Capítulo – 10
OS OPOSTOS SE ATRAEM
- Muito bem Gina, agora pode me explicar o que estava fazendo com o Malfoy!
Gina sentia um tremor percorrer – lhe o corpo e queria dominá – lo antes que se tornasse evidente. Já fora um choque encontrá – lo. Agora, o ambiente parecia arder como uma fornalha. A realidade distanciava – se de seus pensamentos, as palavras de Rony mal chegavam a seus ouvidos...
Ele estava do outro lado do salão observando – a. Seus cabelos claros e lisos eram os mesmos, o rosto anguloso e viril continuava com a expressão sensual e maliciosa de antes, seu sorriso charmoso a encantava. E os olhos, aqueles maravilhosos olhos cinzentos como dias tempestuosos, guardavam o mesmo brilho vivido e claro que ela tanto amara.
Aqueles olhos fitavam – na agora, intensos, fazendo seu corpo estremecer como antes. Eram capazes de paralisá – la, de subjugá – la. De repente, a boca de Draco abriu – se num sorriso malicioso e Gina sentiu como se um estranho encanto tivesse sido quebrado. Era como se ele conhecesse todos os seus pensamentos, como se pudesse ver além de seus olhos, e isso incomodava – a, deixando – a pouco a vontade. Afinal Draco Malfoy devia fazer uso desse seu poder sobre as mulheres para poder tê – las, todas a seus pés. Precisava livrar – se das recordações da noite maravilhosa que vivera com ele e voltar a realidade.
- Gina! Você está me ouvindo? – perguntou Rony com impaciência.
- O que foi Rony?
- Eu perguntei o que você estava conversando com o Malfoy!
- Bem, eu... Ora, Rony! Não se lembra que tenho que fazer uma matéria com ele sobre o milionário do mês?
- Não entendo até agora como você aceitou fazer...
- Rony! Eu não tive escolha...
- Tudo bem, conversaremos depois... Eu tenho que ir agora, sei que como voluntário do comitê, eu deveria ficar até o final, mas não gosto de deixar Hermione sozinha com as crianças, sabe como elas são terríveis!
- Vá meu querido, e dê um grande beijo em Mione e nos meus sobrinhos lindos...
Logo após a partida do irmão, Gina sentiu uma tensão incrível. Aborrecida consigo mesma pelas recordações que Draco ainda era capaz de lhe provocar, respirou fundo e procurou acalmar – se, e foi de encontro a ele, escolhendo seu tom mais profissional e distante, foi clara:
- Quero apenas lhe dizer que não há nenhuma necessidade de que permaneça nesta reunião. Além do mais, acredito que a consideraria uma perda de tempo. Portanto...
- Perda de tempo? – ele repetiu. – O senhor Dimitrius me disse que o serviço realizado pelo comitê é muito importante.
- E é, mais...
- Então não seria perda de tempo se eu tentasse ajudar.
- Acho que consideraria aborrecido e...
- Nada em que você esteja envolvida seria aborrecido para mim... – De novo aquele sorriso.
- Pare com isso! – reclamou, zangada. Cerrou os olhos por instantes, tentando recobrar o equilíbrio que ele tinha a capacidade de abalar. Depois, mais calma, murmurou: – Eu sinto muito. Foi... um choque vê – lo.
- Pra mim também foi. – Pela primeira vez, a expressão dele tornava – se séria. – Nas primeiras semanas, depois que você partiu, fiquei... fora de mim. E quando mais tarde, descobri quem você era na verdade, eu fiquei transtornado.
Gina teve que engolir em seco. Não entendia como as palavras dele podiam doer tanto. Era melhor, entretanto, colocar a dor de lado e procurar lidar com ela mais tarde, quando estivesse sozinha.
- Vou falar com o senhor Dimitrius. Assim você ficará livre de se tornar sócio do comitê. – Gina forçou um sorriso antes de se despedir. – Adeus, Draco.
- Bem, ao menos desta vez você se dignou a dizer adeus.
Ela tornou a respirar fundo, sentindo que as palavras a atingiam como uma bofetada.
- Acho que mereço ouvir isso. Mas, quer acredite ou não, eu nunca quis ferí – lo. Na verdade, jamais achei que fosse atingí – lo.
- Pois parece que se enganou.
Diante do tom firme e severo, Gina perguntou – se, como tantas vezes, se agira certo ao fugir dele no passado. O que mais poderia ter feito, porém? Não se tratara de uma opção; e ainda não era. De mais a mais, agora era tarde para arrependimentos.
- Por que está tão quieta? Acredito que tenha algo a me dizer, alguma explicação a me dar...
Ela ergueu o queixo, altiva.
- Para quê? Eu poderia dizer que sinto muito, mas não acho que isso seria suficiente.
- Tem razão. Palavras bonitas não adiantariam nada. Em especial agora, quando descobri que ainda a quero. Tanto quanto antes. Talvez até mais...
Gina não pôde evitar o prazer de ouvi – lo falar assim, apesar de estar surpresa com a revelação.
- Você não me quer, Draco. – replicou. – Quer vingança porque consegui machucar esse seu imenso orgulho. Infelizmente, acho que está sem sorte. Não estou disposta a dar uma oportunidade para você se vingar. É melhor esquecer tudo e enterrar o passado.
- Nada está no passado, e ambos sabemos disso. Ainda há paixão em nós, minha querida.
- Não, não há.
- Não mesmo? – desafiou.
Gina sentiu o coração acelerar ao vê – lo dar um passo à frente. Não se afastou, porém, para não demonstrar fraqueza.
- Tenho certeza. – afirmou, séria.
- Pois eu, não. – ele sorria. – E, apesar de sua generosa oferta de me livrar desse compromisso, prefiro recusá – la. Vou ficar, portanto, estarei com você com o maior prazer.
- Divirta – se, então. – Gina respondeu.
- Eu sempre me divirto. – sorrindo, Draco estendeu a mão e passou os dedos de leve pela lapela do blazer que Gina vestia. – E fico muito satisfeito em saber que nós nos veremos bastante enquanto estiver trabalhando aqui.
- Eu não contaria com isso. – Ela afastou – se, evitando contato.
- Eu, ao contrário, estou ansioso para que isso aconteça...
