Disclaimer: Tia Stephe = dona de tudo. Eu = uma maluca sem criatividade pra lançar livros. :)
- Ah, meu nariz é meio estranho. Meu cabelo não fica no lugar desde que eu nasci, meus pés são feios...
- São? - reprimi um pequeno riso imaginando seus pés. Era uma cena engraçada de se pensar. - Mas nada de errado com...?
- Ah, não! Meu companheiro de aventuras está em perfeitas condições. - me garantiu. - Quer dizer, não sei se vai ser do seu agrado, mas não tem nenhuma parte a mais, ou faltando... que seja.
Minha saliva se multiplicou e o calor começou a se espalhar por meu corpo. Hormônios nota dez! Nos encaramos por breves segundos sentindo a tensão acumulada todo esse tempo ser revelada diante de nossos olhos.
.
- Acho que a massa já está molinha. - comentei vendo a fervura abrir entre a massa cozida exibida em uma confusão de borbulhas mentais.
- Está molinha do mesmo jeito que estava há três minutos atrás ou...?
Perguntou com a voz divertida. A culpa não era minha se ele havia me colocado com a pior tarefa. Não pior, mas a que eu tinha algumas complicações pessoais. Massas nunca ficavam exatamente cozidas, tinha sempre aquele pedacinho que você sentia colar no dente. Cresci com uma mãe displicente na cozinha e uma irmã que tinha medo de fogo até os catorze anos, o que eu deveria saber? Era realmente um campo de sobrevivência dentro de casa. Não foi a toa que até meus dezesseis anos, meu apelido era Olivia Palito. Mas óbvio que Edward podia se acostumar com o "Patinha" sem a consciência do personagem infeliz.
Novamente apertei um pedaço da massa contra a borda da panela, vendo-a esmagar sem obstáculos aparentes. Edward beijou meu ombro parcialmente descoberto alertando meu corpo de sua presença requisitada por minhas partes femininas. Assim que chegamos ensopados da chuva, lutamos contra nossa vontade de rolar pelo apartamento como nos filmes e espalhar as roupas pelo caminho e decentemente nos trocamos. Sua blusa - quatro vezes maior que eu - chegava na metade de minhas coxas e mal cobria meus ombros; sua calça de moletom me fazia sentir como um saco de batatas, mas nada desses itens me fazia sentir menos atraente ou desgostosa pois Edward fazia questão de me preparar para o "Gran Finale" a cada olhada saliente ou elogio sem vergonha.
- Muito bem, Patinha, aprendeu direitinho. Pode desligar o fogo antes que a massa vire geléia.
- Ai, mas que coisa complicada. - resmunguei sentindo o vibrar de seu peito em minhas costas quando ele riu.
Como um animal de estimação manhoso, Edward começou a rabiscar caminhos com a barba rala em meu pescoço, sendo inevitável os arrepios em minha pele e a estimulação de uma galerinha que já estava animada para uma festa pelo sul do meu corpo. Ele estava simplesmente grudado em mim. Literalmente...
- Edward, o que você está fazendo? - perguntei sussurrando incapaz de formar uma frase decente as suas provocações em minha pele.
Ele não respondeu, porém. Suas mãos ficaram mais apertadas em volta do meu corpo e um novo – e posso esbanjar dizendo ser grande – companheiro foi adicionado a equação dessas insinuações corporais excessivas. Meu corpo estava relaxando, ficando mole e ao mesmo tempo excitado e eu já me via desistindo do jantar e deixa-lo continuar com a tortura quando minha mão encostou na borda da panela e eu retraí meu braço em reflexo por ter sido queimado, dando uma cotovelada em Edward.
- Ai, cacete! - gemi espremendo os olhos, sentindo ele tensionado às minhas costas com a respiração pesada. - Ai, desculpa. Merda.
- Você está bem? - ele perguntou sem fôlego.
- To sim, e você? Desculpa. Essa merda dessa panela. Desculpa. - finalmente me virei sem dificuldade vendo seus olhos fechados. - Ai, droga.
- Tudo bem, patinha. Passou já. - ele recuperou o fôlego e tomou meu dedo torto em sua mão.
Seu polegar traçava meu indicador queimado, mas seus olhos levantaram buscando os meus. E pelo visto seu companheiro não tirava a atenção da minha pessoa também. A cor dos olhos de Edward estavam mais escuras, sua pupila dilatada de luxúria e eu nunca me senti tão desejada. Era bom se sentir assim. Era bom sentir e ver que eu não era um robô completo. Fui eu quem avançou em seus lábios buscando alívio ao desespero que meu corpo pedia. E fui muito bem correspondida, obrigada.
- Ah, Patinha. Você não sabe o que faz comigo... - ele quase implorou quando grunhiu contra minha boca para que eu entendesse.
Suas mãos estavam por todo lugar do meu corpo. Deslizando, conhecendo e me convidando a ficar tão excitada como ele. Era uma vez minhas calcinhas secas...
- Você não vai se importar de comer depois, não é? - perguntou fazendo seus lábios abraçarem meu lóbulo da orelha.
- Comer o que? - perguntei irracional recebendo uma risada rouca em resposta.
Foi minha vez de atacar seu pescoço. Minha necessidade era tanta que comecei a sugar a pele na linha de seu maxilar, recebendo pequenas espetadas em meus lábios e língua da barba crescente. Seus braços se tornaram mais apertados a minha volta e sua pélvis estava sendo forçada contra a minha enquanto buscava um pouco de alívio. Suguei o ar com força e tentei não soltar um gemido gritado que já estava na ponta da língua. Sua mão buscou a parte interna do meu joelho, ajudando a nos encaixar.
- Edward... - implorei sentindo seus movimentos contra todos aqueles quilos de pano que nos impedia de sermos felizes.
- Fica aqui paradinha. - sua respiração quente e pesada contra meu pescoço me fez revirar os olhos.
Edward de repente deixou meus braços em um vácuo frio e no segundo seguinte, ele estava ajoelhado levantando a barra de sua blusa do meu corpo.
- O que você tá fazendo? - meus olhos arregalaram para serem fechados quando ele beijou meu abdomen.
- Você não sabe o quanto eu pensei em te provar... - eu podia escutá-lo praticamente salivando.
Eu congelei. Nunca tinha deixado ninguém fazer isso – sim, eu tinha novamente treze anos e não pronunciava o ato. Era privado e irreal para mim. Nunca passou pela minha cabeça que homens realmente gostavam de... provar. Sempre tive em mente que era apenas um favor que eles de vez em quando davam a suas respectivas mulheres. Medos bobos e incoerentes sempre me privaram de querer o… ato. E aqui estava Edward parecendo um caçador visionando sua presa e abaixando as laterais da minha calça. Merda.
- Edward! - segurei a barra da calça em desespero.
- O que? - ele tentava tirar meus dedos que o atrapalhava de sua tarefa.
- Você não precisa fazer isso... não... Edward, pode parar de abaixar minha calça por um minuto?
- Porque?! - ele me olhou de baixo lambendo os lábios. Oh, raios! - Você não quer?
- É só que... não precisa fazer isso, volta aqui em cima. - suas mãos prenderam meus quadris esperando por mais respostas ao meu comportamento espontâneo. - Ninguém nunca... não precisa...
- Ninguém nunca fez isso em você? Porque? Quem foram os idiotas?
- Porque não deve ser uma coisa agradável... pra vocês? - sugeri incerta.
- Vou te mostrar como me agrada. - seu sorriso malicioso tinha voltado ainda mais feroz.
Só de tê-lo ali perto, beijando meu abdômen com a boca cheia, me fazia contorcer e soltar pequenos gemidos. Não queria pensar o que poderia fazer em mim. Minha mão apoiou na bancada da pia ao lado quando senti que minhas pernas falhavam. Seus dedos finalmente abaixaram minha calça e ele levantou um de meus pés para retirá-la dos meus calcanhares. Um risinho escapou de seus lábios antes de novamente abaixar o último pano em seu caminho.
- Porra, patinha. Como você se esconde tanto?
- Ahn? - minha mente não havia captado sua pergunta já inerte a pensamentos coerentes.
- Não falei com você aí em cima. - ele olhava para... mim e eu me senti exposta, mas ainda desejada.
Antes que eu pudesse protestar ou ter qualquer outra reação, seus lábios encontraram minha intimidade sorvendo minha excitação. Meu corpo arrepiou com o ato e uma mistura de tortura e prazer se expandiram. Desequilibrei de minha mão e caí para apoiar em meu cotovelo. Sentia meu ponto mais sensível ser sugado e sua língua me massagear severamente. Minha respiração estava errática e o desespero cresceu em meu baixo ventre, me fazendo ser incapaz de manter a boca fechada.
- Edward...
- Hmm... - ele murmurou contra meu sexo tornando mais tortuoso meus pensamentos.
Suas mãos percorreram a parte de trás das minhas pernas enquanto sua boca prestava atenção em apenas um lugar. Mas quando os dedos voltaram e resolveram migrar para o meu interior, minhas pernas cederam ao clímax. Foi demais ter seus dedos dentro de mim, ainda com sua língua. Meu joelho levantou instintivamente e a mão livre de Edward segurou para melhor acesso. Meu coração batia tão rápido que eu me perguntei se alguém já sentira coisa igual em meio a um orgasmo ou apenas quando tinham ataques do coração. As pontas dos meus dedos dormentes e gelados contra o mármore me assustaram.
- Oh... merda... eu vou... eu vou morrer, Edward! Argh!
- Isso, vem pra mim... - ele disse voltando a beijar minha barriga deixando-me comprimir seus dedos dentro de mim.
Eu não me sentia bem desse jeito há anos. Erro – meu cérebro lembrou; eu nunca havia me sentido desse jeito. Sem sentidos, entorpecida, com vontade de desmaiar de felicidade. Sim, desmaiar. Eu podia simplesmente obedecer aos desejos de minhas pernas e ceder meu corpo ao chão. Mas a boca de Edward subindo por meu corpo lembrou que eu ainda tinha muito do que participar essa noite.
Me sentia completamente entregue e pela primeira vez, sem medo. De algum jeito eu avancei em Edward e no segundo seguinte – de alguma forma, eu estava sendo deitada no chão da cozinha. Não pude conter um arfar quando minhas costas encostaram no chão.
- Ai, caralho... - reclamei baixinho sendo calada pela boca de Edward.
- Patinha... - suas mãos desesperadas intercalavam entre meu corpo e a última de peça de roupa dele. - Eu preciso de você agora... - ele sussurrava contra mim.
- Você me tem...
Essa foi aparentemente a deixa para que ele buscasse a barra do meu casaco e puxasse por meu corpo. Mas como nada é como em uma cena de filme, minhas costas voltaram nuas ao chão gelado me dando um choque térmico, me fazendo grunhir alguns palavrões e ele rir e pedir desculpas enquanto voltava a beijar meu torso. Meu colo arrepiado era tracejado por sua boca e testado por sua língua. Logo o frio não me importou mais. Meu mamilo foi abrigado por seus lábios e a sucção me fez revirar os olhos para a cabeça e aumentar minha pressa de tirar o resto de sua calça que me incomodava.
- Ai, patinha... a unha... - ele riu contra meu cabelo esparramado e me ajudou a retirar.
Edward era lindo. Era homem e real. Não tinha significantes músculos, mas também não tinha muito cabelo. Era ideal. Verdadeiro. E eu precisei respirar se não quisesse desmaiar antes do ato ser completo. Ele sorria para mim e eu tentava me segurar em seus olhos, mas os teimosos queriam descer e conhecer o novo visitante. O maldito quando percebeu meu novo foco inclinou o quadril para frente e eu mordi o lábio esticando minha mão para tocá-lo. Era curiosidade, desejo e o mais importante e encontrado naquele momento foi a ternura reluzindo. Além de desejada eu era querida e eu nunca havia me sentindo desse jeito. Não tinham mais complicações.
- Como pode ser tão linda? - ele perguntou enquanto minha mão ganhava movimentos de cima para baixo, mas seus olhos não soltavam os meus.
Logo ele voltou a deitar ao meu lado e após sentir o chão gelado e me fazer rir sem graça, Edward traçou minha lateral do corpo com os olhos fechados. Sua respiração começava a ficar mais curta e rápida.
- Patinha vai ser tão feio se eu não conseguir completar minha meta.. - ele sussurrou contra meu pescoço chegando com a mão em minha coxa e a levantando para cima ele.
- Você é lindo...
Nossas frases aleatórias e sem sentido ficavam perdidas. Senti minha intimidade encostar a dele e o larguei para apoiar em seu braço. Essa posição de lado nunca havia sido experimentada pela minha pessoa, mas eu estava disposta a experimentar. Porque eu confiava em Edward.
- Ooohhh... - meus pulmões foram a falência por abstinência de ar quando nos encaixamos com facilidade.
- Eu sei... - sua pélvis impulsionava a minha lentamente e os barulhos que ecoavam de pele em atrito com o piso ecoavam. - Ai, acho melhor a gente... mudar...
- Ok... - minha arfante respiração só me deixou responder isso, pois quando o corpo de Edward impulsionou por cima do meu, completamente dentro, eu praticamente gritei e joguei minha cabeça para trás.
Sua mão novamente achou a parte de trás de minha perna e a segurou em seu quadril. A posição que estávamos proporcionava um prazer sem igual. Meu ponto mais sensível recebia o atrito necessário para que eu chegasse mais uma vez e o apertasse dentro de mim.
- Você... vai me matar... aaahh... - Seu corpo desabou sobre o meu tendo espasmos. - Merda, desculpa...
Edward falou após algum tempo em silêncio. Afastei os fios de minha testa já úmidos e virei a cabeça para tentar achar seus olhos. Ele não parecia que iria se mexer.
- Porque?! - passei a mão por sua bochecha com barba rala e virei seu rosto para mim. - Edward, olha pra mim, por favor?
- Porque foi rápido... - ele abriu os olhos e falou com a boca espremida entre meus dedos.
- Mas não deixou de ser bom, quer dizer... nós dois... chegamos onde queríamos.
- Foi, foi maravilhoso! - ele se apressou em me cortar falando por entre o bico apertado. Dei um sorriso e soltei seu rosto para nos ajeitarmos no chão. - É só que eu fui apressado com tudo... - Edward estalou a língua e suspirou. - Você conseguiu...?
- Ah sim, duas vezes. Obrigada. - respondi e ele soltou uma gargalhada.
- Porque obrigada, criatura?
- Ah, não sei...
Não sei que possível ataque nuclear aconteceu em seu cérebro que fui atacada novamente ali no chão da cozinha. E depois fomos para o quarto e para o banheiro, como adolescentes na puberdade nos descobrimos e buscamos prazer até algum estômago inconveniente – obviamente o meu – pedir pela massa que a esse ponto já deveria estar em sua forma original. Edward fez questão de descer até o primeiro andar de seu duplex – cujo eu só reparei porque tropecei na escada na subida para o quarto – e pegar nossos pratos.
- Eu esqueci de colocar sal no molho. - Edward confessou com um sorriso divertido nos lábios.
- Sua única tarefa era fazer o molho e você esquece do sal, Edward? - tentei fazer minha melhor cara de indignação, mas foi falha quando tive que acompanhá-lo em uma gargalhada gostosa.
- Essa mulher está impossível... - ele comentou ajeitando as coisas na cama.
- Edward, pode pegar meu vestido... em... algum canto?
- Ele está molhado, pra que você quer?
- Essa situação de ficar enrolada no edredom não é comigo.
- Mas aí depois vai ter que tirar tudo de novo, Patinha... - Edward parecia injuriado. Revirei os olhos, mas sabia que minhas bochechas resolveram participar do momento assumindo uma coloração diferente.
Finalmente dormimos. Tinha algumas horas que eu pensava estar realmente acordada e que minha realidade eram os sonhos das noites. Como tudo pôde ter acontecido assim? Ao mesmo tempo que o os meses se passaram, eu e Edward nos aproximamos de uma forma inexplicavel. Ao mesmo tempo... como não nos enxergamos antes? Todas as indagações começaram a brotar. Não em uma forma ruim, apenas apareciam. Foi tão natural e ao mesmo tempo estava sendo surreal tê-lo ao meu lado. Receber de volta os sentimentos parecia ter colocado um pouco de senso em minha cabeça. Ri para mim mesma desse último pensamento e foi o que me despertou para a claridade que entrava no quarto.
Meu pescoço estava dolorido e meu corpo parecia não querer responder as mensagens de "mexa-se" que meu cérebro enviava. Um cansaço pesado e gostoso tomava conta de meu corpo e eu mal podia poupar meus lábios de esgarçarem em um sorriso de tamanho universal. Rolei para o lado e encontrei o espaço vazio, aproveitei para me esticar completamente e soltar um suspiro alto.
A casa estava em silêncio e a porta do banheiro entreaberta. Ele devia ter saído.
- Que gênio... - murmurei para mim mesma pela lentidão mental.
O banheiro não era muito grande, comparado ao resto da casa e do quarto. Não tinha banheira romântica, apenas um chuveiro que aparentava ter uma ducha forte. Um espelho em formato de portinha estava a minha frente exibindo toda uma imagem que poderia repelir homens à quilômetros de distância. Então um fato me ocorreu: escova de dentes. Não era como se na euforia da corrida eu tivesse lembrado desse pequeno detalhe.
Abri o armário espelhado. Bingo! A escova azul escura estava ainda úmida me encarando. Encarei a porta do banheiro entreaberta. Encarei a escova. Que mal podia ter? Ele não iria se importar, iria? Iria se eu deixasse de escovar, talvez... não pensei mais e escovei. Assim que terminei o crime higiênico senti o cheiro comum de Edward pelo banheiro e sorri.
- Edward?
Silêncio me fez companhia. Eu sei que eu devia estar sentindo o desespero e insegurança como toda mulher normal. Mas como eu só sentia qualquer coisa com Edward, eu estava apenas curiosa pra saber onde ele tinha se metido. Desci as escadas devagar procurando pela sala, ainda bagunçada, e nenhum sinal de Edward. Então quando estava já perto da cozinha – Santa Cozinha... dei um suspiro. - lá estava ele com uma camisa branca e uma calça de flanela. Então prestei atenção em suas ações e meus olhos arregalaram como milhos estourando em pipocas.
Edward com os olhos apertados dando pequenos socos no ar, alguns pulinhos, e alternava entre morder o lábio e balbuciar a música. Seu braço parcialmente coberto por algum pó branco e a cozinha em completa desordem. Então reparei no cordão branco caído por seu pescoço e deduzi ser seu iPod e ao mesmo tempo ele me viu. Esperei um certo tipo de constrangimento em se tratando de um ser saltitante em sua cozinha e a mulher que ele tinha dormido há poucas horas o observando como se fosse louco. Sorri.
I Gotta Feeling – Black Eyed Peas
- Patinha!! - sua voz mais alta que o normal por conta dos fones de ouvido me fizeram rir, meu coração acelerou bobamente enquanto ele caminhava em minha direção de braços abertos.
- O que você está ouvindo? - perguntei sentindo meu sorriso ficando ainda maior. Sua energia era contagiante.
- Bom dia! - ele pareceu não ter me ouvido e abraçou minha cintura enfurnando o rosto em meu pescoço e estalando beijos por todos os lugares, quando chegou finalmente a minha boca eu relaxei escutando as batidas estourarem pelos fones e embalando nossa manhã animada. - Let's do it, and do it, and do it, do it, do it!
- Que música é essa? - ele continuava a me ignorar cantando sorrindo há milímetros de meu rosto.
- Just take it... off! – seus olhos abriram como um menino travesso quando tentou levantar minha blusa até meus seios. - Monday, Tuesday, Wednesday and Thursday, Friday, Saturday, Saturday and Sunday!
Comecei a gargalhar enquanto ele tentava nos balançar ao ritmo da música que eu acabara de reconhecer. Era uma manhã animada depois da melhor noite da minha vida. Melhor manhã também em muito tempo.
- Wooooohooooo... - ele terminou resfolegando e sorriu estalando um beijo em minha boca.
- Bom dia.
- Bom dia, Patinha. - ele foi até a mesa e pegou dois copos de café. O mais engraçado, ou diferente que seja, era que os copos tinham o rótulo do Starbucks. Eu não esperava um café da manhã, é claro e pela mesa com os copos e a bagunça não era o que parecia que teríamos de qualquer jeito.
- Starbucks? - perguntei.
- Então, tenho que fazer uma confissão; - esperei que ele continuasse e peguei o café de sua mão – Eu tentei fazer café e ser legal. Mas não sou tão dedicado a cozinha como parece, até porque nossos cafés da manhã a gente toma no trabalho. Aí tentei fazer panqueca porque no site parecia ser fácil... Mas como pode ver, foi falho. A farinha explodiu na frigideira, não sei porque...
Ele parecia indignado e seus olhos perdidos em lembrança. Mordi o lábio tentando não rir e esperei que ele continuasse.
- Como já está quase na hora do almoço, eu pensei em te levar em um restaurante e a gente só toma o café do Starbucks que eu fui ali comprar mesmo. Tudo bem, ou você tem em mente alguma coisa?
Como eu não tinha me apaixonado antes? Me perguntei. Nunca tinha me sentindo tão feliz e completa. Meu coração fazia a festa dentro do meu peito e eu tinha a impressão que explodiria. Essa pequena ação, o dia anterior e a manhã gloriosa me deixaram sobrecarregada de emoções, sentia meus braços ficando moles e minhas pernas falharem juntas. A vontade de berrar para o mundo que eu enfim era uma mulher feliz era tremenda e eu arriscaria dizer que eu amava esse homem a minha frente.
- Patinha? Porque tá chorando?
- Ahn? - eu não tinha percebido a lágrima escorrer até ele dizer, mas eu sentia meu sorriso fazer minhas bochechas ficarem doloridas. - Eu estou? Oh meu Deus! Edward! Eu tive uma emoção! Eu chorei na frente de alguém! Eu fui consertada!
- O que?! - ele começou a gargalhar de nervoso. Possivelmente atestando meu estado insano.
- Lembra que eu disse que não chorava na frente de ninguém? Tudo bem, foi emoção, mas a lágrima saiu!
- Bem, se todas as lágrimas que saírem de você forem de emoção, eu estou mais que disposto de presenciá-las.
- Você me consertou! - outra lágrima e eu comecei a gargalhar. Edward me acompanhou enquanto me puxava para seu colo na cadeira da cozinha.
- Você nunca foi quebrada, Patinha. - ele deu um beijo em minha têmpora. - Agora vamos tomar nosso café.
Nos ajeitamos e eu recuperei meu estado. Eu sei que não podia falar que o amava agora, mas eu sentia as palavras coçarem na ponta de minha língua. Empurrei-as de volta com o gole de café.
- De que é esse?
- Caffé Mocha. Chocolate e café.
- Deus! Meus dois vícios preferidos em um só. Como nunca descobrimos essa maravilha antes? - perguntei surpresa.
- Eu já levei esse pra você no trabalho. - ele constatou bebendo mais um pouco.
- Já?
- Sim. No dia que você me contou do casamento da sua irmã. Nem brindamos nem nada, você tomou o meu e o seu em um gole só.
O dia se fez em minha mente. Eu me sentia devastada e nem pude degustar a maravilha cafeína. E agora eu pude sentir realmente o gosto e substituir a má lembrança por essa muito melhor.
- Mas agora está bem melhor. Até gosto melhor tem.
Ele sorriu e me beijou ternamente. Eu podia me acostumar com essas manhãs conturbadas, brincadeiras fora de hora e sem senso de romantismo exacerbado. Meu coração estava no lugar certo e meus sentimentos adoçados por ele. Tudo em seu devido lugar.
I Like You So Much Better When You're Naked – Ida Maria
Algum tempo depois subimos para tomar banho, nos arrumar para almoçarmos. Edward insistiu que eu tomasse banho primeiro para que ele arrumasse o quarto um instante e falou para eu não tentá-lo com um banho em conjunto para não sairmos muito tarde. Ele colocou uma música qualquer enquanto fazíamos as coisas e eu entrei no banheiro, me despi olhando no espelho novamente e lembrando o crime cometido.
"All the clever things I should say to you
They got stuck somewhere, stuck between me and you
Oh I'm neverous, I don't know what to do "
- Edward – chamei colocando a cabeça para o lado de fora e meus cabelos caíram para um lado só da cabeça. - Preciso confessar uma coisa...
- Oi, Patinha.
- Eu usei sua escova de dente de manhã porque eu tinha esquecido a minha. - fiz uma careta de desculpas.
- Sem problemas, eu amo quando você usa as minhas coisas... - meu coração parecia ter vindo para a garganta antes do final da frase. Engoli empurrando-o de volta, eu não iria aguentar.
- E Edward...
- Sim? - perguntou terminando de dobrar a colcha.
- Eu amo você. - fechei a porta do banheiro. Com força. Minhas mãos geladas e escutei a maçaneta girar enquanto eu empurrava em vão contra a força dele.
- Como você me diz uma coisa dessas e espera que eu não faça nada? - ele estava conseguindo entrar. - Deixa eu entrar! Você me provocou, Patinha!
- Desculpa! - tampei meu rosto com as mãos enquanto ele as tentava tirar.
- Porque?!
- Por ter falado. Eu sei que foi cedo demais, é só que saiu... ai. Merda. Estraguei tudo, né? - arrisquei olhar por entre os dedos abertos em meu rosto.
- Eu também te amo. - ele respondeu. E correspondeu. Eu já podia derreter? - Só não tinha bolas pra falar primeiro. Desculpa.
- Mas não acha que está cedo demais?
- Acho que prosseguir sabendo dos sentimentos um do outro vai ser até mais fácil. - ele agarrou meu corpo nu no seu e eu pude sentir sua correspondência aos meus sentimentos.
- Não foi só sexo? - ele olhou nos meus olhos.
- Não, não foi só sexo. - sorrimos um para o outro. - Mas tenho que confessar que I love you so much better when you're naked...
Sua tentativa de imitar a cantora que ainda ecoava com sua música animada no quarto foi hilária. Ambos começamos a rir cumplices e no final das contas tomamos banho juntos. E naquele momento eu realizei que felicidade só tinha graça quando compartilhada.
Agradeço desde já todos os reviews até agora. Toda a paciência com a minha falta de tempo e demoradas atualizações. Se você não deixou uma review sequer até agora, acho que é o momento. Nada mais lindo que o final, não é?
Terá sim um epílogo que eu já estou trabalhando, mas tenham calma que eu tenho muitas coisas sendo cuidadas nesse momento. Mais uma vez: quem gosta de draminha e romance 'Never Forget' está no ar novamente aqui no ff . net.
E quem gosta de romance adolescente, Little You and I também está aí! ;)
Beijos... e clique no verde.
