Não possuo direitos sobre Naruto, de Masashi Kishimoto.


• Capítulo 11: A Sombra do Fogo •


Madara reunira-se pela tarde com os últimos anciões de seu clã, quais, querendo ele ou não, devia respeito e considerava algumas das opiniões. Ao final, depois de diversas discussões do líder e alguns presentes devido à sua teimosia em aceitar bons conselhos, o encontro fora encerrado. Antes que saíssem todos, um dos homem aproximou-se de seu líder.

— Senhor, posso falar-lhe por alguns instantes..? Em particular.

— O que quer, velho? — Madara, ao entrarem em uma sala próxima.

— Vou ser direto. O senhor precisa encontrar uma esposa. — o conselheiro, sentando-se.

— O que?! — Madara soltou uma gargalhada. — Se era isso a me dizer, já pode ir.

— Estou falando sério, Madara-sama! — O ancião levantou a voz. — Um líder precisa de uma esposa ao seu lado, constituir família, ser exemplo para os seus.

— Não irei me casar. — Madara sério, sentando-se em frente ao homem. — Ao respeito que ainda me resta à você, peço que não repita isto novamente.

— Não me importo com o respeito que tem por mim ou não. Me importo com os bons costumes. — O senhor levantou-se. — Ou prefere que seu legado seja acompanhado pela sombra de um homem que escravizou mulheres e homens por capricho? Pense no que pode se tornar este clã. — concluiu, saindo.

Madara bateu na mesa com o punho, enraivecido. Suspirou fundo e raciocinou brevemente; casar-se, ter uma família... Ter pessoas com quem se preocupar, filhos e netos...

Não! — pensou rápido, levantando-se.

Mais tarde, já a noite, enquanto Madara lia alguns documentos em seu quarto, resmungando como sempre para tudo que lia vindo de Hashirama, Mika estava no cômodo anexo, dobrando as roupas sujas do homem para levá-las à lavanderia. A mulher verificava, movida por ciúmes daquele que acreditava que um dia casaria-se com ela, cada bolso dos trajes. Ao pegar a roupa usada pelo Uchiha na noite anterior sentiu logo o cheiro forte de bebida impregnado no tecido escuro. Levou a mão a um dos bolsos e sentiu a seda macia. Puxou rapidamente para fora o lenço oferecido a Madara por Mito, e sentiu o corpo estremecer-se todo.

— Mulher, ande logo com isso! — Madara entrando no cômodo. — Quero dormir... — interrompeu ao ver a mulher segurando firme o lenço entre os dedos.

Madara aproximou-se bruscamente de Mika, retirando-lhe o lenço do poder desta, enraivecido. A garota virou-se para ele com os olhos marejando.

— De quem é isto, Uchiha-sama? — a mulher perguntou com olhar fixo no lenço.

— E desde quando lhe devo explicações. — dirigindo um tapa à face da mulher. — Vá embora daqui!

Mika nem lembrou-se do trabalho que estava fazendo e saiu correndo do lugar, deixando as roupas sujas para trás. Madara levou o lenço para junto ao rosto, buscando o que restara do perfume de Mito no tecido. A lembrança do rosto da mulher veio-lhe a mente rapidamente, o quanto ficara assustada quando ele aproximou-se dela na noite anterior. Um sorriso cínico surgiu-lhe e, retornando imediatamente à realidade, voltara a expressão séria, irritando-se consigo mesmo por deixar-se perder por segundos pela lembrança de uma mulher. Uzumaki Mito deveria ser uma mulher como qualquer outra, que gostaria de ter para si algumas vezes e nada mais, ainda que esta com o gosto especial de ser a noiva do homem que mais odiava. Por fim, Madara guardou o lenço em uma gaveta de documentos que nenhum empregado era autorizado a mexer.


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— Hoshi! — Arata gritou pela esposa ao adentrar a casa.

— O que há, homem? — Hoshi em passos rápidos, aproximando-se do marido.

— Hashirama adiantou a data do casamento! — Arata entregou a carta que fora enviada pelo Senju. — Temos que nos adiantar para a viagem.

— E para quando é...? — A mulher leu até chegar onde Hashirama comunicava a data. — Em uma semana?!

— Mas que moleque... — Arata resmungou. — Vamos viajar em dois dias. Arrume tudo e comunique a quem for conosco que faça o mesmo.

• • •

— Uma semana!? Que absurdo, Hashirama! — Mito andava de um lado a outro da sala, com os olhares do noivo e de Tobirama sobre ela. — Tem ideia de quantas coisas precisam ser feitas? Além de tudo, esqueceu-se que mal chegamos à Konoha? — parando em frente ao noivo com as mãos na cintura.

— Já providenciei praticamente tudo, Mito. Não se preocupe. — Hashirama, confiante.

— Sua noiva tem razão, irmão. É muito pouco tempo. — Tobirama intervindo.

— E minha família? Os comunicou ao menos?

— Claro que sim! — Hashirama, descrente com a pergunta da noiva. — Foi a primeira coisa que fiz. E a resposta de Arata-sama chegou logo antes do anoitecer, dizendo que virão em dois dias... — Hashirama riu-se. — E me chamando de moleque no final.

— Bem a cara de meu pai... — Mito riu de canto. — E bem sua cara também. — Mito levou as mãos ao rosto. — AAH! — gritou, irritada.

— Para que não se sinta só até que sua mãe e noiva de seu irmão cheguem, vou pedir que Toka a acompanhe... — Hashirama fora interrompido pelo riso sarcástico de Tobirama quando o irmão citou o nome da prima — ... Para que ajude a providenciar os detalhes que lhe competem. — Hashirama olhou para o irmão, repreendendo-o.

— Toka e sua delicadeza de um rinoceronte. — Tobirama rindo.

Mito concordou com a sugestão do noivo e caminhou para a porta.

— Vou me recolher. Boa noite, Hashirama e Tobirama-san.

— Você é louco, Hashi! — Tobirama, após Mito sair. — Vou me deitar também. — saindo.


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— Definitivamente, Hashirama enlouqueceu! — Toka, enquanto ela e Mito caminhavam até a vila.

— Seu primo é realmente como a sombra do fogo. — Mito séria.

— Sombra do fogo? — Toka perguntou sem entender o comentário da Uzumaki. — O que quer dizer?

— A sombra segue a chama conforme ela queima. Não é como a sombra dos homens que muda conforme os passos que são dados. A sombra do fogo acompanha a chama até que ela se apague.

— Hum... — Toka ergueu as sobrancelhas. — Acho que Hashirama é assim mesmo, totalmente motivado pelos seus instintos.

As mulheres caminharam um pouco mais até avistarem um grupo de mulheres vindo na direção da dupla.

Kami-sama... — Mito lamentou-se em pensamento ao reconhecer as damas dos clãs que conhecera na noite anterior.

— Uzumaki-hime! — Falou Ayume, a porta voz do grupo, como nomeou Mito mentalmente. — Estamos muito felizes pelo casamento!

Claro que estão... — Mito pensou, forçando um sorriso à mulher.

— Podemos auxiliá-la se quiser, já que tudo vai acontecer em poucos dias. — Sora.

— Não se preocupem, Toka já está me ajudando. — Mito ainda sorrindo.

— Ah, sim... — Megumi olhou dos pés a cabeça para Toka, que lançou um olhar duro à Nara. — Creio que vai ficar tudo maravilhoso.

Toka estava de fato longe de ser um exemplo como dama, gentil e graciosa. Mito imediatamente sentiu vindo da mulher uma chama de fúria junto ao constrangimento após o comentário de Megumi. A Uzumaki odiava injustiças e não pensou duas vezes antes de tomar a defesa da prima de seu noivo.

— Claro que sim! Não poderia ser diferente vindo de duas damas Senju. — ela sorriu cinicamente para Megumi, que compreendeu a indireta. — Agora se nos permitem, temos que ir até a vila.

A Senju sentiu crescer dentro de si simpatia pela princesa, que defendeu-a da ofensa da ferina Megumi. Afastando-se um pouco mais do grupo, Mito olhou enfim para Toka, que estava respirando rápido, deixando apenas isto ser um manifesto final de sua raiva pelo comentário da dama Nara.

— Elas são sempre assim? — perguntou Mito, calmamente.

— A tendência é piorar, princesa. — Toka entre os dentes.

— Me chame pelo nome, Toka.

A Senju olhou para Mito, que sorria. Correspondeu o sorriso ao ver que havia sinceridade no gesto de Mito.

— Aquela Nara maldita! — Toka retomou a palavra. — Era uma praga no pé de Hashirama! — Toka falou e arrependeu-se em seguida. — Me desculpe, não quero gerar intrigas novamente.

Mito sentiu uma ponta de ciúmes com a informação, mas dispersou quase que de imediato o sentimento inferior, conformando-se com a realidade da vida.

— Tudo bem, eu imagino que ela não devia ser a única.

— Não era, mas assim como as demais ela visava apenas status casando-se com o líder Senju. Não duvido nada que faria o mesmo com Madara ou Ichiro se tivesse tido oportunidade.

— E com Tobirama, ninguém quer se casar?

— Pelo menos duas daquele grupo já passaram pelos braços de Tobi... — Toka repreendeu-se novamente. — Eremita, tenho a língua solta demais...

Mito arregalou os olhos tentando disfarçar a surpresa em ouvir o que Toka acabara de dizer. Este fora o primeiro de outros comentários sinceros demais por parte da Senju, onde ela dizia sobre o comportamento desregrado de Tobirama e como as garotas aproximavam-se dela para criticá-la pela falta de delicadeza, ou para que fosse apenas um veículo entre elas e Hashirama. Lembrou-se um dia em que teve que fingir que nada acontecera quando viu Tobirama sair pela janela do quarto de uma jovem Yamanaka, ou quando tinha de lançar algum genjutsu sobre alguma mulher enlouquecida para que ela parasse de falar insistentemente sobre um dos primos.

— Jutsus não foram feitos para brincar, mas não era obrigada a aturar tanta encheção! — justificando-se para Mito.

A Uzumaki não parava de gargalhar, e curiosa por mais, fazia que Toka sentisse-se a vontade para falar sobre mais e mais casos. E estes eram muitos!

— Estou lavando a alma com você, Mito! — Toka respirou fundo após falar por vários minutos. — Não aguentava mais guardar tudo isto.

— Obrigada por confiar em mim. — Mito tocou o braço da Senju, que sorriu de volta. — E agradeço ainda por não ser como aquelas cobras! — referindo-se às outras damas.

— Se elas são cobras, imagina a praga que aceitar se casar com Uchiha Madara. — Toka, virando-se para cumprimentar um conhecido.

Madara. Apenas o nome do homem era suficiente para deixar Mito perturbada. A ruiva mudou o foco do assunto rapidamente, antes que Toka notasse qualquer mudança em sua expressão.

— Notei que o líder Yamanaka não é casado também... — Mito virou-se para Toka ao terminar a frase e viu a morena ficar com o rosto em chamas.

A Uzumaki passou rapidamente para a frente de Toka, que assustou-se com a reação da noiva de Hashirama.

— Teria mais alguma coisa nesta língua sincera para me dizer, Toka?

A Senju engasgou-se a ponto de pedir ajuda a Mito para que a auxiliasse com o mal estar. O rosto da mulher estava quase tão vermelho quanto os cabelos da princesa, e a respiração era quase que forçada para que não perdesse a consciência.

— Me perdoe, Toka... — Mito, preocupada.

— Não estou acostumada a compartilhar minha vida...

— Então você está confessando?

Toka respirou fundo. Não estava raciocinando bem diante o constrangimento que julgou estar vivenciando.

— Sim... Não... Aliás, confessar o que?

— Que você está interessada nele!

— É-é... Recíproco... — Toka, abaixando a cabeça e acelerando os passos.

— AAAH! — Mito deu um grito com as palavras de Toka, assustando dois homens um pouco a frente no caminho.

— Mito, está assustando as pessoas! — Toka sorriu entre os dentes para os homens, que retornaram para sua caminhada. — Não me pergunte nada mais, por favor. Não estou acostumada de fato a ter amigos, amigas, que seja, ainda mais dizer sobre minha vida particular. E antes que pense que sou uma desvairada, nada ocorreu para que eu perdesse minha honra.

— Ah, que pena! — Mito olhou maliciosamente. — O amor deve ser aproveitado em sua plenitude, Toka. — completou, fazendo com que o queixo de Toka caísse.

— Prefiro fingir que não entendi o que quis dizer, Mito.

Mito riu baixo, e antes de tomar a palavra novamente, fora alertada por Toka que haviam chegado à vila.

— Volte a ser princesa, por favor. — recomendou Toka, tentando suprimir o jeito arruaceiro de Mito.


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— Me parece tão preocupado hoje, Arashi... — Keiko, servindo chá ao noivo. — Quer conversar sobre o que lhe aflige? — disse delicadamente, como sempre.

— Hashirama-san adiantou o casamento. — respondeu o Uzumaki sério, pegando a bebida quente.

— Isto lhe preocupa? — Keiko escondeu o sorriso com uma das mangas de seu quimono. — Pensei que estava feliz com matrimônio de sua irmã.

Arashi calou-se, perdendo-se em pesamentos. Keiko chamou por ele ao notar que concentrara-se em algo, sério, o que não era tão comum para o homem.

— Teve outro daqueles sonhos, Arashi?

A noiva o conhecia suficientemente bem para saber quais poderiam ser os motivos para que o quase inabalável bom humor de Arashi se desfizesse.

— Sim... — Arashi batia com a ponta dos dedos sobre a mesa à frente. — Espero que não esteja relacionado a esta pressa do Senju em se casar. — respirando fundo ao terminar de falar.

— Vai ficar tudo bem. — Keiko olhou discretamente para o pai, que estava sentado, observando o casal, enquanto lia alguns papéis do outro lado do grande cômodo. — Mito sabe se virar melhor que nós.

O fogo clareava ao tempo que destruíra cada construção pelo qual Arashi atravessava, intacto. Gritos foram ouvidos pelo homem, mas ele não viu ninguém próximo dali. Caminhou um pouco mais até que avistou a figura com cabelos vermelhos soltos mais a frente. Estava de costas, alguns fios balançavam com o vento suave e gelado, totalmente contrastante com o ambiente em que estavam. 'Mito?', o homem chamou pela mulher que permanecera imóvel, observando o abismo que surgiu para Arashi. O homem parou ao lado da mulher, em sua mente sua irmã, que olhava séria e fixamente para o horizonte. Arashi seguiu o olhar da mulher e deparou-se com duas figuras gigantescas batalhando entre si. Um parecia feito de madeira e outro um grande espectro de samurai. Um rugido forte surgiu e a mulher puxou a mão de Arashi para seu ventre.

Antes que pudesse dizer algo, Arashi despertou aflito e encharcado de suor. Deu um salto de sua cama e fora pegar água na mesa próxima a porta.

— O que está havendo agora? — perguntou para si mesmo.

A muito tempo não tinha um destes sonhos realistas, onde a situação sugeria-lhe algo que estivesse prestes a acontecer. Arata tomou isto como um dom profético, raríssimo entre os descendentes do Rikudō Sennin, e pediu prudência ao filho quando fosse interpretá-los e total segredo. Mas o sonho daquela noite pareceu claro demais para o homem. Mito corria perigo, ou estava prestes a ser o centro de uma batalha. Bebeu mais um copo de água e fora deitar-se, tentando não mais pensar em nada até o dia que voltaria a ver a irmã.


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Nota: Capítulos looongos! Adoro! Não deixem de comentar!