Nota do capítulo: Mais um na saga dos "curtinhos, mas intensos". Foi difícil, mas aí está. Até que nem demorou muito desta vez (aqui, ao menos). Espero que gostem, não odeiem a Lisa e perdoem o Dean. Afinal, meu loirão sempre foi hétero, mulherengo e está confuso (protetora, eu?). Boa leitura!
CAPÍTULO ONZE
Com a ajuda de Lisa Dean se acomodou no aparelho. Sorrindo, satisfeito pelos seus novos progressos, olhou ao redor em busca de Sam para compartilhar sua alegria. Mas não o encontrou.
- Ué! Cadê o Sammy?
- Estava aqui agora mesmo. Deve ter ido buscar algo na lanchonete – respondeu a jovem.
A terapia se estendeu por mais 15 minutos e o caçula não retornou, o que tirou parte do bom humor de Dean.
- Não fique assim, Dean. Talvez ele esteja lhe esperando no quarto.
- Sei, não. Sammy anda muito estranho ultimamente.
Durante o trajeto até o quarto o loiro ficou em silêncio, cabisbaixo na cadeira de rodas. Ao chegar suas suspeitas se confirmaram. Sam não o estava esperando. Havia simplesmente ido embora sem sequer se despedir.
- Dean, não fique assim. Ele deve ter suas razões. Amanhã ele vem e te explica tudo direitinho – tentou consolar Lisa. Ela o ajudou a se instalar na cama e saiu para atender outros pacientes, deixando um Dean triste sozinho em seu leito. Triste e corroído por dúvidas.
"O que será que eu fiz pro Sam agir de forma tão estranha? Será que eu o magoei de alguma forma? Mas, como? Eu amo esse garoto..."
Nem percebeu que as lágrimas deslizavam por seu rosto, molhando os curtos fios da barba por fazer.
- Filho, o que aconteceu? – perguntou John ao entrar no aposento.
Constrangido, o mais velho rapidamente enxugou o rosto e ensaiou um sorriso pouco convincente.
- Nada, pai. Onde está a mãe?
- Dean, você não me engana. O que está incomodando você?
O loiro ficou alguns segundos de silêncio, enquanto fitava as próprias mãos largadas em seu colo.
- Dean, eu sou seu pai. Você pode e deve ser sincero comigo. Sem constrangimentos. O que houve?
- O Sam, ele... está estranho comigo... frio. Distante até. Hoje ele veio me visitar durante a fisioterapia e simplesmente foi embora, sem mais nem menos, sem sequer se despedir... Será que eu fiz algo errado?
- Por que você acha isso?
- Eu... não sei.
- Pode ser algo no trabalho, que ele reiniciou hoje. Ou ele não quis atrapalhar a fisioterapia. Ou...
Vendo que seu primogênito continuava fitando as mãos sem sinal algum de que estava sendo convencido pela lista de opções que dava, John resolveu usar uma nova tática para acalmá-lo.
- Vou conversar com ele, está bem? Não se preocupe, Dean. Estamos todos passando por momentos difíceis, mas vamos superar juntos.
Neste momento Mary entrou no quarto.
- Meu filho, como você está?
- Intrigado pelas atitudes de Sam, assim que ele está – respondeu John, ligeiramente rude.
- O que houve?
Dean sentiu-se como uma criança mimada se queixando para os pais por algo que o irmão havia feito. E enquanto decidia se contava ou não para a mãe o que o perturbava, John tomou a frente.
- Sam veio visitá-lo e foi embora sem mais nem menos, nem se despediu. Até eu fiquei intrigado com essa atitude do Sammy, que dirá o Dean aqui.
Mary, a par de tudo o que se passava com o caçula, tentou pensar rápido em uma desculpa que o livrasse de um possível e constrangedor interrogatório por parte do pai. Ao mesmo tempo deveria ser algo convincente o bastante para que Dean não ficasse magoado ou desconfiado. Mas, como nada lhe veio à mente, resolveu tentar desviar a atenção.
- Deixem de imaginar coisas, vocês dois. Ele só está cansado e preocupado. As últimas semanas foram difíceis para todos nós, mas especialmente para ele que se sente culpado pelo que houve com você, Dean.
- Mesmo assim, vou conversar com ele hoje. Sammy nunca foi assim, desligado, especialmente com o irmão – insistiu John.
Mary sabia que Sam estava qualquer coisa, menos desligado de Dean. Pelo contrário e, exatamente por isso, vinha agindo estranhamente.
- Não precisa, meu amor. Já conversei com Sammy durante o almoço. Como eu disse, é só cansaço e preocupação. Assim que Dean tiver alta e a nossa vida voltar à rotina ele também volta ao normal.
- Mary, você tem...
- Certeza? Sim, meu amor, tenho. Não há nada de errado com Sammy. Agora eu quero saber como vai meu Dean – disse Mary, mudando de assunto e tirando o caçula do foco da conversa.
- Estou bem, mãe.
- E a fisioterapia?
Neste momento o rosto de Dean se iluminou. Os médicos e a própria Lisa haviam afirmado que sua recuperação estava sendo mais rápida do que o esperado e que em breve iria para casa.
- Eu já consigo dar alguns passos apoiado, o que significa que logo vou poder usar muletas e me virar sozinho um pouco mais. Todos estão surpresos, dizem que estou superando as expectativas – contou, com um lindo sorriso nos lábios transparecendo toda a esperança e expectativa que sentia.
- Que bom, meu filho. Ficamos tão felizes... – comemorou Mary, parando de repente e olhando para o marido. – Devemos ver com os médicos o que precisamos mudar lá em casa para que o Dean fique confortável, já que pelo visto ele vai ter alta logo.
- Mãe, nada de gastar dinheiro com reformas. É tudo temporário, a cadeira de rodas, as muletas. Logo eu vou andar de novo e voltar pro meu apartamento.
- Sua mãe tem razão, filho. Mesmo sendo por pouco tempo é preciso tomar providências para sua segurança e conforto. Vou já falar com doutor Novak – concluiu John antes de sair do quarto à procura do médico.
~~~D&S~~~
No caminho para casa John voltou a sugerir à esposa que ele conversasse com Sam. Afinal, a atitude do caçula ainda o intrigava.
- John, até parece que você tem algum tato para lidar com esse tipo de situação.
- Mas então o que devemos fazer? Nossos filhos não podem ficar assim, afastados um do outro. Somos uma família, devemos ser unidos.
- Eu sei, John. Mas então deixe que eu fale com o Sammy de novo, está bem? Existem coisas que os filhos preferem falar com as mães.
- Ok, meu amor. Então enquanto você conversa com o Sammy eu vou começar a mudança no escritório.
- Que mudança no escritório?
- Vou transformá-lo em um quarto temporário para o Dean. Afinal ele não pode subir as escadas, é preciso acomodá-lo no primeiro andar.
- E o que mais o doutor Novak recomendou?
- Que depois que o Dean tiver alta deverá continuar com a fisioterapia pelo menos três vezes por semana e que deveremos ficar de olhos abertos para que ele não se sobrecarregue nem se precipite. Dean é muito ansioso.
- Eles descobriram, é? Bem, vou conversar com Sammy e depois ajudo você a planejar as coisas. Mas podemos deixar para fazer as mudanças no final de semana. Dean não terá alta antes de terça-feira mesmo.
John estacionou a pick-up na garagem e deu um suspiro. Fazia planos para a volta de seu filho depois do grande susto e se deu conta de que era a primeira vez que se sentia verdadeiramente aliviado, livre do peso da preocupação constante que o torturou nas últimas semanas. Olhou para a bela esposa que estava ao seu lado e sorriu. Em resposta recebeu um beijo. Mary então saiu do carro e entrou na casa, indo direto ao quarto do caçula. Bateu de leve na porta e assim que recebeu permissão entrou no aposento, onde encontrou o filho junto à escrivaninha, lendo um livro.
- Oi, Sammy. Podemos conversar um pouco mais?
- Claro, mãe – respondeu o moreno. Embora soubesse sobre qual seria o assunto, o amor que Mary emanava e o fato dela estar ciente do que se passava com ele o deixavam tranquilo.
- É sobre o Dean.
- Eu suspeitei.
- Ele ficou muito chateado por você ter saído do hospital sem ao menos se despedir. Chateado e muito intrigado. Acha que fez algo errado.
- Ele disse isso?
- Disse. E quando eu cheguei ele estava com cara de quem havia chorado. Você quer me contar a sua versão da história?
Sam deu um suspiro profundo e resolveu ser sincero. Afinal, não adiantava mais esconder nada de sua mãe.
- Ele estava fazendo fisioterapia e flertando abertamente com a Lisa e... eu me senti um intruso, um fardo, como se estivesse sobrando. Por isso fui embora sem me despedir. Não queria quebrar o clima entre os dois. Eu quero que o Dean seja feliz e sei que não pode ser comigo então... mas não consigo presenciar isso sem sofrer, ou sem dar bandeira...
- Mas, filho, você precisa ser forte. Dean é seu irmão e te ama. Você não pode simplesmente sair da vida dele assim sem magoá-lo.
- Eu sei. Vai ser só por um mês mesmo, depois volto pra Stanford e tudo volta ao normal.
- Sammy... assim até parece que você nunca mais vai nos visitar – brincou Mary para deixar o ambiente mais leve.
- Que isso, mãe – respondeu o jovem, sorrindo. – Eu volto, mas espero que até lá eu esteja mais estruturado...
- Certo, mas por enquanto você precisa visitar seu irmão e arranjar uma boa desculpa para a sua escapulida.
- Vou ser sincero, ué. Vou dizer que não queria atrapalhar a paquera dele com a Lisa.
- Não deixa de ser verdade mesmo... – sorriu Mary de volta. – Bem, você precisa dar um jeito de agir naturalmente porque ao que tudo indica na terça seu irmão terá alta. Aí vai ser mais difícil, meu anjo.
Sam simplesmente baixou o olhar e soltou outro suspiro. Mary deu um beijo de boa noite no alto da cabeça do filho enquanto pensava "queria tanto que vocês não sofressem assim..."
~~~D&S~~~
Já havia escurecido quando Sam finalmente conseguiu sair do trabalho no dia seguinte, então foi direto ao hospital para pedir desculpas a Dean pela sua atitude na véspera. O encontrou de pé, segurando firme na grade da lateral da cama, visivelmente tenso, suado e ofegante.
- Dean?
Em resposta um olhar assustado e lábios trêmulos que mal conseguiram sussurrar um "Sam".
O moreno apressou-se para atravessar o quarto e amparar o irmão que parecia estar no final de suas forças. No que ele segurou o loiro pela cintura este cedeu, exausto, amparando-se no peito do caçula, trêmulo. Sam abraçou o irmão com força, ajeitando-o de forma a ter mais firmeza, e sentiu-se ser envolvido pelos braços de Dean em seus ombros.
Sam não conseguiu evitar a ambiguidade de sentimentos gerados por aquela proximidade. Por um lado era gostoso poder sentir o calor do corpo firme do loiro, estar tão próximo a ponto de sentir o seu cheiro, sua respiração quente em seu pescoço que lhe dava arrepios. Por outro era deprimente porque ele sabia que não poderia passar de um irmão amparando o outro que estava para cair no chão devido à fraqueza.
Fraqueza. Era tudo o que Sam não poderia se dar ao luxo de sentir. Ele precisava ser forte e resistir àquela tentação que estava em seus braços. Resistir ao desejo de beijar os lábios eroticamente carnudos e provavelmente doces de Dean. Resistir à vontade de mordiscar sua orelha e lamber o suor que emanava da pele coberta de sardas.
Sam pensava em como resistir ao amor que sentia por Dean, ao desejo que fazia seu coração bater tão rápido e forte que certamente o mais velho poderia sentir por estar assim tão próximo. Estava de cabaça baixa e olhos fechados tentando encontrar uma maneira de lutar contra seus sentimentos e desejos quando algo quente e úmido tocou seus lábios. E quando se deu por conta estava correspondendo ao beijo iniciado pelo irmão.
Sam achou que estava sonhando.
Mas era real. Ele tinha Dean em seus braços, a língua de Dean em sua boca, as mãos de Dean firmes em seus ombros. E Sam teve certeza de que seria impossível agir naturalmente a partir deste momento.
Notas da autora: E então? Consegui redimir meu Dean? Só que para satisfazer meus leitorinhos me coloquei num beco sem saída, num mato sem cachorro, em Supernatural sem Eric Kripke. Ou seja, preciso de sugestões de como a história deve seguir daqui pra frente... preciso de ideias, se não vou demorar para postar o próximo capítulo... por pura falta de criatividade, não chantagem desta vez.
Um ótimo final de semana a todos!
