Cap. 11
A aliança
"Itália?"
Itália voltou à realidade quando as orbes de Japão se encontraram com as suas.
_ O que está olhando? Ainda se sente mal?
De repente o celular de Espanha tocou, tão subitamente que todos pularam para trás assustados.
_ Aaaah! Essa não! _ Espanha mirava o aparelho desesperado e segurava Romano pelos ombros_ E agora, Romano? O que vamos fazer?
_ D... Do que você está falando?
_ Esqueci de ligar pro Áustria e os outros quando achamos o Ita!
_ ...
_ Peraí, o que? _ França inquiriu tão abismado quanto os outros _ Áustria está vindo? Espere... "Outros"?
_ Sim. Quase todos os que foram pro encontro mundial. _ Respondeu Romano.
_ Isso mesmo. Sabem como é, eles acabaram dando um apoio. Romano estava desesperado tentando salvar Itália. Eu nunca o vi sendo tão honesto...
_ Cale a boca, idiota! Ora, o que há de errado em engolir meu orgulho pra salvar meu irmão?
_ É, tem razão! _ Prússia deu um soco no ar de acordo.
Já Veneziano simplesmente sorriu:
_ Romano... Obrigado.
_ Hnf. Só quero que você volte. Não quero passar por isso novamente.
O aparelho insistia em tocar para um Espanha que tratava de prepara todas as suas células nervosas para uma verdadeira bronca. E Rússia, no àpice de sua solidariedade, lembrou:
_ Nossos celulares funcionam um pouco desde que o tempo se ajeitou. Que tal colocar no viva-voz, da?
_ Isso mesmo-aru! _ China lhe lançou um sorriso travesso _ Tenho certeza que vamos poder ouvir a voz furiosa dele daqui!
_ Beleza! _ América juntava-se aos dois _ Vamos ver Espanha levar uma bronca!
_ Oh, Deus! Romano, você não pode atender no meu lugar?
Romano cruzou os braços e falou simplesmente:
_ Atenda logo isso.
_ Ah...Ta bom... _ Espanha atendeu _ A... Alô?
_ Oi _ A elegante voz de Áustria foi ouvida.
_ Quanto tempo, heim?
_ Sim. Muito tempo.
_ Como você está?
_ Bem, obrigado.
_ Er... Bem, eu sinto muito. Realmente esqueci de ligar pra você... Eu estava com Romano e...
_ Sim, sim _ De repente a voz de Áustria foi ganhando um tom severo e irônico _ Há um monte de coisas que eu quero dizer, ou melhor, muito mais que um monte de coisas. _ E foi se agravando cada vez mais _ Até Romano ligar para nós, estávamos preocupados! _ Explodiu de vez _ Seu imbecil!
Prússia ria em silêncio.
_ Roma...? _ Espanha virava-se para o mais novo, que continuava de braços cruzados e rosto virado.
_ Idiota...
_ Itália, você pode me ouvir?
_ Ahn...? _ inquiriu Veneziano _ Sim.
_ Então procure olhar pela janela.
_ Ah... Certo.
_ Espere! Não vá sozinho! _ Canadá se adiantou _ Vamos todos juntos!
Antes que Itália fosse até a escada, Inglaterra segurou-lhe o pulso, detendo-o.
_ Huh?
_ Espere, não vá na frente. Você é um alvo, não? Fique atrás de mim. _ Ordenou o europeu descendo as escadas primeiro.
América rapidamente os acompanhou, sendo seguido de Alemanha e dos demais.
_ Vamos logo ou ele não vai parar de reclamar. _ Prússia satirizava descendo as escadas do esconderijo _ Se bem que eu acho que ele não vai conseguir nos ver com as grades.
Ao descerem do abrigo e, consequentemente, caminharem para fora daquele quarto, Inglaterra passou a vista por todo corredor enquanto Japão e Alemanha pareciam mais uma espécie de guarda-costas de Itália.
França passou por todos e olhou pela janela. Acabou cobrindo um risinho com uma das mãos ao fazer isso:
_ Não acredito...
_ Huh? _ Itália se aproximou _ O que você está olhando, França?
Prussia se posicionou ao lado de França e Itália fez mensão de imitar o gesto, mas a voz de Áustria no celuçar o induziu a ficar onde estava.
_ Itália, ouvi dizer que você tomou medidas drásticas. Não foi muito louvável, foi?
_ Ahn! Eu sinto muito... Eu... Eu só...
_ Você não é só um idiota! Você é um idiota completo! Tem alguma idéia do quão preocupado estava Romano?
_ Hei! Pode parar! _ Alemanha censurou.
_ Nããão! _ Prússia gritou animadamente enquanto olhava pela janela _ Continue falando, Áustria! Hei, Itália, olhe a janela!
Itália suspirou e se aproximou do vidro, sem imaginar o que poderia haver de tão interessante.
De repente seus olhos se arregalaram ao ver vários pontinhos no terreno ao redor da casa. Áustria. E não só ele. Hungria, Suíça, Lituânia, Polônia e muitos outros.
_ Oh!
Para o seu espanto, havia várias nações perambulando ao redor da mansão.
_ Itália, eu não aprovo sua idéia de tentar resolver tudo sozinho. Mesmo assim... Você deu o seu melhor. Estamos todos aqui para ajudá-lo, só que, infelizmente, não conseguimos encontrar uma maneira de entrar. Vamos fazer o possível aqui fora, mesmo que isso seja frustrante.
Inglaterra erguia as sobrancelhas impressionado:
_ Aqueles ali são os nórdicos! E aquelas são...!
Russia perdeu a cor:
_ Ucrânia... E até Bielorrússia!
_ Extraordinário! Realmente temos que sair daqui juntos.
_ Eu... _ Itália sibilava admirado _ Não estou sozinho...
_ Isso mesmo, Itália. Amplie seus horizontes. Além disso, você tem que voltar pra casa logo. Os bolos estão ficando frios. _ Veneziano riu ao ouvir aquilo _ Vocês tem que sair sãos e salvos. Também estamos fazendo tudo o que podemos aqui. Hm... Só é um pouco estranho. Estamos todos concordando muito um com o outro.
_ É um sinal de união-aru! _ China, que até então estava apoiado no vidro da janela, olhou para o celular por cima do ombro.
_ Haha! É verdade! _ América ria abertamente _ Nunca fizemos alguma coisa juntos numa reunião e agora nós começamos a trabalhar em equipe!
_ Lógico! _ Espanha apoiava-se em sua foice com um grande lenço vermelho amarrado _ Dessa vez temos que lutar, e não se dar bem... Afinal somos todos nações.
Itália assistia ao cenário ainda atônito. Aquele era o momento. Deveria tentar outra vez. A carta que seu auto-passado escreveu pedia para que ele contasse a verdade. Deveria obedecer a vontade de seu próprio eu, não?
Ainda não estava com todas as lembranças, mas já estava em condições de tirar muitas dúvidas.
_ Desculpem-me por fazê-los esperar.
_ Hn? _ Japão o mirou _ Itália?
_ Eu vou contar tudo. Pelo menos tudo o que eu conseguir me lembrar.
_ Sério? _ Prússia tomou o celular de Espanha _ É isso aí, pianista! Você ouviu. Vamos fazer umas perguntas pro Itália!
_ Entendo. Também temos que ir por enquanto. Se acontecer alguma coisa, me liguem.
_ Pode deixar. Tome cuidado. _ Desligou o celular.
Quando Veneziano menos esperou, todos os outros haviam se voltado para ele, transformando-o no centro das atenções... Literalmente.
_ Bem... Agora... Er... O que querem ouvir?
Japão moveu levemente a cabeça, um pouco desconsertado:
_ Não é a primeira vez que viemos pra cá, certo?
Um silêncio momentâneo se instalou no recinto. Itália respirou fundo... E de novo, e de novo.
_ Isso mesmo... _ Respondeu num sussurro quase inaudível _ Já passamos por isso várias vezes, desde o encontro mundial. Querem saber como isso começou? _ Seu semblante ganhou os traços de melancolia que, na opinião de todos, não ficavam bem nele _ Antes do encontro eu fugi do treino do Alemanha e fui dar uma volta na cidade... Foi quando ouvi os rumores sobre essa casa... Achei que seria interessante se viéssemos dar uma olhada e contei pro América.
_ É, nenhuma diferença até agora. _ Interveio Estados Unidos.
_ Na verdade tem sim. Da primeira vez eu vim com todos vocês... Exceto Romano e Espanha, claro. Achei que seria engraçado...
Itália tentou rir, mas não conseguiu. Era difícil ignorar aquele nó que se formava em sua garganta à medida que as lembranças se desenhavam.
_ Nós entramos... Mas... Como vocês sabem, tinha um monstro aqui dentro. Ele nos atacou e acabamos corremos em direções diferentes. Eu me perdi de todo mundo. Fiquei tão assustado que não fiz idéia do que tinha acontecido. Só queria achar alguém o mais rápido possível.
O silêncio momentâneo não foi cortado por ninguém senão pelo próprio narrador com a voz fraca e trêmula.
_ Depois de andar bastante eu encontrei Japão. Fiquei realmente feliz, mas... Ele tinha acabado de ser atingido pelo inimigo. E então... Ele acabou... Bem... _ Respirou fundo sem querer concluir _ É estranho porque eu cheguei a esquecer completamente que Japão tinha aparecido. Só sentia um vazio... Como se algo tivesse sido apagado.
Os olhares de Itália e Japão se cruzaram de um modo indefinido. De um lado, era como se Veneziano pedisse silenciosas desculpas, de outro, Japão procurava um meio de confortar o amigo, embora lhe faltassem palavras. Não gostava de ver Itália assim.
_ Enquanto eu procurava descobrir o que havia de errado com minha memória... _ O europeu continuou _ China, Russia, França, América, Canadá e Inglaterra foram mortos um por um... No final eu finalmente pude ser capaz de escapar... Só que Alemanha e Prussia tinham morrido. Eu fui o único que sobreviveu.
_ Você ficou... Sozinho... _ França concluiu.
_ Sim... Era pra eu ir embora, mas estava desnorteado. Fiquei vagando pela casa, e antes que eu percebesse, estava na biblioteca. Foi quando eu encontrei isso_ Mostrou o diário que, até então, escondia dentro de seu casaco.
China ergueu uma das sobrancelhas:
_ Essa é a bíblia que você vem carregando o tempo todo, não é?
_ Parece uma bíblia, mas é uma espécie de diário. Quando abri, tinha o nome de seu proprietário anterior escrito.
Japão pegou o diário e leu o nome apontado pelo amigo:
_ "Ryuuzu no Ko".
_ Todos morreram diante dos meus olhos. Eu realmente não estava mais pensando direito... Bem... É aí que as minhas memórias ficam um pouco confusas... Eu só sei que ía jogar esse livro fora, mas o monstro me achou e acabei saindo correndo, levando-o comigo.
"E no fim... Eu acabei saindo da casa"
Estava chovendo naquela hora. Quando Itália deu por si, já havia destrancado a porta da frente e sentia a água molhar-lhe os cabelos e a roupa. Assustou-se ao perceber as gotas geladas em sua pele. Girou as palmas para cima, testemunhando a água se acumular nelas, e olhou para o céu num desespero insano que insistia em se parecer com a alegria.
Algo estava errado.
_ Eu saí... _ Balbuciava nervosamente sem saber se seu rosto era molhado pela chuva ou pelo resto do pranto _ Eu fui o único que sobreviveu... O único que saiu...
Tentava rir. Tentava desesperadamente rir, mas era inútil. Como se seu corpo sofresse os efeitos de uma ressaca, olhou para frente e caminhou até a saída de uma forma débil. Não andava em linha reta, tampouco com postura ereta. Além disso, bastaram algumas passadas para que seus pés se negassem a continuar.
Estava vazio. Ou queria estar.
_ Eu não devia ir embora... _ Sussurrou e olhou para a casa por cima do ombro _ Por que? Isso não faz o menor sentido. _ A fúria lhe encheu o peito _ Eu fui o único que sobrou! Por que? POR QUE?
As últimas palavras foram dita em plenos pulmões e quando Itália menos percebeu, estava quase arrancando os próprios cabelos e prestes a se prostar de joelhos no chão. Todavia, um estrondo o tirou de seus próprio pensamentos e quando Veneziano deu por si, a criatura também havia saído da casa.
Sem pensar em mais nada, correu como nunca, sabendo que o inimigo estava prestes a alcançá-lo. Aquele monstro não conseguiria, Itália sabia que sempre fora expert em fugas.
Fugas...
Fugiria novamente...?
Mal atravessou o portão quando girou sobre os calcanhares e gritou ao oponente:
_ PAAAARE!
E para a sua surpresa a criatura parou.
_ Eu venci, certo? _ Itália falava desafiador _ Você não pode me pegar! Você perdeu! Quando eu for embora de vez, você perderá! Não há nada que você possa fazer nessa distância!
Viu os olhos negros da criatura se contraírem numa raiva latente, porem isso não o intimidou.
_ Quando eu sair daqui, esse lugar não será como antes! Como nação, eu irei destruir isso aqui! _ Debochou _ Está frustrado, não? No final das contas o último trunfo é meu. Ha! Você perdeu pra um cara que tudo o que tem são pés rápidos.
Podia provocar aquele ser por horas e de diversas formas. De algum modo aquilo era estranhamente prazeroso. Na impossibilidade de golpeá-lo, a humilhação parecia a alternativa mais eficaz à solidão.
Mas havia coisas mais importantes a fazer.
_ Volte.
Pediu, e por um momento a criatura pareceu não entender.
_ Leve-nos de volta! Você pode fazer isso distorcendo o tempo e o espaço, não? _ Cerrou os dentes e os punhos _ Se você fizer isso, por que não me pega primeiro? Eu deixarei você me pegar!
Um trovoada cortou o vento e a chuva se intensificou.
_ LEVE-NOS DE VOLTA!
Itália sacudiu a cabeça ao lembrar-se.
_ Quando dei por mim, havia voltado ao encontro mundial. O diário estava na minha mão... E sabia que tinha voltado no tempo. A prova de que eu virei Ryuuzu é que o antigo dono escreveu no diário que era o único que poderia voltar no tempo.
_ Então o pacto era de que você voltasse para que ele pudesse devorá-lo. _ Alemanha concluiu.
_ Na verdade... Da segunda vez eu não quis vir pra ca. Tentei parar América, mas já era tarde demais, vocês já tinham vindo... No final das contas, não importava quantas vezes eu voltasse no tempo, eu nunca conseguia voltar para antes d'eu contar para América sobre essa casa. Nós sempre acabávamos vindo pra ca, mesmo em grupos diferentes. Sempre.
_ Isso explica aquelas lembranças falsas _ China concluiu cruzando os braços _ Viemos pra cá em diferentes grupos.
_ Sim. _ Itália encolheu os ombros e confessou _ Na segunda vez, eu não pude salvar Inglaterra, China ou América e sobrevivi novamente.
Japão e Estados Unidos arregalaram os olhos nessa hora.
_ Então, mais uma vez...
_ Epa! Pera, pera um pouco! _ As mãos de América estavam com a palma virada para a frente e sacodiam de forma frenética _ Na segunda vez que voltamos no tempo... Er... Eu sobrevivi, certo?
_ Heim? _ Itália abriu a boca surpreso.
_ Foi o que eu disse. Na verdade, você foi o único que morreu na sala em frente da sala da lareira.
_ Eu? Mas... É impossível!
A interrogação que enchia os ares era quase palpável, e Alemanha estava bem desconfortável com aquela revelação. Foi então que Inglaterra uniu as sobrancelhas e se segurou para não coçar a cabeça:
_ Será que você não está confuso com tantas voltas no tempo?
_ A segunda vez não foi igual a primeira... _ Itália tentava raciocinar _ Mas... Eu ainda me lembro perfeitamente. _ Apesar da afirmativa, sua cara deixava estampada a dúvida _ Quer dizer, se eu morri, quem voltou no tempo? Eu sou o único que pode fazer isso... Eu acho.
_ Mas América e eu vimos quando quebramos o relógio _ Japão informou _ É difícil pra mim dizer isso, mas... Tenho certeza que apenas você morreu da segunda vez.
_ Foi? Mas... Em outras épocas eu cheguei a contar tudo pra vocês como eu fiz agora, mas na segunda vez... Hm... Onde estava esse relógio?
_ Lembra-se daquela caixa que ninguém conseguia abrir? _ América perguntou _ Pois é, estava la dentro junto com a carta que você enviou pra si mesmo.
_ Então tinha alguma coisa dentro da caixa?
Estava claro que Itália Veneziano não mentia. Seus olhos ambarinos sobressaltados e sua boca aberta mostravam isso. Não havia o que se discutir.
Inglaterra baixou a cabeça e fez a confissão baseada na desgostosa lembrança do que acabara de ver no porão. Aliais, cogitar a hipótese de que havia morrido várias vezes estava longe de ser agradável:
_ Tudo indica que fui eu que lacrei aquela caixa... Ou melhor, meu auto-passado lacrou.
Itália fechou a boca e ergueu as sobrancelhas. Logo sentiu Espanha descansar a mão em seu ombro:
_ Ita, talvez você ainda não tenha recuperado toda a sua memória e por isso está confuso.
_ Sim _ Canadá sorriu timidamente _ Não podemos esperar que você se lembre logo de tudo, mas já entendemos por onde a coisa vai. Morremos da primeira vez e você voltou no tempo. Aliais, você é o único que pode voltar no tempo até saírmos daqui sãos e salvos, certo?
Itália assentiu, porém Japão permanecia pensativo. Tinha certeza que vira uma época em que a Itália perdeu a vida... E se aquela lembrança foi real, quem retrocedeu ao passado?
_ Itália, como você voltou no tempo? _ O asiático inquiriu.
_ Huh? Ah... Bem... Tem um relógio grande nessa casa. Um bem grande mesmo. Tudo o que eu tenho que fazer é retardá-lo.
_ E isso fica em um lugar diferente a cada vez?
_ Isso. Da primeira vez ele veio até mim pra que eu pudesse escapar, mas sempre que algo acontecia, eu ia atrás dele e o encontrava em um lugar diferente. Infelizmente é a única forma de fugir.
_ Você quer dizer, de todo mundo fugir, certo? Incluindo você.
Itália perdeu a cor, e por alguns segundos não soube o que dizer. Já não sabia se queria ser devorado primeiro ou não, tampouco se valia a pena o que fazia. Chegou a se perguntar se aquelas dúvidas o fizeram não se esforçar o suficiente.
Eram questões bem complexas.
Então viu Japão se aproximar dele e segurar delicadamente seus pulsos, trazendo um cálido conforto.
_ Itália...
_ Hn...?
_ Você se lembra de quando eu perguntei se você estava machucado? _ O asiático o viu assentir _ Eu vou refazer minha pergunta.
_ T... Ta...
_ Itália... _ Japão sorriu _ Há algum lugar onde você quer estar?
A pergunta emocionou Veneziano, que, há tempos não pensava sobre isso. Até então agia quase mecanicamente, movido pelo pavor de ficar sozinho novamente.
_ Japão...
_ Por favor, responda-me.
O riso de Itália saiu soluçado, juntamente com uma nota de choro:
_ Todo esse tempo, eu queria estar com vocês... Tudo me machuca, mas não consegui parar de tentar salvá-los... E ainda não consegui encontrar uma maneira de fazer isso... _ Soltou um dos pulsos da mão de Japão e enxugou os olhos _ Na verdade, eu queria estar com vocês também. Eu queria fugir com todos.
_ Então faça isso, Itália.
Prussia fez uma careta:
_ Japão, você está fazendo Itália chorar!
_ Prussia, isso é uma conversa séria _ Alemanha o reprimiu.
_ Enfim! _ América encheu-se do proprio vigor _ Nós todos vamos viver e escapar juntos! Aquela foi literalmente a última vez que Itália teve que confiar no relógio, ok?
_ Sem objeções. _ O Reino Unido sorriu convito, apoiando uma das mãos na cintura.
Romano via o irmão recebendo um lenço de França, Alemanha censurando Prussia, Russia contemplando calmamente a janela (mais especificamente, suas irmãs), China encostado na parede e com os braços cruzados...
A situação parecia estar um pouco melhor do que antes, contudo algo ainda o enculcava. Muitas coisas não se encaixam e Romano não conseguia compreender todas as recordações que tinha.
_ Não pense muito nisso. _ Espanha o acalmou docemente, para a surpresa do mais novo _ Basta pensar que as manchas vermelhas em suas roupas eram só manchas de tomate. Não pode ter sido qualquer outra coisa.
Foi impossível evitar refletir sobre as palavras do auto-proclamado país de paixão. Romano o fitou por alguns segundos e desviou a visão para o lado contrário:
_ ...Certo. Depois eu pergunto pra ele. Por enquanto acho que é suficiente termos descoberto isso. Além disso, eles estão um pouco menos preocupados agora.
_ Bom garoto.
_ P... Pare de me tratar feito criança!
De repente os olhos de Japão focaram a esquerda do corredor, a tempo de ver a criatura deformada correr a passos pesados em direção ao grupo.
_ Parece que nosso debate acaba por aqui. Temos um visitante. _ Desembainhou a katana e se colocou em posição de guarda.
O espanto foi tanto que Espanha acabou soltando um berro enquanto abraçava Romano como um náufrago que se agarra a um pedaço de madeira.
_ AAAAAH! O QUE É AQUELA COISA?
_ PARE DE GRITAR NO MEU OUVIDO! _ Protestou Romano.
Outro monstro surgiu arrombando a porta detrás deles.
_ AAAAAAAAAH! TEM OUTRA ALI! OUTRA ALIIII!
_ Essa é uma reação natural, mon ami. _ França desembainhava a espada _ Acho que já passamos por isso tantas vezes que acamos nos acostumando.
_ Parem de enrolação e bora pra porrada! _ Prussia avançou em um deles.
Alemanha puxou Itália para trás de si enquanto Prussia e Japão partiram para atacar um dos inimigos com as respectivas lâminas. O outro monstro se ateve a perseguir Inglaterra, mas antes que pudesse desferir um violento golpe, França puxou a nação pelo braço e América correu para frente do monstro, pronto pra disparar todas as suas balas.
Se houvesse munição em sua pistola.
_ Irc! Essa não!
Quando América olhou pra frente, a criatura já havia se aproximado e com apenas uma mão o prensou contra a parede, quase quebrando os tijolos.
_ ARH!
_ América! _ Canadá correu em socorro ao irmão.
_ FIQUE LONGE, CANADÁ!
A voz furiosa de América foi tão súbita que Canadá parou no meio do caminho atônito. Nesse momento, Inglaterra soltou-se de França e abriu seu grimório.
_ Expecto Patronus!
De dentro do artefato saiu um grifo prateado de energia pura, que colidiu com o inimigo e o afastou de América. Todavia aquilo não foi o suficiente para deter a criatura, que passou para o alvo mais próximo: Canadá. Tão rapidamente que o pacífico americano apenas não foi atingido porque França o empurrou pra trás e feriu a mão do oponente com a espada.
_ Protejam-se-aru! _ China chegou correndo e desferiu uma série de golpes no oponente.
Seguido dele, Russia desembainhou sua espada e acertou o ventre do monstro.
Enquanto isso, Japão fora arremessado contra a parede e pôde ter certeza que seu cérebro se revirou dentro da caixa craniana. O mesmo aconteceu com Prussia. Alemanha muniu-se do chicote iniciando sua série de torturas enquanto Espanha avançava com sua foice.
_ Veneziano, você está bem? _ Romano perguntava se colocando a frente do irmão.
_ Sim... Temos que ajudá-los.
_ Deixa comigo.
Romano tirou da mochila um rifle, e apontou-a para o monstro. Apenas esperou Espanha e Alemanha se afastarem para desferir boa parte de sua munição na coisa, tão bruscamente que assustou a todos.
Uma vez alvejado de tiros, um dos monstros desapareceu, seguido do outro.
Uma aparente vitória.
Espanha caiu sobre os joelhos aliviado.
_ Ótimo, já não é mais um. São dois! _ Prussia reclamava tirando a poeira da roupa _ Pelo menos os dois eram mais fracos do que aquele grandão que atacou Itália.
_ Então são três no mínimo. _ Concluiu França.
_ Droga.
_ Pelo visto já posso ao menos invocar meu espírito guardião._ Deduziu Inglaterra folheando o grimório _ Ainda que não faça muita coisa. _ Em seguida se virou para América _ E você, seu imprudente, tenha certeza de que está com balas suficientes antes de se meter na frente daquela coisa!
_ Hehe! Bem... Acho que posso voltar a usar aquele cano de ferro...
_ Não precisa. _ Alemanha falou, tirando a própria pistola do suporte e oferecendo-a para América _ Tome. Prefiro usar o chicote.
_ Ah. Valeu!
Prussia, por sua vez, tentava não passar o mesmo constrangimento do dia anterior. Isso porque, novamente, aquelas vozes gritavam em sua mente. "PARABÉNS! PARABÉNS!" Apertava os olhos atordoado, torcendo para que ninguém notasse. Não saberia explicar se houvesse qualquer pergunta.
_ Vamos voltar _ Japão sugeriu _ O dia foi longo.
Novamente seguros, ou era isso que achavam.
Todos estavam em volta da mesma mesa de madeira, como se a ocasião fosse um importante encontro de nações. Mas dessa vez nem Alemanha, nem Estados Unidos estavam numa das extremidades, prontos para conduzir a sessão. A verdade é que todos ali estavam bastantes cansados.
França e América sentaram-se um de cada lado de Inglaterra, e à direita de Estados Unidos estava o antigo bloco do eixo.
No outro lado, estavam sentados, respectivamente, Romano, Espanha, Prussia, China, Canadá e Russia.
Itália suspirou.
_ Sinto muito. Perdi a maioria das minhas lembranças.
_ Está tudo bem _ Falou o Reino Unido _ Deixe o resto conosco.
_ Hei... _ Rússia coçava o rosto sem jeito _ Vocês não se sentem um pouco estranho quando estão prestes a morrer?
_ Você quer saber se nos sentimos como os humanos? _ França inquiriu e deu de ombros _ Acho que é isso que somos neste lugar.
_ É verdade-aru _ China murmurou cabisbaixo _ Meu corpo não carrega minha nação... Ainda que eu não esteja diferente.
Itália olhou para Alemanha com certa melancolia.
_ Eu me pergunto se vou me esquecer de novo. Eu... Eu não quero me esquecer desse laço que formamos agora.
_ Itália...
_ É... _ Espanha suspirou _ Será que não há nada que possamos fazer aqui?
Houve um breve silêncio. Todos se puseram a pensar e América não foi uma exceção. Na verdade, uma idéia ainda sem forma brotava em sua cabeça. Incerta, mas com certeza seria brilhante. Claro! Deduziu inconscientemente, afinal todas as suas idéias são brilhantes! Assim que aquela tomasse forma, certamente seria genial. Ela amadureceu, e quando criou vida, os olhos de Estados Unidos brilharam.
De repente a nação bateu na mesa, inclinou-se pra frente e anunciou:
_ Já sei! Vamos formar uma aliança! _ Ganhou a atenção de todos _ Um testemunho desse nosso novo laço, sem qualquer relação com os Aliados, o Eixo ou até as nações neutras, mas a todos nós que estamos aqui!
Inglaterra franziu o cenho tentando extrair os pontos idiotas da idéia e, para a sua surpresa, não encontrou nenhum. Pelo contrário, a idéia era ótima. Estava prestes a fazer um comentário positivo, porém Prussia foi mais rápido.
_ Parece interessante. O incrível "eu" aprova!
_ Concordo com América _ Apesar de falar seriamente, Japão achava engraçado por ser a primeira vez que realmente concordava com Estados Unidos _ Será que já formamos uma aliança antes?
_ Não que eu saiba _ Romano respondeu pelo irmão _ Eu também aprovo.
_ Eu não aceito objeções, heim! _ América puxou uma folha de papel (até então dobrada em quatro partes) do bolso do casaco _ Depois de todo esse problema, devemos assinar um documento! _ vasculhava seus bolsos em busca de uma caneta, sem sucesso _ Err... _ viu Inglaterra lhe oferecer uma caneta _ Podemos simplesmente manter isso.
Alemanha assentiu:
_ Sim. Bem, primeiro de tudo ... Vamos ter que acreditar uns nos outros, ajudar uns aos outros, confiar uns nos outros! _ Ditava para o americano que escrevia rapidamente no papel _ Além disso, prometemos fugir todos juntos! _ Viu Itália corar nessa última parte _ Isso é tudo!
_ Beleza! Agora só precisamos assinar!
Antes que América assinasse o próprio nome, Russia o deteve:
_ Er... Acho que não podemos fazer isso.
_ Huh! _ China, bem como todos os demais, exclamaram perplexos _ Do que está falando-aru?
_ Foi mal. Lamento jogar um balde d'água em vocês, mas somos nações. Estamos fazendo uma aliança com muitas nações de uma forma arbitrária... Isso não é certo...
América viu sua brilhante idéia se desmaterializar e se perder no espaço.
_ Mas nossas assinaturas só vão valer dentro dessa casa, certo? _ Inglaterra tentou argumentar.
_ Bem, esse é o problema. Digo, não sabemos quem pode colocar as mãos nesse documento. Vamos deixá-lo nesse lugar estranho onde só Deus sabe quem pode vê-lo.
Definitivamente, Russia tinha razão e isso era lamentável.
_ Entendo... _ Alemanha suspirou _ Mesmo que sejamos humanos aqui dentro, nada muda o fato de sermos nações.
_ Então... _ Inquiriu Itália _ Não podemos formar uma aliança?
_ S... Sinto muito _ Russia se desculpou verdadeiramente _ Eu também queria fazer uma aliança se eu pudesse, mas temos que pensar nas nações que levamos nos ombros.
A decepção era tanta que América sentiu vontade de simplesmente quebrar a caneta no meio, mas lembrou-se a tempo de que o objeto pertencia a Inglaterra e, pelo peso, não era barata. Podia até mesmo ser uma daquelas relíquias que ele adora. As outras nações permaneceram caladas, inclusive Japão. O asiático dava voltas e voltas acerca do que ele julgava ser a primeira boa idéia que já ouvira partir de América. Não era possível que não pudesse ser aproveitada.
Ou quem sabe...
_ E se não formarmos uma aliança como nações, e sim como humanos? _ Arriscou, e quando todos os olhares se voltaram para ele, prosseguiu _ Vou explicar. Vamos assinar esse papel como humanos agora. Quer dizer... Nós podemos escolher nomes humanos para nós mesmos e então assinar.
_ Um nome humano ao invés de Romano? _ Romano raciocionou esperançoso acerca da sugestão _ Hm... Parece bom. O que você acha, Veneziano?
_ Apoiado! _ Itália sorriu abertamente _ Boa idéia! Se fizermos isso vamos poder formar uma aliança!
Contagiado pela solução, América rapidamente voltou a escrever na folha, agradecendo por não ter quebrado a caneta.
_ Legal! Eu começo! Hm... Vamos ver... Al... Er... Alfred F. Jones! _ Assinou de uma vez e passou para Canadá à sua frente.
_ Eu vou ser Matthew Williams.
_ Wang Yao. _ China, ao lado de Canadá, assinou e passou imediatamente para Prussia à sua direita.
_ Gostei! Eu serei Gilbert Beilschmidt! O que acham? Muito incrível, não?
França se levantou e se esticou o braço para pegar o papel, assinando-o com uma bela letra:
_ Então eu serei Francis Bonnefoy. _ E passou o papel para Russia, à sua frente.
_ Hm... Eu acho que vou me chamar Ivan Braginsky.
_ Minha vez! _ Espanha, quase na outra extremidade, pediu o papel _ Eu serei Antonio Hernández Carriedo... Epa. Acabou o espaço...
Inglaterra olhou para cima antes de pedir o papel:
_ Me dê isso aqui. Meu nome é Arthur Kirkland.
A folha passou pela frente de Japão e chegou até Alemanha:
_ Então... Eu serei... Ludwig. _ Assinou _ Isso é meio estranho.
_ Eu serei... Lovino Vargas? _ Romano foi o próximo a assinar, passando a folha para o irmão à sua frente.
_ Isso! E eu serei... Feliciano! Feliciano Vargas!
Itália do sul virou o rosto sem jeito com o fato do irmão ter feito questão de conservar seu sobrenome. O último a assinar foi Japão.
_ E sou... Honda Kiku.
E assim, a aliança foi formada.
_ Certo, todo mundo assinou! _ América anunciou ao pegar o papel _ Agora não tem mais volta, né, Kiku?
Todos olharam para Japão, que permaneceu quieto em seu canto. Somente quando percebeu o ambiente silencioso demais foi que notou ser o destinatário da pergunta de América:
_ Hn? É comigo? Oh. Er... Claro que é. Vamos ter que nos acostumar com isso, Arthur.
América sorriu um pouco sem jeito:
_ ...Não... Meu nome é Alfred... Arthur é o Inglaterra.
_ Ah. Sumimasen. Essa memória de hoje em dia...
_ Alemanha se chama Lutz? _ Itália perguntava _ Louis?
_ Lutz! _ Prússia começou a rir _ O som é completamente diferente, cara! Certo, Lutz?
_ Da pra parar de gracinhas? _ Alemanha reprovou-os.
Rússia riu de uma forma quase inocente:
_ Isso é bem estranho... Mas eu tenho certeza que esses nomes nunca mudarão, não importa o que aconteça.
_ É verdade _ Canadá sorriu _ Com isso, mesmo depois de sair desta casa, ainda podemos continuar ligados por essa aliança, como seres humanos...
A partir daí a mesa ganhou vários núcleos de conversa. China tentava ler o nome dos demais e os julgava estranhos, enquanto Espanha elogiava o belo nome escolhido por Romano, Inglaterra e França conversavam acerca das escolhas, e Prússia e Itália ainda zombavam do nome de Alemanha...
_ Tudo bem, vamos ficar quietos, por favor! _ Japão tentava estabelecer a "paz" na mesa _ Parem de usar os nomes dos outros para se divertirem. Olhando mais de perto o documento, percebemos...
Aos poucos as nações foram se calando, sobrando apenas a voz de Inglaterra emitindo uma frase que deveria ser ouvida apenas por França:
_ ...O que foi agora? Está tudo bem, não está? Seu nome humano é quase igual ao seu nome de nação.
_ Quieto, Alfred!
Todos abriram a boca surpresos com a censura de Japão, que sempre fora alguém recatado. Ou melhor, todos menos Inglaterra, cujo cenho franzido demonstrava o claro e notório aborrecimento. Não pela censura, mas por outro detalhe.
_ ...Eu sou Arthur...
Prússia caiu na gargalhada.
_ Já é a segunda vez que ele erra o nome! _ Gilbert se debruçava e batia sobre a mesa. _ Oh, céus! Meu estômago está doendo!
E para piorar, América ria descaradamente fazendo coro com Prússia. Ludwig tentava não perder a paciência.
_ Eu estou cercado de crianças.
_ Mas você sabe... _ Feliciano lançou um sorriso radiante a Alemanha.
_ Hn?
_ Faz tempo que não nos divertimos... Isso é divertido, não é, Louis?
Um rubor coloriu a face de Alemanha:
_ ... É sim. _ Respondeu.
De repente Prússia parou de rir. Do nada, seu coração começou a disparar e o ar faltar. Acabou gemendo e curvando a espinha sem querer.
_ Urg!
_ Prússia! _ Alemanha fez mensão de se levantar _ O que aconteceu?
_ Ar... Nada. Eu vou tomar um banho. Acho que estou um pouco cansado.
Reuniu forças para caminhar até o banheiro, e ao chegar la, entrou em uma das cabines e trancou a porta rapidamente.
Estava só. Menos mal.
"Que diabos está acontecendo? Não é possível que meu coração esteja batendo tão rápido!" Encostava-se na parede tentando tomar ar "Eu vou... Morrer?"
Não queria morrer justamente naquela hora, quando todos estavam em perigo numa casa. Não queria partir sem ajudá-los em alguma coisa.
"Ah! Foda-se! Claro que não posso morrer agora! Ainda tenho que proteger meu povo... E meu irmão!"
De repente ouviu batidas do lado de fora.
_ Prússia! _ Era Japão chamando-o _ Prússia, volte! Os outros estão...
_ A...? O que houve?
_ Rápido, por favor! Eu não posso pará-los sozinho!
Preocupado, Prússia respirou fundo, ignorou a dor e saiu do banheiro.
Continua
Que fique bem claro que esse cap. so foi postado agora porque deu um tilte no f..f-net. -.- Maaaas, ca estamos nós! ^^
Kimonohi Tsuki - Veja o jogo. ^^ Garanto que vai gostar XD
Karen - Continuação postada!
Gemini Artemis - Isso é tão triste. Fico aguardando ansiosamente notícias da autora úù
Kyra Spring - Sua fic também é! Eu amei! *o* Se vc não for postar mais aqui no f.f-net, avisa quando postar no nyah! *-*
Akemichan015 - E aí, Akemi ^^b Hahauhauahuah! Pra situação piorar só mesmo uma refeição feia pelo Iggy XD
