N/A: Thanks to everyone. Really thanks. Foi péssimo eu ter demorado um milênio pra att, mas é que 1º ano do médio é uma tortura na escola. Sorry.


24 de Dezembro.

Gwyneth passou a tarde inteira na biblioteca procurando qualquer coisa que estivesse ligada ao nome de sua família materna.

Não teve nenhum resultado. Os Synclaw deviam ser a família bruxa mais bem escondida do universo. Voldemort tinha um dos melhores arquivos sobre famílias das Trevas de todos os tempos e não havia um único registro dos Synclaw nesse arquivo.

Ela colocou o último livro na estante. Já procurara em todos os livros que faziam menções a famílias das Trevas e não achara nada. Voldemort também não sabia nada sobre os Synclaw e chegara a lhe perguntar se ela tinha certeza de que a família era mesmo das Trevas.

Sobre isso ela não tinha dúvidas. Seu pai não faria tanta questão de esconder os poderes da mãe e os dela se eles não indicassem alguma ascendência das Trevas. A única coisa que Nigel Murray não suportava eram as Trevas. Seu ego não suportava que Aerith e Gwyneth, por tabela, tivessem poderes além de sua compreensão. Além disso, a própria Aerith lhe confessara que a família Synclaw era uma parte nebulosa da história bruxa. Uma parte que devia ser mantida em segredo.

Mas parecia que ela não ia encontrar as respostas que queria em Shadow's Flame. O que a deixava com mais perguntas ainda e um dilema: Será que ela conseguiria deixar Voldemort para procurar a história da família?

Mystic bateu na porta:

- Senhorita?

- O que foi, Mystic?

- Milorde mandou Mystic ajudar a Senhorita Gwyneth a se arrumar para o baile.

Gwyneth seguiu o elfo até a Midnight's Room, onde encontrou uma caixa em cima da cama:

- O que é isso, Mystic?

- Milorde que colocou aí, senhorita.

Gwyneth sorriu, maravilhada ao abrir a caixa. Dentro dela estava seu vestido de baile. Um vestido de seda azul quase tão claro quanto os olhos dela. No chão aos pés da cama, sandálias prateadas de salto alto.

- A senhorita não vai começar a se arrumar? Está faltando alguma coisa?

- Parece que está tudo aqui, Mystic. – ela respondeu, indo para a banheira.

Uma hora depois, Gwyneth estava pronta. Mystic escovou seus cabelos tantas vezes que ela não sabia como eles ainda estavam grudados à sua cabeça. Ela olhou para o espelho e quase não acreditou no que viu. A garota que a encarava no espelho era linda, os cabelos brilhando como fogo em contraste com o azul do vestido.

- Milorde está esperando, senhorita.

Ela assentiu, saindo do quarto. Para sua surpresa, ela estava conseguindo andar sem parecer uma idiota sem equilíbrio em cima do salto imenso da sandália. Gwyneth chegou ao topo das escadas e seu coração quase parou quando viu Voldemort esperando por ela no pé das escadas.

Ela se apoiou no corrimão, temendo cair. Ele estava deslumbrante no terno preto que escolhera, esperando por ela pacientemente. Gwyneth aproveitou que ele ainda não tinha percebido sua presença para recuperar o fôlego.

Quando ela começou a descer as escadas, ele a viu. Ela estava deslumbrante no vestido de gala, que ficou simplesmente perfeito em seu corpo. Voldemort não se surpreendeu ao perceber seu pulso acelerado. Não era sua culpa que Gwyneth estivesse parecendo uma princesa dos contos de fada trouxas que ele tantas vezes vira as meninas lendo no orfanato.

- Estou pronta. – ela disse, se aproximando dele.

- Você está linda. - ele disse, antes de conseguir se conter.

- Obrigada. –ela sorriu, vermelha. – Você está...

- Ridículo? – ele brincou, sorrindo.

- Não. "Definitivamente não" – pensou ela. - Perfeito.

Ela segurou no braço dele enquanto ele a conduzia até o portão. Divino era a palavra certa, ela pensou incapaz de tirar os olhos dele. Ele a conduziu até a carruagem que os aguardava na calçada.

- Voldemort?- ela chamou, alarmada com o pensamento que lhe ocorrera. – E se os bruxos do ministério, você sabe, os que estão me caçando, e se eles nos acharem na festa?

- Ninguém está trabalhando na véspera de Natal, Gwyneth. – ele respondeu. – E mesmo que alguém esteja, ninguém vai entrar em Malfoy Manor sem convite hoje. Abraxas dá muito valor à vida.

Gwyneth se recriminou pela burrice. Era óbvio que Voldemort jamais iria ao baile se os Aurores pudessem aparecer de repente. E mesmo que pudessem, ninguém ia se atrever a invadir um baile dos Malfoy sem provas. Influência era tudo, ela devia saber disso melhor que ninguém.

- Chegamos. –ele disse, descendo da carruagem.

Gwyneth se apoiou nele enquanto descia da carruagem. A rua estava cheia de carruagens, algumas com brasões de família, outras não.

Voldemort a conduziu até o portão, onde um elfo estendeu a mão, esperando pelo convite. Ele entregou o convite ao elfo, que abriu a porta, anunciando-os:

- Dark Lord e a Srta. Gwyneth Murray.

Todos no salão pararam para observá-los. Os anfitriões se apressaram em recebê-los assim que entraram:

- Seja muito bem-vindo, milorde. - Abraxas Malfoy fez uma profunda reverência. – É um prazer revê-la, Srta. Murray.

Gwyneth forçou um sorriso. Não gostava nem um pouco de Abraxas Malfoy.

Wilhelmina, a Sra. Malfoy, os cumprimentou logo após o marido:

- É uma honra receber milorde em minha casa. - ela fez uma reverência tão profunda quanto a do marido. – Prazer em conhecê-la, senhorita.

Uma hora depois de chegar, Gwyneth já tinha sido apresentada a mais da metade do salão. Provavelmente já conhecia todas as pessoas influentes que estavam no salão. Era hora de se divertir um pouco. Ela deixou Voldemort conversando com Antonin Dolohov e saiu pra tentar aproveitar a festa sem ser apresentada a mais ninguém.

Mal tinha dado seis passos quando ouviu alguém chamando seu nome:

- Gwyneth!

Ela se voltou na direção da voz e viu Merrick Blake olhando pra ela.

- Merrick! –ela o abraçou. - Cadê a Lydia?

- Ela está ali. - ele apontou uma loira a menos de um metro deles, conversando com alguém.

Gwyneth praticamente arrastou Merrick até Lydia.

- Lydia!

- Gwyn?! Por Merlin, como você veio parar aqui?

- Vold..., quer dizer, o Dark Lord me trouxe.

- Você fez o quê?!- outra loira exclamou, encarando Gwyneth.

- Hannah! O que você está fazendo no baile dos Malfoy?

Lydia resmungou, profundamente aborrecida.

- Francamente, Gwyneth! O Dark Lord destruiu o seu cérebro?- ela olhou feio para Hannah, que permaneceu calada.

- Ah, não! Hannah, você ainda está com aquele idiota?

- Eu não estou com ele. –Hannah finalmente respondeu.

- Claro que não, ele está com a esposa dele. - disse Lydia, aborrecida.

- Eu sei disso, Lyds. Mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é porque a Gwyn veio com o Dark Lord.

Gwyneth olhou de relance para Merrick. Não ia dizer nada na frente de um Death Eater. Lydia percebeu o que ela queria.

- Merrick, você pode trazer uma bebida para nós?

Merrick concordou e saiu dali sem demora. Não queria saber nada sobre os problemas de Gwyneth com o Dark Lord.

Gwyneth esperou até Merrick estar longe pra responder:

- Porque ele me convidou, óbvio.

-Por que ele trouxe você? Gwyneth, ele podia trazer quem quisesse, porque trouxe a aluna dele?

- Vocês sabem o porquê.

- Gwyneth, eu não te entendo. Você queria aprender tudo sobre as Dark Arts e seus poderes. Foi por isso que você saiu de casa. Porque complicar tudo se envolvendo com o Dark Lord?

- Porque eu me apaixonei por ele, Hannah.

- Nós sabemos disso, Gwyn. —concordou Lydia. - Mas ainda assim não entendemos. Eu sempre vivi no meio das Dark Arts, você sabe. E mesmo pra mim isso é estranho. Por que você o ama? Ele não me parece capaz de amar você de volta.

- E ele quase matou você uma vez, Gwyneth. - completou Hannah, lembrando da última vez em que vira o Dark Lord. - Pode muito bem tentar de novo.

Gwyneth não disse nada. Ela não podia explicar porque o amava. Já se perguntara isso milhões de vezes e ainda não sabia a resposta. Simplesmente o amava.

Gwyneth olhou para ele, que conversava com dois bruxos não muito longe de onde ela estava. Ele pareceu perceber que ela o observava e seus olhos encontraram os dela. Ele sorriu.

- Gwyn? Gwyneth, você está me ouvindo?- Hannah chamou.

- Não sou surda, Hannah.

Lydia olhava de Gwyneth para o Dark Lord. E percebeu que a amiga não enxergava mais nada, mais ninguém além dele. O único homem por quem ninguém devia se apaixonar.

- Por favor, não faça isso, Gwyn. - ela sussurrou.

- Isso o quê, Lydia?- ela respondeu, encarando a amiga.

- Não o ame tanto assim. Isso não pode acabar bem.

- Tarde demais. - ela não podia amá-lo menos. Amá-lo já tinha se tornado tão natural para ela quanto respirar ou dormir. Era algo que ela não comandava, nunca conseguira comandar.

Lydia revirou os olhos. Gwyneth não tinha mesmo jeito. Sempre escolhendo o caminho mais difícil, a forma mais complicada de ter as coisas.

Uma hora depois, Gwyneth e Lydia conversavam com Mégara Roussville, a irmã mais nova de Lydia e com Druella Rosier Black, enquanto Hannah se mantinha um pouco afastada, apesar dos pedidos das amigas para que se juntasse a elas. Gwyneth sabia por que ela queria se manter afastada. Sabia que ela só estava esperando uma chance, um minuto de distração de Lydia para ir ao encontro de Malfoy.

Lydia gostava do envolvimento de Hannah com Malfoy tanto quanto gostava do de Gwyneth com o Dark Lord. Só que ela podia demonstrar seu desgosto em relação a Malfoy de uma maneira que nunca poderia fazer com o Dark Lord se quisesse continuar viva. O que fazia com que ela se tornasse insuportavelmente protetora com Hannah.

Por isso Gwyneth não chamou a atenção de Lydia quando viu Hannah se afastar sorrateiramente do grupo de mulheres. Nem mesmo quando viu Hannah sair do salão um segundo depois do próprio Malfoy. Ela preferiu fingir que não tinha visto nada. Se chamasse a atenção de Lydia, a amiga ia armar um escândalo desnecessário e prejudicar Hannah ainda mais. E Hannah não precisava de nada que a fizesse ser malvista pela sociedade bruxa, não mais do que já era. Ser descendente de veela e pobre não fazia com que ela ou sua família fossem muito bem vistas pelos bruxos em geral.

Aborrecida, Gwyneth deixou Lydia e Mégara no salão e foi até o jardim. Odiava ficar ali observando Hannah cair na lábia do odioso Malfoy. Não podia fazer nada para impedir aquilo. Não podia fazer nada para impedir a amiga de estragar a própria vida.

Tentando se distrair, Gwyneth observava o jardim. O jardim da Malfoy Manor era imenso, cheio de flores cuidadosamente podadas. Ela não se impressionou. Passara a vida em uma casa como a Malfoy Manor, onde se vivia de aparências. Onde tudo era perfeito por fora e podre por dentro.

- Parece que Malfoy Manor não é mais tão bem freqüentada quanto antes. - murmurou uma voz fria, atrás de Gwyneth.

Gwyneth se virou, encarando a recém-chegada. Lucyann Roussville. A loira azeda insuportável.

- Também acho. Antes, o lugar dos serviçais era trabalhando na cozinha, não importunando as visitas no jardim. - ela retrucou, sem hesitar.

Os olhos frios da loira se tornaram glaciais.

- A pirralha está se achando muito importante só porque foi convidada para o baile. Não sabe que só está aqui porque os Malfoy não perdem uma chance de bajular o Dark Lord?

Gwyneth sorriu. Roussville pensava que os Malfoy a tinham convidado. Ela mal podia contar a satisfação ao contar quem a convidara.

- Sei disso perfeitamente. Mas, na verdade, os Malfoy não precisaram ter esse trabalho. Eu não vim como convidada deles. Vim como uma convidada do próprio Dark Lord. Ele me trouxe para o baile. Como sua acompanhante. - ela lançou um olhar malicioso para a loira. Ao menos disso ela poderia se gabar. Mesmo com inúmeras mulheres, Roussville inclusive, mais que dispostas a ir ao baile com ele, Voldemort escolhera levá-la.

Ela viu o choque tomando conta das feições de Roussville. Ela devia ter chegado ao baile depois deles e não vira a entrada dos dois. Gwyneth sentiu uma satisfação imensa ao ver a incredulidade da loira. Por essa Roussville não esperava. Gwyneth sabia que Lucyann Roussville tinha raiva dela. Desde a primeira vez em que se viram, elas se detestaram, mas a raiva da loira aumentara muito nos meses que se passaram.

E Gwyneth sabia o motivo de toda aquela raiva. Roussville queria Voldemort. Não que ela o amasse. Lucyann não queria o homem, mas sim o que ele representava. Ela queria o poder.

- Não acredito que o Dark Lord tenha escolhido uma fedelha mimada e intrometida para lhe servir de acompanhante. - o tom da voz de Lucyann era de puro ódio.

Gwyneth olhou sobre o ombro de Roussville e o que viu a fez abrir um largo sorriso.

- Talvez ele prefira uma fedelha mimada e intrometida a uma vadia desclassificada e sem graça. - ela disse isso no tom mais cordial que pôde. - Em todo caso, porque você não pergunta isso ao próprio Dark Lord?

- Me perguntar o quê? - Voldemort perguntou, parando dois passos atrás de Roussville. Sem lançar um olhar sequer na direção dela, ele foi até Gwyneth. – O que você quer me perguntar?

- Eu? Absolutamente nada. Lucyann é que parece ter uma pergunta para milorde.- ela respondeu, com o olhar mais inocente que pôde.

Os olhos de Voldemort se fixaram na loira por um segundo. Gwyneth apoiou o próprio braço no braço de Voldemort, gesto que não passou despercebido aos olhos de Roussville.

- Bem, milorde... - Lucyann hesitou.

- Outra hora, Lucyann. - ele a interrompeu. - Agora, eu e Gwyneth já estamos indo embora.

Gwyneth mordeu o lábio tentando reprimir um sorriso. O espanto era visível no rosto da loira, mas Voldemort nem notou. Roussville fez uma reverência débil, enquanto Voldemort saía acompanhado por Gwyneth, cujos olhos fixos na loira gritavam "Viu o que eu disse? Ele é meu!"

Lucyann observou enquanto Voldemort conduzia Gwyneth até os anfitriões e se despedia de todos com ela a tiracolo. Viu o olhar cobiçoso que ele lançava a Gwyneth sempre que olhava para ela. Sim, ela reconhecia aquele olhar. Tantas vezes ela desejara ter aquele olhar direcionado para ela apenas pra perceber que nunca o teria.

Era ela quem devia estar ali com o Dark Lord, não aquela pirralha mimada! Ela sempre obedecia às ordens dele cegamente, fazia tudo que ele ordenava sem medir qualquer conseqüência. Era uma serva fiel acima de tudo. E era Gwyneth Murray quem estava ali, como acompanhante, ou melhor, amante dele. Porque se havia algo claro como água ali, era que a garota era amante do Dark Lord. Qualquer um que os visse juntos chegaria a essa conclusão, até mesmo um trasgo.

Todos no baile deviam estar comentando isso agora, comentando sobre a amante pública do Dark Lord. Lucyann sentiu a raiva dominá-la enquanto planejava uma maneira de se livrar daquela fedelha. Ela tinha que arranjar uma maneira de fazer com que Gwyneth abandonasse Shadow's Flame.

E tinha que ter certeza de que a garota estúpida nunca mais pudesse ou quisesse voltar. Ela tinha que fazer algo que acabasse com qualquer coisa que pudesse manter Gwyneth por perto. Que destruísse o que ela sentia pelo Dark Lord.

E tinha que fazer isso logo.

Voldemort observou Gwyneth durante todo o caminho de volta pra Shadow's Flame. Ela estava visivelmente contente, ele podia ver que ela reprimia um sorriso. E ele não fazia a menor idéia do motivo dessa felicidade. Gwyneth estava conversando com Lucyann e era fato amplamente conhecido que elas se detestavam.

Ele praticamente correra atrás de Gwyneth quando percebeu que ela estava com Lucyann, tentando evitar um escândalo. Ele sabia que Gwyneth não conseguia controlar muito bem sua raiva e tinha quase certeza de que ela acabaria atacando Lucyann sem se importar com o fato de estar no meio de um baile.

E como ele a encontrou? Não a ponto de explodir de raiva e sim contente. Absurdamente contente. O que Lucyann poderia ter dito pra deixá-la tão contente? Aquilo o deixava inquieto. Não a felicidade dela, embora isso o incomodasse um pouco também. O silêncio dela o deixava inquieto, era algo fora do comum. Ela sempre falava das coisas que gostava.

Eles desceram da carruagem e entraram em Shadow's Flame em silêncio. Gwyneth perdida nos seus pensamentos e Voldemort tentando adivinhar os dela. Irritado, Voldemort a deixou pra trás e caminhou sozinho pra Mystery's Room. Gwyneth o observou subindo as escadas, parecendo aborrecido.

Normalmente ela se magoaria ao ser deixada de lado sem uma palavra sequer, mas nada diminuiria a alegria que teve ao ver Lucyann Roussville sem chão. Repetindo pra si mesma que Voldemort devia ter se aborrecido de alguma forma no baile com algum bruxo influente, ela foi para o próprio quarto, prevendo que ele não ia querer companhia.

Na Midnight's Room, Gwyneth se deparou com Vlad, seu lobo de pêlo avermelhado, deitado na cama. Assim que a viu, Vlad ganiu baixo. Ela o olhou com pena. O pobre lobo estava trancafiado naquele quarto há pelo menos dois dias. Devia estar ficando deprimido.

- Desculpe, Vlad. - ela se desculpou. – Não tenho tido tempo pra você, sinto muito. - ela manteve a porta aberta. - Que tal dar uma volta no jardim? Aproveite que Voldemort já está no quarto dele. – o lobo não gostava de Voldemort, por isso Gwyneth sempre mantinha Vlad longe dele, pra que Voldemort não se irritasse e acabasse matando o pobre animal.

Gwyneth fechou a porta assim que o lobo passou e foi se despir. Estava exausta depois do baile e toda aquela conversa com Hannah e Lydia. Ela tirou o vestido e chutou as sandálias pra baixo da cama. Estava só de calcinha e sutiã quando a porta do quarto foi escancarada:

- Gwyneth, o que diabos deu em você pra deixar o Vlad solto por Shadow's Flame?!- ele perguntou, irritado.

Gwyneth arregalou os olhos, tentando cobrir o corpo com as mãos. Como ele simplesmente ia invadindo o quarto dela assim do nada?

- Por Salazar, Voldemort, não bate na porta antes de entrar no quarto de alguém?

Ele a encarou como se ela tivesse perguntado algo muito estúpido:

- Não quando me deparo com lobos correndo pela minha casa em plena madrugada. - ele respondeu, colocando as mãos nos bolsos da calça do pijama que usava.

Gwyneth tinha os olhos fixos no peito nu dele. Mordred, ele não podia entrar no quarto dela daquele jeito, vestindo só a calça do pijama. Estava abusando do autocontrole dela.

- Quem ouve você falando, pensa que o Vlad estava correndo atrás de você pela casa. Como se ele fosse te atacar.

- Seu lobo me detesta, Gwyneth, nós dois sabemos disso. Não quero dar a ele a chance de me atacar.

- Até parece. - ela revirou os olhos. - Você mataria o pobre Vlad se ele sequer pensasse em te atacar! – ela perdeu a paciência.

- Ao contrário do que você parece pensar, Gwyneth, eu não costumo levar a minha varinha quando eu vou beber água na minha cozinha! Como eu ia poder matar o maldito lobo sem varinha?

Gwyneth fechou os olhos, tentando se acalmar. Droga, Voldemort estava confundindo seu raciocínio! Como ela podia responder alguma coisa que fizesse sentido com ele seminu na sua frente. Ok, em comparação a ela, ele estava completamente vestido, mas era o coração dela que estava tão acelerado que era um milagre ela ainda não ter caído morta no chão.

- Está bem, Voldemort. Não vou mais soltar o Vlad sem te perguntar antes. Está satisfeito agora? – suas pernas a levaram pra mais perto dele. Perfeito. Seu corpo a estava traindo pela milésima vez.

Gwyneth viu a tensão tomando conta do corpo de Voldemort. Aparentemente vê-la de calcinha e sutiã o afetava mais do que ele demonstrava. Ela sentiu um fio de esperança que logo sumiu ao vê-lo se afastando dela.

A noite está ficando cada vez melhor, ela pensou, enquanto suas dúvidas se transformavam em certezas. Voldemort não a queria mais. Desde a noite na Sala de Tortura, ele se mantinha o mais afastado dela que podia e nas últimas semanas... Bem, ela tinha quase certeza de que eles nunca mais seriam nada além de mestre e pupila.

Odiava ter que admitir isso, mas sempre soube que Voldemort não se apaixonaria por ela, assim como, tinha certeza de que era apenas uma questão de tempo até ele se cansar dela. E era isso que estava acontecendo.

- Deixe eu fechar a porta do quarto antes que o meu lobo ameaçador venha até aqui te atacar. –ela disse, virando de costas pra ele antes que fizesse algo realmente estúpido como implorar pra ele ficar com ela.

Mas no instante em que ela fez isso se arrependeu. Por um segundo, ela esqueceu que estava somente de lingerie. E esse segundo foi o suficiente pra Voldemort descobrir um segredo que ela adoraria esconder.

Suas marcas.

Gwyneth fechou os olhos, incapaz de se mover. Não precisava olhar para Voldemort para saber o que ele via. Ele via a mesma coisa que a atormentava há anos.

Voldemort não conseguia tirar os olhos das costas dela. Mal podia acreditar no que via. Cicatrizes. Das costelas aos quadris, ela era cheia de cicatrizes finíssimas, que cortavam as costas se cruzando entre si.

Ele esqueceu completamente o que ele dissera, a discussão ridícula e sem sentido que estavam tendo. O que importava agora era descobrir quem tinha feito aquilo com ela.

Ele se aproximou dela e tocou em uma das cicatrizes. O corte parecia ter sido aberto e fechado várias vezes ao longo do tempo.

- Essas cicatrizes... elas foram feitas por anos seguidos, não foram? – ela ainda estava de costas para ele.

- Foram. – Gwyneth não podia olhar pra ele. Agora ele descobrira tudo que ela tentava esquecer. Seus anos de sofrimento. Os anos de aberração.

- Como elas foram feitas, Gwyn?

Ela o encarou, ainda irritada.

- Francamente, Voldemort. Você, mais do que ninguém, sabe como se tortura alguém.

- Não assim.

Gwyneth vestiu o roupão que estava sobre a cama e abriu a janela do quarto. Voldemort a observou enquanto ela modelava a neve até definir a forma de um galho fino com muitos espinhos. Ela arremessou o galho na parede em frente à janela.

Voldemort foi até a parede, onde um buraco de cinco centímetros se abrira. Aquela parede era feita da mais pura pedra. E o galho abrira aquele buraco nela. Como Gwyneth sobrevivera a tantos ataques?

Ele não sabia. Três, no máximo quatro ataques deveriam matá-la. Ele olhou o buraco na parede e imaginou aquilo nas costas dela. Os olhos dele brilharam de fúria mal contida só de pensar que alguém fizera aquilo a Gwyneth. A sua Gwyneth.

- Quem fez isso com você?- ele grunhiu, furioso.

Gwyneth se aproximou dele e o abraçou. Ele podia não querê-la mais, mas ela precisava dele ali com ela.

- Quem fez isso, Gwyn?

Ela segurou o rosto dele entre suas mãos, forçando-o a olhar nos olhos dela.

- Veja você mesmo. –ela sussurrou, deixando-o invadir sua mente.

Voldemort viu a sala rodar, preso nos olhos dela até tudo mudar. De repente, ele estava em um quarto imponente numa mansão e viu Nigel Murray arrastando Gwyneth, com 10 anos no máximo, pelo braço.

- Não me desobedeça, Gwyneth, ou vai se arrepender, mocinha!- Nigel gritou, o ódio brilhando nos olhos dele.

- Você não pode mandar no que eu penso! Não pode mudar o que sou! - ela respondeu, furiosa também.

Voldemort viu uma mulher loira no quarto, murmurando:

- Por favor, Nigel... Solte a Gwyn. Deixe a minha filha em paz.

Nigel pareceu perceber a presença dela, já que começou a ofendê-la também:

- Isso é culpa sua, você fica enchendo a cabeça dela com essa história de poderes! Agora vocês vão ver pra que servem esses poderes!

O rosto da loira se converteu em uma máscara de agonia:

- Não, Nigel, isso não!

- Faça o que eu mando, Aerith, ou vai ser pior!

Voldemort viu a loira modelar a neve da mesma forma que Gwyneth fizera. Mas a loira parecia sofrer muita dor enquanto transformava a neve em um galho de gelo. Nigel o apanhou da mão dela e o usou como se fosse um chicote nas costas de Gwyneth, sob os gritos dela e da loira.

Como da outra vez, Voldemort viu a mesma cena ao longo do tempo, com pouquíssimas mudanças. Ele não entendia como aquela mulher, a mãe dela, deixava aquilo acontecer sem fazer nada pra impedir.

De volta a Midnight's Room, ele percebeu que a abraçava tão forte que ela mal conseguia respirar. Os olhos dele brilhavam de ódio, ódio que Gwyneth nunca vira antes nos olhos dele.

Ela enterrou o rosto no peito dele, tentando esquecer o que fora forçada a lembrar.

- Como ela pode? – ele perguntou, sem disfarçar a raiva na voz.

Gwyneth se forçou a encará-lo. Ela também se fizera a mesma pergunta, tantas vezes que começara a se cansar.

- Ele... a obrigava, Voldemort.- ela viu que ele não estava acreditando. - Ouça, ele a obrigou a abrir mão dos poderes dela. Mas os Synclaw não perdem os poderes, nós os passamos pra alguém. Ela os passou. Pra mim. Sem que ele soubesse, é claro. E quando ele descobriu, ah, ele odiou descobrir isso e tentou me forçar a não usá-los, mas eles são o que eu sou. - ela respirou fundo. - E toda vez que eu os usava, ele forçava minha mãe a usar o pouco dos poderes que lhe sobraram naquilo.

- Mas você ainda está viva. - ele murmurou, pensando na sorte que ela tinha.

- Não foi sorte. Você viu o que acontece quando eu entro em colapso. Sem as poções, eu demoro uma semana pra me recuperar do impacto.

Voldemort ainda pensava no que ele tinha visto. Que Nigel Murray não gostava de Gwyneth, ele já sabia, mas não imaginava que ele torturava a filha. O que tinha de errado com os pais? Eles nunca amavam os filhos.

E Murray se perguntava por que a filha fugira pro lado das Trevas. Quando um Gryffindor fazia isso com a própria filha, o que restava a ela? Depois os Slytherins eram os desalmados.

Ele olhou pra Gwyneth ainda abraçada a ele. Ela precisava de alguém que gostasse dela, que a fizesse esquecer.

Ela precisa de você.

Ele se recusou a ouvir aquilo. Como ela podia precisar de alguém que não a amava?

- Porque eu amo você. –ela respondeu a pergunta que ele se fazia. Voldemort sempre se esquecia que ela lia seus pensamentos como se fosse um livro aberto.

Ele podia ao menos protegê-la. Ele nunca mais deixaria Murray chegar perto dela.

- Ele nunca mais vai machucar você, Gwyn. - ele murmurou, carregando-a pra cama. - Eu prometo.

Ela o encarou. Ela o amava, mas não sabia se ia agüentar se ele... se ele a deixasse. Ela colocou as mãos no peito dele, parando-o quando ele se curvava pra beijá-la.

- Por favor, não fique por pena. - assim que falou aquilo, sabia que estava mentindo. Ela não se importava se ele ficasse com ela por pena, desde que ele ficasse.

- Eu não tenho pena de você. - ele respondeu. - Nem de ninguém. Eu... Eu acho que eu gosto de você. - ele olhou pra ela, pra garota que conseguia enlouquecê-lo em segundos, pra criatura mais irritante que ele conhecia. – Eu realmente gosto de você.

Aquilo desarmou Gwyneth completamente. Ela fechou os olhos, gravando cada palavra do que ele dissera. Não era um Eu amo você , mas ela se contentaria com qualquer coisa que ele quisesse dar a ela.

- Eu amo você, Voldemort. —ela murmurou, antes de beijá-lo.

Ele a afastou um pouco:

- Gwyn, eu não amo você, você sabe. Eu gosto de você. - ele explicou, não queria magoá-la ainda mais.

- Eu sei. Mas isso não vai me fazer parar de amar você. - ela encostou o rosto no dele. – Me deixe amar você. Fique comigo enquanto você gostar de mim.

- E depois, Gwyn? O que você vai fazer depois?

Morrer. Mas ela não podia contar isso a ele se o quisesse por perto.

- Deixe que eu me preocupe com isso. Só aproveite. Você tem a mim, aos meus poderes, o meu amor, o meu corpo. Pode fazer o que você quiser.

Voldemort a beijou. Ficar longe dela era um verdadeiro inferno. Se ela o queria, mesmo que ele não a amasse, ele não estava nada disposto a ficar lutando contra si mesmo e contra Gwyneth.

Ele estava definitivamente, parando de pensar no que era melhor para ela e voltando a pensar no que ele queria. E ele queria aquela garota mais do que pensava.


N/A: Mais um capítulo!! Não ficou a coisa mais fluffy do mundo? ( Tá, não foi fluffyssimo, mas fica meio dificil com esses personagens). Tava romântica nesse dia... Culpa de Edward Cullen.(isso não tem nada a ver com o assunto). Ok, aguardo reviews....

Lembrem-se: Deixar reviews faz bem pro coração.( pelo menos pro meu faz)