Nota da autora: Crianças lindas da Shampoo-chan :) Quase que deixo de postar hoje porque não conseguia achar um trecho do livro citado no capítulo. Só que tirei dois segundinhos pra ler e encontrar o que queria. Acho que este capítulo ficou muito melhor que o original.
(Hmm... tenho que parar de dizer isso em respeito aos antigos leitores. Crap).
Agradeço muitíssimo aos leitores que comentaram no capítulo passado: Sakura Kh, Rynui Uchiha, Nathi Duarte, Anny Taishou, Mifs e Rukia-hime. Promessa de escoteiro que respondo todo mundo este final de semana. Vocês nem têm ideia do quanto fico dando pulinhos que nem meu sobrinho de três anos quando recebo um comentário, hahah.
Agora deixem o BBB de lado e leiam. Comentem também se puderem, claro. Eu ficaria feliz e minha musa trabalha mais e sem cobrar hora extra :)
UM CAMINHO PARA DOIS.
CAPÍTULO 11
Trocando o caminho
Música: "The 4th Avenue Café", (L'arc en ciel)
Era final de verão, um dia ameno que indicava já a chegada do outono através das frestas nas cortinas de um quarto de hospital, Rin ajeitava as cobertas em torno do corpo frágil de Aki.
-Está melhor assim? – ela perguntou, sorrindo.
-Claro que está... Mas você não devia estar aqui, Rin. A faculdade...
De novo aquela conversa. Não era nem a primeira vez que ela faltava e ele continuava falando isso.
-Negativo. Eu tenho que ver se você tá bem, Aki... – ela se sentou em uma cadeira próxima da cama – Você dormiu bem esta noite? Leu alguma coisa?
-Um livro muito bom... – ele pegou o livro que estava em cima da mesinha ao lado da cama – "Hamlet", de Shakespeare. Você devia tentar ler também... É uma tradução excelente.
-Obrigada. – ela falou, ainda sorrindo e pegando o livro – Você já terminou? Não quero levar antes que...
-Não se preocupe. – ele a interrompeu, sorrindo – Eu faço questão que leia antes de mim.
Rin abriu o livro numa página aleatória e sentiu o corpo ficar ligeiramente tenso ao ler uma frase que se destacou em todo o texto:
Ele não morre só.
Recuperou a compostura antes que o namorado perguntasse o motivo de tanta tensão, e deixou o livro numa mesinha ao lado da cama. Sentiu então a mão dele levantar e pedir para que ela deitasse a cabeça na cama. Rin ajoelhou-se próximo da cama, pousando a cabeça suavemente perto dele para que pudesse tocá-la na cabeça, mas não fazia o mesmo carinho que sempre fazia quando ela estava daquele jeito.
-Quero te mostrar uma coisa... – ele falou, fazendo Rin erguer a cabeça para olhá-lo – Olhe minhas mãos. Vê? – ele mostrou os dedos – Minhas unhas já estão crescendo. Daqui a pouco eu poderei tocar nos seus cabelos, menina.
-Que bom! – ela não deixava de sorrir, evitando pensar na tristeza contida na mensagem. Era realmente lamentável o estado das unhas – Eu mal posso esperar.
-E Hakudoushi... Ele vem buscá-la, menina? – ele perguntou, depois de um momento de silêncio em que Rin ficara analisando seus dedos.
-Ele vem depois... – ela olhou para o relógio que tinha no braço – Você ainda não me contou se já está bem...
O rapaz ficou calado durante alguns segundos, como se estivesse pensando no que seria melhor dizer para ela.
-Hoje... eu estou bem melhor... Depois de ver você.
-Não sentiu mais dores? – ela perguntou, franzindo a testa numa evidente preocupação.
-Poucas... Mas não me preocupo muito com elas... Já estive bem pior...
-Seu cabelo também está crescendo mais rápido – ela comentou, aproximando a mão do cabelo castanho ralo.
-Rin? – ele a chamou, repentinamente.
-O que foi?
-Você me... ama?
Rin deu um sorriso doce e beijou suavemente o rosto dele.
-Sim.
O rapaz ficou em silêncio, admirando os olhos castanhos dela, falando depois:
-Eu também...
-Por que me perguntou isso?
-Por que eu gostaria de ouvir isso... Hoje.
Uma batida na porta interrompeu a conversa do casal. Aki olhou para a porta, já imaginando quem era.
-Entre. – Rin respondeu por ele.
-Com licença... – Hakudoushi falou com a habitual voz fria, segurando no braço um casaco que pertencia a Rin – O horário de visitas acabou, Rin... Olá, Aki. – falou, lançando um olharao rapaz deitado.
-Oh... – Rin murmurou – Não posso ficar mais um pouco?
-Infelizmente, não, Rin-chan. – alguém atrás de Hakudoushi falara – Aki precisa fazer mais exames antes da cirurgia desta tarde.
-Mas ele... Não são aqueles que fazem com que fique enjoado depois, né? – ela perguntou ao senhor vestido de médico que entrara.
-Não, não são, Rin-chan... – ele falou, sorrindo – Fico feliz que esteja preocupada com ele.
-Posso vir amanhã então, doutor Jinenji?
-Será bem-vinda, Rin-chan. Você sempre foi. – ele comentou, não querendo que ela visse a ponta de decepção de seu olhar. Sentia-se triste em ver que a garota vinha todos os dias desde que o rapaz viera parar ali, perguntando-se como ela se sentiria quando ele...
-Vamos, Rin. Amanhã voltaremos. – Hakudoushi falara. Rin olhou para o irmão e pegou as coisas que trouxera, inclusive o livro que Aki lhe entregara. Sem querer, ele escapou das mãos dela e caiu no chão, aberto numa das páginas. Ela o pegou e novamente o olhar se fixou numa frase em destaque:
Ele não morre só.
Balançou a cabeça, marcou a página com uma orelha e guardou o livro numa bolsa que trouxera.
-Até mais, Aki-kun – ela beijou o rosto do rapaz e ia embora quando sentiu a mão dele em seu braço.
-Até, minha menina... – ele falou – Você pode esperar lá fora? Eu gostaria de conversar com Hakudoushi-sama... – olhou para o irmão mais velho, este de sobrancelhas levemente levantadas pela surpresa.
-Ah... tá bom... – ela murmurou, saindo do quarto acompanhada pelo médico.
Quase cinco minutos depois, a garota viu o irmão sair do quarto e evitar olhá-la.
-O que vocês conversaram? – ela perguntou, pegando no braço dele.
-Ele... – pigarreou, meio desconcertado - Me elogiou por aprender a bater na porta antes de entrar em outros lugares.
-Ah... – ela piscou duas vezes antes de virar o rosto e olhar por uma janela – Que estranho...
Kisetsu wa odayaka ni owari o tsugeta ne
Irodorareta kikou ni yosete
Sayounara ai o kureta ano hito wa
Kono hitomi ni yurameiteita
A estação chegou ao fim tranquilamente.
Trazendo para mim memórias coloridas
Adeus àquela pessoa que me deu amor
Meus olhos eram dominados por ela
Ao chegar em casa, mais tarde, Rin se deitou depois que revisou toda a matéria que perdeu durante a semana por causa das visitas que fizera a Aki – não que sentisse vontade, mas porque era realmente uma obrigação a cumprir. O que ela queria mesmo é ter tempo suficiente para ler uma coisa.
Abriu a bolsa e pegou o livro que Aki lhe entregara. Abriu na página que marcara ainda no quarto do hospital e a leu:
Quando se extingue um soberano
Ele não morre só.
Como a vórtice de um redemoinho
Atrai para o abismo tudo que o rodeia.
Era a página 80, uma cena do Ato III da peça. Quis ler desde o começo, mas sentia-se tão cansada que parou ao alcançar a página oito. Pousou a cabeça no travesseiro e adormeceu logo depois.
Sonhou com uma época em que Aki ainda estava bem de saúde, quando os dois estudavam em andares separados da Universidade de Nagoya, mas sempre que podiam ficavam juntos nos intervalos. Entretanto, aquela parecia não ser a Nadai, a Universidade de Nagoya, pois o lugar estava vazio. Lá nunca estava vazio. Entretanto, ela não avistava ninguém andando perto dela, muito menos encontrou Aki sentado na escada do corredor onde estudava, esperando por ela como fazia todos os dias, antes de adoecer.
Rin procurou pelo rapaz pelos outros corredores e pelas outras escadas, começando a sentir desespero ao perceber que não o encontrava, não vendo outra pessoa além dela pelo prédio. Desceu para o pátio, procurando por alguém e por Aki pelas áreas verdes. Ela viu que era uma bonita manhã de Outono, o último dia da estação, o céu ainda estava claro, sem princípio de chuva. Lembrou-se, com isso, que Aki sempre a levava para um jardim próximo do prédio da faculdade de música, onde ficavam conversando sobre diversas coisas. Dirigiu-se até lá, com a esperança de encontrá-lo.
Togirenai kimochi nante
Hajime kara shinjitena katta
Utsuriyuku machinami ni
tori nokosarete mama
Desde o começo, nunca acreditei
que os sentimentos fossem eternos
Agora eu deixei tudo na mudança,
trocando os caminhos pelos quais eu passava
De longe, avistou uma pessoa em pé, olhando para o céu. Ela correu até a pessoa, parando a uma certa distância, com certo medo em ver Aki ali. Ele deveria estar no hospital, entretanto... O que fazia ele no jardim, naquela hora do dia?
De repente, o rapaz se virou para ela, sorrindo. Ela perguntou o que ele fazia ali, mas Aki lhe respondera numa voz calma para que ela se cuidasse e...
"Até, minha menina."
Depois Aki virou-se e começou a caminhar, deixando Rin estática. Ao vê-lo ir embora, os olhos, antes vivos, ficaram vazios. Ela tentava chamar o rapaz, mas a voz não saiu, até vê-lo desaparecer completamente e conseguir gritar pelo nome dele e acordar, percebendo que tinha a mão entendida como se quisesse alcançar algo...
"Aki..."
-Rin-chan! – a mãe dela entrou no quarto, sem nem ao menos bater por causa da pressa – Filha, Aki... – ela estava tentando se manter calma, mas sentia uma imensa vontade de chorar – Aki está...
Rin acordou suada e sem fôlego enrolada no lençóis que cobriam tanta a cama quanto o corpo. Estava usando um yukata amarelo e percebeu que não estava no quarto do apartamento novo que alugara.
-Aqui é a casa de... – ela percebeu onde estava e voltou a se jogar na cama, colocando uma das mãos na testa e olhando fixamente o teto.
Quanto tempo fazia que ela não sonhara com aquilo? Se não estava enganada, os primeiros meses em Tokyo fizeram com que ela esquecesse parte do passado.
Mas ela não queria esquecer.
-Ele não morre só. – murmurou para si mesma.
Entretanto o que a tinha feito mudar de cidade, de ambiente e conviver com outras pessoas não tinha sido a enorme vontade de esquecer aquilo tudo? Todo o sofrimento dos últimos meses com Aki doente? Afinal, por que ela se sentia tão confusa por ter mudado de caminhos, passar por outros que não conhecia?
Virou-se de lado.
Por que estava tão confusa?
Ao fazer isso, Rin percebeu pelas cortinas brancas que o sol estava alto e elas não impediam a luminosidade. Abriu a boca e levantou-se subitamente, indo até a janela e abrindo-a.
-Quanto tempo eu...? Que dia é hoje, afinal? – perguntou, olhando para o jardim e vendo que muitos empregados trabalhavam limpando o lugar.
Rin arrumou o cabelo e o yukata, procurou as roupas que usava antes e não as encontrou. Deu um suspiro profundo até resolver se dirigir até a porta e sair do quarto.
Caminhou por um corredor já conhecido dela, quando Sesshoumaru a carregou até aquele quarto onde estava para que dormisse. Continuou andando até escutar uma voz já conhecida dela.
-Que bom que já acordou, sssenhorita. Bom dia.
-Hã... – ela curvou-se, sem jeito – Bo- bom dia... O seu nome é Jaken, não?
-Sssim, e Lorde Sssesshoumaru me pediu para cuidar da sssenhorita em tudo que precisssasse.
-Ah... –ela piscou duas vezes e tentou conter a vontade de rir ao escutar o "título" de Sesshoumaru.
-O café essstá pronto, sssenhorita Nozomu.
-Jaken-sama... – ela interrompeu – Eu queria saber o que estou fazendo aqui... e onde estão minhas roupas?
-"Jaken-sssama"? – ele perguntou, arqueando as sobrancelhas quase invisíveis.
-Ai, ai... –ela sorriu, sem graça – É costume meu... Eu posso chamar você assim, né?
-Bem... hã... eu acho que sssim... – desde que Sesshoumaru não soubesse, é claro. Era costume que empregados não fossem chamados por um tratamento tão alto como aquele.
-Que bom.
-Lorde Sssesshoumaru a trouxe pra cá ontem e...
-ONTEM? – ela arregalou os olhos.
-... e suas roupas estão guardadas na lavanderia até que a sssenhorita resolva voltar para casa.
-Mas esse yukata... – ela olhou para a roupa que usava – Quem foi que me trocou?
-A sssenhorita Kaede, uma das governantas. – ele respondeu, começando a andar pelo corredor e descendo as escadas.
-Não tem outra coisa pra usar? – ela perguntou – Ficar com essa roupa me incomoda...
-Vou levá-la pra tomar café, sssenhorita Nozomu...
-Rin. – ela o corrigiu.
-Hã? – ele a olhou curioso.
-Pode me chamar de Rin. – ela respondeu calmamente, passando por ele e chegando até uma sala onde a mesa estava preparada – Só aquele iceberg do seu patrão me chama assim...
-Mass... – ele protestou.
-E onde está seu patrão, Jaken-sama? – ela perguntou, sorrindo e se sentando à mesa.
-Está treinando desde cedo, sssenhorita... – parou de falar ao ver Rin estreitar os olhos – Rin.
-Treinando? Treinando o quê? – ela perguntou, já se servindo.
-Kenjutsu.
-Ah... – ela deu um sorriso antes de colocar uma torrada na boca – Interessante... E Inuyasha?
-Sssaiu bem cedo com a sssenhorita Higurashi.
-Nha! – ela fechou os olhos, sorrindo – Então depois me diga onde está Sesshoumaru-sama que eu quero falar com ele.
-Sssesshoumaru-sssama não gosta de ser interrompido durante o treino que faz.
-Ora... – ela deu nos ombros – Até parece que ele vai se aborrecer se alguém interromper.
-Ah, ele sse aborrece ssim – o homenzinho falou apressado. Sentiu até um arrepio ao lembrar das vezes que interrompeu o treino do patrão e o que ele fez a ele por causa disso.
-Jaken-sama, pode me deixar sozinha durante alguns minutos? Eu gosto de tomar meu café assim... – ela falou, mantendo o sorriso e tirando o mordomo daqueles pensamentos.
-Claro. Chame ssse precisar de algo. – e ele saiu da sala
-Obrigadinha.
Assim que Jaken saiu, Rin comeu rapidamente algumas coisas e depois limpou os lábios depressa com um guardanapo. Queria descobrir sozinha onde Sesshoumaru estava, embora não conhecesse muito bem o lugar. Andou depressa pelos corredores até lembrar-se que a sala de treino podia ser um dojo provisório do lado de fora da casa. Saiu e ficou andando pelo jardim até encontrar, quase nos fundos da casa, uma bonita construção de onde pôde escutar que alguém estava em seu interior.
Aqui.
Rin abriu a porta silenciosamente, entrando com o cuidado de não ser notada pela pessoa que treinava.
-Sesshoumaru-sama...
Yuki au ano hitobito ga ima wa
Tooku ni kanjirete
Zawameki sae usurete wa
Tameiki ni kieteshimau
Essas novas pessoas que conheci
Sinto-as tão longe de mim
Como se estivesse escutando vozes murchas
Sinto-as desaparecer em um suspiro
O rapaz treinava sozinho com um shinai o movimento de ataque com os braços quando atacasse primeiramente a cabeça do adversário, um dos movimentos básicos daquela arte.
Rin sentou-se em uma das almofadas sobre os próprios joelhos e ficou em silêncio o rapaz treinar. Não acreditava que Sesshoumaru estivesse treinando os golpes básicos até lembrar-se de que seu irmão havia feito algo parecido no dia seguinte à briga que os dois travaram quando ela havia decidido viajar sozinha para Tokyo e ele não ter concordado.
-O que faz aqui? – a voz de Sesshoumaru a vez voltar à realidade.
-Ah... – ela olhou para ele, piscando várias vezes para o rapaz que limpava com um pano o suor em seu rosto – Eu queria falar com você...
-Sobre o quê? – ele perguntou, prendendo os longos cabelos e limpando a área do pescoço.
-Você... – ela fechou os olhos e, depois de um suspiro, abriu-os de novo – Jaken-sama me falou que você me trouxe pra cá...
-Dormiu bem? – ele perguntou, bebendo depois um gole de água de uma garrafa plástica.
-Ah, s-sim. – ela respondeu, depressa. Ele a estava cortando – Parece que dormi demais. Jaken-sama me contou que você me trouxe ontem...
-Eu não sabia onde era seu apartamento, tive que fazer isso. – ele respondeu depressa, impassível – Acredito que tenha conseguido repor as energias.
-Eu me sinto muito bem agora. – ela falou, sorrindo. Observou o rapaz com a roupa de treino limpar o suor dos braços.
Ficaram em silêncio.
-Sesshoumaru-sama... – ela começou, numa voz fraca.
-O que foi? – ele perguntou, olhando-a preocupado.
-Eu queria... – ela baixou o rosto e apertou o tecido do yukata com as mãos – Eu queria sinceramente pedir desculpas por ter gritado todas aquelas coisas horríveis pra você em todo esse tempo que nos conhecemos... – ela ergueu a cabeça e falou com tristeza – Desculpe. Acho que não deixei de ofender você nem um dia desde que cheguei aqui.
Kuuseki ni mitsumerareta
Taikutsuna kyuujitsu ni wa
Owaru koto naku anata ga nagare tsuzuketeiru
Olhando para um lugar vazio
Num feriado monótono
Só faz você ficar mais perdido em seus sentimentos
Rin percebeu que o rapaz continuava observando-a, mas não parecia disposto a tecer comentário algum sobre o que ela dizia, incentivando-a a continuar a falar.
-Desculpe. De verdade. E a noite passada...
-Eu peço desculpas por essa. – ele a interrompeu num tom sereno – E não digo isso com a intenção de deixá-la nervosa como das outras vezes. Nós mesmos esclarecemos que poderíamos nos arrepender.
Bem, na verdade foi ela quem salvou a situação.
Rin, sentada sobre os joelhos, e Sesshoumaru, em pé e olhando para a garota, agora se encaravam, procurando descobrir algum motivo para continuar aquela conversa. Rin foi quem teve a coragem de continuar:
-Quando conheci Sesshoumaru-sama no início deste ano, Sesshoumaru-sama pareceu a mim uma pessoa muito sozinha e que não gosta que outras pessoas cheguem perto dela... Você me tratou muito mal nos primeiros dias e eu quis me afastar pra não me envolver com você ou com seus problemas... Mas depois desses meses, estudando juntos, conversando... – ela fechou os olhos – Sesshoumaru-sama parece ser meu único amigo neste lugar. E é por isso que eu gostaria que Sesshoumaru-sama entendesse o motivo de não querer me envolver com ele...
-E por que você não deseja se envolver com este Sesshoumaru?
-Porque podemos... deixar de ser amigos se nos envolvermos... demais. E também... – desviou o olhar – Ainda existe uma lembrança viva de alguém que não vive mais...
-A pessoa não está mais viva, mas a lembrança sim?
Wakatte ite mo kizukanai furishite
Oborette ita yo itsu demo
Dareka no koto omotteru
Yokogao demo suteki datta kara
Já sabia, mas não queria ser avisada
Sinto-me afogada
Porque quando penso em alguém
Até mesmo seu perfil é maravilhoso
-É... – ela olhou para ele – Eu passei quatro anos com essa pessoa, mas dois desses anos foram num quarto de hospital. E ano passado ele morreu... – ela baixou o rosto e começou a chorar – Eu não consegui aceitar o fato, principalmente porque muitos me avisaram do que poderia acontecer se ele não se curasse, mas é que... – ela continuou chorando, recuperando a voz para falar segundos depois - É tão... difícil esquecer alguém com quem viveu durante quatro anos, e quando nos é tirada, fica ainda mais... – passou a costa da mão no rosto para enxugar os olhos e poder olhar para o rapaz, escutando a uma vozinha sussurrarele não morre só e atrai para um abismo tudo que o rodeia – Eu quase fui reprovada no quarto ano, fiquei meses em depressão... Tive que mudar de lugar pra esquecer tudo que passei, mas não consegui até agora...
Kisetsu wa odayaka ni owari o tsugeta ne
Irodorareta kikou ni yosete
Sayounar ai o kureta ano hito wa
Kono hitomi ni yurameiteita
A estação chegou ao fim tranquilamente.
Trazendo para mim memórias coloridas
Adeus àquela pessoa que me deu amor
Meus olhos eram dominados por ela
Depois de minutos em silêncio em que Sesshoumaru escutava a garota chorando, ele falou:
-Se mudou de cidade pra esquecer, por que ainda está sofrendo assim?
-Por que eu não sou forte o bastante pra enfrentar certas coisas... Nisso Sesshoumaru-sama tem razão em dizer que eu sou uma criança... – ela engoliu em seco e fungou – Achei que, sendo um pouco criança, poderia ser mais alegre e esquecer tudo o que me aconteceu, embora ache que no fundo eu ainda não queira esquecer...
-Você... você está um pouco confusa. – ele falou, calmamente.
-Eu sei – ela falou, erguendo o rosto molhado – Hoje Rin-chan sonhou de novo com o último dia dele vivo, e ficou um pouco triste em perceber que nunca mais tinha sonhado com aquilo... Parece que parte do que eu tinha desejado, que era esquecer aquilo, tinha se realizado, mas eu percebi também que não queria esquecê-lo... não seria justo fazer isso, não depois de tudo que passei com ele...
Atraindo para um abismo tudo que o cercava.
Sesshoumaru aproximou-se dela, sentando-se na mesma posição que Rin estava.
-Eu entendo o que sente.
Rin ergueu a cabeça ao escutá-lo falar
-É difícil esquecer alguém com quem viveu durante muito tempo e também outros fatos que você não deseja mais lembrar. – ele continuou, não tirando o olhar de cima dela – Meus pais morreram há anos, eu não os esqueço... E também é difícil esquecer alguém que conheceu há pouco tempo... – viu a garota baixar o rosto para não encará-lo – Eu não a culpo de não responder a meus sentimentos, mas eu gostaria que um dia isso fosse possível.
Rin ficou calada, o rosto abaixado para esconder as partes coradas.
Ato... dore kurai darou?
Soba ni... ite kureru no wa
Sou... omoi nagara toki o kizande ita yo
Por quanto... tempo, eu espero?
Para que você... fique ao meu lado
Sim... enquanto penso, o tempo passa
-Eu entendo que não queria se envolver... É difícil se envolver com alguém pensando em outra... Eu quero você, mas não quero que você me compare com outro. Este Sesshoumaru sempre será Sesshoumaru.
-Sesshoumaru-sama sempre será Sesshoumaru-sama... – ela repetiu, sorrindo discretamente.
-Aki foi e sempre será Aki nas suas lembranças.
-Aki sempre será Aki...
-Você sempre terá um significado pra mim...
-Ah... –ela não repetiu, mas não pôde conter o sorriso ao escutar. Ergueu o rosto e falou – Sesshoumaru-sama é muito persistente, não?
-Eu sou paciente. Gosto disso – ele falou, calmamente – Eu gostaria de saber se... Se um dia, quando tiver superado tudo isso, você... você ficaria comigo?
Rin encarou o olhar sério do rapaz e deu um sorriso ao responder:
-Com certeza, eu seria... seria sim... – ela falou, fechando os olhos e assumindo com uma expressão serena – Mas somos amigos, né? – tinha um tom de esperança na voz – Eu ficaria feliz se continuarmos como amigos.
-Também ficaria feliz. – ele respondeu, impassível.
-Essa sua cara de felicidade é algo que me deixa impressionada... – ela falou, sorrindo. Levantou-se e ajeitou a yukata para ficar mais apertada no corpo.
Yosette wa kaeshite ku... nami no you ni
Kono kokoro wa sarawarete
Chegando perto um do outro e sumindo aos poucos... como as ondas do mar
Arrastando este meu coração
-Hoje iremos sair com Kagura, lembra? – ele falou, levantando-se e ajeitando as mangas da roupa. Parou ao sentir os dedos de Rin tocarem na peça, ajudando-o a ajeitar.
-Você amarrou errado... – ela falou, abrindo a parte de cima e ajeitando-a habilmente. Sesshoumaru olhava-a surpreso por saber que ela sabia arrumar aquilo melhor que ele.
-Como você sabe? – ele perguntou.
-Meu irmão é mestre de kendo... – ela falou sem olhá-lo e sem parar o serviço – Eu o ajudava a se arrumar às vezes.
-Parece que fez isso muitas vezes, não?
-Sim. – ela parou de mexer as mãos por dois segundos antes de continuar – Eu lembro quando eu decidi mudar de cidade... Ele ficou furioso e não falou comigo por um dia inteiro. Depois eu fui procurá-lo pra conversar e o encontrei como encontrei você hoje: treinando os golpes mais básicos do kendo... E também ajeitei a roupa dele.
-Ele não gostou de saber?
-Odiou. – ela terminou o serviço e pousou uma das mãos do peito dele – Mas depois percebeu que era uma coisa boa, pois eu poderia conhecer outras pessoas e melhorar.
Kyou mo machi wa ai mo kawarazu omoi megurase
Sorezore ni... kaite yuku...
Hoje os caminhos continuam os mesmos para mim
eles desenham as próprias pessoas que passam por eles
-Ele tinha razão quando disse isso... – ele falou, afastando-se dela para guardar o material que havia utilizado durante o treino. – E você vai voltar pra lá em breve, não?
-Ah, claro... – ele pôde notar o tom alegre que ela tinha quando falou aquilo – Amanhã!
Sayounara ai o kureta ano hito wa
Tooi sora ni koi kagarete
Kono hitomi ni yurameiteita
Adeus àquela pessoa que me deu amor
além daquele céu, anseio por um amor
que agora domina meus olhos
-E hoje tem o seu cinema... mas se estiver com pressa para arrumar as coisas, é bom falar com Kagura e dizer que não pode ir. Acredito que ela não fique aborrecida. Se bem que não é importante se ela ficar.
-Não... – ela esticou os braços e ignorou a última frase dele. Como ele adorava irritar as pessoas... – Eu quero ir, mas... Quem vai pagar a entrada?
-Algum de vocês... Se eu for, muito provavelmente eu. Kagura tem um talento especial pra me convencer a bancar todas as happy hours que ela inventa.
-Exatamente, meu querido... – alguém falara na entrada do dojo – Estou sem grana, você vai bancar tudo.
Os dois se viraram e perceberam que Kagura estava na entrada, as duas mãos apoiadas na batente da porta.
-Estou atrapalhando alguma coisa? – ela perguntou, sorrindo.
Os dois olharam um para o outro, perguntando-se com os olhos se ela teria escutado parte da conversa.
Utsuri yuku machinami ni tameiki wa koboreta yo...
Mudei, troquei os caminhos que eram preenchidos pelos meus suspiros...
