CAPÍTULO 11: SONHO E FLOR!

- Tio, fala comigo. Por favor...

- Eu não sei se vou agüentar Bella. Se eu perder meu filho, eu não vou conseguir...

- Calma. Senta e me conta o que está acontecendo. Pelo amor de Deus. – o ajudei a sentar e fiquei ao seu lado, mas de pé.

- Ele está...eu não consigo dizer isso... – ele suspirou e passou as mãos pelos cabelos já muito desalinhados – ele está desacordado ainda, quase em coma Bella, em coma. – ele respirou fundo novamente – eles estão fazendo de tudo, mas sua pressão está caindo...

- Hã? – eu caí na cadeira ao seu lado.

- Se vocês não tivessem agido rápido, à uma hora dessas, ele já estaria morto. – ele deu mais um soluço, e continuou – e mesmo assim, suas chances ainda são poucas.

- Mas o que deram a ele tio? O que causou tanta destruição? – meus olhos estavam uma piscina.

- Nós não sabemos ainda minha querida. Mas é certo que foi uma dose muito forte. E pelo que eu sei, ele não fazia uso de drogas. Por isso eu acho que ele caiu. O organismo dele não agüentou. O álcool, a droga, enfim tudo.

- A garota que estava com ele disse algo como 'balinha', mas eu não sei o que isso quer dizer.

- Deve ser algo bem forte, e ele deve ter tomado uma boa dose. Mas eu não sei por que ele fez isso, toda essa confusão não era motivo pra tanto...

- Ele não tomou por querer tio.

- Não? Mas eu não entendo.

- Colocaram na sua bebida – ele arregalou os olhos – foi a garota que colocou na bebida dele, por isso acho que ela exagerou na dose. Mas eu já dei um jeito nela.

- O que você fez? – ele perguntou espantado.

- A Bella aqui só deu um corretivo naquela... – Leah respondeu por mim – naquela lá...

- É sério isso? – eu assenti e ele ficou pensando em alguma coisa – eu nunca imaginei que você batesse em alguém. Mas pelo visto tem mais coisas sobre você do que eu pensei.

- Mas ela bem que mereceu – eu respondi, e nesse momento um médico veio correndo pelo corredor e parou a poucos metros de nós.

- Carlisle, nós conseguimos estabilizar o quadro... – seu sorriso era sincero e ele estava ofegante pela corrida – ele vai ficar bem, não sabemos ainda se haverá seqüelas, mas o pior já passou.

- E quando eu posso vê-lo? – meu tio estava feliz, e isso era o que importava.

Decidi ir para casa, não sabia qual seria a reação de Edward se me visse ali. Ainda mais que ele não sabia quem eu era de verdade, e se ele ainda estivesse com raiva por causa das fotos isso poderia piorar tudo. Mas antes que eu pudesse tomar qualquer decisão meu tio me chamou

- Você ouviu Bella?

- Hã? O que foi?

- Ele está chamando por você. – eu olhei espantada para meu tio, mas ele apenas sorria.

- Mas eu achei que ele estivesse zangado comigo.

- Não sabemos ainda ao certo o que ele lembra Bella. Mas o Dr. Walter acha que se você falar com ele, a recuperação será ainda mais rápida.

Eu podia sentir que meu tio esperava alguma atitude da minha parte. Eu tinha medo de ir até o quarto e ele piorasse, me xingasse, ou fizesse coisa pior. Mas eu não podia negar isso ao meu tio, ele não merecia.

- Então vamos lá – fiquei com medo. Eu não estava preparada para outra saraivada de tiros, só se ele resolveu acreditar em mim de verdade.

Seguimos o médico pelo longo corredor até pararmos diante de uma porta verde escuro.

- Bella, você entra sozinha. Depois dependendo do clima eu entro.

- Mas tio, ele é seu filho...

- Sem mais, ele quer ver você agora, e eu não quero contrariar.

Eu entrei no quarto, e ele estava dormindo profundamente. Tinha vários aparelhos monitorando seu corpo. E seu braço estava conectado ao soro. Eu fiquei parada na porta por alguns segundos tentando tomar a decisão de ir adiante.

O médico antes de sair, me disse para falar com ele. Só assim saberíamos a gravidade da situação. Fui a passos lentos para junto da cama, e antes que eu alcançasse metade do caminho eu ouvi um sussurro. Era bem baixo, mas ainda assim eu ouvi. Pensei em sair e chamar o médico, mas ele falou de novo.

- Bella. – sua respiração ficou rápida e eu fui mais para perto dele – Bella.

- Estou aqui – foi como se o mundo parasse lá fora. Seus olhos se abriram de uma vez, e ele me encarou. Eu não sabia o que fazer, se ficava ou se corria. Ele me encarou por longos segundos, e quando eu achei que ele iria começar a me xingar como mais cedo, ele apenas fechou novamente os olhos e suspirou.

- Eu estava sonhando gatinha – ele me olhou novamente e sorriu – o que foi? Estou tão mal assim? Quanto tempo ainda me resta?

Eu não sabia o que dizer. Fiquei lá, parada no meio do quarto. Sem saber que decisão tomar. Ele ficou apenas me fitando intensamente antes de falar novamente.

- O que aconteceu? Por que eu estou aqui? E por que você está tão longe de mim? – ele esticou sua mão para mim e eu a peguei – eu fiz muita merda com você, é isso? – ele me puxou para mais perto dele e tentou se sentar – nossa, minha cabeça parece uma bigorna... mas me diz aí, o que eu aprontei dessa vez?

- Você não se lembra de nada? – dessa vez eu consegui dizer algumas palavras.

- Não me lembro de muita coisa – ele fechou os olhos novamente e quando os abriu eu percebi que a coisa era mais séria do que tinha imaginado – só me lembro de ter saído de casa depois de mais uma briga com meu pai. Ele deve ter feito alguma coisa, mas eu não... – pelo silêncio que se seguiu acho que ele tinha lembrado – as fotos.

Ele me olhou novamente, e agora eu sabia que ele lembrava. Sua mão tentou largar a minha, mas eu não deixei. Eu não iria agir como meu tio, sempre escondendo as coisas dele.

Se havia alguém nessa vida que tinha que aprender a ouvir antes, e atirar depois, esse alguém era Edward Cullen.

- Agora que você se lembrou de tudo. Nós podemos conversar.

EDWARD

Eu estava em um campo cheio de flores. Havia uma variedade de espécies, margaridas, tulipas, rosas, crisântemos, hortênsias, hibiscos, eram de cores variadas. Eu não sabia que existia um lugar desses aqui em Forks, será que era algum jardim secreto? Devia ser de alguém muito dedicado, para estar tão florido assim em pleno inverno.

Mas dentre todas essas flores, existia uma em especial que me chamava a atenção. Ela estava sozinha, no centro do jardim. Sua cor era diferente de todas as outras. Não tinha uma definição exata, não que eu preste atenção nessas coisas de flor e tudo o mais. Mas esta me chamava, como uma deusa, me prendia a ficar olhando.

Seu perfume era suave, e suas pétalas eram delicadas. Não dava para saber que flor era. Somente que era linda e parecia desenhada para ser admirada. Eu tentei pegá-la para sentir mais de perto seu perfume. Mas antes que eu a alcançasse, uma mão delicada me deteu.

Eu reconheceria essas mãos em qualquer lugar do mundo.

Mas, eu não sabia por que estava ali junto dela, e não entendia mais ainda como eu podia senti-la me tocando. Virei-me em direção àquele rosto que eu tanto sentia falta, e o sorriso que estava ali, era o oposto de tudo o que eu sempre vi esses anos todos.

- Mãe – ela somente sorriu, de forma doce e gentil – mãe, o que eu estou fazendo aqui?

- Você tem que voltar meu filho – ela disse de forma firme – não pode ficar aqui.

- Mas onde eu estou? – olhei em volta para ver alguma placa com algum nome, mas não encontrei nada – e por que você está aqui comigo? Que lugar é esse?

- Você tem que voltar – ela apenas repetiu a mesma coisa – é muito perigoso ficar aqui. Seu pai precisa de você – ela começou a me puxar em direção oposta a flor bonita que eu estava vendo – se não ir embora daqui logo, todos que te amam vão sofrer.

- Mas eu não entendo – parei de andar e esperei por alguma coisa que eu nem mesmo sabia o que era – eu não me lembro de como vim parar aqui.

- A única coisa que eu posso de dizer é que aqui não é o seu lugar – ela me olhava com amor e carinho – você não pode ficar aqui, ainda não chegou sua hora – ela parecia tão feliz.

- Mas aqui é tão bonito. Eu gosto daqui. – eu parei e cruzei os braços – E você está aqui. Então eu também quero ficar.

- Eu sei meu querido – ela voltou a pegar em minha mão, e começou a me puxar novamente – mas eu estou feliz aqui, por que encontrei a minha paz. E também tem o seu... – ela parou de falar e eu fiquei curioso.

- Tem o que mamãe? Me diz.

- Ainda não Edward. Tudo tem o seu tempo. E ainda não é seu tempo para ficar aqui comigo. Vá para casa, lá seu pai vai te ajudar a superar tudo e...

- Mas eu não quero ir – finquei pé – quero ficar aqui, com você. Ele te fez mal mãe. E eu não consigo perdoar. – abaixei a cabeça e dei um suspiro.

- Não Eddie – somente ela me chamava assim – ele nunca me fez mal meu amor. Ao contrário, ele só tentou me fazer feliz meu lindo, todo o tempo ele tentou, a vida toda ele tentou. Ele se sacrificou demais por mim. – seus olhos brilhavam com uma emoção que eu não conhecia – Mas agora eu não posso te explicar tudo meu amor – ela pegou em meu rosto e eu podia sentir seu perfume de sempre, doce e suave, nenhuma daquelas flores se comparavam ao seu cheiro – escute a mamãe está bem? Vá pra casa, e quando tudo estiver pronto você vem para cá.

- Mas e aquela flor? – eu olhei para trás, e não tinha mais nada – ué sumiu.

- Se você a tocasse, ela seria sei fim meu filho. Todos nós temos uma flor que nos prende a esse mundo, e aquela era a sua. Mas hoje, não é o seu dia de se prender aqui, por isso se você tocasse nela, iria ficar aqui sem ser a sua hora.

- Mas eu não entendo mãe, eu só queria sentir o seu perfume e...

- Eu sei, ela te atraiu como se fosse um imã. Eu te entendo, mas eu também sei de outra flor que está nesse momento super ansiosa por sua volta. E ela está precisando dos seus cuidados para poder viver meu amor.

- Que flor é essa? – perguntei curioso.

- Bella – ela fitou-me com seus imensos olhos azuis e sorriu – ela é a sua flor meu filho. E você tem que regar o amor todos os dias em seu coração, se não ela vai murchar e morrer.

- Bella – eu repeti para mim mesmo, me lembrando da minha gatinha – sim, ela é linda mesmo. Você tem que conhecer ela mãe, ela é muito especial.

- Sim. Eu sei meu amor, e é por isso que eu estou fazendo você voltar. Ela precisa de você, mais que tudo agora.

- Tá, e como eu saio daqui? – me virei procurando a saída, mas não havia sinal de porta, ou portão naquele lugar.

- Feche os olhos meu anjo – e eu fiz – agora pense em sua flor, em sua Bella. Mas pense com força. E quando você abrir ela vai estar ao seu lado..

- Bella – eu repeti seu nome, minha Bella, sem ela eu não era nada – mas e você mãe? Não quer vir comigo? – ela me beijou no rosto e tornou a falar.

- Não meu amor, aqui é o meu lugar – abri novamente meus olhos e ela não estava mais à minha frente. Mesmo assim eu podia ouvi-la – agora se concentre meu anjo, só pense em sua Bella. Tire todo o resto do seu coração e foque nela...

- Ok – eu fechei meus olhos novamente, e repeti seu nome – Bella – eu pensei com toda a força do meu ser nela, em seu sorriso, no mar de chocolate do seus olhos, no seu cheiro de flores – Bella...

- Estou aqui – ela respondeu, e nesse instante eu acordei. Olhei para seus olhos e tentei ver minha mãe novamente. Fechei os olhos por um momento, mas não vi nada. Só escuro. E o vazio.

Já não estava mais no jardim, e nem minha mãe estava comigo, mas ainda pude ouvir seu sussurro "pense somente nela, em sua Bella". Eu estava no hospital, disso eu tinha certeza. E ela estava lá também, mas o que tinha acontecido, eu não lembrava.

- Eu estava sonhando gatinha – com a minha mãe, eu queria acrescentar, mas não fiz, tentei sorrir pra ela – o que foi? Estou tão mal assim? Quanto tempo ainda me resta?

Eu tentei brincar, mas percebi pela sua expressão que a coisa era grave. Ela ficou no meio do quarto como se esperasse alguma reação da minha parte. Apenas fiquei olhando para ela, e tentei me lembrar do que havia acontecido. Nada. Minha cabeça estava no escuro.

- O que aconteceu? Por que eu estou aqui? E por que você está tão longe de mim? – como ela não me respondeu, eu a chamei para perto de mim – eu fiz muita merda com você, é isso? – ela veio de vagar para meu lado, eu tentei me levantar, mas minha cabeça estava estranha – nossa, minha cabeça parece uma bigorna... mas diz aí, o que eu aprontei dessa vez?

- Você não se lembra de nada? – ela estava com medo de mim? Ou talvez fosse só impressão.

- Não me lembro de muita coisa – fechei os olhos novamente e quando os abri eu comecei a ter fleches daquele dia, do meu pai, da nossa briga, lembrei de Dolores, lembrei dela, da minha Bella, mas ainda faltava alguma coisa. Para eu estar aqui, no hospital, tinha que haver mais coisas – só me lembro de ter saído de casa depois de mais uma vez brigar com meu pai. Ele deve ter feito alguma coisa, mas eu não... – como se fosse um raio que me atingisse, eu me lembrei – as fotos.

Lembrei da briga, da verdade que eu deveria saber, mas não sabia, lembrei das fotos, do tapa que ela me deu, e que eu mereci, me lembrei da Stephany. Sim dela eu lembrava muito bem. Ela que fez aquele auê todo para me afastar da Bella. Eu me senti sujo, pelo que tinha lhe dito mais cedo. Eu nunca devia ter dito aquilo. Ela nunca seria capaz de me trair, e ainda mais com meu pai. Tudo isso devia ter alguma explicação.

Mas na hora da raiva eu falei sem pensar. E agora ela estava com nojo de mim. Tentei soltar sua mão, não como uma forma de repudiá-la, mas sim para tentar segurar em todo seu corpo e abraçá-la. Para poder pedir seu perdão. Mas antes que eu pudesse fazer, ou dizer qualquer coisa ela segurou firme em minha mão e falou.

- Agora que você se lembrou de tudo. Nós podemos conversar.

- Eu...

- Não Edward. Você vai me ouvir primeiro. E depois se você não quiser mais me ver eu vou embora – eu tentei dizer que isso nunca iria acontecer mais ela não deixou que eu falasse – primeiro eu. Depois você.

- Ok. – resolvi deixar ela me xingar primeiro, depois eu rastejaria a seus pés se fosse preciso.

- Eu deveria deixar seu pai entrar também. – ela olhou para a porta e voltou a olhar para mim – bom, depois ele também vai falar com você. É o seguinte, aquelas fotos, não são o que você pensou. Eu e seu pai, não somos amantes. E eu não sei quem foi que as tirou. Eu até suspeito de quem fez isso, mas não importa agora – ela estava tremendo e eu queria me chutar por fazê-la ficar assim – hoje mais cedo, quando a gente foi ao parque, eu te disse que tinha encontrado uma pessoa especial, você lembra? – eu apenas assenti – então, você acha mesmo que eu iria querer te contar alguma coisa, se fosse algo proibido?

- Não. Mas eu... – ela ergueu a mão me impedindo de continuar.

- Eu vou te dizer o que seu pai, você e eu temos em comum – ela respirou fundo e soltou – seu pai, ele é meu tio Edward. E você é meu primo.

- Hã? – foi a única coisa que eu disse depois que ela terminou de falar – seu tio? Primo? Como assim? Eu não to entendendo...

- Isso é uma longa e emocionante história. Mas só o seu pai, vai poder esclarecer para você. E se um dia você fugir de mim de novo como fez hoje, eu nem sei o que faço.

- Bella – eu não sabia como começar – eu me sinto um idiota. Me perdoa. Por favor.

- Eu só quero que você para de ser tão tempestivo, e sem paciência Edward. E eu não deveria estar falando com você – ela cruzou os braços fazendo bico.

- Ah minha gata, não faz assim vai – puxei ela de volta para mais perto – olha, eu sei que faço merda após merda, mas eu posso te garantir, que eu não toquei da Stephany. A gente só conversou, e... – como eu ia dizer isso pra ela.

- E? – ela não iria desistir fácil.

- Eu só fiquei falando de você para ela – eu dei meu melhor sorriso – acredita em mim gatinha.

- Eu acredito – ela sorriu também – e ela me disse isso mesmo. Mas é melhor ouvir de você.

- Você não sabe como eu estou feliz que você me perdoou. Eu vou melhorar, você vai ver. Mas me conta essa história de você, meu pai e tudo.

- Eu posso explicar tudo meu filho – nesse momento meu pai entrou no quarto, e pela sua expressão eu percebia o alívio que ele estava sentindo naquele momento. Bella que também estava me olhando sorriu para nós.

- Eu acho que vou deixar vocês dois a sós e...

- Não – dissemos meu pai e eu.

- Você é da família Bella – meu pai disse – tem todo o direito de estar entre nós agora.

- E você é minha namorada – eu apertei sua mão e ela me olhou surpresa – ou não é?

- Eu... er – ela estava nervosa, e a culpa era toda minha – eu pensei que você não fosse mais querer me ver...

- Bella, você tem que parar de achar que vai se livrar de mim – eu sorri para ela – apesar de você ter todos os motivos para querer a separação, eu acho que mereço uma segunda chance, não é? – ela sorriu dessa vez, e parecia estar mais relaxada – e agora para de paranóia, que eu quero saber direitinho que lance é esse de eu estar pegando minha prima.

Os dois se olharam e sorriram. Eu também sorri, e mesmo não estando por dentro da história toda, eu podia sentir que ia entender tudo. Tendo ela ao meu lado eu enfrentaria o mundo. E mesmo eu não merecendo, ela ainda estava ali ao meu lado.

Bem no fundo do coração eu podia sentir a presença de minha mãe naquele quarto. Poderia ser só impressão minha, mas seu perfume estava pairando no ar. E aquilo só reforçava minha realidade, eu sempre teria que estar ao lado daquela garota, da minha flor mais Bella.

Alguns dias depois...

Agora veja se minha vida não é uma comédia. Bella é minha prima. Sim minha prima, uma que meu pai havia me dito ter desaparecido com um tio meu, quando ainda era um bebê. Eu nunca me foquei muito nesses assuntos de família e agora me arrependo.

Estávamos cada dia mais ligados um no outro. Ela era uma namorada perfeita, e me perdôou por ter saído com a Stephany naquele dia. Mas eu garanti a ela que não fizemos nada de mais, nem mesmo nos beijamos. E a culpa disso foi toda minha, pois não conseguia tirá-la da minha cabeça. E depois ainda fiquei sabendo que ela deu um corretivo na safada.

O fato daquela louca ter me drogado, e eu quase ter morrido, era mais um fator para que Bella não saísse de perto de mim. Até hoje, eu não tinha falado sobre o sonho que eu tive para ninguém. Sei lá, me sentia meio bobo, vai saber se isso tudo não foi somente o efeito da droga. E por falar em drogas, eu não fiquei com seqüelas graves, apesar dos momentos difíceis, que eu passei, e dos médicos garantirem a meu pai que poderia haver algum problema futuro, já havia se passado um mês e a única coisa que eu sentia era saudades de Bella, e uma fome fora do comum.

Meu pai tentava me agradar de todas as formas, não estava nem fazendo todos os cursos, que eu sabia que ele gostava. Somente para passar mais tempo comigo. As vezes, quando estávamos nós três na sala, eu sentia que ele e Bella trocavam olhares significativos. Nunca deixei que notassem, mas eu sabia que ainda tinha alguma coisa por trás de toda essa história. Eu iria descobrir que verdade era aquela que Dolores disse. Disso eu não tinha me esquecido.

Mas agora como um bom namorado que se preze, eu iria curtir minha gata. Tinha uma vontade imensa de levá-la para meu quarto, toda vez que estávamos juntos. Mas eu sabia que ela ainda não estava preparada. Foram muitas emoções vividas por todos nós, e eu queria que tudo com relação a ela fosse perfeito.

Meu pai sugeriu que fosse feito uma festa de boas vindas na família para Bella, e eu claro aceitei. Quem sabe não pediria sua mão em casamento também. Sim, porque eu tinha certeza do meu amor por ela. Essa seria minha chance.