Capítulo Onze- Sentimentos

O barulho do relógio marcando meia-noite quebrava o silêncio no quarto de Emmeline Vance. Não estava vazio, mas era como se estivesse; ela estava sentada na borda da cama, com as mãos sobre o joelho. Apesar de ela estar cabisbaixa, era possível imaginar que estava chorando, visto que fungava com força.

O homem que estava à sua frente, recostado à parede, tinha o olhar fixo na morena. Sua expressão era de tristeza e melancolia, dando a entender que estava arrependido de alguma coisa. Seus lábios tremiam, ele tentava falar alguma coisa; mas a voz não saía. Somente após alguns minutos ele conseguiu falar:

- Desculpe.

Ela não falou nada de imediato. Suspirou e fixou seu olhar nos pés de Remus. Perguntou:

- Pelo quê?

- Bem...- Ele pareceu estar procurando uma resposta.- Por toda essa... situação.

- Não é sua culpa. Também não é minha culpa.- Falou chorosa.

- Então é culpa de quem?

- De ninguém.- Olhou para ele.- A gente apenas...

- Se apaixonou.- Remus completou.

Emmeline não respondeu. Apenas voltou a abaixar a cabeça e chorou. Remus ficou observando como as lágrimas dela escorriam pelo rosto e caiam sobre as pernas, molhando a borda do vestido branco que usava. A cada soluço que ela soltava, ele estremecia; sentia que os soluços eram como sussurros desesperados de socorro e ele os ignorava. Sentia como se qualquer palavra que dissesse iria machucá-la. Sentia que estava no fundo do poço, na escuridão total, sem poder tocar em Emmeline. Apenas a vendo sofrer e chorar.

- Não, não chore.- Ele murmurou.- É inútil chorar, Emme.

- Como assim, inútil?- Ela contestou.- Remus, olhe o problema que temos. Você entende?

- Entendo, claro.- Respondeu rapidamente.- Mas para tudo há uma solução.

- E qual seria?- Perguntou sem encará-lo.

- O único jeito de acabar com a angústia de um amor impossível, é amando!- Bufou impacientemente, como se estivesse falando alguma coisa óbvia.- Emme, nós podemos tentar... tentar sair daqui e ficarmos juntos...

- Remus, eu não posso fazer isso! Os homens me pagam por uma noite e você vem dizer que quer todas as noites comigo? Isso é...

- Eu te amo!- Ele a interrompeu.

- MAS É IMPOSSÍVEL!- Ela gritou.

- ENTÃO OLHE NA MINHA CARA E DIGA QUE NÃO ME AMA!- Gritou no mesmo tom.

- Eu não posso.- Falou com a voz rouca.- Eu não posso... eu te amo. Você sabe disso.

- Sei! E por isso mesmo que digo que nós devemos ficar juntos!

- NÃO!- Ela gritou.- ESTAMOS PERDIDOS, ESTAMOS LOUCOS!- Pausou.-... Estamos apaixonados; mas não podemos ficar juntos. Você é amigo de James e eu sou uma... uma prostituta, Remus. Existe uma enorme barreira entre nós dois. Uma barreira que impede qualquer forma de sentimento que não seja um desejo passageiro, um desejo sujo.

- Você está dizendo que nosso amor é sujo?

- Eu estou dizendo que é impossível ficarmos juntos. Por que você não consegue enxergar o problema?

- E por que você enxerga o problema?

Emmeline suspirou.

- Remus... o que eu sinto por você é lindo. É amor. Mas eu não devia estar amando você, entende? Você deveria ser apenas mais um. Mais um entre os vários que simplesmente me pagam pelo meu serviço. Eu não deveria te amar.- As lágrimas voltaram a deslizar em seu rosto.- E por isso eu choro. Por culpa e arrependimento. Chego a sentir raiva de mim, por ser uma idiota. Chego até a rezar, pedindo a Deus que tire todo esse sentimentalismo causado por você da minha cabeça, do meu corpo e do meu coração.

- Você pode sentir toda a culpa do mundo.- Ele foi se aproximando de Emmeline.- Todo o arrependimento do mundo. Pode até enlouquecer de tanto arrependimento, pode se matar.- Pausou.- Mas nada, absolutamente nada, nem raiva, nem as preces ou as lágrimas podem desfazer o que já está feito.

Ele a abraçou.


- O que diabos aquela vadia está fazendo aqui?- Lilian sussurrou no ouvido de James.

- Ignoro a sua pergunta, levando em conta que estamos em um cabaret.- Ele riu.

- Estou me referindo a Isabelli!

- Ah... não tenho a mínima idéia.- Bebeu um gole de Péché.

- Isso é muito estranho.- Lilian manteve o olhar em Isabelli.- Mulheres não freqüentam o La Couleur!

- É verdade.- Concordou.

- Talvez ela esteja interessada em comprar...

- Então estará perdendo seu tempo.- James interrompeu.- La Couleur pertence à família Potter.

- Eu sei disso. Não era exatamente para ser um bordel, mas enfim...

- Lily, nós já conversamos sobre isso.

- Eu sei, você já me explicou.- Olhou para James.- E me chame de Evans; eu não tenho nenhum tipo de intimidade com você.

James riu, não dando importância às palavras rudes de Lilian. Ficaram alguns minutos em silêncio, até que Isabelli os avistou de longe e foi até a pub:

- Queridíssimos!- Falou em alto e bom tom, olhando para James e Lilian.- Tudo bem?

- Tudo ótimo.- Respondeu James, risonho.

A ruiva apenas sorriu falsamente e deu um discreto aceno com a cabeça.

- James, devo dizer que La Couleur está uma maravilha!- Olhou para os lados.- Olhe esta decoração! É perfeita!

- Muito obrigado.- Ele respondeu brandamente.

- E como está o movimento aqui na pub, querida?- Dirigiu-se a Lilian.

- Ótimo.- Respondeu secamente.- Aceita um Péché?

- Não, obrigada.- Sorriu.- Eu sei perfeitamente os efeitos dessa bebida... não quero me arriscar.

Sem dizer mais alguma palavra, ela foi se aproximando de James, até estar a um palmo de distância. Abriu a mão direita e deslizou seus dedos pelo peitoral de James, passando pelos ombros, fazendo algum tipo de massagem. Ele sorria perdidamente, não entendo muito o porquê do toque. Lilian, porém, parecia ter sido tapeada dez vezes seguidas; tinha uma expressão de horror em seu rosto. Sem dizer sequer uma palavra, saiu correndo dali. Subiu as escadas, até desaparecer de vista.

- Srta. Boumier...- James a empurrou sutilmente para longe de si.- Espere um minuto.

A expressão de Isabelli podia ser compara à de Lilian; o horror e o susto eram os mesmos. Porém, James não deu a mínima: correu atrás da ruiva. Subiu as escadas e deu alguns passos no corredor, até enxergar de relance alguém entrando em uma das várias portas que havia ali. Com um pouco de receio, andou até a porta. Bateu três vezes, mas ninguém respondeu. Lentamente, girou a maçaneta e abriu a porta. Já na entrada do quarto podia ver Lilian de costas, sentada na cama, com seus longos cabelos ruivos sobre o ombro nu e com a mão esquerda sobre a boca, abafando um soluço.

- Lily?

Ela se assustou. Virou-se rapidamente para James com um triste olhar, o encarou e disse:

- O que você quer?

- Saber o que aconteceu.- Respondeu, sem tirar os olhos dela.

- Nada, Potter. Não aconteceu nada.

- Por que você saiu correndo? Por que você está chorando?

- Porque sim.

Ficaram em silêncio. James tinha vontade de abraçá-la toda vez que olhava em seus olhos verdes cobertos de lágrimas; e por um segundo questinou-se se o que estava sentindo era mais do que uma mera atração por uma mulher bonita, se estivesse apaixonado. Tentou tirar tal pensamento da cabeça, e se concentrar no que havia ocorrido com ela.

- Lily...

- Evans.- Interrompeu.

- Está bem, Evans. Eu quero saber o que aconteceu! Estou preocupado.

- Não fique. Eu estou bem, eu juro!

- É que você saiu correndo e...

- E daí?- Indagou impacientemente.

- Bem, achei estranho.- Tentou explicar-se.

James não esperou Lilian responder. Sentou-se na cama, ao lado dela. Sem pronunciar uma palavra, ela o encarou desalentadamente, tentando entender o porquê ele sentara ao seu lado, mas ele não disse nada. Apenas a olhou. A admirou. Nunca havia visto de tão perto aqueles olhos verdes, nem o rosto com poucas sardas e, muito menos, os lábios avermelhados. Em apenas um segundo, sentiu tudo o que já havia sentido e o que ainda havia de sentir; essa mistura de sentimentos o empurrava para mais perto de Lilian que não conseguia, apesar dos esforços, não conseguia se afastar de James. Estavam cada vez mais perto um do outro. Mais perto.

Beijaram-se.


N/A: Olá! Bem, desculpem a demora para postar o capítulo... é que além de eu estar aguardando os 100 reviews (são dez reviews por capítulo), eu andei um pouco ocupada com toda essa função de colégio, provas, boletim... enfim, essas coisas que me deixam completamente louca.

Sobre o capítulo, saibam que eu gostei muuuuito de escrever aquele começo, do Remus com a Emmeline ;) sei lá, foi algo que fluiu tão naturalmente para escrever... :)

E a pedidos, hoje eu vou responder aos reviews. :D

Ms. Cookie, obrigada por achar a história boa. Eu achei a sua dúvida bem interessante! Bem, vamos lá. O "narrador-câmera" que você chama, é o Narrador Onisciente(aquele que tudo sabe, tudo vê). E sim, os personagens estão bem crus ainda. La Couleur é uma long-fic e ainda há muita história para se desenrolar e muitas coisas para acontecer. Com o passar da história, nós poderemos enxergar com clareza a diferença de personalidade entre os personagens. Mas, mesmo assim, La Couleur é uma fic que eu poderia classificar como uma história típica do Naturalismo, onde os personagens não são bem definidos, não tem um perfil bem definido. Mas enfim, como eu já disse, ainda tem várias coisas para acontecer:) e pode ter certeza que daqui alguns capítulos a diferença entre os personagens vai ficar bem maior.

Thaty, obrigada pelo elogio! Sim, a Gween Black está bem melhor! Talvez essa semana eu vá visitá-la :)

Lulu Star, tenho certeza que a Gween está muito grata pelo seu apoio ;D James e Lilian se apaixonarem? Isso não vai demorar mais do que três capítulos HIHI 8)

Susaninha, ah, muito obrigada, querida! D

Mel.Bel.louca, hahah, juro que não demoro mais pra postar, então :D

Paolla R, ai Lolla, que bom que tu leu a minha fic e está gostando! Nossa, nem fala, os filmes são uma porcaria nesse aspecto ;( mas a Bella estava perfeita mesmo!

Japonês, já disse, não demora mais do que três capítulos pra surgirem sentimentos mais concretos :D

Diana P. Black, eu e a Gween moramos em Porto Alegre, RS; várias outras escritores moram aqui também 8) Não, ela vai fazer só a quimioterapia! Mas ela está respondendo super bem ao tratamento, logo ela sai do hospital:D E muuuuito obrigada por ler e por gostas de La Couleur! ;)

Enfim, é isso.

Beijos,

Donna Black.