeças poderiam ter rolado caso não houvesse provocado um escândalo ainda maior, para desviar as atenções; ele pensou. Ninguém podia saber que Sahara era o atual Escorpião, do contrario, a vida dela poderia estar em serio risco por isso.

-Vocês poderiam me indicar onde Aisty se encontra? –Sahara perguntou.

-Se não se importar, posso acompanhá-la até a mesa onde os Bering se encontram? –Aiolia sugeriu.

-Não quero incomodá-lo; ela apressou-se em responder.

-Milo, você se importa? –Aiolia indagou voltando-se para o "primo" da jovem.

-Por favor; ele falou assentindo para que eles fossem.

-Milady; Aiolia falou estendendo-lhe o braço.

Sahara assentiu, embora houvesse lançando um olhar quase suplicando para que Milo intercedesse em sua causa. Entretanto, ele nada fez que não, afastar-se para lhes dar passagem.

Segundos depois, viu-se atravessando o salão de braços dados com o belo mosqueteiro. Deu um pesado suspiro, enquanto desviavam dos demais transeuntes. Desde aquela tarde na casa de Aisty, quando o vira pela primeira vez, perdera completamente a tranqüilidade.

Aqueles orbes verdes pareciam ver mais do que lhe era permitido e em sua profissão, isso era perigoso. Ser o Escorpião, era o mesmo que aceitar a maldição de uma vida solitária. Não podia compartilhar as informações que tinha com ninguém fora da Red Eyes, pois isso significa colocar a vida da pessoa em risco.

Seus milhares de disfarces também eram motivo para preocupação, porque sabia que se não tomasse cuidado, uma hora ou outra seria reconhecida e isso colocaria sua missão a perder.

Entretanto, caminhar de braços dados com ele, lhe dava a sensação de paz, como se flutuasse sobre um mar calmo e tranqüilo, fazendo-a relegar suas preocupações para um cofre em sua mente.

-Isso é perigoso, muito perigoso; ela murmurou.

-Disse algo, milady? –Aiolia perguntou vendo a face calma tornar-se taciturna em questão de segundos.

-Ah! Não... Não disse nada; ela falou, balançando a cabeça de maneira imperceptível, antes de abrir um sorriso cristalino, capaz de deixar um santo com as pernas bambas. –Mas me lembrei de algo, como vão as seções com Aisty? –ela perguntou rapidamente, sem dar-lhe tempo de pensar.

-Bem... Eu acho; ele falou aturdido com a mudança de emoções que sentia vindo dela. Era como se estivesse com duas pessoas a sua frente, totalmente opostas uma da outra. Às vezes sentia isso quando estava com os gêmeos, que eram como água e vinho. Não pensou que fosse se sentir assim com ela. Entretanto, a inquietação que sentia com os gêmeos, era por conta da tensão que sempre acompanhava as brigas e conflitos dos irmãos. Agora o que sentia na presença da jovem lady era algo bem mais complexo. –Acho que vai bem;

-Que bom; ela falou sorrindo novamente. –Ah! Ali esta ela; Sahara completou apontando a jovem de melenas vermelhas e o irmão, que ocupavam uma das muitas mesas espalhadas pelo salão.

-Sim, ali estão eles; Aiolia falou intrigado com as mudanças dela.

.V.

Conversava tranqüilamente com a irmã, quando notou a aproximação quase aflita de Juliana Green Ville, por sobre o ombro da jovem pode notar do outro lado do salão, Lancaster e Firenze discutindo. Estranho, não lembrava-se de ter escalado os dois para vigiarem o palácio aquela noite.

-O que foi, irmão? –Aisty perguntou vendo-o franzir o cenho.

-Eu...;

-Aff! Quando estupidez; Juliana resmungou sentando-se ao lado da jovem, antes que Kamus pudesse ao menos pensar em puxar-lhe a cadeira.

-Algum problema? –Aisty perguntou vendo-a com a face afogueada e a respiração ofegante, provavelmente estivera correndo a julgar pelo rubor que tingia seu colo e pescoço.

-Espero que Firenze e Lancaster não estivessem lhe aborrecendo; Kamus falou dando a entender que conhecia o motivo da exasperação dela.

-Aqueles dois tiram qualquer um do serio; Juliana reclamou, mas deteve-se rapidamente ao se dar conta da forma como estava agindo. Respirou fundo, recompondo-se rapidamente.

Cuidaria daqueles dois parvos outra hora, agora deveria se lembrar que ali, desempenhava o papel de dama cordata e pudica. Que não podia se dar ao luxo de perder a cabeça, ou não melhor das hipóteses, arrancar cabeças, principalmente se fosse daqueles dois.

Droga! Anjou havia dito que Kamus não escalara àqueles dois para vigiarem o palácio àquela noite, então o que eles estavam fazendo ali? –ela se perguntou preocupada.

-Com licença; a voz de Sahara chegou a tempo de impedir que Kamus a questionasse sobre os dois mosqueteiros.

-Já estava pensando em ir procurá-la; Aisty falou com falsa preocupação.

-Acabei sendo redita na sala das damas; Sahara explicou.

-Por culpa de Milo, obviamente; Aiolia reclamou, puxando a cadeira para que ela se sentasse.

-Obrigada; a jovem agradeceu, enquanto Kamus indicava a ele a outra cadeira, para que se juntasse ao grupo.

-Um criado já avisou que o jantar vai ser servido, porque não fica conosco? –Kamus sugeriu, ainda havia mais alguns lugares vazios na mesa.

-Já que você insiste; outra voz respondeu, antes que Aiolia pudesse abrir a boca para falar ou qualquer outro ocupante da mesa, Saga e Kanon já ocupavam os últimos dois lugares.

-Ahn! Obrigado pelo convite; Aiolia falou sentando-se também, antes que mais alguém aparecesse e lhe tirasse o lugar ao lado de Sahara.

-Não lembro do convite ter se estendido a você, Chrisantini; Aisty falou em tom seco.

-Porque provavelmente você não estava atenta ao que Kamus dizia, lady Bering; Saga respondeu com um sorriso debochado.

Serrou os punhos por baixo da mesa, antes que sucumbisse a gana de socar-lhe a cara. Quem aquele intrometido pensava que era para aparecer daquele jeito ali? –ela pensou sentindo as bochechas ficarem vermelhas pela raiva, entretanto, sendo interpretada de maneira errada.

-Pelo visto estou certo; Saga continuou sorrindo vitorioso.

-Pense o que quiser, seu-....;

-Aisty; Kamus a cortou, antes que ela pudesse terminar.

-Que reunião mais agradável; a voz de Durval chamou-lhes a atenção.

Coberto de ouro e peles, o cardeal parou em frente à mesa com um sorriso malicioso, dirigido as damas, fazendo com que os mosqueteiros colocassem-se em pé ao mesmo tempo, como uma barreira entre elas e um aviso para que ele se afastasse.

-Cardeal; Kamus falou em tom gélido.

-Kamus; Durval o cumprimentou, sem tirar os olhos de Aisty. –Imagino que essa seja sua irmã;

-Sim; ele respondeu num rosnado, ao vê-lo passar por si e estender a mão a irmã.

-Lady Aisty; Durval falou.

-Cardeal; ela respondeu vendo-o estender a mão na altura de seus olhos. Voltou os orbes para ele, arqueando a sobrancelha de maneira arrogante. –Como vai lady Éris? –ela perguntou casualmente, vendo-o recuar imediatamente.

-Não sei do que se refere milady; ele falou empalidecendo mortalmente.

-Há sua tão aclamada amizade com lady Éris, mesmo em San Petersburgo tal parceria é notória, principalmente ela sendo uma dama tão distinta. Totalmente envolvida com os problemas da sociedade e com o bem estar do povo; Aisty falou com um sorriso mortalmente angelical.

-Sim! Sim! –ele concordou imediatamente. –Até onde sei, ela está muito bem, mas problemas familiares a mantém presa na Itália; ele falou mudando drasticamente de assunto.

-Não tenho duvidas; ela respondeu.

-Com licença, Sua Majestade esta me chamado; Durval falou saindo praticamente correndo.

-O que foi isso? –Kamus indagou voltando-se para ela.

-Você não pensou mesmo que eu ia beijar a mão dele, não é? –Aisty respondeu com uma expressão de nojo. –Vai saber onde ele andou com aquela mão?

-Eca! –Sahara e Juliana falaram juntas, com a mesma expressão horrorizada.

-Não era disso que estava falando; ele respondeu, evidentemente aliviado pela irmã ter podado a aproximação do cardeal, todos sabiam que ele mal podia ver um rabo de saia que já corria atrás e que não possuía escrúpulo algum ao que se referia as mulheres.

-Quem é lady Éris? –Aiolia perguntou.

-Irmã gêmea de Lorde Ares Ducase; Aisty respondeu calmamente.

-Mas o que ela tem a ver com a França? –Kanon perguntou.

-Não deveria ter nada; Kamus respondeu de imediato, mantendo os olhos na irmã. –Ou eu não estou sabendo de algo?

-Até onde eu sei, ela é uma grande colaboradora de Roma e propagadora dos conhecimentos cristãos. Como disse, mesmo em San Petersburgo, chegaram rumores dos trabalhos que ela vem fazendo com o povo, catequizando-os; Aisty respondeu, tentando parecer o mais inocente possível.

Desde que anos atrás a igreja romana, fora dividida entre católicos e protestantes, por Henrique VIII, o papa havia ordenado que os padres se espalhassem por todo o continente, convertendo as ovelhas desgarradas.

Entretanto, poucos sabiam que a fachada de boa samaritana de Éris, era apenas isso, fachada. Ela usava a influência política do vaticano, para arrebanhar seguidores, sim, não para a igreja, mas para si mesma.

Ainda não sabia o porque ela escolhera a França como alvo, mas sabia que ela estava angariando um exercito de soltados que poderiam destruir Versalhes e depor o rei se ela desejasse, mas ela estava jogando com outras armas.

Coletando o apoio dos lordes da Câmara dos Comuns, ela queria manipular o conselho e o rei, começando obviamente pelo tolo cardeal.

-Não parece ser só isso; Saga falou perspicaz, lançando-lhe um olhar perscrutador. –Ele pareceu ter visto um fantasma quando você falou em Éris; ele comentou.

-Deve ser só impressão a sua; ela respondeu dando de ombros.

Embora aparentasse calma, todos ali sabiam que aquilo era mentira. O cardeal ficara evidentemente apavorado ao ouvir falar em Éris e aquilo precisava ser investigado o quanto antes.

Continua...