Arrastado de volta ao céu, Castiel encontrou o seu recente superior. Uriel tinha os olhos furiosos e o mais novo sabia o que viria: Castigo. Por se rebelar, por amar humanos.

Todos sabiam que Uriel era quem aplicava os castigos, mas poucos haviam sido submetidos á ele e os que foram castigados nunca mais voltaram a pecar ou pelo menos era essa versão que rondava nos céus.

Naquela quinta-feira o anjo teve a impressão de que não era o seu dia.

Castiel foi acorrentado. Um círculo de símbolos demarcava o limite entre a vida e a morte. O anjo sentiu seus poucos poderes serem absorvidos pela atmosfera daquele lugar – provavelmente bloqueados através de algo que o anjo não soube explicar. O mais velho caminhou lentamente até o anjo caído.

– Castiel.

Os olhos azuis se fixaram no anjo a frente.

– A quem você serve: A Deus ou aos humanos?

O anjo mais novo franziu a testa recebendo em troca a raiva do superior. Os socos certeiros arrancaram as primeiras gotas de sangue do anjo caído. Naquela sala escura e úmida – um lugar que Castiel se recusava a acreditar ser no céu – todos os golpes de Uriel lhe pareceram injusto e a cada repetição da pergunta, mais a resposta se revirava na língua junto com todos os questionamentos.

– Isso não é certo! Nosso pai nos ensinou a amar todas as criaturas, todas são obras de arte, todas são únicas e devem ser respeit..

Um soco mais forte interrompeu a fala do anjo, por segundos a visão se escureceu. Castiel precisou de instantes para se recompor, o gosto amargo de sangue inundava a boca. Quanto mais o anjo questionava, mais raiva Uriel sentia e mais forte se tornava a surra.

– Uriel – Castiel tinha a visão dificultada pelos olhos inchados, mas ainda sim conseguiu reconhecer o dono da voz. Rafael entrou na sala e os socos se cessaram, a respiração pesada do anjo se tornou o único barulho.

– Castiel – o hálito quente de Rafael lhe atingiu o rosto – Eu vou fazer a pergunta por uma última vez. – Você serve a quem?

O anjo sentiu o peso de ter os olhos determinados do irmão sobre si. Rafael mantinha o olhar fixo no irmão desobediente e nas suas palavras a última chance do anjo recuperar o paraíso.

Castiel elevou os olhos e fitou o teto sujo daquele lugar, com um grande e sangrento sorriso respondeu.

– Eu sirvo os humanos.

Naquela noite alguns humanos disseram ter visto uma grande estrela cadente.