Sora-Hime – Capítulo 11

Hana mal sentia suas pernas e tinha a quase absoluta certeza de que se desse um misero passo cairia aos pés do youkai. Sesshoumaru estava com o mesmo rosto inexpressivo de sempre, mas ela sentia algo diferente, ela havia aprendido a interpretar os olhos dele, e nos orbes dourados ela via ódio, raiva, e um desejo de aniquilar que a fez finalmente entender o porquê de Takayushi e Fukuyama pareciam temê-lo tanto.

Ele sabia, e ela sabia que ele sabia. Sentiu os lhos lacrimejarem e a vontade que tinha era de se jogar perante ele e implorar que ele lhe escutasse, que tentasse entender seus motivos. E não era apenas por temer por sua vida, mas principalmente porque não conseguia lidar com o fato dele não a querer mais, ou dele nunca ter sentido nada de verdadeiro por ela, enquanto ela...Deus! Ela estava apaixonada por ele, deveria ter percebido isso, mas ela também tinha seu orgulho e não reconheceria nunca que no final das contas aqueles dois perversos haviam lhe dado um grande presente.

Mas do que isso adiantava, do que importava ela realmente gostar dele? Somente tornava as coisas ainda mais dolorosas e difíceis de serem solucionadas. Quando ele falou, ela sentiu seu corpo todo tremer, e se não fosse Kagome a lhe dar amparo, ela teria desfalecido e tinha sérias dúvidas se iria voltar a acordar.

- Vim buscá-la. Onde estão Rin e Jaken? Temos que voltar para o castelo, lá é o lugar da Senhora das Terras do Oeste.

Hana tentava parecer que não estava apavorada, a ironia na fala dele era latente, mas sabia que era inútil, ele podia sentir seu coração batendo a quase mil, podia sentir o cheiro do seu suor, tudo. Não havia meios de enganá-lo. Kagome não sabia o que fazer, as duas sozinhas não poderiam enfrentá-lo e Inuyasha não havia retornado da pescaria.

- Eu não vou, Sesshoumaru. E nós dois sabemos por que! – Ela conseguiu dizer.

- Eu sei? O que eu deveria saber, onna, que eu não saiba, além do fato de que perante meu clã sou seu marido e perante todos você está marcada como minha fêmea. Aquela que ninguém deve se aproximar, apenas eu. Vamos embora, ou terei que atacar a garota do Inuyasha para fazê-la vir?

- Não faça nada com ela, eles não têm culpa de nada, de nada mesmo. Só querem me ajudar, não sabiam, eu juro.

- Eu não duvido, mas não acho que estarão tão dispostos a te ajudar quando souberem que mais uma serva de Naraku.

- Serva de quem? – Hana estava realmente confusa, esperava que ele a acusasse de ter armado junto a Takayushi, mas quem era esse tal de Naraku? Kagome pareceu ficar balançada com a informação dada por Sesshoumaru, mas ela tinha certeza que Hana era de sua época.

- Ela não tem nada a ver com o Naraku, Sesshoumaru! Ela não o conhece, ela não tem como conhecer, ela não é daqui, ela vem de onde eu vim, não pode ser cria dele porque não tem o cheiro dele, você teria percebido e Inuyasha também.

Conscientemente, o taiyoukai sabia que a humana tinha bons argumentos, ele mesmo havia pensado nisso quando a acusaram, mas ela podia ser uma humana a serviço de Naraku por motivos que ele não sabia, e não estava disposto a saber. A traição era suficiente, e o fato dela estar a mando do meio-youkai, apenas aumentou seu ódio por ela e a vontade de fazê-la sumir da face da Terra e de qualquer existência possível após a morte.

- Eu não conheço nenhum Naraku, não faço idéia do que está falando. Deixe-me ir, Sesshouamru! Eu vou embora para sempre, nunca mais me verá, estará livre, ninguém lembrará da minha existência nem nunca me encontrarão.

Mal ela havia terminado de falar sentiu a garganta ser comprimida pelo punho do youkai. Kagome havia sido jogada longe apenas pelo movimento dele em se aproximar, tão rapidamente que elas nem o perceberam.

- Vou deixá-la ir para o outro mundo, e, com certeza, depois de vê-la em pedaços eu nunca mais lembrarei de sua existência. Deixarem que o clã se alimente da sua carne podre. Tomara que morram envenenados e para seguirem você até o inferno, sua maldita!

- OSSO VOADOR! – A arma de Sango atingiu Sesshouamru antes que Hana desmaiasse pela falta de ar. Ele se viu forçado a largar a mulher para se defender dos ataques da caçadora. Ah-uh prontificou-se a ajudar seu mestre, mas, nos poucos segundos que Sesshoumaru se distraiu, Hana se levantou junto a Kagome e a duas começaram a correr rumo ao poço. Com a Ah-uh entre ele e os ataques de Sango, o taiyoukai preparou-se para seguir as duas mulheres, mas foi impedido por Inuyasha e Miroku que acabavam de chegar.

Os dois irmãos começaram a digladiar como sempre, e a luta estava muito equilibrada. Mas Sesshoumaru não estava disposto a deixar a humana se safar, teria sua vingança a qualquer custo, e para isso mataria todos ali, ainda que não quisesse. Derrubando Inuyasha ele se transformou em sua forma completa, naquele momento sua vontade era comer a humana e vê-la gritar de desespero, Inuyasha tentou voltar a impedi-lo, mas seu meio–irmão estava com uma força descomunal, e nem mesmo o revestimento de diamante da Teisaga parecia ter efeito sobre ele.

As duas jovens corriam com o máximo de velocidade que suas pernas permitiam, mas de repente a terra foi acometida por estranhos tremores e elas acabaram por cair. O tombo só não foi maior que o susto ao perceberem que agora eram perseguidas por um enorme cão branco.

- Meu Senhor! O que é aquilo? – Hana gritou enquanto se levantava e voltava a correr.

- É o Sesshoumaru! Essa é a forma completa dele.

- O QUE? É um akita gigante, como pode ser?

As duas pararam de conversar e continuaram a correr, estavam próximas ao poço, mas ele estava ainda mais próximo delas. Tinham quase certeza que não conseguiriam chegar quando algo inusitado aconteceu. O espectro de um cachorro com o porte muito maior que àquele que as perseguia barrou a passagem de Sesshoumaru e as duas conseguiram chegar ao destino. A última coisa que Hana viu antes de voltar para seu mundo foi Sesshoumaru soltar um uivo agudo, profundo e triste antes de voltar à forma humana e cair ajoelhado perante o espectro do outro cão, depois tudo era escuro seguido de toda luminosidade da noite da Tókio moderna.


- Porque o senhor interferiu nisso! Não tinha esse direito, ela merecia morrer – A voz estava quase falha. Ele ofegava, parecia uma simples sobra de si mesmo, estava arrasado por não ter conseguido aplacar sua ira, pelo menos era isso que ele achava ser o foco de toda aquela frustração.

- Não permitiria que a ferisse, se arrependeria muito depois, não suportaria a dor e eu não suportaria vê-lo sofrer!

- Ela me usou, me humilhou perante meu povo.

- Ela foi a usada dessa história Sesshoumar! Sabe perfeitamente quem é o responsável por tudo isso, apenas está confuso por que a jovem mexeu com seus sentimentos, sentimentos que por sinal você se julgava incapaz de possuir.

- Não seja patético, não sou como você, ela não significa nada além de um inseto incomodo a ser destruído! Nunca vou lhe perdoar por tê-la deixado ir – Era quase possível ouvir algo como uma voz de choro, mas o youkai respirou fundo afastando do coração aquele estranho aperto, parecido com quando Rin foi envenenada.

- Eu sei! Você mesmo não se perdoa, agora é tarde e nunca mais irá vê-la. Nem valeu o esforço que tive para trazê-la até você. Apenas uma coisa em toda essa historia é verdadeira, meu filho, esperei séculos, mas escolhi para você a rosa mais rara.

O espectro desapareceu deixando Sesshoumaru ainda mais atordoado, não tinha mais tanta raiva, o sentimento agora era outro, como se uma parte dele lhe houvesse sido tirada. Ele sabia que o pai estava certo, sabia que tudo era uma grande armação de Takayushi, mas simplesmente não conseguia inocentar a garota, ela realmente havia tocado em algo dentro dele que nunca deveria ter sido revirado, talvez fosse esse o foco de todo o ódio e da sede de voltar a ser ele mesmo, levando-o querer fazer com que ela desaparecesse de uma vez. Mas agora ela tinha ido, e ele continuava humilhado e sem um corpo para apresentar ao clã e a verdadeira Sora, não que se importasse de fato com aquilo, se a garota fosse inocente o pai tinha razão quanto ao seu arrependimento se a matasse, não por nutrir qualquer sentimento por ela, mas porque nele habitava um certo senso de justiça, onde pagavam apenas aqueles que lhe deviam e ele sabia bem quem eram os devedores. Quanto ao Naraku, ele também não parecia ter nada a ver com eventos recentes, mas ele teria sua hora de pagar por tê-lo enganado no passado, agora seu tio e talvez todo o clã dos Cães Pardos seriam o objeto de sua atenção.

Caminhou com passos meio trôpegos até o poço em que a jovem havia se atirado. Pulou lá dentro e nada, nem mesmo água o tal poço tinha. Saiu de lá e viu o irritante do seu irmão caminhando em sua direção, junto deles esta o resto de seu grupo e também Rin, Jaken e Ah-uh. A menina correu até ele.

- A princesa foi embora?

Ele não respondeu.

- Olha o que ela me deu! É uma rosa!

Sesshoumaru olhou para o desenho e sentiu-se estranho, era como uma confirmação que ela não o havia enganado deliberadamente, o pai a havia comparado a tal rosa e de fato o vermelho das pétalas eram da cor dos cabelos dela e ele podia chegar a sentir que as pétalas eram tão macias quanto sua pele.

Algo sórdido estava por traz de tudo aquilo e ela era apenas uma pequena peça, colocada sabiamente para desestruturá-lo. Mas não daria esse gosto a ninguém e começaria por saber qual era o segredo por detrás daquele poço. Para onde ele levava? A humana de Inuyasha sabia, e ele logo iria descobrir.

- Sabe ela me pediu para te dizer uma coisa, que ela nunca quis magoá-lo e que você a fez a mais completa e realizada das mulheres, não sei o que isso quer dizer, mais parece muito bonito, não é, Sesshoumaru-sama?

Novamente ela não teve resposta, mas ele sentiu como se as coisas tivessem se tornado um pouco menos pesadas, precisava se reequilibrar e pensar friamente quanto ao que faria para que seu odiado tio não tivesse êxito em seus planos, mas primeiro o poço, lá estava o caminho que levaria até a mulher e ela lhe daria o início de suas respostas.


Hana passou o primeiro dia de volta a seu tempo tentando criar uma história convincente sobre seu desaparecimento, achou melhor a velha e boa amnésia, afirmando que não se lembrava de nada nos últimos meses. As pessoas adoraram inventar hipóteses e a melhor foi, obviamente, abdução por ETs. Ela não fez qualquer esforço para calar os boatos, afinal abdução parecia mais verossímil que a história verdadeira.

Seus pais a fizeram ir a todos os médicos possíveis e apenas depois de constatarem que ela estava com a saúde perfeita que voltaram para Paris, mas não passavam uma hora sequer sem ligarem para ela. Ela estava muito feliz de estar de volta, sua casa, suas coisas, chuveiro elétrico, shampoo, eram tantas coisas boas que o Japão feudal parecia um sonho distante e ela o teria esquecido por completo se não fosse os malditos sonhos eróticos com um certo taiyoukai cão branco lindo de morrer. E não era apenas a noite que ele a perturbava, a verdade é que ele não saia de sua cabeça, e ela se achava uma idiota por estar tão ligada a um ser que nunca mais viria e pior, que mal conhecia e que nutria por ela apenas a vontade de vela devorada pelo seu clã. Muitas vezes ela se lembrava do medo que sentiu ao encarar seu ódio, ele teria mesmo feito tudo aquilo que dissera, e isso tornava as lembranças mais doídas.

Fora que ela tinha a nítida sensação de que todos os homens pareciam correr dela, e ela sabia que era a marca, só podia ser, até os rapazes que morriam de amores por ela antes do desaparecimento pareciam preferir ver ao diabo, talvez fosse a história da abdução, mas ela tinha certeza que era a desgraçada da marca. Ela começava a aceitar seu futuro como titia, e olha que seria titia dos filhos das amigas, pois nem tinha irmãos .

No mais, após quase um mês a vida já estava restabelecida e ela e Kagome haviam se tornados grandes amigas, mas a morena estava sempre retornando ao passado e para não reabrir feridas, Hana nunca deixa ela tocar em qualquer assunto referente ao antigo Japão quando estavam juntas.


Passado mais um mês de seu retorno, Hana já estava totalmente envolvida com suas antigas atividades, entre elas a faculdade e as aulas de dança. Ficou feliz em saber que mesmo tendo passado tanto tempo sem treinar não havia perdido o jeito e seus passos continuavam perfeitos. Como a dança lhe fazia bem, sentia que nunca mais sua paz pudesse ser perturbada.

Todo dia ao sair da academia de dança ela passava em frente um pet shop, e lá estava aquele cachorro, parecia até uma perseguição, ele com aqueles olhinhos dourados e carentes, pelo branco...Era um filhote de akita, e era o mesmo que ver a mini miniatura da transformação completa de Sesshouamaru. Lógico que o filhotinho tinha toda a graça que os filhotinhos de cachorro têm, e a meiguice que nem de longe poderia ser atribuída ao taiyoukai, mas era o mais próximo dele que ela estaria para sempre. O cachorro já estava à venda ha um mês e sempre que ela parava na vitrine para vê-lo o dono do pet shop vinha e dizia que ele rosnava para todos que se interessavam e que apenas para ela ele abanava o rabo. Mais uma coincidência, Sesshoumaru não costumava abanar seu rabinho para qualquer fêmea e ela sabia que pelo menos em questão de sexo ela tinha tido toda a atenção do cachorrão.

Ela caiu na gargalhada ao pensar nessas coisas e depois de "namorar" o cachorrinho por tanto tempo que ela finalmente decidiu comprá-lo. É claro que ela sabia que ele não se acostumaria facilmente ao seu pequeno apartamento, mas era bem melhor que a gaiolinha que ele vivia desde o desmame, e ele cresceria e seria o cão bem grande, mas, fazer o que? Cães brancos e elas se apaixonavam a primeira vista.

- Vamos para casa Sesshoumaru. – Saindo do pet shop o cachorrinho já tinha seu nome e ela não parava de rir ao tentar imaginar como o Lorde das Terras do Oeste reagiria se soubesse sobre o nome da sua mais nova aquisição.

Continua...

Viram? Eu sou tão boazinha que postei dois capítulos de uma só vez.l Mas não se acostumem, nada vida nada é fácil e o que é bom sempre dura menos do que a gente queria, como é o caso do meu fim-de-semana.

Beijos e até agosto – A gosto de Deus!

LuanaRacos.