Título: Lessons In Love
Autora: Blanche Malfoy
Tradutora: Celly M.
Beta da Tradução: Blanche Malfoy
Sumário: Encarando seus próprios demônios, Harry não percebe quão solitário seu filho é. Quando James Potter, seu filho de 16 anos, volta para Hogwarts, para seu sexto ano na escola, ele encontra um aluno transferido, que pode ser o que ele precisa para se abrir para a vida. Mas o que Harry irá dizer quando souber que seu filho se apaixonou por outro garoto?
Retratação: obviamente, os eventos descritos aqui pertencem à Blanche. Eu só traduzi. Por conseqüência, os personagens aqui descritos, com a exceção dos criados por ela, pertencem à J.K. Rowling e associados.
Agradecimentos: como não poderia deixar de ser, eu faço aqui minha habitual reverência à uma das escritoras que mais admiro no fandom de Harry Potter. Além de minha amiga, a Blanche é uma daquelas autoras que simplesmente escrevem bem, sem firulas ou rodeios. E mais: aos meus reviewers adoráveis do último capítulo (guenta que a lista é grande!): Mahh, Maaya, Matt M.P., Fabi, Hermione Seixas, Ge Black, Ana Paula, Maga do 4, RodrigoIa-chan, Hanna, Miyu, watashinomori, Mathew, Bibis, Mel, Dianna, Dark Wolf, Sanae, Brian, Veleth, Athena Sagara, Pipe, Gi Liminha, Rebecca, Lady Yuuko, Yuki, Thamy, Condessa Uluha, Kalyl, Simca-chan, Gabe e Vivvi. Nota 10000 pra vocês! Se eu esqueci de alguém, gomen!

Capítulo 11:

Partia o coração de Lucius ver James tão destruído e triste. Quando voltou para o castelo, logo após ter cuidado dos bebês Hipogrifos, ele não esperava que Max viesse encontrá-lo para contar o que acontecera entre Harry e o filho. O Grifinório não estivera brincando quando dissera que não se relacionava bem com o pai. No entanto, o Sonserino não esperava que fosse tão ruim.

Afinal, estavam falando de Harry Potter, o grande herói do mundo bruxo.

Max e as gêmeas – que haviam ouvido a conversa atrás da porta – disseram-lhe que estavam muito preocupados com James e que estavam contando com o loiro para acalmar o coração do ruivinho.

Infelizmente, Lucius não sabia se conseguiria fazer aquilo. James provavelmente o odiava naquele momento e o Sonserino se sentia responsável por tudo o que acontecera. Se ao menos ele não tivesse se apresentado a Harry Potter...

Mas aquela não havia sido a pior parte. Para Lucius, o que dificultara tudo fora o fato de o loiro ter afirmado que era amigo de James.

Pelo menos, Harry Potter já havia deixado o castelo.

—Ele parecia péssimo. –Max afirmou. —Tanto quanto James.

—Esses dois realmente precisam de anos e anos de terapia... –Vanessa disse, com sua costumeira franqueza. —Vai ficar com ele, Lucius. Nosso primo fofo precisa de você. Demais.

E lá estava ele, à beira do lago, fitando as feições pálidas de James iluminadas pela luz da lua, imaginando o que deveria dizer.

—James... –ele sussurrou.

Imediatamente, o Grifinório virou a cabeça, encontrando os olhos de Lucius. Porém, não disse nada. Conforme se aproximava, o Sonserino reparou que os olhos do ruivo estavam vermelhos e inchados, mas ele não estava mais chorando. O olhar era vago e distante, como se não estivesse ali. Era como se a mente do garoto estivesse à milhas de distância.

—Eu... –Lucius começou, ainda tentando encontrar as palavras que pudessem consertar tudo.

—Você falou com Max e as gêmeas? –James devolveu a pergunta, surpreendendo o Sonserino.

—Bem... Eu falei sim.

O ruivo sorriu ligeiramente e o coração de Lucius pulou uma batida.

—Eu imaginei que eles falariam com você. Eles pareciam realmente preocupados comigo quando passei correndo por eles. Achei que Max viria atrás de mim, mas ele não veio.

Lucius tinha a impressão de que James estivera esperando por aquilo.

—Eu devia saber que eles escutariam nossa conversa... Eles sempre fazem isso. –ele continuou, fitando o lago novamente, colocando os braços em volta de si mesmo.

A noite estava um pouco fria e a fina jaqueta do Grifinório não parecia ser o suficiente para esquentá-lo. Lucius imediatamente tirou a sua, sentando ao lado do ruivo e colocando-a sobre os ombros do garoto. James sorriu diante do gesto do namorado; seus olhos pareceram suavizar-se ligeiramente e, para total surpresa do Sonserino, ele colocou um dos braços por entre os de Lucius, descansando a cabeça em seus ombros. Aquilo foi completamente diferente do merecido tapa que estava esperando.

—Eu pensei... Que estivesse bravo comigo. –Lucius comentou lentamente, quase que temeroso.

—Eu estou. –James afirmou. —Mas o que aconteceu entre mim e meu pai já foi o suficiente por um dia. Além do mais... Depois de ponderar bastante, eu vi que você não pode ser o responsável pelo que aconteceu. Suponho que Max e as gêmeas contaram tudo a você.

—Na verdade, não. Eles apenas me disseram que as coisas não correram muito bem com seu pai e que você saiu chorando, não quiseram entrar em detalhes. É o senso de lealdade deles, eu acho. Eles imaginaram que era você quem deveria me contar o que realmente aconteceu, se quiser.

James suspirou pesadamente.

—Para resumir a história, ele ameaçou me tirar de Hogwarts se eu não parar de falar com você.

Lucius ficou visivelmente tenso, e James, percebendo o que aconteceu, acariciou gentilmente a mão do namorado.

—Ele não pode fazer isso! É loucura! –o Sonserino exclamou, sem conseguir se segurar. Qualquer simpatia ou respeito que poderia ter pelo herói Harry Potter havia oficialmente desaparecido. O pai de James não era nada mais que um completo idiota em sua opinião.

—E desde quando meu pai é ponderado? –o Grifinório comentou com um sorriso escarninho. Ele, então, suspirou contrariado. —Isso não é novidade, no entanto. Eu já estou acostumado. É só que... Dessa vez... Eu não posso agüentar as merdas dele.

—Merda! Eu... Eu sinto tanto, James. É tudo minha culpa! Se eu não tivesse dito nada, se não tivesse me apresentado e...

—E por que diabos você se apresentou? –James perguntou, erguendo o rosto para fitar Lucius com uma postura nada amigável. —Pelas barbas de Merlin, por que você tinha que falar com ele? O quê deu em você para fazer algo tão idiota e imbecil?

—Eu não sei! Eu vi vocês dois discutindo e...

—E o quê diabos estava pensando quando ficou escutando minha conversa com meu pai?

—Eu não estava escutando! Eu só... –Lucius respirou fundo, frustrado por não encontrar uma boa mentira. —Eu só queria entender o relacionamento de vocês dois, você parece ter tanto medo dele...

—Eu não tenho medo dele! Eu só...

—Eu sei, James. Agora eu sei. Sei um monte de coisas. –Lucius acariciou lentamente o rosto do Grifinório. —Eu pensei que talvez se seu pai me conhecesse... Eu achei que poderia fazer com que ele gostasse um pouquinho de mim. Eu não sei. Parece realmente estúpido pensar nisso agora.

—Isso foi realmente estúpido!

—Eu sei... sinto muito por ferrar tanto as coisas. Eu não fazia idéia que ele detestava a minha família tanto assim. Quero dizer, chegar a pensar em tirar você da escola só para não ter mais contato comigo... É... É ridículo!

—Você tem razão, é ridículo. –James suspirou pesadamente. —E eu acho que você foi idiota e negligente. Mas... Não é sua culpa se meu pai é desse jeito. Não é sua culpa que nós brigamos. Você só colocou mais lenha na fogueira.

—Eu sei e realmente sinto muito.

—Tudo bem. –James disse, segurando uma das mãos de Lucius, acariciando a palma com a ponta dos dedos. —Eu devia tê-lo enfrentado, eu devia ter dito a ele a verdade sobre nós dois ao invés de fugir do assunto, fingindo que você não significa nada para mim, quando é exatamente o oposto. Eu deveria ter dito a ele que não tinha uma namorada e sim um namorado.

—Você disse a ele que tinha uma namorada?

James fez uma careta ao ouvir o tom de voz do Sonserino.

—Lucius, eu acabei de me declarar para você e só o que você consegue pensar é na minha falsa namorada?

—Bem... –o loiro deu de ombros, ligeiramente aborrecido.

O ruivo deu uma risadinha e Lucius ficou contente pelo namorado ainda conseguir sorrir de uma maneira tão graciosa mesmo depois de ter passado por toda aquela confusão.

—Você não me odeia, não é mesmo? –o Sonserino perguntou, irritado consigo mesmo por parecer tão vulnerável. Ninguém nunca o havia feito sentir da maneira que o Grifinório fazia. Ele sentia-se mais corajoso, mas ao mesmo tempo, desamparado. Era desconfortante.

"Eu acho que isso é estar apaixonado, então", pensou.

—É claro que não, seu bobo. No momento, eu odeio outra pessoa. –James respondeu.

Lucius sorriu, aliviado por ouvir aquilo, mas ao mesmo tempo, triste pelo namorado e por Harry.

—Você não o odeia de verdade, James. Só está magoado com ele.

—Não, eu realmente odeio ele.

—Sabe... Meu pai nos abandonou quando eu era bem pequeno e raramente ele me visitava... Eu pensava que ele não gostava de mim. Ele era muito frio quando se importava em aparecer... –Lucius disse pensativo, lembrando dos fatos do passado. —Mas, eventualmente, eu percebi que a culpa era da minha mãe. Ele a odiava, não a mim. Ele queria se aproximar, mas não sabia como; foram necessários anos para que ele soubesse o que fazer e mais tantos outros para que me contasse tudo isso.

—Do que você está falando? –James perguntou, baixinho.

—Eu estou dizendo que talvez seu pai seja da mesma maneira. Ele te ama, mas não sabe como demonstrar. Deve haver algo no passado dele... –e Lucius e James fizeram uma careta ao mesmo tempo ao cruzarem os olhos. —Bem, muito no passado dele, - Lucius consertou. —Seu pai sofreu muito quando era jovem. Não que ele devesse tratar você dessa maneira por causa disso, mas...

—Eu entendo o que você está dizendo. –o Grifinório comentou tristonho. —Eu acho que ele nunca superou a morte da minha mãe.

—Como ela morreu? –Lucius perguntou, complementando rapidamente. —Se você não se importar em me contar, claro.

James deu um meio sorriso diante da preocupação do namorado.

—Na verdade, eu não tenho tanta certeza. –começou a contar. —Tudo o que realmente sei é que um Comensal da Morte invadiu nossa casa quando meu pai não estava lá e matou a minha mãe. Ela... Ela morreu me protegendo. Às vezes eu sinto... Que meu pai me culpa por isso. Eu acho que ele preferia que eu tivesse morrido e não ela. –a voz do ruivo falhou e ele sentiu uma pontada no peito.

—Não diga isso! É claro que seu pai não pensa isso! –o loiro abraçou o namorado e viu o rosto do ruivo ser tomado por lágrimas. —Ele nunca conseguiria odiar você, James. Na verdade, eu acho que é exatamente o oposto. Ele é exatamente como meu pai. O problema não é você, é ele. Eu posso apostar o que você quiser que seu pai se sente culpado por não estar lá quando sua mãe morreu. Ele não te culpa, ele se culpa. É por isso que ele trata você assim. Harry não consegue encarar você porque tem medo que você possa odiá-lo por ter falhado ao proteger você e sua mãe.

James fixou o olhar em Lucius, completamente abismado ao ouvir aquela linha de pensamento. Aquilo nunca havia lhe passado pela cabeça.

—Você realmente acha isso?

Lucius assentiu.

—Tenho quase certeza. Como disse, ele é parecido com meu pai. Na verdade, eu estive pensando bastante sobre isso ultimamente...

—Pensando no quê? –o Grifinório perguntou já fascinado pelas teorias do namorado.

—Bem... Eu acho que... Meu pai estava apaixonado por outro homem no passado. Eu nunca o vi com outro homem, na verdade. Eu já conheci três namoradas dele, mas... De alguma maneira... eu acho que ele gostava de outro homem antes e foi por isso que ele não fez tanto escândalo quando descobriu sobre meu namorado na outra escola.

—Mesmo?

—Mesmo.

Aquilo era bem chocante, mas James não conseguia entender o que aquele fato tinha a ver com o pai.

—Mas, Luc... O quê isso...

—O quê isso tem a ver com seu pai? –Lucius terminou a pergunta por James e, diante da afirmativa do namorado, ele sorriu marotamente.—Você não consegue enxergar? Durante toda a vida dele, só houve uma coisa com a qual ele era realmente obcecado. Ele odiava uma certa pessoa com tanta força que eu acho que no fundo, isso não era ódio de verdade. Era algo mais. Algo que ele não podia entender e nem ao menos queria. Porque admitir aquilo seria seu declínio.

—Eu ainda não entendi.

—Eu acho que meu pai estava apaixonado pelo seu, James. –Lucius jogou a bomba.

Os olhos verdes do Grifinório se arregalaram.

—O QUÊ?

—Isso é bem surpreendente, não é?

—É claro que é! Muito!

—No entanto, isso faz sentido.

—Eu acho que você está muito enganado. E o quê isso tem a ver com o meu pai?

Lucius fez uma cara de incrédulo.

—Eu acabei de dizer que meu pai estava apaixonado pelo seu.

—Mas além disso... Pela maneira como você disse... Que eles são iguais... Você acha? Você está sugerindo que... Por que você pensaria isso? –James perguntou, tentando ver a conexão.

Lucius finalmente entendeu no quê James estava pensando.

—Ah, não! Eu não estou querendo dizer que seu pai é como o meu nesse aspecto! Eu só... Esqueça isso. Eu estava pensando alto. Eu tive um pensamento que levou a uma outra coisa e... Não se importe comigo. Eu só... Queria falar com alguém sobre isso, é só. Na verdade, foi muito insensível da minha parte, me desculpe.

—Não, está tudo bem. Mas isso é realmente sério. Você tem certeza que seu pai gostava do meu?

—Quase.

Ambos ficaram em silêncio por algum tempo, até que James quebrou-o.

—Seria estranho se isso fosse verdade.

—Eu que o diga.

O Grifinório apoiou a cabeça no ombro do Sonserino e ambos ficaram naquela posição por algum tempo, enquanto o loiro acariciava a mão do ruivo.

—Então... O quê vamos fazer? Você acha que seu pai vai ficar nos espionando para ver se você está se relacionando com o inimigo? Você acha que ele realmente teria coragem de te tirar da escola?

—Eu não sei, Luc. Só sei que temos que tomar mais cuidado agora.

—Bem, o que quer que aconteça, eu vou estar ao seu lado. –o loiro beijou o topo da cabeça de James e os dois se abraçaram. —Nós até mesmo podemos fugir juntos. –sugeriu, não muito em tom de brincadeira.

O Grifinório sorriu.

—Luc... Obrigado de verdade.

—Por que você está me agradecendo? –perguntou, olhando nos olhos de James. —Eu achei que você fosse terminar comigo. Ou pelo menos me lançar um feitiço bem doloroso.

—Eu realmente pensei nisso, mas percebi que nada deixaria meu pai mais puto da vida do que continuar saindo com você. –o ruivo provocou.

—Ah, então esse era o único motivo para continuar comigo?

—Claro, o quê mais poderia ser?

—E quanto aos meus olhos lindos? Ou meu corpo perfeito? Ainda melhor, o meu talento perfeito para o Quadribol?

Os dois pegaram-se gargalhando. No segundo seguinte, seus rostos aproximaram-se, até que encerraram o pequeno espaço com um breve toque de lábios. James abraçou Lucius apertado mais uma vez, não querendo deixar o outro escapar.

Se o fiasco com Harry tivesse acontecido alguns meses antes, James nunca teria encontrado forças para se recuperar sozinho. Era por causa de Lucius que ele conseguia enxergar as coisas sob uma luz diferente.

Era graças ao amor de Lucius que ele conseguia encarar seus problemas com mais seriedade e coragem. Ele sentia-se aterrorizado pelas ameaças do pai, mas não achava que ele era uma pessoa ruim. No entanto, demoraria um pouco para perdoar Harry pelo tapa que havia levado. A situação toda o entristecia muito.

Felizmente, Lucius estava a seu lado naquele momento e ele não precisava enfrentar aquilo tudo sozinho.

—Luc... –ele chamou baixinho.

—Sim?

—Você contou ao Hagrid sobre nós, não contou?

Imediatamente, o Sonserino ficou tenso. O Grifinório, por outro lado, sorriu.

—Você contou?

—Bem...sabe o que é... O Hagrid ele meio que já sabia e... Mas eu juro que ele não se importa! Ele só disse para termos cuidado com seu pai. Ele nos apóia, não se preocupe! Ele não disse nada ao Harry, muito pelo contrário, ele até ajudou a proteger nosso segredo.

O ruivo fitou Lucius seriamente. O velho James estaria entrando em pânico com aquela notícia. Já o novo James Potter achava a situação particularmente interessante. A atitude protetora de Hagrid em relação aos dois o tocava profundamente.

Ao seu lado, Lucius esperava por sua reação ansiosamente.

—Você está irritado?

James escondeu um sorriso e não respondeu à pergunta, determinado a fazer o Sonserino sofrer um pouco. No entanto, o loiro percebeu as intenções do namorado e pelo restante da noite eles se provocaram a respeito daquilo.

Lucius beijou-o, esperando salvar pelo menos uma pequena parte do aniversário de James e o ruivo presenteou seu cavaleiro entregando-se novamente – porém não completamente, ainda estava um pouco dolorido.

Naquele momento, suas ansiedades a respeito de Harry foram adiadas para um outro dia.

—Ah, meu Deus! Não me diga que você fez isso! –Hermione exclamou. —Me diz que você está voltando para Hogwarts nesse instante para se desculpar adequadamente com seu filho, Harry, ou eu nunca mais falo com você!

Harry suspirou profundamente. Por que ele tinha que ter contado à Hermione tudo o que acontecera em Hogwarts? Ele sabia que ela não o apoiaria em nenhum minuto, e como poderia? Ele tinha a exata noção de que havia destruído tudo entre ele e o filho.

Estava profundamente arrependido de suas ações. E pensar que havia batido em James! Ele ainda não conseguia acreditar que havia feito uma coisa tão abominável contra seu próprio filho. Ele iria condenar-se para sempre.

Hermione tinha apenas conhecimento da parte mais leve da discussão entre pai e filho. Se soubesse que Harry ousara encostar a mão no filho, ela certamente o enfeitiçaria. E com toda a razão.

—Absolutamente! É claro que não, Harry! Você não pode pedir desculpas através de uma simples carta! Você tem que ir lá agora mesmo. Não posso acreditar que isso aconteceu! Se fosse comigo, eu...

—Para início de conversa, algo assim nunca aconteceria com você, porque você não é tão fodida quanto eu. –mencionou, amargamente. —E segundo, você poderia ganhar um maldito prêmio de Mãe do Ano pela maneira como trata Max e Eliza...

—Isso é bem verdade! –ela confirmou. —Honestamente, Harry, eu estou chocada. Eu não sabia que você podia ser tão horrível! Quero dizer, todos nós sabemos que você não tem sido o mesmo desde que... Bem... –a bruxa balançou as mãos impacientemente; ela sabia muito bem que o amigo não gostava de falar sobre Ginny.

Harry meneou a cabeça.

—Coitado do James... Você deveria ter ido até lá para passar um dia com seu filho. Era aniversário dele, por Merlin! Mas você tinha que estragar tudo sendo esse frio homem de negócios chamado Harry Potter, que, por sinal, eu nem reconheço mais e...

—Tudo bem, tudo bem, eu já entendi! Será que dá pra parar? Eu já estou me sentindo mal, eu ferrei tudo! Você está certa, eu acho que tenho que pedir desculpas pessoalmente, mas... Bem, pra começar, eu não acho que James queira me ver no momento. Segundo, eu acho que devemos deixar o tempo curar nossas feridas. E terceiro, eu tenho muito o que fazer por aqui. Eu vou vê-lo no Natal, então...

—NO NATAL????? –Hermione gritou e Harry encolheu-se no sofá. —Harry, o quê diabos aconteceu com você? Como pode ser assim! Eu não te conheço mesmo!

—Hermione, eu... –ele estava disposto a brigar, precisava descarregar em alguma coisa. Necessitava de uma boa discussão e a amiga era perfeita para aquilo.

Porém, por mais irritado consigo mesmo e com o mundo, ele estava triste. Sabia que estava errado, então não havia nada que pudesse fazer ou falar que aliviasse seu coração atormentado. Nada, a não ser...

—Eu sou um péssimo pai. –a não ser uma confissão. E ali estava. Pela primeira vez havia admitido aquele fato para um de seus melhores amigos. —Eu não sei o quê fazer com James. Não sei como falar com ele... Não sei o quê falar para ele. Eu não o conheço. Eu não conheço meu próprio filho. Quão triste é isso?

Aquela confissão feita abruptamente tomou Hermione de surpresa. Ela ficou quieta por algum tempo e então, mostrando-se piedosa em relação ao amigo, sentou-se ao lado dele no sofá de couro de seu escritório, colocando uma das mãos sobre os ombros dele.

—Isso é realmente muito triste. –ela afirmou, com um fraco sorriso. —Mas pelo menos você percebeu isso.

—E eu mereço uma medalha por isso? –devolveu, ironicamente e Hermione soltou um suspiro, descontente.

—Harry... Você nunca realmente falou sobre o quê aconteceu naquele dia em que Ginny... –ela tentou começar, pela milionésima vez.

Imediatamente Harry levantou-se e afastou-se da amiga, extremamente aborrecido.

—Não comece, Hermione. Você sabe muito bem que eu não gosto de falar sobre isso!

—Mas será que você não consegue enxergar? Esse é exatamente o problema. É por isso que você e James não se dão bem, porque você fechou o seu coração desde que Ginny morreu. E você não o abriu nem mesmo para o seu filho... Isso é bem triste.

Ela parou por um momento, esperando qualquer reação do amigo e então prosseguiu.

—Mas já é hora de abrir os olhos! Seu filho está crescendo sem você, ele tem estado triste e solitário. Max me disse que ele passou as férias de verão inteiras deprimido... E o Max ficou muito preocupado porque nunca havia visto o primo parecendo tão solitário. Mas, vamos supor por um pequeno instante que James é, de fato, amigo de Lucius Malfoy...

—O que é algo que eu nunca irei permitir! –Harry replicou, interrompendo-a.

Hermione fez uma careta, completamente descontente.

—Isso não cabe a você decidir, você tem que acreditar nos julgamentos de James, Harry! Além do mais, você não disse que seu filho estava diferente? Você não disse que ele estava mais seguro e confiante? Max me contou que ele mudou durante o semestre, que tem sorrido mais... –e Hermione pegou-se sorrindo também. —Vamos dizer que tenhamos que agradecer a esse garoto por isso...

—Hermione! –Harry estava muito próximo de perder a paciência, algo que não era muito difícil de acontecer naqueles dias. —O quê você está querendo insinuar?

—Que você deve deixá-los em paz. Lucius Malfoy não fará nada contra James sob os olhos de McGonagall.

—Isso era o que todos pensavam a respeito de Dumbledore também! E olha o que aconteceu com Hogwarts?!

—Está tudo bem em Hogwarts agora e nós não estamos mais em guerra. E quer você queira ou não, Draco nos ajudou no passado...

O rosto de Harry era uma pura máscara vermelha de raiva.

—Nos ajudou... Que piada! Ele me destruiu! Ele destruiu tudo...

O ex-Grifinório fechou os olhos, respirando com dificuldade. Ele não deveria permitir que sua mente viajasse até aquele lugar. Aquilo não lhe faria bem algum.

—Eu não quero meu filho envolvido com um Malfoy e essa é a minha palavra final. Você sabe o que ele fez!

—E você sabe que ele foi declarado inocente. Até mesmo Molly e Arthur o perdoaram. E se James e Lucius forem amigos de verdade, Harry? Você vai tirá-lo da escola se ele continuar a ser amigo daquele garoto? Você seria tão cruel e irracional a esse ponto?

Será que ele seria? Não podia responder àquela pergunta. Lembrou-se da surpresa no rosto de James, seguido pela tristeza e finalmente a raiva quando ele havia lhe dado um tapa, e sentiu um aperto no peito. Era como se algo o estivesse destruindo. Será que ele tinha o direito de fazer a vida do filho miserável somente por causa de seu ódio incontrolável em relação a um homem que deveria esquecer?

—Não. –respondeu, mais para si mesmo do que para Hermione.

—Fico feliz em saber que ainda há algo de bom dentro de você, Harry. –ela disse, suavemente.

Harry fitou-a, abismado. Ele era tão horrível assim? Quando exatamente havia se tornado aquela pessoa? Bem, aquela era uma pergunta estúpida, ele sabia exatamente o momento em que tudo mudara em sua vida. E não havia sido apenas a morte de Ginny.

Havia acontecido muito antes daquilo.

Ele estava amaldiçoado para sempre por aquele erro, por aquela mancha horrível em sua vida. Mas James não tinha que pagar por seus pecados. Harry precisava a aprender a ser um pai melhor. E rapidamente. Tinha a certeza de que perderia o filho se não conseguisse controlar seu mau humor e o hábito horrível de ordenar as pessoas a fazerem as coisas, como se fosse um ditador.

No entanto, ele ainda não podia encarar James. Não conseguiria encarar os lindos olhos do filho fitando-o com tanta raiva. Além de tudo, ele deveria ser a última pessoa que James queria ver no momento.

—Eu não posso vê-lo. Pelo menos não por enquanto. –respondeu, fracamente.

Por mais uma vez naquele dia, Hermione ficou com pena do amigo.

—Dada às circunstâncias, eu acho que uma carta está bem. Mas seja gentil. E não mencione o Quadribol. –sugeriu a contragosto, sabendo que uma carta não seria o suficiente.

Harry fez uma careta e imediatamente Hermione soube o significado daquilo.

—Ah, você não fez! Você falou de Quadribol! Você é horrível!

—Nós já chegamos a essa conclusão por mais de uma vez hoje.

—Você merece ouvi-la milhares de vezes por dia! Ignore, rabisque, apague qualquer parte em que você fala sobre Quadribol na carta. É uma ordem!

Harry suspirou, mas, surpreendentemente, fez o que a amiga sugeriu.

—E o que mais, mamãe?

—Você envia a ele, oras. Não se esqueça de dizer que o ama e que você entende porquê ele te odeia, porque você se odeia às vezes também.

—Isso já é ir longe demais. –ele quis fazer parecer uma ameaça, para que a amiga se calasse, mas Hermione nunca tivera medo de dizer o que pensava.

—Isso é ser um bom pai. E você sabe que eu estou com a razão, você se odeia mesmo. Quando você aprender a lidar com...

—Você está passando dos limites de novo! –ele interrompeu-a, irritadíssimo.

—Que seja, Harry, apenas aprenda como ser um adulto, por Merlin! –ela exclamou, levantando-se do sofá, extremamente aborrecida, batendo a porta ao sair.

Harry balançou a cabeça e então analisou a carta que havia começado a escrever, suspirando pesadamente no processo.

Hermione tinha razão.

Ele realmente se odiava e não sabia como amar-se novamente.

Continua...

Nota da Tradutora: oh, não tenho muito o quê falar, a não ser pedir desculpas e agradecer a todos que ainda acompanham a tradução. Vocês são mais que guerreiros, mas acredito que podemos voltar com toda a força esse ano. Muito obrigada novamente às reviews, emails e MPs, esperem por minhas respostas, já que é o mínimo que poderia fazer. Aos que comentam sem deixar email, por favor não façam isso; deixem seus emails que eu gosto muito de responder a todos!Blanche, amiga, sorry por ter sumido do MSN, quero falar com você antes da sua viagem, okay?

Nota da Autora:Ah, sim, sua desnaturada... Eu te perdôo! Mas quem sou eu pra falar... Minhas histórias estão todas atrasadas, e estou vivendo pra trabalhar! Ai, ai; a vida é assim. Mas que bom que estava de volta!

Cenas do próximo capítulo...

-O quê esse bastardo está fazendo aqui?

Harry não respondeu. Ele lembrava da impressionante dor que tudo aquilo, mas também da igualmente impressionante felicidade que sentiu em seguida, para ser tragado para a realidade mais do que dolorosa algumas horas depois.

A realidade de seus pecados.

O fato de que em um momento de sua vida, ele amou Draco Malfoy e havia aproveitado cada minuto daquilo.

-Ele não vale a pena. Vamos embora. –Harry disse e percebendo que Ron não havia movido um centímetro, ele decidiu ser mais firme. –Agora, Ron.

Nota da tradutora: ohhhhhh dead cliffhanger much com a aparição do Draco no próximo capítulo? Vamos lá, pessoas, contagem regressiva para a postagem!

Nota da Autora: Quando esses dois estão juntos, as faíscas voam pra todos os lados. Já estou com saudades deles...